Pulpit

O Evangelho Restaurado do Céu — Os Sinais que Acompanham os Crentes — O Cumprimento da Profecia — O Livro de Mórmon, uma Revelação Divina

Orson Pratt

1874-11-15

Nós, Santos dos Últimos Dias, professamos viver numa dispensação chamada a dispensação da plenitude dos tempos, uma dispensação começada e confiada aos homens em nossa era pela administração de anjos, pelas revelações do Espírito Santo, pela vinda à luz da palavra de Deus ao povo, pela restauração da autoridade aos filhos dos homens para administrar as ordenanças do Evangelho, e pela confiança a eles de uma mensagem que é exigida ser publicada entre os habitantes da terra. É bem evidente, pelo que foi declarado pelo antigo Apóstolo, que outra dispensação depois de seus dias haveria de ser introduzida entre os habitantes da terra. Lemos, no primeiro capítulo da epístola de Paulo aos Efésios, que, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas que estão em Cristo serão reunidas em um. É de acordo, portanto, com esta dispensação que vemos o povo se reunindo aqui neste Território e estendendo seus estabelecimentos a leste e a oeste, ao norte e ao sul. Mas somos apenas uma pequena parte do povo que Deus pretende reunir em um nesta dispensação. É literalmente uma dispensação de ajuntamento, não meramente um ajuntamento daqueles que estão aqui na terra em carne; mas, antes que se complete, todas as coisas em Cristo que estão nos céus também serão reunidas e unidas com aqueles que estão em Cristo na terra. Apenas começamos, mal e mal, nesta gloriosa dispensação. A Igreja foi organizada por revelação divina, anjos apareceram, a autoridade apostólica foi restaurada pelo ministério de anjos, e o reino de Deus foi estabelecido em cumprimento da promessa feita ao antigo Profeta Daniel — um reino que jamais será destruído, jamais tornará a ser desarraigado da terra e jamais será entregue a outro povo, mas continuará para sempre, enquanto todos os governos humanos, sob qualquer nome que tenham, serão desarraigados da terra pelos juízos divinos que ocorrerão à medida que o reino de Deus avançar entre as nações. Isto é claramente predito por quase todos os Profetas cujas palavras estão registradas nas divinas Escrituras. Falaram do dia em que o Evangelho seria restaurado; falaram do período em que o reino de Deus seria estabelecido e do que realizaria; falaram dos sinais que se manifestariam naqueles dias, tanto nos céus quanto na terra; disseram-nos acerca do ajuntamento, não apenas dos descendentes literais de Israel, dos quatro cantos da terra, mas também do ajuntamento de todos os Santos. Estas são coisas tão claramente preditas, que muitas vezes tenho me admirado, em minha própria mente, de que pessoas que professam crer na Bíblia e receber as instruções claras e precisas nela contidas não tenham estado à espera de uma dispensação ligada a todos estes acontecimentos que mencionei.

Que pode possivelmente significar, Santos dos Últimos Dias, aquela predição nas revelações de São João, de que outro anjo voaria pelo meio dos céus, tendo o evangelho eterno para pregar aos que habitam sobre a terra, a toda nação, e tribo, e povo, e língua, dizendo com grande voz — "Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas!" Que pode possivelmente significar esta predição e visão de João acerca do futuro e da hora do juízo de Deus, se nunca mais haveria de existir outra dispensação manifestada aos filhos dos homens? Certamente, antes de João ver esta visão, o Evangelho havia sido pregado muito extensamente entre os habitantes da terra, tanto a judeus quanto a gentios, tanto assim que Paulo, antes deste tempo, falando sobre o assunto da pregação do Evangelho, diz que fora pregado a toda criatura debaixo do céu, "do qual eu, Paulo, fui feito ministro." Parece, segundo sua declaração, que ele tinha entendimento, de algum modo, seja por revelação ou por alguma outra fonte, de que o Evangelho que lhe fora confiado em seus dias já havia sido pregado, antes de sua morte, a toda criatura debaixo do céu; contudo, João, depois deste período, estando na Ilha de Patmos, depois de haver escrito várias epístolas às igrejas que se haviam edificado, chamadas as sete igrejas, e as haver repreendido por sua maldade, apostasia e tibieza, ameaçando remover os seus candeeiros de seus lugares, e combatê-las com o Espírito de sua boca; depois de haver visto tudo isto em visão em Patmos e escrito a estas igrejas, teve diante de si uma cena que ainda estava no futuro — uma cena de trevas, apostasia, pecado e corrupção, em que todas as nações seriam mais ou menos dominadas, e durante a qual certos poderes se levantariam e lutariam contra o reino de Deus, e fariam guerra contra os Santos e os venceriam, e então outro poder seria estabelecido sobre a terra sob o nome de "A Mãe das Rameiras" — um poder eclesiástico, descrito como uma mulher sentada sobre uma besta de cor escarlate, tendo na mão um cálice de ouro cheio das imundícias e abominações da terra, fazendo com que todas as nações bebessem daquele cálice, e as embriagando com o vinho da ira de sua fornicação. João viu isto retratado entre os acontecimentos que haveriam de ocorrer depois de seus dias. Viu os Santos vencidos e, tal como o Apóstolo Paulo havia claramente predito, ocorrer uma grande apostasia, e que os homens seriam amantes de si mesmos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais, ímpios, sem afeição natural, quebradores de tratados, &c., tendo uma forma de piedade, mas negando o seu poder. Isto foi claramente visto pelo revelador em Patmos, assim como pelo Apóstolo Paulo. Depois de haver visto isto, contemplando todas as nações vencidas, todo o povo, tribo e língua adorando segundo os credos e cerimônias deste grande poder eclesiástico que se levantara, e bebendo do cálice de ouro, o anjo que revelou estas coisas a João, a fim de encorajá-lo, mostrou que esta maldade não continuaria para sempre entre as nações, e também lhe deu uma visão da maneira pela qual Deus visitaria de novo os habitantes da terra, e ele usa esta predição que citei acerca da vinda de outro anjo.

Parece que este anjo haveria de vir num período em que não haveria nação, tribo, língua ou povo em toda a terra que tivesse o poder e a autoridade para administrar o Evangelho de Cristo. Os antigos Apóstolos tinham opiniões muito diferentes sobre este assunto das sustentadas pelos teólogos de hoje. Quase todas as denominações cristãs supõem que houve igrejas cristãs sobre a terra desde os dias dos Apóstolos, segundo o modelo do Novo Testamento; mas os antigos Apóstolos viram que, em vez de serem igrejas de Cristo, teriam uma forma de piedade, negando o seu poder, em outras palavras, não teriam poder para administrar o Evangelho como era administrado nos tempos antigos; e esta apostasia seria tão universal em sua natureza, que todo povo, nações e tribos sobre a face de todo o globo seriam vencidos por ela, a tal ponto que não restaria igreja cristã alguma, não restaria povo que tivesse autoridade, não restaria povo que pudesse administrar as ordenanças do Evangelho, e por isso precisava ser restaurado do céu, e o método de sua restauração seria por um anjo do céu.

Se formos até todas essas diferentes denominações que se autodenominam cristãs, e lhes perguntarmos se Deus enviou um anjo, a resposta de cada alma será — "Nenhum anjo veio em nossos dias. Deus enviou anjos à igreja cristã nos tempos primitivos do cristianismo, mas agora, há cerca de mil e setecentos anos, não fomos visitados por anjos, e nenhuma nova mensagem foi dada." Esta será a sua declaração pelos quatro cantos do globo, onde quer que estejam organizadas igrejas cristãs, assim chamadas. Ide à grande Igreja Mãe, a mais antiga em existência entre as que professam o cristianismo, e fazei a pergunta a seus membros, e farão a mesma declaração — "Nenhuma mensagem posterior àquela dada no Novo Testamento. Deus não disse nada por nova revelação para guiar nossa igreja. As santas Escrituras e as tradições transmitidas pelos pais são as nossas regras de fé e prática." Ide à igreja grega, que se separou dos católicos romanos, cujos membros são hoje tão numerosos que se contam aos milhões, e perguntai-lhes se receberam alguma mensagem de Deus, e darão uma resposta semelhante à dada pelos católicos — "Nada de novo, nossas autoridades eclesiásticas, arcebispos, cardeais, etc., não revelam nada de novo." Isto se encontra registrado em seus escritos. Declaram que é seu ofício interpretar o antigo e trazer à luz o que os antigos pais disseram, e a igreja deve ser guiada por essas interpretações, e pelos decretos de suas autoridades não inspiradas. Assim, podemos percorrer o mundo cristão em seus quatro cantos, e havemos de encontrar que todos reconhecem e declaram que este anjo, de que fala João o Revelador, jamais apareceu a nenhum deles.

Suponhamos agora que perguntemos aos Santos dos Últimos Dias. Que credes vós, Santos dos Últimos Dias, sobre este assunto? Ora, a vossa resposta universal é — "Nós, como povo, sem uma única voz dissidente, cremos com todo o coração que Deus enviou o seu anjo do céu e restaurou o evangelho eterno em toda a sua plenitude." Que dizeis vós, missionários, élderes e sumos sacerdotes, e vós, setentas e apóstolos, que saístes durante os últimos quarenta e quatro anos, e publicastes estas novas nos quatro cantos do globo? Ora, a vossa resposta universal é — "Onde quer que tenhamos estado, publicamos aquilo que nos foi ordenado — a saber, que Deus enviou o seu anjo do céu, que esse anjo, por sua administração em nossos dias, trouxe à luz um registro sagrado chamado Livro de Mórmon, contendo a plenitude do evangelho eterno tal como foi pregado nos tempos antigos sobre este Continente Americano entre os antepassados dos índios." Este tem sido o vosso testemunho por quase meio século, não é assim? Sim. Por que destes este testemunho entre o povo? Porque vos foi ordenado que o fizésseis, era uma mensagem que vos foi confiada, e, se não houvésseis cumprido a exigência dada no mandamento, estaríeis sob condenação.

Então, no que toca à fé deste povo, ela está de acordo com a predição proferida pelo Apóstolo João. João disse que assim haveria de ser, os Santos dos Últimos Dias dizem que assim é; um predisse que estaria no futuro, o outro declara que já se cumpriu, e que Deus, em nossos dias, comissionou aquele anjo e que ele apareceu a alguns, e por meio deles confiou a plenitude do evangelho eterno à família humana e ordenou-lhes que dessem testemunho dele a todo o povo. Não há nada inconsistente, no que toca a este artigo de fé.

Mas aqui surgirá uma pergunta na mente de alguns que não investigaram este assunto; admitirão que, se o nosso testemunho é verdadeiro, a mensagem que proclamamos é uma das mais importantes que já foram confiadas ao homem nos últimos mil e setecentos anos. Todos admitirão isto; pois esta mensagem não diz respeito a uma nação apenas, mas a todas as nações, pois, como declarou João, deve ser proclamada a toda nação, tribo, língua e povo. Por quê? Porque nenhuma delas tinha o evangelho no tempo em que foi revelado, esta é a razão. Se houvesse um pequeno canto da terra onde o evangelho fosse pregado e suas ordenanças administradas por autoridade divina, não haveria necessidade de sua restauração por um anjo, tudo o que teríamos de fazer seria procurar aquele pequeno canto da terra, onde alguma língua ou povo tivesse o evangelho e a igreja organizada entre si; eles poderiam nos batizar e confirmar, e administrar-nos o sacramento e todas as bênçãos do evangelho. Mas, do próprio fato de que não havia tal povo sobre a terra em seus quatro cantos, teve de ser restaurado de novo do céu. Este é o nosso testemunho, e é claro e preciso, mas a pergunta é, entre aqueles que não o investigaram — "É isto verdade?"

Entre as evidências que têm acompanhado a confiança deste evangelho aos homens em nossos dias por um anjo, permiti-me remeter-vos àquelas que foram dadas antes que esta igreja se levantasse, quando Joseph Smith, aquele rapaz de fazenda, foi ordenado a ir ao monte Cumora e tomar do lugar de seu depósito as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, e traduzi-las. Quando lhe foi ordenado realizar esta obra, e enquanto o fazia, o Senhor Deus enviou o seu anjo a três outros homens além do tradutor, e a esses homens o anjo mostrou, folha por folha, a porção não selada dessas placas, e, ao mesmo tempo, ouviu-se a voz do Senhor desde os céus, testificando que a obra fora traduzida corretamente, e ordenando-lhes que dessem testemunho disto a todo o povo, nações e línguas a quem esta obra fosse enviada. Eles, portanto, prefixam seu testemunho no Livro de Mórmon nesse sentido, testificando do ministério do anjo, de haver visto as placas e as gravuras nelas contidas, e de sua correta tradução.

Aqui, então, foram quatro testemunhas — o tradutor e três outros, antes do surgimento desta igreja, que testificam que Deus enviou o seu anjo. Não é uma especulação da parte deles, mas algo absolutamente certo. Não podiam ser enganados quanto a este assunto. Joseph Smith não podia ser enganado quando o anjo lhe disse que fosse buscar essas placas, e lhe deu a visão do próprio lugar onde estavam depositadas, e ele realmente as obteve, e com elas o Urim e Tumim, pelo qual as traduziu. Não havia possibilidade de ele ser enganado quanto a este assunto. E, quando estes três homens, em resposta às suas orações, viram o anjo em sua glória, o viram descer do céu vestido de glória, o viram tomar essas placas, viram-nas em suas mãos, ouviram a voz de Deus desde os céus prestando testemunho da correção da tradução, ordenando-lhes que dessem testemunho a todo o povo, não podiam ser enganados quanto a este assunto; era algo positivo para eles; e, se dizeis que foram enganados, com a mesma propriedade um incrédulo poderia dizer que todos os profetas desde Adão até os dias de João, que professaram ver anjos, foram enganados; com a mesma propriedade poderiam contender contra as santas Escrituras com o mesmo fundamento com que muitos contenderiam contra o testemunho do Livro de Mórmon.

Havia outros que viram as placas além destes quatro homens? Sim. Quantos? Oito, todos antes que esta igreja fosse organizada. Estas oito testemunhas também deram o seu testemunho, e ele está prefixado ao Livro de Mórmon. Os oito não viram o anjo, mas viram as placas, e testificam que as manusearam, e viram as gravuras nelas contidas, todas com a aparência de obra antiga, e, ao concluir seu testemunho, dizem — "E disto damos testemunho, e não mentimos, sendo Deus testemunha disto."

Isto perfaz doze testemunhas do original do Livro de Mórmon. Prouvera a Deus que tivéssemos doze testemunhas do original da Bíblia, para que pudesse permanecer em igualdade de testemunho com o Livro de Mórmon! Mas, infelizmente, não existe um original que conheçamos, nem existiu por muitas gerações passadas, de nenhum livro da Bíblia, desde o começo de Gênesis até o fim do Apocalipse. Diz um — "Quereis dizer que os tradutores do rei Tiago não traduziram a Bíblia do original?" Sim, é isto que digo. Traduziram-na da língua de certos manuscritos, língua que, é claro, não era a língua inglesa; mas não traduziram do original. Por quê? Porque, pelo que sabemos, esses manuscritos podiam ser a novecentésima nonagésima nona cópia do original. Poderia haver duas mil cópias passadas de um escriba a outro e transcritas, em lugar do original. Na verdade, que homem, nos últimos dez séculos, jamais viu um dos originais da Bíblia? Não conheço nenhum, e não temos relato na história, sagrada ou profana, de que o original tenha sido visto por alguém nos últimos dez ou doze séculos; mas temos o testemunho de muitos homens eruditos, homens que professam o cristianismo e crer na Bíblia, de que, ao reunirem os manuscritos mais originais que puderam encontrar e compará-los uns com os outros — manuscritos em hebraico, grego e outras línguas antigas — descobriram que se contradiziam uns aos outros, e que há algo como trinta mil diferentes leituras entre esses diferentes manuscritos. Alguns desses eruditos reuniram uma imensa quantidade desses diversos manuscritos e gastaram grandes fortunas fazendo-o. Com que propósito? Para que pudessem traduzi-los para a língua inglesa; mas, quando chegaram a compará-los, encontraram tal variedade de contradições que abandonaram a tarefa em desespero. Outros pegaram os manuscritos que puderam obter, e fizeram o melhor que puderam. Uma coisa é certa: os tradutores do rei Tiago, entre os homens mais sábios e maiores eruditos de seu tempo, fizeram justiça ao assunto tanto quanto era possível a homens não inspirados.

Ora, o mundo cristão crê na Bíblia, assim como os Santos dos Últimos Dias. Cremos que o original era tão verdadeiro quanto o Livro de Mórmon, esta é a nossa fé; e que o Livro de Mórmon é tão verdadeiro quanto os livros originais da Bíblia. O mundo crê que a Bíblia é um registro divino, mas com que evidência o crê? Certamente não porque haja o testemunho de qualquer pessoa que jamais tenha visto o original. Aqui, então, trazemos-vos o Livro de Mórmon, e apresentamos-vos doze testemunhas que viram o original daquele livro. Não percebeis que, no que toca a esta espécie de evidência, o Livro de Mórmon é sustentado por uma quantidade maior de evidência do que a Bíblia? Há uma pessoa, entre todas as igrejas e denominações cristãs, nos últimos dezesseis séculos, que saiba que a Bíblia é verdadeira pelo ministério de um santo anjo? Não, nem um único indivíduo, pois, segundo o testemunho de todas as seitas cristãs, durante todo esse tempo nenhum anjo foi enviado e nada de novo foi revelado.

Se for verdade que Deus não revelou nada desde os dias de João o Revelador, então nenhuma pessoa recebeu conhecimento quanto à verdade da Bíblia. Mas como é com o Livro de Mórmon? Quatro homens viram um anjo. Ora, comparai ou contrastai esta evidência a respeito dos dois livros. Estes quatro homens eram homens de vossa própria época, homens que podíeis interrogar, testemunhas que tínheis o privilégio de questionar quanto ao seu testemunho. Mas dizem-nos que a Bíblia dá testemunho de sua própria divindade, e que os Santos que viveram em tempos antigos viram anjos. Ora, suponhamos que admitamos que a Bíblia dá testemunho de sua própria divindade. Voltai e lede as declarações de Néfi e Alma, e do profeta Jacó, e de muitos outros profetas que escreveram os vários livros do Livro de Mórmon, e eles testificam que viram anjos. A Bíblia testifica que os profetas que escreveram os vários livros que ela contém fizeram o mesmo. Ora, ponde um lado a lado com o outro e, no que toca a essa espécie de evidência, um é exatamente igual ao outro.

Novamente, a Bíblia diz, ao dar uma comissão aos antigos apóstolos para irem pregar o evangelho, que certos sinais haveriam de seguir todos os crentes por todo o mundo. "Ide, e pregai o evangelho a toda criatura debaixo do céu, quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado; e estes sinais seguirão os que crerem — em meu nome expulsarão demônios." Notai bem, agora, não os apóstolos apenas, eles não eram os únicos a quem estes sinais haveriam de seguir, mas haveriam de seguir toda criatura em todo o mundo que cresse, tornando-o tão definido e ilimitado quanto possível. Não somente teriam a salvação, mas seriam abençoados com certos sinais que os seguiriam. Quais eram? "Em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes, e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum, porão as mãos sobre os enfermos e eles sararão." Certas promessas definidas foram feitas aos crentes, pelas quais poderiam distinguir-se de todo o resto da humanidade, e está registrado nos versículos seguintes do mesmo capítulo, que os apóstolos foram por toda parte pregando a palavra, o Senhor operando com eles e confirmando a palavra com os sinais que a seguiam.

Que devemos entender por confirmar a palavra com sinais que a seguem? Devemos entender que somente os Apóstolos confirmaram a palavra? Não. Havia certos sinais que haveriam de seguir os crentes onde quer que pregassem. A promessa era para toda criatura em todo o mundo. Foram por toda parte e pregaram esta palavra, e o Senhor operou com eles, confirmando a palavra a todo crente por todo o mundo, fazendo cumprir a promessa a esses crentes. Aqui, então, os crentes não tinham nenhuma necessidade particular de pedir aos apóstolos que realizassem milagres, pois eles mesmos eram abençoados com certos sinais milagrosos, e o Senhor confirmava esses sinais sobre eles, de modo que não eram obrigados a buscar testemunho estrangeiro, ou milagres realizados por outra pessoa, pois toda pessoa, homem ou mulher, que cresse e obedecesse àquele evangelho, obtinha para si mesma os sinais prometidos. É isto que as Escrituras nos informam, e, nesta dispensação, quando Deus revelou este Evangelho de novo, e enviou o seu anjo e organizou a sua igreja, e enviou os seus servos, a mesma promessa foi feita como aos antigos Santos. Posso ler isto aqui neste livro, pois este é o livro das revelações e mandamentos que foi dado ao Profeta Joseph Smith antes do surgimento desta igreja, e num curto período depois do seu surgimento. Neste livro encontramos registrado algo como isto — "Como disse a meus antigos apóstolos, também vos digo" — falando aos élderes desta igreja — "ide entre todas as nações, pregando o meu evangelho; quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado; e estes sinais seguirão os que crerem — em meu nome expulsarão demônios, em meu nome abrirão os olhos dos cegos, desataparão os ouvidos dos surdos, farão a língua dos mudos falar, e o coxo saltará como um cervo." Esta promessa não foi feita apenas aos élderes que saíram nesta dispensação, mas a todos, por todo o mundo, que creem em seu testemunho.

Esta era linguagem bastante ousada para se usar, se Joseph Smith fosse realmente um impostor; se ele fosse um impostor, ao usar tal linguagem e fazer tal promessa, teria lançado o fundamento para a derrocada de seu próprio sistema. É coisa muito fácil fazer uma promessa desta espécie, nada é mais fácil do que isso; mas cumpri-la é outra coisa inteiramente diferente. Aqui houve uma promessa feita bem no início do surgimento desta igreja, há mais de quarenta anos, de que certos sinais haveriam de seguir aqueles que recebessem e obedecessem a este evangelho. Indaguemos sobre este assunto, pois esta é uma espécie de evidência sobre a qual se detêm os opositores desta obra onde quer que vamos. Quando os élderes vieram até vós, Santos dos Últimos Dias, nas várias nações onde residíeis, e vos pregaram o evangelho, o Senhor confirmou estas promessas a vós, ou não? Podeis ouvir o testemunho unido de umas cinquenta ou cem mil pessoas que habitam neste Território, de que Deus verdadeira e realmente confirmou esta promessa aos seus servos, e às suas servas, enquanto nas diferentes nações de onde emigraram; que ele de fato fez com que os cegos vissem, os coxos andassem, a língua dos mudos falasse, e que fez o seu poder se manifestar de fato, exatamente como a promessa foi dada.

Aqui, então, havia uma vasta nuvem de testemunhas, umas cinquenta mil testemunhas vivas. Podemos encontrar uma só testemunha viva que dê semelhante evidência da verdade da Bíblia? Não. Ide a todas as denominações cristãs e perguntai-lhes — "Sois crentes?" "Oh, sim, somos crentes." "Os sinais que Jesus disse haveriam de seguir os crentes vos seguem?" Qual é a resposta delas? Não, quase sem exceção. Poderá haver algumas poucas exceções; mas qual era a resposta universal antes que o espiritismo começasse, antes dos dias em que Joseph trouxe à luz esta obra, e por alguns anos depois, entre as denominações cristãs? Era — "Não, Deus não manifestou nenhum daqueles sinais que disse haveriam de seguir os crentes." Por que, então, vos chamais crentes? Se Deus não confirmou a palavra a vós por sinais que a seguem, como sabeis que sois crentes? Não seria possível que estejais vos enganando a vós mesmos? Não seria possível que tenhais apenas uma forma de piedade, e que o poder não vos acompanhe? Segundo o próprio testemunho delas, não têm direito nem autoridade para se chamarem crentes; e a promessa contida na Bíblia, feita aos crentes, jamais foi confirmada a nenhuma das assim chamadas seitas cristãs desde os dias em que os tradutores do rei Tiago as traduziram. Mas, quando tomamos o Livro de Mórmon e o examinamos por esta espécie de evidência, temos cinquenta mil testemunhas prontas a testificar do cumprimento destas promessas, muitas delas havendo experimentado o cumprimento delas em suas próprias pessoas, enquanto outras viram as manifestações do poder de Deus ao curar os enfermos e aflitos entre o seu povo de tempos em tempos; consequentemente, os Santos dos Últimos Dias têm cinquenta mil vezes mais evidência, no que toca aos sinais que acompanham, da divindade do Livro de Mórmon do que o mundo cristão tem da divindade do livro chamado Bíblia.

Além disso, há outra espécie de evidência que o Senhor prometeu antes do surgimento desta igreja, quando conferiu novamente o apostolado sobre as cabeças dos filhos dos homens, e lhes deu autoridade para pregar este evangelho e administrar suas ordenanças; disse-lhes que haveriam de pregar o evangelho, e que haveriam de batizar todo crente penitente que desejasse o batismo, e que haveriam de impor as mãos sobre as cabeças daqueles crentes penitentes em confirmação, pronunciando, pela autoridade de seu apostolado e ofício e chamado, o Espírito Santo sobre aqueles crentes batizados; e Deus prometeu, antes do surgimento desta igreja, que toda alma, entre todos os povos, nações e línguas, que recebesse este evangelho com plena disposição de coração, seria batizada com fogo e com o Espírito Santo pela imposição das mãos de seus servos. É coisa muito fácil para um impostor fazer uma promessa desta espécie, mas, supondo que não se cumprisse, supondo que o Espírito Santo não viesse sobre o povo, no espaço de um ou dois anos os crentes, assim chamados, no mormonismo, todos apostatariam, diriam muito naturalmente — "a promessa foi feita de que receberíamos o Espírito Santo por meio da ordenança da imposição das mãos, e, contudo, não o recebemos." "Aqui está a promessa de que curaríamos os enfermos, e de que os vários sinais nos seguiriam, mas estas promessas não se cumpriram, afastamo-nos do vosso sistema com desgosto, não cremos que haja nele autoridade alguma," e o mormonismo teria sido logo banido da existência. Mas quais são os fatos? O fato de que existem agora cem mil Santos dos Últimos Dias reunidos das várias nações da terra a estas regiões montanhosas prova-me, além de disputa ou controvérsia, que de fato experimentaram a promessa, a saber, que o Espírito Santo repousou sobre eles, e que, em virtude desse dom, receberam revelação e visões e profecias e a palavra do Senhor a si mesmos, e souberam com certeza que esta era a obra de Deus; e, em consequência deste conhecimento, não mera fé, mas em consequência deste conhecimento que receberam em suas próprias terras natais, reuniram-se aqui a esta terra. Seria necessário um grande grau de fé para induzir pessoas a abandonarem as suas próprias terras e os lares e sepulturas de seus antepassados, para atravessarem o oceano cerca de três mil milhas, e depois empreenderem uma viagem interior de duas ou três mil milhas ou mais, e chegarem a um país deserto, como este era quando primeiro nos estabelecemos nesta terra; digo que seria necessária muita fé para induzir as pessoas a fazerem isto. Mas deixai-me dizer-vos que não foi só pela fé que os crentes no sistema estabelecido pelo Profeta Joseph Smith fizeram isto; foi algo além da fé — obtiveram um conhecimento antes de partir. Pode haver algumas exceções, mas muitos deles obtiveram um conhecimento, antes de deixar seus países natais, de que esta era a obra de Deus. Obtivestes este conhecimento pela inspiração do Espírito Santo; os dons desse Espírito se manifestaram entre vós como se manifestaram entre os membros da antiga Igreja, e, por sua inspiração, fostes edificados e instruídos, e recebestes um conhecimento, em cumprimento da promessa de Jesus feita em tempos antigos — "Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Em primeiro lugar, têm de crer antes de poderem fazer a vontade do Pai; mas crença e conhecimento são duas coisas muito diferentes. Pela fé, sem conhecimento, muitos se arrependem e obedecem às ordenanças do Evangelho, e então recebem um testemunho para si mesmos, alguns de uma maneira, alguns de outra; alguns tendo visões dadas a eles, alguns pelo ministério de santos mensageiros, alguns pela cura dos enfermos, alguns pelas revelações e inspiração do Espírito Santo.

Estas são, então, as evidências que temos a apresentar perante o mundo, para comprovar a divina autenticidade do Livro de Mórmon. Tendes alguma objeção a elas? Diz um — "Aqui está a minha objeção; não importa quantos milagres sejam realizados, quantos sinais sejam dados, e qualquer que seja a evidência que se pretenda ter recebido, isso não importa, se algo é inconsistente em si mesmo, se contradiz a si mesmo, se contradiz a Bíblia, eu o rejeitarei." Honro-vos por esse juízo, eu faria o mesmo. Se o Livro de Mórmon contradissesse as revelações de Deus chamadas a Bíblia, dadas no outro continente, poderíeis arrancar os sicômoros e lançá-los ao mar, ou poderíeis dizer a este monte — "Aparta-te daqui," e, se isso se fizesse, não seria evidência suficiente em minha mente para me fazer aceitá-lo. Uma coisa deve ser consistente, e, quando vimos abrir e ler o Livro de Mórmon, encontramos alguma evidência nele de sua falsidade? Lede-o do começo ao fim quanto à sua matéria histórica. Pretende ser a história da vinda de uma pequena colônia, duas ou três famílias, da cidade de Jerusalém, conduzida pela mão do Senhor. Construíram um navio por mandamento do Senhor, e foram guiados por sua mão através do oceano; desembarcaram na costa ocidental da América do Sul, cerca de seiscentos anos antes de Cristo; e, depois disso, foram abrindo caminho em direção à estreita faixa de terra que chamamos o Istmo, e fundaram estabelecimentos e, finalmente, cerca de cinquenta anos antes de Cristo, enviaram suas colônias para a ala norte do continente, que chamamos América do Norte, e, com o tempo, toda a terra ficou povoada e coberta de milhões de pessoas. Ora, lede esta história desde o tempo em que deixaram Jerusalém até o tempo em que a nação nefita foi destruída por outra parte da nação chamada lamanitas, e seus registros foram escondidos pelo seu último Profeta: lede esta história e vede se encontrais nela alguma contradição; se não a encontrardes, não podereis condenar o livro no que toca à matéria histórica.

Diz um — "Ah, mas pode ter sido elaborado por algum indivíduo astuto, que foi muito cuidadoso em sua gestão, de modo a fazer com que todos os elos da história se encaixassem perfeitamente uns com os outros, e, ainda assim, pode ser falso." Com que fundamento? Diz o objetor — "Talvez as doutrinas ensinadas em diferentes épocas pelos vários Profetas mencionados nos diversos livros da compilação não concordem." Muito bem, lede todos os livros contidos na compilação, o período incluído nela compreende mil anos, desde o tempo em que desembarcaram no continente até o tempo em que os nefitas foram destruídos, examinai a doutrina pregada por cada Profeta nas sucessivas gerações e vede se encontrais alguma contradição; se não encontrardes nada que se contradiga a si mesmo, então vede se podeis encontrar naquele livro algo que contradiga o que está contido na compilação dos Profetas no hemisfério oriental; vede se podeis encontrar algo no Livro de Mórmon que contraste ou contradiga a Bíblia, então talvez tenhais alguma justificativa para dizer que não credes nele. Mas, quando tiverdes feito este exame minucioso e não encontrardes contradições entre os dois registros, certamente não tereis direito de dizer que o livro é falso, no que toca às suas doutrinas.

Diz um — "Aquele livro chamado Livro de Mórmon pretende ser um registro profético, e tem muitas profecias, e talvez essas profecias discordem das profecias contidas no Antigo Testamento, ou talvez discordem entre si mesmas, caso em que enfraqueceria a minha fé quanto a ele." Neste caso diria como disse acerca de suas doutrinas — examinai diligentemente todas as suas profecias — e ele contém profecias que alcançam até os confins da terra — examinai diligentemente aquelas que se cumpriram desde o surgimento da Igreja, bem como antes, e examinai aquelas que ainda estão para se cumprir, desde agora até a vinda do Salvador, e desde então até o fim da terra, e vede se podeis encontrar uma contradição em todo o registro; e depois comparai-as com as profecias contidas na Bíblia, e, se não se contradisserem umas às outras, tereis vós ou eu algum direito de dizer que não é uma revelação de Deus? Deve haver alguma evidência que possamos apresentar pela qual sejamos justificados em rejeitar um livro por não ser uma revelação divina. Ora, onde está essa evidência, que espécie de evidência é, onde pode ser obtida, de que quadrante, a fim de condenar aquele livro por não ser uma revelação divina? Não conheço nenhuma.

Dei-vos, muito brevemente, as minhas razões, e as razões dos Santos dos Últimos Dias para crer que aquele livro é uma revelação divina. Além disso, permiti-me ir ainda mais adiante. Encontramos na Bíblia, o registro judaico, muitas profecias que apontam para a vinda à luz de um registro semelhante ao chamado Livro de Mórmon, apontando o que se cumpriria quando certo registro ou livro viesse à luz; apontando um período, tempo ou época do mundo em que viria à luz, e o objetivo para o qual viria à luz.

Ora, o Livro de Mórmon veio à luz para cumprir estas antigas profecias. Não tenho tempo para me referir a elas particularmente hoje, mas aqueles que têm ouvido estas coisas por quarenta anos estão bem versados quanto às predições da Bíblia, relativas à vinda à luz de uma obra como o Livro de Mórmon. Ora, deixai que qualquer homem erudito prove que esta obra não veio à luz em cumprimento dessas profecias, mostre alguma discrepância, mostre em que não pode possivelmente ser o cumprimento dessas profecias. Podem fazer isso? Se puderem, talvez tenham alguma pequena justificativa para rejeitar a obra; mas, se, por outro lado, não puderem mostrar o cumprimento dessas profecias em quaisquer outros fatos que tenham sido revelados; se não puderem provar que o Livro de Mórmon não é o cumprimento dessas profecias, certamente não poderão ser justificados em rejeitá-lo. "Bem," diz um, "há alguma profecia especial na Bíblia que chame aquele livro pelo nome, ou que haveria de haver um livro chamado Livro de Mórmon, que viesse à luz?" Ao responder esta pergunta, permiti-me fazer-vos outra pergunta — Há algo na profecia de Isaías, ou de qualquer Profeta que viveu antes de seus dias, que fale particularmente de um Profeta que viria à luz pelo nome de Jeremias, que revelaria certas revelações? "Oh, não," diz um. Bem, então, não deveríeis rejeitar a profecia de Jeremias, visto que nenhum Profeta que o precedeu falou dele, ninguém que viveu antes dele que dissesse uma palavra sobre seu livro chamado o Livro de Jeremias? Além disso, não houve Profetas que profetizassem acerca da vinda de Ezequiel e seu livro, e Oséias e seu livro, e de Joel, Amós, Malaquias, e muitos dos antigos Profetas que poderiam ser mencionados? Que Profeta precedente profetizou acerca da vinda à luz destes livros? Nenhum. Os judeus teriam tido o mesmo direito, nos dias desses Profetas, de dizer — "Rejeitar-te-ei, Jeremias, e não receberei as tuas revelações, e minhas razões para te rejeitar são que nenhum dos Profetas precedentes te nomeou pelo nome, e não falaram do teu livro." Os judeus poderiam ter rejeitado todo o catálogo dos Profetas com este fundamento; portanto, esta é outra espécie de evidência a favor do Livro de Mórmon, além daquela que se pode trazer para estabelecer a divindade da Bíblia.

Que mais se poderia dizer para provar a divindade do Livro de Mórmon? Trarei alguma outra evidência além de tudo o que mencionei. Dizem-nos, nas profecias dos santos Profetas, não somente acerca da vinda do anjo, mas nos dizem que, quando Deus estabelecesse o seu reino e enviasse aquele anjo, seria uma dispensação de ajuntamento do povo de Deus. Ora, supondo que Joseph Smith tivesse todas essas provas que mencionei para testificar acerca da divindade deste livro, e nada houvesse dito sobre o ajuntamento, que então? Ora, vós e eu poderíamos ir para casa e dizer, "adeus, Joseph Smith, não cremos que sejas um Profeta." "Por quê?" "Porque a dispensação dos últimos dias havia de se caracterizar pelo ajuntamento de todas as coisas em um que estão em Cristo, e não disseste nada sobre isso, e por isso te rejeitamos." Mas é assim? Não; antes do surgimento desta Igreja, enquanto Joseph Smith traduzia o Livro de Mórmon, é predito ali, nesta tradução, que a Igreja iria daquele continente a todo o povo, nações e línguas da terra, e que todos os que cressem seriam reunidos em um. Ora, como sabia Joseph Smith que aquilo se cumpriria, quando não havia Igreja em existência? É coisa muito fácil, como disse antes, profetizar, mas cumprir é outra coisa. Mas aqui em Utah está o cumprimento, pois aqui estão mais de cem mil pessoas reunidas das nações da terra, provando definitivamente, ao menos no que toca a esta espécie de evidência, que Joseph Smith era certamente um verdadeiro Profeta, pois o predisse antes de começar a se realizar.

Há outra espécie de evidência neste livro. Está predito em suas páginas que, depois de vir à luz nos últimos dias e a Igreja haver sido estabelecida, o sangue dos Santos clamaria da terra contra os seus perseguidores e aqueles que os matassem. Esta era uma profecia, cujo cumprimento, numa época esclarecida como esta, parecia muito improvável. Verificamos que, desde a organização deste governo livre, e a nossa grande carta de liberdades e constituição, desde o tempo da enunciação destes escolhidos princípios republicanos sobre este continente por esta grande e poderosa nação, o sangue de nenhuma seita ou partido, por assim dizer, manchou o nosso solo por causa da crença do povo. Às vezes matam-se em motins sobre a questão da escravidão, ou algo semelhante; mas, quando se trata de religião, tem sido geralmente um pouco de perseguição com a língua, e isso tem sido praticamente tudo. Mas aqui houve uma predição, antes do surgimento da Igreja, de que o sangue dos Santos clamaria da terra contra os seus perseguidores. Isto se cumpriu literalmente. Não precisamos remeter-vos às dezenas de Santos que foram baleados a sangue frio, os quais, enquanto emigravam com suas esposas e filhos a fim de se estabelecerem noutro país, foram atacados por motins, perseguidos até uma forja de ferreiro, e ali cerca de dezoito ou vinte deles foram baleados por seus perseguidores, que apontaram suas armas entre as toras da oficina. Depois, quando terminaram esses assassinatos, começaram a roubar-lhes as roupas e a tirar-lhes as botas e a calçá-las, e, enquanto faziam isso, descobriram duas ou três criancinhas que se haviam escondido sob o fole na esperança de escapar. Que fizeram com essas crianças? Chamaram-nas para fora, e, colocando suas armas em suas cabeças, atiraram nelas e as destruíram. Todas essas coisas se passaram nos últimos quarenta anos, sobre esta grande e gloriosa terra nossa. A constituição é boa, ela não tem culpa, ela nos dá o privilégio da liberdade religiosa; mas aqueles que viveram sob este governo livre acharam por bem assim perseguir e assassinar os Santos, e o sangue deles foi derramado, e agora clama da terra por vingança sobre a nação.

Diz um — "Por que sobre a nação?" Porque não foi feito por um motim privado, mas pelos funcionários de um Estado; foi feito pela mais alta autoridade e poder de um Estado, por indivíduos que foram organizados sob autoridade estadual para agirem contra um povo inocente. Nunca havíamos violado uma lei, e os registros de seus tribunais não puderam mostrar um único caso em que este povo houvesse transgredido as leis da terra.

O povo assim organizado para expulsar os Santos dos Últimos Dias tinha, é claro, suas razões para assim proceder, todos as têm, ou procuram encontrar uma razão para o curso que seguem. Uma razão apontada para perseguir os Santos foi que eles criam nos dons em que os antigos Santos criam. Alguns poderão duvidar da verdade desta afirmação, mas a estes digo, ide e lede seus documentos, e ali encontrareis as razões que apresentaram para esta obra assassina, e, entre essas razões, dizem — "Certo povo veio para o meio de nós que crê em falar em línguas, na interpretação de línguas, na cura dos enfermos, e nos vários dons que existiam na antiga Igreja, e empenhamos a nós mesmos e nossos bens e tudo o que temos que os removeremos do nosso meio, pacificamente se pudermos, e à força se formos obrigados."

Ora, poderíeis crer que um povo seria expulso de seus lares e assassinado por indivíduos por estarem exercendo direitos religiosos garantidos a eles pela constituição de seu país? Sabia Joseph Smith que tal perseguição surgiria antes de a Igreja ser organizada? Poderia ele haver escrito tais profecias e o Livro de Mórmon se fosse um impostor? Como sabia ele que jamais se cumpririam? Como sabia que este Evangelho se espalharia até os confins da terra? Como sabia que o povo, no estrangeiro em outras nações, se reuniria a esta terra, segundo as profecias que foram proferidas? Todas estas coisas provam que ele era um profeta enviado por Deus, pois suas profecias se cumpriram.

Finalmente, examinai todo ponto de evidência em que possais pensar; tomai, passo a passo, os vários acontecimentos que devem ocorrer — a pregação do Evangelho aos gentios para trazer a sua plenitude, a fim de que os seus tempos se cumpram; a pregação dele aos judeus; a pregação dele às tribos dispersas de Israel, e todos os demais acontecimentos preditos em conexão com esta obra dos últimos dias; tomai-os um por um, e vede se este povo deixou uma só coisa de fora de sua fé que devesse caracterizar a dispensação da plenitude dos tempos. Predizem as Escrituras o ajuntamento dos judeus dos quatro cantos da terra? O Livro de Mórmon faz a mesma coisa. Dizem as Escrituras que os judeus permaneceriam dispersos até que se cumprissem os tempos dos gentios? O Livro de Mórmon e as Revelações dadas a esta Igreja declaram a mesma coisa. Declararam os antigos Profetas e Apóstolos que o Evangelho do Reino seria pregado a todas as nações, que a plenitude dos gentios entraria antes que todo o Israel fosse salvo? Isto também está de acordo com a fé da Igreja dos Santos dos Últimos Dias e está contido em nossos escritos. E, finalmente, tomai todo princípio, predito pelos antigos Profetas, pertencente à grande obra preparatória para a vinda do Senhor desde os céus, e vede se difere em um só iota da crença dos Santos dos Últimos Dias. Quando reunimos todas estas evidências, não nos envergonhamos de nossa fé, não nos envergonhamos de nossa doutrina, não nos envergonhamos da dispensação que nos foi confiada. Somos plenamente capazes, por meio do auxílio do Espírito Santo enviado do céu, e da graça de Deus derramada em nossos corações, de manter, com toda ousadia e confiança, os grandes, celestiais e gloriosos princípios que Deus, nosso Pai celestial, nos revelou nestes últimos tempos. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Evangelho Restaurado do Céu — Os Sinais que Acompanham os Crentes — O Cumprimento da Profecia — O Livro de Mórmon, uma Revelação Divina”, (1874-11-15). Pulpit Vault, 1874-11-pratt-the-gospel-restored-from-heaven-signs-follow-believers-fulfillment-of-prophecy-book-of-mormon-a-divine-revelation. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).