Destruição dos Ímpios pelo Dilúvio Sabedoria em Deus Sacerdócio Templos A Inteligência Vem de Deus O Senhor Cuidará dos Santos Anjos Operando com os Homens na Obra da Redenção Humana
John Taylor
Estou feliz por ter a oportunidade de me reunir com os irmãos, e de conversar sobre os assuntos pertencentes ao reino de Deus, nesta Conferência. Estamos empenhados numa obra em que todos nós temos interesse, individual e coletivamente. É uma obra que difere de qualquer outra que exista no momento presente na face da terra, e em muitos aspectos difere de qualquer coisa que já tenha existido. Não sei se somos de algum modo responsáveis por isto, ou pela posição em que nos encontramos. As circunstâncias que nos rodeiam não são, particular ou especialmente, de nossa própria feitura, nem os princípios em que cremos. Temos uma fé permanente, como ouvimos referido nesta manhã, em certos princípios que emanaram dos céus; e nos achamos na terra neste momento particular, nesta dispensação peculiar, e empenhados numa obra que depende, ia dizer, inteiramente do Todo-Poderoso, e que é parte integrante daquele programa que existia em sua mente antes de o mundo entrar em existência. ¶
Têm existido diferentes dispensações nas várias eras do tempo, à medida que os propósitos de Deus avançaram a respeito desta terra; todas elas, mais ou menos, participaram dos mesmos princípios que nos foram revelados, isto é, no que diz respeito ao Evangelho, mas todas diferindo mais ou menos. ¶
O primeiro mandamento dado ao homem foi ser fecundo, multiplicar-se e encher a terra; em outras palavras, uma terra havia sido criada, e era necessário, visto que fora trazida à existência e o homem nela colocado, que sua semente se propagasse, para que houvesse corpos preparados para os espíritos habitarem, para que, juntos, pudessem realizar certos propósitos, nos desígnios de Deus, pertinentes à criação da terra. ¶
Com o tempo, achamos o povo se afastando dos princípios da verdade, das leis do Evangelho, repudiando o temor de Deus, entristecendo seu Santo Espírito, e incorrendo em seu desagrado. Então veio um dilúvio, e os habitantes do mundo, com exceção de uns pouquíssimos, foram varridos dele, depois que o Evangelho havia sido pregado a todos os que então viviam, e todos tiveram a oportunidade de nele crer e obedecer. Alguns poucos o fizeram, e viveram no temor de Deus, e, segundo as revelações que temos, foram transladados e arrebatados, tiveram uma existência separada daqueles que viviam na terra, e ocuparam a posição de seres transladados, e necessariamente eram governados por outras leis que não as dos habitantes da terra. Esta foi uma peculiaridade da dispensação anterior ao dilúvio. Depois veio o dilúvio, que muitas pessoas, desconhecedoras das coisas tal como existiam no seio de Deus, e de seus propósitos e desígnios, consideram ter sido uma grande crueldade, um ato de tirania, evidenciando um espírito de ultraje e opressão sobre os habitantes do mundo. Céticos raciocinam desta maneira, às vezes, sendo a única razão de suas críticas o fato de não compreenderem Deus, nem suas leis e desígnios a respeito da terra e dos habitantes que nela vivem, e, sendo ignorantes destas coisas, não são juízes competentes quanto à adequação das coisas em geral, e do rumo seguido pelo Todo-Poderoso a respeito dos habitantes da terra, por isso chegam a todo tipo de conclusões tolas. O fato é que havia certas ideias ligadas à destruição do mundo que eram boas, próprias e misericordiosas. À humanidade foram confiados certos poderes, entre os quais o poder de perpetuar sua própria espécie, do qual não poderiam, segundo as leis da natureza, ser privados enquanto vivos. E tinham certo arbítrio próprio, sobre o qual podiam agir, e o povo que foi destruído no dilúvio havia se afastado das leis de Deus. O homem tem um ser dual, não apenas um corpo ou tabernáculo mortal, mas um espírito, e esse espírito existia antes de ele vir para cá; e, se aos homens antes do dilúvio tivesse sido permitido prosseguir em suas iniquidades, e se, com todo pensamento e imaginação de seus corações, que eram todos ilícitos e maus, lhes tivesse sido permitido perpetuar aquele tipo de existência, é claro que Deus teria muito pouco a ver com as operações da terra e de seus habitantes; teria sido, portanto, injusto para com os espíritos criados por nosso Pai nos mundos eternos, forçá-los a vir habitar os corpos degenerados que deveriam ter recebido de tais personagens quanto os da geração afogada no dilúvio; e por isso Deus lhes tirou o arbítrio, destruindo-os da face da terra, porque estavam prostituindo seus poderes para um uso impróprio, e não apenas prejudicando a si mesmos, ao desafiarem a lei de Deus, mas também infligindo um mal a gerações ainda não nascidas, ao perverterem sua própria existência, e, por seus poderes de procriação, legando miséria a milhões de espíritos que tinham o justo direito de esperar proteção de seu Pai. O Todo-Poderoso, portanto, tomou este terrível método para reparar este grave dano, e tinha o direito de o fazer. Ora, nossos criadores de gado agem bastante segundo esse princípio. Estava conversando, há pouco, com um deles, que tinha um grande rebanho de ovelhas, e ele me disse que havia conseguido melhor rebanho, e ia abater os fracos, a fim de criar apenas bom rebanho, e uma raça melhor do que a que então tinha. Suponho que Deus tinha tanto direito de fazer isso quanto os criadores de ovelhas e de gado têm, e assim, ao cortar aquela geração ímpia da terra, privou-a do privilégio de propagar sua própria espécie. E depois? Ó, foram todos condenados. Não, não inteiramente; sim, em parte, e em parte não. Deus entende todas estas coisas, e administra os assuntos segundo o conselho de sua vontade, e por isso proveu uma maneira pela qual o povo que então se afogou, que não quis ouvir a lei de Deus, e que se afastara inteiramente dos preceitos de Jeová, pudesse, doravante, ter uma oportunidade de obedecer às leis de vida e salvação. Bem, não foram todos totalmente condenados a ir e serem assados em chamas para todo o sempre. Não exatamente; pois lemos que Jesus, quando foi morto na carne, foi vivificado no espírito, pelo qual foi e pregou aos espíritos em prisão, que outrora foram desobedientes nos dias de Noé, quando a longanimidade de Deus os esperou, uma vez, naqueles dias. Por isso vemos que, em vez de serem eternamente condenados, Jesus foi pregar o Evangelho de vida e salvação àqueles que Deus, nos dias de Noé, varreu pelo dilúvio, a fim de introduzir outro estado de coisas, e tentar levantar um povo que ouvisse suas leis e obedecesse a seus preceitos. ¶
As Escrituras dizem que Jesus foi e pregou aos espíritos em prisão, do mesmo modo que havia pregado a outros na terra. Que pregou ele? Dizem as Escrituras o que veio pregar? Sim, dizem que "veio pregar o Evangelho aos pobres, curar os quebrantados de coração, dar liberdade aos que estavam presos, e abrir as portas da prisão ao cativo." Isso é o que veio fazer, e o fez. ¶
Não estamos ligados a algo que existirá apenas por poucos anos, algumas das peculiares ideias e dogmas dos homens, alguma bela teoria de sua formação; os princípios em que cremos retrocedem à eternidade, se originaram com os Deuses nos mundos eternos, e se estendem adiante, para as eternidades que hão de vir. Sentimos que estamos operando com Deus, em conjunto com aqueles que foram, com aqueles que são, e com aqueles que hão de vir. ¶
Achamos que, depois dos dias de Noé, foi introduzida uma ordem chamada a ordem patriarcal, na qual cada homem administrava seus próprios assuntos familiares, e homens proeminentes entre eles eram reis e sacerdotes de Deus, e oficiavam no que é conhecido entre nós como o Sacerdócio do Filho de Deus, ou o Sacerdócio segundo a Ordem de Melquisedeque. O homem começou novamente a se multiplicar na face da terra, e os chefes de família se tornaram seus reis e sacerdotes, isto é, os pais de seu próprio povo, e estavam mais ou menos sob a influência e orientação do Todo-Poderoso. Lemos, por exemplo, em nossas revelações a respeito destes assuntos, de um homem chamado Melquisedeque, que era um grande sumo sacerdote. Somos informados de que "havia muitos sumos sacerdotes em seus dias, e antes dele e depois dele;" e estes homens tinham comunicação com Deus, e eram ensinados por ele a respeito de seus procedimentos gerais, e reconheciam a mão de Deus em todas as coisas com que estavam associados. Noé e seus descendentes, por um longo tempo, fizeram o que era certo aos olhos de Deus em grande medida, mas, com o tempo, se afastaram de sua lei, e Abraão foi levantado como agente especial na mão do Todo-Poderoso, para disseminar princípios corretos entre o povo, e como meio através do qual Deus comunicaria inteligência e bênçãos à família humana. Ele passou por um curso muito rígido de disciplina, e foi provado de quase todas as maneiras possíveis, até que, finalmente, foi chamado a oferecer seu filho; e então, quando tentou fazer isso, e o Senhor o havia plenamente provado, o Senhor disse -- "Sei que Abraão me teme, que não me negou seu único filho, e sei que ordenará a seus filhos depois dele que temam meu nome." Depois de Deus provar Abraão, o levou a um monte, e lhe disse -- "Levanta teus olhos para o oriente e para o ocidente, e para o sul e para o norte, pois a ti e à tua semente depois de ti darei esta terra; e em ti e em tua semente serão abençoadas todas as famílias da terra." Essa foi uma grande bênção, e colocou Abraão numa posição de suma proeminência e importância diante de Deus, diante do povo, e diante do mundo. Ora, embora Deus tenha feito essa promessa a Abraão, contudo Estêvão, que viveu uns dois mil anos depois, disse que "Deus não lhe deu herança alguma naquela terra, nem sequer o suficiente para pousar o pé, mas prometeu que lha daria, a ele e a sua semente depois dele." Havia algo peculiar a respeito de todos estes homens -- estando na posse do Sacerdócio eterno, que é sem princípio de dias nem fim de anos, mediam as coisas com o olho do Todo-Poderoso, pelo princípio da fé, pelo conhecimento e intuição que o Espírito de Deus lhes deu, e as revelações que ele impartiu, e sentiam-se como alguém dos tempos antigos, que disse -- "Morrendo o homem, tornará a viver? Todos os dias de minha vida, até meu tempo determinado, esperarei, até que venha a mudança." Inspirados pelo Espírito do Deus vivo, na posse dos princípios da revelação, detendo as chaves do Sacerdócio eterno, que desvendava os mistérios do reino de Deus, olhavam para frente e para trás, e sentiam que eram parte do grande programa que Deus desejava realizar a respeito da terra. Não era pela posse imediata de algum bem temporário; não pela obtenção de algo que pudessem reter por algum tempo que estavam ansiosos; mas buscavam riquezas, exaltações, glória e bênçãos que continuariam "enquanto durar a vida, ou o pensamento, ou o ser, ou perdurar a imortalidade." ¶
Dos lombos de Abraão descenderam muitos grandes Profetas, videntes, reveladores, homens de Deus, reis, príncipes e autoridades; e levantaram uma nação que foi poderosa em seus dias e geração. Mas eles, como outros, finalmente se afastaram das leis de Deus e dos princípios da verdade eterna, e então o poder do Sacerdócio de Melquisedeque lhes foi retirado, e a lei foi acrescentada por causa da transgressão, e, embora se tornassem um povo numeroso, grande, rico, sábio e inteligente, contudo perderam, por longo tempo, o poder, a inteligência, a vida e a luz da revelação que o Evangelho imparte. ¶
Depois veio o tempo em que Jesus apareceu na terra. Era "um cordeiro morto desde a fundação do mundo," e veio realizar coisas que haviam sido planejadas pelo Todo-Poderoso antes de o mundo existir. Era o Ser a quem os antediluvianos, e Abraão, e Isaque e Jacó, e os Profetas, Patriarcas, e aqueles cheios do Espírito de Deus e da luz da revelação se referiam, e para quem olhavam; para ele apontavam todos os seus sacrifícios, e o derramamento do sangue de touros e bodes, novilhas, cordeiros, etc. Jesus introduziu o Evangelho, e, se o povo houvesse recebido e obedecido aos princípios que ensinou, o reino de Deus teria sido estabelecido, a dispensação da plenitude dos tempos introduzida, e, no Templo em Jerusalém, os batismos pelos mortos teriam prosseguido, e a redenção dos vivos e dos mortos teria avançado. Mas o povo não pôde receber os ensinamentos de Jesus. Esta foi uma dispensação diferente de todas as outras. ¶
Havia um Elias que viria, que voltaria o coração dos filhos aos pais, e o coração dos pais aos filhos; e, quando se perguntou a Jesus -- "És tu o Elias que havia de vir, ou esperamos outro?" foi-lhes dito, "Este é ele, se o puderdes receber." Mas não puderam, e, consequentemente, decapitaram João Batista e crucificaram Jesus, e foi declarado que não se deixaria pedra sobre pedra de seu magnífico Templo, sem ser derrubada, o que se cumpriu literalmente, e a terra sobre a qual estava foi arada. Jesus disse a seus discípulos que, quando vissem "Jerusalém cercada de exércitos, deviam fugir para os montes." Um dos Profetas, ao falar dos assuntos que então haviam de acontecer, disse que certo poder se levantaria, que faria guerra contra os Santos e prevaleceria sobre eles, e que aquele poder buscaria mudar os tempos e as leis, e que seriam entregues em sua mão, por um tempo, tempos e a divisão de tempos. Muito bem, estas coisas se deram. ¶
Voltamos agora nossa atenção a este continente, e achamos que Deus transplantou um povo que era da semente de Abraão, da Palestina para este continente. Aqui passaram por toda espécie de vicissitudes e mudanças, às vezes abundando em iniquidade e vício, outras vezes cheios de virtude; às vezes reconheciam a mão de Deus, e outras vezes a desconsideravam; às vezes eram castigados pelo Todo-Poderoso, e outras vezes tinham permissão para prosseguir em suas iniquidades. Certa vez houve um povo neste continente que viveu por quase duzentos anos no temor de Deus, sob a direção de seu espírito, governado pelas leis do Evangelho, e tinham todas as coisas em comum entre si, e somos informados de que nunca houve um povo mais unido, feliz e próspero na face da terra. ¶
Estas são algumas das mudanças que se deram aqui. E agora vivemos noutra era, e sob outras circunstâncias. O mundo está envelhecendo; miríades de pessoas viveram nele, geração após geração vieram e se foram, algumas boas, algumas más, algumas muito ímpias, algumas muito justas; algumas puras e santas, outras ao contrário, abrangendo todo tipo, e todas as fases peculiares que foram desenvolvidas pela família humana. Vieram à existência e morreram, e o que houve com elas? O que houve com os bons e com os maus? O que houve com os justos e com os injustos? O que houve com sua posição diante de Deus, e o que houve com as nações que existiram, que existem, e que hão de existir? Estas são coisas que, como seres inteligentes e imortais, exigem nossa consideração. E o que há conosco, como parte delas? Precisamos refletir, e é próprio que compreendamos algo a respeito destas coisas. Temos nossa parte a desempenhar. Achamo-nos no mundo neste dia e era, que é o que foi falado por Paulo -- "a dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus reunirá todas as coisas em uma, quer sejam coisas nos céus, quer coisas na terra." Há algo muito notável, muito peculiar nessa expressão. O que é o ajuntamento nos céus não nos cabe dizer no presente momento; o que é o ajuntamento na terra temos uma pequena ideia, a partir das coisas com que estamos associados. Há uma peculiaridade nisto. Como já disse, achamo-nos vivendo neste dia, e somos chamados a realizar certa obra em conexão com a economia e os desígnios de Deus, pertinentes à terra em que vivemos, pertinentes a nós mesmos, a nossos progenitores, e a toda a família humana que existiu na face da terra. Estamos aqui para fazer certa obra que Deus nos designou fazer, e, como já disse, tivemos muito pouco a ver com trazer isso à realização. Não a originamos. Falamos às vezes sobre Joseph Smith, ele não a originou. Contou-nos muitas coisas sobre as quais falamos, e nos desdobrou muitos princípios. Mas como as soube? Deus o chamou e o separou, como chamou Noé em seus dias, e como chamou Enoque, Abraão e Moisés em seus dias, e como chamou os Profetas e Jesus em seus dias, como chamou Néfi, Leí, Morôni e Alma em seus dias neste continente. Ele nos chamou, e nos apresentou certos princípios, e temos aprendido estes princípios gradualmente. A primeira coisa foi sermos batizados, um assunto muito simples, uma coisa muito pequena, contudo era uma ordenança de Deus, ele a designou, e fomos e fomos batizados. Depois tivemos as mãos impostas sobre nós, para a recepção do Espírito Santo, e participamos mais ou menos de sua influência, segundo nossa fidelidade e diligência em guardar os mandamentos de Deus. ¶
Não tivemos nada a ver com originar esta obra; nem Joseph Smith, nem Oliver Cowdery, nem Brigham Young, nem qualquer dos Doze, nem o primeiro Conselho, nem os Bispos, nem qualquer outro homem vivo. Deus tem sua obra a realizar, e, no tempo apropriado, e à sua própria maneira, cumprirá seus próprios propósitos, e edificará seu reino. Começou-a a seu próprio tempo, e chamou Joseph Smith, e lhe deu revelação. Contou-lhe a respeito da história antiga do povo deste continente, e o capacitou a traduzi-la, deu-lhe uma chave para todas essas coisas. Ele não poderia tê-lo feito sem isso, mais do que vós ou eu poderíamos. Ele devia a Deus tanto quanto vós e eu devemos, e assim também seus irmãos que estavam com ele. Joseph Smith teve muitas revelações, mas quem lhas deu, por qual espírito e inteligência foram desdobradas e comunicadas à sua mente? Deus lhas revelou, ele obedeceu aos mandados de Jeová. Quando Deus o chamou e o separou, foi obediente, exatamente como vós e eu fomos. Quando os Élderes de Israel saíram para pregar o Evangelho eterno, obedecemos, e, por meio da obediência, obtivemos o Espírito de Deus, e isso nos trouxe à posição que ocupamos no presente momento. ¶
E agora, quanto ao ajuntamento, quem entendia algo a respeito? Os antigos Profetas profetizaram sobre isso, mas o que sabíamos a respeito, ou o que sabe o mundo hoje a respeito? Nada, senão o que foi revelado. Se Deus não o tivesse revelado, seríamos tão ignorantes quanto o resto da humanidade é. E assim seríamos a respeito de nossos selamentos, e dos convênios que homens e mulheres fazem uns com os outros, que os tolos ao nosso redor não compreendem; pensam que somos tolos, mas nós sabemos que eles são; essa é a diferença entre nós. Sabemos que são ignorantes, brutais, tolos, e não conhecem a Deus nem suas leis, nem os princípios da verdade; mas sabemos algo a respeito destas coisas, porque Deus no-las revelou. ¶
Ouvimos nesta manhã que este é um tempo para construir Templos, e sabeis que estamos agora empenhados numa obra desse tipo. Por que estamos assim empenhados? É apenas por nossa causa? Deus nos livre. O Evangelho que pregamos não é apenas para nós mesmos. Não o temos pregado todos esses anos para ganhar dinheiro com ele. Já viajei muitos milhares de milhas para pregar este Evangelho sem bolsa nem alforje, e vejo muitos homens ao meu redor e diante de mim que fizeram a mesma coisa. Foi por nós mesmos? Não. Foi porque era agradável? Não, mas Deus nos havia revelado certos princípios pertencentes à salvação do mundo em que vivemos; havia-nos confiado uma dispensação do Evangelho, e seria ai de nós se não pregássemos aquele Evangelho, quer gostássemos ou não. Mas gostávamos, e saímos em nome do Deus de Israel, e Deus foi conosco, e sancionou nosso testemunho por seu Espírito, e pelo dom do Espírito Santo. Não poderíamos ter feito estas coisas -- ou reconhecerei que eu não poderia -- nem poderia nenhum de meus irmãos, se Deus não tivesse estado conosco, não tínhamos fé nem inteligência suficientes; mas Deus impartiu seu Espírito, sua inteligência, e o dom do Espírito Santo aos Élderes de Israel, e saíram levando semente preciosa, a semente da vida eterna, e voltaram regozijando-se, e trazendo seus feixes consigo, e aqui estão, ajuntados no celeiro. Para quê? Para nós mesmos? Não, somos, ou deveríamos ser, cooperadores com Deus na realização de seus propósitos a respeito do mundo em que vivemos, e do povo que viveu antes de nós, e daqueles que hão de vir depois de nós. Os princípios que possuímos emanaram de Deus. O Sacerdócio que Deus revelou emanou e se originou com os Deuses nos mundos eternos; é o princípio pelo qual são governados, e pelo qual Deus governa todas as coisas que existem, e nós, como servos de Deus, reconhecemos a mão de Deus em todas estas coisas. Posso pregar, tenho alguma inteligência? Deus a impartiu. Podem meus irmãos pregar? têm inteligência? Deus a impartiu. Tiveram Joseph Smith ou Brigham Young inteligência? Deus a impartiu. Fomos libertados em várias ocasiões, e se manifestou a mão de Deus em nosso favor? Sim, ou não poderíamos estar aqui hoje, os poderes das trevas teriam prevalecido contra nós, os inimigos de Sião teriam posto seus pés sobre nossos pescoços, e nos teriam calcado ao pó da morte há muito tempo. Falamos da inteligência que se tem manifestado em conexão com esta obra. De onde veio? Veio de Deus. Como ouvistes esta manhã, Deus, em resposta às orações de milhares, tem inspirado seus servos e lhes dado inteligência para conduzir sua obra, e ela tem sido conduzida sob a influência, orientação e direção do Espírito de Deus. Sem isso, nenhum de nós poderia ter feito mais do que o resto da humanidade. Quem nos guiou? Deus. Quem nos tem sustentado aqui? Deus, e quem continuará a nos sustentar? O Todo-Poderoso. Estes tolos que pensam poder calcar aos pés os servos de Deus, e derrubar o reino de Deus, estão contando sem seu anfitrião, estão empurrando contra o escudo do Grande Jeová, e acharão que ele lhes porá um gancho no nariz, e os conduzirá por um caminho que não conhecem. Israel se levantará e brilhará, e o poder de Deus repousará sobre seu povo, e a obra que ele começou avançará "até que os reinos deste mundo se tornem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo, e ele reine para todo o sempre." Os propósitos de Deus não serão frustrados pela tolice, vaidade e ignorância dos homens; e, como tivemos muito pouco a ver com a introdução destas coisas, temos realmente muito pouco a ver com sua condução. Alguém falava nesta manhã a respeito de certos homens que pensavam que, se deixassem a Igreja, a obra não avançaria; isso é perfeitamente ridículo. Há certas coisas que têm de ser realizadas na economia de Deus, e nenhum homem, ou combinação de homens, pode detê-las, nenhuma influência que o mundo possa exercer pode impedi-las, pois Deus está ao leme, e ele avançará sua própria obra. Ouvi isto, vós, homens do mundo, não podeis ir além do que Deus vos permitir, mais do que os Santos dos Últimos Dias podem. É na obra de Deus que estamos empenhados. Não há nada realmente egoísta em nossas operações, quando chegamos ao fundo da obra; pois todos estamos empenhados com Deus, e com os espíritos dos justos feitos perfeitos, e com o Sacerdócio que existiu antes de nós, e com as inteligências que rodeiam o trono de Deus; com todas estas inteligências estamos unidos na grandiosa obra de fazer avançar os desígnios e propósitos de Deus. Não tendes apenas os Santos dos Últimos Dias contra quem lutar, mas tendes de lutar contra todos os justos e bons que viveram e morreram na terra, e que vivem novamente; e, além destes, tendes de lutar com Deus e seus anjos, e as inteligências que rodeiam seu trono. ¶
Como Santos dos Últimos Dias, às vezes tendemos a pensar que devemos cuidar de nós mesmos individualmente. Somos bastante parecidos com o homem que, ao orar, disse -- "Deus me abençoe, a mim e a minha esposa, a meu filho João e sua esposa, nós quatro e mais ninguém, amém." Não havia filantropia, benevolência, nem sentimento bondoso para com o resto da humanidade ali, e demasiados de nós sentimos bastante da mesma maneira. Como Santos dos Últimos Dias, deveríamos sentir -- e, quando sentirmos certo, sentiremos -- que somos os representantes de Deus na terra, que estamos empenhados em edificar seu reino; que vivemos numa era em que Deus deseja realizar certos propósitos, e desejamos cooperar com ele nesse trabalho, e é nossa missão ajudar a salvar os vivos, redimir os mortos, e fazer cumprir as coisas faladas pelos Profetas. Esta é a posição que ocupamos, e muitas coisas ainda têm de ser introduzidas antes que estas coisas possam se realizar. ¶
Estamos começando a construir Templos, e, portanto, como já disse, nossa dispensação difere das outras que a precederam. É uma espécie de tempo para acertar contas. Sabeis que, quando um homem trabalha na segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira, ele mantém registro do que faz, e, quando chega o sábado, é uma espécie de dia de acerto. É assim conosco, é assim com o mundo, nosso dia é uma espécie de dia de acerto. Os Élderes têm saído, e ajuntado alguns do povo a quem pregaram; outros estão se ajuntando, e agora nós, aqui em casa, estamos empenhados em construir Templos. Para quê, para nós mesmos? Sim. Para outra pessoa? Sim. Para nossos amigos que viveram? Sim. Para os amigos de outras pessoas que viveram? Sim, e buscar todas as nações que viveram, pois temos interesse no bem-estar de todos os povos que já existiram nesta terra, e, como Deus, os buscamos com um sentimento paternal, bondoso, generoso e filantrópico. É por isso que construímos nossos Templos, é por isso que homens são chamados a trabalhar nestes Templos, pois desejamos entrar ali, e oficiar e administrar pelos vivos e pelos mortos. ¶
"Bem, mas leva um pouco de dinheiro." Ó, leva? Não importa, o ouro e a prata são do Senhor, o gado sobre mil colinas é seu, e obteremos um pouco de seu ouro e prata, e, ao usá-los na construção de templos ao nome do Senhor, somos tomados em parceria com ele, nos unimos a Deus, e aos anjos, e aos espíritos dos justos feitos perfeitos, com o sacerdócio que existiu antigamente, e com os Deuses. Todos nos unimos para a realização dos propósitos de Deus, e buscaremos os habitantes da terra. Se as pessoas ao nosso redor são tolas, não podemos evitar isso; deixai-as prosseguir e exibir sua tolice, Deus cuidará de nós, ele tem tanto interesse em nós quanto nós, e bem mais, e ele tem tanta preocupação com o avanço desta obra quanto nós, e bem mais. Os antigos nefitas que viveram na terra, aqueles homens de Deus que, pela fé, praticaram a retidão, realizaram uma boa obra, e obtiveram exaltação, têm tanto interesse no bem-estar de seus descendentes quanto nós, e bem mais; e Abraão, Isaque e Jacó, e aqueles antigos homens de Deus que outrora viveram na terra, e que ainda vivem, têm tanto interesse na realização dos propósitos de Deus quanto nós, e bem mais. Bem, então, que temos nós a fazer? Ora, cumprir os deveres que nos cabem, à medida que se apresentam dia a dia, e introduzir todo princípio destinado a salvar os vivos e redimir os mortos. Não estamos sozinhos nestas coisas, outros estão operando conosco, quero dizer, todos os homens de Deus que já viveram, e têm tanto interesse quanto nós, e bem mais, pois sabem mais, e "eles sem nós não podem ser aperfeiçoados," nem nós podemos ser aperfeiçoados sem eles. Estamos construindo templos por eles e por sua posteridade, e vamos operar nestes templos, como temos feito até agora, para seu bem-estar e para o bem-estar de sua posteridade. E então eles estão operando por nós, além do véu, com Deus e as inteligências que rodeiam seu trono; e há uma combinação de seres terrenos e de seres celestiais, todos sob a influência do mesmo sacerdócio, que é um sacerdócio eterno, e cujas administrações são eficazes no tempo e na eternidade. Todos estamos operando juntos, para trazer as mesmas coisas e realizar os mesmos propósitos. ¶
Bem, então, que faremos? Construiremos os templos. E não pensais que nos sentiremos um pouco melhor enquanto o fazemos? Penso que sim, pois, enquanto assim fazemos, teremos a aprovação de Deus, nosso Pai celestial, e de todos os homens bons que já viveram, e podemos precisar disso, com o tempo, quando terminarmos com este mundo. Estes gentios não precisam de nada deste tipo, todos irão ao céu de qualquer maneira; mas queremos fazer amigos das riquezas da injustiça, para que, quando falharmos, eles possam nos receber em moradas eternas. Quero amigos além do véu. Quero ser amigo de Deus, e que Deus seja meu amigo; quero ajudar a fazer avançar o Reino de Deus, e a edificar a Sião do Altíssimo, e quero ver meus irmãos empenhados na mesma obra, e o faremos. Em nome do Deus de Israel, o faremos. ¶
Falamos da Ordem, às vezes, bem, faremos isso também. O quê, farias? Sim, com certeza faria, ou qualquer outra coisa que Deus queira de mim. Estou pronto, é esse meu sentimento a respeito destas coisas. Bem, mas não há bastantes fraquezas a ver? Penso que há, não pensais que há em vós? Examinai-vos, e então respondei à pergunta se não tendes bastantes fraquezas. Penso que há muitas coisas entre nós de que deveríamos nos envergonhar. Somos cobiçosos, gananciosos e opressores; não há suficiente simpatia humana, fraternidade e sentimento bondoso entre nós. Todo homem em Sião deveria sentir que, em todo outro, tem um irmão e um amigo, e não um personagem voraz que agarraria tudo o que ele tem, e o esmagaria até o pó da terra. Quero liberalidade, generosidade, bondade, e o amor de Deus dentro de nós, e fluindo ao nosso redor, como poços de água jorrando para a vida eterna. Estes são os princípios pelos quais deveríamos ser movidos e governados. Que os cacos da terra contendam com os cacos da terra, Deus cuidará de seus próprios assuntos, e os administrará à sua própria maneira. Sião avança, seu progresso não pode nem será retardado, profetizo isso em nome do Deus de Israel. É avante, avante, avante, até que os propósitos de Deus se realizem, até que as torres de Sião se ergam, até que seus templos sejam construídos, até que os vivos sejam salvos, até que os mortos sejam redimidos, e até que "o conhecimento de Deus cubra a terra como as águas cobrem o mar." ¶
Apeguemo-nos, então, à retidão e à verdade, deixemos de lado nossa tolice, vaidade e disparate, nosso egotismo, ignorância e cobiça, e tudo o que é ímpio, pecaminoso, estreito e contraído, e sintamos que somos servos de Deus, empenhados em fazer avançar seu reino, e realizar seus propósitos na terra. ¶
Que Deus nos ajude a sermos fiéis, em nome de Jesus. Amém. ¶