Pulpit

A Crença dos Santos na Missão do Salvador — Pertinente às Heranças na Terra que Serão Eternas — É Necessário um Poder Maior do que uma Carta de Divórcio para Tirar uma Mulher de um Bom Homem

Brigham Young

1874-06-28

Gostaria que o povo se mantivesse o mais quieto possível; tenho algumas palavras a dizer-lhes a respeito das heranças dos Santos. Falarei aos que são crentes no Antigo e no Novo Testamento, pois este livro que jaz diante de mim se chama a Bíblia, e na missão do Salvador. Perguntarei aos Santos dos Últimos Dias se creem que o homem Cristo Jesus, que foi crucificado em Jerusalém, há mais de mil e oitocentos anos, foi o Salvador do mundo, e que pagou a dívida contraída por nossos primeiros pais, e redimiu os filhos dos homens da Queda. Certamente responderão afirmativamente. Credes, então, na missão do Salvador à terra? "Certamente que sim", é a resposta. Cremos que o Salvador é herdeiro desta terra? Responderei por todos os Santos e por todos os crentes no Salvador, e direi que sim. Cremos que este homem, Cristo Jesus, já recebeu sua herança; terá ele concluído a obra para a qual veio ao mundo e se manifestou na carne para realizar? Responderei por todos os cristãos e direi que ele ainda não concluiu sua obra, nem recebeu o reino. Quanto à prova disto, podeis ir à Bíblia e a todas as outras revelações que temos em nossa posse, e ali a encontrareis. Somos cooperadores do Salvador para redimir os filhos dos homens e todas as coisas pertencentes à terra? Responderei pelos Santos, e direi que certamente cremos que sim. Todos os que, enquanto na carne, receberam e foram fiéis ao Sacerdócio, trabalharam com o Salvador enquanto aqui permaneceram, e, quando passaram ao mundo espiritual, seus labores não cessaram, mas passaram à prisão, e, até hoje, pregam aos espíritos ali, e trabalham pela salvação da família humana e pela terra e todas as coisas a ela pertencentes.

Terão estes homens, que viveram sobre a terra e desfrutaram das bênçãos do santo Sacerdócio, já recebido suas heranças? Tomo a liberdade de responder, por todos os Santos, negativamente. Não receberam suas heranças, mas receberam promessas, como Abraão antigamente, quando lhe foi mostrada a terra de Canaã, e lhe foi prometido que seria sua herança, e de sua semente depois dele, para todo o sempre. Até hoje, não herdaram a terra segundo as promessas feitas a Abraão. Assim é com todos os demais. Terá algum de nós, nestes últimos dias, recebido heranças sobre a face desta terra que serão eternas? Não, não estamos preparados para recebê-las, e elas não estão preparadas para nós. Digo-vos estas coisas para que saibais e entendais que, quando falamos de propriedade, ou de qualquer outra coisa que pareçamos possuir, ainda não recebemos nada como herança eterna. Se formos fiéis, receberemos depois de muito tempo, isto é, pode parecer longo para nós, que contamos o tempo por anos, meses, semanas, dias, minutos e segundos. Gostaria que os Santos dos Últimos Dias entendessem qual é seu labor, e que cada um entendesse seu dever, e depois entendesse a recompensa da obediência a esse dever.

Recebemos aqui muitos bons dons — desfrutamos muito do que o Senhor nos dá; dons que diríamos serem dons naturais inerentes. Que belo dom é o poder da vista, para um homem desfrutar! Que belo dom é o poder da audição para o povo, e todos os nossos sentidos — paladar, olfato, etc. — e as paixões, quando governadas e controladas, como são belas! Havemos de herdá-las para sempre, ou havemos de tomar um rumo em que nos sejam tiradas?

Estamos agora falando aos irmãos sobre ser um, operar juntos, submeter tudo ao reino de Deus. Para quê? Devo eu dar o que tenho? "Ora, esta é minha casa, esta é minha fazenda, este é meu gado!" Apenas parecemos tê-los, estão apenas em nossa posse por ora. "Esta é minha esposa, estas são minhas esposas, aqui estão meus filhos!" Parecemos possuí-los, mas se os possuiremos para sempre depende inteiramente de nosso rumo futuro. Quanto durará este estado de coisas? Até que tenhamos passado pelas provações designadas a seres finitos e inteligentes, e tenhamos passado de um grau e estado a outro; até que a obra seja concluída pelo Salvador, no que pertence a esta terra, e nossa salvação eterna nos seja selada. Enquanto vivemos aqui na carne, estamos sujeitos a desviar-nos para a direita e para a esquerda, e temos as vaidades e sedução do mundo com que lutar; e vemos Santos dos Últimos Dias, depois de caminhar cinco, dez, vinte, e até quarenta anos, fiéis no reino de Deus, afastarem-se dos santos mandamentos. Perder-se-ão, e tudo o que tiveram, e tudo o que pensam ter lhes será tirado e dado aos que são fiéis; e os que são fiéis não receberão suas heranças, de modo a poderem dizer que são suas, até que tenham passado por todas estas provações, e até que o Salvador tenha concluído a obra da redenção. Ele agora tenta fazer com que o povo se valha das vantagens de sua expiação, e nós, professamente, desfrutamos destas vantagens, mas quão lentos e negligentes somos! Que sombras triviais, frívolas, poderia dizer, ideias vãs, desviam o coração, as afeições, o juízo e a vontade do homem dos princípios da verdade! Quero que entendais que não tendes vossas heranças eternas, embora possais ter uma herança aqui nesta cidade.

Com o tempo, a estaca central de Sião poderá ser redimida. Poderemos ir para lá, e Sião poderá ser edificada e espalhada, e receberemos nossas heranças; e, se formos fiéis, receberemos tudo o que nos foi prometido. Mas suponde que nos afastemos de nossos convênios; tudo nos será tirado e dado a outros.

Quando receberemos nossas heranças, de modo a podermos dizer que são nossas? Quando o Salvador tiver concluído a obra, quando os Santos fiéis tiverem pregado o Evangelho ao último dos espíritos que aqui viveram e que estão destinados a vir a esta terra; quando vier o milênio de descanso, e milhares e milhares de Templos forem construídos, e os servos e servas do Senhor tiverem entrado neles e oficiado por si mesmos, e por seus amigos falecidos, até os dias de Adão; quando o último dos espíritos na prisão que hão de receber o Evangelho o tiver recebido; quando o Salvador vier e receber sua noiva pronta, e todos os que podem ser salvos o forem nos vários reinos de Deus — celestial, terrestre e telestial, segundo suas várias capacidades e oportunidades; quando o pecado e a iniquidade forem expulsos da terra, e os espíritos que agora flutuam nesta atmosfera forem lançados ao lugar preparado para eles; e quando a terra for santificada dos efeitos da Queda, e batizada, limpa e purificada pelo fogo, e voltar ao seu estado paradisíaco, e se tiver tornado como um mar de vidro, um Urim e Tumim; quando tudo isto for feito, e o Salvador tiver apresentado a terra a seu Pai, e ela for colocada no conjunto dos reinos celestiais, e o Filho e todos os seus fiéis irmãos e irmãs tiverem recebido as boas-vindas — "Entrai no gozo do vosso Senhor" — e o Salvador for coroado, então, e só então, os Santos receberão suas heranças eternas. Quero que entendais isto. Parecemos ter algo agora, mas por quanto tempo o conservaremos?

Os Santos dos Últimos Dias são crentes na expiação do Salvador, e gostaria que os Élderes de Israel entendessem, tanto quanto pudessem, todos os pontos de doutrina a respeito da redenção da família humana, para que soubessem como falar deles e explicá-los. Ninguém que crê na Bíblia e na missão do Salvador crê que os ímpios hão de possuir esta terra; mas creem que, quando estiver preparada, será dada aos Santos, e estes a herdarão. O Salvador nos pediu, a nós e a todos os seus discípulos, que nos lembrássemos dele sempre que nos reuníssemos, e que partíssemos o pão em memória de seu corpo que foi partido por nós, e bebêssemos do cálice em memória do sangue que foi derramado por nós. Reunimo-nos, como fazemos hoje, e participamos do pão e da água, em cumprimento a este pedido do Redentor. Temos diante de nós uma grande obra; e a parte dela que agora tentamos inaugurar não é nova. A doutrina de nos unirmos em nossos labores temporais, e todos trabalharmos pelo bem de todos, vem desde o princípio, desde a eternidade, e será para todo o sempre. Ninguém supõe, por um só momento, que no céu os anjos estejam especulando, construindo ferrovias e fábricas, tirando vantagem uns dos outros, ajuntando os bens que há no céu para se engrandecerem, e que vivam segundo o mesmo princípio pelo qual nós costumamos viver. Nenhum cristão, nenhum cristão sectário no mundo crê nisto; creem que os habitantes do céu vivem como uma família, que sua fé, seus interesses e ocupações têm um só fim em vista — a glória de Deus e sua própria salvação, para que possam receber mais e mais — avançar de perfeição em perfeição, recebendo, e depois dispensando aos outros; estão prontos para ir, e prontos para vir, e dispostos a fazer o que quer que se lhes exija, e a trabalhar pelo interesse de toda a comunidade, pelo bem de todos. Todos cremos isto, e suponhamos que nos ponhamos a trabalhar e os imitemos tanto quanto pudermos. Seria isto algo depreciativo do caráter de um cavalheiro ou de uma dama? Penso que não. Tanto quanto entendo o verdadeiro princípio, o título de cavalheiro não deveria ser aplicado a nenhum homem sobre a terra, a menos que seja um homem bom. Nenhum cavalheiro toma o nome da Divindade em vão. Alguns que tomam seu nome em vão podem ser chamados cavalheiros, mas é engano, não são cavalheiros. Um cavalheiro conduz-se respeitosamente diante dos habitantes da terra em todo tempo, em todo lugar e em toda circunstância, e sua vida é digna de imitação. Aquela que é digna do título de dama adorna sua mente com as coisas ricas do reino de Deus; é modesta em seu traje e maneiras; é prudente, discreta e fiel, e cheia de toda bondade, caridade, amor e bondade, com o amor de Deus em seu coração. Tal mulher tem direito ao título de dama, e não considero que qualquer outra o tenha, sejam eleitas ou não.

Tentaremos imitar, em pequena medida, a família que vive no céu, e nos prepararemos para a sociedade que habitará a terra quando esta for purificada e glorificada, e vier à presença do Pai.

Pensarmos que temos uma herança na terra é loucura, a menos que Deus o tenha declarado, e selado sobre nós, por revelação, que nunca cairemos, nunca duvidaremos, nunca deixaremos de glorificá-lo ou de fazer sua vontade em tudo. Ninguém, a menos que esteja de posse desta bênção, tem o menor direito de supor que tem uma herança na terra. Por ora, temos nossas esposas, filhos, fazendas e outras posses, mas, a menos que nos provemos dignos, o que parecemos ter nos será tirado e dado aos que são dignos; portanto, não precisamos preocupar-nos com os defeitos uns dos outros. Digo aos irmãos: não precisais ter a menor preocupação no mundo de encontrar, no reino celestial, um homem com quem, se fordes dignos e tiverdes a felicidade de entrar no reino celestial, não possais ter comunhão; e, se acontecer de serdes vós o que está em falta, e não puderdes passar pela sentinela, e vosso vizinho ou irmão passar, ele não vos verá ali; não precisais preocupar-vos, de forma alguma, em ser unidos a alguma pessoa pelo santo poder selador, que não fizer o certo no próximo mundo. Digo às minhas irmãs no reino, que estão seladas a homens, e que dizem — "Não queremos este homem na eternidade, se ele for se conduzir lá como se conduz aqui" — não há o menor perigo, no mundo, de jamais o verdes na eternidade, ou de ele vos ver ali, se ele se provar indigno aqui. Mas, se ele honra seu Sacerdócio, e a culpa for vossa, e vós deixardes de cumprir vosso dever, e vos provardes indignas da glória celestial, ficará a critério dele fazer o que lhe aprouver convosco. Ficareis muito felizes de chegar a ele, se descobrirdes que a falta esteve em vós mesmas, e não nele. Mas, se não sois vós a culpada, não vos preocupeis em ser unidas a ele ali, pois nenhum homem terá o privilégio de reunir suas esposas e filhos ao redor de si ali, a menos que se prove digno deles.

Já disse várias vezes, e direi de novo, a vós, senhoras que quereis obter uma carta de divórcio de vossos maridos, porque não vos tratam bem, ou porque não gostais exatamente de suas maneiras: há um princípio pelo qual uma mulher pode deixar um homem, mas, se o homem honra seu Sacerdócio, será bem difícil para vós vos livrardes dele. Se ele é justo e reto, serve a Deus e está cheio de justiça, amor, misericórdia e verdade, terá o poder que lhe está selado, e fará o que lhe aprouver convosco. Quando quiserdes obter uma carta de divórcio, é melhor esperardes e descobrirdes se o Senhor está disposto a vo-la dar ou não, e não virdes a mim. Digo aos irmãos e irmãs, quando vêm a mim querendo uma carta de divórcio, que estou pronto para selar pessoas e administrar as ordenanças, e são bem-vindos a meus serviços, mas, quando se propõem a quebrar os mandamentos e despedaçar as obras do Senhor, faço-os dar-me algo. Digo a um homem que tem de me dar dez dólares se quer um divórcio. Por quê? Por meus serviços? Não, por sua tolice. Se quereis uma carta de divórcio, dai-me dez dólares, para que eu possa registrar no livro que tal homem e tal mulher dissolveram a sociedade. Pensais que fizestes isso quando obtivestes uma carta de divórcio? Não, nem jamais podereis, se fordes fiéis aos convênios que fizestes. É necessário um poder maior do que uma carta de divórcio para tirar uma mulher de um homem que é bom e honra seu Sacerdócio — tem de ser um homem que possua um poder maior no Sacerdócio, ou então a mulher está ligada a seu marido, e o estará para todo o sempre. Tanto valeria pedir-me um pedaço de papel em branco para um divórcio, como ter nele algumas palavras escritas, dizendo — "Concordamos mutuamente em dissolver a sociedade e nos manter apartados um do outro", etc. É tudo tolice e loucura; não há tal coisa nas ordenanças da casa de Deus; não podeis encontrar tal lei. É verdade que Jesus disse ao povo que um homem podia repudiar sua esposa por fornicação, mas por nada menos que isso. Há uma lei para que sejais obedientes, humildes e fiéis.

Ora, irmãos, o homem que honra seu Sacerdócio, a mulher que honra seu Sacerdócio, receberá uma herança eterna no reino de Deus; mas isto não será senão quando esta terra for purificada e santificada, e estiver pronta para ser oferecida ao Pai. Mas podemos pôr-nos a trabalhar agora, e viver tão próximo quanto pudermos da família do céu, para que assim asseguremos para nós mesmos as bênçãos do céu e da terra, do tempo e da eternidade, e a vida eterna na presença do Pai e do Filho. Isto é o que queremos fazer. Lembrai-vos disto, irmãos e irmãs, e tentai viver dignos da vocação de vosso alto chamado. Sois chamados para ser Santos — apenas pensai nisso e percebei-o, pois a maior honra e privilégio que se pode conferir a um ser humano é o privilégio de ser Santo. A honra dos reis e rainhas da terra se esvai em insignificância quando comparada ao título de Santo. Podeis possuir poder terreno, e governar com mão de ferro, mas esse poder não é nada, logo se quebrará e passará; mas o poder dos que vivem e honram o Sacerdócio aumentará para todo o sempre.

Agora vou ceder a palavra para que meus irmãos vos falem. Já disse algumas coisas. Lembrai-vos da exortação que vos dei nesta manhã. Vivei segundo a fé de nossa religião. Que cesse a contenda, toda a contenda; cessai de encontrar defeitos e lançar reflexões sobre os que não estão exatamente conosco. Mostremos, por nossa caminhada e obras diárias, que temos algo melhor do que eles têm. Direi a vós que entrardes nesta Ordem, no que respeita a vossos negócios temporais, cessai vossa extravagância. O Senhor disse que faria dos Santos dos Últimos Dias o povo mais rico da terra; mas tudo o que fará é dar-nos a habilidade e colocar meios em nossa posse, e temos de trabalhar para organizar estes meios e nos tornarmos ricos; e o primeiro passo é parar nossa extravagância, cessar este gasto desnecessário, aprender a fazer o que vestimos, cultivar o que comemos, viver de nós mesmos, acumular os bens da vida, e assim nos tornarmos ricos.

Rogo ao Senhor nosso Deus que vos abençoe, e inspire todo coração à fidelidade, para que estejamos preparados para um lugar melhor do que este — para este mundo, quando for santificado e glorificado, para que então possamos desfrutar da companhia uns dos outros sem pecado e sem estes incômodos.

Como citar este discursoBrigham Young, “A Crença dos Santos na Missão do Salvador — Pertinente às Heranças na Terra que Serão Eternas — É Necessário um Poder Maior do que uma Carta de Divórcio para Tirar uma Mulher de um Bom Homem”, (1874-06-28). Pulpit Vault, 1874-06-young-the-belief-of-the-saints-in-the-mission-of-the-savior. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).