Pulpit

O Segredo da Felicidade — Autoexame — Joseph Smith, um Homem de Obediência a Deus — Batismo pelos Mortos — Temporal e Espiritual São Um — Um Sonho — a Ordem de Enoque, a Ordem de Deus — Uma Boa Palavra para as Mulheres

Brigham Young

1874-06-23

Estou aqui nesta Ala especialmente para falar convosco, meus irmãos e irmãs. Creio que estive aqui apenas uma vez antes — na dedicação desta casa. Tenho algumas coisas a dizer-vos, que espero e desejo sejam recebidas e apreciadas segundo seu mérito.

Talvez boa parte desta pequena congregação tenha deixado seus lares, seus amigos, as terras de seu nascimento, por causa do Evangelho, por causa de sua própria salvação e da de suas famílias e amigos que os acompanharam. Apelo à experiência de meus irmãos e irmãs que receberam o Evangelho, e lhes faço esta pergunta — Não nos é o Evangelho mais caro do que qualquer outra coisa e todas as outras coisas nesta terra? Creio que posso responder por todos os Santos dos Últimos Dias, e dizer: "Certamente que sim." Esperamos vida, salvação e exaltação; temos o privilégio do Evangelho e das ordenanças da casa de Deus, ao passo que os habitantes da Terra, com exceção de comparativamente muito poucos, ainda não se valeram deste privilégio. Pregamos o Evangelho ao povo, mas eles estão tão erroneamente tradicionados, e tão ignorantes a respeito dos fatos pertinentes às revelações e à vontade de Deus para os filhos dos homens, que se afastam dele e não pensam haver mal nisso. São educados de tal modo que podem negligenciar o Evangelho e sentir-se, em medida considerável, justificados. Este é um item de experiência que poderíamos trazer diante de nós mesmos e dos outros mais amplamente do que talvez fosse prudente que eu gastasse tempo fazendo esta noite. Mas o Evangelho é para nós tudo em tudo. Conhecer a vontade de Deus, e fazê-la, é a vida mais feliz que seres inteligentes, os filhos de nosso Pai nos céus, podem viver. Não há outra condição na vida que produza a mesma quantidade de bom sentimento, paz, felicidade, alegria, conforto, contentamento e inteligência que o serviço do Senhor traz. Se uma pessoa é muito pobre e o amor de Deus está dentro dela, ela se sente rica e feliz, e pode, em boa medida, passar sem alimento, isto é, por mais tempo e melhor do que aqueles que não têm essa experiência do amor de Deus dentro de si.

A pessoa que desfruta da experiência do conhecimento do reino de Deus sobre a terra, e ao mesmo tempo tem o amor de Deus dentro de si, é a mais feliz de todos os indivíduos sobre a terra. Nós, que cremos neste Evangelho e o obedecemos, olhamos adiante com a expectativa de obter grande quantidade de conhecimento e sabedoria. Quando abraçamos o Evangelho, o espírito abriu às nossas mentes o fato de que a sabedoria, o conhecimento e o poder de Deus aumentariam no meio dos Santos. Esta é a nossa experiência: eu, sabendo por mim mesmo o que o Espírito do Senhor traz ao entendimento, testifico do que ele revela aos outros. O mesmo espírito que me é dado, para iluminar minha mente, é dado a outros; o mesmo que vos é dado eu recebi, portanto falo de conhecimento pessoal, daquilo que experimentei e entendo, e no qual vivo; e os que vivem e desfrutam o espírito de nossa santa religião podem testificar disto.

Há uma parte desta congregação que é jovem, e sabe muito pouco a respeito dos Estados Unidos, ou a respeito do povo de lá; e há uma grande porcentagem de nossa comunidade que nada sabe, por experiência, do mundo exterior. Perguntai-lhes se sabem algo da Califórnia. Não. Algo dos Estados? Não. Não vieste da Inglaterra? Não, mas meus pais vieram; portanto, eles não têm experiência. Vivem aqui, cresceram entre nós. Nós os criamos com alegria e bondade, e os instruímos e ensinamos, e eles desfrutaram do espírito de vida, de sabedoria e de conhecimento. Estas crianças que nasceram aqui no novo e eterno convênio parecem não perceber isso. Isso se deve à falta de experiência, que obterão na vida futura. Mas os que têm experiência, os que deixaram seus lares e tudo o que tinham por causa do Evangelho, são capazes de julgar melhor a respeito destes assuntos.

Ora, nós, como Santos dos Últimos Dias, esperamos a salvação; vivemos na expectativa da salvação eterna. Deixamos nossos lares e tudo por causa de nossa religião. Muitas mulheres em nossa comunidade deixaram seus maridos; muitos homens deixaram suas esposas e filhos; jovens rapazes deixaram seus pais, irmãos e irmãs, e jovens moças partiram e deixaram tudo. Tinham amigos, lares, fartura, pais, irmãos e irmãs; contudo, quando o espírito do Evangelho veio sobre eles, ficaram tão enamorados dele, e este lhes deu tal luz, conhecimento e inteligência, que estavam dispostos a abandonar tudo e seguir com os Santos dos Últimos Dias rumo à vida eterna. Este é o caso de boa parte de nossa comunidade. Todos nós, então, partimos rumo à vida e à salvação, e ainda não temos outro objetivo.

Ora, meus irmãos e irmãs, desejo perguntar — Não esperamos mais conhecimento, sabedoria e bênçãos, e mais comunicações pelo espírito do Senhor, mais demonstrações e mais testemunhos, revelações, conhecimento, etc., neste reino? Sim, todos nós. Perguntamos de novo: Esperamos já ter nos tornado perfeitos, e estarmos preparados para ser contados entre os santificados, e estarmos agora preparados para sermos reunidos com os eleitos de Deus, e que, se ouvíssemos esta noite a voz — "Eis que vem o noivo" — seríamos contados entre os prudentes? Esperamos isto? Se esperamos, estamos enganados, pois não estamos preparados. Passamos por muitas cenas, poderíamos dizer, de tribulação, embora quisesse que todos os meus irmãos entendessem que não tomo isto para mim, pois tudo o que passei tem sido alegria e alegre para mim; mas parece que sacrificamos muito, e passamos por muitas cenas de provação e tentação, sem dúvida disto. Tivemos de sofrer tentação em maior ou menor grau, e recebemos com alegria o espólio de nossos bens. Eu mesmo, cinco vezes antes de vir a este vale, deixei tudo com que o Senhor me havia abençoado no tocante aos bens deste mundo, o que, para a região onde vivia, não era pouco.

Bem, passamos por essas provações, e ainda seguimos avante. Ora, temos nós tirado proveito de tudo o que passamos e experimentamos, de modo a realmente considerarmos que estamos santificados e preparados para o reino celestial de Deus, ou cremos que ainda há mais alguma coisa a fazer? Ora, todo coração responde — Ainda há entendimento a alcançar neste reino; todo coração ecoa — Esperamos aprender mais, esperamos receber mais, ainda não somos perfeitos, não estamos completos em nossa estatura como homens e mulheres em Cristo Jesus. Ora, quero apenas perguntar aqui — Estaremos sempre aprendendo, e nunca chegando a um conhecimento da verdade? Não, digo que não, mas chegaremos ao conhecimento da verdade. Esta é minha esperança e expectativa, e esta é minha alegria. Os Santos dos Últimos Dias, como povo, em muitos aspectos, têm vista curta; somos apenas criancinhas ou infantes de peito na Igreja e no reino de Deus, comparativamente, e especialmente desde que estamos nestes vales. Aqui desfrutamos paz e fartura; fomos abençoados em nossas famílias, em nossos rebanhos e manadas, em nossos campos e colheitas, e reunimos ao nosso redor os confortos, e até mesmo os luxos da vida, e alguns, em pequena medida, a riqueza. Ora, no desfrute de tudo isto, é o reino de Deus o primeiro e principal para nós? Posso dizer, tomando-nos como povo, que nossos corações estão demasiado postos nas coisas desta vida. Somos, talvez, demasiado céticos em nossos sentimentos a respeito das coisas do reino. Reunimos, segundo esperamos, força mental, e pensamos ser capazes de julgar onde não somos capazes de julgar, e as riquezas, ou os bens desta vida — não posso, em realidade, dizer as riquezas, mas um pouco dos bens deste mundo — às vezes ofuscam a mente e obscurecem o espírito de uma pessoa. Posso apelar à experiência de meus irmãos e irmãs, idosos e de meia-idade e jovens, e até mesmo às crianças. Ide à criança, e em que consiste sua alegria? Brinquedos, poderíamos chamá-los, algo que produz, segundo pensam, prazer; e assim é com nossos jovens, nossos rapazes e moças; pensam demasiado neste mundo; e os de meia-idade se esforçam e lutam para obter os bens desta vida, e seus corações estão demasiado postos neles. Assim é com os idosos. Não é esta a condição dos Santos dos Últimos Dias? É. Bem, ora, tomando-nos como povo, esperamos a vida eterna; pensamos ser o melhor povo sobre a terra, e pensamos ter sacrificado mais por nossa religião do que qualquer outro, embora, em minha crença — e neste aspecto provavelmente discordo da maioria dos Santos dos Últimos Dias — pela simples razão de que Deus, nosso Pai Celestial, em sua religião, não exige que homens e mulheres sofram como exigem as falsas religiões. Tomai as religiões dos pagãos, e os falsos sistemas de religião em geral, e eles exigem sacrifícios que o Senhor não exige. O Senhor ofereceu seu sacrifício na pessoa de seu Filho; mas não nos exige que sacrifiquemos nossos filhos ou a nós mesmos como os pagãos sacrificam a seus deuses; portanto, nossos sacrifícios e nossos sofrimentos não devem ser comparados com os dos pagãos. Há, em nosso meio, professos cristãos tão rígidos em suas noções religiosas que se levantariam de manhã às cinco horas, e caminhariam milhas, se necessário, antes de perder seus serviços religiosos; e há aqueles tão zelosos que mediriam com o próprio corpo a distância daqui até a antiga Jerusalém, se pudessem, para pagar penitência, como o chamam. Deus não exige tal sacrifício como este; nem exige nenhum destes sacrifícios que envolvem o derramamento de sangue ou a perda da vida. Tais coisas não pertencem à religião de Deus; vêm por meio do pecado e da transgressão. Talvez os que fazem tais demonstrações de sua fé a fortaleçam, e a si mesmos façam algum bem. Tudo o que se exige de nós é sacrificar nossos sentimentos e vencer o adversário, subjugando dentro de nós a cobiça por qualquer coisa que não seja o reino de Deus sobre a terra, a glória de Deus, e a salvação de nossos amigos e famílias, e de toda a família humana, do princípio ao fim; para que toda a nossa alma se devote à edificação do reino de Deus sobre a terra, e à salvação dos que dormem, que morreram sem o Evangelho. Queremos sacrificar o suficiente para fazer a vontade de Deus, preparando-nos para trazer aqueles que não tiveram o privilégio de ouvir o Evangelho enquanto na carne, pela simples razão de que, no mundo espiritual, não podem oficiar nas ordenanças da Casa de Deus. Já passaram pelas provações, e estão além da possibilidade de oficiar pessoalmente pela remissão de seus pecados e por sua exaltação; portanto, dependem da necessidade de confiar em seus amigos, seus filhos e os filhos de seus filhos para oficiar por eles, a fim de que sejam trazidos ao reino celestial de Deus. Tudo o que o Senhor exige de nós é a perfeita submissão de nossos corações à sua vontade. Os Santos dos Últimos Dias dizem de imediato — "Isto é correto, certamente é justo que não tenhamos outro objetivo e alvo em nossos sentimentos e afeições senão fazer o bem e promover o reino de Deus sobre a terra." Mas a fraqueza do homem é tal, a humanidade de que nosso espírito está revestido é tão frágil, que estamos sujeitos a ser vencidos. Estes tabernáculos são pesados, sujeitos ao pecado e à tentação, e a desviar-se do reino de Deus e das ordenanças de sua casa, cobiçando riquezas, o orgulho da vida e as vaidades do mundo, e estas coisas tendem a predominar na mente de todos, velhos e jovens, mesmo os Santos dos Últimos Dias. O bebê quer seus brinquedos, as crianças querem belos vestidos, e isso é correto; e quando soubermos usar corretamente as coisas do mundo, haverá em Sião as crianças mais formosas que já viveram sobre a terra. Mas desejamos a riqueza ou as coisas do mundo; pensamos nelas de manhã, ao meio-dia e à noite; são as primeiras em nossa mente quando despertamos de manhã, e a última coisa antes de dormirmos à noite; e sonhamos como faremos isto, e como obteremos aquilo, e nossa mente cobiça continuamente as coisas do mundo. Não é este demasiadamente o caso entre os Santos dos Últimos Dias?

Farei esta pergunta aos poucos que aqui estão — Que pensais vós, meus irmãos e irmãs de experiência, vós que desfrutastes da luz do espírito, vós que podeis ver a labuta dos Santos, pensais que este povo, chamado Santos dos Últimos Dias, caminha no caminho em que deveria caminhar? Pensais que oferecem suas oblações e sacrifícios ao Senhor como deveriam? Que pensais a respeito? Qual é a expressão geral em nossa comunidade? É que os Santos dos Últimos Dias estão resvalando tão rapidamente quanto podem para a idolatria, resvalando para o espírito do mundo, para o orgulho e a vaidade.

Ledes nas revelações dadas a João na Ilha de Patmos, a respeito dos últimos dias, que uma voz foi ouvida clamando aos Santos na Babilônia — "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas; porque já os seus pecados se acumularam até o céu", etc. Foi esta voz ouvida? Sim, os Santos dos Últimos Dias a ouviram. Voou o anjo pelo meio do céu, entregando o Evangelho aos filhos dos homens? Sim, cremos tudo isto. Cremos que o Senhor enviou seus mensageiros a Joseph Smith, e lhe ordenou que se abstivesse de unir-se a qualquer igreja cristã, e se abstivesse da impiedade que via nas igrejas, e finalmente lhe entregou uma mensagem, informando-o de que o Senhor estava para estabelecer seu reino sobre a terra, e o conduziu passo a passo, até lhe dar a revelação a respeito das placas? Sim, tudo isto é correto. Recebeu Joseph estas revelações? Recebeu. Vieram os mensageiros celestiais a Joseph, e lhe confiaram as chaves do Sacerdócio Aarônico? Sim, cremos tudo isto. Confiaram-lhe as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque? Sim. Tudo isto é correto, cremos tudo isto. Falou o Senhor desde os céus, por meio de Joseph, ordenando a seu povo que se reunisse, saindo dos ímpios, antes que os flagelos — doença, pestilência, guerras, derramamento de sangue, e as várias calamidades faladas pelos Profetas e Apóstolos — passassem sobre as nações? Sim, cremos que o Senhor chamou o povo que recebeu o Evangelho a sair da Babilônia, a separar-se dos ímpios e a permanecer em lugares santos, preparatoriamente à vinda do Filho do Homem. Todos os Santos dos Últimos Dias creem tudo isto; então, digo, se cremos, ajamos de acordo, sejamos fiéis à nossa fé e ao conhecimento que temos de Deus e de seu reino. Isto é o que se exige de nós.

Passamos de uma coisa a outra, e poderia dizer, de um grau de conhecimento a outro. Quando Joseph recebeu pela primeira vez o conhecimento das placas que estavam no monte Cumora, ele ainda não recebera as chaves do Sacerdócio Aarônico; apenas recebeu o conhecimento de que as placas estavam ali, e de que o Senhor as traria à luz, e de que continham a história dos aborígenes deste país. Recebeu o conhecimento de que estes um dia tiveram posse do Evangelho, e, desde então, foi avante, passo a passo, até obter as placas, e o Urim e Tumim, e ter poder para traduzi-las. Isso não o tornou um Apóstolo, não lhe deu as chaves do reino, nem o fez um Élder em Israel. Ele era um Profeta, e tinha o espírito de profecia, e recebera tudo isso antes de o Senhor o ordenar. E quando o Senhor, por revelação, lhe disse que fosse à Pensilvânia, ele o fez, e terminou a tradução do Livro de Mórmon; e quando o Senhor, em outra revelação, lhe disse que voltasse ao Estado de Nova York, e fosse à casa do velho Pai Whitmer, que morava num lugar em frente a Waterloo, e ali ficasse, ele o fez, e teve reuniões, e reuniu os poucos que criam em seu testemunho. Recebeu o Sacerdócio Aarônico, e depois recebeu as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, e organizou a Igreja. Recebeu primeiro o poder de batizar, e ainda não sabia que receberia mais nada até que o Senhor lhe disse que havia mais para ele. Então recebeu as chaves do Sacerdócio de Melquisedeque, e teve poder para confirmar depois de batizar, o que não tinha antes. Teria ficado exatamente na posição de João Batista, se o Senhor não tivesse enviado seus outros mensageiros, Pedro, Tiago e João, para ordenar Joseph ao Sacerdócio de Melquisedeque. Então, depois que alguns dos irmãos saíram a pregar, ele teve uma revelação de que deveriam ir a Ohio. Eu soube deles, embora não os conhecesse antes de irem para lá. Foram vistos por alguns de minha família; meu pai os viu e conversou com eles. Então se abriu o caminho para uma grande reunião no Estado de Ohio. Parley P. Pratt, Oliver Cowdery, Samuel Peterson, David Whitmer, John Whitmer e alguns outros foram até lá e pregaram o Evangelho, e vieram entre os membros da sociedade chamada Campbellitas, antigos membros dos Batistas de Comunhão Fechada, sendo o nome de seu líder Alexander Campbell. Este homem pregava a doutrina de que o batismo era para a remissão dos pecados, e isso dividiu a igreja; mas quando os irmãos vieram a estas sociedades e lhes ensinaram, não somente o batismo para a remissão dos pecados, mas a imposição das mãos para o recebimento do Espírito Santo, eles creram, e foram batizados para a remissão de seus pecados, e receberam a imposição das mãos para o Espírito Santo, e depois receberam outras ordenanças.

Então o Senhor revelou a Joseph que fosse a Ohio, e ele foi; e depois de ir, entendeu, e foi ensinado pelo Senhor a enviar homens ao oeste para procurar um lugar para a Estaca Central de Sião. Foram, segundo as revelações que Joseph recebeu, e finalmente Joseph foi encontrá-los em Independence, condado de Jackson, Missouri, nas fronteiras dos lamanitas. Podeis ler tudo isto no Livro de Doutrina e Convênios. Ele ainda não recebera tudo naquele tempo, e, na época em que o Acampamento de Sião, como é chamado, subiu ao Missouri, em 1834, até onde sei, Joseph nunca recebera qualquer indicação de que houvesse um Patriarca na Igreja. Em nosso retorno do Missouri, meu irmão Joseph Young, conversando comigo, perguntou se seria correto que nosso pai nos desse uma bênção. Disse ele — "Sinto exatamente como se quisesse que meu pai me desse uma bênção patriarcal." Quando chegamos a Kirtland, falamos com Joseph sobre o assunto, e ele disse: "Certamente"; e finalmente marcamos um dia, e o irmão Joseph, o Profeta, veio ao lugar onde nos reunimos e ordenou meu pai Patriarca, sendo ele o primeiro homem ordenado ao ofício de Patriarca na Igreja, e ele abençoou seus filhos; e logo depois disso, Joseph ordenou seu próprio pai Patriarca, e este chamou seus filhos e os abençoou. Então Joseph teve outra revelação, de que se deveria manter um registro, e, quando isso lhe foi revelado, fez seu pai reunir novamente sua casa, e os abençoou de novo, e disso se manteve um registro. Isto é para mostrar-vos, especialmente aos que não têm experiência na Igreja, como o Senhor tem conduzido este povo, conduzido, conduzido.

Fomos expulsos do Missouri depois de Joseph ter ido para lá, e viemos a Nauvoo, e os Doze foram para a Inglaterra. Enquanto estávamos na Inglaterra, creio, o Senhor me manifestou, por visões e por seu Espírito, coisas que eu então não entendia. Nunca abri a boca a ninguém a respeito delas, até voltar a Nauvoo. Joseph nunca mencionara isso; nunca houvera pensamento algum disso na Igreja, tanto quanto eu sabia naquele tempo. Mas eu tinha isto para mim mesmo, e o guardei para mim, e quando voltei para casa e Joseph me revelou estas coisas, então entendi as reflexões que tinha em mente enquanto estava na Inglaterra. Mas isso não foi senão depois que lhe contei o que entendia. Vi que ele buscava algo em sua conversa, conduzindo minha mente e a de outros, para ver como poderíamos suportar isso. Isto foi em 1841; a revelação foi dada em 1843, mas a doutrina fora revelada antes disso; e quando contei a Joseph o que entendia, o que se deu bem diante de minha casa, na rua, enquanto ele apertava minha mão e se despedia, ele se virou e olhou-me nos olhos, e disse — "Irmão Brigham, estás falando o que entendes — estás falando sério?" Disse eu — "Falo exatamente como o Espírito me manifesta." Disse ele — "Deus te abençoe, o Senhor abriu tua mente", e virou-se e foi embora.

Por essa época veio uma revelação a respeito do batismo pelos mortos. Sei que, em minhas viagens e pregações, muitas vezes parei junto a belos riachos de água clara e pura, e disse a mim mesmo: "Que agradável seria para mim entrar nesta água, para ser batizado pela remissão de meus pecados." Quando cheguei em casa, Joseph me disse que era meu privilégio. Nesse tempo veio uma revelação de que os Santos poderiam ser batizados e rebatizados quando quisessem, e depois que poderíamos ser batizados por nossos entes queridos, mas a princípio não foi revelado que se mantivesse um registro dos que eram batizados; mas quando ele recebeu uma revelação adicional a esse respeito, então se manteve um registro. Centenas e milhares, suponho, foram batizados antes que qualquer registro fosse mantido, e foram rebatizados, e mantido um registro dos batismos e dos nomes de quem administrava, dos que agiam pelos mortos, e dos mortos, e das testemunhas. Podeis ler, no Livro de Doutrina e Convênios, a carta que Joseph escreveu quando estava longe de casa, a respeito de haver testemunhas nesses batismos. Relato isto para mostrar-vos que o Senhor não revelou tudo de uma vez; mas não preciso me deter mais nisto.

Direi agora a meus irmãos e irmãs que o Senhor, em primeiro lugar, começou a reunir o povo sobre o fundamento da união e da unidade; mas eles não puderam suportar isso. Podeis ler, na página 161 do Livro de Doutrina e Convênios, uma revelação dada ao Ramo de Colesville. Lemon Copley tinha uma extensão de terra que seria dada aos Santos, e eles deveriam edificar uma estaca de Sião até que outro lugar fosse preparado para a Estaca Central; mas ele apostatou, e o povo se foi. Antes disso, o Senhor revelara a Joseph que o povo sairia da Babilônia, e estabeleceria o reino de Deus sobre os princípios do céu. Foram até o condado de Jackson, Missouri, com isto em sua fé, e com o expresso entendimento de que, ao chegarem lá, tudo seria depositado aos pés do Bispo, não aos pés dos Apóstolos, como faziam antigamente. Então, sabeis, venderam tudo o que tinham, e trouxeram seus bens e os depositaram aos pés dos Apóstolos. A revelação dada por meio de Joseph era que depositassem tudo aos pés do Bispo, que o distribuiria entre o povo, segundo a revelação dada para esse fim, para seu benefício. Mas eles não puderam suportar isto; portanto, foram expulsos do condado de Jackson, e reuniram-se novamente, alguns no condado de Caldwell, e alguns no de Davies, e finalmente foram expulsos do Estado. Isto foi no outono de 1838. Recordo-me, em Far West, Joseph, falando sobre estes assuntos, disse — "O povo não pode suportar as revelações que o Senhor tem para eles. Havia muitíssimas revelações, se o povo pudesse suportá-las." Creio que foi no dia oito de julho de 1831 que Joseph teve uma revelação de que o povo deveria consagrar sua propriedade excedente para a edificação do Templo ali em Far West, para o sustento do Sacerdócio, para o pagamento das dívidas da Presidência, etc., do que poderia dar conta, pois eu estava presente quando isso veio. Joseph fazia negócios em Kirtland, e parecia que toda a criação estava sobre ele, para embaraçá-lo de todo modo, e o afastaram de seus negócios, e isso o deixou de tal forma que algumas de suas dívidas tiveram de ser pagas depois; e agradeço poder dizer que foram pagas; mais ainda, enviamos ao leste, a Nova York, a Ohio, e a todo lugar onde eu tivesse alguma ideia de que Joseph houvesse feito negócios, e perguntamos se restava algum homem a quem Joseph Smith Filho, o Profeta, devesse um dólar sequer, ou meio tostão. Se houvesse, pagaríamos. Mas não encontrei nenhum. Anunciei isto em toda vizinhança e lugar onde ele antes viveu; portanto, tenho o direito de concluir que todas as suas dívidas foram pagas.

Passemos agora adiante. Conheceis a história a respeito de nossa saída de Nauvoo. Ora, tenho em mente perguntar aos Santos dos Últimos Dias — Estão eles falando a sério? Querem dizer o que dizem, quando dizem crer que o irmão Brigham Young é o sucessor legal de Joseph Smith, o Profeta? Cremos em Joseph o Profeta; ele selou seu testemunho com seu sangue; portanto, podemos, com toda a segurança, crer nele um pouco melhor do que se estivesse vivo. Quando vivia, seu testemunho não tinha, sobre o povo, a força que tem agora. Mas é o irmão Brigham o sucessor legal do irmão Joseph? Este povo, chamado Santos dos Últimos Dias, por seus atos, por seu voto, diz crer que sim. Bem, admitiremos o fato. Tenho um pouco a dizer, então, e voltarei aos dias passados a respeito dos deveres do indivíduo que dirige o reino de Deus sobre a terra.

Em todas as eras do mundo de que temos conhecimento, quando houve sobre a terra um povo que Deus reconheceu como seu, ele invariavelmente o dirigiu nas coisas espirituais e nas temporais. Esta questão foi agitada, ano após ano, nos dias de Joseph. Os dois primeiros Bispos na Igreja — Edward Partridge foi o primeiro, eu o conhecia bem, e Newel K. Whitney foi o segundo — questionaram a conveniência de Joseph ter algo a ver com as coisas temporais. Joseph discutia um pouco o assunto com eles, e lhes dizia como as coisas eram, e trazia as Escrituras para lhes mostrar que não podia ser de outro modo — que era impossível ao Senhor dirigir o povo, a menos que o dirigisse nos negócios temporais. O primeiríssimo ato após crer é um ato temporal. Depois de ouvir pregar o Evangelho, e crer nele, desço às águas do batismo, o que é um ato temporal: é um ato que pertence à minha vontade e a meu corpo; quero que meu corpo desça à água e seja imerso para a remissão de meus pecados; portanto, tenho de ir ao Élder que me ensinou o Evangelho, a porção espiritual do reino, e pedir-lhe que administre esta ordenança temporal, e ele tem de fazê-lo; tendo ensinado a doutrina, oficia no ato, e assim encontrareis por toda a vida, em toda circunstância, em todo caso, que o homem que dirige o reino espiritual de Deus tem de dirigir os negócios temporais, não pode ser de outro modo. Digo-vos isto porque a ideia na mente de alguns poucos do povo é — "Brigham não deveria se meter nos negócios temporais." Diziam-no a Joseph, e diziam tanto a esse respeito, que fui ao Templo em Kirtland, e desafiei os homens que questionavam isto a provar, ou trazer, um só caso em que Deus não tivesse manifestado sua vontade a respeito das coisas temporais sempre que dava a conhecer sua vontade aos filhos dos homens para o estabelecimento de seu reino sobre a terra. Sempre se calaram; tiveram de fazê-lo, não havia outra coisa para eles; isso prostrou a todos. Estavam ali William E. McLellin, John F. Boynton e Lyman Johnson, que pertenciam aos Doze, Frederick G. Williams, segundo conselheiro de Joseph, e dois terços do Sumo Conselho, todos falando sobre isto, e fui ao Templo e simplesmente os desafiei a mostrar onde o Senhor jamais conferiu a algum homem no mundo o poder de dirigir nas coisas espirituais, que ele não conferisse também nas coisas temporais. Não puderam fazê-lo. Disse-lhes que não podiam traçar a linha entre o espiritual e o temporal. Todas as coisas foram criadas primeiro espiritualmente, e depois temporalmente. Tudo no mundo espiritual foi apresentado tal como agora o vemos, e esta terra temporal foi ali apresentada. Estávamos no mundo espiritual, e viemos para cá, para este tempo, que está na eternidade, nada mais no mundo do que uma mudança de tempo e estações designadas para uma mudança de existência que nos faz o tempo. Está na eternidade, e estamos tanto na eternidade agora quanto estaremos daqui a milhões de anos. Mas é tempo medido para seres finitos, e é mutável, e o chamamos de temporal, quando, de fato, tudo é, primeiramente, espiritual, depois temporal, depois espiritual novamente, e feito imortal; portanto, não podeis dividi-los. Digo isto para que reflitam aqueles que pensam haver diferença entre as coisas temporais e as espirituais. Não digo, pois não sei, que haja alguém assim aqui.

Ora, chegamos à nossa condição presente. Conheceis o passado. Estas crianças que nasceram nesta cidade ou Território sabem o que podem lembrar, e muitas delas já têm idade para ter muitas reflexões, e podem ver e entender muitas coisas; mas os mais velhos sabem que este povo resvalou tanto quanto pode, sem uma reforma. Toda mente espiritual sabe disto. Direi agora a meus irmãos e irmãs que, enquanto estávamos em Winter Quarters, o Senhor me deu uma revelação tanto quanto jamais deu a alguém. Abriu minha mente, e me mostrou a organização do reino de Deus em capacidade familiar. Falei disto a meus irmãos; lançava algumas palavras aqui, algumas palavras ali, a meu primeiro conselheiro, a meu segundo conselheiro, e aos Doze Apóstolos, mas, com exceção de um ou dois dos Doze, isso não tocava homem nenhum. Criam que viria, ó sim, mas seria mais tarde. Disse eu: "Por que não agora?" Se eu valesse milhões quando chegamos a este vale e construímos o que hoje chamamos o "Velho Forte", eu os teria dado, se o povo estivesse preparado para então receber o reino de Deus segundo o padrão dado a Enoque. Mas não pude tocá-los. Um dizia: "Estou pela Califórnia"; outro: "Estou pelo ouro"; e eu estou por isto e eu estou por aquilo; e alguns usavam sua influência tentando persuadir outros a irem para a Califórnia. Diziam — "Não podeis ficar aqui, não podeis cultivar nada aqui, é frio demais, gela demais, estas montanhas não são adequadas para se viver, este não é lugar para gente branca, vamos para a Califórnia buscar um pouco de ouro", etc.

Vou agora contar um sonho que tive, o qual creio ser tão aplicável ao povo hoje — 21 de junho de 1874 — quanto quando o tive. Havia tantos indo para a Califórnia, indo para cá e para lá, e não sabiam o que queriam, e eu disse — "Ficai aqui, podemos cultivar nosso alimento aqui, sei que é um bom país para gado, um bom país para ovelhas, e tão bom país para criar seda quanto qualquer outro no mundo, e havemos de colher do melhor trigo." Ali está um homem — Burr Frost, e ali está Truman O. Angell, que estavam presentes na ocasião. Disse eu: "Podemos cultivar tudo o que quisermos aqui, não vos vades, não vos desanimeis." Isso foi quando chegaram os pioneiros; no ano seguinte, era Califórnia, Califórnia, Califórnia, Califórnia. "Não," disse eu, "ficai aqui." Depois de muita reflexão e ponderação, e bastante oração e ansiedade sobre se o povo seria salvo, afinal, depois de toda a nossa provação de sermos expulsos ao deserto, tive um sonho certa noite, no segundo ano depois de chegarmos aqui. O Capitão Brown havia subido ao rio Weber, e comprado um pequeno lugar pertencente a Miles Goodyear. Miles Goodyear tinha algumas cabras, e eu tinha algumas ovelhas que trouxera ao Vale, e queria obter algumas cabras para junto delas. Falara com o Capitão Brown sobre as cabras, e ele disse que eu poderia tê-las. Bem nessa época tive este sonho, que agora relatarei. Pensei ter partido e passado das Fontes Quentes, que ficam a umas quatro milhas ao norte desta cidade. Ia buscar minhas cabras. Quando contornei a ponta da montanha junto às Fontes Quentes, e percorri cerca de meia milha na subida além da Fonte, quem havia de encontrar senão o irmão Joseph Smith. Ele tinha uma carroça sem caçamba, apenas com tábuas de fundo, e tendas e equipamento de acampamento empilhados. Alguém sentado na carroça guiava a parelha. Atrás da parelha, vi um grande rebanho de ovelhas. Ouvi seus balidos, e vi algumas cabras entre elas. Olhei para elas, e pensei — "Isto é curioso, o irmão Joseph foi à casa do Capitão Brown e pegou minhas cabras." Havia homens conduzindo as ovelhas, e algumas delas, penso, tinham três pés e meio de altura, com belas e grandes lãs brancas, e pareciam tão lindas e puras; outras eram de tamanho moderado, puras e brancas; e, na verdade, havia ovelhas de todos os tamanhos, com lãs limpas, puras e brancas. Depois vi algumas escuras e manchadas, de todas as cores, tamanhos e tipos, e suas lãs estavam sujas, e pareciam inferiores; algumas destas eram de bom tamanho, mas não tão grandes quanto algumas das grandes ovelhas finas e limpas, e, ao todo, havia uma multidão delas de todos os tamanhos e tipos, e cabras de todas as cores, tamanhos e tipos misturadas entre elas. Joseph parou a carroça, e as ovelhas continuavam chegando às pressas, até formar-se um imenso rebanho. Olhei nos olhos de Joseph, e ri, tal como fizera muitas vezes quando ele estava vivo, sobre alguma coisa trivial ou outra, e disse — "Joseph, tens o mais estranho rebanho de ovelhas que já vi em toda a minha vida; que vais fazer com elas, para que servem, afinal?" Joseph olhou astutamente com os olhos, tal como costumava fazer às vezes, e disse — "Todas são boas em seu lugar." Quando acordei pela manhã, não achei defeito algum nos que queriam ir para a Califórnia; disse: "Se querem ir, que vão, e faremos tudo o que pudermos para salvá-los; não tenho mais defeito a achar, as ovelhas e as cabras correrão juntas, mas Joseph diz: 'Todas são boas em seu lugar.'"

Isto se aplica precisamente ao que estamos fazendo no presente. Estamos tentando unir o povo na ordem que o Senhor revelou a Enoque, a qual será observada e sustentada nos últimos dias, na redenção e edificação de Sião; esta é exatamente a ordem que o fará, e nada menos que isso. Estamos tentando organizar os Santos dos Últimos Dias nesta ordem; mas quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que não vim aqui para dizer que tendes de entrar nesta ordem, ou vos cortaremos da Igreja, ou que deveis entrar nesta ordem, ou vos consideraremos apóstatas; nada disso, oh não, os Santos não estão preparados para ver tudo de uma vez. Têm de aprender pouco a pouco, e receber um pouco aqui e um pouco ali. Desde que começamos a organizar em St. George, não tive outro sentimento no coração senão dizer aos que não conseguem ver esta ordem — Tentai viver vossa religião; obtende o Espírito do Senhor e o conservai; humilhai-vos diante do Senhor e obtende seu Espírito; pedi ao Pai, em nome de Jesus, que abra vossa mente e vos deixe ver as coisas como são, e vos deleitareis nisso. E digo a todos os que desejam receber a Ordem: vinde, e vos organizaremos, e faremos o melhor que pudermos por vós. É verdade que alguns que estão na Ordem falam muito tolamente aos que não sentem vontade de entrar nela; lançam expressões muito impróprias. Isto é completamente errado. Não é exigido, não é necessário, e não fará o menor bem no mundo. Devemos manifestar e mostrar a nossos irmãos uma vida mais pura do que temos mostrado até agora. Digo-vos, aos que quereis ser organizados nesta Ordem, não vos tomaremos um só centavo, mas o Senhor vos acrescentará riquezas e honra, se aceitardes conselho. Como temos dito desde o princípio, não queremos a fazenda de um homem, não queremos seu ouro e sua prata, nada no mundo senão apenas o seu tempo. Queremos dirigir o tempo dos Santos dos Últimos Dias, mostrar-lhes que podemos entrar na Ordem de Deus, e que seremos aquele povo de que o Senhor falou a respeito das coisas temporais. Falando dos Santos dos Últimos Dias, o Senhor disse — "Farei de vós o povo mais rico da terra", e ele pode fazê-lo tão facilmente quanto qualquer outra coisa, se estivermos dispostos a deixá-lo. É o tempo do povo que queremos dirigir.

Vou desviar-me para outro fio do assunto. Aqui está um irmão que diz: "Ora, sim, podes ficar com parte de minha propriedade, ou até mesmo com toda ela; mas quero ser um homem por mim mesmo; não quero ser dirigido; quero preservar minha própria liberdade; não quero ser escravo." Que ideia! Isso vem do inimigo, e porque a pessoa não tem o Espírito do Senhor para ver como as coisas são. Não há um só de nós que não esteja disposto a reconhecer de imediato que Deus exige estrita obediência a seus preceitos. Mas, ao prestarmos essa estrita obediência, seremos feitos escravos? Não; é o único meio, sobre a face da terra, de tu e eu nos tornarmos livres, e nos tornaremos escravos de nossas próprias paixões, e do maligno, e servos do diabo, se tomarmos qualquer outro caminho, e seremos finalmente lançados no inferno com os demônios. Ora, dizer que não desfruto da vontade de minha própria alma tanto quando oro quanto desfrutaria se blasfemasse é um princípio falso, é terreno falso a tomar. Tomai o homem que blasfema, e ele não tem mais liberdade, nem age mais segundo sua própria vontade, do que o homem que ora; e o homem que presta estrita obediência aos preceitos do Céu age segundo a vontade de sua própria alma, e exerce sua liberdade tanto quanto quando era escravo da paixão; e penso ser muito melhor e mais honroso para nós, sejamos crianças ou adultos, jovens, de meia-idade ou velhos, é melhor viver assim, e melhor morrer assim, ter o coração puro, e prestar estrita obediência aos princípios de vida que o Senhor revelou, do que ser escravo do pecado e da impiedade. Tudo o que o Senhor exige de nós é estrita obediência às leis da vida. Todo o sacrifício que o Senhor pede a seu povo é estrita obediência a nossos próprios convênios, que fizemos com nosso Deus, e isso é servi-lo com um coração indiviso.

Digo isto porque quero que entendais nossa posição. Sou o diretor e conselheiro deste povo para a edificação do reino de Deus sobre a terra. Sou eu quem dirá o que deve ser feito, e como deve ser feito, e qualquer homem que se desvie, ou diga que há algum outro propósito ligado à Ordem Unida senão colocar o povo numa condição e situação de ser melhor e mais livre, e na qual desfrute mais das bênçãos do céu e da terra do que fora dela, não fala a verdade. Todos sabeis que é preciso inteligência para desfrutar. Pessoas de boa saúde desfrutam de seu alimento. Por quê? Porque têm sensibilidade e sentimento nervoso. Tirai isso, e seriam como aquele cano de fogão. Fazei nele um buraco, e ponde dentro um bom bife, um pudim de ameixa, ou um bolo doce; desfrutaria disso o cano de fogão? Não. Por quê? Porque não tem sensibilidade. Nós desfrutamos porque temos sensibilidade. Promovei esta sensibilidade, buscai obter mais e mais conhecimento, mais sabedoria, e mais entendimento, e conhecer as coisas de Deus. Ele é o autor da vida e de toda alegria e conforto; é o autor de toda inteligência e de todo bem para nós; então, contentai-vos em obedecer-lhe, e buscai obter mais e mais de sua natureza, e aprender mais e mais dele. Isto nos dará maior sensibilidade, e saberemos desfrutar, e saberemos suportar. Digo: se quereis desfrutar intensamente, tornai-vos Santo dos Últimos Dias, e depois vivei a doutrina de Jesus Cristo. O homem ou a mulher que fizer isto desfrutará e suportará mais; e, se forem humildes e fiéis, desfrutarão da glória e da excelência do poder de Deus, e estarão preparados para viver com Deuses e com anjos.

Queremos edificar o reino de Deus sobre a terra. Não sei se estou gastando mais tempo do que deveria, mas devo dizer mais algumas coisas. Esta Terceira Ala não está organizada. Não sei quando estará. Pedimos a vosso Bispo, e ele não se sentiu exatamente preparado para entrar na Ordem. Sabemos o motivo. Estará ele preparado? Sim. Quero profetizar que ele e sua Ala estarão preparados dentro em breve, e espero que minha profecia se cumpra. Ele não vê as coisas tão rapidamente quanto eu. Vou dizer-vos qual tem sido sempre a minha posição. Antes de abraçar o Evangelho, eu entendia bastante bem o que as diferentes seitas pregavam, mas era chamado infiel porque não podia abraçar seus dogmas. Não podia crer em todo o metodismo; não podia crer em todas as doutrinas dos Batistas; havia algumas coisas que pregavam em que eu podia crer, e outras não. Não podia concordar plenamente com os Presbiterianos em suas doutrinas, nem com os Quacres, nem com os Católicos, embora todos tenham alguma verdade. Na medida em que seus ensinamentos estavam de acordo com a Bíblia, eu podia crer neles, e não mais. Eu conhecia os credos de quase todas as diversas seitas de dissidentes na América, pois fizera questão de investigar os princípios em que criam. Eu era religiosamente inclinado em minha juventude, mas não podia crer em seus dogmas, pois não se recomendavam a meu entendimento, embora, ainda criança, houvesse frequentado seus acampamentos religiosos, e visto o que chamavam o poder de Deus. Vira homens e mulheres caírem, e ficarem tão mudos e sem fôlego quanto aquele fogão diante de mim. Vira cientistas segurarem a mais leve pena que pudessem conseguir junto às narinas e bocas de mulheres, para ver se alguma partícula de ar passava para dentro ou fora dos pulmões, e nenhuma partícula era perceptível. Quando criança, vi tudo isto, mas não podia crer em seus dogmas. Não podia dizer que o povo não fosse sincero em sua fé e atos, mas tudo era para mim um mistério. Não tinha idade suficiente, nem entendia o bastante para decidir. Nos dias de Joseph, quando lhe veio a revelação, a ele e a Sidney Rigdon, ao traduzirem aquela porção do Novo Testamento contida no versículo vinte e nove do terceiro capítulo de João, a respeito dos diferentes graus de glória, eu não estava preparado para dizer que cria nisso, e tive de esperar. Que fiz? Entreguei isto ao Senhor em meus sentimentos, e disse: "Esperarei até que o Espírito de Deus se manifeste a mim, a favor ou contra." Não julguei o assunto, não argumentei contra ele, de modo algum. Nunca argumentei o mínimo contra qualquer coisa que Joseph propusesse, mas, se não podia ver ou entender, entregava-o ao Senhor. Este é o meu conselho a vós, meus irmãos e irmãs, e se eu tivesse certeza de que minha profecia se cumpriria, certamente profetizaria que todos aqui, que professam ser Santos dos Últimos Dias, entrarão na santa Ordem e nela se regozijarão. E se não sentirdes vontade de entrar na Ordem, ajudai os que sentem, e não digais nada contra eles. Vós que entrardes na Ordem, não sussurreis nada contra os que não entrarem; se sentirdes corretamente, não tereis o menor sentimento contra eles. Vinde, pois, como disse, se não encontrar mais de cinquenta homens no reino de Deus que venham comigo organizar a Igreja e o reino de Deus mais perfeitamente, irei em frente. Para quê? Mais conhecimento, sabedoria e perfeição na administração e controle de nossos negócios temporais. Isto é o que pretendo fazer, e é o que farei. Perguntai-me se vou entrar na Ordem com tudo o que tenho? Sim, como disse a eles numa reunião não faz muito tempo, entro com chapéu, casaco, colete, calças, camisa, botas, e tudo o que tenho. E se perguntardes: se vossa família não entrar na Ordem, que fareis com vossa propriedade? Vou selá-la ao reino de Deus, pois não pretendo que os inimigos do reino fiquem com um centavo sequer, se eu puder evitá-lo. Quero que vá para o reino de Deus, quero que seja empregada na salvação da família humana, para construir Templos, para sustentar as famílias dos Élderes que saem a pregar pelo mundo; quero que seja usada para o bem dos pobres e para o estabelecimento da verdade e da retidão sobre a terra. É para isso que serve, e nada mais; não tenho prazer nisso, não tenho deleite nisso, nada é para mim; quero que tudo o que o Senhor colocou em minha posse, meu tempo, meus talentos, toda habilidade que tenho, cada centavo que ele me confiou, seja usado para sua glória, e para a edificação de seu reino sobre a terra. Nada tenho senão o que ele me confiou. Que dizes a isso, Jacob? Está certo? Exatamente. Não há aqui um só homem que tenha sua vista, audição, paladar e olfato, que não seja devedor ao Senhor por eles. O Senhor nos deu tudo o que possuímos, seja qual for a habilidade ou os talentos que temos; nossos Tabernáculos e tudo o que desfrutamos são dons do Senhor, e tudo deveria ser devotado à promoção de seu reino sobre a terra, e pretendo que o meu o seja, sendo o Senhor meu ajudador.

Não quero dizer a esta Ala que tendes de entrar na Ordem, ou não teremos comunhão convosco, pois teremos comunhão convosco ainda que não entreis. Há pouco tempo, disse aos desta Ala que pretendiam organizar-se: ide à Oitava Ala e organizai-vos com eles; mas foi um mal-entendido, de que eu havia destituído o irmão Weiler do cargo de Bispo aqui; e se alguém mais entendeu assim, penso que se enganou. Ele continua sendo vosso Bispo, e agora o encarrego, em nome de Deus, a não trivializar as coisas sagradas do reino de Deus, nem lançar água fria sobre elas; se o fizer, ficará nas trevas, e finalmente apostatará. Digo-vos, Bispo, e a vós, irmãos e irmãs, sede fiéis, vivei de modo que o Espírito do Senhor permaneça em vós; então podereis julgar por vós mesmos. Frequentemente disse aos Santos dos Últimos Dias — "Vivei de modo que saibais se vos ensino a verdade ou não." Suponde que sejais descuidados e despreocupados, e vos entregueis ao espírito do mundo, e eu, igualmente, seja levado a pregar as coisas deste mundo, e a aceitar coisas que não são de Deus — como seria fácil para mim vos desviar! Mas digo-vos: vivei de modo que saibais por vós mesmos se digo a verdade ou não. Este é o modo como queremos que todos os Santos vivam. Fareis isto? Sim, espero que sim, cada um de vós. Digo ao Bispo, aqui: ide em frente e não contendais contra as coisas de Deus. Tu e teus conselheiros estais dispostos a discutir a respeito da Ordem Unida. Não deveria haver discussão neste caso; o Espírito do Senhor é a única coisa que pode iluminar nossa mente, e dar-nos conhecimento das coisas de Deus. Nenhum argumento terreno, nenhum raciocínio terreno pode abrir a mente de seres inteligentes, e mostrar-lhes as coisas celestiais; isso só pode ser feito pelo espírito de revelação. Testifico isto aos Santos dos Últimos Dias, e sinto-me levado a dizer: Deus vos abençoe, a paz esteja convosco. Não vim aqui para vos repreender, nem a ninguém mais. Às vezes sou muito áspero em minha linguagem para com o povo, e lhe dou uma repreensão severa, mas não desejo mal algum ao indivíduo, é a seus atos errados. Se uma pessoa faz o errado, estou pronto a expô-lo, e a castigar o culpado, se persistir nisso. Quero que os que fazem o mal se refreiem. Ora, digo, irmão Jacob, ensina as coisas de Deus. Não tenhas dúvida sobre isto, tanto quanto não a terias sobre o batismo, nem digas uma palavra contra ele. Quantos há nesta Igreja que agora vacilam e se abalam porque falaram contra as ordenanças do céu, e especialmente contra aquela ordenança que Deus revelou para a exaltação dos filhos dos homens no casamento celestial? Tende isto por tão sagrado quanto vossa própria alma: se não puderdes ver sua beleza e glória, e senti-la em vosso próprio coração, não digais nada contra ela. Esta terra foi colocada nas mãos de Adão e de seus filhos, e ele é o Senhor da terra; a parte masculina da família humana é senhora da terra, e está cheia de maldade, mal e destruição, especialmente em seus atos para com o sexo feminino. Mas Deus os fará responsáveis. O fato é que, se se ensinarem aos homens e às mulheres os princípios puros do reino de Deus, muito mais destas últimas do que dos primeiros os receberão e obedecerão. Que faremos com elas? Querem exaltação, querem estar na grande família dos céus, não querem ser rejeitadas; então têm de ser recebidas nas famílias dos que se provarem dignos de ser exaltados com os Deuses. Quem é que não pode ver a beleza e a excelência do casamento celestial, e de ter nossos filhos selados a nós? Que faríamos sem isto? Se não fosse pelo que foi revelado a respeito das ordenanças de selamento, filhos nascidos fora do convênio não poderiam ser selados a seus pais; filhos nascidos no convênio têm direito ao Espírito do Senhor e a todas as bênçãos do reino. Sei que nossos filhos, universalmente, têm o Espírito do Senhor, e, quando alcançam idade suficiente para julgar o certo do errado, se se afastarem do bem e promoverem o mal em seu coração, então será o momento em que pecarão.

Ora, digo-vos, irmão Jacob, ensina as coisas de Deus, e não trivializes isto; não discutas sobre isto de modo algum; se não vês nem entendes, permanece firme e vê a salvação de Deus. Labora e ajuda os que desejam avançar, e o Senhor te abençoará nisso. Ele abrirá tua mente e te dará luz e entendimento, e serás muito mais feliz do que os ímpios. Como sois abençoados quando sois de Deus e de mais ninguém! Então estais preparados para o que ele revelar. Como podeis dormir docemente! Vossos sonhos são agradáveis e deleitosos, e os dias, semanas, meses e anos passam facilmente e com alegria, sois tão felizes.

Rogo a Deus que vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “O Segredo da Felicidade — Autoexame — Joseph Smith, um Homem de Obediência a Deus — Batismo pelos Mortos — Temporal e Espiritual São Um — Um Sonho — a Ordem de Enoque, a Ordem de Deus — Uma Boa Palavra para as Mulheres”, (1874-06-23). Pulpit Vault, 1874-06-young-secret-of-happiness. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).