Interesse Manifestado em Relação aos Negócios Temporais — Revelações Pertinentes a Ser Um nas Coisas Temporais, Assim Como nas Espirituais — Consagração — Mordomia — Condado de Jackson — Santificação
Orson Pratt
Parece haver, no momento presente, grande interesse manifestado entre os Santos dos Últimos Dias, e mesmo entre os que estão ligados à nossa Igreja, a respeito de algumas instruções que têm sido dadas aos Santos dos Últimos Dias em relação aos seus negócios temporais. As instruções que têm sido dadas, e que o povo está, em certa medida, recebendo, são, em sua estimativa, comparativamente novas, isto é, supõe-se que sejam novas, e algo que nós, no passado, não praticávamos. Mas, se recorrermos às revelações de Deus, veremos que nada de novo nos foi exigido. Costuma-se, porém, chamar isso, entre os Santos dos Últimos Dias, de a Nova Ordem. Ouvis falar dela em todas as partes do Território. Que se entende por Nova Ordem? Será ela realmente nova nas revelações de Deus, ou é algo novo para nós praticá-la? Foi-nos exigido, no ano de 1874, voltar novamente a uma ordem antiga, tal como ensinada no mormonismo antigo. O que quero dizer com mormonismo antigo é o mormonismo tal como foi ensinado há uns quarenta e três ou quarenta e quatro anos. Há hoje uma geração vivendo sobre a Terra que parece comparativamente ignorante das doutrinas que foram ensinadas há uns quarenta anos aos homens que agora são velhos e têm cabeças grisalhas e barbas brancas. Desde então, surgiu uma nova geração; e esta começa a pensar que algo novo, algo que virará tudo de cabeça para baixo, está sendo introduzido no mormonismo. Direi a todos os que têm tais ideias: estais completamente enganados, não é assim; estamos tentando fazer com que o povo volte novamente aos antigos princípios do mormonismo, àquilo que Deus revelou no início desta Igreja. ¶
Todo homem, seja ou não Santo dos Últimos Dias, quando se põe a estudar nossas obras escritas, as revelações escritas que Deus deu, reconhecerá que os Santos dos Últimos Dias não podem ser o povo que professam ser, não podem ser coerentes com as revelações que professam crer e viver como agora vivem; eles têm de entrar no sistema que os Santos chamam de Nova Ordem, do contrário não podem cumprir as revelações de Deus. ¶
Creio que citarei algumas revelações nesta manhã, a fim de mostrar-vos o que Deus disse em relação à propriedade ou às coisas temporais, no início desta Igreja. A primeira revelação que agora me ocorre encontra-se no Livro de Doutrina e Convênios, na página 217; foi dada em março de 1831, quarenta e três anos, no último mês de março. No terceiro parágrafo desta revelação lemos estas palavras: ¶
"Porque eis que as bestas do campo e as aves do ar e aquilo que provém da terra foram estabelecidos para uso do homem, para alimento e para vestuário e a fim de que ele tenha em abundância. Mas não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado." ¶
Credes nesta revelação, Santos dos Últimos Dias? "Oh, sim," diz um — "cremos que Joseph Smith era um Profeta." Já a praticastes? Oh, isso é outra coisa. Como, pois, havemos de saber que credes nesta revelação, se não a praticais? Como há de o mundo saber que sois sinceros em vossa crença, se tendes uma revelação em que professais crer e, contudo, não lhe dais atenção? Não me admiro de que o mundo diga que os Santos dos Últimos Dias não creem em suas próprias revelações. Por quê? Porque não as praticamos. "Não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado." Pode haver alguns estranhos aqui, e eles não creem neste livro, mas eu vos direi o que diriam, como homens razoáveis: diriam que, se vós, Santos dos Últimos Dias, chamais este vosso livro de fé, e de doutrinas e convênios, para serdes coerentes, deveríeis cumpri-lo. É isso o que diriam, e é realmente um dito verdadeiro, coerente e razoável. Se cremos nisto, pratiquemo-lo; se não cremos, por que professar crer? ¶
Remeto-vos agora a uma revelação dada no dia dois de janeiro de 1831, na página 120 do Livro de Doutrina e Convênios. Contar-vos-ei como esta revelação foi dada, pois eu estava presente na ocasião em que foi dada. A Igreja, então, tinha uns nove meses de existência. O Profeta Joseph, que recebeu todas as revelações contidas neste livro, morava então no Estado de Nova York, na cidade de Fayette, condado de Seneca. Ele reuniu os vários ramos da Igreja que haviam sido organizados nos nove meses anteriores naquele Estado, e estes se ajuntaram na casa em que esta Igreja fora organizada, a saber, a casa do Pai Whitmer. Recordar-vos-eis, ao ler o Livro de Mórmon, que os filhos do Pai Whitmer, jovens, são registrados como testemunhas do Livro de Mórmon, tendo David Whitmer visto o anjo, e as placas nas mãos do anjo, e ouvido sua voz, e a mão do anjo foi posta sobre sua cabeça, e ele lhe disse — "Bendito seja o Senhor e os que guardam seus mandamentos." E ele ouviu a voz do Senhor, em conjunto com três outras pessoas, testificando desde os céus, ao mesmo tempo em que o anjo ministrava, que o Livro de Mórmon fora traduzido corretamente pelo dom e poder de Deus, ordenando-lhe que desse testemunho disso a todos os povos, nações e línguas, juntamente com os outros três que estavam com ele. Estes eram também alguns dos indivíduos que viram as placas e as manusearam, e viram as gravuras nelas, e que deram seu testemunho a esse respeito no Livro de Mórmon. Foi na casa de seu pai que esta Igreja foi organizada, em 6 de abril de 1830; foi na casa de seu pai que esta pequena Conferência se reuniu em 2 de janeiro de 1831, e esta Conferência pediu ao Profeta Joseph Smith que perguntasse ao Senhor a respeito de seus deveres. Ele o fez. Sentou-se no meio da Conferência, de menos de cem pessoas, não sei o número exato, e um escrivão escreveu esta revelação de sua boca. Um trecho nela contido, no quinto parágrafo, diz assim — ¶
"E que todo homem estime a seu irmão como a si mesmo e pratique a virtude e a santidade diante de mim. E novamente vos digo: Que todo homem estime a seu irmão como a si mesmo. Pois qual é o homem entre vós que, tendo doze filhos que o servem obedientemente e não faz acepção deles, diz a um: Veste-te com mantos e senta-te aqui; e ao outro: Veste-te com trapos e senta-te acolá — e, olhando para seus filhos, diria: Sou justo? Eis que isto vos dei como parábola e é como eu sou. Digo-vos: Sede um; e se não sois um, não sois meus." ¶
Talvez os Santos pensem que isto se refere apenas às coisas espirituais, e signifique ser um em doutrina, princípio, ordenanças, fé, crença, e assim por diante, e que não se refere de modo algum às coisas temporais; mas, a fim de mostrar-vos que isto se refere tanto às coisas temporais quanto às espirituais, permiti-me citar o que Deus disse alguns meses depois, em outra revelação. Não tenho tempo de recorrer a todas essas revelações, mas as citarei. Diz o Senhor — "Porque se não sois iguais em coisas terrenas, não podeis ser iguais na obtenção de coisas celestiais." Eis aqui uma pergunta que nos foi feita: Como podeis ser feitos iguais nos vínculos das coisas celestiais, se não sois iguais nos vínculos das coisas terrenas? Com certeza, não podemos ser feitos iguais. Se somos desiguais nesta vida, e não somos um, podemos ser confiados com as verdadeiras riquezas, as riquezas da eternidade? Creio que lerei para vós uma pequena parte de outra revelação que foi dada sobre as mordomias. O Senhor ordenou a certos de seus servos que tomassem conta destas revelações quando ainda estavam em manuscrito, antes de serem publicadas, para que fossem impressas e enviadas ao povo, e também lhes deu ordens a respeito do Livro de Mórmon, e os fez mordomos sobre estas revelações e os proventos delas advindos. E disse o Senhor — "Eu, o Senhor, indiquei-os e ordenei-os para serem os mordomos responsáveis pelas revelações e mandamentos que lhes dei e que lhes darei mais adiante; e um relatório dessa mordomia deles exigirei no dia do juízo. Portanto, designei-os, e este é o seu ofício na igreja de Deus, para administrar essas coisas e o que a elas se refere, sim, os seus ganhos. Portanto, dou-lhes o mandamento de não transmitirem estas coisas à igreja nem ao mundo; contudo, se receberem mais que o necessário para suas necessidades e carências, entregarão ao meu armazém; e os ganhos serão consagrados aos habitantes de Sião e às suas gerações, caso se tornem herdeiros de acordo com as leis do reino." ¶
Ora, notai aqui: o Senhor não pretendia que aqueles indivíduos que nomeou se enriquecessem com os proventos da venda do Livro de Mórmon e do Livro de Doutrina e Convênios, e de outras revelações e dos negócios literários de sua Igreja; ele nunca pretendeu que se enriquecessem enquanto outros estavam pobres, essa não era a ordem; mas, se recebessem mais do que o necessário para seu sustento, que fariam com isso? Deveriam engrandecer-se enquanto seus pobres irmãos estavam destituídos? De modo algum; deveriam dar todo o excedente, além do que fosse realmente necessário para seu sustento, ao armazém do Senhor, e este seria para o benefício de todo o povo de Sião, não somente dos vivos, mas de suas gerações depois deles, na medida em que se tornassem herdeiros segundo as leis do reino de Deus. ¶
Havia um certo modo de se tornarem herdeiros segundo as leis do reino de Deus. Herdeiros de quê? Herdeiros dos proventos advindos da venda das revelações, dos quais todos os habitantes de Sião deveriam ser beneficiados. Diz alguém — "Mas talvez isso se limitasse àqueles seis indivíduos aqui nomeados, e não significasse toda a Igreja." Esperai, leiamos a próxima frase — "Eis que isto é o que o Senhor requer de todo homem em sua mordomia, segundo o que eu, o Senhor, designei ou designarei no futuro a qualquer homem." Daqui aprendemos que todos os mordomos que o Senhor havia designado, e todos os que designasse, num tempo futuro, para mordomias, deveriam entregar todo o seu excedente — tudo o que não fosse necessário para alimentá-los e vesti-los — ao armazém do Senhor. Ninguém que pertencesse à Igreja do Deus vivo está isento desta lei. Essa lei nos inclui? Inclui todos os que pertencem à Igreja, ninguém está isento dela. Temos feito isso, Santos dos Últimos Dias, nestes últimos quarenta e três anos, desde que esta revelação foi dada? Temos cumprido a ordem que nos comprometemos a seguir no ano de 1831? Esta antiga ordem não é uma nova ordem de que tanto falais. ¶
No ano de 1831, começamos a emigrar para a parte ocidental do Estado do Missouri, para um condado então bastante novo, chamado condado de Jackson; a maior parte da terra, naquela época, pertencia ao Governo. Quando começamos a emigrar para lá, o Senhor deu muitas revelações. O Profeta Joseph foi, entre os primeiros, para aquele condado, e Deus deu muitas revelações contidas no Livro de Doutrina e Convênios, a respeito de como o povo deveria conduzir seus negócios. Entre as revelações então dadas estava o mandamento de que todo homem que fosse àquela terra deveria depor tudo o que possuísse diante do Bispo de sua Igreja. Outra revelação, dada antes de irmos para aquela terra, falando de uma terra que o Senhor, em algum tempo futuro, nos daria como herança, ordenou que consagrássemos toda a nossa propriedade ao seu armazém. Se tivéssemos carroças, cavalos, mulas, bois, vacas, ovelhas, utensílios agrícolas, móveis, ouro e prata, joias, roupas — não importava o que fosse — disse o Senhor, numa revelação dada em fevereiro de 1831, que tudo deveria ser depositado diante do Bispo de sua Igreja, e consagrado ao armazém do Senhor. Isso nos nivelou a todos. Se um homem tivesse um milhão de dólares quando se reunisse ao condado de Jackson, se cumprisse a lei, ficaria tão rico quanto o homem que não tivesse um vintém sequer. Por quê? Porque consagrava tudo o que tinha, e o pobre não podia fazer mais do que isso; portanto, todos os que cumprissem a lei ficariam igualmente pobres ou igualmente ricos. ¶
Qual foi o passo seguinte após esta consagração? Naqueles dias, tínhamos apenas um Bispo — seu nome era Edward Partridge, e fora chamado por revelação — e o passo seguinte, após esta consagração geral, foi o Senhor ordenar ao Bispo e a seus dois conselheiros que comprassem toda a terra do condado de Jackson, e dos condados vizinhos, que pudesse convenientemente ser adquirida, sendo o preço geral um dólar e vinte e cinco centavos por acre. E o que se seguiu? Depois de comprarem estas terras, tanto quanto tivessem meios para tanto, todo homem que houvesse consagrado sua propriedade deveria receber uma herança. Ora, recordai-vos: nenhum, exceto os que consagrassem, nenhum dos que desobedecessem a essa lei, deveria receber herança ou mordomia; mas todos os que consagrassem suas propriedades segundo esta lei deveriam receber sua mordomia. ¶
Que significa uma mordomia? Um mordomo é aquele que presta contas a alguém pela propriedade que administra, e essa é a sua mordomia, seja propriedade fundiária, utensílios agrícolas, carroças, vacas, bois, cavalos, arreios, ou o que quer que lhe seja confiado. A quem eram responsáveis os irmãos do condado de Jackson pela mordomia que lhes fora confiada? Ao Bispo. O Bispo era chamado, nestas revelações, um juiz comum em Sião, eclesiasticamente falando, não segundo as leis civis; no que dizia respeito às nossas leis eclesiásticas, ele era um juiz comum, e cada pessoa deveria prestar-lhe conta da mordomia que tinha. Não sei com que frequência; talvez uma vez por ano, talvez mais, talvez com maior frequência. Não sei se havia algum tempo especificado, nestas revelações, sobre com que frequência tais contas deviam ser prestadas. Mas como deveria o povo viver dos proventos da mordomia confiada a seus cuidados? Deveriam ter alimento e vestuário, e os conforto necessários à vida. Bem, é claro, um mordomo sábio e fiel, tendo saúde e força, e talvez bastante talento, poderia conduzir uma mordomia de tal modo que ganhasse mais do que ele e sua família necessitassem, e, mantendo conta de todas essas coisas, e prestando-a quando exigido, alguns teriam um excedente considerável, além do que ele e sua família necessitassem. Que se deveria fazer com isso? Ora, como mordomos, teriam de consagrá-lo ao armazém do Senhor, sendo o Senhor o dono da propriedade e nós apenas seus mordomos. ¶
Havia homens a quem se confiava uma mordomia maior do que a outros. Por exemplo, aqui havia um homem que nada sabia particularmente de agricultura, mas que poderia ser um espírito de mestre no que dizia respeito a algum outro ramo de negócio. Poderia entender como conduzir uma grande manufatura de tecidos e tudo o que fosse necessário, na linha do vestuário, para os habitantes de Sião. Tal homem exigiria uma mordomia maior do que o homem que cultivava uma pequena fazenda, e tinha apenas a si mesmo, uma esposa e dois ou três filhos para sustentar. Mas o fato de um homem ter uma mordomia maior do que outro o tornaria mais rico do que o outro? Não. Por que não? Porque, se um recebesse cinquenta ou cem mil dólares para construir e abastecer uma grande manufatura, com o propósito de fabricar diversos tipos de tecidos para vestuário, embora pudesse ter um excedente de vários milhares de dólares ao fim do ano, não seria mais rico do que o agricultor com suas poucas jeiras de terra; e permiti-me mostrar-vos como seriam iguais. O fabricante não é dono do edifício, da maquinaria, do algodão ou do linho, conforme o caso; é apenas um mordomo, como o agricultor, e, se, ao fim do ano, tiver cinco, dez ou cinquenta mil dólares de excedente, isso o torna um homem rico? De modo nenhum; isso vai para o armazém do Senhor ao fim de cada ano, ou com a frequência que for exigida, deixando-o assim no mesmo patamar de igualdade com o agricultor e sua pequena mordomia. Não vedes a igualdade da coisa? Nas questões temporais, não foi determinado que um homem possuísse mais do que o outro, diz o Senhor. ¶
Ora, entrou o povo realmente nisto, ou foi mera teoria? Respondo que, no ano de 1831, tentamos entrar nesta ordem de coisas, mas o coração do povo estava tão acostumado a possuir propriedade individualmente, que foi muito difícil fazê-los cumprir esta lei do Senhor. Muitos deles eram bastante ricos, e viam que naquela terra se edificaria uma grande cidade chamada Sião, ou a Nova Jerusalém; entendiam isso pelas revelações, e diziam em seus corações — "Que boa oportunidade esta será para nos enriquecermos. Temos recursos e dinheiro, e, se consagrarmos segundo a lei de Deus, não podemos nos enriquecer; mas sabemos que o povo, aos milhares e às dezenas de milhares, se reunirá aqui, e estas terras se tornarão muito valiosas. Podemos agora obtê-las pelo preço do governo, um dólar e vinte e cinco centavos por acre, e, se investirmos alguns milhares em terras, poderemos vendê-las aos irmãos quando chegarem, com mil por cento de lucro, e talvez, em alguns casos, com dez mil por cento, e nos tornarmos ricos; portanto, não consagraremos, mas seguiremos adiante por nós mesmos, individualmente, e compraremos as terras para especular." Estes eram os sentimentos de alguns que foram para aquela terra; mas outros estavam dispostos a cumprir a palavra de Deus, e fizeram exatamente o que a revelação exigia, e depuseram tudo o que tinham diante do Bispo, e receberam sua mordomia. ¶
Depois de organizar estas coisas, o Profeta Joseph, em agosto do ano de 1831, voltou a Kirtland, cerca de mil milhas a leste, e, estando lá, o Senhor lhe revelou que os habitantes do condado de Jackson não estavam cumprindo sua palavra; portanto, Joseph lhes enviou cartas contendo a palavra do Senhor, castigando-os por sua desobediência e rebelião contra a lei do céu. Fez isso em diversas ocasiões, e, numa em especial, como encontrareis registrado na história publicada em alguns de nossos periódicos — creio que a encontrareis no décimo quinto volume do Millennial Star — em linguagem parecida com esta: "Se o povo não cumprir minha lei, que lhe dei a respeito da consagração de sua propriedade, a terra não lhe será uma terra de Sião, mas seus nomes serão apagados, e os nomes de seus filhos e dos filhos de seus filhos, enquanto não cumprirem minhas leis, e seus nomes não serão encontrados escritos no livro da lei do Senhor." ¶
Em outra revelação, publicada no Livro de Doutrina e Convênios, diz o Senhor — "Pois em verdade eu digo que os rebeldes não são do sangue de Efraim; portanto, serão extirpados, e enviados para fora da terra." Quando esta revelação foi dada, tudo era paz no condado de Jackson. Não tínhamos ali mais inimigos do que em qualquer outro lugar onde a Igreja se encontrasse; tudo era comparativamente pacífico. Mas o Senhor disse que os rebeldes seriam extirpados e enviados para fora da terra. O povo pensava não haver perspectiva alguma de que essa revelação se cumprisse. Tudo era paz, e dizer que seriam extirpados e expulsos da terra estava fora de cogitação. Não se arrependeram, isto é, nem todos, mas continuaram em sua desobediência, negligenciando consagrar suas propriedades segundo as exigências da lei do Senhor; e assim, quando já estavam ali havia cerca de dois anos e cinco meses desde sua primeira colonização, foram literalmente extirpados e lançados fora da terra. Tendes a história diante de vós. Seus inimigos se levantaram contra eles e começaram a derrubar suas casas, e queimaram duzentas e três das moradas que nosso povo construíra naquela terra. Queimaram seus montes de grão, montes de feno e cercas, e perseguiram os Santos dos Últimos Dias de uma parte do condado para outra, algumas vezes amarrando-os a árvores e açoitando-os, em alguns casos até que suas entranhas se derramassem. Derrubaram a tipografia e a destruíram, também uma de nossas lojas de fazendas secas, e espalharam as mercadorias pelas ruas; entraram em casas e, tirando delas roupas de cama e móveis, empilharam-nos nas ruas e lhes atearam fogo, e assim continuaram suas perseguições até que, finalmente, conseguiram expulsar os Santos dos Últimos Dias do condado, e assim se cumpriu a palavra do Senhor, que dizia — "Eu os extirparei e os enviarei para fora da terra, pois somente os obedientes comerão do bem da terra da última Sião nestes últimos dias." ¶
Outra revelação Deus deu, para avisar o povo, na qual lhes disse que se lembrassem do Livro de Mórmon, e do novo convênio que revelara, o qual, se não observassem, disse ele — "Eis que eu, o Senhor, tenho um flagelo e um julgamento a derramar-se sobre suas cabeças." Isso foi dado entre um e dois anos antes de sermos expulsos daquele condado, em Kirtland, Ohio, por meio do Profeta Joseph, e enviado para avisá-los. Outra revelação disse que, se o povo não fizesse assim e assim, seria perseguido de cidade em cidade, e de sinagoga em sinagoga, e poucos permaneceriam para receber uma herança — referindo-se aos que tinham ido para aquele condado. ¶
Ora, percorrei este Território, de uma ponta a outra, procurai os homens de cabeças e barbas grisalhas, e as senhoras idosas que outrora estiveram no condado de Jackson, e vede quantos podeis encontrar, dentre os que ali viveram naquele tempo, e podereis julgar se a palavra do Senhor se cumpriu ou não. Suponho que encontrareis muito poucos, se procurardes, em todo o Território. ¶
Leiamos um pouco mais nas revelações, e vejamos se Deus nos rejeitou completamente ou não. Numa das revelações, dada depois de sermos expulsos, atravessando o rio Missouri para o condado de Clay e os condados vizinhos, o Senhor disse, a respeito do povo que fora espalhado e expulso — "Eis que permiti que lhes sobreviessem estas coisas por causa de seus pecados e maldade; mas, não obstante todas estas aflições que sobrevieram a meu povo, eu lhes serei misericordioso, e no dia da ira lembrar-me-ei da misericórdia; portanto, eu, o Senhor, não os rejeitarei totalmente." Embora poucos permanecessem para receber uma herança, o Senhor disse que não os rejeitaria completamente. ¶
Que se seguiu? Ele nos deu uma lei inferior, chamada lei do Dízimo, adequada e apropriada para nós. Depois de termos sido expulsos por negligenciar a lei maior da consagração de tudo o que tínhamos, ele pensou em não nos deixar sem lei, mas nos deu uma lei inferior, a saber, que déssemos a décima parte de nossa renda anual. Esta lei foi dada em maio de 1838, não me lembro a data exata, e creio que temos tentado cumpri-la; mas tem sido quase uma impossibilidade fazer com que o povo, universalmente, a cumpra. ¶
Há outro ponto ligado a esta lei do Dízimo que raramente tem sido cumprido, a saber, a consagração de toda a propriedade excedente. Ora, percorrei os Santos, os emigrantes que se reuniram de tempos em tempos, e apenas de vez em quando havia um homem que tivesse alguma propriedade excedente — julgai vós mesmos. Se um homem tivesse cinquenta ou cem mil dólares, dizia em seu coração — "Realmente preciso de tudo isto, quero especular, quero comprar muita terra para vender de novo quando o preço da terra subir; quero abrir uma grande loja para vender mercadorias ao povo, e, se consagrar algo disto, isso reduzirá minhas operações, porque diminuirá meu capital, e não poderei especular na medida em que deveria se o retivesse todo, e por isso considerarei que não tenho propriedade excedente." Ora, um indivíduo de coração honesto teria um pequeno excedente, e o entregaria; mas, desde aquele dia até o presente, presumo que a décima parte de sua renda anual tem sido paga pela maioria do povo. Não sei realmente a respeito deste assunto; de qualquer modo, o Senhor não nos abandonou completamente; portanto, penso que temos guardado sua lei em alguma medida, ou, com toda a probabilidade, ele nos teria rejeitado por completo. ¶
Mas como é que fomos feridos, expulsos, lançados fora e perseguidos, e a vida de nosso Profeta e Patriarca, e de centenas de outros, destruída a rifle, canhão e espada nas mãos de nossos inimigos? Como é que tais coisas foram permitidas nesta república livre? "Oh," diz alguém, "é porque praticastes a poligamia." Respondo que não praticávamos a poligamia nos dias das perseguições que nomeei; elas vieram sobre nós antes de começarmos aquela prática, pois a revelação sobre a poligamia não foi dada senão uns treze anos depois do início desta Igreja, e isso depois de termos sido expulsos, feridos e espalhados para cá e para lá pelas mãos de nossos inimigos; portanto, não foi por isso que fomos perseguidos. Mas, se tomarmos as circulares impressas escritas por nossos inimigos, podemos dar-vos suas razões para nos perseguir. Uma de suas razões era que crêssemos no cristianismo antigo, a saber, falar em línguas, interpretação de línguas, cura dos enfermos, etc.; e nossos inimigos não criam em ter em seu meio uma comunidade que afirmasse ter Apóstolos e Profetas e desfrutar os dons do Evangelho tal como os antigos Santos. Nossos inimigos disseram que não teriam tal povo em sua sociedade, e que, se não renunciássemos a essas coisas, nos expulsariam de nossos lares. Podeis ler isto, com os nomes da turba a ele ligados, juntamente com muitos padres e ministros de diferentes denominações. O Reverendo Isaac M'Coy e o Reverendo Sr. Bogard, e muitos outros que poderiam ser nomeados, estavam entre os líderes da turba que perseguiu os Santos dos Últimos Dias. ¶
Ora, por que é, Santos dos Últimos Dias, que fomos atirados de um lado para outro, feridos e perseguidos por tantos anos? É porque desobedecemos à lei do céu, não guardamos os mandamentos do Deus Altíssimo, não cumprimos sua lei; desobedecemos à palavra que ele deu por meio de seu servo Joseph, e por isso o Senhor permitiu que fôssemos feridos e afligidos pelas mãos de nossos inimigos. ¶
Voltaremos algum dia à lei de Deus? Sim. Quando? Ora, quando quisermos. Somos agentes; podemos guardar sua lei ou rejeitá-la, enquanto nos aprouver, pois Deus não tirou vosso arbítrio nem o meu. Mas tentarei dar-vos alguma informação a respeito do tempo. Deus disse, no ano de 1832, antes de sermos expulsos do condado de Jackson, numa revelação que encontrareis aqui neste livro, que, antes que aquela geração passasse toda, uma casa do Senhor seria edificada naquele condado (condado de Jackson) — "sobre o lugar consagrado, como designei; e a glória de Deus, sim, uma nuvem de dia e uma coluna de fogo flamejante de noite, repousará sobre a mesma." Em outro lugar, na mesma revelação, falando do sacerdócio, ele diz que os filhos de Moisés e os filhos de Arão, os que houvessem recebido os dois sacerdócios, seriam cheios da glória de Deus sobre o Monte Sião, na casa do Senhor, e receberiam uma renovação de seus corpos, e as bênçãos do Altíssimo seriam derramadas sobre eles em grande abundância. ¶
Isso foi dado há quarenta e dois anos. A geração que então vivia não deveria apenas começar uma casa de Deus no condado de Jackson, Missouri, mas realmente completá-la, e, quando estivesse completa, a glória de Deus repousaria sobre ela. ¶
Ora, credes vós nisso, Santos dos Últimos Dias? Eu creio, e, se credes nestas revelações, esperais tanto o cumprimento dessa revelação quanto o de qualquer outra que Deus já deu nestes últimos tempos, ou em épocas anteriores. Esperamos tanto que isso aconteça, segundo a palavra do Senhor, quanto os judeus esperam voltar à Palestina, e reconstruir Jerusalém no lugar onde antigamente esteve. Esperam construir ali um Templo, e que a glória de Deus entrará nele; do mesmo modo, nós, Santos dos Últimos Dias, esperamos voltar ao condado de Jackson e ali construir um Templo, antes que a geração que vivia há quarenta e dois anos tenha toda passado. Bem, então, o tempo deve estar bem próximo em que começaremos aquela obra. Ora, poderemos ser permitidos a voltar e reedificar os lugares desolados de Sião, estabelecer a grande cidade central de Sião no condado de Jackson, Missouri, e construir um Templo sobre o qual a glória de Deus repousará de dia e de noite, a menos que voltemos, não à "nova ordem", mas àquela lei que foi dada no início desta obra? Permiti-me responder a esta pergunta citando novamente uma dessas revelações, uma revelação dada em 1834. O Senhor, falando do retorno de seu povo, e referindo-se aos que foram expulsos do condado de Jackson, diz — "Os que permanecerem retornarão, eles e seus filhos com eles, para receber suas heranças na terra de Sião, com cânticos de eterna alegria sobre suas cabeças." Haverá alguns poucos que o Senhor poupará para voltarem ali, pois nem todos eram transgressores. Havia apenas dois que o Senhor poupou entre Israel durante seus quarenta anos de peregrinação — Calebe e Josué. Foram esses os únicos poupados, de uns dois milhões e quinhentos mil, dos vinte anos para cima, para irem à terra prometida. Pode haver três em nossos dias, ou meia dúzia, ou uma dúzia, poupados dentre os que estiveram naquela terra, que serão permitidos a voltar com seus filhos, netos e bisnetos, aos lugares desolados de Sião, e edificá-los com cânticos de eterna alegria. ¶
Mas voltarão eles segundo a antiga ordem de coisas que existe entre os gentios — cada homem por si, este individualismo em relação à propriedade? Não, nunca, jamais, enquanto o mundo existir. Se quiserdes ver estas revelações cumpridas, tendes de cumprir suas condições. O Senhor disse, a respeito da edificação de Sião, quando de fato voltarmos — "E Sião não pode ser edificada a não ser pelos princípios da lei do reino celestial; de outra forma, não posso recebê-la para mim mesmo." Se nos fosse permitido, neste presente ano, 1874, voltar àquele condado, e tentássemos edificar uma cidade de Sião sobre o local consagrado, segundo a ordem em que temos vivido nos últimos quarenta anos, seríamos novamente expulsos, o Senhor não nos reconheceria como seu povo, nem reconheceria as obras de nossas mãos na edificação de uma cidade. Se voltássemos, então, teríamos de cumprir a lei celestial, a lei da consagração, a lei da unidade, de que o Senhor tem falado desde o princípio. Se não sois um, não sois meus. Pergunto: se não somos do Senhor, a quem pertencemos, dentro ou fora do mundo? Eis uma pergunta para todos nós considerarmos. Não há outro modo de nos tornarmos um senão guardando a lei do céu, e, quando o fizermos, seremos santificados diante de Deus, e nunca antes disso. ¶
Falando em santificação, não cremos no tipo de santificação ensinado pela religião sectária — que foram santificados em tal minuto e tal hora, e em tal lugar, enquanto oravam em segredo. Cremos na santificação que vem pela contínua obediência à lei do céu. Não conheço nenhuma outra santificação de que falem as Escrituras, nenhuma outra santificação que valha a consideração de seres racionais. Se quisermos ser santificados, então, devemos começar hoje, ou sempre que o Senhor indicar, a obedecer às suas leis tanto quanto pudermos; e, pela obediência a essas leis, continuamente ganhamos mais e mais favor do céu, mais e mais do Espírito de Deus, e assim se cumprirá uma revelação dada em 1834, que diz que, antes que Sião seja redimida, que os exércitos de Israel se tornem muito grandes, que se santifiquem diante de mim, para que se tornem belos como o sol e claros como a lua, e que seus estandartes sejam terríveis para todas as nações da terra. Terríveis não pelo número, mas terríveis por causa da santificação que receberão pela obediência à lei de Deus. Por que era Enoque, e por que eram os habitantes de Sião edificada antes do dilúvio, terríveis a todas as nações ao redor? Foi porque, ao longo de muitos anos, observaram a lei de Deus, e, quando seus inimigos vieram lutar contra eles, Enoque, cheio do poder do Espírito Santo, e falando a palavra de Deus com poder e com fé, os próprios céus tremeram e se abalaram, e a terra estremeceu, e montanhas foram derrubadas, rios de água mudaram de curso, e todas as nações temeram grandemente por causa do poder de Deus, e do terror de seu poderio, que estava sobre seu povo. ¶
Temos este relato da Sião antiga numa das revelações que Deus deu. O que tornava seus estandartes terríveis às nações? Não era seu número. Se, pois, Sião há de se tornar grande, será por causa de sua santificação. Quando começaremos, Santos dos Últimos Dias, a cumprir a lei de Deus, e a entrar no processo necessário à nossa santificação? Somos informados, pela mais alta autoridade que Deus tem sobre a terra, que agora é o tempo aceitável, e agora é o dia de salvação, no que diz respeito a entrar nesta ordem que Deus apontou. Havemos de fazê-lo? Ou diremos que não? Haverá divisão entre o povo, os que estão do lado do Senhor saindo de um lado e os que são contra a lei de Deus saindo de outro? Espero que essa divisão não seja no presente. Espero que tomemos posição com um só coração e uma só mente. O tempo da divisão virá cedo o bastante. Será no grande dia do poder do Senhor, quando seu rosto se desvelar naqueles céus, e quando ele vier em sua glória e em seu poder. Então os céus se abalarão e a terra cambaleará de um lado para outro como um homem embriagado. "Então," diz o Senhor, "mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade." Haverá tempo suficiente para essa grande divisão. Não sejamos divididos agora, Santos dos Últimos Dias, mas manifestemos nossa disposição de cumprir a palavra e a lei do Altíssimo, e de nos prepararmos para as bênçãos que ele tem reservadas para nós. ¶