Revelação sobre os Julgamentos do Senhor — Primícias da Ressurreição — O Que Acontece à Alma dos Homens — Redenção Universal
Orson Pratt
Começaremos nosso discurso lendo parte da 25ª seção, e das seções 26ª e 27ª, de uma revelação dada em 27 de dezembro de 1832, contida no Livro de Doutrina e Convênios. ¶
"E anjos voarão pelo meio do céu, clamando em alta voz, soando a trombeta de Deus, dizendo: Preparai-vos, preparai-vos, ó habitantes da Terra; pois é chegado o julgamento do nosso Deus. Eis que vem o Esposo; saí para encontrá-lo. ¶
"E imediatamente aparecerá um grande sinal no céu e todo o povo o verá juntamente. E outro anjo soará sua trombeta, dizendo: Aquela grande igreja, a mãe das abominações, que fez com que todas as nações bebessem do vinho da ira de sua fornicação, que persegue os santos de Deus, que derramou seu sangue — aquela que se assenta sobre muitas águas e sobre as ilhas do mar — eis que ela é o joio da Terra; está amarrada em feixes; seus laços são fortalecidos, nenhum homem os pode desatar; portanto, está pronta para ser queimada. E ele soará sua trombeta longa e fortemente; e todas as nações a ouvirão. ¶
"E haverá silêncio no céu pelo espaço de meia hora; e imediatamente depois a cortina do céu se desenrolará, como um rolo se desenrola depois de ter sido enrolado, e a face do Senhor será revelada; E os santos que estiverem na Terra, que estiverem vivos, serão vivificados e arrebatados para encontrá-lo. E os que tiverem dormido em sua sepultura se levantarão, pois a sua cova será aberta; e eles também serão arrebatados para encontrá-lo no meio do pilar do céu — Eles são de Cristo, as primícias, os que descerão com ele primeiro, e os que estão na Terra e em suas sepulturas, que serão os primeiros a serem arrebatados para encontrá-lo; e tudo isto pela voz do soar da trombeta do anjo de Deus." ¶
Esta revelação foi dada por meio de nosso Profeta, Vidente e Revelador, Joseph Smith, que foi um dos maiores homens que já viveram nesta provação, um dos maiores Profetas, com exceção de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, já enviados à nossa Terra. Creio que ontem se completaram quarenta e um anos desde que esta revelação foi dada. Nela são reveladas muitas coisas pertencentes à salvação dos filhos dos homens, e pertencentes às grandes e memoráveis obras do Senhor que estão prestes a ocorrer na Terra. Nas seções que precedem as que li, temos um relato de certos grandes acontecimentos que ainda não se cumpriram, a saber, que depois dos testemunhos dos servos de Deus entre as nações vem o testemunho de muitos julgamentos, que serão derramados sobre as nações, tais como terremotos, guerras, o mar transbordando de seus limites, e uma variedade de calamidades que farão desfalecer de medo o coração de todos os iníquos. Depois que estes grandes julgamentos forem derramados sobre as nações da Terra, então se cumprirão as palavras que li: "e anjos voarão pelo meio do céu soando a trombeta de Deus, dizendo preparai-vos, preparai-vos, ó habitantes da Terra, pois é chegado o julgamento do nosso Deus, eis que vem o Esposo, saí para encontrá-lo." Depois que estes anjos tiverem voado pelo meio do céu, chamando os habitantes da Terra a se prepararem para a vinda do Esposo, mais sete anjos soarão suas trombetas. O primeiro soa, e sua proclamação é a respeito da grande Babilônia, "que fez todas as nações beberem do vinho da ira de sua fornicação, a respeito daquela que se assenta sobre muitas águas, que tem seu domínio entre muitas nações, tribos, línguas e povos, eis que ela é o joio de toda a Terra, está amarrada em feixes, seus laços são fortalecidos, nenhum homem os pode desatar, portanto está pronta para ser queimada, e ele soará sua trombeta longa e fortemente, e todas as nações a ouvirão." ¶
Deve haver algo relacionado com o soar desta trombeta que seja miraculoso, para que todas as nações a possam ouvir. Qualquer som que possa ser produzido pelo homem mortal não alcança, de modo geral, mais que umas trinta milhas do lugar onde se origina, o que é, de fato, um espaço muito pequeno. Mas haverá algo relacionado com o soar da trombeta do primeiro dos sete anjos que manifestará um poder do qual nada sabemos. O som dessa trombeta será ouvido por todos os povos, nações, tribos e línguas nos quatro cantos do nosso globo. Não sei se o som será muito mais alto do que alguns que já ouvimos, mas será transportado por algum poder miraculoso, de modo que todos os povos o ouvirão. ¶
"Imediatamente depois do soar desta trombeta, haverá silêncio no céu pelo espaço de meia hora." Se essa meia hora de que se fala aqui é segundo a nossa contagem — trinta minutos —, ou se é segundo a contagem do Senhor, não sabemos. Sabemos que a palavra hora é usada em algumas partes das Escrituras para representar um período de tempo bastante longo. Por exemplo, nós, os Santos dos Últimos Dias, estamos vivendo na décima primeira hora, isto é, no décimo primeiro período de tempo; e, pelo que sabemos, a meia hora durante a qual o silêncio há de prevalecer no céu pode ser um período bastante extenso. Durante o período de silêncio, tudo está perfeitamente quieto; nenhum anjo voa durante essa meia hora; nenhuma trombeta soa; nenhum ruído nos céus acima; mas, imediatamente depois deste grande silêncio, a cortina do céu se desenrolará como se desenrola um rolo. As crianças em idade escolar, que estão habituadas a ver mapas pendurados na parede, sabem que eles têm cilindros nos quais são enrolados, e que, para expor a face dos mapas, eles são desenrolados. Assim se desenrolará a cortina do céu, para que o povo possa contemplar aqueles seres celestiais que aparecerão nas nuvens. A face do Senhor será revelada, e aqueles que estiverem vivos serão vivificados e arrebatados; e os Santos que estiverem em suas sepulturas ressurgirão e serão arrebatados, juntamente com os que forem vivificados, e serão levados aos céus, ao meio daqueles seres celestiais que aparecerão naquele momento. Estes são os que constituem as primícias, isto é, as primícias por ocasião de sua vinda. ¶
Houve um período, há cerca de dezoito séculos, em que os Santos se levantaram de suas sepulturas, depois da ressurreição de Cristo, sendo ele as primícias. Isso é chamado, no Livro de Mórmon, a primeira ressurreição; ocorreu por volta da época, ou pouco depois, da ressurreição de Jesus. Mas, quando ele vier pela segunda vez, as primícias da ressurreição serão os Santos que saírem de suas sepulturas. Estes, juntamente com os Santos de todas as épocas, serão a Igreja do Primogênito, e descerão com o Salvador quando ele vier. ¶
Há alguns que supõem que, quando esses Santos forem assim ressuscitados e levados ao céu, será esse o exato período em que Jesus descerá à Terra; mas desejo corrigir essa ideia com o auxílio tanto da revelação antiga quanto da moderna. Em vez de Jesus descer imediatamente à Terra, quando esses Santos forem assim levados ao céu, ele permanecerá até que os sete anjos tenham soado suas trombetas. Haverá um lapso de tempo considerável entre o soar de cada um destes sete; alguns meses se passarão; eles não se seguem todos diretamente um após o outro, nem no espaço de poucas horas; mas haverá um período entre eles em que certos grandes e maravilhosos acontecimentos se darão. Por exemplo, se lermos as revelações de São João, achamos que, quando o quinto anjo soar sua trombeta, o abismo sem fundo se abrirá, e dele sairá uma grande fumaça, e uma nuvem de gafanhotos, tão grande que o sol e o ar se escurecerão; e esses gafanhotos terão poder para atormentar os homens durante cinco meses antes de soar a sexta trombeta. Isso mostra que haverá um período de pelo menos cinco meses entre o soar das trombetas do quinto e do sexto anjo. Lede também a respeito do soar da sexta trombeta, e vereis que há uma grande obra a ser realizada antes que o sétimo anjo soe, pois, no tempo que intervém entre o soar da sexta e da sétima trombeta, os quatro anjos que estão presos no grande rio Eufrates serão soltos, e eles reunirão um exército muito grande. Se bem me recordo, esse exército há de consistir em duzentos milhões de pessoas, que cavalgarão sobre alguma espécie de bestas ou animais que o Senhor, provavelmente por algum meio sobrenatural, preparará para a ocasião. Essas personagens que saírem cavalgando essas bestas estão preparadas para uma hora, para um dia, para um mês e para um ano; e sua obra é matar uma terça parte das hostes de homens então existentes sobre a Terra, e, como estão preparadas para uma hora, um dia, um mês e um ano, isso mostra que haverá um lapso de tempo considerável entre o soar da trombeta do sexto e do sétimo anjo. ¶
Poderíamos também trazer à baila a declaração de João a respeito das duas testemunhas que hão de profetizar por volta desse período. Elas hão de profetizar três anos e meio, e seu campo de trabalho será Jerusalém, depois de ter sido reconstruída pelos judeus. Por meio de suas profecias e do poder de Deus que as acompanha, as nações que se reunirem contra Jerusalém serão mantidas à distância; esses Profetas as conterão por sua fé e poder. Com o tempo, essas nações vencem as duas testemunhas e, tendo estas concluído sua missão, são mortas, e seus corpos jazerão três dias e meio nas ruas da cidade. Então ocorrerá um grande terremoto, e essas duas testemunhas serão arrebatadas ao céu. ¶
Tudo isso ocorre depois que essas trombetas começam a soar; e, se essas duas testemunhas hão de cumprir uma missão de três anos e meio, isso mostra que o soar das trombetas não ocorre, como muitos têm suposto, em rápida sucessão, mas certos acontecimentos têm de se cumprir entre seus respectivos soares. Com o tempo, todas as sete terão soado, e então elas começam a soar pela segunda vez. Segundo a revelação que li, o segundo soar das trombetas não visa produzir destruição entre as nações, mas o som da primeira revelará os atos secretos de Deus, seus propósitos e obras na Terra durante o primeiro milênio; o soar da segunda revelará as obras e propósitos do Grande Jeová durante o segundo milênio, e assim por diante, até que a sétima soe pela segunda vez e proclame concluída a obra de Deus, no que diz respeito à grande preparação necessária para a sua segunda vinda. ¶
Notai, agora, que é no primeiro soar do primeiro destes sete que ocorre a primeira ressurreição; e todas essas grandes obras hão de ser realizadas na Terra, e anos se passam antes que Jesus desça com todos os seus Santos; isto é, se compreendemos corretamente essas coisas, pelo pouco que foi revelado sobre o assunto. Há muitas coisas sobre as quais eu gostaria de me deter, relacionadas com a ressurreição dos Santos e seu arrebatamento aos céus. O assunto da ressurreição é um dos que a todos nós interessa muito; é algo que diz respeito, mais ou menos, a toda a humanidade, mas especialmente aos Santos dos Últimos Dias que agora vivem na Terra. Todos vemos que nossos irmãos e irmãs, bem como os iníquos, estão passando, deixando-nos; são chamados a deixar de lado estes corpos, que são depositados na sepultura. Estão partindo às dezenas, às centenas e aos milhares, e esperamos segui-los, isto é, a maioria de nós. Talvez alguns vivam até a vinda do Filho do Homem, ou o soar da primeira trombeta; mas, visto que a maioria de nós espera deitar o corpo para dormir, deve ser interessante para todo Santo dos Últimos Dias saber algo sobre a ressurreição. ¶
O que podemos saber a respeito? Nada, exceto o que o Senhor revelou, e permitam-me dizer aqui que talvez nenhum assunto pertencente à salvação tenha sido tão plenamente revelado aos habitantes da Terra quanto o da ressurreição do corpo. Muitas pessoas têm pensado que muito pouco foi revelado sobre esse assunto; mas, se não me engano, temos uma abundância, embora haja muitas coisas a respeito das quais ainda estamos no escuro, porque não foram reveladas. Mas, se procurarmos cuidadosamente nas revelações que foram dadas, poderemos aprender muitas coisas a respeito desse grande acontecimento que satisfarão nossa mente. ¶
Quando levamos nossos amigos ao cemitério, sentimo-nos tristes, porque temos de deixá-los, e porque estão separados de nós por um curto tempo. Toda aquela bondade e convívio que existiam já não são mais experimentados, e já não temos o privilégio de sua companhia como antes, e por isso lamentamos. Mas que consolo é perceber que, quando nossos amigos são depositados na sepultura, não estamos separados deles para sempre, se morreram na fé, e se nós mesmos perseverarmos fiéis até o fim; pois, se guardarmos os mandamentos de Deus como devemos, temos dentro de nós uma certeza e uma esperança que não pode ser abalada, de que ressurgiremos, e de que nossos corpos sairão da sepultura. ¶
Procuremos agora entender quanto foi revelado sobre esse assunto; e, para compreendê-lo, permitam-me remetê-los a algumas coisas contidas no Livro de Mórmon. Na página 240 desse livro encontramos algo a respeito da ressurreição. O que estou prestes a ler foi dito pelo Profeta Amuleque, na cidade de Amonia, a um povo muito iníquo, que pouco depois foi totalmente destruído por causa de sua maldade. ¶
"Ora, existe uma morte que é chamada morte física; e a morte de Cristo desatará as ligaduras dessa morte física, para que todos se levantem dessa morte física. O espírito e o corpo serão novamente reunidos em sua perfeita forma; os membros e juntas serão restaurados à sua devida estrutura, tal como nos achamos neste momento; e seremos levados a apresentar-nos perante Deus, sabendo o que sabemos agora, e tendo uma viva lembrança de toda a nossa culpa. Ora, esta restauração acontecerá com todos, tanto velhos como jovens, tanto escravos como livres, tanto homens como mulheres, tanto iníquos como justos; e não se perderá um único cabelo de sua cabeça, mas tudo será restaurado à sua perfeita estrutura, como se encontra agora, ou seja, no corpo; e todos serão levados perante o tribunal de Cristo, o Filho, e Deus, o Pai, e o Santo Espírito, que são um Eterno Deus, para serem julgados segundo as suas obras, sejam elas boas ou más." ¶
Vemos, assim, que não faltará nenhum membro. Se uma pessoa perdeu o braço, a perna ou os olhos, eles serão restaurados, e ela se apresentará perfeita diante de Deus, e os iníquos terão uma viva lembrança de toda a sua culpa. O Profeta Amuleque procurava explicar tudo isso a um povo cheio de culpa, que havia desobedecido aos mandamentos do céu, até quase amadurecer para a destruição. Ele os informou de que teriam um conhecimento perfeito de toda a sua culpa. Nesta vida há muitas coisas que as pessoas, sejam justas ou iníquas, esquecem. Nossa memória é tão fraca que muitas coisas feitas em anos passados se apagam; mas, quando saírem na manhã da ressurreição, tanto os iníquos como os justos, sua memória será restaurada, de modo que cada ato de sua vida, seja bom ou mau, será perfeitamente lembrado, e os iníquos terão um conhecimento perfeito de toda a sua culpa. Não será isso suficiente para acender um fogo inextinguível em seu peito, e, com essa lembrança, contemplar a face do Senhor? Não fará isso com que se encolham diante de sua presença? Penso que sim. O Profeta Morôni, falando sobre esse assunto, e dirigindo-se aos incrédulos que viveriam na Terra à época em que o Livro de Mórmon viesse à luz, diz — "Sereis mais infelizes habitando na presença daquele Ser santo e puro do que habitando com as almas condenadas no inferno." Isso é perfeitamente razoável, pois a presença de Deus não é lugar adequado para a natureza má, corrupta e carnal de uma pessoa iníqua. É preciso que haja um lugar de imundície preparado para o que é imundo, para que os que são imundos, iníquos e corruptos possam ser postos em circunstâncias adequadas à sua condição. Tais pessoas, estando na presença de Deus, ficariam contentes que as rochas e os montes caíssem sobre elas e as escondessem, pois a lembrança de suas iniquidades as ferirá e acenderá dentro delas uma chama como um fogo inextinguível, pois sua consciência terá uma viva lembrança de toda a sua culpa. ¶
Ora, esta restauração virá para todos, tanto velhos como jovens, escravos e livres, homens e mulheres, justos e iníquos, e não se perderá sequer um cabelo de sua cabeça. Muitas pessoas, ao avançarem em anos, perdem o cabelo e ficam calvas. Ressurgirão elas na ressurreição sem cabelo, por terem sido depositadas na sepultura nessa condição? Não; isso seria imperfeição, e temos no Livro de Mórmon a declaração de que nem mesmo um cabelo se perderá. Novamente diz o Profeta Amuleque — "Mas tudo será restaurado à sua perfeita estrutura, como se encontra agora, e será levado perante o tribunal de Cristo, o Filho, e Deus, o Pai, e o Santo Espírito, que são um eterno Deus, para ser julgado segundo as suas obras, sejam elas boas ou más. Ora, eis que vos falei sobre a morte do corpo mortal e também sobre a ressurreição do corpo imortal. Digo-vos que este corpo mortal ressuscita para um corpo imortal, isto é, da morte, mesmo da primeira morte, para a vida, de modo que não possam morrer mais." O que isso significa é o seguinte: não pode haver mais nenhuma dissolução entre o espírito e o corpo; não podem ser separados, e não podem morrer mais. Isso parece deixar claro que seu espírito se une ao seu corpo para nunca mais serem separados, e retornar ao pó, como na primeira morte, tornando-se assim espiritual e imortal, de modo que "já não possam ver a corrupção." ¶
Voltemo-nos agora para o que o Profeta Alma disse a seu filho Corianton, não apenas a respeito da ressurreição, mas também a respeito da condição ou estado do espírito do homem entre o tempo da morte e a ressurreição. Isso se encontra na página 318 do Livro de Mórmon. ¶
"E agora perguntaria: O que acontece à alma dos homens desde essa hora da morte até a hora designada para a ressurreição? E se há mais que uma hora designada para os homens ressuscitarem, não importa, porquanto não morrem todos ao mesmo tempo e isto não importa; tudo é como um dia para Deus e o tempo somente é medido pelos homens. Por conseguinte, há uma hora designada para os homens levantarem-se dentre os mortos; e há um espaço entre a hora da morte e a da ressurreição. E agora, o que é feito da alma dos homens durante esse espaço de tempo é o que perguntei diligentemente ao Senhor; e isto é uma coisa que eu sei. E quando chegar a hora em que todos se levantarão, hão de saber que Deus conhece todas as horas que são designadas para o homem. Ora, com relação ao estado da alma entre a morte e a ressurreição — eis que me foi dado saber por um anjo que o espírito de todos os homens, logo que deixa este corpo mortal, sim, o espírito de todos os homens, sejam eles bons ou maus, é levado de volta para aquele Deus que lhes deu vida. E então acontecerá que o espírito daqueles que são justos será recebido num estado de felicidade, que é chamado paraíso, um estado de descanso, um estado de paz, onde descansará de todas as suas aflições e de todos os seus cuidados e tristezas. ¶
"E então acontecerá que o espírito dos iníquos, sim, aqueles que são maus — pois eis que eles não têm parte nem porção do Espírito do Senhor; pois eis que preferiram praticar o mal e não o bem; por conseguinte, o espírito do diabo entrou neles e apossou-se de seu corpo — e eles serão atirados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e lamentação e ranger de dentes; e isto em virtude de sua própria iniquidade, sendo levados cativos pela vontade do diabo. Ora, esse é o estado da alma dos iníquos, sim, em trevas e num estado de espantosa e terrível expectativa da ardente indignação da ira de Deus sobre eles. Portanto, permanecem nesse estado, assim como os justos no paraíso, até a hora de sua ressurreição." ¶
Há uma ideia predominante, não sei quão predominante, entre os Santos, de que não vamos diretamente para casa, para junto de Deus, quando nosso espírito deixa este corpo, mas de que há uma espécie de estado intermediário pelo qual temos de passar, sujeitos a novos preparativos; mas, se consigo entender a linguagem contida nesta declaração de Alma, parece que o espírito de todos os homens, sejam eles iníquos ou justos, assim que deixa este corpo mortal, "volta para aquele Deus que lhe deu vida," isto é, retorna ao lugar e posição que ocupava enquanto estava nos mundos eternos. Chama-se "lar" porque ali tinha outrora sua morada, e esteve ausente do lar enquanto aqui esteve no corpo; mas, assim que se separa do corpo, todo espírito retorna àquele antigo lar, à presença do Senhor. ¶
Depois que ali voltam, são completamente redimidos, no que se refere ao pecado original. O pecado original os excluiu da presença de Deus, não foi assim? Todos dirão que sim. A redenção feita por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo redime a humanidade da pena do pecado original, plena e completamente, e os iníquos e os justos, sem acepção de pessoas, são trazidos de volta à sua presença, tal como estavam antes de saírem de sua presença para estes corpos decaídos. Isso torna a redenção universal. Nenhuma pessoa, por mais iníqua que seja, ainda que seja um homem tão corrupto quanto já viveu na Terra, mesmo um filho da perdição, pode deixar de ser trazida de volta à presença de Deus, para que sua redenção seja completa, no que se refere ao pecado original. Qualquer coisa aquém disso seria uma falha na redenção do homem da queda. Os justos, depois da morte, são recebidos num estado de descanso, paz e felicidade, no Paraíso. Ali estarão livres de todo cuidado e tristeza, e Satanás não terá poder sobre eles. Se forem enviados numa missão do Paraíso a qualquer parte do domínio do Todo-Poderoso para ministrar, como Jesus ministrou enquanto seu corpo estava no sepulcro, poderes malignos, espíritos e anjos caídos ficam sujeitos ao seu comando, e eles não estão de forma alguma sujeitos a esses seres malignos. Nisto consiste a liberdade dos justos, e a vitória que obtêm, pois, em nome de Jesus, podem comandar esses anjos caídos, e eles são compelidos a obedecer. Mas como é com os iníquos? Eles não aprenderam a comandar esses poderes malignos, não se colocaram, nesta vida, numa posição para isso; não podem expulsar demônios. Por quê? Porque são iníquos e corruptos, e, quando se encontram com o diabo ou com qualquer dos anjos caídos, são imediatamente escravizados e levados ao cativeiro por eles, e isso é a pior espécie de escravidão; e, segundo o que li aqui, o espírito do diabo entra em sua casa. Que casa? A casa espiritual, pois ainda não têm corpos de carne e ossos, a ressurreição ainda não ocorreu, e esse espírito, esse corpo espiritual, torna-se sujeito ao diabo, e ele entra em sua casa, e eles são lançados nas trevas exteriores, e ficam em cativeiro ao diabo, e são seus escravos, até a ressurreição, quando seu corpo e espírito serão reunidos. ¶
Perguntemo-nos, por alguns momentos, a respeito da natureza desses corpos espirituais que são assim restaurados de volta à presença de Deus. Muitíssimas pessoas têm suposto que o espírito que existe no tabernáculo, por exemplo, de uma criancinha, é do mesmo tamanho que o tabernáculo infantil quando nele entra; ninguém contestará que ele é do mesmo tamanho quando ali está encerrado; mas quão grande era o espírito antes de entrar no tabernáculo? Era um espírito de homem ou de mulher já formado, ou era um pequeno espírito infantil em seu estado pré-existente? Não temos relato algum, que eu saiba, em nenhuma revelação que Deus deu, de qualquer espírito infantil vindo dos mundos eternos para tomar corpos infantis; mas temos um relato contrário nas revelações que Deus deu; pois, se nos voltarmos para o Livro de Éter, encontraremos que o Senhor Jesus, que era um desses espíritos, e o primogênito de toda a família, era uma personagem semelhante a um homem, sem carne, sangue ou ossos, mas um espírito plenamente desenvolvido, milhares de anos antes de vir tomar seu tabernáculo infantil. Está isso assim registrado no Livro de Éter? Sim. Sem dúvida vos lembrareis das palavras do irmão de Jarede, na ocasião em que orou ao Senhor, quando levava em suas mãos dezesseis pequenas pedras transparentes, e subiu ao cume do monte Selém. Ele disse — "Senhor, estende a tua mão e toca estas pedras com teu dedo, uma a uma, para que brilhem e nos deem luz nos barcos que nos mandaste preparar, e não permitas que teu povo atravesse este grande abismo na escuridão. Eis, ó Senhor, que tu podes fazer estas coisas," etc. O Senhor, em resposta à sua oração, estendeu a mão e tocou essas pedras uma a uma, as dezesseis. Oito barcos foram preparados, e o Profeta queria uma pedra em cada extremidade de cada barco; e, por causa da fé do irmão de Jarede, o Senhor não pôde esconder-lhe o dedo, e por isso o véu foi tirado de diante de seus olhos, e ele viu o dedo do Senhor, e era como o dedo de um homem, e não como o de uma criança, o que, ao ver, fez o irmão de Jarede cair, tomado de medo, receando que o Senhor o ferisse, sendo essa a primeira vez que via qualquer parte do corpo espiritual de Jesus. O Senhor lhe disse — "Levanta-te; por que caíste?" E o irmão de Jarede disse: "Vi o dedo do Senhor, e não sabia que o Senhor tinha carne e sangue." O Senhor disse — "Por causa de tua fé viste que tomarei sobre mim carne e sangue; e nunca ninguém se chegou a mim com uma fé tão grande como a tua; pois, se assim não fora, não poderias ter visto o meu dedo. Viste mais que isto? E ele respondeu: Não; Senhor, mostra-te a mim. E o Senhor lhe disse: Crês nas palavras que eu direi? E ele respondeu: Sim, Senhor, sei que dizes a verdade, pois és um Deus de verdade e não podes mentir. E, quando disse estas palavras, eis que o Senhor se mostrou a ele e disse: Por saberes estas coisas, és redimido da queda; portanto, és trazido de volta à minha presença; portanto, mostro-me a ti." ¶
Eis aqui a redenção de um homem restaurado novamente à presença do Senhor ainda na carne; viu com seus olhos o que antes havia visto pela fé. Então o Senhor disse — "Eis que eu sou Jesus Cristo; eu sou o Pai e o Filho; e em mim terá toda a humanidade luz, e isso eternamente, sim, aqueles que crerem em meu nome. Eis que este corpo que agora vedes é o corpo do meu espírito, e todos os homens, no princípio, criei-os segundo o corpo do meu espírito." Notai agora que foram criados segundo a mesma forma e feitio, e sem dúvida alcançam, pelo crescimento, dimensões semelhantes às do corpo de seu espírito, sem carne nem ossos. A expressão é: "Todos os homens no princípio" — vós estáveis ali, toda esta criação estava ali; todos os habitantes da Terra que agora vivem, todos os que viveram, e todos os que hão de viver em tempos futuros, foram todos criados segundo o corpo de seu espírito no princípio, antes que este mundo fosse feito. ¶
Quando todos esses espíritos foram enviados dos mundos eternos, sem dúvida não eram criancinhas; mas, quando entraram no tabernáculo infantil, estiveram sob a necessidade, assim como nosso Senhor e Salvador, de serem comprimidos, ou diminuídos em tamanho, para que seu espírito pudesse ser encerrado em tabernáculos infantis. Se seu corpo morre na infância, permanece seu espírito com estatura infantil entre a morte e a ressurreição do corpo? Penso que não. Por que não? Porque a redenção deve restaurar tudo à sua ordem natural. Se tinham o tamanho e a estatura de homem ou mulher adultos antes de entrarem no tabernáculo, seria a redenção completa, ao saírem desse tabernáculo, a menos que fossem restaurados às suas antigas dimensões? Penso que não; não haveria uma restauração completa, e, por conseguinte, pareceria haver uma imperfeição no plano. Há alguns de nossos irmãos e irmãs, talvez, muito ansiosos por ver seus filhinhos depois que partem desta vida. O Senhor às vezes lhes concede uma visão de seus entes queridos falecidos, não de seu espírito, mas como aparecerão na manhã da ressurreição, para que possam conhecê-los e reconhecê-los. Mas, supondo que lhes mostrasse o espírito de seus filhinhos como são depois de deixarem seu tabernáculo infantil, ficariam satisfeitos? Penso que não. Por quê? Porque penso que não os reconheceriam, pois sou de opinião que o espírito das crianças que morrem aqui recupera suas antigas dimensões de homem ou mulher adultos, e, por isso, se as vísseis, talvez ficásseis desapontados. Mas, com o tempo, virá a ressurreição, e então esses espíritos plenamente desenvolvidos, que morreram aqui na infância, entrarão novamente no tabernáculo infantil, e sairão como criancinhas, tal como eram no momento em que deixaram seu corpo; então seus pais não terão dificuldade alguma em reconhecê-los. ¶
Há bastante ansiedade, no momento presente, a respeito de uma coisa relacionada com a ressurreição, e é esta: permanecerão aqueles espíritos, cujo corpo morreu aqui na infância, ao serem reunidos com seu corpo infantil, com essa estatura por todas as eras da eternidade? Há um sermão do Profeta Joseph Smith, registrado por taquígrafos, no qual se afirma que as crianças ressuscitadas permanecerão para sempre crianças. Mas duvido muito, em minha própria mente, que aqueles que registraram esse sermão tenham captado a ideia completa sobre esse assunto; e, se a captaram, duvido muito que o Profeta Joseph, na ocasião em que pregou esse sermão, tivesse sido plenamente instruído por revelação nesse ponto, pois o Senhor revelou muitíssimas coisas a Profetas e reveladores, entre eles Joseph Smith, cuja plenitude não é dada de início. Por exemplo, no batismo pelos mortos, nos dias de Joseph as mulheres eram batizadas por homens, e os homens por mulheres, bem como por homens. O Senhor lhe havia revelado, a princípio, algumas poucas coisas, mostrando que o batismo pelos mortos era um princípio verdadeiro, sem lhe dar todos os pormenores de uma só vez. Mas ele continuou a perguntar ao Senhor, e recebeu cada vez mais a respeito desse princípio. Assim também, no que se refere à ressurreição, é possível que muitas coisas lhe tenham sido reveladas que eram verdadeiras, e outras sobre as quais, sem ter revelação, ele tirava suas próprias conclusões, até que aprouvesse ao Senhor dar revelação adicional. Não há revelação alguma que nos dê pleno conhecimento sobre esse ponto — mas vou dar-vos minhas razões, apenas como razões, para mostrar que os que morrem aqui na infância crescerão até a plena estatura de homem ou mulher, depois da ressurreição. Não digo que seja assim, mas minhas razões para crer que seja são estas: como poderiam ser completamente restaurados a toda aquela perfeição de idade adulta, e ter um tabernáculo perfeito, adaptado às dimensões do espírito tal como existia antes de vir para cá, a menos que seu corpo crescesse a partir do estado de infância, e se tornasse suficientemente grande para ser uma casa perfeita para o espírito plenamente desenvolvido, seja homem ou mulher? Ouvi dizer, não sei se é verdade, que, antes de Joseph ser martirizado, ele havia obtido mais luz e informação sobre esse assunto, no sentido de que haveria crescimento depois da ressurreição. Como isso possa ser, não sei, e não importa muito; ainda assim, é algo sobre o qual temos o direito e o privilégio de refletir, pois não há mal algum em que qualquer homem ou mulher deixe a mente expandir-se para apreender tudo o que Deus revelou, e meditar sobre isso, como os antigos filhos de Deus faziam. Diz Néfi — "Medito continuamente nas coisas de Deus que ele me revelou," e não há mal algum em fazermos o mesmo. Não devemos cair naquela velha noção sectária de que não temos o direito de saber nada sobre isto, aquilo ou aquilo outro, e que não devemos indagar sobre isto, aquilo ou aquilo outro. Essa é uma velha noção sectária, contra a qual temos lutado o dia inteiro, e não queremos que ela se infiltre na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É privilégio de seus membros deixar a mente expandir-se, meditar nas coisas de Deus, e a ele perguntar, e, com o tempo, quando nos tivermos preparado obtendo todo o conhecimento que pudermos daquilo que está escrito, Deus nos dará mais. ¶
Há muitas outras coisas sobre as quais eu gostaria de tocar, a respeito da ressurreição. Frequentemente refletimos em nossa mente sobre a capacidade e o poder que teremos depois da ressurreição, quando formos vivificados pelo espírito celestial. Deter-me nesse assunto tomaria outro discurso inteiro, e vejo que não tenho tempo para isso, pois tenho de estar em outra reunião logo depois das 4 horas. Mas mencionarei apenas algumas coisas de que desfrutaremos depois da ressurreição e que não temos aqui. Por exemplo, aqui somos limitados em nossa visão; podemos ver apenas algumas coisas ao nosso redor, e elas têm de estar nas imediações. Não podemos ver até a Inglaterra, ou os países europeus, e não podemos ver coisa alguma a menos que reflita a luz natural do sol ou de algum outro corpo luminoso, e envie a luz a nossos olhos, e por esse meio a mente se informa a respeito dos objetos fora de nós. Mas quão limitada é essa nossa visão! Supondes que a visão do corpo imortal será assim limitada à luz natural que resplandece? Não; há muitas espécies de luz além da luz que resplandece do sol, da lua ou das estrelas, ou de alguma luz artificial que se possa criar na Terra. Há, por exemplo, a luz do Espírito de Deus, pela qual os elementos são controlados e governados; isso está em todos os elementos, não importa se abaixo ou acima da superfície da Terra. Ora, pode haver uma organização perfeita na ressurreição, em que essa outra espécie de luz, associada aos elementos, será permitida afetar o olho do corpo imortal, de modo que possa ver tanto no interior da Terra quanto em sua superfície. Não desejo que aceiteis apenas minha afirmação a esse respeito, mas as revelações de Deus nos informam que houve homens aqui, na mortalidade, cujos olhos foram vivificados por essa outra espécie de luz, de modo que podiam ver as coisas debaixo da Terra bem como as coisas em sua superfície. Moisés foi um desses homens, e temos, na Pérola de Grande Valor, um relato da grande visão que teve a respeito desta Terra. Antes que o Senhor lhe revelasse a história de sua criação, Moisés contemplou cada partícula da Terra, e o relato diz que não houve partícula que ele não contemplasse, discernindo-a pelo Espírito de Deus. Uma das revelações diz que tudo o que é luz é espírito, e há graus dessa influência espiritual que afetam o olho natural ou mortal; depois há outros graus, talvez mais refinados, que não afetam o olho mortal, mas afetarão o olho imortal, e ainda assim o Senhor seria capaz de tocar os olhos de um homem como Moisés, ou qualquer outro homem de Deus, de modo a mostrar-lhe cada partícula da Terra, por dentro e por fora. ¶
Ora, se o homem mortal pode ver isso, como certamente viu Moisés, por que devemos supor que seremos limitados naquele estado de imortalidade que todos os Santos dos Últimos Dias esperam desfrutar? É mais provável que possamos discernir, não somente tudo o que pertence a esta pequena partícula da criação que agora habitamos, mas também outros mundos e o que neles se passa, tão facilmente quanto o que se passa no nosso. Temos também revelações a esse respeito. Quando Enoque expressava seu pensamento sobre a grandeza das criações do Todo-Poderoso, disse que, se um homem pudesse contar milhões de terras como esta, e todas as partículas separadas que entram em sua composição, isso não seria sequer o começo dessas criações; contudo, disse ele ao Senhor — "Tu estás aqui, teu seio está aqui"; e o Senhor disse a Enoque — "Posso estender minha mão e segurar todas as criações que fiz, e meus olhos podem trespassá-las também." Por que poder podem seus olhos trespassá-las? Pelo mesmo poder que vivificou os olhos de Moisés ainda quando homem mortal; esse mesmo poder pode vivificar os olhos da imortalidade para contemplar todas as criações que o Senhor fez, e por isso haverá uma ampliação da visão na ressurreição. ¶
Poderíamos deter-nos também na ampliação da audição, bem como da visão. Supondes que os seres imortais dependam, para o som, das meras vibrações de uma atmosfera como a nossa? Esta atmosfera se estende apenas cerca de quarenta e cinco milhas acima da superfície da Terra. Como poderiam seres muito além desta nossa atmosfera comunicar sons até nós, aqui? Há outros princípios e elementos, de natureza mais refinada, que existem entre estas criações que Deus fez, e esses elementos podem ser levados à perfeição, e, por seu poder vibratório, podem comunicar sons de um mundo a outro, tal como a luz é comunicada de mundo a mundo, e o ouvido imortal estará adaptado a isso. ¶
Não temos tempo para nos determos nisso; menciono-o apenas como uma das grandes bênçãos da imortalidade. ¶
Poderíamos mencionar também o sono. Aqui temos de dormir cerca de um terço do nosso tempo; estarão os seres imortais obrigados a fazer o mesmo, e passar um terço dos eternos milhões sobre milhões de eras vindouras em inatividade? Não penso que seja assim. Pergunta alguém — "Não são as coisas daqui típicas das coisas de além?" Algumas não são. Morremos aqui, mas isso não é típico de morte alguma que sobrevirá aos justos no futuro, e há muitíssimas coisas pelas quais passamos aqui que não são típicas das coisas de além. Todas as imperfeições físicas serão eliminadas no futuro, e desfrutaremos de uma plenitude e poder maiores, e não vejo que seja necessário que o corpo imortal seja vivificado ou refrescado pelo sono. Sem dúvida comerão e beberão em estado imortal, mas se isso será necessário é outra questão inteiramente à parte. Aos Doze Apóstolos, Jesus disse que "comeriam e beberiam à sua mesa, e se assentariam sobre doze tronos, julgando as doze tribos de Israel," mostrando que o Senhor terá uma mesa, e que nela haverá alimento, e que comerão e beberão a essa mesa, embora sejam imortais; mas se isso será necessário para que sua imortalidade perdure é outra questão, e não temos tempo para nos determos nela. Basta dizer que até mesmo filhos da mortalidade, quando vivificados pelo Espírito de Deus, muitas vezes viveram por um bom período de tempo sem comer nem beber. Moisés, por exemplo, em duas ocasiões, passou quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, e durante esse tempo não comeu nem bebeu. ¶
Poderíamos continuar e falar de outras ampliações que teremos e que não temos aqui, além de comer, beber, ouvir, ver, etc. Poderíamos mencionar a perfeição da locomoção, passando de um mundo a outro, e o poder de erguer-se contrariamente ao princípio da gravitação, mostrando que o homem terá poder superior, assim como teve Jesus quando ascendeu aos céus, contrariamente às leis da gravitação. Poderíamos falar da velocidade da locomoção; mas não me convém deter-me nesses assuntos neste momento. Mas rogo que o Senhor Deus derrame seu Espírito sobre os Santos dos Últimos Dias por toda a Terra, e vivifique nossa mente e entendimento, e todo poder e faculdade que nos deu, para que busquemos o conhecimento e sejamos obedientes a tudo o que o Senhor exige de nós. Se assim fizermos, chegará o tempo, com o correr dos anos, em que teremos fé em Deus, assim como teve o irmão de Jarede; e, quando possuirmos fé semelhante à sua, temos a promessa, no Livro de Mórmon, de que todas as grandes coisas que ele viu nos serão reveladas. Mas teremos de obtê-las como ele as obteve — pela fidelidade. Pelo poder vivificante que lhe foi concedido, o irmão de Jarede contemplou todos os habitantes da Terra que existiram antes de seus dias, todos os que existiam quando ele existia, e todos os que existiriam até o fim do mundo. O poder de Deus repousou sobre ele e ampliou sua visão, capacitando-o a ver todos esses objetos. Amém. ¶