Características Distintivas entre os Santos dos Últimos Dias e as Várias Denominações Religiosas da Cristandade
Orson Pratt
Segundo nosso costume habitual, reunimo-nos neste, o primeiro dia da semana, para participar do Sacramento, como testemunho diante de Deus e dos anjos, e como testemunho uns aos outros, de que estamos decididos a guardar os mandamentos do Altíssimo, e a obedecer suas leis, e as instituições e ordenanças de seu reino. A ordem de coisas que agora celebramos temos procurado observar desde a organização desta Igreja. Tem sido nossa prática, quando as circunstâncias o permitem, reunir-nos todo Sábado para este propósito, e também exprimir uns aos outros nossos desejos, e prestar nosso testemunho a respeito da verdade, e também pregar quando sentimos o espírito para tal. ¶
Sinto, nesta tarde, examinar diante desta assembleia algumas das características distintivas entre este povo e as várias denominações religiosas da Cristandade. Não faço isto particularmente para a edificação e benefício dos Santos; mas, como provavelmente há aqui presentes muitas pessoas que nunca tiveram a oportunidade de conhecer a diferença que existe entre a fé dos Santos dos Últimos Dias e a de outras denominações religiosas, presumo que seria interessante para elas ouvir algumas destas coisas tratadas na presente ocasião. Diferimos em nossa fé e noções religiosas em algumas coisas que considero de essencial importância para a salvação dos filhos dos homens; em alguns pontos de nossa doutrina e fé não diferimos tanto do povo religioso em geral quanto se poderia supor. ¶
Para começar, então, cremos na existência de um Ser Supremo, nosso Pai Celestial; cremos também na existência de seu Filho, Jesus Cristo, como o Salvador do mundo, e que ele, pelo derramamento de seu sangue, abriu um caminho pelo qual os filhos e filhas caídos dos filhos dos homens podem ser salvos. Creio que quase toda denominação cristã tem os mesmos pontos de vista a respeito da expiação de Cristo, e que eles, assim como nós, creem no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Cremos também que é importante e necessário que toda a humanidade se arrependa e abandone seus pecados, e que abandone tudo o que é contrário à lei de Deus, e que viole suas instituições; tudo o que é imoral e profano que temos tido o hábito de praticar; que devemos arrepender-nos destas coisas, não meramente em palavra, mas absolutamente arrepender-nos delas e afastá-las. Creio que todas as denominações que creem em Cristo também creem no arrependimento; por isso, no que diz respeito à fé em Deus o Pai, e em seu Filho Jesus Cristo, e ao arrependimento e à reforma, há poucas características distintivas entre nós e o mundo exterior. Cremos também que é importante que toda pessoa que deseje obter o perdão de seus pecados seja batizada na água — imersa — em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, para a remissão deles. Nisto diferimos da maior parte do mundo religioso. Creio que a seita geralmente chamada Campbellita crê em ser batizada na água para a remissão dos pecados. A Igreja da Inglaterra também crê no batismo para a remissão dos pecados, mas não administra essa ordenança por imersão. Cremos também que, quando uma pessoa se arrependeu, e foi batizada para a remissão de seus pecados, por alguém com autoridade para administrar esta ordenança, seus pecados serão perdoados. Não que o Senhor não tenha, em alguns casos registrados, perdoado os pecados de pessoas antes do batismo. Temos alguns relatos, tanto em tempos antigos quanto modernos, de o Senhor ter feito isto. O Profeta Joseph obteve o perdão de seus pecados, antes do batismo, e também o dom do Espírito Santo; mas a razão, provavelmente, foi que não havia Igreja organizada segundo o padrão antigo no momento em que ele recebeu a administração dos anjos, e, não havendo ministro autorizado a administrar o batismo e a imposição de mãos, o Senhor, nesse caso, dispensou as formas e ordenanças registradas para tal propósito no Novo Testamento, e lhe concedeu ambas as bênçãos — o perdão dos pecados, e o dom do Espírito Santo. Antes de ser batizado, ele traduziu a maior parte do Livro de Mórmon pelo dom e poder do Espírito Santo, com o auxílio do Urim e Tumim. Temos o relato de ao menos um caso, em tempos antigos, em que o Espírito Santo foi dado antes do batismo, e este é o caso de Cornélio. O Espírito Santo foi derramado sobre ele, e sobre sua casa, antes de serem batizados. Isto era contrário à ordenança e à forma que havia sido estabelecida no Evangelho; mas, nessa ocasião, evidentemente foi dado para um propósito especial, a saber, para convencer os irmãos que acompanhavam Pedro ao lugar onde vivia Cornélio, de que suas tradições a respeito dos gentios eram incorretas; e para provar-lhes que os gentios eram herdeiros da salvação, tanto quanto os judeus, o Senhor se dignou, enquanto Pedro falava a Cornélio e a sua casa, a conceder-lhes o Espírito Santo, e falaram em línguas e profetizaram, antes de serem batizados. Quando Pedro viu que o Espírito Santo lhes havia sido concedido, voltou-se para os irmãos judeus, e disse: "Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?" ¶
No Dia de Pentecostes, quando, disseram-nos, três mil se compungiram em seu coração, e desejaram saber o que deveriam fazer; a resposta dada foi que deveriam arrepender-se de seus pecados. Já criam, antes de se arrependerem, no testemunho de Pedro e dos demais Apóstolos, de que Jesus era o próprio Cristo; criam nestas Escrituras do Antigo Testamento a ele relativas, citadas pelo Apóstolo Pedro naquela ocasião; e se compungiram em seu coração. Se não tivessem crido que Jesus era o Cristo, não se teriam compungido em seu coração, nem se sentido culpados de pecado; mas creram, e a resposta de Pedro à sua indagação sobre o que deveriam fazer para serem salvos foi — "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado, em nome de Jesus Cristo, para a remissão de vossos pecados, e recebereis o Espírito Santo." Não pode toda pessoa, que reflita um momento sobre esta passagem, ver que a remissão dos pecados e o Espírito Santo eram duas bênçãos prometidas após o arrependimento e a fé, e o batismo para a remissão dos pecados? Quando o povo de Samaria ouviu a pregação de Filipe, também creu e se arrependeu, e foram batizados, e houve grande alegria naquela cidade. Sem dúvida seus pecados foram então remidos, evento que causaria alegria e satisfação entre os samaritanos. Mas não havia uma só alma, de todos aqueles convertidos em Samaria, nem homem nem mulher, que tivesse recebido o Espírito Santo; tinham apenas crido em Cristo, e recebido o perdão dos pecados, mas nenhum deles ainda havia nascido do Espírito. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram que Samaria havia recebido a palavra de Deus, que Filipe lhes havia pregado, enviaram Pedro e João, e estes desceram a Samaria, e se ajoelharam, e oraram por aqueles samaritanos batizados, para que recebessem o Espírito Santo; "porque ainda", diz a Escritura, "sobre nenhum deles tinha ele descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus; então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." ¶
Ora, devem ter recebido, nessa ocasião, algo que era poderoso e milagroso, tanto assim que se manifestou até mesmo aos circunstantes. A razão que tenho para crer nisto vem do que Simão, o mago, disse e fez naquela ocasião. Veio ao Apóstolo Pedro, e, oferecendo-lhe dinheiro, disse — "Dai-me também a mim esse poder, para que qualquer sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo." Estava evidentemente convencido de que houvera, naquela ocasião, uma manifestação de poder, e, como tinha sido feiticeiro, e havia iludido e enganado o povo em tempos passados, e evidentemente entrara na Igreja com o coração corrompido, sem dúvida desejava obter este poder acrescido para auxiliá-lo em suas operações futuras. Mas Pedro respondeu — "O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois supuseste que o dom de Deus se adquire por dinheiro... Tu não tens parte nem sorte neste assunto, porque o teu coração não é reto diante de Deus." ¶
Aqui, então, está uma sagrada ordenança para a qual desejo chamar vossa atenção, a saber, a imposição de mãos. Os samaritanos tinham, sem dúvida, crido tão firmemente quanto pessoa alguma poderia crer; tinham se arrependido tanto quanto pessoa alguma poderia se arrepender; tinham cumprido a ordenança do batismo para a remissão dos pecados, e estavam justificados e cheios de grande alegria, em consequência do perdão de seus pecados; mas, com tudo isso, por que não receberam o Espírito Santo? Por que não foi enviado do céu, como o foi sobre Cornélio? Porque não havia ninguém presente naquela ocasião que precisasse ser convencido, como no caso da casa de Cornélio; nenhum irmão judeu ali para recusar a água; ninguém ali cujas tradições precisassem ser corrigidas, e, por consequência, o Senhor não lhes deu um sinal. Mas, quando foram confirmados, ele enviou sobre eles o Espírito Santo, por meio da sagrada ordenança da imposição de mãos. Isto é tanto uma ordenança quanto o batismo. ¶
Aqui, então, está um caso em que diferimos da maior parte do mundo religioso. É verdade que a Igreja da Inglaterra pratica a confirmação — impõem as mãos sobre aqueles que são aspergidos; mas não temos relato dos dons que se seguem a esta administração entre os membros daquela igreja, tais como o dom de línguas, cura, e os vários dons do Espírito. São retidos. Diferimos, então, do mundo religioso exterior, nesta ordenança. Ninguém entra nesta Igreja, e é reconhecido como estando em plena comunhão, como membro da Igreja, a menos que um ou mais dos servos de Deus tenham administrado a sagrada ordenança da imposição de mãos, expressamente para o batismo de fogo e do Espírito Santo. Não sei por que o Senhor estabeleceu esta ordenança. Ele parece ter, em todas as eras, concedido bênçãos aos filhos dos homens por meio de ordenanças simples, e raramente concedeu bênçãos, a menos que essas ordenanças fossem cumpridas. Quando o anjo veio a Cornélio, e lhe disse que suas orações e suas esmolas haviam subido diante de Deus como memorial, não achou próprio, naquela ocasião, dizer-lhe exatamente o que deveria fazer para ser salvo; mas disse-lhe que mandasse chamar Pedro, e que este lhe diria palavras pelas quais ele e sua casa seriam salvos. Cornélio teve fé suficiente naquele anjo para de fato mandar chamar Pedro. Algo se exigia da parte de Cornélio para manifestar sua fé diante de Deus. Algo se exigia dos filhos de Israel quando iam tomar a Cidade de Jericó. Teria sido coisa fácil para Deus derrubar os muros de Jericó num instante, sem fazer exigência alguma aos filhos de Israel; mas ele decidiu provar sua fé, de modo que lhes foi ordenado contornar os muros da cidade uma vez ao dia, por sete dias, e, a cada dia, ao circundarem os muros, deveriam tocar trombetas de chifre de carneiro. No sétimo dia, deveriam circundar os muros da cidade sete vezes, e, ao completarem sua última volta no sétimo dia, deveriam dar certo toque com as trombetas, e todo o povo deveria dar um grito; então os muros cairiam. Ora, não poderia o Senhor tê-lo feito sem passar por todo aquele processo? Ah, sim, mas ele não achou próprio fazê-lo assim; queria provar a fé daquele povo, para ver se seriam obedientes àquilo que lhes exigia. Quando mostraram sua fé por suas obras, então o poder de Deus se manifestou. ¶
Assim é em relação ao batismo. Quando mostramos que temos fé em Deus, e nas ordenanças e instituições de seu reino; quando provamos nossa crença no princípio do batismo, prestando-lhe obediência, então obtemos a remissão de nossos pecados. Quando temos fé suficiente para que se nos imponham as mãos, para o recebimento do Espírito Santo, depois de sermos batizados, o Senhor vê que estamos cumprindo as instituições de seu reino, e ele está disposto a conceder a bênção do Espírito Santo. Quando temos fé suficiente para irmos à casa de adoração no primeiro dia da semana, e oferecer nosso sacramento diante do Senhor, segundo seus mandamentos, testemunhamos diante dele que estamos dispostos a guardar seus mandamentos; mas, quando, sem desculpa, negligenciamos isto semana após semana, mostramos que somos descuidados e indiferentes, e a influência do Espírito Santo, que de outra forma desfrutaríamos como Santos dos Últimos Dias, nos é negada. ¶
Que ninguém experimente isto; que nenhum Santo dos Últimos Dias negligencie vir à reunião, quando é seu privilégio fazê-lo, e também negligencie esta divina ordenança que o Senhor instituiu em memória da morte e sofrimentos de seu Filho; pois, se continuarem a fazer isto sem razão razoável, logo começarão a escurecer em suas mentes. Por isso vedes que todas estas ordenanças, por mais simples que sejam em sua natureza, são instituídas pelo Senhor, e, se não tivermos fé suficiente para cumpri-las, prova que não temos muita fé em Deus. O Apóstolo Tiago fala muito claramente sobre o assunto da fé; diz ele — "Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." A fé sem obras está morta, sendo só. Os homens podem professar toda a fé que quiserem em Cristo, mas, se não atenderem às ordenanças do céu, sabemos que sua fé é uma fé morta, e não obterá as bênçãos que o Senhor prometeu. Passaremos adiante, contudo, tratando das características distintivas entre os Santos dos Últimos Dias e outras denominações religiosas. Teremos, porém, de nos deter brevemente nos diferentes pontos, pois há muitas coisas em que diferimos. ¶
Quando o crente batizado recebeu o dom e o poder do Espírito Santo, a pergunta é: quais serão suas manifestações, etc., e como havemos nós, como Santos dos Últimos Dias, de saber que recebemos o Espírito Santo? Esta é uma pergunta muito importante para decidirmos em nossa própria mente. Como hão de saber os crentes em Cristo que são crentes, tais como o Senhor reconhecerá? Hão de sabê-lo pelo derramamento do Espírito Santo sobre eles. Como hei de saber, eu, quando o Espírito Santo é derramado sobre mim, ou como haveis vós de saber? Não saberíamos, senão comparando com as Escrituras, ou por alguma revelação em nossa própria mente, que nos desse este conhecimento. Por exemplo, suponhamos que recebêssemos um espírito que nos fizesse cair no chão, ou nos fizesse contorcer numa forma malformada, ou que nos tirasse a força, e toda a nossa memória e entendimento; não saberíamos de imediato que espírito algum desses não seria aceitável aos olhos de Deus? E, depois de lermos sobre os dons do Espírito Santo ao homem, não saberíamos que ele não opera assim? Quando o Espírito Santo repousa sobre os servos e servas do Senhor, ele concede uma variedade de dons, não todos a um só homem, nem os mesmos a cada indivíduo; mas dá a um, um dom, e a outro, outro. Por exemplo, dá a alguns o dom da sabedoria. Ora, que é receber a palavra de sabedoria? Quando uma pessoa recebe, pelo poder do Espírito Santo, a palavra ou dom da sabedoria, recebe revelação. Aqui, então, está outro ponto em que diferimos do mundo religioso em geral. Eles não creem em nenhuma revelação posterior ao Novo Testamento, isto é, não criam, quando esta Igreja surgiu; mas, nos últimos anos, desde o surgimento desta Igreja, muitos deles começaram a crer em revelação posterior ao Novo Testamento. ¶
Quando o Espírito Santo desce sobre alguns, dá-lhes a palavra de sabedoria, isto é, concede-lhes entendimento das coisas que são sábias. O Espírito pode sussurrar: "É sábio que faças isto" — "é sábio que faças aquilo" — "é sábio que sigas tal rumo, e faças assim e assado." Isto é o que se poderia chamar a palavra de sabedoria. Uma pessoa pode ter grande sabedoria, e ainda assim não ter muito conhecimento; pode ter grande sabedoria concedida por revelação, para saber como exercer aquele grau de conhecimento que possui. Depois, novamente, há outros que podem receber o dom do conhecimento de Deus, e ainda assim ter muito pouca sabedoria; e não sabem como usar melhor seu conhecimento. Eis aqui, então, a distinção entre uma revelação que dá sabedoria, e uma revelação que dá conhecimento. ¶
A outro é dado, pelo Espírito, o dom da cura. Alguns poderão dizer que o dom da cura era destinado apenas aos tempos antigos, para estabelecer o Evangelho; que o povo naqueles dias precisava de algum poder e evidência miraculosa, para convencê-los da verdade do Evangelho; mas descubro que o dom da cura foi dado para benefício de todos os que tivessem fé para serem curados. Foi assim que o Senhor administrou em tempos antigos, e há tanta necessidade, em nossos dias, de que os doentes sejam curados, quanto havia há dezoito séculos; e o Senhor está tão disposto, na medida em que exercemos fé nele, a conceder o dom da cura agora, quanto estava em tempos antigos. Este parece ser uma espécie de dom comum, não inteiramente limitado a poucos indivíduos, como encontramos registrado no último capítulo de Marcos. Disse Jesus, naquela ocasião, falando a seus Apóstolos — "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer" — isto é, toda criatura em todo o mundo que crer — "e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão os que crerem" — isto é, toda criatura em todo o mundo que crer — mostrando que os crentes, em geral, poderiam ter o dom da cura, embora, talvez, a alguns seja dado mais plenamente do que a outros. "E estes sinais seguirão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os sararão." ¶
Parece que os dons aqui nomeados são dons gerais, destinados mais ou menos a toda a Igreja; não somente para os que estão no Sacerdócio, mas para os que estão fora do Sacerdócio, para homens e para mulheres. Por exemplo, as crianças frequentemente adoecem, e é privilégio de seus pais, tenham eles o Sacerdócio ou não, em virtude desta promessa, impor as mãos sobre seus filhos doentes, e pedir ao Senhor, em nome de Jesus, que os cure. Suponhamos que o pai, o cabeça da família, esteja ausente; tem a mãe o direito de impor as mãos sobre seu filho doente? Dizemos que, em virtude desta promessa que o Senhor fez, ela pode impor as mãos sobre seu filho ou filhos, e pedir a Deus que o cure, ou os cure. Quantas e quantas dezenas de casos tem havido nesta Igreja, todo ano desde que foi organizada, em que os pais, tanto irmãos quanto irmãs, tiveram poder sobre a doença, pelo Espírito de Deus ser derramado sobre eles, e seus filhos foram curados pela imposição de suas mãos? Aqui, então, está outro ponto em que diferimos do mundo religioso. Ide e perguntai-lhes se virão visitar um doente. "Ah, sim," diz o ministro, "visitarei o doente." Quando chega, o doente ou seus amigos pedem-lhe que ore. Isto é justo e está de acordo com o Evangelho. Ajoelham-se, e o ministro ora para que o Senhor olhe com misericórdia para o doente, e, se lhe aprouver, o cure e o restaure. Mas impõem eles as mãos, ou ungem com azeite, como as Escrituras determinam? Dizem as Escrituras — "Está alguém entre vós doente? Chame os anciãos da igreja, e orem sobre ele" — isto é justo, orar — "ungindo-o com azeite em nome do Senhor." Ora, quando fazem isso, estão cumprindo as exigências do Evangelho do Filho de Deus; e por que não seguir esta ordenança da imposição de mãos sobre os doentes, e ungi-los com azeite, tanto quanto seguir a parte da oração? Não é de admirar que não tenham poder sobre a doença e a enfermidade, pois cumprem apenas metade de seus deveres — oram, mas negligenciam a outra parte. Pergunta alguém: "Não pode o Senhor ouvir a oração e curar o doente tão bem sem a imposição de mãos e a unção com azeite, quanto com elas?" Ele poderia ter derrubado os muros de Jericó sem que os filhos de Israel os circundassem e tocassem trombetas de chifre de carneiro; mas o Senhor tem uma forma; então, por que não a cumprir, e deixar o resultado com ele? Requer-se fé, da parte do doente, para ser curado; devem ter fé, assim como seus amigos. Quando uma criança de peito está doente, não se lhe exige, é claro, exercer fé; mas seus pais e amigos podem exercer fé em seu favor, como se fazia em tempos antigos. Às vezes a doença privará um adulto de seus sentidos; nesse caso, seus amigos podem exercer fé por ele. Mas, onde não há fé em Deus, como no caso das crianças de peito, seus servos podem prevalecer, e curar o doente, mas isto nem sempre é o caso. Por exemplo, tão grande homem quanto era Paulo, pessoa que tinha o dom da cura em tal grau que, apenas levando um lenço, ou algum pequeno artigo dele, aos doentes, os demônios fugiam, e os doentes eram curados; digo que, tão grande homem quanto era, foi obrigado, em certa ocasião, a deixar um de seus companheiros de trabalho no ministério, doente, em Mileto. Por quê? Porque não tinha fé. As pessoas podem, às vezes, ter fé, e, em outras ocasiões, não a exercem; às vezes as pessoas são destinadas à morte, e, nesses casos, é pouco provável que as administrações dos Élderes sejam eficazes. Se os crentes pudessem sempre exercer fé para serem curados de enfermidade, todos os antigos Santos poderiam estar vivos agora, mil e oitocentos anos depois de nascerem. Mas o Senhor cura os doentes quando lhe parece bem, e nos concede, na medida em que não estamos destinados à morte, o privilégio de invocarmos seu nome, e de termos as administrações de seus servos em nosso favor. Isto tem sido praticado desde que esta Igreja foi organizada — há quarenta e três anos — e, se não tivesse feito bem algum, se não tivesse havido curas nesse tempo, pensais que os Santos dos Últimos Dias continuariam a ser membros da Igreja? Não; a Igreja logo se teria desfeito; não teria durado mais do que dois ou três anos, se seus membros não tivessem verificado as promessas cumpridas, segundo a palavra do Senhor; mas descobriram que o Senhor realmente estende sua mão para curar os doentes, e que os levanta do próprio ponto da morte, e os restaura, quase instantaneamente, à saúde e à força. Sabendo que isso é o caso, os Santos aflitos têm fé nas ordenanças, e continuam a mandar chamar os Élderes, e Deus abençoa suas administrações. ¶
Então, se recebi um espírito pelo qual, em nome de Jesus Cristo, fui capacitado a repreender a doença, e essa doença foi repreendida, e as pessoas foram levantadas, não teria eu razão para crer que recebi aquele verdadeiro Espírito do Evangelho, chamado o Espírito Santo? Certamente teria. Se recebi uma revelação, dizendo-me qual seria o melhor curso a seguir, sob certas circunstâncias, não saberia eu que era uma revelação de Deus? Creio que saberia, tão bem quanto os antigos Profetas sabiam quando recebiam uma revelação. Se recebi conhecimento por revelação a respeito disto, daquilo, ou de outro princípio, não seria isso um testemunho para mim de que recebi o Espírito Santo? Novamente, se eu estava doente e aflito, e com grande dor, e mandei chamar os Élderes da Igreja para virem orar por mim, e repreender a doença que me afligia, e, em nome de Jesus, ordenar-lhe que partisse, e isto se fez, não seria isto um testemunho para mim de que o Senhor ouvira as orações de seus servos, e de que ele realmente e verdadeiramente cumprira sua promessa? Certamente. ¶
A outro é dado o dom de profecia, ou de predizer eventos futuros. Entre os antigos Santos, este era considerado um dom muito importante, muito mais do que o dom de falar em línguas. Paulo, dirigindo-se aos coríntios, diz — "Procurai com zelo os melhores dons, e não proibais falar línguas", etc. E novamente diz: "Maior é aquele que profetiza do que aquele que fala em línguas." Novamente, no mesmo capítulo, diz — "Como é isto, então, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem língua, tem revelação, tem interpretação? Falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Porém, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam, e todos sejam consolados. E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas." ¶
Aqui, então, vemos que os Santos, em tempos antigos, profetizavam por revelação. Se as pessoas se reúnem numa capacidade religiosa, como esta assembleia o fez nesta tarde, e Deus revelasse a alguns presentes algo pertinente ao futuro, não é necessário que se levantem enquanto outra pessoa está falando, e causem confusão, mas que todos os Profetas que tiverem alguma revelação esperem até que a pessoa que fala termine, e então se levantem, um por um, e declarem o que Deus lhes revelou. Foi assim que os antigos cristãos adoravam, e estes eram os dons pelos quais se distinguiam daqueles que não eram cristãos, e estas eram também as características distintivas entre o mundo geral da humanidade e os verdadeiros e sinceros cristãos em tempos antigos. Por que não ter as mesmas características distintivas agora? Disse Deus, alguma vez, que estes dons seriam desnecessários na Igreja? ¶
Encontramos muitos outros dons, além dos que mencionei. O dom de línguas, a interpretação de línguas, o discernimento de espíritos, e a visão de anjos, todos foram dados em tempos antigos pelo Espírito, e a Igreja que os possuía era comparada ao corpo de Cristo; e o Apóstolo Paulo, a fim de mostrar a necessidade de todos estes dons, ao compará-los ao corpo de um homem, diz que todo o sistema é necessário; o olho não pode dizer à mão "não tenho necessidade de ti" no corpo, pois ela é absolutamente necessária ali; nem pode a cabeça dizer aos pés "não tenho necessidade de vós"; não, os pés são necessários; e até o membro mais imperfeito, ou mais simples, do sistema humano não poderia ser dispensado, sem causar um cisma no corpo. Diz Paulo, falando à Igreja — "Vós sois o corpo de Cristo, e membros em particular. Deus pôs na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro, mestres; operadores de milagres; os que falam em línguas; os que interpretam línguas." Todos estes diferentes são membros do corpo de Cristo. Ora, temos nós algum direito de dizer ao mais humilde destes membros, "não temos necessidade de ti no corpo?" Suponhamos que o mestre dissesse ao que fala em línguas — "Não tenho necessidade de ti, agora, no corpo; o Senhor tem um tipo diferente de corpo sobre a terra, do que tinha há mil e oitocentos anos, e não precisamos de ti agora." Outro diz ao intérprete de línguas — "Temos pessoas que estudaram todas estas línguas, e não precisamos de uma pessoa para interpretar línguas, pelo Espírito, agora; podemos dispensar este princípio do corpo de Cristo." Outro ministro se levanta e diz ao membro que possui o dom da cura — "Não precisamos de tal membro na igreja agora; podemos passar sem ele no corpo; é verdade que causa uma espécie de cisma no corpo, e parece diferente do que o Novo Testamento ensinou; mas somos esclarecidos neste dia, vivemos num tal clarão de liberdade evangélica, que não precisamos do mesmo tipo de membros agora, para compor o corpo de Cristo, como precisavam nos dias antigos", e o dispensa. O operador de milagres chega, e outro ministro diz — "Não precisamos de ti no corpo"; o discernidor de espíritos chega, e diz — "Contemplei espíritos, vi anjos." Diz o religioso moderno — "Não precisamos de ti agora na igreja; somos suficientemente esclarecidos para passar sem ti." Um Apóstolo chega, e declara sua missão e chamado, e é recebido com a saudação costumeira — "Não precisamos de Apóstolos agora. Deus estabeleceu estes ofícios em sua igreja no início, mas podemos dispensá-los agora." Digo: se podeis dispensar estes oficiais, que vos resta? Diz um — "Restam-nos mestres." "Bem, por que não abolis o ofício de mestre? Não tendes a mesma autoridade para abolir o membro do corpo de Cristo chamado mestre, que tendes para abolir o Apóstolo, o Profeta, o dom da cura, o discernimento de espíritos? Sim, tendes o mesmo direito de abolir um ofício quanto outro. Se vos restam apenas mestres, pergunto: constitui isso a Igreja de Deus? Não, pois abolistes o oficial mais proeminente, o Apóstolo, o primeiro estabelecido na Igreja, o que é como tirar a cabeça de um homem de seu corpo, e então dizer: "Vive, vive." ¶
Ora, o próprio fato de que todos estes oficiais foram abolidos mostra que a Igreja de Deus foi arrancada da terra. Não é de admirar, então, que o Senhor tivesse de enviar um anjo do céu com o Evangelho eterno, para ser pregado a toda nação, tribo, língua e povo, porque não havia nação, povo, tribo ou língua sobre toda a face da terra que tivesse aquele Evangelho, e uma Igreja organizada de acordo com ele. As várias seitas de religiosos na Cristandade perderam toda a autoridade; não têm nem Apóstolos, nem Profetas, ninguém que possa ter visões celestiais, que possa discernir espíritos ou ter as ministrações de anjos; ninguém para curar os doentes, ou falar em línguas. Aboliram todos os dons e membros, e apagaram a Igreja antiga, restando-lhes apenas uma forma morta. Não é de admirar, então, que o Senhor enviasse um anjo, em cumprimento das revelações de São João, para restaurar o Evangelho à terra, e preparar a reorganização de sua Igreja entre os homens, segundo o padrão antigo. Era absolutamente necessário que o Evangelho fosse restaurado, junto com a autoridade para administrar suas ordenanças, o batismo para a remissão dos pecados, e a imposição de mãos para o batismo de fogo e do Espírito Santo; autoridade para edificar a Igreja e o reino sobre a terra, para que o Espírito Santo pudesse novamente ser derramado, como em tempos antigos, para que o povo pudesse receber seus dons, e para que pudesse saber, com certeza, quando tivesse recebido o Espírito Santo. Tudo isto o Senhor fez; por isso vedes as características distintivas, no que diz respeito à organização da Igreja e à administração de suas ordenanças, entre os Santos dos Últimos Dias e o restante do mundo religioso. ¶
Mas suponhamos que falemos ainda mais sobre um princípio, e este é a autoridade para batizar. Eu poderia ser batizado por uma pessoa a quem o Senhor não tivesse chamado nem enviado, e esse batismo jamais seria reconhecido nos mundos eternos. Eu poderia ser todo sincero, e poderia receber a ordenança das mãos de um homem que, realmente supunha eu, tinha a autoridade, e que era um homem bom, moral e íntegro, e, contudo, aquele batismo não seria aceitável aos olhos de Deus, a menos que ele realmente tivesse autoridade divina. ¶
Como hei de saber se um homem tem autoridade divina, ou não? É uma das coisas mais fáceis do mundo de saber. Vou dizer-vos como podeis conhecer um homem que tem autoridade divina, de um que não a tem. Se encontrardes um homem que, embora professe ser um ministro cristão, diga que não crê em nenhuma revelação posterior às dadas a São João, o Divino, e que ele foi o último a quem o Senhor se revelou, podeis saber que aquele homem não tem autoridade alguma de Deus. Por que não? Porque a Bíblia diz — "E ninguém toma para si essa honra" — falando do Sacerdócio — "senão o que é chamado por Deus, como Arão." Ora, voltai-vos à Bíblia, e vede como Arão foi chamado; vede se não foi chamado por nome, por nova revelação; isto é, foi uma nova revelação para ele. Vede se não foi chamado por meio de Moisés, o servo de Deus, que recebeu uma revelação, ordenando-lhe separar seu irmão Arão para o ofício de Sacerdote, dirigindo-lhe que ordenança usar, como separá-lo, e dando todos os pormenores de seu chamado e ordenação ao ministério, e quais seriam seus deveres depois da ordenação. Tudo isto foi dado por nova revelação. Nenhum homem pode receber o Sacerdócio, nem oficiar em suas ordenanças aceitavelmente, a menos que seja chamado por Deus, como o foi Arão. Se Arão foi chamado por nova revelação, então todos os demais que têm esta autoridade devem ser chamados da mesma forma, ou sua autoridade não é válida, e todas as ordenanças sob ela não valem nada. ¶
É esta a razão pela qual o Senhor ordenou a este povo — os Santos dos Últimos Dias — que rebatizassem todas as pessoas que a eles chegassem, professando terem sido batizadas antes. Nos primeiros dias desta Igreja, havia certas pessoas, pertencentes à denominação batista, muito morais e sem dúvida tão boas pessoas quanto se poderia encontrar em qualquer lugar, que vieram, dizendo que criam no Livro de Mórmon, e que tinham sido batizadas na Igreja Batista, e desejavam entrar em nossa Igreja. O Profeta Joseph não tinha, naquele momento, indagado particularmente a respeito deste assunto, mas indagou, e recebeu do Senhor uma revelação algo como isto — que, embora um homem tivesse sido batizado cem vezes sob estas antigas instituições, isso não lhe aproveitaria de nada; que este era o novo e eterno convênio, o mesmo que existiu no princípio, e que os que administrassem suas ordenanças deveriam ter autoridade de Deus, ou suas administrações seriam ilegais. Estes batistas tiveram de ser rebatizados: não havia outra maneira de entrar nesta Igreja. Não há hoje uma só pessoa em plena comunhão com este povo, que não tenha entrado pelo batismo, quer antes pertencesse à Igreja Batista, quer a qualquer outra. De fato, seria impossível reorganizar uma Igreja sobre a terra, a menos que Deus tivesse concedido a autoridade a homens para agirem em seu nome, isto é, tivesse falado do alto, e os tivesse chamado por revelação. ¶
Chegarei ainda mais perto. Eis aqui o Livro de Mórmon. Quando Joseph Smith obteve as placas das quais este livro foi traduzido, quando chegou à história de como o batismo era administrado entre os israelitas da América antiga, e soube que era por imersão, sentiu-se muito ansioso por ser batizado, não tendo sido batizado em nenhuma Igreja existente, e não compreendendo plenamente este assunto, ele e um jovem, que atuava como seu escrevente, saíram e invocaram o Senhor, desejando saber o que deveriam fazer em relação ao seu batismo. Leram que os que habitavam este continente há mil e oitocentos anos eram batizados por imersão, e que a ordenança tinha de ser administrada por homens que possuíssem a autoridade para tal, vinda de Deus. Em resposta às suas orações, o Senhor lhes enviou um anjo, no dia 15 de maio de 1829, quase um ano antes de a Igreja ser organizada, e este anjo impôs as mãos sobre as cabeças destes dois indivíduos, e os ordenou ao santo Sacerdócio, isto é, o Sacerdócio que João Batista detinha, que tinha o direito de batizar, mas não de confirmar pela imposição de mãos; e, depois de os ordenar, ordenou-lhes que se batizassem um ao outro, e assim o fizeram. Aqui, então, houve o início da restauração da autoridade à terra. Antes daquele tempo, por centenas e centenas de anos, nenhum homem tinha autoridade para batizar, pelo próprio fato de que todos negavam a nova revelação, e por isso nenhum deles poderia ter sido chamado como o foi Arão. ¶
Depois que Joseph e seu escrevente foram batizados para a remissão de seus pecados, buscaram autoridade, a fim de que se lhes impusessem as mãos para o Espírito Santo. O Sacerdócio menor não podia fazer isto; o Sacerdócio que João Batista detinha não estava autorizado a impor as mãos; ele só podia batizar os crentes na água. Mas João, quando esteve sobre a terra, disse que havia um que vinha depois dele, mais poderoso do que ele, que detinha um Sacerdócio e autoridade maiores do que os dele — o Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque — e este lhes concederia o batismo mais elevado — o batismo de fogo e do Espírito Santo. Joseph Smith e Oliver Cowdery buscaram esta autoridade mais elevada, e o Senhor lha concedeu, antes do surgimento desta Igreja, enviando-lhes Pedro, Tiago e João. Para quê? Para lhes conceder o Apostolado. Ora, quem teria, provavelmente, melhor autoridade do que Pedro, Tiago e João, os três primeiros dos antigos Apóstolos, quando morreram? Quando Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, e Tiago foi martirizado, seu Sacerdócio não lhes foi tirado; seu Sacerdócio permaneceu com eles, depois que seus corpos foram postos no túmulo, e o deterão até que seus corpos sejam ressuscitados; e, quando reinarem sobre a terra, reinarão como reis e Sacerdotes; e, como lemos no Novo Testamento, estes doze Apóstolos hão de comer e beber à mesa, e na presença de, Deus — e hão de reinar sobre as doze tribos de Israel. ¶
Ora, quem estaria mais bem qualificado para administrar o sagrado ofício do Apostolado do que os três homens que o detinham, enquanto estavam aqui na terra? Há muitos no céu que não têm o direito de ordenar Apóstolos, muitos que, embora exaltados, e tendo glória e grande autoridade, contudo não detêm o Apostolado, e por isso não têm direito de vir como anjos do céu, e impor as mãos sobre algum indivíduo, e ordená-lo ao Apostolado. Tem de ser um homem que detenha autoridade no céu, que possa concedê-la aqui na terra; e tais homens foram Pedro, Tiago e João, que restauraram aquela autoridade à terra em nossos dias, concedendo-a a Joseph Smith. Quando esta autoridade foi restaurada, a Igreja foi organizada, no dia 6 de abril de 1830, consistindo de seis membros, e então havia poder existente, não só para batizar, mas para confirmar, pela imposição de mãos, para o batismo de fogo e do Espírito Santo; e, a partir da autoridade então enviada de novo do céu, esta Igreja tem sido capacitada a avançar, e receber as grandes bênçãos que o Senhor concedeu a ela. Mas prosseguirei. ¶
Estava dizendo, há pouco, que não há nada no Novo Testamento para provar que os dons que foram dados e desfrutados pelos antigos Santos devessem alguma vez cessar entre o verdadeiro povo de Deus; e, sempre que houve uma Igreja de Cristo sobre a terra, houve todos os seus membros, incluindo Apóstolos, Profetas, aqueles que falavam em línguas, intérpretes de línguas, discernidores de espíritos, aqueles com o dom de curar, etc.; e, sempre que estas coisas desapareceram, a Igreja de Cristo desapareceu da terra, e então a autoridade, a revelação, a profecia, e a ministração de anjos cessaram. Mas temos uma declaração no capítulo 13 da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, de que estes dons deveriam continuar na verdadeira Igreja, até que viesse o que é perfeito. Ora, vemos, sabemos e compreendemos em parte; vemos por espelho, em enigma, aqui neste mundo, mas, quando vier o que é perfeito, o que é em parte desaparecerá. Ora, temos certas bênçãos concedidas a nós, mas há de vir o tempo em que as línguas cessarão, e a profecia falhará; esse tempo será quando a Igreja se tiver tornado perfeita, no mundo eterno. Depois que passarmos por este estado de existência, e formos exaltados, não mais veremos por espelho, em enigma. Aqui, enquanto a Igreja permanece neste mundo, apenas profetizamos em parte. Temos alguns dons, mas não os possuímos em sua plenitude; mas, quando recebermos nossos corpos ressuscitados, e vier o que é perfeito, não teremos necessidade do dom de cura, porque não haverá enfermos, pois todos serão imortais. Não haverá necessidade, naqueles dias, de profecia em parte, porque tudo estará aberto e será compreendido pela mente dos Santos de Deus, e a profecia em parte cessará, e verão como são vistos, e conhecerão como são conhecidos. Todas estas coisas nos provam que, enquanto a verdadeira Igreja permanecesse na terra, por tanto tempo deveriam permanecer todos estes vários dons. ¶
O objetivo destes dons não é meramente convencer o mundo, mas Paulo nos informa, em outro capítulo, que eram destinados não apenas para os incrédulos, mas também para os crentes. Quando Jesus subiu às alturas, diz Paulo que ele levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. Deu alguns Apóstolos, alguns Profetas, alguns evangelistas, pastores e mestres, além de todos estes outros dons que mencionei. Para quê? Paulo nos informa que deu estes dons para o aperfeiçoamento dos Santos. Não vedes, então, que não foram dados meramente para convencer os incrédulos, e estabelecer o Evangelho, mas para o aperfeiçoamento dos Santos? Ora, sabeis, sabe alguém, como os Santos de Deus podem ser aperfeiçoados sem estes dons? Como podem os membros de uma Igreja, que não tem Apóstolos inspirados nem Profetas inspirados, ser aperfeiçoados? "Ah, mas", diz alguém, "temos alguns destes dons." "Quais são?" "Ora, ele menciona pastores e mestres; nós os temos." Que direito tendes de reivindicá-los, e abolir os outros dons mencionados no mesmo versículo? Há alguma consistência nisso? É correto? Podemos nos sentir justificados diante dos céus, ao tomarmos um versículo, e reivindicarmos um ou dois dons ali mencionados, e abolirmos todo o resto? As Escrituras dizem que ele deu Apóstolos, Profetas, evangelistas, pastores e mestres; os cristãos modernos reivindicam dois ou três destes, e abolem todo o resto. Os Santos dos Últimos Dias não farão isto; foram tradicionalmente ensinados a fazê-lo em tempos antigos, mas agora aprenderam melhor; e agora dizem — "Dai-nos todos estes dons. Se temos uma Igreja, tenhamos, nessa Igreja, Apóstolos e Profetas inspirados, pois, sem eles, os Santos não podem ser aperfeiçoados." ¶
São dados, também diz Paulo, não somente para o aperfeiçoamento dos Santos, mas para a obra do ministério. Como pode a obra do ministério prosseguir sem Apóstolos e Profetas? Não pode prosseguir. São dados para a edificação do corpo de Cristo, diz o Apóstolo. Como pode o corpo de Cristo ser edificado sem Apóstolos e Profetas, e os dons mencionados? E, novamente, diz ele: são dados a fim de que a Igreja se torne perfeita, isto é, que seus membros cresçam até chegarem a homens perfeitos, à medida da estatura da plenitude de Cristo. Sem estes dons, a Igreja jamais poderá crescer; nada tem para a edificar ou aperfeiçoar, nada para fazer bem algum aos Santos; mas, com estes dons, podem ser aperfeiçoados, e crescer até a estatura da plenitude de Cristo. ¶
Outro grande objetivo especificado na concessão destes dons, como mencionado no versículo seguinte, é que doravante não sejamos mais meninos, levados de um lado para outro por todo vento de doutrina, e pela astúcia e pelo engano dos homens, pelos quais espreitam para enganar. Ora, tomai uma Igreja que não tem Apóstolos, nem Profetas, nem dons como os nomeados no Novo Testamento, e essa Igreja está sempre sujeita a ser arrastada por toda doutrina tola que apareça. Mas, quando vedes uma Igreja organizada com Apóstolos, tendo poder para receber revelações do céu, e tendo Profetas que possam predizer eventos futuros, pelo Espírito Santo repousando sobre eles, ela não é arrastada por todo plano e artifício astuto de doutrinas falsas; mas seus membros sabem, por si mesmos, pelo poder do Espírito Santo, pelos dons que lhes são concedidos, e pelas revelações que recebem, e, por isso, não são levados de um lado para outro, como tem sido o mundo religioso, durante os últimos dezessete séculos. Qual é a razão de toda a confusão, atritos e discórdias que têm perturbado o mundo religioso durante esse tempo? A grande razão é que perderam aquilo que os teria mantido unidos — os dons do Espírito, e por isso há centenas e centenas de denominações seguindo esta doutrina e aquela doutrina, sem voz de Deus, sem anjos, sem visões que guiem seus passos. Não é assim com os Santos dos Últimos Dias. Percorrei todo este Território, e, onde quer que encontreis Santos dos Últimos Dias de coração sincero, encontrareis aqueles que são guiados pelo Espírito de revelação, e que desfrutam daqueles dons que se manifestaram em tempos antigos. ¶
Mencionarei mais algumas características em que diferimos do mundo. Cremos naquela doutrina enunciada no décimo quinto capítulo da primeira epístola de Paulo aos Coríntios, a saber, o batismo pelos mortos — "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Isto mostra clara e evidentemente que, em tempos antigos, o povo chamado coríntio, organizado na Igreja de Deus, praticava a ordenança do batismo pelos mortos. Compreendiam-na. Paulo não lhes escrevia a respeito de uma nova doutrina, mas de uma que compreendiam e praticavam, e procurou provar-lhes a natureza da ressurreição, e que tal princípio como a ressurreição era verdadeiro, pelo próprio fato de que praticavam o batismo por aqueles que estavam mortos, a fim de que pudessem receber uma ressurreição mais gloriosa. Esta doutrina foi revelada de novo a esta Igreja. É claro que, no início do surgimento da Igreja, não a compreendíamos mais do que o mundo sectário, mas, assim que o Senhor a expôs, e nos ensinou por que a instituíra, tornou-se muito clara. ¶
Não tenho tempo de me deter longamente sobre este princípio, mas tentarei, brevemente, explicar-vos sua necessidade e consistência, e a influência que terá sobre nossos antepassados. Todos temos muitos amigos, além do véu, que viveram sobre esta terra quando o verdadeiro Evangelho não era conhecido. Muitos deles eram tão bons quanto nós, e alguns, talvez, um pouco melhores; mas viveram quando o mundo estava em trevas e confusão. Tinham a história da antiga Igreja e Evangelho, mas não tinham ninguém para administrar suas ordenanças. As seitas e ministros religiosos contendiam uns contra os outros, sem ter nem o poder nem os dons do Espírito Santo. Sob estas condições, nossos progenitores adormeceram. Ora, hão de ir para a destruição eterna, ser condenados por todas as eras da eternidade, porque não tiveram a felicidade de viver numa época em que houvesse alguém autorizado pelo céu a administrar as ordenanças do Evangelho? Não; isso seria inconsistente. Deus julga os homens segundo as circunstâncias em que se encontram, e não condena o povo por não obedecer a sua mensagem, quando esta não lhe foi enviada. Ora, se um homem vem a mim, que nunca foi chamado por Deus, e pretende trazer-me o Evangelho, e não tem autoridade divina para administrar suas ordenanças, não sou obrigado a obedecer à sua mensagem, pois isso requer um homem que esteja autorizado a administrá-lo. Nossos pais desceram à sepultura sem terem tido um homem assim para lhes administrar o Evangelho; o Senhor não faz acepção de pessoas. Está escrito, nas Escrituras, que, a menos que um homem nasça da água e do Espírito, de modo algum pode entrar no reino de Deus. Se isso é assim, e nossos pais desceram à sepultura, e não tiveram oportunidade de serem batizados na água para a remissão de seus pecados, por homens que tivessem autoridade, hão de ser excluídos para sempre do reino de Deus? Jesus diz que, a menos que nasçam da água, assim como do Espírito, de modo algum podem entrar em seu reino. O propósito, então, para o qual o batismo pelos mortos foi instituído, foi para que pudéssemos ser batizados por nossos antepassados que morreram sem terem tido o privilégio de ouvir e obedecer ao Evangelho na carne, para que, embora no espírito, tenham a mesma oportunidade de vida eterna que temos nós. Jesus foi muito misericordioso para com os antediluvianos que pereceram antes do dilúvio. Uma multidão que vivia naqueles dias pereceu no dilúvio, e ficou encerrada em prisão; e, enquanto o corpo de Jesus dormia no túmulo, seu espírito foi e pregou àqueles que foram desobedientes nos dias de Noé. Provavelmente não tiveram boa oportunidade nos dias de Noé. Havia apenas quatro pessoas para os advertir, e eles se haviam multiplicado por milhões e milhões, em todas as partes da terra, e todos, exceto Noé e sua família, foram varridos pelo dilúvio, e lançados em prisão, e ali foram mantidos por cerca de dois mil anos, quando então Jesus foi pregar-lhes o Evangelho, como está escrito no quarto capítulo da primeira epístola de Pedro — "Porque para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito." Ora, se o Evangelho foi pregado àqueles que estavam mortos, aos antigos antediluvianos que pereceram mais de dois mil anos antes de Jesus ser morto, para que propósito foi pregado? Para que pudessem ter o mesmo privilégio de ouvir e obedecer ao Evangelho que têm aqueles que estão na carne, e de serem julgados por isso. "Mas", diz alguém, "não podem obedecê-lo no mundo espiritual." Podem em parte; podem obedecê-lo no que diz respeito a crer em Jesus, e a se arrependerem de seus pecados; pois o arrependimento e a fé são ambos atos da mente; mas, quando se trata do batismo, de nascer da, ou ser imerso na, água, não podem fazê-lo; Deus ordenou que os homens, aqui na carne, sejam batizados por aqueles que estão mortos, a fim de que possam comemorar a morte, os sofrimentos e o sepultamento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, para que, assim como ele ressuscitou para uma vida nova, assim também aqueles por quem a ordenança do batismo é administrada, por aqueles que estão na carne, tenham direito a uma ressurreição mais gloriosa. ¶
"Mas", diz alguém, "como sabeis que aqueles que estão no mundo espiritual podem se arrepender e crer?" Porque o arbítrio sempre acompanha a inteligência, e a inteligência não é apagada pela morte. Os espíritos dos homens e mulheres que deixam este mundo são inteligentes, e a inteligência se funda no livre-arbítrio, e, por isso, na medida em que aqueles que estão no mundo espiritual são agentes, podem exercer aquele arbítrio, crendo; quando têm um testemunho, podem exercer aquele arbítrio, arrependendo-se dos pecados de que são culpados. Mas não podem exercer aquele arbítrio ao cuidarem de uma ordenança ordenada para o corpo; e, por isso, Deus instituiu o batismo pelos mortos, para que nossos pais tenham a mesma oportunidade que temos nós. Para quê? Para que, quando saírem na ressurreição conosco, se receberem o que se fez por eles, possam ser aperfeiçoados conosco, para que não haja cadeia quebrada na questão, nenhum elo faltando na cadeia, mas que todas as pessoas que aceitarem possam ser unidas na grande cadeia da genealogia, retrocedendo até o próprio início. Por isso a ordenança do batismo foi ordenada pelo Senhor desde o princípio do mundo, até os dias de Cristo, e dos dias de Cristo até o fim, para que, na dispensação do Evangelho, quando o plano de salvação fosse administrado à família humana, procurassem os pais — seus antepassados; e isto é especialmente falado pelo Profeta Malaquias, ou antes, o Senhor, por meio do Profeta, diz — "Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição"; como quem diz que, antes de vir o grande e terrível dia do Senhor, a menos que os filhos busquem a salvação de seus pais, que estão mortos e se foram, sendo batizados por eles, e cuidando de toda ordenança que Deus ordenou para eles, e em seu favor, ele ferirá toda a terra com uma maldição, e povo algum estará preparado para contemplar o grande e terrível dia do Senhor. ¶
É por esta razão que este povo está construindo Templos. Não construímos Templos para serem apenas lugares de pregação; temos tabernáculos que acomodam muitos milhares, onde pregamos ao povo; mas os Templos são construídos pelo mandamento do Deus Altíssimo, construídos segundo o padrão que ele dá, para que o povo possa ser batizado por seus mortos, como fizeram os coríntios e os cristãos de tempos antigos, deixando com aqueles nos mundos eternos se receberão ou não o que se fez por eles, do mesmo modo que Jesus, que morreu por todos os homens e todas as mulheres, deixa a todos os homens e todas as mulheres agirem por seu próprio arbítrio, e dizerem se receberão ou não aquilo que ele comprou para eles; se não o fizerem, sua condenação é justa. Assim em relação a nossos mortos — se oficiarmos por eles, cumprimos nosso dever; se não se arrependerem no mundo espiritual, e não obedecerem aos princípios que Deus ordenou para sua exaltação, sua condenação recairá sobre suas próprias cabeças, e não sobre as nossas. Mas, se não cumprirmos nosso dever em relação aos pais, testificarão contra nós no dia do juízo, dizendo — "Senhor, tu enviaste um anjo do céu; comunicaste o Evangelho eterno depois que morri; deste o Apostolado, enviando Pedro, Tiago e João, e teus servos saíram armados de autoridade e poder para pregar o Evangelho às nações da terra, e muitos o receberam. Não me deste, Senhor, o privilégio de ouvir e obedecer ao Evangelho, enquanto eu estava sobre a terra." Então o Senhor poderia responder — "Mas dei ao povo sobre a terra o privilégio de ser batizado por seus mortos, e te dei o privilégio de te aproveitares de suas administrações, o mesmo que tiveram os antediluvianos." Ora, vedes, então, se cumprimos os deveres que nos incumbem em favor deles, a condenação recai sobre eles; se negligenciamos isto, pode ser que alguma outra pessoa, não parente de sangue, seja designada pelo Senhor, e a condenação recairá sobre os parentes de sangue, e serão rejeitados, enquanto aqueles a quem negligenciaram serão salvos. "Eles sem nós não podem ser aperfeiçoados", diz o Novo Testamento, "nem nós sem eles." Não deveis pensar que Deus é tão parcial, que vai salvar os filhos, nos últimos dias, e rejeitar todos os seus antepassados. Ele não fará tal coisa. Se quisermos ser salvos, teremos de cuidar da salvação das gerações passadas e idas. ¶
"Mas", diz alguém, "não consigo rastrear meus antepassados; só consigo remontar a meu avô, ou bisavô; que devo fazer? Não eram meus antepassados, dez ou quinze gerações atrás, tão dignos de salvação quanto eram eles?" "Sim." "Então, como resolvereis isso?" Esse mesmo Deus, que ordenou o batismo pelos mortos, e ordenou aos crentes desta geração que fossem batizados por eles, no devido tempo, quando tivermos feito tudo o que pudermos na busca de nossas genealogias, nos revelará a cadeia, de modo que encontraremos nossos pais, não importa quantas gerações, até chegarmos ao tempo em que o Sacerdócio e a autoridade estavam sobre a terra; e então, se não cumpriram seus deveres, teremos de retroceder ainda mais, pois o Senhor determinou que, na dispensação da plenitude dos tempos, tudo o que pertence a dispensações anteriores deve ser aperfeiçoado, quer tenha sido numa dispensação anterior ao dilúvio, nos dias de Enoque, Abraão, Moisés, ou dos Profetas, não importa; se há algo que ficou por fazer, pertinente aos mortos, em qualquer dispensação anterior, tudo deve cumprir-se naquela grande e última dispensação de que fala Paulo, na qual todas as coisas no céu e na terra, que estão em Cristo Jesus, hão de ser reunidas em uma só. Tudo deve ser aperfeiçoado, e preparado para o grande dia de descanso de mil anos, durante o qual Jesus reinará sobre a terra com todos os Santos ressuscitados. Se quisermos que nossos pais e nossa antiga ascendência reinem conosco, temos de fazer por eles aquilo que o Senhor exigiu, e eles e nós seremos abençoados; mas, se o negligenciarmos, toda a terra será ferida com uma maldição, antes do grande dia de sua vinda. ¶
Enviou o Senhor, segundo sua promessa, o Profeta Elias? Sim; tendes o registro disso, sabeis onde e a quem ele apareceu, e as chaves que foram dadas em relação a estes assuntos. Estão registradas, e o Senhor cumpriu sua promessa, e agora se exige de nós que cumpramos os deveres que nos incumbem. Sinto-me muito grato porque o Senhor está movendo nossos amigos nos Estados da Nova Inglaterra, e em várias partes do Leste, a levantarem suas genealogias. Não sabem por que o fazem, nem por que estão tão ansiosos por descobrir as antigas gerações que colonizaram este continente. Nós o compreendemos; sabemos que Deus está trabalhando com eles; sabemos que muitos daqueles antigos colonos, que já desceram a suas sepulturas, eram tão puros e íntegros quanto podem ser os homens. Deus vai lembrar-se deles, e, por isso, há agora cerca de quatrocentos registros de diferentes famílias que foram levantados no Leste, e continuam a estender suas pesquisas, e a buscar todos os antigos pais peregrinos, e sua ascendência nos países antigos. A genealogia de meus antepassados foi por eles buscada por umas onze gerações. Fui eu batizado por algum deles? Sim. Foi a família de meu irmão Parley batizada por algum deles? Sim; fomos batizados por cerca de três mil de nossos antepassados, e fomos confirmados por eles, e fizemos por eles aquilo que não puderam fazer por si mesmos. ¶
Bem, esta é uma peculiaridade em que diferimos do resto do mundo. Não sei se não estou entrando em peculiaridades demais. Creio que não tenho tempo de prosseguir mais neste assunto, na presente ocasião. Gostaria de falar um pouco sobre nossas relações matrimoniais, mas teremos de adiar isso para outra ocasião. Amém. ¶