A Honestidade de Propósito Deve Motivar Todos os Verdadeiros Crentes — Pontos de Vista da Humanidade em Relação a Deus — Os Modos Existentes de Adoração Divina — O Cristianismo Antigo Comparado com o Assim Chamado Cristianismo Moderno — Os Princípios do Evangelho
John Taylor
Ao levantar-me para fazer algumas observações nesta tarde, não pretendo tomar nenhum texto, nem me limitar a nenhum assunto em particular. Minha impressão a este respeito é que tanto o orador quanto o ouvinte deveriam estar sob a orientação e direção do Todo-Poderoso, pois, a menos que um homem fale pelo ditado do Espírito do Senhor, seu discurso será de muito pouco proveito para os que o ouvem; e, a menos que os que ouvem também ouçam pelo Espírito, e estejam preparados para receber instruções corretas, não importa quão eloquente seja o discurso, ou quão vigorosas e poderosas sejam as verdades enunciadas, isso equivale a muito pouco. Não é o ouvinte da palavra, disseram-nos, que é beneficiado, mas aquele que a pratica. E Jesus diz que muitos dirão, naquele dia: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" Contudo, ele lhes dirá: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade"; ou, suponho, em outras palavras, "Nunca vos aprovei." ¶
Há um grande princípio pelo qual, penso, todos nós deveríamos ser movidos em nossa adoração, acima de tudo mais com que estamos associados na vida, e este é a honestidade de propósito. As Escrituras dizem — "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"; "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" — filhos de Deus irrepreensíveis, no meio de uma geração corrompida e perversa. Diz-se-nos também que Deus requer verdade no íntimo. É próprio que os homens sejam honestos consigo mesmos, que sejam honestos uns com os outros em todas as suas palavras, tratos, relacionamentos, comunicações, arranjos comerciais e tudo o mais; deveriam ser governados pela veracidade, honestidade e integridade, e é muito tolo, na verdade, o homem que não fosse fiel a si mesmo, fiel a suas convicções e sentimentos em matéria de religião. Podemos enganar uns aos outros, e, em certas circunstâncias, como moeda falsa passa por aquilo que é considerado verdadeiro e valioso entre os homens. Mas Deus sonda os corações e prova os rins dos filhos dos homens. Ele conhece nossos pensamentos, e compreende nossos desejos e sentimentos; conhece nossos atos e os motivos que nos levam a realizá-los. Está familiarizado com todos os feitos e operações da família humana, e todos os pensamentos e atos secretos dos filhos dos homens estão abertos e nus diante dele, e por eles os trará a juízo. Estas ideias são cridas pelos homens geralmente, os quais, com pouquíssimas exceções, seja qual for sua conduta geral ou suas ideias em matéria religiosa, creem num Olho Que Tudo Vê, que penetra e é capaz de pesar as ações e motivos dos filhos dos homens. Esta é uma ideia que não será contestada por raça alguma de homens hoje existente sobre a terra, nem talvez por qualquer uma que já tenha existido, pois, quaisquer que tenham sido as teorias ou noções dos homens em tempos passados, geralmente tiveram reverência por, e crença em, um Ser Onisciente, Supremo, Onipotente, que, supunham, era maior do que todos eles, e que governava e controlava todas as suas ações. Um sentimento desta espécie manifesta-se frequentemente nas Escrituras, e não é nada novo, em nossa era, crer num Deus deste caráter. ¶
Quando Paulo pregava em Éfeso, disse, entre outras coisas, que viu um altar a um deus desconhecido. Entre a variedade de deuses que adoravam, havia um altar a um deus desconhecido. "Aquele", disse ele, "que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio: o Deus que fez o mundo e todas as coisas que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra." Se examinarmos as páginas, quer da história sagrada, quer da profana, encontramos as mesmas ideias prevalecendo, em maior ou menor grau, em tempos passados. Até Nabucodonosor, o governante do grande império da Babilônia, tinha conhecimento, ou uma ideia, de certo Ser que governava e regia o universo, que era superior a, e governava todas as demais influências e poderes; e era mais inteligente do que todos eles; e, quando os magos e os adivinhos, os astrólogos e os sábios foram chamados a dizer-lhe o sonho e sua interpretação, não foram capazes de fazê-lo, e disseram-lhe que isso estava além de sua ciência, e que não havia nada em seus sistemas que revelasse coisa alguma pertinente a assuntos como os referidos; mas disseram que, se ele lhes dissesse o sonho, tinham regras pelas quais poderiam interpretá-lo. Ele insistiu na interpretação. Disseram eles: "Isso é irrazoável, ó Rei — não há ser algum, além daquele Deus cuja morada não é com a carne, que possa revelar essas coisas que dizes." Tinham seus deuses, que adoravam, suas divindades em que confiavam; mas declararam que não havia Deus algum, senão aquele Ser cuja morada não era com a carne, que pudesse desvendar aqueles mistérios que ele desejava que lhe revelassem. Por isso, naqueles dias, encontramos o mesmo princípio existindo, e podeis rastreá-lo em vários exemplos na escritura sagrada; os homens tinham suas teorias e ideias a respeito de Deus, de modo geral; mas pouquíssimos deles entendiam algo a respeito do verdadeiro Deus, cuja morada não era com a carne. ¶
Nossa Bíblia pretende ser o relato que nos é dado a respeito dele por homens que foram por ele inspirados, pois nos foi dito que "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." Relata-se, dentro das capas deste volume sagrado, que muitos dos antigos tiveram sonhos, visões, ministrações de anjos e revelações; e os relatos daquelas visões, ministrações de anjos e manifestações do poder de Deus, junto com um pouco de história, é do que este volume sagrado é composto. Por isso Jesus disse ao povo em seus dias — "Examinais as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam"; são elas que revelam muitas coisas a respeito de minha missão, as circunstâncias que me cercam, e os eventos que hão de acontecer em conexão com meu ministério. Homens santos de Deus, em tempos antigos, tinham profetizado a respeito dele. Isaías, por exemplo, tinha dito — "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel, que traduzido é: Deus conosco." Diz-se dele que veio para tirar o pecado pelo sacrifício de si mesmo, e muitas coisas foram ditas e escritas a seu respeito nas santas Escrituras, antes de ele vir, enquanto viveu sobre a terra, e depois que a deixou, e ascendeu a seu Pai no céu. ¶
Há muito pouca diferença entre a humanidade em relação a muitos destes fatos; os homens, de modo geral, veem estas coisas da mesma maneira — refiro-me ao mundo cristão — especialmente a nação em que vivemos, as nações britânica e francesa, o império da Áustria, a Rússia, a Prússia, os habitantes da Escandinávia e a maioria das nações europeias; e algumas das nações asiáticas também têm fé no que chamamos a palavra de Deus, e reverenciam suas verdades, de acordo com as ideias que sustentam e os credos que professam. Há pouca ou nenhuma diferença entre os homens destas várias nações quanto à existência de um Ser Supremo, que governa e controla os destinos das nações, bem como dos indivíduos; e não havia diferença, em tempos antigos, entre os magos, e Daniel e aqueles associados a ele em sua fé, em relação ao verdadeiro Deus. Todos creram nele, não importa que divindades de natureza inferior pudessem ter. Mas havia pouquíssimos que soubessem como adorar o verdadeiro Deus; por isso fizeram para si toda sorte de deuses, alguns de madeira, pedra, marfim, ouro, prata, bronze, ferro, etc. Tinham divindades de todo tipo imaginável, e, por meio destas várias formas e mediuns, desejavam, ou pensavam, propiciar a Divindade, e garantir para si alguma espécie de felicidade na vida futura. ¶
Nós, nesta geração, somos bastante parecidos com eles. Pensamos que somos muito superiores em inteligência e em religião. Os homens, por toda parte, são egoístas; sempre pensam que são os mais espertos e mais inteligentes que já viveram; e há de se confessar que, em muitos aspectos, a geração em que vivemos está muito à frente de muitas outras, e no que diz respeito às artes e ciências, e a certos ramos de literatura e mecânica, mas quão vagas e incertas são as ideias sustentadas pelos homens em geral, a respeito da Divindade! Somos intelectuais nisso? Penso que não. Temos nossos corpos de divindade, nossas escolas de teologia, nossos seminários religiosos, e lugares onde ministros são fabricados e preparados para realizar certa obra que chamam de pregar o Evangelho, e estes ministros, assim como o povo, têm ideias diferentes a respeito da Divindade e dos modos apropriados de adorá-la. A incongruência deste estado de coisas atinge alguma vez a mente dos homens reflexivos, homens de ciência, acostumados a pesar a força de um argumento e a resolver problemas complexos? Quando eu era menino, costumava perguntar-me: se há um Deus que criou o homem, e que governa e dita os assuntos do céu e da terra, por que apontou tantos modos diferentes de adoração. Ainda penso assim. Sei, e vós também, segundo os princípios da ciência, que as leis que governam as operações da Natureza universal são fiéis a si mesmas novecentas e noventa e nove vezes, e depois, na milésima vez; são sempre verdadeiras em todas as várias fases das obras da Natureza. Isto é assim sob os mais severos testes que a crítica científica pode aplicar; com todo princípio conhecido na natureza, seja quanto à luz, ao calor, aos gases, ou a qualquer e a todos os elementos de que a terra é composta, ou pelos quais estamos cercados. Em suas operações, são governados e controlados por leis eternas e imutáveis, e não se pode violar nenhuma dessas leis, em nenhum particular, sem produzir o resultado inevitável de tal violação. Nos movimentos dos céus estrelados, no sol, na lua, na terra, no dia e na noite, no verão e no inverno, e nas várias estações que passam, a sabedoria, a inteligência, a presciência e o poder de um Deus se manifestam; e o mesmo é verdadeiro quanto à organização e às operações de todas as miríades de organismos que existem sobre a terra — simetria, beleza, ordem e lei permeiam e controlam todas as suas operações, todas manifestando a sabedoria, a inteligência e o poder de Deus. Não se encontra um homem diferindo de outro, senão em certos aspectos, um pouco em estatura ou força. Um é um pouco mais forte que outro; um tem um rosto mais belo, talvez; pode ser mais primorosamente formado do que outro; mas todos trazem a mesma marca; todos são governados pelas mesmas leis, todos possuem as mesmas propriedades, poderes e faculdades, até certo ponto, no que diz respeito ao corpo, de acordo com a força ou fraqueza do indivíduo. Não se encontram homens com quatro braços, seis olhos, dez cabeças, ou quinze pés ou pernas; são semelhantes, e há uma uniformidade em relação a seu organismo geral. Assim, quando passamos a examinar as propriedades da água, do calórico ou do fogo, da terra, do ar, dos diferentes gases, do fluido elétrico, ou de qualquer substância ou matéria que quiserdes, descobrireis que são governados por certas leis específicas, e que essas leis são universais em sua aplicação; e, além disso, que todos os elementos pelos quais estamos cercados são controlados por certas leis eternas e imutáveis, das quais não se pode afastar. ¶
Ora, que pode Deus pensar de um povo, colocado aqui sobre a terra, o mais inteligente de suas criações, dotado de faculdades racionais, que, em muitos casos, investigou e compreende as leis da Natureza; digo, que pode ele pensar de homens que estabelecem toda forma, noção e teoria, toda espécie de absurdo que se possa imaginar, e chamam isso de adoração a Deus? Suponhamos que nos colocássemos, por um momento, em seu lugar; pensaríamos que há algo um tanto estranho em relação a estes assuntos. Poderia razoavelmente dizer: estes homens exibem sabedoria e inteligência em muitos aspectos. No que diz respeito a descobrir as operações da Natureza, e examinar e testar as leis dela, todos concordam, mas em matérias religiosas exibem imbecilidade e fraqueza, em que não há união. Um filósofo na América, na França, na Alemanha, na Inglaterra, na Espanha, na Itália, na Rússia, na Prússia, ou em qualquer outra nação, chegará precisamente às mesmas conclusões que todos os demais homens ou cientistas de todas as outras nações; isto é, quando examinam as leis da natureza e operam nas ciências reais. Não importa onde estejam, ou em que língua transmitam suas ideias — pois as palavras são apenas os sinais das ideias — sempre que existam ideias corretas, e estas ideias sejam devidamente explicadas, sempre que submetidas à análise científica e aos testes adequados, todos chegam às mesmas conclusões, não importa em que nação estejais, ou onde vivais. ¶
Este raciocínio é correto, e, no que diz respeito à natureza e suas leis, ao mundo e aos elementos pelos quais estamos cercados, e às leis que operam no mundo com o qual estamos familiarizados, todos os homens chegam às mesmas conclusões, e não há diferença, a menos que passemos a teorizar, e então sempre há dificuldade. Ora, a respeito de todas estas coisas, todos pensamos da mesma forma, porque nossos pensamentos se baseiam em princípios corretos. Mas, quando chegamos às matérias religiosas, descobrimos que, embora os homens sejam naturalmente inteligentes, agem como tolos; não usam seu bom senso, razão ou inteligência. "Bem", dizem eles, "sabeis que somos governados pela Bíblia." Ora, isso é exatamente o que não sabemos, e, portanto, duvido disso. "Mas nossos doutores nos dizem que sim." Ah, dizem? Ora, suponde que alguém vos contasse o resultado de alguma análise científica; provavelmente diríeis: "Creio em vós em parte, mas gostaria de testá-lo por mim mesmo; quando o fizer, saberei." Contudo, por estranho que seja, estais dispostos a aceitar a mera afirmação de qualquer um em relação a matérias religiosas, em relação a coisas da mais vital importância, coisas pertencentes à parte imortal do homem; agimos como os mais completos bebês, ou tolos consumados, ao passo que, em relação aos assuntos desta vida, agimos com inteligência. ¶
Há alguma forma de se chegar a um conhecimento das coisas que dizem respeito ao bem-estar eterno do homem? Ora, sim, estamos inclinados a pensar que há. Deus, disseram-nos, "não faz acepção de pessoas; mas, em toda nação, aquele que o teme e faz o que é justo é aceito por ele." Isso é verdade? Sim. Deus "de um só sangue fez toda a geração dos homens", disseram-nos. Parece ter havido uma ideia deste tipo prevalecendo em dias antigos, segundo os dizeres de alguns dos homens inspirados mencionados nas Escrituras. Temos o hábito de seguir adiante como rebanhos de ovelhas — seguindo nosso líder, não importa aonde vá. Já vi ovelhas, algumas vezes, e talvez também as tenhais visto, correndo por um caminho, e uma pensou que havia um obstáculo — talvez não houvesse nada — e daria um salto, e, quando as outras chegassem ao mesmo lugar, todas dariam o mesmo salto; se uma salta, todas saltam. Assim parece ser entre os homens. ¶
Se examinássemos o Cristianismo, há algo peculiar nele. Chamamo-nos cristãos, isto é, nós metodistas, batistas, presbiterianos, congregacionalistas, episcopalianos e "mórmons", todos nos chamamos cristãos. Ora, talvez o sejamos, e, então, talvez não sejamos; é uma questão que mereceria investigação, penso eu; e, além disso, penso também, que é muito próprio, como disse ao começar, que sejamos honestos conosco mesmos em todas as coisas, e especialmente em religião e no serviço e adoração de Deus. "Bem, mas meu pai era metodista, e eu sou"; "meu pai era presbiteriano, e eu sou"; "meu pai era 'saltador', e eu sou"; "meu pai era maometano, e eu sou"; "meu pai era adorador de Buda, e eu sou"; e, entre nós cristãos, somos episcopalianos, wesleyanos, presbiterianos, e membros das várias fases profissionais descendentes daquele notável homem, Martinho Lutero, ou católicos, ou gregos. Examinemos estas coisas por um pouco, ou, ao menos, procuremos ir ao fundamento. Crendo na Bíblia, não iremos de imediato a estes sistemas externos, mas examinaremos o nosso próprio por um pouco, e veremos como ele se sustenta, e como nós nos sustentamos em relação a ele. ¶
Jesus, disseram-nos, "trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho." Havia algo peculiar nisso — deu aos homens que viviam à altura de seus princípios, e os honravam em sua vida e ações, um conhecimento da vida e da imortalidade. Não dependiam dos dizeres ou feitos de Adão, Noé, Abraão, Ló, Moisés, Isaías, Jeremias, Malaquias, ou qualquer dos Profetas; mas o Evangelho trouxe um conhecimento da vida e da imortalidade a todos os que lhe obedeciam e viviam segundo seus preceitos. Informava a todos estes que eram seres imortais; que existiriam depois de terem terminado com o tempo; se morressem, viveriam de novo; se fossem sepultados, romperiam as barreiras do túmulo, e sairiam para a imortalidade. ¶
Vendo, então, que o homem é ser mortal e imortal ao mesmo tempo, tendo a ver com a eternidade tanto quanto com o tempo, é próprio que se familiarize com aqueles princípios tão intimamente ligados à sua felicidade e bem-estar, no tempo e na eternidade. Deixaremos John Wesley, Lutero, Calvino, Melanchthon, Henrique VIII, e qualquer outro organizador de religião de lado, e recorreremos às Escrituras da verdade, para ver o que dizem a respeito disso. Cristo, disseram-nos, trouxe à luz a vida e a imortalidade, e o fez por meio do Evangelho. E que rumo tomou ele ao fazer isto? As Escrituras nos informam que, quando Jesus começou a pregar o Evangelho, chamou homens das várias ocupações da vida, entre outros da ocupação da pesca; chamou doze homens, que ordenou como Apóstolos. Inspirou estes homens com o dom da revelação e com o conhecimento de Deus; colocou-os em comunicação com Deus, de modo que tinham revelação dele, e eram capacitados a ensinar as leis da vida; soprou sobre eles e disse — "Recebei o Espírito Santo"; e eles o receberam, e aquele Espírito Santo tomou das coisas de Deus e lhas mostrou; afastou as cortinas do futuro, pelo que foram capacitados a penetrar no mundo invisível, e a compreender as coisas de Deus. Esta era a posição que ocupavam, e o tipo de Evangelho que tinham. ¶
Ora, como operaram com ele? Jesus disse-lhes que saíssem e o pregassem; e chamou setenta homens, e a estes também inspirou; e disse-lhes que saíssem, curassem os enfermos, expulsassem demônios, e pregassem o Evangelho; deveriam, além disso, ir sem bolsa nem alforje, dizendo-lhes ele — "De graça recebestes, de graça dai." Saíram deste modo, sem bolsa nem alforje, a pregar o Evangelho. Ao fim de algum tempo, vários deles retornaram, e ele lhes perguntou como tinham se saído. Disseram-lhe que tinham estado pregando, e curando os enfermos, e até os demônios lhes estavam sujeitos em seu nome. Disse ele — "Não vos alegreis por isso, que se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus" — que sois do Senhor, que Deus é vosso amigo; alegrai-vos por terdes sido trazidos à comunicação com Deus, e por terdes recebido o Evangelho eterno, que traz à luz a vida e a imortalidade. Esta era a sua posição, e ouviram os ensinamentos de Jesus, e todos nós — isto é, todos estes vários grupos de que falei — cremos que Jesus era o Filho de Deus; todos cremos que ele era o Ungido, eleito e enviado de Deus. E, falando de si mesmo, ele disse — "Eu e o Pai somos um", e "aquele que me viu a mim, viu o Pai." Ensinou-lhes muitas coisas pertinentes à sua felicidade presente e exaltação futura, e falou de um tempo que haveria de vir, em que os Santos herdariam a terra. Quando estava prestes a ser crucificado, a ser oferecido em sacrifício para fazer a vontade de seu Pai Celestial, e abrir o caminho da vida e da salvação, para que o homem pudesse alcançar a exaltação no reino de Deus, disse a seus discípulos que convinha que o Cristo padecesse, e ressuscitasse dos mortos ao terceiro dia, e que o arrependimento e a remissão dos pecados fossem pregados em seu nome entre todas as nações. ¶
Ora, examinemos a posição daqueles discípulos. Creio bastante nos primeiros princípios. Quero examinar as coisas com franqueza e honestidade, e ver que espécie de posição ocupavam naqueles dias. Quando Jesus estava prestes a deixar seus discípulos, disse-lhes que era necessário que se fosse; pois, disse ele, "se eu não for, o Consolador não virá para vós." Havia algo notável nesta expressão. "Se eu não for, o Consolador não virá para vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei." Que era este Consolador? É importante que compreendamos isto. Aquele Consolador era o Espírito da Verdade. Que faria por eles? Faria com que "se lembrassem de tudo quanto lhes tinha dito, os guiaria a toda a verdade, e lhes mostraria as coisas que hão de vir"; em outras palavras, traria à luz a vida e a imortalidade; abriria os céus a seus possuidores, capacitando-os a compreender os desígnios de Deus, e conduzindo-os a toda a verdade, não a uma pequena verdade ou duas pequenas verdades, mas a toda a verdade. Que privilégio, que bênção, que rico legado a conceder a seus seguidores! Basta pensar em homens que estivessem na posse de um princípio que os capacitasse, em todas as circunstâncias, a discernir entre a verdade e o erro, a virtude e o vício; entre aqueles princípios que enobreceriam e elevariam, e aqueles que derrubariam e destruiriam, e que os fizesse conhecer a Deus e os princípios da vida eterna. ¶
Paro aqui, e pergunto: levará este princípio, ou espírito, um homem a ser metodista, outro a ser presbiteriano, outro a ser episcopaliano, outro a ser "mórmon", outro quaker, outro alguma outra coisa, passando por todas as várias fases, noções, teorias e ideias que prevalecem no mundo cristão? Será este o espírito que Jesus prometeu conceder a seu povo, ou é confusão e trevas? Cientificamente, não é verdade; filosoficamente, não é verdade; religiosamente, não é verdade. O espírito que Jesus prometeu conceder a seus discípulos deveria conduzi-los a toda a verdade, e capacitá-los a compreender todos os princípios corretos; e diz-se — "Porque todos quantos são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus", e diz outro: "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, porém recebestes o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai!" Tinham recebido um princípio dessa espécie, e não havia nada de incerto, conflitante ou passageiro nisso; nada que tendesse ao erro, à confusão ou à dúvida, mas tudo tendendo à certeza, à vida, à luz e à inteligência; à bênção e felicidade da família humana, e a um conhecimento de todas as coisas necessárias a seu bem-estar no tempo e em toda a eternidade. Disse ele — "Se eu for, enviar-vos-ei o Consolador, que é o Espírito da verdade, e ele vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito, vos guiará a toda a verdade, e vos anunciará as coisas que hão de vir"; em outras palavras — "Tu, homem, que és feito à imagem de Deus, serás trazido à tua devida relação com ele. Aquele espírito de inteligência que habita em ti será associado a Deus — o Deus que habita na eternidade; a comunicação será aberta entre ti e ele, serás posto em harmonia com ele, e perceberás e compreenderás todas as coisas pertinentes a teu bem-estar. Fará com que te lembres do passado, guiar-te-á a toda a verdade, e te mostrará as coisas que hão de vir. Se há algo por detrás do véu que seja misterioso; se há algo que os Profetas viram, quando as visões da eternidade se lhes desdobraram; se há princípios de vida e salvação; se há algo que tenda a exaltar o homem no tempo e na eternidade, algo pertinente a recompensas eternas e exaltação eterna, estás agora na posse de um princípio que desvendará e desenvolverá estes princípios em tua mente." ¶
Este era o tipo de Evangelho que tinham então. E viram, desfrutaram e possuíram estas coisas? Sim, pois diz Paulo — "Não sei se em espírito ou fora do espírito; mas fui arrebatado ao terceiro céu, e vi coisas que não era lícito revelar." Lemos que João, enquanto estava na Ilha de Patmos, banido por sua fé em Deus e o testemunho de Jesus Cristo, estava em espírito no dia do Senhor, e as visões da eternidade se lhe desdobraram; contemplou todas as coisas como então existiam, e como haveriam de existir em eras posteriores, até a cena final. Viu e compreendeu a posição das várias igrejas, e disse-lhes que, a menos que se arrependessem, e fizessem de novo suas primeiras obras, e obedecessem aos preceitos do Todo-Poderoso, seu candeeiro seria removido de seu lugar. Viu aquele Grande Mistério, Babilônia, que "com o vinho de sua fornicação embriagou toda a terra." Viu-a cair como uma pedra de moinho lançada ao mar, para nunca mais se erguer. Viu um grande trono branco, e aquele que sobre ele estava assentado, e de cuja face fugiram os céus e a terra; viu os mortos, pequenos e grandes, levantarem-se e comparecerem diante dele, trazidos a juízo; viu uma nova Jerusalém descendo, como uma noiva ataviada para seu marido; viu eventos que haveriam de suceder através de cada período subsequente do tempo, até a cena final, e compreendeu todo o assunto. Por que isto? Ele tinha o Evangelho que trouxe à luz a vida e a imortalidade. Havia recebido aquele Consolador de que Jesus falou, que os faria lembrar do passado, os guiaria a toda a verdade e lhes mostraria as coisas que hão de vir. ¶
Ora, havia algo interessante nisso. Não era uma espécie de cantiga de ninar como a que ouvimos hoje em dia — "Durma, neném, no galho da árvore, quando o vento soprar o berço vai balançar." Não era nada dessa espécie. Havia algo intelectual naquilo, algo tangível, e satisfatório à mente humana, e calculado para atender aos amplos anseios dela, e para fazer o homem sentir que era herdeiro da vida eterna. Implantava nele uma esperança florescente de imortalidade e vida eterna. Produzia certeza em sua mente, e o fazia sentir que tudo o mais era como esterco e escória, em comparação com a vida, a luz, o poder e a inteligência que o Evangelho concedia. ¶
Que espécie de ordenanças tinham? Eram muito simples e diretas. Lemos que, quando os discípulos estavam reunidos, em certa ocasião, num quarto superior, o Espírito de Deus desceu sobre eles como um vento veemente e impetuoso, e repousou sobre eles como línguas repartidas de fogo; e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito de Deus lhes concedia expressão. Havia ali pessoas das nações vizinhas, que ouviram os Apóstolos falar, em sua própria língua, as maravilhosas obras de Deus. Não sabiam o que significava? Disseram: "Estes homens estão embriagados." Pedro respondeu: "Ah, não, é um pequeno engano que fizestes; não estão embriagados; são apenas nove horas, a terceira hora do dia — as pessoas não se embriagam tão cedo." "Bem, o que é, então?" Disse Pedro: "Isto é o que foi dito pelo profeta Joel — 'E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens verão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão'"; isto é, os colocará em comunhão com Deus, e os capacitará a ter sonhos e visões, a profetizar e ver as coisas que hão de vir; em outras palavras, os fará Profetas. Esta era a espécie de religião que tinham naquele dia. ¶
Às vezes reflito e me pergunto se os mesmos efeitos se seguiriam, se tivéssemos hoje aquela religião, ou se a verdade se transformou em ficção, ou se a mentira se transformou em verdade. Como é isto, se aquele era o Evangelho então, e Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e, como dizem na Igreja da Inglaterra — "Como era no princípio, é agora e será sempre, pelos séculos dos séculos, amém"? Se isso é verdade, então deveríamos esperar hoje as mesmas coisas que tinham então, isto é, se professamos o mesmo Evangelho. É assim que raciocino; não consigo entender de outra forma; não consigo chegar a outra conclusão. É razoável, racional e filosófico; concorda com todo princípio da ciência, com todo princípio de inteligência que Deus comunicou ao homem. ¶
Ora, tendo notado um pouco os resultados do Evangelho nos dias antigos, indaguemos a respeito dos princípios ensinados naqueles dias. Temos um relato bem notável dos acontecimentos no Dia de Pentecostes. Os Apóstolos tinham estado esperando em Jerusalém pelo dom do Espírito Santo. Fora-lhes prometido por Jesus, e o esperavam. Nem a Igreja nem os Apóstolos tinham tido tempo, desde a ascensão de Jesus, de se corromperem, nem de introduzir princípios falsos. Eram os recipientes do favor de Deus, e seu Espírito finalmente repousou sobre eles, como em línguas repartidas de fogo, e, quando o povo das várias nações reunido em Jerusalém os ouviu declarar as maravilhosas obras de Deus, muitos deles se compungiram em seu coração, e clamaram — "Homens e irmãos, que faremos? Cremos na declaração que fizestes; cremos que o Messias, prometido por nossos antigos Profetas, foi tomado por mãos perversas, e crucificado, e morto; cremos no que dizeis a respeito de sua ressurreição, e que, embora tenha sido posto no túmulo, rompeu suas barreiras, e ascendeu à destra de seu Pai; cremos em todas estas coisas; agora, que faremos?" Disse Pedro — "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado, para a remissão de vossos pecados, e recebereis o Espírito Santo." Quem eram aqueles a quem disse que se arrependessem e fossem batizados? Os judeus e os gentios, os fariseus, doutores, advogados, rabinos, e todos os homens de todo credo, profissão e nação. "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado, em nome de Jesus Cristo, para a remissão de vossos pecados." "O quê, nós, doutores?" "Sim." "Nós, advogados?" "Sim." "Nós, teólogos?" "Sim, todos vós." "Que receberemos, se o fizermos?" "O Espírito Santo." "Que é isso?" "Exatamente o que vistes aqui." "Todos nós o teremos, se fizermos isto?" "Sim." E saíram, e foram batizados, e três mil foram acrescentados à Igreja naquele mesmo dia. O Apóstolo não lhes disse que viessem a nenhuma reunião de classe, banco de arrependimento, ou coisa alguma desse tipo. Não havia nada desse gênero no programa. Não estavam então tão bem educados em sectarismo quanto estamos hoje, nem tinham inventado tantos sistemas de religião ou corpos de divindade como agora. Naqueles dias, tinham de aceitar as coisas como Deus as dava, isto é, arrepender-se e ser batizados em nome de Jesus para a remissão dos pecados, e receberiam o Espírito Santo. ¶
Fará a obediência a este Evangelho a mesma coisa por nós? Sim. Por quê? Disse Pedro: "A promessa é para vós, e para vossos filhos, e para todos os que estão longe, quantos o Senhor nosso Deus chamar." Isto não se limitava a um, dois, três, doze, ou setenta indivíduos, mas, disse Pedro, "estende-se a vós" — a vasta multidão então diante dele — "a vossos filhos, e a todos os que estão longe, quantos o Senhor nosso Deus chamar." Se puderdes mostrar-me um povo a quem o Senhor nosso Deus não chama, mostrar-vos-ei um povo a quem esta promessa não se aplica. ¶
Eis aqui coisas que são muito simples e diretas. Por que não podemos investigá-las? A mesma causa produzirá o mesmo efeito hoje, como então. É em vão negarmos estas coisas; não temos direito de fazê-lo até termos cumprido as exigências feitas e aplicado os testes. Se estivéssemos usando algum teste químico, para análise científica, seguiríamos estritamente as regras estabelecidas; por que não deveríamos fazer o mesmo em relação ao Evangelho da vida e da salvação? Aqui está a lei estabelecida, clara e direta, na palavra de Deus, pois é na Bíblia do cristão que estas coisas se encontram. É neste mesmo Jesus, em quem todos creem, que fala destas coisas, e seus doze Apóstolos o confirmam, e prestam testemunho das mesmas coisas. Aqui está uma lei religiosa claramente indicada, que não temos mais direito de ignorar do que qualquer fórmula científica em relação às coisas terrenas. ¶
Mas prossigamos. Encontramos seus discípulos batizando; e, depois que Jesus ressuscitou dos mortos, apareceu-lhes, e disse-lhes que fossem e pregassem, não as teorias e opiniões dos homens, mas o Evangelho que trouxe à luz a vida e a imortalidade. Disse ele — "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado; e estes sinais seguirão os que crerem", etc. Saíram, e proclamaram sua palavra, em seu nome e por sua autoridade, e o que quer que fizessem, fizeram-no em seu nome e por sua autoridade. Jesus disse-lhes: "Tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus." Alguns poderão dizer: "Isso é catolicismo." Bem, então, até aqui, sou católico, pois creio em tudo o que as Escrituras contêm a respeito destas matérias. "Não pensas que isto é uma grande heresia?" Penso que seria maior heresia não crer nisso. Não creio que todos tenham esta autoridade e poder; mas somente aqueles a quem Deus chama e separa da maneira aqui indicada. Tinham poder "para ligar na terra e ligar no céu — para desligar na terra e desligar no céu." Isso é catolicismo, é? Bem, vejamos um pouco mais como funciona. "Pedro, como perdoavas os pecados? Tinhas poder para perdoar os pecados?" "Sim." "Como o exercias?" "Chamei o povo ao arrependimento, e a ser batizado em nome de Jesus para a remissão dos pecados, e prometi-lhes que receberiam o Espírito Santo. Foi assim que perdoei os pecados. E então impus as mãos para o recebimento do Espírito Santo; e, quando os homens recebiam este Espírito Santo, ele tomava das coisas de Deus e lhas mostrava." ¶
Estes são alguns dos princípios principais do Evangelho de Cristo. Poderia falar horas a fio sobre o assunto. Estas são as coisas que Deus nos revelou. As pessoas dizem que somos fanáticos. Talvez sejamos, mas, se somos, Pedro, Tiago, João e Paulo eram fanáticos, pois criam exatamente nos princípios que tenho vos apresentado hoje; e, quando Deus restaurou este Evangelho, simplesmente restaurou o que se chama "o evangelho eterno." Disse João: "E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra." Que quereis dizer com o evangelho eterno? Ora, o Evangelho que Adão teve, o Evangelho que Noé, Abraão e os Profetas tiveram; o Evangelho que Jesus trouxe — o evangelho eterno, o Evangelho que existiu de eternidade a eternidade, o sistema ou meio pelo qual Deus salva a família humana — o Evangelho que traz à luz a vida e a imortalidade. Ora, dizem alguns: "Pensei que ninguém tinha o Evangelho até Jesus vir." Pensastes muito tolamente, se pensastes isso, pois Jesus, falando de Abraão, disse — "Abraão viu meu dia, e se alegrou." Ele teve comunicação com Deus, e revelação dele. E como a teve? Por meio do Evangelho. Como sabeis disso? Paulo nos diz isso; vosso Paulo, sabeis, em quem credes, ele nos diz isso. O quê, que Abraão teve o Evangelho? Sim, ele diz: "Deus, prevendo que havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão." Ele o teve? Sim, foi por meio daquele meio que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz. E Moisés, no deserto, teve o Evangelho, e o pregou ao povo. "O quê, Moisés?" Sim. "Bem, pensei que não havia Evangelho até Jesus vir." Pensastes, digo de novo, muito tolamente. "Nós", diz o apóstolo, "temos o evangelho pregado a nós, assim como eles; mas a palavra pregada não lhes aproveitou, não estando misturada com fé naqueles que a ouviram; por isso a lei foi acrescentada, por causa das transgressões." Acrescentada a quê? Ora, ao Evangelho que já tinham antes. Que era a lei? A lei dos mandamentos e ordenanças carnais, que o Apóstolo diz — "nem nossos pais nem nós fomos capazes de suportar." Quanto tempo durou a lei? Até Cristo vir. Quem foi Cristo? Um sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Quem foi Melquisedeque? Alguém maior que Abraão, pois tinha o Evangelho, e abençoou Abraão. Todos aqueles antigos varões tiveram conhecimento do Evangelho, e da vida e da imortalidade por meio do Evangelho. ¶
Isto é a mesma coisa que nos é comunicada. É nosso privilégio; é o privilégio de todos os homens que prestam obediência ao Evangelho. É vosso privilégio, ó Santos dos Últimos Dias, viver no gozo desta luz e imortalidade. Segundo vossa fidelidade, tendes experimentado mais ou menos deste espírito de revelação, luz e verdade, e o poder de Deus, e, vivendo vossa religião, podeis ir de força em força, de inteligência em inteligência, de revelação em revelação, até que possais "ver como sois vistos, e conhecer como sois conhecidos." Tendo começado nos princípios da verdade, e obtido o Espírito de luz e inteligência que flui de Deus por meio da obediência ao Evangelho, cabe-nos "purificar-nos, assim como Deus é puro", e expurgar de nós toda corrupção, iniquidade, fraude, mentira e mal de toda espécie, todo adultério, fornicação, sedução e lascívia; e tudo o que corromperia e destruiria a família humana, e buscar tudo o que é elevado, nobre, exaltante e louvável entre os homens, e entre os Deuses, para que, quando terminarmos com este mundo, possamos obter uma herança eterna no reino celestial. ¶