Pulpit

Incredulidade — Os Santos Precisam de Instrução Constante — Contraste Entre o Evangelho de Cristo e as Religiões dos Homens — O Mal Cessaria entre os Santos se Vivessem sua Religião — Reunião dos Pobres — Dízimo — Conhecimento de Deus — O Progresso da Obra se Deve às Operações do Espírito

Brigham Young

1873-05-18

O ensino dos adultos é o mesmo que o ensino das crianças. Recebemos impressões quando ainda muito jovens, e crescemos para um conhecimento maior; é o mesmo ao recebermos o Evangelho. Quando falamos com pessoas que ainda não ouviram o Evangelho, temos de raciocinar com elas sobre a conveniência de receber a verdade. Também temos de raciocinar e persuadir os Santos dos Últimos Dias, e é principalmente a eles que desejo falar nesta tarde. Quando o Evangelho é pregado aos de coração honesto, eles o recebem pela fé, mas, quando o obedecem, exige-se trabalho. Praticar o Evangelho requer tempo, fé, as afeições do coração e muito trabalho. Aqui muitos param. Ouvem e creem, mas, antes de passarem à prática, começam a pensar que se enganaram, e a incredulidade entra em seus corações. Tem havido incredulidade desde o princípio do mundo. Não tendes lido os ditos de Moisés a respeito de nossa mãe Eva? Ela ouvira a voz do Senhor e a compreendera, dizendo a respeito do fruto de certa árvore: "no dia em que dela comeres, certamente morrerás." Quando seu marido estava em outra parte do jardim, certo personagem veio e começou a raciocinar com ela. "Esse é um fruto muito bom: entendo que o Senhor diz que não deveis dele comer." "Sim, pois no dia em que dele comermos, ele diz que morreremos." "Bem", disse ele, "isso não é verdade. Não deveis crer em tudo o que vos dizem, mas pensar por vós mesma. Ora, vou dizer-vos algo. Se comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e vereis como os Deuses." Ele lhe dá um pouco do fruto, apenas para experimentar — não importa se era uma maçã, uma uva, ou o que fosse — ela o prova, e não morre, e gosta tanto dele que, quando Adão chega, ela diz: "Marido, este fruto é delicioso; provei-o, e é desejável para fazer alguém sábio; toma um pouco." "Não", diz ele, "não o farei, o Senhor nos ordenou que não comêssemos dele." Mas, assim como acontece com outros maridos, ela insiste e persuade, e finalmente ele cede e come do fruto proibido. Ora, vedes como a incredulidade entrou no mundo no princípio? Temos de raciocinar com a humanidade para persuadi-la a receber a verdade de Deus. Uma declaração é suficiente para os que estão preparados para receber por si mesmos o espírito de revelação, mas, com a maior parte da família humana, temos de raciocinar e explicar. Uma pessoa verdadeiramente pura é muito rara; mas, quando o coração é verdadeiramente puro, o Senhor pode escrever nele, e a verdade é recebida sem argumento, nem dúvida, nem disputa. Se falamos com os Santos dos Últimos Dias, temos de raciocinar com eles, particularmente sobre assuntos temporais. Ora, eu poderia mostrar, por um argumento sólido e pela lógica, a necessidade de que o povo viva e trabalhe para o bem de todos. Qualquer um deveria ser capaz de ver que, quando um membro de uma família se afasta dos demais, e vive apenas para si mesmo, prejudica a si mesmo tanto quanto a toda a família. A necessidade e a beleza da união não podem ser melhor ilustradas do que pelo exemplo do chefe que reuniu seus filhos pouco antes de sua morte e, tomando um feixe de flechas, pediu a cada um deles que o quebrasse. Isto não conseguiram fazer. "Ora", disse ele, "desatai o feixe." Assim o fizeram, e puderam tomar as flechas uma a uma, individualmente, e quebrá-las com facilidade. Isto nos dará tão boa prova quanto pudermos desejar, de que, quando estamos unidos como um só, somos fortes e poderosos, mas, quando estamos divididos, somos fracos, e nossos inimigos podem obter poder sobre nós. Tomai nossos assuntos financeiros, e mostrarão o mesmo princípio. Mas somos propensos à incredulidade, e temos de aprender pelo princípio infantil — um pouco hoje e um pouco mais amanhã, e depois de algum tempo talvez nos tornemos verdadeiros Santos dos Últimos Dias. Professamos sê-lo agora. Mas ser Santo no pleno sentido da palavra é ser algo muito próximo da perfeição. Se, porém, estamos nos esforçando ao máximo da capacidade que Deus nos deu para provar que estamos dispostos a servi-lo e a cumprir nossos deveres, estamos justificados. Temos o reino de Deus para edificar, Sião para redimir; temos de nos santificar para que possamos estar preparados para ser arrebatados com a Igreja do Primogênito, e, se progredirmos a cada dia e hora, então, se morrermos, seremos achados justificados. Mas, se continuarmos a viver, devemos tornar-nos Santos de fato, ou ficaremos aquém da plenitude da glória de Deus que há de ser revelada. Para conduzir os Santos nesta direção, temos de raciocinar com eles, e mostrar a necessidade de observarem este preceito e aquela lei, esta doutrina e aquele princípio, para que sejam persuadidos a fazer a vontade de Deus.

Quando Joseph Smith aprendeu primeiramente de Deus o princípio do batismo para a remissão dos pecados, sem dúvida pensou que havia aprendido algo grande e maravilhoso; assim também, quando recebeu sua ordenação ao Sacerdócio Aarônico pelas mãos de João Batista. Mas não saiu voando tangencialmente, pensando que já tinha tudo, mas estava disposto e ansioso por ser ensinado ainda mais. Depois de receber esta autoridade, batizou seus amigos. Quando organizou a Igreja, recebeu o Sacerdócio superior, segundo a ordem de Melquisedeque, que lhe deu autoridade não somente para batizar para a remissão dos pecados, mas para confirmar, pela imposição das mãos, para o recebimento do Espírito Santo. O Sacerdócio Aarônico detém o poder de batizar, mas não de impor as mãos para conferir o Espírito Santo. Quando Joseph Smith recebeu este poder superior, não descartou o primeiro, mas recebeu acréscimos a ele. Aprendeu a respeito do Sacramento e o administrou, depois foi pregar por um ano ou dois, e recebeu o Sumo Sacerdócio, que conferiu a outros, e depois obteve outras comunicações e poderes, até que recebeu o padrão completo e a autoridade para edificar o reino de Deus, em preparação para a vinda do Filho do Homem, o que também conferiu a outros. Há homens aqui que o ouviram dizer: "Acrescentamos à nossa fé e conhecimento, e recebemos chaves e autoridade, até que não conheço nada mais necessário para edificar e estabelecer o reino de Deus sobre a terra além do que já recebi e vos conferi." Recebeu seu conhecimento das coisas de Deus gradualmente, até obter a última bênção necessária para conferir a seus irmãos.

Os Santos dos Últimos Dias precisam que se lhes fale muito — precisam de pregação e instrução contínuas sobre quase tudo. Alegra-me dizer que há um progresso, mas ainda ouço falar de contendas, irmão indo à justiça contra irmão, contenda nas famílias e na comunidade. Isto não deveria ser assim. Ainda não aprendemos a ser mansos e humildes? Não estamos dispostos a receber e suportar com paciência as providências de Deus? Quantos estão dispostos a fazer isto como deveriam? Bem poucos. Aquela disposição que veio da Queda está plantada em nossos corações, e ocasionalmente surgirá no peito. Alguma vez teremos experiência suficiente para superar estas tentações que surgem no coração, de modo que possamos dizer adeus às modas e loucuras do mundo, e, em vez delas, absorver bons e sadios princípios? Certamente que sim; é isto que buscamos. Os Santos dos Últimos Dias devem aprender a ser um só em Cristo. Somos um nas ordenanças e doutrinas; um nas ordenanças do batismo, na imposição das mãos, na administração do sacramento, na bênção das crianças, nas ordenações do Sacerdócio, na investidura; também no batismo pelos mortos, embora isto tenha sido, a princípio, uma provação para alguns. Quando Deus revelou a Joseph Smith e Sidney Rigdon que havia um lugar preparado para todos, segundo a luz que haviam recebido e sua rejeição do mal e prática do bem, foi uma grande provação para muitos, e alguns apostataram porque Deus não iria enviar ao castigo eterno os pagãos e as crianças, mas tinha um lugar de salvação, no devido tempo, para todos, e abençoaria os honestos, virtuosos e verazes, quer tivessem pertencido a alguma igreja, quer não. Foi uma doutrina nova para esta geração, e muitos tropeçaram nela, mas Joseph continuou a receber revelação sobre revelação, ordenança sobre ordenança, verdade sobre verdade, até obter tudo o que era necessário para a salvação da família humana. Todos os habitantes da terra são chamados por Deus; são chamados a arrepender-se e a serem batizados para a remissão dos pecados. Quando entrei pela primeira vez na Igreja, foi para mim assunto de considerável reflexão por que pessoas que eu sabia serem tão boas e morais quanto possível deveriam ter de se arrepender. Mas depois pude ver que, se não tivessem mais nada de que se arrepender, poderiam e deveriam arrepender-se de suas falsas religiões, de seus credos estreitos e restritos aos quais estavam presos, das ordenanças dos homens, e obter algo melhor. Estas religiões estreitas e restritas espalharam a incredulidade pelo mundo. Deveriam arrepender-se destas e agarrar-se às coisas de Deus e receber as verdades do céu. "Bem", dizem os ministros, "temos vivido de acordo com a luz que recebemos." Dizemos: estais dispostos a receber mais? Se estais, aqui há mais para vós. No que se refere à vossa fé em Cristo, e vossa moralidade, dizemos amém. Mas aqui há algo mais. "Ah", dizem eles, "já temos o bastante, não queremos nada do vosso mormonismo." Bem, na verdade eles o querem, se ao menos soubessem. Tive recentemente uma conversa com um proeminente ministro de uma igreja no Leste, e ele disse: não concordo convosco em vossos pontos de vista peculiares. Respondi: não estais em favor da verdade, de toda a verdade e nada mais que a verdade? Se estais, eu também estou. Como é possível levantar um argumento? Farei um trato. Compararei minha religião com a vossa. Começaremos apenas com a Bíblia, tomando-a como padrão. Tudo o que a Bíblia ensina para doutrina e prática, tomaremos como nosso guia. Se eu tiver um erro, dele me separarei. Fareis o mesmo? Se puderdes encontrar que tendes uma verdade que eu não tenho, e que eu tenho um erro, trocarei dez erros, se os tiver, por uma verdade. Tomai a religião de Cristo desde o fundamento, e é toda ela verdadeira e para o benefício da humanidade. Tomai o mundo inteiro com suas contendas e lutas, os reis e potentados que fazem guerra e assassinam o povo aos milhares, os que atiram e matam, que roubam os pobres, que desprezam o conselho de Deus, reuni-os, lede-lhes os preceitos de Jesus, os princípios do evangelho eterno, e vede se há um único princípio que os prejudicasse, ou à humanidade, no mínimo que seja. Prejudicariam eles uma pessoa, uma família, uma vizinhança? Todos concordariam, se dissessem a verdade, que não, nenhum; mas, se vivêssemos de acordo com eles, produziriam a melhor condição de sociedade possível. Que o mundo inteiro tome a Bíblia, o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convênios e os escritos e conselhos desta Igreja, e vejam se há algo, em qualquer de seus preceitos, destinado, no mínimo grau, a prejudicar um único indivíduo na terra. Direi a estes poucos Santos dos Últimos Dias, e, se todos estivessem aqui, diria o mesmo: vós, irmãos e irmãs, aceitai o conselho de vossos Presidentes, aqueles que foram designados a vos dar conselho; e, no que diz respeito ao vosso Presidente como indivíduo, se disserdes em vosso coração: "aceitaremos seu conselho" — e posso dizer diante de Deus que ele deseja que este povo viva sua religião — não haveria contendas, nem roubo, nem trapaça, nem embriaguez, nem mentira; a maldade cessaria, a mão da misericórdia se estenderia aos pobres, a bondade e o amor se espalhariam, e jamais ouviríeis outra desavença na terra. Posso dizer que mereço mais obediência ao conselho do que a que recebo. Pode qualquer homem, mulher ou criança apontar uma única coisa que eu tenha aconselhado que prejudicasse alguém ou trouxesse a menor mácula sobre o reino de Deus na terra? Não, não podem. Por que não podemos ser de um só coração e de uma só mente? Por que é que meus irmãos se permitem ser incitados à contenda com seus vizinhos? Talvez algum vizinho tenha deixado abertas vossas cercas, e o gado tenha entrado, e ficastes ofendidos em vossos sentimentos e permitistes que a raiva entrasse em vosso coração. Talvez algum vizinho tenha tomado emprestado vosso arado e o tenha quebrado, ou feito outra coisa pela qual estais agravados; concluís que essa pessoa não é Santo algum. Talvez, se vossas próprias faltas fossem retratadas, mostraríeis tantas quanto ele tem, mas concluís, como um fato, que ele não é Santo, ou não faria isto e aquilo. Ora, cessai com isto. Quando pensardes que vosso irmão vos prejudicou, ide diretamente conhecer a intenção de seu coração, e julgai segundo ela, e não segundo as aparências externas.

Fazeis vossas orações? Quantas casas de Sumos Sacerdotes, se eu me esgueirasse nelas como um rato, poderia encontrar onde não oram com suas famílias, não pedem a Deus que abençoe seus trabalhos, que abençoe seus campos e propriedades, seus irmãos e o reino de Deus na terra? Quantos Élderes, Setentas e Bispos eu encontraria na mesma condição? Os Bispos deveriam ser um exemplo perfeito para suas alas em todas as coisas. Quantos há que são estritamente honestos e justos em seus negócios? Já experimentei tanto a respeito deste assunto que é melhor dizer pouco sobre ele. Mas eu vos digo: procedei com justiça, agi com misericórdia e evitai o mal. Fazei o bem a todos os homens. Às vezes dizemos: "Não farei nenhum favor a esse homem, ele é indigno de assistência." Dar-vos-ei um conselho. Fazei o bem a todos. É melhor alimentar nove pessoas indignas do que deixar uma pessoa digna — a décima — passar fome. Segui esta regra e é provável que vos encontreis do lado certo de fazer o bem.

Suponhamos que olhemos ao redor aqui. Quantas de vós, irmãs, doaram cinquenta centavos para ajudar a reunir os pobres nesta estação? Não digais que não tendes dinheiro. Não tivestes cinquenta centavos para comprar uma fita? E quanto àqueles dez dólares para comprar cabelo da cabeça de outra pessoa quando tendes bastante na vossa própria? Tomai também os irmãos, que usam roupas desnecessárias, fumam charutos, etc. Tomai todo o dinheiro que se gasta em chá e café e se desperdiça em esbanjamento e quanto poderíamos obter? Ora, o bastante para mandar buscar os pobres, que imploram e suplicam para vir, às dezenas de milhares. Reunimos uma bolsa de uns quatro mil dólares na última Conferência. Coloquei mil dólares, o irmão Hooper colocou mil dólares. Isto perfaz cerca da metade da quantia de que falei quando estive aqui, há uns dois anos, a respeito de Élderes que haviam tomado dinheiro emprestado de Santos pobres no velho país e nunca o pagaram. Disse então que tais homens deveriam ser desligados da Igreja.

Quanto dízimo pagais? Os cristãos professos, os apóstatas e outros têm muito a dizer sobre os Santos pagarem dízimo. Ora, comparemos as coisas. Os Élderes desta Igreja viajam e pregam sem bolsa nem alforje, e trabalham em casa como Bispos, Presidentes, Sumos Conselheiros e Ministros, sem remuneração. Ora, tomai os cristãos, quantos de seus Ministros pregam sem paga? Ide a suas reuniões, em suas igrejas, salões, escolas, ou qualquer de suas assembleias públicas, e vos porão diante do rosto uma caixa, um prato, ou um chapéu, e é: "Dai-me alguns centavos, dai-me alguns centavos, dai-me alguns centavos!" Mostrai-me o Élder desta Igreja que faz isto? Pregamos o Evangelho sem bolsa nem alforje e trabalhamos por nosso próprio pão. Contudo, o mundo cristão lamenta que paguemos dízimo. Os Santos deveriam pagar o décimo de sua renda com corações alegres e agradecidos, e ajudar a trazer os pobres para casa. Temos sustentado e ajudado os pobres na soma de milhões. Temos recolhido os que eram pobres e os trazido para cá e ensinado a trabalhar e cuidar de si mesmos, e alguns deles hoje andam em suas carruagens tão orgulhosos quanto os senhores do velho mundo de onde vieram.

A respeito desta lamúria do mundo sobre Brigham manejar o dízimo, posso dizer que ele colocou dez dólares onde tirou um do tesouro, e pagou mais dízimo do que qualquer outro homem na Igreja. Todos deveriam pagar seu décimo. Uma pobre mulher deveria pagar sua décima galinha, ainda que tivesse de tirar dez vezes seu valor para seu próprio sustento. Tudo é do Senhor, e somos apenas seus mordomos.

Os Santos dos Últimos Dias precisam de persuasão. Para quê? Para seu próprio bem. Algumas pessoas falam de há quanto tempo têm servido ao Senhor, e agora querem fazer algo por si mesmas. No momento em que começam a sentir e agir assim, começam a servir ao diabo. Há dois poderes na terra, Deus e Satanás, e devemos servir a um ou a outro. Deus requer obediência a suas leis. Se faço isto, não faço mais do que faço aos Estados Unidos. Alistamo-nos para servir ao Rei dos Reis. Ele tem leis, regras, regulamentos, etc. Por que não haveríamos de estar tão dispostos a pagar impostos a Ele quanto aos Estados Unidos? Cremos em obedecer às leis da terra; devemos também obedecer às leis de Deus.

As pessoas descobriram que cremos numa pluralidade de esposas. O povo deste Governo diz que não devemos ter uma pluralidade de esposas. Por que não dizer: "uma pluralidade de mulheres", e não teremos nenhuma objeção a isso? Porque isto atingiria homens em altas posições. A ideia deles é: "Se quereis mulheres, ilegalmente, e depois as lançais à rua quando terminardes com elas, não nos importamos com isso; mas, se Deus revelou algo a respeito da pluralidade de esposas, para casar-se com elas e provê-las, como fez nos dias dos Patriarcas, não queremos nada disso." Se tenho esposas que me foram dadas pelo Senhor, não infrinjo lei constitucional alguma da terra. Mas basta disso.

Desejo persuadir os Santos dos Últimos Dias a serem Santos dos Últimos Dias. O irmão Woodruff falava da necessidade de fazermos nossas próprias roupas. Digo que, se continuarmos como temos feito, e pretendermos continuar a comprar do estrangeiro a maior parte do que vestimos, e muito do que comemos, ficaremos sem nada. Sabeis que a Babilônia há de cair? Seus mercadores clamarão: "não há quem compre nossas mercadorias." E, se vós e eu não aprendermos a cuidar de nós mesmos, e a produzir e fabricar o que consumimos, teremos de ficar sem. Se não sabeis como, ide trabalhar e aprendei a tricotar, costurar, tecer, fazer fitas, criar seda e confeccionar e fabricar vossas próprias vestimentas e tudo o que necessitardes.

Ora, sobre outro assunto. Há um Deus que vive, e que formou e moldou esta terra, e que produziu o que está sobre sua face. Ele tem leis. Tudo é controlado por lei. As ações dos homens, porém, são deixadas livres; são agentes de si mesmos e devem agir livremente com esse arbítrio, senão como poderiam ser julgados por suas ações? Mas Deus reserva para si o direito de controlar os resultados de seus atos, e isto nenhum homem pode impedir. Quem, entre os clérigos cristãos, sabe algo a respeito do Deus a quem servimos? Nunca vi ninguém, até conhecer Joseph Smith, que pudesse dizer-me algo sobre o caráter, a personalidade e o lugar de morada de Deus, ou algo satisfatório sobre os anjos, ou a relação do homem com seu Criador. Contudo, fui tão diligente quanto qualquer homem precisaria ser para tentar descobrir estas coisas. Sabemos mais a respeito de Deus e dos céus do que nos importa dizer. E, se introduzirmos um princípio e tentarmos reduzi-lo à compreensão do povo, haverá alguns, mesmo entre os Santos dos Últimos Dias, para quem será difícil de entender. Onde está o clérigo que sabe a menor coisa sobre aquele Ser que é o Pai de nossos espíritos e o autor de nossos corpos? Se sabemos algo a respeito dele, há algum mal nisso? Nenhum. O mundo da humanidade é incrédulo. Deveríamos todos ser incrédulos a todo princípio falso. Sou incrédulo a respeito de muitas coisas, mas à verdade, onde quer que se encontre, não sou incrédulo. O mundo cristão é, em grande medida, incrédulo à verdade. Por quê? Porque sabe tão pouco da mente e vontade de Deus. Saí deste reino, e quem pode nos dizer o primeiro passo para cobrir a terra com o conhecimento de Deus? Quem há que possa nos dizer algo a respeito daquele anjo que João viu vir com o evangelho eterno, como registrado no Apocalipse de João? Nunca encontrei ninguém que pudesse, até ver Joseph Smith. Ele pôde dizer-me o que eu tanto desejava aprender. Que sabem os clérigos cristãos a respeito disto, mesmo nos dias de hoje? Se souberem algo a respeito, gostaria que nos dissessem. Mas, se não sabem, e não quiserem receber as coisas de Deus daqueles que as sabem, isto não os torna incrédulos à verdade?

Meu testemunho é positivo. Sei que existem cidades como Londres, Paris e Nova York — por minha própria experiência ou pela de outros; sei que o sol brilha, sei que existo e tenho ser, e testifico que há um Deus, e que Jesus Cristo vive, e que ele é o Salvador do mundo. Fostes ao céu e aprendestes o contrário? Sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus, e que teve muitas revelações. Quem pode refutar este testemunho? Qualquer um pode contestá-lo, mas não há ninguém no mundo que possa refutá-lo. Tive muitas revelações; vi e ouvi por mim mesmo, e sei que estas coisas são verdadeiras, e ninguém na terra pode refutá-las. O olho, o ouvido, a mão, todos os sentidos podem ser enganados, mas o Espírito de Deus não pode ser enganado; e, quando inspirado por esse Espírito, o homem todo se enche de conhecimento, pode ver com o olho espiritual, e sabe aquilo que está além do poder do homem de contestar. O que sei a respeito de Deus, a respeito da terra, a respeito do governo, recebi dos céus, não somente por minha capacidade natural, e dou a Deus a glória e o louvor. Os homens falam do que se realizou sob minha direção, e o atribuem à minha sabedoria e capacidade; mas tudo é pelo poder de Deus, e pela inteligência dele recebida. Digo a todo o mundo: recebei a verdade, não importa quem a apresente a vós.

Tomai a Bíblia, comparai a religião dos Santos dos Últimos Dias com ela, e vede se resistirá à prova. Pregamos o Evangelho, reunimos o povo de Deus de todas as nações, línguas e povos, e edificamos o reino de Deus na terra, e isto exige trabalho manual, as afeições do coração, e a devoção de todas as nossas forças. Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Incredulidade — Os Santos Precisam de Instrução Constante — Contraste Entre o Evangelho de Cristo e as Religiões dos Homens — O Mal Cessaria entre os Santos se Vivessem sua Religião — Reunião dos Pobres — Dízimo — Conhecimento de Deus — O Progresso da Obra se Deve às Operações do Espírito”, (1873-05-18). Pulpit Vault, 1873-05-young-unbelief-the-saints-require-constant-instruction. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).