Pulpit

Sião

Orson Pratt

1872-03-10

O orador que se dirigiu a vocês nesta manhã referiu-se a outro livro, chamado o Livro de Doutrina e Convênios. Selecionarei algumas palavras desse livro nesta tarde -- parte do 8º parágrafo da 21ª seção, sendo uma revelação dada ao Profeta Joseph Smith em setembro de 1831. A palavra do Senhor ao Profeta diz assim: "Pois eis que vos digo que Sião florescerá e a glória do Senhor estará sobre ela; E será um estandarte para o povo e a ela virão de todas as nações debaixo do céu. E chegará o dia em que as nações da Terra estremecerão por causa dela e temerão por causa de seus homens terríveis. O Senhor disse-o. Amém."

Muito já se disse desde o surgimento desta Igreja a respeito da Sião dos últimos dias, e muito mais poderia se dizer, pois, depois de termos dito tudo o que podemos dizer, até onde Deus revelou, presumo que não seremos capazes de retratar quase nada em comparação com a glória, a grandeza, a excelência e a beleza daquele povo e daquela cidade chamada Sião, a ser edificada sobre a terra nos últimos tempos.

A primeira pergunta que naturalmente se apresenta à mente a respeito de Sião é esta: O que é Sião? O que devemos entender por esse termo? É uma cidade? É um povo? É um povo bom ou um povo mau? O que podemos entender pelo termo tal como usado nas Escrituras? Há uma grande quantidade de ideias entre os filhos dos homens quanto a esse termo, especialmente entre todas as denominações cristãs. Presumo que não haja um só povo em toda a face da terra que professe ser cristão sem ter sua própria definição do termo Sião. Se formos aos católicos, eles nos dirão que eles são Sião -- que são o único povo que o Senhor reconhece como Sião. Se formos à Igreja Grega, que existiu contemporânea aos católicos por muitos séculos, e perguntarmos a eles o que entendem por Sião, dirão que é a Igreja Grega. Vão a todas as denominações protestantes que dissentiram dos católicos e da Igreja Grega e perguntem a elas o que é Sião, e a resposta da maior parte delas será que é as várias denominações cristãs, tais como os luteranos, a Igreja da Inglaterra, os metodistas, as várias ordens de batistas e as várias denominações cristãs que surgiram nos últimos três ou quatro séculos. Vão aos Santos dos Últimos Dias e perguntem-lhes o que é Sião, e eles dirão que é a Igreja do Deus vivo, onde quer que se encontre. Consequentemente, para determinar o que é Sião é necessário entendermos o que é a Igreja do Deus vivo, e tentar distinguir entre essa Igreja e todas as outras igrejas. Procurarei, em bem poucas palavras, delinear algumas das características que distinguem a verdadeira Igreja do Deus vivo das igrejas construídas pela sabedoria humana; e quando tivermos determinado o que é a verdadeira Igreja, teremos então aprendido o que é a verdadeira Sião.

Começarei com alguns dos primeiros princípios que Deus revelou, e que é necessário que a humanidade obedeça antes de poder constituir uma parte e porção de Sião. Antes que Sião, ou a Igreja do Deus vivo, possa ter qualquer existência sobre a terra, é muito importante e necessário que haja administradores divinos. O que quero dizer com isso é: homens que têm uma missão divina, um chamado divino -- sendo chamados do Senhor pelo espírito de revelação para edificar Sião sobre a terra. E quando falo de homens que têm um chamado divino, não me refiro àqueles que têm meramente uma impressão, como muitos ministros entre todas as denominações religiosas dizem que são chamados de Deus porque têm a impressão de que Deus os enviou, e vão adiante e pregam suas doutrinas peculiares, como uma missão que têm de entregar ao povo. Um homem que diz ser enviado de Deus prega o batismo por aspersão; outro homem, enviado pelo mesmo Deus, ou que professa sê-lo, ensina o batismo por derramamento de água sobre as pessoas. Um terceiro homem, que diz ser enviado de Deus, e tem a impressão de pregar, prega que o batismo por imersão é o único modo verdadeiro, e deve ser administrado àqueles que experimentaram religião e obtiveram a remissão dos pecados. Um quarto homem vem adiante e diz que é chamado de Deus, e tem uma missão divina, e o caminho que Deus lhe ensinou é ser batizado por imersão para a remissão dos pecados.

Ora, não devemos supor que Deus é o autor de todos esses diferentes métodos, e que enviou todos esses diferentes ministros. Se ele enviou algum homem para batizar por aspersão, então aqueles que batizam por imersão são falsos mestres, correndo por conta própria. Se ele enviou algum homem para derramar água sobre aqueles que são candidatos ao batismo, ele nunca enviou pessoa alguma para aspergir, nem para batizar por imersão; e se pudermos determinar quem é o enviado, e qual é a forma das ordenanças que devem ser administradas, então entenderemos algo a respeito dos primeiros princípios da edificação de Sião sobre a terra, ou, para chegar mais diretamente ao ponto, a respeito destes mensageiros divinamente autorizados. Como deveriam ser enviados os verdadeiros mensageiros do céu? De que maneira Deus sempre os enviou? Por revelação divina. Ora, nunca houve uma dispensação, desde que Deus fez o homem sobre a terra, na qual uma mensagem fosse enviada à família humana sem que houvesse revelação ligada a essa mensagem, sem que os ministros que a levavam à família humana fossem divinamente chamados por revelação -- nova revelação, quero dizer. Não preciso voltar e traçar os chamados e os dons de Deus aos patriarcas antes do dilúvio, nem aos que viveram imediatamente depois do dilúvio, nem nos dias de Moisés, nem nos dias dos profetas que se seguiram a Moisés; nem nos dias de Jesus, nem nos dias dos Apóstolos. Tudo isso está diante do povo -- os chamados e os dons que se manifestaram naqueles dias entre as várias dispensações que Deus introduziu entre a família humana. Em todas essas várias dispensações, Deus falou diretamente dos céus; ele comunicou sua vontade à família humana. Ele levantou reveladores e os inspirou, encheu seus servos com o espírito de profecia, para que predissessem o futuro. Ele os inspirou a escrever revelações, e assim, em todas essas diferentes dispensações, o Deus dos céus autorizou os filhos dos homens a edificar sua Sião sobre a terra, e sem isso nenhuma coisa semelhante a Sião pode ser edificada entre os filhos dos homens.

Essas pessoas não foram apenas chamadas por revelação, mas também foram guiadas, depois de chamadas, pelo espírito de revelação em todas as suas viagens. Às vezes, quando elas, por conta própria, tinham a disposição de visitar certa cidade, vila, vizinhança ou nação, o Espírito lhes falava e dizia: "Não assim, esse não é o lugar para vocês"; e eram constrangidas pelo Espírito Santo a não viajar naquela direção, mas a ir a alguma outra cidade que aquele mesmo Espírito designasse e apontasse a elas. Assim, eram guiadas e dirigidas para onde deveriam ir, o que deveriam pregar, que forma de doutrina entregar ao povo, que tipo de ordenança administrar-lhes; cada detalhe era dado por revelação do Altíssimo.

Paremos exatamente aqui e perguntemos. Houve alguma denominação cristã, nos últimos dezessete séculos, que tenha desfrutado desse espírito de revelação divina? Se houve, então Sião existiu sobre a terra durante o período em que esse espírito de revelação foi desfrutado. Quando esse espírito de revelação cessou, Sião cessou; quando as pessoas deixaram de ser chamadas por revelação direta, e as Escrituras deixaram de receber quaisquer livros adicionais, então Sião cessou entre os filhos dos homens. Quando a humanidade chegou à conclusão de que sua própria sabedoria era suficiente, independentemente de qualquer revelação adicional, Sião cessou de existir sobre a terra.

Há quanto tempo Sião cessou? Pois todos admitirão, entre todas as denominações cristãs, que não houve revelação por cerca de mil e setecentos anos -- entre todos os protestantes do dia presente, entre todos os católicos que viveram antes deles e que agora vivem, e entre todos os diferentes povos e nações e línguas que receberam as doutrinas dos católicos, ou da Igreja Grega. Todos admitem isso, todos testificam e reconhecem que Deus não teve homens inspirados sobre a terra desde os dias dos Apóstolos, consequentemente ele não teve Igreja sobre a terra, pois sempre que a Igreja de Deus existe, existem profetas e homens capazes de escrever Escritura; existem homens que têm comunhão e companheirismo com Deus; existem homens a quem o Senhor comunica sua vontade pela ministração de santos anjos e por sua própria voz. Portanto, quando essas coisas cessaram, e os homens deixaram de ser inspirados a escrever Escritura, e a Escritura foi pronunciada completa e cabal, selada como que por um selo, naquele momento o povo chamado Sião foi banido da face da terra; ou, em outras palavras, a Igreja do Deus vivo deixou de existir ali.

Havia uma Sião sobre a terra no primeiro século da era cristã. Eram cristãos; criam em Cristo; adoravam a Cristo, recebiam suas ordenanças, estavam cheios do espírito de revelação, tinham seus profetas e reveladores inspirados; tinham suas visões celestiais; tinham a ministração de anjos; podiam ouvir a voz de Deus; podiam contemplar em visão celestial a face do Senhor Jesus Cristo depois que ele ascendera a seu Pai e fora glorificado à sua destra. Testificavam que o haviam visto, que ele conversara com eles e que comunicara sua vontade a eles. Estes eram cristãos; aquela era a Igreja Cristã; isso pode ser chamado de Sião.

O que existiu depois disso? Os Apóstolos foram mortos; foram caçados de nação em nação; vagaram em peles de ovelha e de cabra, nas covas e cavernas da terra, dos quais o mundo não era digno. Seus seguidores foram mortos aos centos, aos milhares, às dezenas de milhares; e depois de algum tempo surgiu um povo que pretendia ser cristão -- seguidores do manso e humilde Jesus, sem apóstolos, sem homens inspirados, sem revelação, sem ministração de anjos, sem nenhuma das características, salvo algumas formas, da Igreja Cristã tal como existiu no primeiro século da era cristã. Essa classe de homens, chamando-se cristã, unindo-se às várias formas da religião pagã, adotando muitas de suas cerimônias e instituições, tornou-se muito popular, e finalmente alguns dos pagãos abraçaram o cristianismo e foram colocados, por assim dizer, no trono, e o que chamavam de cristianismo tornou-se de fato muito popular. Por quanto tempo existiu essa ordem de coisas, essa terrível apostasia, essa classe de pessoas que se pronunciavam Sião, ou cristãos, sem nenhuma das características de Sião? Existiu por uns dezesseis ou dezessete séculos. Espalhou-se, cresceu e foi para os quatro cantos da terra. É o grande poder eclesiástico de que fala o revelador João, e por ele chamado o mais corrupto e mais perverso de todos os poderes da terra, sob o nome de Babilônia espiritual, ou, em outras palavras, Babel, que significa confusão. Esse grande e corrupto poder também é representado por João como apresentando às nações um cálice de ouro cheio de toda imundície e abominação.

Ela é chamada, em outros lugares, pelo mesmo profeta, "a rameira de toda a terra," fazendo as nações beberem do vinho da ira de sua fornicação.

Há cerca de três séculos surgiram alguns homens excelentes, chamados Martinho Lutero, João Calvino e muitos outros que se poderiam mencionar, que protestaram contra a maldade e as abominações da Igreja em que haviam sido educados, e da qual haviam sido membros. Por causa de seus protestos contra a igreja-mãe, foram chamados protestantes. Pronunciaram-na a rameira de toda a terra; declararam que ela não tinha autoridade, que não tinha nenhuma das bênçãos e dons que caracterizavam os antigos cristãos. Saíram e estabeleceram outras igrejas. A Igreja Luterana prevaleceu na Alemanha e em várias partes do norte da Europa. A Igreja Calvinista, ou Presbiteriana, também foi estabelecida. Henrique VIII estabeleceu e tornou-se chefe da Igreja Anglicana. Wesley, num período posterior, estabeleceu uma igreja que cresceu a grandes números no dia presente. Mas em todas essas igrejas, onde estão as características de Sião? Procuramo-las em vão. Vão a todas essas 666 diferentes denominações protestantes que saíram da igreja-mãe, e perguntem-lhes: Vocês têm homens inspirados entre vocês? E a voz unânime delas é que Deus não fala mais em nossos dias; nenhuma outra mensagem é dada do céu; nenhuma voz se ouve dos mundos eternos; nenhum anjo é enviado nestes dias; nenhum apóstolo inspirado é levantado para estabelecer a Igreja e o Reino de Deus; nenhum homem está cheio do espírito de profecia para retratar os eventos do futuro, ou para realizar e cumprir a obra de Deus em nosso dia. Perguntamos: "O que vocês têm?" "Ah, temos 666 diferentes denominações e nos autodenominamos cristãos. Somos cristãos bíblicos." Quão enganados estão! Cristãos bíblicos eram aqueles que criam em ter apóstolos e profetas inspirados entre eles. Cristãos bíblicos podiam receber mais revelação e acrescentar mais livros à Bíblia; cristãos bíblicos podiam conversar com o Senhor, e frequentemente contemplavam a face de Jesus; podiam comungar com santos anjos; tinham autoridade de Deus para impor as mãos sobre aqueles a quem batizavam, para o recebimento, ou batismo, do Espírito Santo. Isso era o que constituía a antiga Sião; mas perguntem por essas características entre essas 666 diferentes denominações cristãs, e elas lhes dirão que tudo isso se foi, que não têm nada disso entre elas. Ora, suponhamos que aceitemos a palavra delas! Eu aceito, eu realmente creio nelas. Penso que dizem a verdade quando dizem que não têm homens inspirados. Creio nelas quando dizem que não têm profetas nem apóstolos entre elas. Por que creio nelas? Porque não receberam novos livros além da Bíblia, e sempre que Deus teve um povo sobre a terra, esse povo estava constantemente recebendo novos livros, inspirados do alto, e quando isso cessa, tiramos a conclusão de que a inspiração cessou.

Nessas circunstâncias, o que se deve fazer? Se o mundo assim apostatou, e não houve Igreja do Deus vivo, nenhuma Sião entre as nações pelo longo período que mencionei, o que devemos esperar? O mundo há de permanecer sempre nessa condição? Deus falou pela última vez? Foram os poucos cristãos favorecidos que viveram no primeiro século de nossa era os últimos a serem favorecidos com uma mensagem do céu? Penso que não; a Bíblia nos conta uma história bem diferente. Aquele livro nos diz que há de irromper sobre a face da terra uma das maiores dispensações que já houve desde a criação do homem, e professo crer na Bíblia. Quando leio as palavras do Apóstolo Paulo sobre a nova dispensação que haveria de acontecer depois de seus dias, eu creio nisso. Vocês encontrarão no primeiro capítulo de sua epístola aos Efésios que, na dispensação da plenitude dos tempos, ele reunirá em um todas as coisas que estão em Cristo, quer estejam no céu, quer aqui na terra. Uma dispensação de ajuntamento, uma dispensação chamada a dispensação da plenitude dos tempos, uma dispensação em que os próprios céus, e todos os espíritos dos homens que estão além do véu, hão de ser reunidos em um; todas as coisas que estão em Cristo hão de ser reunidas em um, preparatórias à grande ressurreição que acontecerá naquela dispensação.

A dispensação que foi introduzida nos dias dos apóstolos não era uma dispensação de ajuntamento. Quando os apóstolos foram edificar a Igreja de Cristo em Corinto ou em Éfeso, na Galácia ou em qualquer outra parte da terra, os cristãos todos permaneciam onde recebiam o evangelho, exceto aqueles que eram levados às montanhas pelas perseguições de seus inimigos. Mas na última dispensação haverá uma característica que não caracterizava a dispensação estabelecida pelos antigos apóstolos, a saber, o ajuntamento do povo -- todos os que estão em Cristo, dos confins da terra. Quando essa dispensação for introduzida, Sião será introduzida novamente, o Senhor trará Sião novamente.

Muitos de vocês, que creem na Bíblia, leram grande número de profecias sobre a Sião dos últimos dias e como o Senhor há de trazer Sião novamente, o que parece indicar que Sião esteve certa vez sobre a terra, que foi perdida da terra por certo período de tempo, e que o Senhor a restauraria mais uma vez. Ouçamos o que Isaías disse sobre este assunto: "Uma voz dos teus atalaias se ouve, alçam a voz, juntamente exultam; porque olho a olho verão, quando o Senhor tornar a trazer Sião." Mas talvez os estranhos perguntem: Como saberemos o período ou a idade do mundo em que o Senhor há de trazer Sião novamente, ou, em outras palavras, restaurar sua Igreja à terra? Quais são os sinais desse dia, para que possamos discernir os sinais dos tempos? Direi a vocês como podem saber esse período. Se forem ao Salmo 102 de Davi, encontrarão uma pista desse período. Penso que lerei um pouco desse salmo, para o benefício dos estranhos. "Quando o Senhor edificar Sião, aparecerá na sua glória." Penso que isto dá uma pista do período, pois todos admitirão que o Senhor ainda não apareceu em sua glória. Estamos à sua espera. Os cristãos de todas as denominações esperam que ele aparecerá nas nuvens do céu com poder e grande glória. Os Santos dos Últimos Dias esperam isso em comum com todos os outros cristãos. Mas antes de aparecer em sua glória, ele há de edificar Sião, isto é, Sião deve ser novamente edificada sobre a terra; e se não houver uma Sião edificada sobre a terra antes que ele venha, ou, em outras palavras, se nunca houver outra Sião edificada sobre a terra, então ele nunca virá. Mas quando virmos chegar o dia em que o Senhor começa a estabelecer sua Igreja sobre a terra mais uma vez, caracterizada por apóstolos e profetas, e introduz uma dispensação de ajuntamento, na qual todos os que estão em Cristo hão de ser reunidos em um; quando chegar o período em que os atalaias naquela Sião hão de ver olho a olho e juntamente exultar, poderemos saber que o Senhor está vindo em sua glória, e está próximo.

Leremos algumas outras passagens do mesmo salmo. "Tu te levantarás e terás piedade de Sião; porque os teus servos têm prazer nas suas pedras, e se compadecem do seu pó." O Senhor tem um tempo determinado para muitos de seus propósitos. Um tempo determinado para a dispersão de Israel; um tempo determinado para Jerusalém ser pisada pelos gentios até que se cumpram os seus tempos; um tempo determinado para a pedra ser cortada do monte sem mãos e o reino de Deus ser organizado sobre a terra; um tempo determinado para vir o anjo com o evangelho eterno a ser pregado a todo povo, nação, tribo e língua; um tempo determinado para o Senhor favorecer a Sião, como aqui declarado. "Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra, a tua glória."

Ora, não se enganem, estranhos, e pensem que isto se cumpriu nos dias de Davi. Foi escrito para um período muito depois de seus dias. Isto foi escrito para as gerações vindouras. "Isso se escreverá para a geração futura, e o povo que se criar louvará ao Senhor." Isto é, as gerações futuras da terra -- aqueles que viverem naquele período peculiar de tempo em que o Senhor edificar Sião novamente sobre a terra. Pois "ele olhou desde o alto do seu santuário; desde os céus o Senhor contemplou a terra; Para ouvir o gemido dos presos; para soltar os sentenciados à morte; Para anunciarem o nome do Senhor em Sião, e o seu louvor, em Jerusalém." Mas, dirá alguém, "Isso significa a primeira vinda dele." Leiamos o versículo seguinte e vejamos se realmente significa esse período. "Quando os povos se ajuntarem, e os reinos, para servirem ao Senhor." Ora, foram os povos ajuntados nos dias da primeira vinda de Jesus? Não. Foram os reinos então reunidos para servir ao Senhor? Não. Lembrem-se de que Paulo predisse que, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas em Cristo hão de ser reunidas em um. Então as nações gentias e os reinos da terra hão de ser reunidos. Para quê? Para serem ensinados em seus caminhos, e instruídos a andar em suas veredas.

Citaremos agora outra passagem que se refere ao mesmo grande evento. Está contida no 2º capítulo do profeta Isaías. "E acontecerá nos últimos dias" -- lembrem-se de que agora é obra do tempo posterior -- "acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações." Quando isto se cumpriu? Toda pessoa com qualquer reflexão, que tenha a menor partícula de fé nesta profecia, sabe que isto nunca se cumpriu. A Sião que foi edificada nos dias de Davi, e em que ele habitou, a Sião que existia em Jerusalém há 1.800 anos, foi derrubada. Sião foi arada como um campo, como o profeta Miqueias predisse que seria. As casas, os palácios e as mansões em Jerusalém que se chamavam Sião foram todos derrubados, e o belo Templo também foi derrubado, sem que pedra ficasse sobre pedra. Mas, nos últimos dias, "o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações." Isto mostra que será uma obra que atrairá a atenção das nações. Não será uma obra como as que são realizadas pela humanidade errante, por homens sem inspiração; mas uma obra do Senhor nosso Deus. Quando ele edificar Sião, aparecerá em sua glória; quando edificar Sião, abençoará os habitantes, as habitações, os palácios, as portas, e tudo em redor daquela Sião, e as torres dentro daquela Sião, tudo será abençoado, segundo o testemunho dos profetas.

Mas leiamos um pouco mais para mostrar mais plenamente que isto era uma obra dos últimos dias. "E concorrerão a ele todas as nações, e irão muitos povos, e dirão: 'Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor.'" Dois lugares separados e distintos. Todas as doze tribos de Israel hão de retornar à Palestina, na Ásia, e reedificar sua cidade de Jerusalém e um templo dentro dessa cidade antes, e preparatoriamente, à vinda do Senhor. Ezequiel, ao descrever a edificação de Jerusalém nos últimos dias, diz: "E o nome da cidade desde aquele dia será 'O Senhor está ali.'" Depois da reedificação dessa cidade, ela jamais será abandonada ou arrancada. Como diz Jeremias no seu capítulo 31: "Não se arrancará nem se derrubará mais eternamente." Permanecerá enquanto todas as gerações da terra permanecerem, quando a casa de Israel retornar e a reedificar sob a direção do Todo-Poderoso.

Mas Sião também deve ser edificada. Outra cidade, não a antiga Jerusalém, mas uma nova Jerusalém, chamada Sião, no grande hemisfério ocidental, preparatoriamente à vinda do Senhor. "De Sião sairá a lei," diz o profeta. Que lei? Uma lei para regular as nações, uma lei ensinando-lhes como serem salvos, uma lei informando os reis, os imperadores e os nobres da terra como podem salvar-se, e como podem salvar seus mortos. Quando o monte da casa do Senhor se firmar no cume dos montes, ajuntar-se-ão de todas essas nações a essa casa do Senhor, para serem instruídos em seus caminhos, isto é, para aprenderem como salvar a si mesmos, e como salvar seus antepassados, geração após geração. Como ser batizado pelos mortos, segundo o costume praticado pelos antigos apóstolos; como administrar por e em favor dos mortos. O templo do Senhor, a casa de Deus, de que ouvimos falar esta manhã, é edificado para esse propósito expresso. Vejam o que se segue: "E ele julgará entre as nações, e repreenderá muitos povos; e converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra."

Ora, toda pessoa reconhecerá comigo que tal ordem de coisas ainda não se cumpriu. É o Milênio, é aquele glorioso período de descanso, quando Jesus, pessoalmente, reinará sobre esta terra, quando seu trono será edificado no templo em Jerusalém, quando ele descerá sobre o Monte das Oliveiras, a leste de Jerusalém, acompanhado por todos os seus santos, como lerão no último capítulo do profeta Zacarias: "O Senhor teu Deus virá," diz Zacarias, "e todos os seus santos contigo, e ele porá seus pés naquele dia sobre o Monte das Oliveiras, que fica diante de Jerusalém para o oriente; e o Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o norte e para o sul, e haverá um vale muito grande," e assim por diante. E quando ele descer com todos os seus santos naquele monte, e ocorrer essa grande convulsão da terra, então Jesus procederá até a nova porta que será edificada no lado leste do templo -- a porta oriental do templo -- e entrará naquele templo e se assentará no trono que será edificado nesse templo. Ezequiel, ao descrever isto, no capítulo 43 de sua profecia, diz, ou antes, o Senhor por meio de Ezequiel diz: "Filho do homem, este é o lugar do meu trono, e o lugar da planta dos meus pés, onde habitarei no meio dos filhos de Israel para sempre. E os da casa de Israel não contaminarão mais o meu nome," e assim por diante. Eis uma predição de que, naquele templo, haverá certo compartimento dedicado e separado para o trono do Senhor, onde ele se assentará, como o profeta Zacarias e muitos dos Apóstolos predisseram, sobre o trono de seu pai Davi, e julgará toda a casa de Israel. Habitará com eles pessoalmente, estará em seu meio. Onde estarão os doze Apóstolos que andaram com ele, quando Jesus vier e se assentar naquele trono? Eles também estarão assentados em tronos. Onde? Na Palestina. "Vós que me seguistes, na regeneração, também vos assentareis sobre doze tronos, e julgareis as doze tribos de Israel, e comereis e bebereis à minha mesa no tempo em que fizerdes isto." O quê? Seres imortais assentados em tronos, tendo uma mesa posta para eles, comendo e bebendo à mesa de Jesus em Jerusalém? Sim, é isto o que é prometido, e o que esperamos; é esta a ordem de coisas que virá quando Sião estiver plenamente estabelecida sobre a terra, preparatória a essa ordem de coisas. Não é de admirar que as nações não mais levantarão espada contra nação! Não é de admirar que os reis não mais lutarão contra reis, e os imperadores contra imperadores! Não é de admirar que converterão suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em foices, pois será um dia de paz e descanso, do qual nosso presente sábado é típico. Como há um dia de sete separado, santificado e ordenado como dia de descanso, assim há mil anos separados como dia de descanso, dos sete mil que constituirão a existência temporal de nossa terra. Esse será o tempo em que o Senhor Jesus reinará como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Esse será o tempo em que os reis e as nações virão a Sião, e também a Jerusalém. Os reinos serão reunidos para servir ao Senhor.

Suponhamos que alguns deles recusem -- que aqueles que vivem a grande distância decidam recusar, e não subam para adorar o Senhor dos Exércitos -- vejamos o que será feito deles. Depois de falar da vinda do Senhor com todos os santos, e de porem seus pés sobre o Monte das Oliveiras, o profeta diz: "E acontecerá que naquele dia não haverá preciosa luz nem espessa escuridão. Mas será um dia o qual é conhecido do Senhor; nem dia nem noite será; e acontecerá que no cair da tarde haverá luz." Novamente diz, falando de Jerusalém: "Habitarão nela. Não haverá mais destruição total, Jerusalém habitará segura." E esta será a praga com que o Senhor ferirá todos os povos que guerrearam contra Jerusalém; a carne se consumirá enquanto estiverem em pé; os olhos se consumirão em suas órbitas, e a língua se consumirá na boca. Novamente diz: "E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre eles a chuva; e se a família do Egito, sobre a qual não vem a chuva, não subir, virá sobre eles a praga com que o Senhor ferirá os gentios que não subirem para celebrar a festa dos tabernáculos. Naquele dia será inscrito sobre as campainhas dos cavalos: 'Santidade ao Senhor.'" Vemos, então, que as nações da terra em torno de Jerusalém estarão sob a necessidade, pela lei que Deus ordenou, de cumprir estas profecias, de subir uma vez ao ano com o propósito de contemplar Jesus assentado em seu trono no meio de Jerusalém, e de contemplar os doze Apóstolos assentados em seus tronos, julgando as doze tribos de Israel. De ano em ano terão de subir com o propósito de adorá-lo. Aos poucos, talvez, alguns deles concluam em seus corações que não vale a pena subir. "De que vale essa longa viagem até Jerusalém?" e começarão a dizer em seus corações -- "Podemos servir a Deus aqui em nossa própria terra tão bem quanto subindo a Jerusalém." Assim que começarem a apostatar desse modo, o Senhor enviará uma praga, uma fome, isto é, reterá as chuvas do céu, de modo que suas terras ficarão ressecadas, e se a família do Egito, que não tem chuva, se recusar a subir, haverá uma praga especial destinada a eles, a saber, o mesmo tipo de praga que virá sobre as várias nações que se ajuntarem contra Jerusalém para a batalha, pouco antes de o Senhor vir e pôr seus pés sobre o Monte das Oliveiras. Não será juízo nem calamidade alguma não se dar chuva à terra do Egito, pois dependem das águas do Nilo, que por irrigação transbordam a terra, de modo que não é de particular consequência para o povo do Baixo Egito não ter chuva.

Menciono todas essas coisas a fim de que os Santos dos Últimos Dias sejam re-refrescados a respeito dos grandes eventos que hão de acontecer nos últimos tempos, e que os estranhos que estão em nosso meio tenham uma compreensão mais plena dos pontos de vista dos Santos dos Últimos Dias a respeito das profecias antigas. Vejam que estamos à espera da edificação de Sião sobre a terra, do levantar do estandarte do Senhor, um sinal para as nações; ou, em outras palavras, como li no começo de minhas observações: "Pois eis que Sião sairá e se tornará a alegria de toda a terra, e a glória de Deus estará sobre ela, e chegará o dia em que as nações da terra temerão e estremecerão por causa dela, e temerão por causa de seus homens terríveis." Por quê? Porque o próprio Senhor estará no meio de Sião, antes de vir sobre o Monte das Oliveiras.

Ora, aqui está a diferença entre Sião e a antiga Jerusalém. Os judeus, ou muitos deles, retornarão a Jerusalém em estado de incredulidade quanto ao verdadeiro Messias, crendo nos profetas mas rejeitando o Novo Testamento, e esperando a vinda do Messias, de coração honesto, sem dúvida, muitos deles. E reedificarão Jerusalém depois de cumpridos os tempos dos gentios. Enquanto nesse estado de incredulidade, Gogue e Magogue, os habitantes da Rússia e todas aquelas nações do norte da Europa e do norte da Ásia, uma grande multidão, se ajuntarão contra os judeus antes de Jesus vir, e encherão o grande vale de Armagedom, o grande vale de Josafá e todos os vales circunvizinhos; serão como uma nuvem cobrindo a terra. Cavalos e carros e cavaleiros, um exército muito grande, se ajuntarão ali para tomar despojo. Pois vocês sabem que, quando os Rothschild e os grandes banqueiros entre a nação judaica retornarem à sua própria terra para reedificar a cidade de Jerusalém, levando consigo seu capital, isso quase arruinará algumas das nações, e estas subirão contra Jerusalém para tomar despojo. E conseguirão levar cativa metade da cidade; e quando estiverem no ato de destruir essa cidade, eis que o Senhor virá com todos os seus santos, e porá seus pés sobre o Monte das Oliveiras, "e naquele dia," diz o profeta Zacarias, "sairá o Senhor e lutará contra todas aquelas nações que lutaram contra Jerusalém, e a carne delas se consumirá sobre os ossos, os olhos em suas órbitas." Essa grande calamidade vem sobre a nação judaica em consequência de sua incredulidade quanto ao verdadeiro Messias.

Não assim com Sião; ela será edificada no grande hemisfério ocidental, na América do Norte, e se tornará um povo justo muito antes de os judeus se ajuntarem em seu lar. Sião será edificada pelo ajuntamento dos santos de todas as nações e reinos da terra. Sião será edificada, suas habitações serão erguidas, seu Templo será construído, e a glória de Deus repousará sobre eles muito antes de esses grandes eventos relacionados com a casa de Israel se cumprirem. Portanto, há uma diferença entre Sião e Jerusalém nos últimos dias.

Leremos agora mais um pouco sobre esta Sião. Isaías, como já citei no segundo capítulo, nos falou da casa do Senhor, e da grande paz que há de vir, do converter das espadas em relhas de arado, etc., e então prossegue retratando as bênçãos que hão de vir sobre Sião. Ele diz: "Naquele dia sete mulheres lançarão mão de um homem, dizendo: Comeremos do nosso pão e nos vestiremos de nossos vestidos; tão somente sejamos chamadas pelo teu nome, para tirar o nosso opróbrio. Naquele dia o ramo do Senhor será belo e glorioso, e o fruto da terra, excelente e formoso." Assim vemos que Sião há de se tornar gloriosa. O ramo do Senhor, o ramo de sua própria plantação, estabelecido por seu próprio poder, a edificação de um povo e de uma cidade por sua própria instrução e administração pela inspiração de seus servos, o estabelecimento de Sião para nunca mais ser derrubada. "E o Senhor criará sobre toda a habitação do monte Sião e sobre suas congregações uma nuvem e fumaça de dia, e um resplendor de fogo flamejante de noite; e sobre toda a glória haverá proteção; e haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva." Quantas vezes já citei esta passagem! Não me canso de citá-la ainda. É um dos grandes eventos dos últimos dias; é uma daquelas maravilhas e prodígios que estão bem próximos. Uma Sião a ser edificada; uma cidade de Sião com habitações, e sobre essas habitações uma luz sobrenatural de noite, e uma nuvem sobrenatural de dia. Nenhum evento assim aconteceu desde que esta profecia foi proferida pelo profeta Isaías; resta cumprir-se nos últimos dias. Não é de admirar, então, que o Senhor tenha dito a Joseph Smith no ano de 1831, isto é, antes de sermos um grande povo, quando éramos apenas algumas centenas, que bem inspirado ele foi ao dizer que Sião se tornaria grande e gloriosa, e que chegaria o dia em que as nações da terra estremeceriam por causa dela, e temeriam por causa de seus homens terríveis; pois a glória de Deus estará ali, e o poder do Senhor estará ali quando chegar o dia em que a cidade de Sião for revestida com o glorioso apêndice aqui predito; quando o ramo do Senhor se tornar belo e glorioso, e o fruto da terra, excelente e formoso; quando chegar aquele dia em que sete mulheres lançarão mão de um homem, dizendo: "Comeremos do nosso pão e nos vestiremos de nossos vestidos; tão somente sejamos chamadas pelo teu nome, para tirar o nosso opróbrio"; quando chegar aquele dia em que o Senhor Deus mostrará seu poder em Sião -- sobre seu Tabernáculo, sobre seu Templo, seus lugares de reunião, suas residências, palácios, torres, muros e portas -- quando chegar aquele dia, isso espantará as nações até os confins da terra. Assim vocês veem por que os reis da terra subirão a Sião. Eles não subiriam se não acontecesse algo muito extraordinário. Vocês supõem que os reis abandonariam seus tronos e sua glória terrena e subiriam ao monte do Senhor para serem ensinados em seus caminhos e instruídos em suas veredas, e que muitas nações diriam, "Vinde, subamos à casa do Senhor," se não houvesse algo muito extraordinário manifestado no meio de Sião? Vocês poderiam ir pregar-lhes, como pregam os sectários, até ficarem grisalhos, e mal conseguiriam se aproximar do trono de um rei, muito menos conseguiriam persuadi-lo a deixar seu reino e seu trono e subir a Sião. Mas quando o Senhor começar a se mover, e mostrar seu poder, quando ele começar a iluminar as habitações de Sião, quando ele vier a Sião para afastar a impiedade de Jacó, então penso que as nações começarão a despertar.

Leremos um pouco mais sobre a glória de Sião nos capítulos 59 e 60 de Isaías. Disse-lhes há pouco que Jesus viria a Sião e ali mostraria sua glória, enquanto os judeus seriam reservados para uma grande castigação, e seriam afligidos pelas nações que se ajuntariam contra eles, lutando contra eles e levando cativa metade da cidade, e assim por diante. Ora, deixem-me ler uma profecia na última parte do capítulo 59 de Isaías. "Então temerão o nome do Senhor desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor levantará a bandeira contra ele. E um Redentor virá a Sião e aos que se convertem da transgressão em Jacó, diz o Senhor. Quanto a mim, este é o meu convênio com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus em tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua semente, nem da boca da semente da tua semente, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre. Levanta-te, resplandece; porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor já vai nascendo sobre ti." Notem aqui, então, que o Redentor há de vir a Sião, no tempo em que cada habitação for iluminada por sua luz, e a todos os que se converterem da transgressão em Jacó.

Ora, permitam-me observar aqui que este remanescente da casa de Israel ou de Jacó, a que chamamos os índios americanos, hão de se tornar, com o tempo, um ramo justo da casa de Israel; quando se cumprirem os tempos dos gentios, serão contados entre o povo do convênio feito com o antigo Israel, serão um ramo do Senhor, belo e glorioso, excelente e formoso, e o poder do Senhor estará sobre eles. Naquele dia Jesus virá a eles, sendo eles um remanescente da tribo de José. Então se cumprirá o que foi predito pelo patriarca Jacó sobre os descendentes de José. Falando de José, ele diz: "José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto à fonte; seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, e o flecharam e o odiaram. O seu arco, porém, permaneceu firme, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Valente de Jacó (de onde é o pastor, a pedra de Israel)."

Quando Jesus vier a Sião, como aqui predito no capítulo 59 de Isaías, virá no caráter de um grande pastor. Não nas nuvens do céu com poder e grande glória; mas aparecendo no meio de Sião e ministrando aos remanescentes de José no caráter de pastor. De onde é o pastor, a pedra de Israel. Ora, todos sabemos que Jesus descendeu de Judá; mas aqui há uma declaração de que de José é o pastor, a pedra de Israel. Isto é, ele virá pela segunda vez como pastor. Ele reunirá seu rebanho, ou, como disse o Salmista Davi: "Tu, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias José como a um rebanho, desperta o teu poder e vem salvar-nos." Ele virá como pastor, despertará o seu poder e mostrará o seu poder, e o remanescente de José será conduzido por seu pastor, muito antes de os judeus serem redimidos. "Levanta-te e resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do Senhor já vai nascendo sobre ti."

Em que condição vocês supõem que estarão os iníquos naqueles dias, mesmo todos os habitantes da terra, exceto Sião? "Porque eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão, os povos; porém sobre ti o Senhor virá nascendo, e a sua glória se verá sobre ti." Que diferença entre Sião e o resto da humanidade! Trevas cobrindo os quatro cantos do globo. Por que trevas? Porque o sal da terra foi ajuntado; os filhos da luz foram reunidos em Sião, e os que ficam para trás estão em trevas, isto é, muitos deles. Sem dúvida haverá pessoas honestas, e um grande número que virá a Sião, apesar das trevas que cobrem a terra.

Leremos o próximo versículo: "E as nações caminharão à tua luz, e os reis, ao resplendor da tua aurora." "As tuas portas estarão abertas continuamente; nem de dia nem de noite se fecharão; para que tragam a ti as riquezas das nações, e conduzidos com elas, os seus reis. Porque a nação e o reino que não te servirem perecerão; e as tais nações de todo serão assoladas." O quê! Nenhum povo ou nação restará que não sirva a Sião? Nenhum. O que será feito desta grande república, com seus quarenta milhões de habitantes, e que continua a se expandir? Se se conformarem com as ordenanças de Sião, se arrependerem de seus pecados e se prepararem para este grande e glorioso dia, Deus os salvará; mas, se não o fizerem, serão totalmente assolados. Assim declararam os profetas. "Também virão a ti, inclinando-se, os filhos dos que te oprimiram; e prostrar-se-ão às plantas dos teus pés todos os que te desprezaram; e chamar-te-ão a cidade do Senhor, a Sião do Santo de Israel." Ora, aqui está um pouco de conforto para vocês, mineiros: "Por cobre trarei ouro, e por ferro trarei prata, e por madeira, bronze, e por pedras, ferro; e farei pacíficos os teus inspetores, e justos, os teus exatores. Nunca mais se ouvirá violência na tua terra, desolação nem destruição, nos teus termos."

As guerras cessarão naqueles dias. "Nunca mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória." Sião não precisará do sol quando o Senhor estiver ali, e toda a cidade for iluminada pela glória de sua presença. Quando todos os céus acima forem iluminados pela presença de sua glória, não precisaremos daqueles luminares brilhantes do céu para dar luz, no que diz respeito à cidade de Sião. Mas haverá um grande povo em redor, habitando em outras cidades, que ainda precisará da luz do sol e da lua; mas a grande cidade capital, onde o Senhor estabelecerá um de seus tronos -- pois seu trono não estará somente em Jerusalém, estará também em Sião, como encontrarão em numerosas passagens desta Bíblia. Quando, portanto, ele estabelecer seu trono em Sião e iluminar as habitações dela com a glória de sua presença, não precisarão daquela luz que vem dos luminares brilhantes que resplandecem naqueles céus, mas serão revestidos com a glória de seu Deus. Quando o povo se reunir em assembleias como esta, em seus Tabernáculos, o Senhor se reunirá com eles, sua glória estará sobre eles; uma nuvem os cobrirá de dia, e, se acontecer de terem uma reunião à noite, não precisarão de luz a gás ou de luzes de natureza artificial, pois o Senhor estará ali e sua glória estará sobre todas as suas assembleias. Assim diz o profeta Isaías, e eu creio nisso. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Sião”, (1872-03-10). Pulpit Vault, 1872-03-10-pratt-zion. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).