A Glória Celestial — a Civilização Moderna — o Governo Familiar
Brigham Young
Como o irmão Smith e eu, com outros, partiremos deste lugar amanhã de manhã para uma excursão de pregação pelos povoados do norte, desejamos dizer algumas palavras. Minhas observações serão para todos, tanto Santo quanto pecador; para os que são Santos, para os que desejam sê-lo, e para os que não desejam sê-lo. Lerei o quinto parágrafo da sétima seção do Livro de Doutrina e Convênios. Ao consultar aquele trecho, encontrarão as seguintes palavras: ¶
"E os que não forem santificados por meio da lei que vos dei, sim, a lei de Cristo, herdarão outro reino, sim, um reino terrestre ou um reino telestial. Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial; e aquele que não consegue viver a lei de um reino terrestre não consegue suportar uma glória terrestre; aquele que não consegue viver a lei de um reino telestial não consegue suportar uma glória telestial; portanto, não é digno de um reino de glória. Portanto, deve permanecer num reino que não seja um reino de glória." ¶
Estas palavras estabelecem o fato a que Jesus se referiu quando disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas." Quantas, não estou preparado para dizer; mas aqui se fala distintamente de três: a celestial, a mais alta; a terrestre, a seguinte, abaixo dela; e a telestial, a terceira. Se nos déssemos ao trabalho de ler o que o Senhor disse a seu povo nos últimos dias, descobriríamos que ele fez provisão para todos os habitantes da terra; toda criatura que deseja, e que se esforça, ainda que minimamente, por vencer o mal e subjugar a iniquidade dentro de si mesma, e por viver digna de uma glória, possuirá uma. Mas, "Na casa de meu Pai há muitas moradas," diz o Salvador; ele preparou lugares para seus filhos; mas os Santos, nós que recebemos a plenitude do Evangelho do Filho de Deus, ou o reino dos céus que veio à terra, estamos de posse daquelas leis, ordenanças, mandamentos e revelações que nos prepararão, mediante rigorosa obediência, para herdar o reino celestial, para entrar na presença do Pai e do Filho. Enquanto Jesus esteve aqui na terra, seus seguidores perguntavam sobre sua futura morada, pois todos queriam estar com ele. Diziam, em efeito: "Aonde fores, queremos ir; onde habitares, queremos habitar"; e diziam: "Onde viverás daqui em diante, e qual será teu estado e condição?" Respondeu Jesus: "Eu sou do Pai; eu estava com ele antes de lançados os fundamentos do mundo; eu e meu Pai somos um, viveremos juntos"; e disse também: "Estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva às vidas" (em nossa Bíblia se lê "que leva à vida", mas se fosse traduzido corretamente seria "que leva às vidas") "e poucos são os que o encontram." ¶
Jesus viajou e pregou, operou milagres, e trabalhou diligentemente de dia e de noite, e quando terminou, quantos havia para permanecer ao seu lado? Quantos havia para crer nele e confessá-lo diante dos escribas e fariseus? Depois de viajar com ele e vê-lo alimentar as multidões com uns poucos pães e peixes, curar os enfermos e abrir os olhos dos cegos, quantos amigos ele tinha quando chegou à cruz? Quantos de seus discípulos havia para dizer: Somos discípulos deste homem que estais prestes a crucificar? Eles se afastaram do caminho. Bem poderia Jesus dizer: "Estreita é a porta, e apertado é o caminho que leva às vidas, e poucos são os que o encontram." Podemos dizer, e com justiça, que a conduta de seus discípulos foi muito notável; pois, por mais que estimassem seu Mestre, e por mais tempo que o tivessem seguido, não havia um homem sequer para permanecer ao seu lado em sua hora de provação. Fazia apenas poucas horas que haviam ceado com ele, quando, somos informados, "Jesus tomou o pão, abençoou-o e partiu-o, e deu a seus discípulos, dizendo: 'Tomai e comei todos deste;' e tomou o cálice, dizendo: 'Tomai isto e bebei todos dele, isto é o meu corpo no Novo Testamento, e isto é o meu sangue no Novo Testamento.'" Tudo isso ocorreu poucas horas antes de sua crucificação; e quando sua morte se aproximou, todos, sem exceção, o abandonaram. Durante seu julgamento, provavelmente todos vocês, até as crianças, já leram a história muitas vezes: quando Pedro foi acusado de ser um de seus discípulos por uma jovem que estava sentada ou de pé por perto, ele negou, dizendo: "Não é assim, não sou um de seus discípulos"; e quando pela segunda vez foi acusado de ser um de seus discípulos, disse: "Não, não é assim, nego firmemente, não sou um de seus discípulos." E quando pela terceira vez a mesma acusação foi feita, ele praguejou e jurou a respeito. ¶
Agora farei uma aplicação disto bem aqui. Por mais que estimemos aquele nome e caráter antigos — o Salvador, que a idade e a antiguidade tornaram tão sagrado para o mundo cristão a ponto de professarem reverenciá-lo —, comparem o rumo que seus seguidores imediatos tomaram com o rumo tomado pelos seguidores de Joseph Smith, o Profeta dos últimos dias, por mais que ele seja desprezado e seu nome ridicularizado. Quase ninguém, por mais elevado que seja socialmente, consegue falar dele com respeito suficiente para chamá-lo de "Senhor" ou "Joseph" Smith, mas geralmente se referem a ele como "Joe" Smith; ainda assim, por mais que seja escarnecido e desprezado, ele teve centenas e milhares que teriam ido à morte com ele quando ele foi à morte, mas Jesus não encontrou um homem sequer. Joseph Smith, embora tenha passado apenas quatorze anos presidindo este povo, organizando a Igreja, proclamando o Evangelho e recebendo revelações, ainda assim teve centenas e milhares de homens e mulheres prontos para ir à morte com ele. ¶
Desejo agora examinar um pouco mais meu assunto, e me referirei à condição presente e às perspectivas futuras dos habitantes da terra. Se tivéssemos tempo de ler, poderíamos mostrar a vocês, Santos dos Últimos Dias, que o Senhor é mais misericordioso para com o povo do que nós somos. Ele tem compaixão das obras de suas mãos, enquanto nós, por meio da Queda, temos uma disposição, em comum com toda a humanidade, que é vingativa, e propensa a ceder à paixão, à ira, à malícia, à cólera, às disputas, às contendas, aos sentimentos odiosos e às palavras impróprias. Todos os homens estão sujeitos a isso; mas os Santos dos Últimos Dias deveriam estar acima disso; e desejo adverti-los, e informá-los de que, se esperam entrar no reino celestial, devem vencer esta fraqueza e as disposições más que herdaram por meio da Queda; devem subjugá-las, e tornar-se seus senhores em nome de Jesus, e tornar-se compassivos para com todos. Já viajei bastante pelo mundo; e embora, por causa do mal que há em mim, seja natural para mim contender, e se me opõem, opor-me também, e se me dizem uma palavra áspera, retribuir com outra áspera, tenho feito isso apenas raramente. Está errado, e devemos vencer essa inclinação. ¶
Foi mencionado aqui a respeito dos Santos deixarem seus lares e serem perseguidos. Podem sê-lo novamente, até onde sei; e se, na providência de Deus, for permitido castigar-nos por nossa maldade e por cedermos ao pecado, espero que possamos suportá-lo com paciência; mas se os Santos dos Últimos Dias viverem sua religião e exercerem fé no nome de Jesus, serão capazes de vencer todo pecado que os assedia dentro de si mesmos; e então seremos capazes de vencer todo inimigo de fora, e viveremos e sobreviveremos a toda calúnia, falsidade e preconceito agora amontoados montanha acima contra nós e ao nosso redor por muitos indivíduos entre as nações. Havemos de superá-los, de reduzi-los ao esquecimento. Mas voltaremos as costas aos santos mandamentos do Senhor e daremos as mãos aos ímpios e perversos para tornar nossa fé popular? Não, Deus não o permita. Tenho a felicidade de crer, saber e proclamar que o Senhor Todo-Poderoso organizou seu reino na terra, e o governa, de tal modo que nenhum homem terá o privilégio de nele entrar e permanecer, e de receber a plenitude de suas bênçãos por meio da cobiça, do egoísmo ou de qualquer espírito de idolatria. Ao contemplar isto, regozijo-me, e estou sobremaneira feliz de que o Senhor tenha assim ordenado que nenhum homem possa ser salvo em seus pecados e em sua iniquidade. Todos terão de vir ao Senhor e ser santificados por meio da graça de Cristo, pela fé em seu nome; sem isto, tenho o prazer de dizer, ninguém pode ser purificado, santificado e preparado para herdar a glória eterna. ¶
Ora, Santos dos Últimos Dias, vocês viverão sua religião? Às vezes não sei ao certo. Vejo e percebo tanto a respeito do poder de Satanás na terra, das más propensões da humanidade e da fraqueza da natureza humana, que não sei se os Santos dos Últimos Dias vão suportar tudo o que virá sobre eles. Açoitem-nos e reconhecerão o Senhor; maltratem-nos e serão Santos. Temos algum exemplo disso? Temos. Peguem muitos destes que estão por aqui, que já estiveram neste Tabernáculo, e alguns provavelmente que estão aqui hoje, e quando estavam em seu próprio país, pobres, aflitos, sem o suficiente para comer, com roupas escassas, sem casa própria para morar, sem propriedade alguma, sem valer nem uma galinha, e com o dedo do escárnio apontado para eles de segunda de manhã a sábado à noite, iam chorando pelas ruas, levando semente preciosa, e declaravam que "o Evangelho é verdadeiro, Jesus falou dos céus, o anjo voou pelo meio do céu e entregou o Evangelho aos filhos dos homens, o reino de Deus está estabelecido, a palavra do Senhor está dentro de mim e estou pronto para declará-la ao povo"; e assim iam chorando semana após semana, mês após mês, ano após ano, em sua pobreza e miséria; mas tragam-nos para cá, e coloquem-nos numa condição de reunir ao seu redor algumas centenas ou milhares, e levantarão o calcanhar contra o Todo-Poderoso; e quando penso nisso, não sei quantos dos Santos dos Últimos Dias vão apostatar. Estejamos agora numa condição em que, se pudéssemos avançar diretamente para uma posição em que fôssemos iguais a nossos vizinhos, iguais às corrupções deste mundo, iguais aos ímpios, teríamos louvor e popularidade. Fico feliz que não seja assim. Se pudéssemos ter o favor do mundo perverso, e tivéssemos as bênçãos amontoadas sobre nós, e fôssemos favorecidos como outros povos, comunidades e territórios são, provavelmente isso desviaria a muitos. Está tudo certo assim. Se suportarmos todas estas coisas e formos pacientes, e vivermos nossa religião, quer tenhamos o suficiente para comer, quer apenas metade disso; quer tenhamos uma boa casa para morar, quer vivamos em tendas, carroças, ou em covas e cavernas, e amarmos o Senhor e nos deleitarmos em fazer sua vontade e andarmos humildemente diante dele, e vencermos toda paixão e má propensão, e subjugarmos o homem velho dentro de nós, para que Cristo possa viver dentro de nós — o homem novo, para sua glória —, herdaremos a glória celestial. Mas nenhuma pessoa será santificada sem a lei — a lei que o Senhor deu será observada por poucos, comparativamente, quando levamos em conta o vasto número dos que viveram na face da terra. Não há perspectiva alguma de que multidões deles sejam santificadas pela lei de Cristo. O que faremos por eles no Milênio, não me cabe dizer inteiramente. Faremos muito, disso não há dúvida. É motivo de grande regozijo, e deveria suscitar gratidão nos corações de toda a humanidade, que o Senhor tenha prometido um dia de descanso. Chegará o dia em que Jesus reinará como Rei das nações, assim como agora reina como Rei dos Santos, e este glorioso descanso que os Santos têm esperado por milhares e milhares de anos, desde os dias de Adão até agora, chegará. Têm esperado pelo corpo ausente, assim como diz João, o Revelador, que viu as almas debaixo do altar clamando: "Até quando, ó Senhor?" Estamos esperando pelo corpo ausente; até quando o esperaremos? Ele virá novamente, com o tempo, e o espírito e o corpo serão reunidos; mas quantos estarão preparados para entrar no reino celestial, a menos que se oficie por eles, não me cabe dizer. Mas se nos preservarmos na verdade e vivermos de modo a sermos dignos do reino celestial, com o tempo poderemos oficiar por aqueles que morreram sem a lei — os honestos, honrados, bons, verdadeiros, virtuosos e puros. Com o tempo nos será dito: "Ide e sede batizados por eles, e recebei as ordenanças por eles"; e o coração dos filhos se voltará para os pais que dormiram em suas sepulturas, e lhes assegurarão a vida eterna. Isto deve ser, para que o Senhor não venha e fira a terra com uma maldição. Os filhos sairão e reavivarão esta lei para aqueles que dormiram por milhares de anos e que morreram sem a lei. Jesus preparará um caminho para trazê-los à sua presença. Mas não fosse pelos poucos que estarão preparados aqui na terra para oficiar quando o Senhor vier reinar como Rei das nações, qual seria a condição do mundo? Dormiriam e continuariam dormindo; mas o caminho está preparado para sua redenção. ¶
Ora, aqueles que não podem viver a lei do reino celestial não podem suportar a glória de um reino celestial. Todos os cristãos esperam a glória celestial, mas podem suportá-la? Não podem; ela os consumiria, pois "o nosso Deus é um fogo consumidor." Pensam que poderiam suportar um reino celestial; mas não poderiam. Terão de permanecer em outro reino e outra glória, de acordo com as vidas que levam e o conhecimento que possuem aqui. Quando olhamos para isso, deveríamos ter compaixão e sermos caridosos. Quero dizer: muitos padres já estiveram aqui, e já falei diante deles; se houver algum aqui hoje, digo a eles e a todo padre na face da terra, não me importa se são cristãos, pagãos ou maometanos, deveriam viver de acordo com a melhor luz que possuem; e se o fizerem, receberão toda a glória que jamais anteciparam. Não deveríamos ter o menor preconceito contra vocês; mesmo que sejam contra nós e declarem falsidades a nosso respeito, não deveríamos retaliar. Mas como somos propensos a repreender se somos repreendidos, ou a retribuir uma palavra áspera com outra! Os Santos dos Últimos Dias têm de vencer isso; e o mundo pode clamar e dizer toda sorte de mal contra nós, mas, meus irmãos e irmãs, vivamos de tal modo que seja dito falsamente. Se fizermos isso, felizes seremos; mas se for verdadeiro, ai dos Santos dos Últimos Dias! Que todo o mal que se diz do povo chamado Santos dos Últimos Dias seja dito falsamente, como algo que ouvi há uma semana, esta noite. Devo mencioná-lo? Com que rapidez o "velho Adão" se levantou dentro de mim, quando o cavalheiro que falava apontou o dedo e disse: "Vocês, assassinos!" E pensei: "Não vai prová-lo?" Não disse uma palavra; pensei nisso por um minuto, e concluí que não valia a pena notar. Ele não disse "vocês, Santos dos Últimos Dias," mas sua congregação era composta principalmente de Santos dos Últimos Dias, e disse ele: "Vocês, assassinos!" Poderia ele prová-lo? Não, não, não poderia. Poderia qualquer homem prová-lo? Nenhum homem que vive na face da terra; não pode ser provado. Por quê? Porque os Santos estão livres e isentos desse crime, essa é a razão. Que o mal que dizem de nós seja tão falso quanto aquilo, quando estavam prestes a nos levar todos a julgamento! ¶
Creio que me atreverei a dizer um pouco mais. O cavalheiro disse que todos seriam levados a julgamento, e disse ele: "Vocês que têm duas esposas estarão lá!" Pensei comigo mesmo: "Glória, aleluia, estaremos junto com o pai Abraão, Isaque e Jacó, e com Moisés e os profetas." Não desejo dizer uma palavra sequer que lance qualquer reflexão negativa; mas pena, pena! Abram a Bíblia e leiam de Gênesis a Apocalipse, e toda a soma da religião cristã, e tudo o que podem ensinar e dizer é: "Vinde a Cristo, vinde a Cristo!" Ora, certamente, isso está certo. Vinde a Cristo, e com isso abandonai os pecados, e quando fizermos isso, guardar os mandamentos de Cristo e cumprir a lei exatamente como ele fez. Disse ele: "Não vim para destruir a lei, mas para cumpri-la"; e declarou que cada jota e til dela seria cumprido. Ora, perdoem-me, mas se sou um Santo, meu coração se encheria de pena, ó, quanta pena, e ainda assim eu poderia dizer, com justiça e verdade, embora possa soar duro aos ouvidos de alguns: "Ó néscios, e tardos de coração para crer" em tudo o que está escrito a respeito de Jesus e dos profetas, da obra dos últimos dias, do Milênio, da vinda do reino de Deus sobre a terra, da purificação e revolução dos habitantes da terra, e da preparação deles para a vinda do Filho do Homem! Poderia dizer a todo o mundo cristão, com justiça: "Ó néscios, e tardos de coração para crer no que está escrito na Bíblia e em outros livros a respeito destas coisas." ¶
Digo "outros livros," pois cremos em outros livros além da Bíblia; mas por isso cremos numa inverdade? Não. Ouvi algo esta manhã sobre nossa religião ser vulgarmente chamada de "mormonismo." Digo que não é chamada vulgarmente assim. Mórmon foi um homem bom, e está no céu, ou em bom lugar, de qualquer modo; e o Livro de Mórmon leva seu nome, e nós o cremos. O que significa a palavra "mórmon"? No sentido estrito, e conforme foi traduzida pelos antigos, significa "mais bem." Mórmon, mais bem; e o "mormonismo" abrange toda a verdade que há no céu e na terra; e se há alguma no inferno, pertence a nós. Toda verdade nas ciências e nas artes, e todo conhecimento que Deus deu ao homem em mecânica, e de fato na terra, que é apenas um pequeno ponto entre as criações de Deus e todo o universo, tudo isso está incorporado e constitui o que o mundo chama de "mormonismo." Se temos erros, e vendo que somos exatamente como outras pessoas, é natural supor que não estamos livres deles, deveriam ser vencidos. Não há outro povo na face da terra que tenha a lei de Deus como os Santos dos Últimos Dias a têm. Creem nas ordenanças da casa de Deus, creem nas leis que o Senhor revelou para a salvação dos filhos dos homens. Todas estas santas ordenanças estão abrangidas em nossa fé. Tentamos viver de acordo com elas, e isso estritamente; e quando algo é dito contra nós, só peço a meus irmãos e irmãs que vivam de tal modo que seja dito falsamente — vivam de modo a serem inocentes — sejam inocentes, cheios de fé, boas obras, caridade, amor, longanimidade, paciência, piedade e bondade fraternal. Se enchermos nossas vidas com estas boas obras, felizes seremos, não importa para onde vão os outros ou o que digam ou façam; ou se algum dia nos derem nossos direitos, segundo a estimativa deles ou segundo a nossa. Se fizermos isso, Deus nos dará nossos direitos. Viveremos em paz e prosperaremos, e viveremos em esperança; e se cumprirmos nosso dever, superaremos todo obstáculo, todo inimigo opositor, todo espírito e influência opostos que se levantem contra nós como nação ou como nações; e viveremos, como espero seja nosso propósito constante, de modo a glorificar a Deus. Não para ganhar as lisonjas e a comunhão do mundo, pois não daria um estalar de dedos por elas; pois, como o mundo é, não quero sua comunhão. Deveria ter seus bons sentimentos! Por quê? Porque nada faço senão fazer-lhes bem. Não há um cristão professo na face da terra que, se soubesse o que sabemos, não orasse pelos Santos dos Últimos Dias. Por quê? Porque temos as chaves da salvação para os filhos dos homens, que foram restauradas à terra pelo Todo-Poderoso nestes últimos dias, e estamos fazendo tudo o que podemos por sua salvação. ¶
Falem de perseguição, pois isso só vem daqueles que odeiam a verdade. Quando se fala falsidade contra este povo, não importa por quem, seja padre ou povo, isso vem de um coração impuro e perverso. Alguns dizem que somos todos perversos. Sim, somos todos perversos; mas não deveríamos permitir que nossas línguas proferissem muitas das coisas que são proferidas. Ainda não somos puros o bastante; não somos santos, não somos santificados; não, os Santos dos Últimos Dias não são santificados, e se alguém pensa que nós, como povo, somos um padrão para a família humana, apenas o remeteríamos, a ele e a toda a humanidade, aos mandamentos e revelações que o Senhor deu para a salvação de suas criaturas; eles são perfeitos, mas nós somos imperfeitos. Estamos tentando ser perfeitos, e tentando santificar o Senhor Deus em nossos corações, e honrar seu nome, caráter e leis, e espalhá-los tanto quanto possível ao leste, oeste, norte e sul, e reunir tudo o que será reunido no reino celestial; mas dar as mãos ao mundo e ter comunhão com ele, não, não! Em primeiro lugar, eles não terão comunhão conosco, e em segundo lugar, não podemos ter comunhão com eles. Teremos comunhão com toda boa palavra, todo bom pensamento e toda boa obra; mas não podemos ter comunhão com eles em rebelar-se contra a verdade. ¶
Falando de perseguições, negligências, desprezos e insultos, não foi um insulto para o Presidente dos Estados Unidos, depois de convocar nossos homens para libertar esta terra de um governo estrangeiro, o que fizemos, no que diz respeito a toda a Alta Califórnia, pois foi adquirida pelos Santos dos Últimos Dias do Governo mexicano; e sobre ela hasteamos a bandeira americana, e a temos mantido desde então; e então nosso Chefe Magistrado fazer guerra contra o povo que na verdade tanto acrescentou ao domínio público e o colocou sob o estandarte e a bandeira de seu Governo, enviar um exército para nos devastar e destruir, foi isso generoso? Evidenciou bondade fraternal? Foi de acordo com a luz cristã? Foi de acordo com o Novo Testamento, as palavras do Salvador, ou os atos dos sábios e dos bons? Deixamos que todos julguem. Mesmo assim, não conseguiram fazê-lo, não, nem tampouco conseguirão. ¶
O que fizemos quando chegamos aqui? Algumas palavras sobre isso. Manifestamos ao mundo que sabíamos cuidar de nós mesmos? O que trouxemos conosco? Cinco vezes fui desfeito e deixei para trás uma bela propriedade. Nunca olhei para trás, pois sabia que a terra era do Senhor, e a sua plenitude, e que ele poderia me dar o que lhe aprouvesse; por isso nunca olhei para trás, mas marchei sempre em frente, cinco vezes. O que trouxemos para cá? Nada; viemos para cá, comparativamente, como diz o velho ditado, nus e descalços. Vivemos aqui há vinte e quatro anos, e agora nos dizem que, se pudermos convencer o povo dos Estados Unidos de que realmente sabemos nos governar, controlar e sustentar, então poderemos ter um Governo Estadual, para conseguirmos um pouco de terra para educar nossos filhos e nos ajudarmos um pouco. Suponho, por isso, que desejam insinuar que, até agora, não provamos que podemos nos sustentar e governar. O que é necessário, a julgar pelo padrão da civilização, para provar isso? O que é preciso para constituir um povo capaz de se governar e controlar? Ora, observem, na estimativa da civilização, é necessário um povoado, um território e súditos para esse território; e depois são necessários certos ingredientes dentro desta comunidade para constituir civilização. Por onde começaremos? Construiremos uma taverna, essa será a primeira coisa, e teremos alguns armazéns; e traremos a bebida. A descrição de um equipamento para as minas nos primeiros tempos servirá para ilustrar e completar o quadro. A primeira coisa era um barril de uísque, depois dez libras de carne seca, e uma caixa de biscoitos; o que mais? Um barril de dez galões de uísque e quatro libras de queijo, dez de manteiga, depois outro barril de uísque, em seguida dez libras de carne seca, dois sacos de farinha, e assim por diante. Ora, depois de termos um punhado de tavernas e podermos ver, todo sábado, homens bebendo nas ruas, gritando, fazendo correr seus cavalos, atropelando crianças, e talvez chegando às vias de fato, com a cabeça de alguém quebrada, ou alguém alvejado, e tendo alguns salões de jogo, então estamos prontos para uma capela, e aqui vem o padre pelas ruas lamentando os pecados do povo, clamando: "Ah, que lugar miserável é este." Isso é civilização. Perdoem-me, este não é um quadro exagerado, mas é uma representação do que é erroneamente chamado civilização. Mas é assim aos olhos do céu? Não, é civilização aos olhos da imundícia e da corrupção, é isso que é. ¶
Chamar isto de civilização é como dizer a uma mãe bondosa, sensata e amorosa: "A senhora não é capaz de cuidar de seus filhos, vamos tirá-los de você." O que há de errado, mãe? E a mãe diz: "Ora, meus filhos me obedecem. Não faço nenhum pedido a eles que não atendam; e são dispostos e obedientes. Ensino-os a orar de manhã e de noite; ensino-os a ler a Bíblia, a serem bons, a não dizer falsidades, mas a serem verdadeiros e honestos, e a não tirar dos vizinhos nem o valor de um alfinete; a não brigarem uns com os outros por causa de seus brinquedos." E esta mãe é bondosa, amorosa e agradável, e seus filhos a amam, e pela manhã correm de braços abertos e a saúdam com: "Mamãe, que alegria vê-la, a senhora está bem?" E à noite, ao irem dormir, a mãe diz: "Boa noite, meus queridos, venham me dar um beijo." Mas esta mãe não é digna de seus filhos, e eles devem ser tirados dela e postos fora; ela é gentil demais com eles, e tem controle perfeito sobre eles. É isso que temem. E o pai, quando volta de seu trabalho, de sua loja ou oficina, é recebido com semblantes sorridentes, e "boa noite, pai, ou papai," e tem um beijo para cada um deles, e uma bondosa boa noite para todos, e amor e paz perfeitos reinam entre eles. Mas essa mãe e esse pai são indignos daqueles filhos; o modo como os educaram não é civilização. Açoitem-nos, ensinem-nos a brigar, a lutar, a derrubar uns aos outros, e finalmente ponham-nos porta afora! Isso é civilização segundo a noção do mundo. Esta é uma comparação, e pode ser forte; mas ponham-na na balança e vejam quanto pesa. Estarão eles, entre os quais prevalecem tais maneiras e princípios, preparados para o reino celestial, ou para um reino terrestre ou telestial, não importa quem sejam? Penso que não. Terão de permanecer num reino onde não há glória. ¶
Ora, pois bem, por que não tomar esta família e deixar que papai e mamãe eduquem seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor, e lhes ensinem todo bom princípio moral, e a fé no nome de Jesus? Ao meu certo conhecimento, crianças em nossa comunidade, quando a mamãe esteve doente, disseram: "Mamãe, não está melhor?" "Por que perguntas, minha querida?" "Ora," diz a menininha, "orei por você; está melhor?" "Sim, minha querida." Já testemunhei muitas e muitas vezes crianças orando pelo pai ou pela mãe, e aquela mãe ou aquele pai sendo curados por meio da fé da criança. Mas isso não é civilização. Não; por isso, vocês, Santos dos Últimos Dias, não devem ter terras para usar na educação de seus filhos. Devem ser amarrados, devem ser governados; não são capazes de se governar e controlar. E, no entanto, milhares e milhares deles, que dizem isso, admitirão que temos a melhor organização e somos a comunidade mais bem governada que já viram. Mas o que há de errado quando se afastam? Ora, papai e mamãe beijam os filhos, e os filhos beijam papai e mamãe, e isso não serve, não é civilização. Chutar, esbofetear e repreender de manhã à noite deve ser a história, "então estaremos prontos para recebê-los!" Vergonha para tal conduta! Vergonha para tal arte de governar! ¶
"Ora, não gosto de suas instituições peculiares!" Nunca fomos expulsos por causa de nossas instituições peculiares de que falam, e se pudermos superá-los em conduta peculiar, estou muito enganado! Já vi homens virem aqui, que se moviam na mais alta sociedade do continente americano, e "Quem o senhor trouxe consigo?" "Minha esposa," diz ele, e logo se descobre que não é sua esposa, mas uma mulher que ele contratou para vir aqui. Em certa ocasião, um juiz veio aqui com uma mulher que havia sido rejeitada por um Congressista, e ela se assentou com ele no lugar do juízo e o reivindicava como marido; mas quando ele havia terminado com ela: "Pode ir agora, não a quero mais." Fará um "mórmon" isso? Não, jamais; se o fizer, será condenado; e qualquer homem que o fizer irá para o inferno, marquem bem minhas palavras. E isto é civilização! ¶
Podem eles herdar estas glórias? Não; o Senhor revelou o fato de que o povo deve ser santificado; e se não podem viver e ser santificados por uma lei celestial, não podem herdar esta glória; e devem viver e ser santificados por uma lei terrestre e herdar uma glória terrestre. Mas escolheremos todo homem e toda mulher na face da terra que possivelmente pudermos salvar, e lhes daremos vida e salvação por meio da obediência às exigências do céu. É assim que é dado, obtido e desfrutado. O espírito do Evangelho vem pela obediência ao Evangelho. ¶
Quero dizer algumas coisas aos Santos dos Últimos Dias, pois ainda não desabafei nem metade do que trago em mente. Viverão vocês de modo a tornar certos seu chamado e eleição? Vocês têm uma obra a fazer, e ela requer uma vida santa para prepará-los a fazê-la. Ora, encarrego-os novamente, e encarrego a mim mesmo, de não me irar. Nunca deixem a ira surgir em seus corações. Não, Brigham, nunca deixe a ira surgir em teu coração, nunca, nunca! Embora possas ser chamado a corrigir e a falar duramente ao povo, não deixes a ira surgir em ti, não, nunca! Santifiquemos o Senhor Deus em nossos corações e vivamos para sua honra e glória, e tudo estará certo conosco; e com o tempo veremos o que acontece àqueles que nos dizem: "Vocês não podem ter seus direitos." ¶
Direi apenas à nação em que vivo, e que me deu à luz: o Senhor Deus Todo-Poderoso tem uma controvérsia contigo, e te levará a julgamento, e nenhum poder pode impedi-lo. É o decreto do Todo-Poderoso nos céus, e assim será. Preparemo-nos para isso, Santo e pecador. Esta vida é apenas um momento, e é apenas preparatória para um estado mais elevado de glória. Estamos aqui em trevas e ignorância; mas isso é para nos dar uma experiência que nos permita entrar num estado mais elevado de conhecimento, entendimento, luz e inteligência. Para que possamos subir cada vez mais alto, e não sermos rebaixados quando entrarmos no próximo estado de existência, digo aos habitantes da terra, por amor de Deus e por seu próprio bem, sigam aquele caminho para que, quando entrarem em outro aposento, ou depuserem este tabernáculo mortal, estejam preparados para um estado mais elevado de glória. Não será a civilização atual que os preparará para isso; mas a rigorosa obediência às exigências do céu, com toda honestidade, sinceridade, pureza, humildade de coração e fidelidade a nosso Deus. Que ele nos ajude a fazê-lo. Amém! ¶