Pulpit

O Cumprimento da Profecia — A História Primitiva da Igreja — O Livro de Mórmon

Orson Pratt

1871-03-19

Lerei uma porção da palavra de Deus contida no Salmo 85:

"Abençoaste, Senhor, a tua terra; fizeste voltar o cativeiro de Jacó.

"Perdoaste a iniquidade do teu povo; cobriste todos os seus pecados. (Selá.)

"Fizeste cessar toda a tua indignação; desviaste-te do ardor da tua ira.

"Faze-nos voltar, ó Deus da nossa salvação, e faze cessar a tua ira de sobre nós.

"Acaso estarás sempre irado contra nós? Ou estenderás a tua ira a todas as gerações?

"Não tornarás a reviver-nos, para que o teu povo se alegre em ti?

"Mostra-nos, Senhor, a tua misericórdia, e concede-nos a tua salvação.

"Escutarei o que Deus, o Senhor, falar, porque falará de paz ao seu povo, e aos seus santos: mas não voltem eles à loucura.

"Certamente a salvação está perto daqueles que o temem, para que a glória habite na nossa terra.

"A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.

"A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.

"Também o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fruto.

"A justiça irá adiante dele, e a porá no caminho dos seus passos."

Esta foi uma oração e profecia proferida pelo antigo Salmista a respeito da casa de Israel. Estes salmos foram escritos pela inspiração do Espírito Santo, e a maioria deles era, por natureza, profética. Davi era um homem especialmente inspirado pelo Senhor, não apenas para reinar como rei sobre a casa de Israel, mas para proferir muitas predições em forma de salmos, a serem cantados nas congregações de Israel. Ele falou claramente sobre a vinda do Messias; sua morte, e as aflições que viriam sobre ele como Redentor do mundo, e de muitos acontecimentos ligados à sua vinda, todos os quais se cumpriram. Falou também, em muitos salmos, sobre a pregação dos servos de Deus em todas as nações, declarando as obras maravilhosas de Deus. Falou também sobre a segunda vinda deste Messias, a grande glória que seria revelada naquela grandiosa ocasião; falou também, pelo espírito de profecia, sobre a queda das doze tribos de Israel e a grande aflição que viria sobre elas; e também que o Senhor se lembraria delas nos últimos tempos, e as traria ao conhecimento da verdade.

Este salmo que acabo de ler contém uma oração, proferida por este homem inspirado, pela redenção do povo do convênio do Senhor. Que ele não estivesse irado com eles para sempre, que sua ira não se estendesse a todas as gerações; que ele se desviasse do ardor de sua ira e voltasse a mostrar misericórdia ao seu povo.

O Senhor achou por bem, em resposta a essa oração, inspirar o Salmista a proferir estas palavras — "A misericórdia e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram. A verdade brotará da terra e a justiça olhará desde os céus. Também o Senhor dará o que é bom e a nossa terra dará o seu fruto. A justiça irá adiante dele e o porá no caminho dos seus passos."

O Senhor não deixou Davi em incerteza sobre as bênçãos que viriam sobre seu povo do convênio; ele foi informado, nas palavras que repeti, de que o Senhor pretendia novamente conceder suas bênçãos depois de castigar suficientemente Israel; que pretendia trazê-los de volta à sua própria terra; que pretendia abençoar aquela terra que lhes fora dada como herança, e que aquela terra novamente daria o seu fruto ao seu povo. Mas antes de fazer isso, ele prometeu que a verdade brotaria da terra, e que, ao mesmo tempo, a justiça olharia desde os céus; que a verdade iria diante de sua face e o poria no caminho dos seus passos.

Nós vivemos, Santos dos Últimos Dias, na época em que esta profecia está se cumprindo. Vivemos para contemplar o período glorioso surgir sobre esta criação, quando Deus condescendeu em trazer a verdade da terra, e ao mesmo tempo manifestou sua justiça desde os céus — isto é, sua lei. Não preciso dizer aos Santos dos Últimos Dias que agora estão diante de mim como esta profecia se cumpriu, pois eles já a compreendem. Pode haver, contudo, estranhos em nosso meio que não compreendem estas coisas como nós as compreendemos; e talvez seja bom mencionar brevemente o cumprimento desta profecia manifestado no surgimento e progresso desta Igreja. Esta Igreja existe hoje em consequência do cumprimento destas palavras. Nunca teria havido um povo como A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, se Deus não tivesse novamente se manifestado em cumprimento a esta profecia. Ele achou por bem, após tantas gerações terem passado, revelar-se novamente aos filhos dos homens, embora fosse contrário às opiniões e ideias deles que Deus voltasse a falar aos habitantes da terra. Concluíam eles que toda comunicação dos mundos eternos estava cortada, que, embora houvesse um Deus e muitos anjos e mensageiros em sua presença, ele jamais os enviaria novamente aos habitantes do nosso globo para revelar algo novo.

Estas têm sido as ideias de nossos pais por muitas gerações passadas.

Todo o mundo cristão foi iludido por estas ideias por uns dezessete ou dezoito séculos.

A ideia teve origem na igreja apóstata que surgiu nos dias dos Apóstolos; uma igreja que negou o espírito de revelação e teve a maldade e a audácia de proclamar, diante e nos olhos da Bíblia, que não precisava de nova revelação; que já tinha o suficiente. Os concílios que se reuniram perto do fim do terceiro e do quarto séculos da era cristã decidiram introduzir leis e regras entre a igreja. As igrejas grega e católica excomungavam todas as pessoas que cressem no Deus da revelação.

Reuniram diversos manuscritos que haviam recolhido em várias partes da terra, aos quais chamaram a plenitude do cânon das Escrituras; então promulgaram um decreto de que se alguma pessoa fosse encontrada crendo em algo além do que estava contido em seu cânon, essa pessoa não teria plena comunhão na igreja; que seria desassociada e anatematizada. Esta doutrina má e abominável foi transmitida por muitas gerações nas igrejas grega e católica romana, e será encontrada em todos os seus escritos — os escritos de seus mais notáveis arcebispos. Declaram que não receberam nem creram em nenhuma nova revelação; que sua regra de fé e prática era a antiga Escritura; que a igreja deveria ser guiada por essas leis antigas, e pelas tradições de seus pais — tradições transmitidas dos dias dos Apóstolos até os seus dias. Assim vedes que toda comunicação vinda dos céus foi cortada por decreto próprio; eram piores que os pagãos. Nabucodonosor, um grande rei pagão acostumado a adorar ídolos todos os seus dias, não havia apostatado do Deus verdadeiro como haviam feito esses cristãos professos, pois ele cria no Deus que dá revelação. Temos um relato no Livro de Daniel de como o Senhor se revelou àquele rei pagão em um sonho. Mas ele esqueceu o sonho e enviou uma proclamação a todos os sábios da Babilônia para ver se encontrava um intérprete. Ele, por fim, encontrou um na pessoa do profeta Daniel, que revelou ao rei o sonho que o Deus dos céus lhe havia dado, bem como a interpretação; e temos muitos exemplos registrados de que antigos reis pagãos não se haviam afastado tanto do Deus dos céus a ponto de não poderem crer em nova revelação; mas temos diante de nós o exemplo, por muitas gerações, de pessoas que assumiram o nome de Cristo e não creram em nova revelação, e perseguiram os que creem em receber qualquer nova comunicação.

Há uns dois ou três séculos, houve uma grande reforma na Europa — um protesto contra este poder mau, corrupto e abominável que dominara sob o nome de cristão.

Reformaram-se de muitas de suas práticas corruptas, e tiveram poder concedido a eles, embora talvez não o compreendessem plenamente, e o Deus dos céus deu poder a esses reformadores para trazer princípios mais liberais; mas tiveram de fazê-lo em meio a grande perseguição. Conseguiram, porém, edificar denominações a que chamaram cristãs, que haviam abandonado, em certa medida, a corrupção da igreja-mãe. Estes reformadores seguiram a igreja-mãe quanto a limitar sua fé à antiga Escritura; diziam ao povo que não haveria mais revelação. João Calvino e Martinho Lutero sustentavam a opinião de que não haveria mais revelação vinda dos céus; que o cânon das Escrituras estava completo. Receberam este falso dogma da igreja-mãe; não podiam encontrá-lo no Novo Testamento; mas era uma tradição transmitida pela igreja-mãe como sendo fato.

Ora, o diabo não se importava particularmente com quantos bons princípios as pessoas retivessem, contanto que negassem um dos princípios mais importantes dos céus. Cortar a comunicação com o Senhor, fechar os céus, manter os anjos fora da questão quanto a qualquer nova comunicação a ser dada aos filhos dos homens, e o diabo terá alcançado seu objetivo. Estas falsidades foram transmitidas, depois que os reformadores surgiram, em todas as várias denominações, até os dias atuais, até a época em que o Senhor, pela boca de seus santos anjos, chamou Joseph Smith e lhe deu conhecimento, por meio de visão, do lugar onde os antigos registros de uma parte da nação israelita estavam depositados. Naquele período, praticamente não havia povo algum sobre a face de toda a terra que não estivesse, em maior ou menor grau, sob a ilusão dessa doutrina apóstata. O Sr. Smith, porém, não estava contaminado por estas tradições, pois não era membro de nenhuma igreja; isto é manifesto na oração que este jovem ofereceu na ocasião em que o Senhor primeiro se revelou a ele.

Ele saiu para orar, tendo então pouco mais de catorze anos de idade, em um pequeno bosque não muito distante da casa de seu pai. O grande objetivo que ele tinha ao orar era aprender alguns poucos princípios, que ele via serem absolutamente necessários conhecer, segundo seu entendimento, a fim de servir ao Deus verdadeiro e vivo. Ele desejava saber qual, entre todas as denominações que o cercavam, era a verdadeira igreja.

Não é comum que rapazes desta idade se preocupem assim, mas este era o caso de Joseph Smith. Ele não tinha instrução; não havia frequentado faculdade; não fora treinado nos vícios de todas as grandes cidades; era apenas um rapaz do campo, acostumado ao trabalho árduo com seu pai. Provavelmente uma razão pela qual sua mente estava assim preocupada era a excitação religiosa existente naquela vizinhança naquele tempo; alguns de seus próprios parentes haviam se unido à Igreja Presbiteriana, e ele foi ardentemente instado a unir-se a alguma igreja, e, tendo sua mente sido de certo modo influenciada ao ver muitos de seus jovens conhecidos se voltarem para o Senhor, desejou grandemente saber qual era a verdadeira igreja. Era uma grande questão; ele não sabia como satisfazer sua mente, pois não havia lido muito a Bíblia. Ouviu muitas doutrinas diferentes defendidas por ministros a respeito das diversas denominações, o que o levou a ler a Bíblia. Ele veio a deparar-se com certa passagem contida no livro de Tiago: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." Esta passagem, quando ele a leu, pareceu afundar com grande peso em sua mente. Ele achou que era seu privilégio ir ao Senhor e perguntar-lhe a respeito da informação desejada. Como já disse antes, ele não havia sido criado em nenhum dos credos das denominações existentes, e, portanto, era suficientemente confiante para crer no que ali estava escrito: "E se algum de vós tem falta de sabedoria," etc. Ele pensou consigo mesmo que lhe faltava sabedoria, pois de fato desejava saber qual era a verdadeira igreja. Entrou no bosque com a determinação de reivindicar esta promessa. Enquanto assim orava, viu uma luz que parecia aproximar-se dele desde os céus. À medida que se aproximava, parecia ficar mais brilhante, até se estabelecer sobre o topo das árvores. Ele pensou que consumiria as folhas das árvores; mas ela gradualmente desceu e repousou sobre ele. Sua mente foi imediatamente arrebatada. Ele viu, nesta luz, duas gloriosas personagens, uma das quais falou com ele, apontando para a outra, dizendo: "Este é o meu Filho amado, ouvi-o." Esta foi uma gloriosa visão dada a este rapaz. Quando estas personagens o interrogaram para saber o que ele desejava, ele respondeu e disse: "Senhor, mostra-me qual é a verdadeira igreja." Foi então informado por uma dessas personagens de que não havia verdadeira igreja sobre a face de toda a terra; que todo o mundo cristão, por muitas gerações, estivera em apostasia; que haviam negado a comunicação e revelação vindas dos céus; negado o ministério de anjos; negado o poder que havia na igreja antiga, o qual vem por meio do dom do Espírito Santo, e lhe deu muita instrução sobre este ponto, mas não achou por bem, naquela ocasião, dar-lhe pleno conhecimento do evangelho, e do que era necessário para constituir uma igreja verdadeira, e lhe deu alguns poucos mandamentos para governá-lo no futuro, com a promessa de que, se ele os observasse e invocasse o seu nome, viria o dia em que o Senhor lhe revelaria ainda mais, manifestando o que era necessário à constituição da verdadeira igreja. A visão se retirou; as personagens que a acompanhavam e a luz se retiraram. Ele voltou à casa de seu pai, e contou a visão, não apenas a seus pais e vizinhos, mas a alguns dos pregadores das denominações religiosas daquele lugar. Foi expressamente ordenado, na visão, a não se unir a nenhuma dessas igrejas. Quando relatou o que havia recebido nesta visão, os ministros imediatamente zombaram dela, e lhe disseram: "Deus não revela nada em nossos dias; ele revelou tudo o que era necessário nos tempos antigos; ele não fala a ninguém há 1.800 anos." Dali em diante ele foi perseguido, não apenas por ministros, mas por todas as denominações naquela região. "Lá vai aquele rapaz visionário." Este parecia ser o sentimento manifestado, não apenas por professantes, mas por todos; mas ele sabia que Deus havia se manifestado a ele; não podia ser persuadido do contrário, do mesmo modo que Paulo não pôde quando ouviu Jesus em sua primeira visão.

Quando cerca de quatro anos haviam se passado, ele se recolheu em sua cama certa noite de domingo, refletindo sobre a visão anterior, orando ao Senhor para que pudesse receber o cumprimento da promessa — a saber, que, se ele fosse fiel, a verdadeira ordem da Igreja do Filho de Deus lhe seria revelada. Enquanto assim orava, de repente o quarto se iluminou; esta luz continuou a crescer em brilho até que ele viu uma gloriosa personagem, e esta personagem lhe revelou a condição do mundo, a apostasia das nações cristãs, e a escuridão que reinava; revelou-lhe também o que o Senhor pretendia realizar sobre a face de toda a terra em preparação para a sua vinda. Informou-lhe que este continente já fora ocupado por um povo religioso, que compreendia a lei de Moisés e o evangelho; que guardavam entre si registros sagrados, e os escreviam em placas de ouro, que estavam depositadas em certa colina, a cerca de três milhas da casa de seu pai. No mesmo instante em que este anjo lhe falava sobre estas placas, a visão de sua mente foi aberta, de modo que ele pôde ver o lugar de seu depósito. Depois que o anjo lhe deu muitas instruções, retirou-se. Joseph Smith continuou a orar; o anjo veio uma segunda vez, relatou as mesmas coisas novamente, e lhe deu a mesma visão das placas, e ainda mais informações sobre a obra dos últimos dias, e então se retirou uma segunda vez. Ele continuou a orar; o anjo veio uma terceira vez, deu-lhe mais conhecimento e informação, abrindo ainda mais as profecias a respeito dos grandiosos acontecimentos que deveriam se cumprir nos últimos dias. Quando o anjo se retirou dele pela terceira vez, em vez de ir dormir, ele se levantou, e já era o amanhecer. Ele havia conversado com este anjo praticamente a noite toda.

Ele saiu pela manhã, como de costume, com seu pai, para trabalhar no campo, e seu pai, observando que ele parecia pálido, perguntou-lhe se estava doente. Ele respondeu que não se sentia muito bem. Seu pai o aconselhou a ir para casa. Ele começou a voltar para casa, e, depois de percorrer certa distância de seu pai, e antes de chegar à casa, o anjo apareceu-lhe novamente — isto foi à luz do dia — e disse-lhe que voltasse e contasse a seu pai o que havia visto. Ele o fez; foi também ordenado pelo anjo, nesta quarta visão, que fosse ao lugar onde estas placas estavam depositadas. Depois de relatar a seu pai o que havia visto, seu pai declarou que se tratava de uma visão celestial, e disse-lhe que fosse fiel ao que lhe fora revelado. Ele, então, na manhã de 22 de setembro de 1823, dirigiu-se ao lugar e viu onde estas placas estavam depositadas, exatamente como havia visto na visão noturna. Elas estavam depositadas em uma caixa de pedra não muito distante do cume do monte Cumora. A pedra que cobria a caixa era oval; retirando o gramado de suas bordas, ele conseguiu, com o uso de uma alavanca, levantá-la da caixa. Quando viu as placas, viu também um instrumento que os antigos profetas chamavam de Urim e Tumim. Enquanto ele assim contemplava as placas, o anjo veio novamente a ele, e, ao estender a mão para tomá-las, proibiu-o, dizendo que ele precisava de mais experiência; que elas não podiam ser confiadas senão àqueles que tivessem o olhar único voltado para a glória de Deus; que eram registros sagrados, e que ninguém poderia tê-los para propósitos especulativos; e deu-lhe certos mandamentos a guardar, e disse-lhe para visitar aquele lugar novamente um ano depois daquela data, quando ele voltaria a encontrar-se com ele. Ele assim o fez, ao final do ano, e continuou fazendo-o até que quatro anos houvessem se passado; e na manhã de 22 de setembro de 1827, o anjo permitiu-lhe tomar as placas, e também o Urim e Tumim.

Assim vos mostrei como a Verdade brotou da terra, conforme as palavras do nosso texto. O Sr. Smith, sendo pouco instruído, exceto nos ramos elementares ensinados em nossas escolas comuns do leste, sentiu-se, portanto, incapaz, por sua própria erudição, de realizar tão grande obra. Foi-lhe ordenado pelo Senhor que copiasse alguns destes caracteres das placas e os enviasse aos eruditos, o que ele fez; foram enviados à cidade de Nova York pelas mãos de Martin Harris, o velho senhor que vistes aqui na última Conferência. Aquele velho senhor, então um homem de meia-idade, foi a Nova York para ver se encontrava alguma pessoa, entre os eruditos, que pudesse traduzir os caracteres. Ele foi aos professores Mitchell e Anthon, e os caracteres lhes foram exibidos; e o Sr. Harris recebeu um certificado, declarando que, a eles, a tradução de Joseph Smith parecia estar muito correta. Martin Harris não havia dito ao Sr. Anthon como o Sr. Smith obtivera aqueles caracteres. O Professor perguntou ao Sr. Harris como o Sr. Smith obtivera as placas das quais os caracteres foram tirados; ele disse que as obtivera pela administração de um santo anjo, mediante obediência aos mandamentos de Deus. O Sr. Anthon pediu-lhe que lhe deixasse ver o certificado; ele o fez; e, sem qualquer outra consulta, rasgou-o diante de seus olhos, e então disse que, se lhe trouxesse as placas, ele pensava que poderia ajudá-lo na tradução. Todos sabemos que alguns dos caracteres e hieróglifos que foram descobertos em algumas partes da América não podem ser decifrados pelos homens mais eruditos de nossos dias. O Professor escreveu, algum tempo depois, um artigo contra os Santos dos Últimos Dias, no qual corrobora o que acabo de vos contar sobre um simples homem do campo que veio até ele com caracteres.

Assim temos o testemunho do Professor Anthon de que tal circunstância de fato ocorreu, e que tais caracteres lhe foram entregues. Depois que Martin Harris voltou a Joseph Smith e lhe contou a conversa que havia tido, de como o Professor Anthon não pudera decifrar os registros, Joseph consultou o Senhor, e o Senhor lhe ordenou que traduzisse os registros, e que o fizesse por meio do Urim e Tumim. Ele começou a traduzir, mas, sendo um escriba pobre, empregou Martin Harris para escrever por ele; empregou também outros escribas para escrever de sua boca, e, nos intervalos, continuou a trabalhar na fazenda. Sendo perseguido, contudo, teve que deixar a casa de seu pai e foi para a Pensilvânia, onde também foi perseguido. Continuou a obra de tradução até que se completasse, e este é o livro (o Livro de Mórmon) que é a tradução dessas placas, um livro que contém cerca de quinhentas ou seiscentas páginas densamente escritas. Depois que o Sr. Smith havia quase completado a tradução, descobriu que havia uma predição contida no livro de que o Senhor mostraria a três testemunhas, por seu poder desde os céus, a veracidade da divindade desta obra. Surgiu imediatamente a questão de quem seriam essas três pessoas. Martin Harris, Oliver Cowdery e David Whitmer estavam muito ansiosos por serem os indivíduos favorecidos. Foi-lhes dito que se humilhassem diante do Senhor e orassem a ele, e que, se fizessem isso, isso lhes seria mostrado. Assim fizeram. O Sr. Smith foi com eles; isto foi em Fayette, Condado de Seneca, Nova York, no ano de 1829. Enquanto oravam, o anjo desceu dos céus na presença destes quatro homens, e tomou as placas e mostrou as páginas e as gravações daquela porção que estava desselada — pois nem todas elas foram permitidas de ser traduzidas; e assim as gravações foram mostradas a três outras testemunhas. O anjo, ao mesmo tempo, colocou as mãos sobre a cabeça de David Whitmer e disse: "Bendito seja o Senhor, e os que guardam os seus mandamentos." No momento em que o anjo mostrava os registros, ouviram uma voz vinda dos céus dizendo que os registros haviam sido traduzidos corretamente pelo dom e poder de Deus, e foram ordenados a dar testemunho disso a todo o povo a quem a obra fosse enviada. Deram, portanto, seu solene testemunho neste livro, em conjunto com Joseph Smith, a respeito do aparecimento do anjo, e da exibição das placas; seu testemunho foi enviado a todo lugar onde este livro foi publicado. Ao Sr. Smith também foi permitido mostrar as placas a mais oito testemunhas, cujos nomes também são dados em testemunho destas coisas, de que viram as placas e as manusearam.

Assim tendes o testemunho de doze homens, onze testemunhas além daquele que encontrou as placas, três dos quais viram o anjo de Deus; e tudo isso antes que houvesse qualquer igreja dos últimos dias em existência. Houve, contudo, uma circunstância que ocorreu, antes da organização desta Igreja, no dia 15 de maio de 1829. Dois homens, Joseph Smith e Oliver Cowdery, estando preocupados diante do Senhor a respeito da ordenança do batismo; como, e de que modo, deveriam receber esta ordenança aceitavelmente diante dele, não sabiam. Entendiam o modo do batismo, pois, na tradução deste registro, descobriram que os antigos habitantes de Israel batizavam por imersão, e que as palavras usadas em conexão com isso também eram dadas. Surgiu a questão: Quem poderia batizá-los? O Senhor já lhes dissera que não havia igreja verdadeira na terra, e que não havia ministro autorizado a administrar o batismo; e, é claro, esta era uma questão que surgiria na mente de quaisquer indivíduos em circunstâncias semelhantes; eles naturalmente desejariam saber como poderiam ser batizados, de modo que seu batismo fosse reconhecido nos céus. Entendiam que poderiam simplesmente saltar dentro da água eles mesmos, tal como serem batizados por um homem sem autoridade sobre ele. Não entendiam como isso poderia ser feito, e, portanto, estavam perturbados em suas mentes a respeito disso, e foram e se humilharam diante do Senhor, que, no dia 15 de maio de 1829, lhes enviou um anjo. Este anjo informou-lhes que era João Batista, que fora decapitado, e que batizara o Salvador deles, e que possuía o sacerdócio de seus pais, o sacerdócio de Levi. Impôs as mãos sobre suas cabeças e os ordenou ao sacerdócio que ele mesmo possuía, sacerdócio este que tinha autoridade para batizar para a remissão dos pecados, mas não tinha autoridade para impor as mãos sobre o povo para o dom do Espírito Santo. João, que batizou o nosso Salvador, ele mesmo declarou:

Eu vos batizo com água, e essa é a extensão de minha autoridade, mas vem depois de mim aquele que é mais poderoso do que eu, ele tem maior autoridade, ele pode vos batizar com fogo e com o Espírito Santo; mas eu tenho o direito de vos batizar com água. Isto foi, em substância, o que João disse aos judeus em seus dias. Ele conferiu este mesmo sacerdócio a estes dois homens, e ordenou-lhes que se batizassem um ao outro, dando-lhes a promessa de que aquele sacerdócio nunca seria tirado da terra, mas permaneceria para sempre; por consequência, o sacerdócio conferido pelo anjo nunca mais será banido da terra, como foi ao longo das eras sombrias.

Foram e se batizaram um ao outro, pois o Senhor não lhes permitiu organizar a Igreja até que a plenitude dos tempos houvesse chegado. Ele designou o dia por nova revelação, o dia exato em que deveriam começar a organização da Igreja — a saber, 6 de abril de 1830; deu também um mandamento, no dia de sua organização, de como a Igreja deveria ser organizada, com quais ofícios, ou aqueles necessários para constituir uma verdadeira Igreja de Deus aqui na terra. Antes, porém, desta organização da Igreja, receberam uma autoridade maior do que aquela que João Batista lhes dera.

Pois, quando descobriram que só tinham autoridade para batizar com água, mas não podiam ministrar o Espírito Santo pela imposição das mãos, a pergunta surgiu imediatamente: Como obteremos essa autoridade? Oraram novamente; invocaram novamente o nome do Senhor, e o Senhor enviou mensageiros dos céus com um sacerdócio maior do que aquele que João Batista possuía, cujos nomes eram Pedro, Tiago e João, três antigos Apóstolos, e conferiram-lhes o sacerdócio e o apostolado que eles mesmos possuíam, o que lhes deu autoridade não apenas para batizar, mas para administrar na ordenança do Espírito Santo pela imposição das mãos em nome de Jesus, precisamente do mesmo modo que os Apóstolos fizeram quando estavam na terra.

Assim receberam, não apenas o sacerdócio menor, mas também o apostolado, e, tendo recebido autoridade concedida a eles desde os céus, estavam plenamente qualificados para organizar a Igreja; mas ainda não podiam fazê-lo por sua própria sabedoria. Não havia nada a ser feito nesta Igreja pela sabedoria do homem. O Senhor, como já declarei, já lhes dissera quais eram os ofícios necessários, e quais deveriam ser os deveres desses vários ofícios na Igreja.

A Igreja foi organizada, e poderíamos dar-vos um relato de sua história desde aquele dia até o presente, mas vejo que o tempo destinado à nossa reunião matinal já passou.

Desejo, antes de terminar, citar um ou dois testemunhos das profecias relativos a esta grande obra dos últimos dias. Se voltardes ao capítulo 29 de Isaías e lerdes a predição ali contida, vereis que quase todo o capítulo se refere aos acontecimentos dos últimos dias; uma das predições é a destruição das nações dos ímpios, que nunca se cumpriu. Diz assim — Que todas as nações que lutarem contra o Monte Sião se tornarão como o sonho de uma visão noturna, etc., etc.

O Senhor pretende, nos últimos dias, edificar um povo chamado Sião, ou, em outras palavras, sua Igreja. Não importa quão numerosos sejam os povos das nações, este é o destino delas; tornar-se-ão como o sonho de uma visão noturna; ou, como o expressa o profeta Daniel — todos os reinos e governos organizados pela autoridade humana se tornarão como a pragana da eira do verão; os ventos dos céus os levarão embora, e nenhum lugar restará para eles; e que a pedra cortada do monte se tornará um grande monte e encherá toda a terra; e o reino, e a grandeza do reino, seriam dados nas mãos dos Santos do Altíssimo — isto é o que Daniel predisse. Isaías predisse o mesmo; mas, antes desta destruição dos ímpios, certos acontecimentos deverão ocorrer; entre os quais ele fala de um livro. Ele diz: "Pelo que toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não posso, porque está selado. Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora, lê isto; e ele dirá: Não sei ler. Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens: Portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá." "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos."

Estas palavras do profeta Isaías se cumpriram no que dizia respeito à vinda deste livro. Não foi o próprio livro que devia ser enviado ao erudito; se assim fosse, a profecia não se teria cumprido; mas foram "as palavras do livro," e não o livro em si. "E o livro foi dado ao que não sabe ler, dizendo, lê isto, peço-te. Ele diz: não sei ler." Vem então a declaração do Senhor — Por causa da maldade do povo, etc., que ele "continuaria a fazer uma obra maravilhosa e um assombro," e, com isso, faria perecer a sabedoria dos sábios, etc., tudo o que se cumpriu. "E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro, e dentre a escuridão e dentre as trevas as verão os olhos dos cegos." Ora, eu pergunto, não há muitos, nesta congregação de Santos dos Últimos Dias, que podem testificar que viram isso literalmente cumprido? Não vistes aqueles que foram literalmente surdos gozarem de sua audição, e isso pelo poder de Deus nesta dispensação? Sim, há dezenas de testemunhas que podem testificar que isso se cumpriu literalmente. Não vistes aqueles que foram afligidos com cegueira restaurados imediatamente à sua visão? Sim, e tudo isso em cumprimento desta profecia. Os mansos aumentarão sua alegria no Senhor, e os pobres entre os homens se regozijarão no Santo de Israel. Quem, eu pergunto novamente, é o mais beneficiado por esta profecia? Nos dias antigos, enquanto os eruditos e os principais sacerdotes rejeitavam o evangelho do Filho de Deus, não eram os pobres entre os homens que eram beneficiados pelo evangelho a eles pregado? Sim, e assim tem sido nestes dias.

Quantas dezenas de milhares foram tirados das opressões do velho mundo, e trazidos umas seis ou sete mil milhas até aqui, ao interior desta gloriosa terra da América, uma terra de promissão? Embora tenhamos vindo para uma porção muito pobre dela, contudo fostes beneficiados; possuis agora casas e terras, gado, cavalos e bens que jamais teríeis possuído se não tivésseis participado do cumprimento literal desta profecia. Os pobres entre os homens são literalmente, assim como espiritualmente, abençoados. Vem então outra predição sobre a destruição das nações dos ímpios. "Pois o terrível é reduzido a nada, e o escarnecedor é consumido, e todos os que vigiam para a iniquidade são exterminados, e todas as nações que lutarem contra o Monte Sião perecerão e desaparecerão." Quando esta obra maravilhosa e este assombro forem iniciados, e suas verdades pregadas e plenamente declaradas às nações, e elas as rejeitarem, a desolação e a destruição que vieram sobre os antigos judeus por rejeitarem o evangelho serão, segundo esta profecia, visitadas sobre os ímpios desta geração. E quanto a Israel? Segundo as palavras do nosso texto, "A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus, também o Senhor dará o que é bom, e a nossa terra dará o seu fruto; a justiça irá adiante dele, e o porá no caminho dos seus passos." Assim vedes que, naquele dia, quando os ímpios estiverem tão duramente aflitos, o Deus dos céus favorecerá visivelmente Israel. Estas coisas se cumprirão quando terminarmos com os gentios, porque o mandamento direto do Senhor é: primeiro aos gentios, e depois à casa de Israel. E quando os tempos dos gentios se cumprirem, então o Senhor restaurará as bênçãos que prometeu a Israel; então cumprirá literalmente o que foi proferido pelo Salmista Davi: "Faze-nos voltar novamente, ó Deus da nossa salvação; até quando estarás irado conosco? até quando teremos de sofrer em consequência de nossa maldade e da maldade de nossos pais?" Até que a verdade brote da terra, até então vosso cativeiro há de permanecer; até então vosso sofrimento e grande aflição hão de continuar. Mas, quando o Senhor trouxer a verdade da terra e enviar a justiça desde os céus, ele novamente se lembrará de Israel; então as nações gentias serão punidas, e Israel será salvo.

Como citar este discursoOrson Pratt, “O Cumprimento da Profecia — A História Primitiva da Igreja — O Livro de Mórmon”, (1871-03-19). Pulpit Vault, 1871-03-pratt-o-the-fulfillment-of-prophecythe-early-history-of-the. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).