Pulpit

A Fonte da Inteligencia Etc

Brigham Young

1870-05-29

Se eu puder ter vossa atenção, falarei convosco por alguns minutos. Falar tanto em público quanto tenho falado me faz sentir com muita força que tenho tanto estômago quanto pulmões, por isso gostaria de ter quietude na casa. Vejo algumas irmãs se retirando por causa de seus filhos não estarem quietos; sou-lhes muito grato, e confio que outras farão o mesmo se não puderem manter suas crianças quietas.

Não tenho o hábito de fazer muitas desculpas nem muitos preâmbulos quando falo a uma congregação. Às vezes sinto-me levado a dizer algumas palavras que poderiam ser chamadas de apologéticas ao levantar-me para dirigir-me a uma congregação, tendo aquela timidez que a maioria dos homens sente em tais ocasiões. Vi poucos oradores públicos em minha vida que fossem capazes de se levantar e falar diretamente sobre um assunto, a menos que este tivesse sido estudado ou talvez escrito de antemão. Falar de improviso, no impulso do momento, sem reflexão, requer considerável firmeza de nervos. Isto é um assunto sobre o qual tenho refletido bastante, pois em minha experiência aprendi que há uma modesta timidez nos sentimentos de quase todas as pessoas que já vi, quando chamadas a falar a seus semelhantes. Isto acontece frequentemente tanto em círculos privados quanto diante do público. Penso que compreendo a razão disto; é um assunto que tenho estudado. Encontro-me aqui nesta terra, no meio da inteligência. Pergunto a mim mesmo e à Sabedoria: de onde vem esta inteligência? Quem produziu e trouxe à existência, direi, esta inteligente congregação reunida aqui esta tarde? Estamos aqui, mas de onde viemos? A que pertencíamos antes de vir para cá? Caímos acidentalmente de algum dos planetas sobre esta terra, sem ordem, lei ou regra? Talvez alguns, em suas reflexões, tenham chegado a esta conclusão, e pensem que isto é tudo o que se conhece a respeito deste assunto. Pergunto de onde vem esta inteligência que vejo, mais ou menos, em todo ser, e diante da qual me encolho ao tentar dirigir-me a uma congregação? Faço a pergunta a meus amigos, a meus irmãos, e a todo homem que vive: suponde que sejais, por dever, chamados a falar a uma família particular, a uma pequena congregação, ou mesmo a crianças numa escola dominical, não sentis esta mesma timidez? Onde está o homem que pode levantar-se para dirigir-se a crianças sem sentir esta mesma modéstia? Vi bem poucos em minha vida que pudessem levantar-se diante de uma congregação, numa reunião de oração, ou subir ao palco de um teatro, ou em qualquer outro lugar, e falar com perfeita facilidade e confiança. Penso que têm grande razão para serem gratos por sua autoconfiança; mas onde a obtiveram, ou se é inata, se são desprovidos de verdadeiro refinamento ou têm excesso dele, não cabe a mim dizer. Sei que não possuo esta faculdade. Quando falo a uma congregação, sei que estou falando à inteligência que vem do alto. Esta inteligência que está em vós e em mim vem do céu. Ao contemplar a inteligência refletida na fisionomia de meus semelhantes, contemplo a imagem dAquele a quem adoro -- o Deus a quem sirvo. Vejo Sua imagem e uma certa quantidade de Sua inteligência ali. Sinto-o dentro de mim mesmo. Minha natureza se encolhe diante da divindade que vemos nos outros. Esta é a causa daquela timidez a que me referi, que sinto ao levantar-me para dirigir-me a uma congregação.

Levanto-me com prazer esta tarde para falar a meus amigos, irmãos e irmãs, e aos estranhos que aqui estão; e tomarei a liberdade de olhar para meu povo -- meus irmãos e irmãs, tal como são, e olharemos uns para os outros tal como somos. Olho para os outros tal como são, e olharemos uns para os outros tal como somos. Conversaremos um pouco juntos, e darei tanto aos Santos quanto aos estranhos algumas de minhas opiniões. Primeiro, aos Santos, direi que vós e eu professamos crer em Deus, que reina nos céus, que formou a terra e os planetas. Não importa se Ele governa o celestial, o terrestre ou o telestial, vós e eu professamos crer naquele Ser Supremo que pôs esta máquina em movimento. Ele governa por lei. Reduziu Sua prole, Sua legítima prole, a todo o pecado, escuridão, morte e miséria que encontramos nesta terra; também proveu meios e, em conexão com os atributos que implantou em nós, instituiu ordenanças que, se as recebermos e nelas nos aperfeiçoarmos, nos habilitarão a retornar à Sua presença. Digo aos Santos dos Últimos Dias: vivei vossa religião! Vivei de modo que o Espírito do Senhor habite em vós, para que possais saber com certeza e segurança que Deus vive. Que eu vos diga que há um Deus no céu, que Jesus Cristo é o Salvador do mundo; que eu vos diga que Jesus dará Seu Santo Espírito aos que nEle creem e obedecem a Seu Evangelho, seria infrutífero para vós, a menos que obedeçais a Suas exigências. Sei que os Santos dos Últimos Dias são considerados pelo mundo como tolos enganados -- como uma raça baixa, degradada, imbecil, e que somos tão imprudentes e míopes, tão vãos e tolos, que, através da grande quantidade de entusiasmo dentro de nós, abraçamos um erro, e fomos enganados por Joseph Smith. Vós que obedecestes aos princípios que ele pregou sabeis se estais enganados ou não. Eu sei por mim mesmo, e vós sabeis por vós mesmos.

Ora, permiti-me perguntar-vos: se confiardes em minha fé, em minha palavra e ensinamentos, conselho e sugestão, e não buscardes o Senhor para ter Seu Espírito a vos guiar e dirigir, não posso eu vos enganar, não posso eu vos conduzir ao erro? Vede isto e observai a que travessura isso levaria, e que quantidade de mal poderia ser feita a um povo se não vivesse de modo que o Espírito do Senhor habitasse com ele, para que pudesse saber estas coisas por si mesmo. É meu pedido, minha oração, exortação, fé, desejo e anseio sincero que os Santos dos Últimos Dias vivam sua religião, e que ensinem a seus filhos todas as coisas pertinentes a Deus e à piedade, para que cresçam em Cristo, sua cabeça viva.

Perguntaria a meus amigos ou inimigos, não importa qual -- refiro-me aos que não creem como eu -- aos que nos consideram um bando de fanáticos, faria algumas perguntas ao mundo da humanidade, aos maiores filósofos, aos maiores gênios, e aos homens do conhecimento mais profundo na face da terra: Podeis dizer-me de onde obtendes vosso conhecimento? Dizem alguns: "O mestre de escola me ensinou isto e aquilo; minha mãe me ensinou isto e aquilo; ou aprendi isto de livros." Podeis dizer-me a origem deste conhecimento? Podeis indicar-me onde posso ir e obter o mesmo conhecimento? Era isto inato em vós? Desenvolveu-se sem nutrição ou instrução alguma -- sem a vida e a inteligência que vieram da visão da mente? Perguntai ao mecânico -- quem vos influenciou a trazer esta ou aquela melhoria na mecânica? Quem influenciou o Professor Morse a crer que poderia estender um fio ao redor deste edifício ou de qualquer outro, e depois, aplicando uma bateria numa extremidade do fio, poderia receber uma resposta na outra? Quem ensinou Robert Fulton que poderia aplicar o vapor de modo a propulsionar um navio? Foi sua mãe, seu mestre de escola ou seu pregador que lhe disse isto? Não, ele teria desprezado a ideia.

Ora, tudo isto está em minha memória. Vivi perto daqueles que ajudaram o Sr. Fulton a construir seu barco a vapor. Ele não podia ser dissuadido, por meio algum, de desistir de suas operações. Pergunto o que foi que influenciou a mente de Fulton nesta direção. Foi aquela influência ou inteligência invisível que vem de nosso Criador, dia a dia e noite a noite, em sonhos e visões da mente. "Eu o vejo, eu o sei," dizia ele. Recordo-me dele contando a alguns de nossos vizinhos que o ajudaram a construir o primeiro navio a vapor jamais construído: "Sei que posso aplicar o vapor de modo a propulsionar este navio daqui até Nova Iorque. Sei disso tão certo quanto vivo." Recordo-me de um Sr. Curtis, um fabricante de carruagens, que vivia no Estado de Nova Iorque; disse ele: "Tenho um pouco de propriedade, e gastarei tudo o que tenho para ajudar o Sr. Fulton a colocar seu projeto em bem-sucedida operação; pois tenho fé nele."

Esta é uma pergunta que gostaria que o mundo científico e filosófico respondesse: de onde obtendes vosso conhecimento? Posso responder a pergunta; obtêm-no daquele Ser Supremo, cuja porção de inteligência está em cada um deles. Não a têm independentemente; não estava ali até ser posta ali. Têm o fundamento, e podem aperfeiçoar e acrescentar conhecimento a conhecimento, sabedoria a sabedoria, luz a luz, e inteligência a inteligência. Este poder de crescer em sabedoria e inteligência, de modo que possamos conhecer as coisas por nós mesmos, está dentro de cada um de nós.

Ora, pergunto ao sábio: onde obtiveste tua sabedoria? Foi-te ensinada? Sim, digo que te foi ensinada. Por teus professores na faculdade? Não, foi-te ensinada pela influência do espírito que está no homem, e a inspiração do Espírito de Deus lhe dá entendimento; e assim toda criatura pode acrescentar inteligência a inteligência. Todos sabemos que, se aprendermos hoje uma página de um livro, podemos aprender outra amanhã, e ainda assim reter o que aprendemos antes; e assim podemos prosseguir, passo a passo, dia a dia, aperfeiçoando as faculdades com que Deus nos dotou, até nos enchermos do conhecimento de Deus.

Os "mórmons" creem em tudo isto. Pergunto aos estranhos e aos filósofos do mundo: há algum mal nisto? Há algum mal em nós exercermos fé em Deus? Temos fé, vivemos pela fé; viemos a estas montanhas pela fé. Viemos até aqui, digo muitas vezes, embora aos ouvidos de alguns a expressão possa soar bastante rude, nus e descalços, e comparativamente isto é verdade. É isto um fato? É. Devo explicar isto? Explicarei em parte, e começarei satisfazendo a curiosidade de quase todos que aqui vêm, ou com quem nossos élderes conversam quando estão fora. Muitos homens e mulheres têm uma curiosidade irreprimível de saber quantas esposas tem Brigham Young. Vou agora satisfazer essa curiosidade dizendo, senhoras e senhores, tenho dezesseis esposas. Se tiver mais no futuro, será minha boa sorte e a bênção de Deus. "Quantos filhos tendes, Presidente Young?" Tenho quarenta e nove filhos vivos, e espero ter muitos mais. Ora, anotai isso. Transmito esta informação para satisfazer a curiosidade dos curiosos.

"Presidente Young, viestes para cá nus e descalços?" Direi que quase isso. "Quantas de vossas esposas tinham sapatos nos pés, depois de deixarem tudo o que tínheis no Estado de Illinois?" Não creio que mais de uma ou duas de minhas esposas tivessem sapatos nos pés quando chegamos aqui. Compramos peles de camurça dos índios e fizemos mocassins com elas. Quantos destes élderes tinham calças inteiras quando chegaram aqui? Não creio que uma dúzia deles tivesse. Tinham trabalhado no rigor do inverno atravessando o povo pelo rio até não terem mais nada, e chegaram aqui nus e descalços, isto é, comparativamente.

Tivemos de ter fé para chegar aqui. Quando encontramos o Sr. Bridger no Rio Big Sandy, disse ele: "Sr. Young, eu daria mil dólares se soubesse que uma espiga de milho poderia amadurecer na Grande Bacia." Disse eu: "Esperai dezoito meses e eu vos mostrarei muitas delas." Disse eu isto por conhecimento? Não, foi minha fé; mas não tínhamos o menor incentivo -- do raciocínio natural e de tudo o que podíamos aprender a respeito deste país, de sua esterilidade, de seu frio e geada -- para crer que algum dia poderíamos cultivar algo. Mas prosseguimos, abrindo o caminho pelas montanhas e construindo pontes, até chegarmos aqui, e então fizemos tudo o que pudemos para nos sustentar. Tivemos fé de que poderíamos cultivar grão; havia algum mal nisso? Absolutamente nenhum. Se não tivéssemos tido fé, o que teria sido de nós? Teríamos afundado na incredulidade, fechado todo recurso para nosso sustento, e jamais teríamos cultivado coisa alguma. Pergunto a todo o mundo: há algum mal em ter fé em Deus? Tendes fé? Perguntai ao Sr. Pullman se teve fé de que poderia construir um vagão mais conveniente do que qualquer outro de que a comunidade viajante já desfrutara, e ele dirá que teve fé de que poderia construir vagões nos quais senhoras e senhores pudessem viajar pelo país com toda a facilidade e conforto que pudessem desejar; e mostrou sua fé por suas obras, como lemos que os antigos varões dignos faziam. Sabeis que Tiago diz: "Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." O Sr. Pullman e outros podem mostrar sua fé por suas obras. Nós mostramos nossa fé por nossas obras. Há algum mal nisto? Pergunto a todo o mundo cristão: há algum mal em crer em Deus, num poder e influência supremos?

O mundo cristão crê em Deus, mas diz que Ele não tem corpo. O Cristianismo não ensina nada disso. "Deus não tem partes e é sem paixões," diz o mundo cristão. Não leio as Escrituras corretamente se este for o fato. Leio que Deus ama, que Deus odeia. Leio que Seus olhos estão sobre as obras de Suas mãos; que Seu braço está estendido para salvar Seu povo; que Suas pegadas são vistas entre as nações da terra. Se não tem pés, certamente não pode deixar marca alguma; se não tem mãos ou braços, não pode estender-se para salvar Seu povo. Leio que os ouvidos do Senhor estão abertos às petições de Seu povo; mas, se não tem ouvidos, como pode ouvir? Este é o modo como leio a Bíblia, e pergunto: há algum mal em lê-la e compreendê-la assim? Há atualmente muitos incrédulos que outrora estavam entre nossos amigos e irmãos cristãos, que estão ignorando a Bíblia em suas escolas públicas. Eu não faço isso. Há algo na Bíblia que não deveria ser lido pelos alunos nas escolas? Se há, deixai de fora tais partes, ou melhor, substituí a linguagem ali usada por fraseologia mais de acordo com o uso moderno, para que os princípios contidos na Bíblia possam ser ensinados em vossos catecismos ou outros livros. Sei que há alguma linguagem franca na Bíblia, mais franca do que ouvi esta manhã; mas aquela linguagem franca era o costume dos antigos. A mera fraseologia ali usada não tem muita importância; é o verdadeiro princípio que aquele livro ensina que o torna tão valioso. Se algum de vós, senhoras e senhores, tomasse um barco a vapor e atravessasse até Liverpool, ouviríeis linguagem e veríeis costumes que jamais ouvistes ou vistes na terra ianque. É o mesmo com respeito à Bíblia; a fraseologia é a que era costumeira séculos atrás; mas não importa qual seja a linguagem, isso é mero costume. Mas direi que as doutrinas ensinadas no Antigo e no Novo Testamento a respeito da vontade de Deus para com Seus filhos aqui na terra; a história do que Ele fez por sua salvação; as ordenanças que instituiu para sua redenção; o dom de Seu Filho e Sua expiação -- todas estas coisas são verdadeiras, e nós, os Santos dos Últimos Dias, cremos nelas.

Alguns, em sua curiosidade, dirão: "Mas vós, mórmons, tendes outra Bíblia! Credes no Antigo e no Novo Testamento?" Respondo que cremos no Antigo e no Novo Testamento, e temos também outro livro, chamado o Livro de Mórmon. Quais são as doutrinas do Livro de Mórmon? As mesmas da Bíblia. "Qual é a utilidade deste livro -- o Livro de Mórmon? Foi ele de alguma utilidade ao povo, em algum lugar?" Ó, sim. "Onde e quando?" Referir-me-ei a um dos ditos de Jesus registrados no Novo Testamento. Pouco antes de sua crucificação, disse Ele a Seus discípulos: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém conduzir estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor." Depois de sua crucificação, Ele veio a este continente, escolheu Doze Apóstolos dentre o povo, e os enviou a pregar Seu Evangelho. Realizou também muitos poderosos milagres. Foi visto descer do céu para o meio do povo. Organizou Sua Igreja entre eles, curou os enfermos, e deixou Sua Igreja e Evangelho em seu meio. Lamento dizer que vemos os descendentes deste mesmo povo agora num estado muito baixo e degradado. Refiro-me aos aborígenes ou índios nativos deste continente. Mas isto é consequência de sua apostasia e afastamento de Deus. Os aborígenes deste país são os descendentes deste mesmo povo que Jesus visitou, a quem entregou Seu Evangelho, e entre quem organizou Sua Igreja. Foram obedientes por mais de trezentos anos, e serviram a Deus de coração indiviso, após o que começaram a apostatar. Por trezentos anos, o povo do continente da América do Norte e do Sul foi beneficiado pela obra do Salvador ao organizar Sua Igreja e revelar todo princípio e ordenança destinados a ajudá-los a retornar à presença de Deus. Não é isto bom?

"Que bem vos faz isso, Santos dos Últimos Dias?" Prova que a Bíblia é verdadeira. Que diz o mundo incrédulo a respeito da Bíblia? Diz que a Bíblia não é melhor que o almanaque do ano passado; que não é senão fábula e artifício sacerdotal, e que não presta para nada. O Livro de Mórmon, contudo, declara que a Bíblia é verdadeira, e o prova; e os dois se comprovam mutuamente verdadeiros. O Antigo e o Novo Testamento são o cajado de Judá. Recordai-vos de que a tribo de Judá permaneceu em Jerusalém, e o Senhor abençoou Judá, e o resultado foram os escritos do Antigo e Novo Testamento. Mas onde está o cajado de José? Podeis dizer onde está? Sim. Foram os filhos de José que atravessaram as águas para este continente, e esta terra se encheu de povo, e o Livro de Mórmon, ou o cajado de José, contém seus escritos, e estão nas mãos de Efraim. Onde estão os efraimitas? Estão misturados por todas as nações da terra. Deus os está chamando a se reunirem, e os está unindo, e eles estão dando o Evangelho ao mundo inteiro. Há algum mal ou falsa doutrina nisso? Muitos dizem que há. Se há, está tudo na Bíblia.

Quando comecei a pregar ao povo, há quase quarenta anos, crer na Bíblia era o grande requisito. Já ouvi alguns fazerem a ampla afirmação de que cada palavra dentro das capas da Bíblia era a palavra de Deus. Já lhes disse: "Nunca lestes a Bíblia, não é?" "Ó, sim, e creio que cada palavra nela é a palavra de Deus." Bem, creio que a Bíblia contém a palavra de Deus, e as palavras de homens bons e as palavras de homens maus; as palavras de bons anjos e as palavras de maus anjos, e palavras do diabo; e também as palavras proferidas pelo jumento quando repreendeu o profeta em sua loucura. Creio que as palavras da Bíblia são exatamente o que são; mas, além disso, creio que as doutrinas a respeito da salvação contidas naquele livro são verdadeiras, e que sua observância elevará qualquer povo, nação ou família que habite a face da terra. As doutrinas contidas na Bíblia elevarão a uma condição superior todos os que as observarem; imprimir-lhes-ão conhecimento, sabedoria, caridade, encherão de compaixão e os farão sentir as necessidades daqueles que estão em aflição, ou em circunstâncias dolorosas ou degradadas. Aqueles que observam os preceitos contidos nas Escrituras serão justos e verdadeiros, e virtuosos e pacíficos em casa e fora dela. Segui as doutrinas da Bíblia, e os homens serão esplêndidos maridos, as mulheres excelentes esposas, e as crianças serão obedientes; farão as famílias felizes e as nações ricas e felizes e elevadas acima das coisas desta vida. Pode alguém ver algum mal em tudo isto? "Ó, mas vós, mórmons, sois um povo tão estranho. É verdade que encontramos coisas em Utah diferentes do que esperávamos, mas ainda assim vós sois um povo tão estranho!" Ora, o que esperáveis? Esperáveis ver homens e mulheres com nadadeiras como peixes? Viemos diretamente de vosso país -- da Inglaterra, França, Alemanha, Massachusetts, Maine, New Hampshire, Vermont, Nova Iorque, do Sul, de todo Estado da União; o que esperáveis ver? Vivíamos convosco, íamos à escola e à reunião convosco; mas ainda assim se diz: "Ó, os mórmons são um povo estranho." É verdade que somos; mas em que consiste nossa peculiaridade? Não cremos em litígio, discussão, ou em ter contenda uns com os outros. Tomamos os baixos e degradados e os elevamos. Se seria de alguma satisfação a qualquer homem no mundo saber que vantagens teve o Presidente Young, direi que costumava ter o privilégio de derrubar pinheiros-canadenses, faias e bordos com meu pai e meus irmãos; e depois amontoá-los, queimar os troncos, rachar as travessas, e cercar os pequenos campos. Pergunto-me se algum de vós já fez isto? Vós que viestes da Inglaterra, ou das ricas pradarias de Illinois ou Missouri, jamais o fizestes. Bem, esta foi minha educação. "Não fostes à escola?" Sim; fui por onze dias, essa foi toda a minha escolaridade.

Ora, se pudermos tomar os baixos e degradados e elevá-los em seus sentimentos, linguagem e maneiras; se pudermos transmitir-lhes as ciências que há no mundo, ensinar-lhes tudo o que os livros contêm, e, além de tudo isso, ensinar-lhes princípios que são eternos, e destinados a fazer deles uma comunidade bela, adorável em sua aparência, inteligente em todo sentido da palavra, não diríeis que nosso sistema é louvável e possui grande mérito? Bem, tudo isto está naquele livro chamado a Bíblia, e a observância fiel dos princípios ensinados naquele livro fará isto por qualquer família ou nação na terra.

Não estamos ansiosos por obter ouro; se pudermos obtê-lo cultivando batatas e trigo, tudo bem. "Não podeis vos enriquecer especulando?" Não desejamos isso. "Não podeis vos enriquecer indo às minas de ouro?" Estamos bem no meio delas. "Por que não escavais o ouro da terra?" Porque isso desmoraliza qualquer comunidade ou nação na terra, dar-lhes ouro e prata à vontade do coração; isso arruinará qualquer nação. Mas dai-lhes ferro e carvão, bom trabalho árduo, bastante para comer, boas escolas e boa doutrina, e isso fará deles um povo saudável, próspero e feliz.

Este é o grande mistério a respeito dos Santos dos Últimos Dias. Temos um código de leis que o Senhor Todo-Poderoso deixou registrado no livro chamado o Antigo e o Novo Testamento. Este mesmo código está contido no Livro de Mórmon, também noutro livro que temos, chamado o Livro de Doutrina e Convênios. Estas doutrinas são ensinadas em todos estes livros, e ensinadas de modo semelhante.

Ora, então, a voz do Senhor, tal como ouvida dos céus, alguma vez ensina homens e mulheres a fazer o mal? Nunca. Vedes um homem ou mulher, em qualquer comunidade, não importa onde estejam ou quem sejam, que se inclina a fazer um ato errado a si mesmo ou a qualquer outro, e professa fazê-lo sob influência religiosa, e podeis saber que suas ideias de religião são falsas. Senhoras e senhores, anotai isso. É falsa a religião daquele que não tem amor a Deus e a suas criaturas semelhantes; que não cultiva santidade de coração, pureza de vida, e santificação, para que possa estar preparado para entrar novamente na presença do Pai e do Filho.

A pergunta foi feita muitas vezes a Joseph Smith, por cavalheiros que vinham vê-lo a ele e a seu povo: "Como é que podeis controlar vosso povo tão facilmente? Parece que não fazem nada senão o que dizeis; como é que podeis governá-los tão facilmente?" Disse ele: "Não os governo de modo algum. O Senhor revelou certos princípios dos céus pelos quais devemos viver nestes últimos dias. Aproxima-se o tempo em que o Senhor vai reunir Seu povo dentre os ímpios, e Ele vai abreviar Sua obra em retidão, e os princípios que Ele revelou eu ensinei ao povo, e eles estão procurando viver de acordo com eles, e eles se controlam a si mesmos."

Cavalheiros, este é o grande segredo agora para controlar este povo. Pensa-se que eu os controlo, mas não é assim. É tudo o que posso fazer controlar a mim mesmo e manter-me correto e ensinar ao povo os princípios pelos quais devem viver. Fazem todos isso? Não, e a consequência é que vemos maldade na terra. Os homens fazem muito mal. Quem é culpado? O Senhor? Não. A religião que abraçamos? Não. O conselho que demos? Não. Já me fizeram a pergunta, nos dias de Joseph: "Sr. Young, suponho que obedeceríeis a Joseph Smith, deixando que ele vos dissesse o que fazer, seja o que for?" "Bem, penso que sim." "Suponde que ele vos dissesse para matardes vosso vizinho, ou para roubardes, ou para fazerdes isto, aquilo ou aquilo outro, que é errado, o faríeis?" Eu responderia: "Esperai até que me seja dito. Jamais me foi dito, do céu, por Joseph Smith, o Antigo ou Novo Testamento, o Livro de Mórmon ou o Livro de Doutrina e Convênios, para fazer algo errado; e esperarei até que o seja, antes de dizer o que faria; há tempo suficiente para isso."

"Bem, não cometestes erros?" Posso ter cometido muitos erros por falta de juízo ou sabedoria -- um pouco aqui e um pouco ali. "Mas não cometestes grandes erros?" Não cometi. Sei o que está nos corações de quase toda pessoa que vem a esta cidade. Espalha-se por todo o comprimento e largura de nosso país, como um relâmpago, que Brigham Young e os "mórmons" são culpados de fazer isto, aquilo e aquilo outro, não preciso repetir; e frequentemente se pergunta: "Não sois vós, mórmons, culpados deste ou daquele crime ou mal?" Respondo, não, senhoras e senhores, não somos. São os ímpios que cometem estes crimes; são homens que irão para o inferno; e então tentam atribuí-los aos justos e retos. Podeis imaginar o que quiserdes das histórias que lestes sobre o povo de Utah, saídas da pena de todo escrevinhador mentiroso que aqui esteve. Imaginai o que quiserdes, mas anotai isto, publicai-o em vosso jornalzinho (o Trans-Continental), que um Santo jamais fará o mal se souber que o está fazendo. Se um homem fizer algo errado deliberadamente, não é um Santo. Quando ouvirdes falar de Brigham Young, e de seus irmãos que estão na fé do santo Evangelho, fazendo isto de errado e aquilo de errado, esperai até descobrirdes a verdade antes de a publicardes ao mundo.

Já nos perguntaram muitas vezes: "Por que não publicais a verdade a respeito destas mentiras que se espalham sobre vós?" Poderíamos fazê-lo se possuíssemos todos os jornais publicados na Cristandade. Quem publicará uma carta minha ou de meus irmãos? Quem publicará a verdade a nosso respeito? Se entra num jornal, é escondida sob o balcão ou em algum outro lugar; mas jamais entra num segundo. Divulgarão mentiras a nosso respeito com bastante prontidão. O velho ditado é que uma mentira se esgueira pelo buraco da fechadura e percorre mil milhas enquanto a verdade ainda está saindo pela porta; e nossa experiência tem provado isto. Não temos a influência e o poder necessários para refutar as falsidades que se espalham a nosso respeito. Dependemos de Deus, que está sentado nos céus. Nossa confiança está nAquele que criou os céus, que formou a terra, e que trouxe à existência Seus filhos na terra, e que deu a inteligência que possuem. Ele lhes deu o privilégio de escolher por si mesmos, seja o bem, seja o mal; mas o resultado de nossa escolha ainda está em Suas mãos. Todos os Seus filhos têm o direito de traçar um caminho para si mesmos, de andar para a direita ou para a esquerda, de dizer a verdade ou o que não é verdade. Este direito Deus deu a todo o povo que habita a terra, e podem legislar e agir como lhes aprouver; mas Deus os tem em Suas mãos, e Ele produzirá os resultados para Sua glória, e para o benefício daqueles que O amam e servem, e fará com que a ira dos homens O louve. Todos nós estamos nas mãos daquele Deus. Somos todos Seus filhos. Somos Seus filhos e filhas naturalmente, e pelos princípios da vida eterna. Somos irmãos e irmãs. O que é que faz as distinções que vemos nas classes dos filhos dos homens? Vemos os baixos e degradados, como os aborígenes de nosso país; qual é a causa de estarem em sua condição atual? É por causa da rejeição, por seus pais, do Evangelho do Filho de Deus. O Evangelho traz inteligência, felicidade e glória a todos os que o obedecem e vivem de acordo com seus preceitos. Dar-lhes-á a inteligência que vem de Deus. Suas mentes se abrirão de modo a compreender as coisas tal como são; regozijar-se-ão em serem eles mesmos abençoados e em abençoarem seus semelhantes, e em estarem preparados para reentrar na presença do Pai e do Filho. Isto será seu deleite. É assim? É.

Fiquei muito gratificado, há um dia ou dois, com uma pequena circunstância que ocorreu enquanto uma comitiva de senhoras e senhores me visitava. Estávamos conversando sobre algumas circunstâncias relativas à nossa vinda aos vales, e nossas dificuldades depois de chegarmos aqui. Disse eu que foi a fé no Senhor Jesus Cristo que nos habilitou a suportar. Uma senhora presente disse: "Isso mesmo, creio em exercer fé nEle. Tende fé em Deus, pois Deus abençoará a todos os que tiverem fé nEle, não importa quem sejam nem como sejam chamados; se tiverdes fé em Deus, e viverdes de acordo com a luz que tendes, Deus vos conduzirá à glória."

Deleito-me em ouvir uma pessoa dar indício de ter fé em Deus; em ouvir dizer: "Creio em Jesus Cristo. Creio em Sua crucificação e expiação, e em Suas ordenanças." Estas ordenanças procuramos viver, para que possamos glorificar a Deus, e nos preparar para edificar Sua Sião na terra, para que o mundo se encha de paz, conhecimento e alegria.

Que Deus nos ajude a fazê-lo!

Como citar este discursoBrigham Young, “A Fonte da Inteligencia Etc”, (1870-05-29). Pulpit Vault, 1870-05-young-the-source-of-intelligence-etc. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).