Pulpit

Guardar os Mandamentos

Brigham Young

1870-04-17

Gostaria da atenção da congregação. Primeiro, aos meus irmãos e irmãs, como estais? Espero que estejais bem. A minha saúde está excelente. Tenho o prazer de vos saudar de novo. Dá-me prazer ver o povo, mas maior prazer é vê-lo esforçando-se por fazer a vontade de Deus.

Entendo que, esta manhã, a congregação foi presenteada com um discurso dando os detalhes das nossas viagens durante cinquenta e dois dias. Não duvido que tenham sido muito satisfatórios. Os que ouviram as observações do irmão George A. Smith esta manhã devem estar cientes de que estamos um tanto fatigados no corpo e desejamos um pouco de descanso. Saímos daqui para descansar; mas viajar todos os dias por quase dois meses, e realizar às vezes duas ou três reuniões por dia, não dá muita oportunidade de descanso. Contudo, foi uma mudança — uma mudança de clima, cenário, congregações e amigos; e tivemos grande prazer em visitar os santos. É agradável ver aqueles que professam ser santos vivendo juntos em unidade e paz, o que tenho o prazer de dizer que é o caso, em grande medida, com o povo entre quem estivemos viajando.

Quando falamos e instruímos o povo, temos de castigá-lo e corrigi-lo às vezes, para conduzir a sua mente a princípios mais avançados do que os que tem por hábito praticar. Os Santos dos Últimos Dias são um povo excelentemente bom; mas, quando contemplamos a perfeição dos habitantes de Sião, vemos que há oportunidade para muita melhoria. Do tempo que é concedido ao homem aqui na terra, não há nenhum para perder ou desperdiçar. Depois de um descanso e relaxamento adequados, não há um dia, hora ou minuto que devamos passar na ociosidade, mas cada minuto de cada dia de nossas vidas deveríamos esforçar-nos por aperfeiçoar as nossas mentes e crescer na fé do santo Evangelho, na caridade, na paciência e nas boas obras, para que possamos crescer no conhecimento da verdade tal como está em Jesus Cristo. Se não somos santos, não creio jamais ter visto nenhum; mas ainda assim há uma falta na fé e nas obras deste povo, em preparação para habitar a Sião de que se fala, e a respeito da qual se profetizou e se escreveu.

Há muitíssimos textos que poderiam ser usados, muito abrangentes e cheios de significado, mas não conheço nenhum, seja no Antigo ou no Novo Testamento, mais do que aquele dito, atribuído ao Salvador, e não duvido que tenha sido dele: "Se me amais, guardai os meus mandamentos." Recordai-vos de que, depois da ressurreição, quando Jesus veio a Pedro e a outros que tinham pescado a noite toda, mas nada tinham apanhado, ele lhes disse: "Lançai a rede para o lado direito do barco." Assim o fizeram, e lemos que puxaram uma multidão de peixes para a praia, e então contemplaram o seu Salvador. Depois de assar e comer do seu peixe, Jesus, conhecendo os seus sentimentos, e quão propensos são os homens a esquecer aquilo que uma vez souberam, disse a Pedro: "Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?" apontando para o peixe. Eles tinham professado amá-lo; tinham-no seguido, e sofrido perseguição por sua causa; tinham-se deleitado em suas palavras, regozijado em seus trabalhos, e tinham visto as maravilhosas obras que ele realizou, e algumas que, em seu nome, eles mesmos tinham realizado; contudo, depois de tudo isso, pareciam inclinados a voltar-se e ir pescar; e, quando pegaram peixes e os puxaram para a praia, Jesus disse: "Amas-me mais do que amas estes?" Ele já lhes tinha dito anteriormente: "Se me amais, guardai os meus mandamentos."

Por quanto tempo? Por um dia? Guardar os mandamentos do Senhor por uma semana? Observar e fazer a sua vontade por um mês ou um ano? Não há promessa alguma a qualquer indivíduo, que eu saiba, de que receberá a recompensa dos justos, a menos que seja fiel até o fim. Se compreendermos plenamente e cumprirmos fielmente em nossas vidas o dito de Jesus, "Se me amais, guardai os meus mandamentos," estaremos preparados para voltar e habitar na presença do Pai e do Filho.

Quais são os seus mandamentos? Ensinou ele alguma vez ao povo algo que seja errado? Se lermos as exigências feitas por Jesus, pelo Pai, ou por qualquer mensageiro enviado dos céus aos filhos dos homens, não encontraremos nada que prejudique nenhum ser humano ou que destrua a alma de um dos filhos ou filhas de Adão e Eva. Muitos pensam que os ditos e os atos de alguns dos profetas e servos de Deus, em tempos antigos e modernos, ditos e feitos em obediência aos mandamentos do Senhor Todo-Poderoso, tendem para o mal; mas não é assim. Todas as exigências de Deus tendem para o bem dos Seus filhos. Qualquer noção em contrário é resultado da ignorância. A família humana está envolta em ignorância, no que diz respeito à origem e ao objetivo de sua existência aqui. A sua ignorância, superstição, escuridão e cegueira são muito evidentes para todos os que estão minimamente iluminados pelo espírito de verdade. Procuram esconder-se na ignorância e na cegueira, em vez de aprender quem são e qual o objetivo de estarem aqui. Que sabe a família humana de Deus ou de Jesus, ou das palavras que citei: "Se me amais, guardai os meus mandamentos?" "Examinais as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna," diz Jesus, "e são elas que de mim testificam." Elas testificam do Salvador, de suas doutrinas e exigências, e das ordenanças de sua casa; ali se retrata o plano de salvação, e qualquer pessoa que siga o seu ditame pode redimir-se da escravidão do pecado, e saber, pelo Espírito, que Jesus é o Cristo. Todos os que tomarem este caminho saberão, por revelação, que Deus é o nosso Pai; compreenderão a relação que têm com Ele e com os seus semelhantes. O mundo pode, em vão, perguntar: "Quem somos nós?" Mas o Evangelho nos diz que somos os filhos e as filhas daquele Deus a quem servimos. Alguns dizem: "Somos os filhos de Adão e Eva." Assim somos, e eles são filhos do nosso Pai Celestial. Somos todos filhos de Adão e Eva, e eles e nós somos a prole Daquele que habita nos céus, a mais alta Inteligência que habita em qualquer lugar de que temos conhecimento. Aqui nos encontramos, e, quando crianças, os mais desamparados, e os que mais necessitam de cuidado e atenção, de todas as criaturas que vêm à existência sobre a face da terra. Aqui encontramos em nós mesmos o germe e o alicerce, o embrião da exaltação, glória, imortalidade e vidas eternas. À medida que crescemos, recebemos força, conhecimento e sabedoria, alguns mais e outros menos; mas somente ao guardar os mandamentos do Senhor Jesus podemos ter o privilégio de conhecer as coisas pertencentes à eternidade e a nossa relação com os céus.

Quando contemplo os efeitos de guardar os mandamentos do Senhor, e olho para o mundo cristão, não posso deixar de ficar impressionado com a diferença dos resultados que fluem de servir a Deus e a Satanás. Habitei, por muitos anos, no mundo cristão. Tentei aprender tudo o que eles sabem. Mas a que se resume isso? A nada. Quantos capítulos, panfletos e volumes já foram escritos sobre o Espírito Santo, o nascimento do Salvador, e a respeito do ser daquele Deus a quem servimos? Mas quem conhece a verdade a respeito destes assuntos, ou de qualquer um deles? Ninguém. Mas todos os que guardam os mandamentos de Jesus têm o privilégio de obter um entendimento correto destas coisas. Se nos achegarmos a ele, ele se achegará a nós; se o buscarmos cedo, o encontraremos; se aplicarmos as nossas mentes fiel e diligentemente, dia após dia, a conhecer e compreender a mente e a vontade de Deus, é tão fácil quanto, sim, direi mais fácil do que, conhecer a mente uns dos outros, pois conhecer e compreender a nós mesmos e o nosso próprio ser é conhecer e compreender a Deus e o Seu ser. É verdade que há muita especulação no mundo; e ela se torna mais evidente a cada ano; e assim continuará até que o povo creia no Evangelho do Filho de Deus, ou seja entregue à incredulidade. Vede as seitas e os partidos surgindo aqui e surgindo ali, disto e daquilo, e abraçando este e aquele outro fantasma; ou seguindo este e aquele sonho ou fantasia de sua imaginação. Estão se dividindo e subdividindo, e derivando, tão depressa quanto o tempo pode girar, para a incredulidade.

Quem conhecerá o Filho de Deus? Quem saberá que Jesus é o Cristo? Quem, em nossos dias, pode dizer, como disse Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"? Quantos chegarão a isso? Muito poucos. Quantas vezes já contemplei a condição do mundo cristão! Já preguei o Evangelho a centenas de milhares deles. Creram eles? Se creram, não prestaram obediência. Contendiam e argumentavam contra a verdade, mas apenas um aqui e outro ali, ou, como está escrito, "um de uma cidade, e dois de uma família;" ou, invertendo, um de uma família e dois de uma cidade, obedeciam a ela, e se reuniam com os santos. Muitos dos que se reuniram, quando foram abençoados com algumas das boas coisas desta vida, levantaram os calcanhares contra Jesus e em oposição a seus mandamentos e revelações, e se voltaram para fábulas. Muitas vezes já fiz esta pergunta: "Terá metade dos que obedeceram ao Evangelho e foram batizados na Igreja já se reunido com os santos?" Não, não o fizeram; e, para muitos que se reuniram, o Evangelho logo se tornou como um sonho. Tiveram a mente aberta e viram as coisas corretamente; tiveram as manifestações do Espírito do Senhor e se regozijaram na verdade; mas, pouco a pouco, pelas concupiscências da carne, tornaram-se sórdidos, voltaram-se de novo para o mundo, e esqueceram o Evangelho e suas bênçãos.

É este o caso com os santos? É o caso com muitos que têm sido chamados santos, e, no entanto, dizemos que os Santos dos Últimos Dias, como um todo, são o melhor povo que se pode encontrar. Quem teria feito o que eles fizeram? Quem, no mundo, está disposto a manifestar que crê no Senhor Jesus Cristo, nos profetas e apóstolos, e em Joseph Smith? Um dos apóstolos, escrevendo sobre confessar o Salvador, diz: "Todo espírito que confessa que Jesus é o Cristo é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus é o Cristo não é de Deus." Digo que todo espírito que confessa que Jesus é o Salvador do mundo, que o Antigo e o Novo Testamento e o Livro de Mórmon são verdadeiros, e que Joseph Smith é um profeta, é de Deus; mas todo espírito que não confessa estas coisas não é de Deus.

Posso dizer aos meus irmãos e irmãs que professam crer no Evangelho do Filho de Deus, tal como nos foi revelado nestes últimos dias, que precisamos prestar atenção à nossa fé, e observar inviolados os princípios de nossa religião, e viver por toda palavra que procede da boca de Deus, ou não estaremos preparados para herdar aquela glória que antecipamos. É assim? É, com toda a certeza. Sei que muitos Santos dos Últimos Dias pensam que, quando obedeceram ao Evangelho, e fizeram um sacrifício ao abandonar os seus lares, talvez os seus pais, maridos, esposas, filhos, fazendas, terras natais, ou outras coisas que lhes são caras, que a obra está feita; mas ela apenas começou. A obra de nos purificarmos e nos prepararmos para edificar a Sião de Deus neste continente apenas começou conosco quando chegamos até esse ponto. Estamos agora preparados para estabelecer a Sião que o Senhor pretende edificar? Já perguntei muitas vezes: "Onde está o homem que sabe como lançar a primeira pedra do muro que há de rodear a Nova Jerusalém, ou a Sião de Deus na terra? Onde está o homem que sabe como construir o primeiro portão da cidade? Onde está o homem que entende como edificar o reino de Deus em sua pureza, e preparar-se para que Sião desça ao seu encontro?" "Bem," diz um, "eu pensei que o Senhor faria isso." E fará, se O deixarmos. É isso o que queremos: queremos que o povo esteja disposto a que o Senhor o faça. Mas Ele o fará por meios. Ele não enviará os Seus anjos a recolher a pedra para edificar a Nova Jerusalém. Ele não enviará os Seus anjos dos céus a ir às montanhas cortar madeira e transformá-la em tábuas para adornar a cidade de Sião. Ele nos chamou a fazer esta obra; e, se O deixarmos trabalhar por, através de, e conosco, Ele pode realizá-la; do contrário, ficaremos aquém, e jamais teremos a honra de edificar Sião sobre a terra. É assim? Certamente. Pois bem, então, guardemos os mandamentos.

Quais são os Seus mandamentos para nós? Ordenou-nos Ele construir uma arca? Não. Ele disse a Noé que a construísse, para a salvação daqueles que nela entrassem; e, depois de tê-la construído, e de ter pregado retidão por um longo espaço de tempo, advertindo o povo dos juízos vindouros do Todo-Poderoso, quantos creram no seu testemunho? Apenas oito almas, e eram membros de sua própria família. Todos os demais foram varridos da face da terra. Isto está de acordo com o relato que nos é dado no Antigo Testamento, no qual cremos. Sei que há muitos no mundo que são tão sábios aos seus próprios olhos que não estão dispostos a crer no relato contido na Bíblia sobre a Criação, sobre Adão e Eva no Jardim do Éden, o mundo antediluviano, e outras coisas, mas nós professamos crer, e cremos ou deveríamos crer nestas coisas.

O Senhor disse que jamais destruirá de novo o mundo por um dilúvio. Qual será a próxima grande catástrofe? Será o fogo: Ele purificará a terra como por fogo, e a purificará e santificará, e a preparará para a habitação dos Seus santos. Mas, ao fazer isto, o que será realizado pelos trabalhos unidos dos Seus santos sob a Sua direção, Ele não nos disse para construir uma arca; Ele não nos disse para sair de Sodoma, como fez com Ló e sua família; nem nos disse para descer ao Egito ou sair do Egito. Que nos disse Ele? Disse-nos, e está registrado nas revelações contidas no Novo Testamento, que, nos últimos dias, enviaria o Seu anjo voando pelo meio do céu, tendo o Evangelho eterno para pregar aos que habitam na terra. Esse anjo já voou, o Evangelho foi entregue, o reino está estabelecido, e Sião há de ser edificada. Vão os Santos dos Últimos Dias fazer isso? Sim, assim dizemos; pensamos que os Santos dos Últimos Dias vão fazê-lo. Mas vão estes meus irmãos e irmãs agora diante de mim fazê-lo? Vou eu ajudar a fazê-lo? Sei que tenho trabalhado por quase quarenta anos para levar o povo a crer e a abraçar, em sua fé e prática, o que o Senhor nos disse para fazer. O Senhor quer edificar a Sua Sião, e quer edificá-la por meio de vós e de mim. Somos nós os que Ele chamou. Consentiremos em fazer isto? Creio firmemente que, antes que façamos qualquer progresso realmente efetivo na realização dessa obra, devemos tornar-nos mais unidos e mais fervorosos em nossa fé e prática do que jamais fomos em qualquer tempo. Temos de nos tornar mais como uma única família, e ser um, para que possamos ser do Senhor; e não cada um ter o seu próprio interesse individual. Isso é destrutivo, isso desliga os sentimentos do povo uns dos outros, e causa divisões e desunião. Mas, quando fazemos da causa geral de Sião a nossa causa individual, isso nos aproxima mais.

Devemos observar todas as palavras do Senhor. Os mandamentos contidos no Novo Testamento a respeito das ordenanças da casa de Deus são obrigatórios para nós. Mas não somos chamados a construir uma arca para nos salvarmos; somos chamados a edificar Sião. Deus falou dos céus, e nos deu revelações, e cabe a vós e a mim obedecer. O mandamento foi dado, está registrado, e todos podeis ler por vós mesmos.

Em participar deste Sacramento da Ceia do Senhor, estamos todos de acordo. Quando Jesus partiu o pão e derramou e abençoou o vinho, disse ele: "Fazei isto até que eu venha." Fazemos isso todo sábado em memória dele, e todos concordamos em fazê-lo. Quando a palavra é: "Sede batizados para a remissão dos pecados," também concordamos nisso: nenhuma voz dissidente. Quando dizemos que devemos ter as mãos impostas para o recebimento do Espírito Santo, todos consentimos nisso, todos sentimos o mesmo neste ponto. Quando dizemos que o Senhor está derramando os dons de profecia, revelação, línguas, visões, fé, curas, e assim por diante, todos concordamos nestas coisas. Estão todas certas, todas corretas, cremos em todas elas, e lhes prestamos obediência. Mas, quando Ele fala dos céus e diz: "Agora, meus filhos, saí do meio dos ímpios," alguns consentem nisso, e efetivamente vão a ponto de se recolherem, e é por isso que estamos aqui nestas montanhas. Mas o nosso trabalho não está feito: ainda precisamos progredir até nos tornarmos um. O Senhor diz: "Sede um; e se não sois um, não sois meus; sede unidos." Mas seguimos um rumo para nos tornarmos assim? Perguntarei, temos nós, de um modo geral, obedecido às primeiras revelações, de nos recolhermos a Sião, e, ali chegados, consagrar as nossas propriedades e dedicar toda a nossa substância, tempo e talentos à edificação do reino? Temos obedecido aos mandamentos e exigências do Céu, entregando tudo à vontade de Deus, e sendo dirigidos, como deveríamos, pelo espírito de revelação? Não, não temos. Nisto ficamos aquém daquilo que poderíamos fazer e realizar para o nosso próprio benefício, e para a salvação dos outros, pois não é apenas para a glória de Deus, mas para o nosso próprio benefício que cada um de nós trabalha. O Senhor é perfeitamente independente: Ele já recebeu a Sua glória, Ele reina supremo e onipotente. Ele não depende de vós nem de mim. Se cada um de nós apostatasse e descesse ao inferno, isso nem acrescentaria nem diminuiria a Sua glória. Ele lamentaria a nossa loucura em nos afastarmos dos santos mandamentos e sofrermos a ira do Todo-Poderoso vir sobre nós; os Céus chorariam por nós, mas ainda assim o Senhor tem a Sua glória, e nem vós nem eu estamos trabalhando para o Seu benefício. Para benefício de quem estamos trabalhando? Para o nosso próprio. Toda a minha pregação, trabalho e labuta neste reino têm sido por mim mesmo, para entrar no Reino Celestial de Deus. Tenho trabalhado por isso, e nada mais.

Os Santos dos Últimos Dias precisam de bastante pregação; deveriam orar um pouco mais; estão indo muito bem, mas, se tentarmos aproximá-los um pouco mais, quão depressa vemos o egoísmo dos filhos dos homens em nosso próprio meio. Se lhes pedimos que dediquem o seu tempo, talentos e forças mais completamente à edificação do Reino de Deus, um diz: "Isto é meu, não vou deixar que ninguém me controle;" outro diz: "Não vou submeter-me a isso." Ora, valha-me Deus! Que têm eles? Nada além do que o Senhor lhes deu, até mesmo as suas próprias vidas. Tudo o que têm é o que o Senhor lhes deu, e Ele pode tirar-lho quando Lhe aprouver. Pode conceder-lhes milhões se Lhe aprouver, ou tirá-los quando Lhe aprouver. No entanto, embora os homens reconheçam isto, um dirá: "Não vou ser controlado;" e outro: "Vou retirar-me disto." Já ouvistes e vistes, por toda esta cidade, muita conversa, escrita e sofisma sobre este assunto. Por mais palavras bonitas que sejam enfiadas em frases e feitas para parecer belas no papel, isso não vale nada. É a verdade; é o amor e o poder do Senhor Todo-Poderoso, e é o Evangelho do Filho de Deus que vós e eu abraçamos. Deveríamos ser controlados por isso? Sim, em tudo. Pois bem, uni o povo e ele será controlado por isso; mas, como está agora, a compra de uma pequena mercadoria manda um bocado deles para o diabo. É a maior das loucuras! Com o tempo, tais personagens irão para o seu próprio lugar. Ali não haverá carruagens; nem cavalos, casas finas, sedas e cetins ali. Ah, a tolice dos filhos dos homens!

Quem somos nós, pergunto de novo? Somos os filhos do Todo-Poderoso, Daquele que formou esta terra e a trouxe à existência, e nela colocou os Seus filhos, para ver o que fariam. Deu-lhes o seu arbítrio e disse: "Agora, agi por vós mesmos;" e cada um age por si mesmo, para o bem ou para o mal, para bênçãos ou maldições. Todos agimos por nós mesmos. Trabalho expressamente para voltar de novo à presença do meu Pai e do meu irmão mais velho. Por que trabalhais vós? Por ouro? Vede como alguns correm para as minas de ouro! "Ah," diz um, "ali se encontra prata." Diz outro: "Ali se encontra ouro, ou ali se encontra cobre." Vede a cobiça dos corações dos filhos dos homens, e isso mesmo no meio deste povo. Podemos elogiar o povo, em geral, bastante; damos-lhe crédito por um bem considerável que tem feito; mas não podemos dar aos nossos irmãos e irmãs crédito algum por bem particular enquanto seguem as tolas modas do mundo. O Senhor não pode creditá-los por correrem atrás do ouro e da prata e das riquezas deste mundo. Se fizerem o bem, receberão crédito; se derem esmolas aos pobres, receberão crédito por isso. Se estiverem dispostos a fazer algo em benefício do reino de Deus na terra, serão abençoados e creditados por isso. Mas, quando os seus corações se voltam dos santos mandamentos do Senhor Jesus, e para buscar as coisas desta vida, que perecem, hão de descobrir que perecerão tanto quanto as coisas que estão usando. Que pena! Quão lamentável é.

Ora, pergunto aos Santos dos Últimos Dias, tendes algo a temer? Sim, tendes. Tenho eu algo a temer? Sim. O que é? Temo que eu venha a afrouxar em minha fé e obediência em viver como o Espírito do Senhor Todo-Poderoso me tem exigido que viva, e está instando este povo a viver, para que possamos ser dignos de edificar Sião. Tendes vós, ou tenho eu, mais alguma coisa a temer? Não; de modo algum. Não tenho medo algum de seres celestiais, pois são meus amigos. Quero ir para a sua companhia e associar-me com eles. Aprecio que alguns dos mensageiros de Deus, que viajam por aí, me visitem. Gosto muito de sua companhia. Gosto dos espíritos que ali habitam. Quero ir para casa; quero voltar de novo e viver lá para sempre. Ora, o pensamento de que a inteligência que aqui é trazida à existência possa ser aniquilada é suficiente para fazer estremecer! Há alguns que vão tão longe em sua incredulidade que negam a ressurreição do corpo; e chegam mesmo a dizer que a alma dorme eternamente. De que serve a vossa inteligência, para que ela presta, se isso for verdade? Não existe tal coisa como a destruição do elemento! Não existe tal filosofia como a aniquilação. Se o espírito voltasse ao elemento nativo, o elemento não seria destruído; as partículas de matéria permanecerão para sempre. Há alguns que agora se tornam tão presunçosos em suas imaginações, e tão sábios e inteligentes em sua própria estimação, que pretendem explicar todos os mistérios do passado, do presente e do futuro. São como alguns chamados Santos dos Últimos Dias; sabem falar com grande desenvoltura sobre os princípios daquilo a que chamam o Evangelho; mas o funcionamento prático da religião do Salvador pouco conhecem ou lhes importa. Vinde aos Santos dos Últimos Dias, e encontrareis muitos que falam bastante da sua religião; podeis encontrar uma centena dispostos até a morrer por ela, para um disposto a vivê-la. Se todos estivessem dispostos a vivê-la, arriscaríamos a morte; com isso nada nos importa. Todos havemos de ir, mais cedo ou mais tarde. Não permaneceremos neste mundo, em nossa condição presente, para sempre. Alguma coisa ou outra separará esta inteligência ou espírito do corpo que habita; e o tabernáculo descerá ao pó. Os nossos espíritos não dormirão um sono eterno, mas os nossos corpos ressuscitarão, e os nossos espíritos e os nossos corpos serão reunidos; e todos os que creem o contrário estão em estado de trevas, miséria e incredulidade.

Irmãos e irmãs, sede fiéis à vossa religião. Não há a menor razão para temer de qualquer outra fonte no mundo. Mantende-vos tão calmos quanto uma tarde de verão; nenhum mal pode vir sobre aquele que serve a Deus de todo o seu coração e confia Nele quanto aos resultados futuros. "Mas," dizem alguns, "não podem eles matar-nos?" Sim, podem matar-vos e matar-me, se o Senhor permitir; mas, se Ele não permitir, presumo que não podem. E suponde que nos matem! Queremos permanecer neste mundo, em nossa condição presente, para sempre? Ah, não. Se Joseph e Hyrum Smith não tivessem sido mortos na prisão de Carthage, pensais que teriam vivido para sempre? Não, não poderiam; o decreto já foi proferido de que os nossos corpos hão de todos voltar à terra-mãe.

Não há perigo algum para os Santos dos Últimos Dias. O Senhor reina. Ele disse que pelejaria as nossas batalhas. Tem Ele o feito? Olhai para trás, ó santos, por quarenta anos, a partir do dia seis deste mês, quando esta Igreja foi organizada. O irmão George A. Smith e alguns de nós estávamos ausentes no aniversário desse dia; mas vós, aqui, tivestes uma pequena Conferência, que suspendestes. Percebestes que quarenta anos tinham se passado desde que esta Igreja foi organizada? Sim, e não há dúvida de que falastes disso. Olhai para trás, membros desta Igreja, por trinta e nove anos! Tem o Senhor pelejado as nossas batalhas? Sim. Tem Ele nos protegido, alimentado e vestido? Certamente que sim. Quando chegamos aqui, ninguém sabia se conseguiríamos produzir uma só espiga de milho, e muitos criam que não conseguiríamos. Quantos contenderam contra plantarmos árvores frutíferas? Diziam eles: "Nunca conseguireis produzir uma maçã, uma ameixa, ou uma pera, e certamente nunca conseguireis produzir um pêssego ou um damasco." Dissemos-lhes que plantaríamos árvores e confiaríamos no Senhor; e, ainda que, quando chegamos aqui, tudo estivesse a gelar até morrer, agora, contudo, por o Senhor abençoar os elementos e temperar o solo, a água e a atmosfera, os santos em cada povoado estão produzindo belos cereais e frutas; e o povo está crescendo e se multiplicando. Onde quer que estivéssemos em nossa viagem recente, saíam em bandos de centenas para nos receber; e havia enxames de crianças saudáveis, alegres e inteligentes por toda a parte.

Falai de poligamia! Não há verdadeiro filósofo sobre a face da terra que não admita que tal sistema, devidamente levado a cabo conforme a ordem do céu, é muito superior à monogamia para a criação de filhos saudáveis e robustos! Uma pessoa que possua um conhecimento moderado de fisiologia, ou que tenha prestado atenção à sua própria natureza e à natureza do sexo mais delicado, pode facilmente compreender isto.

"Mas," diz um, "não seremos todos mortos por nossa crença neste princípio?" Presumo que não. "Não seremos expulsos de nossos lares?" Não sei. Este é um bom lugar; gostaria de ficar aqui; preferiria não ir; tenho bastante a deixar se tivéssemos de sair daqui. Não sei como passar sem a liberdade pela qual o meu pai lutou. Ele entrou no exército revolucionário quando tinha catorze anos, e ali ficou até o fim da guerra; e não sei como passar sem essa liberdade, de modo algum, neste mundo. Suponho que posso pensar como bem entender, e suponho que posso viver feliz, hei de tentar, de qualquer modo, até terminar o meu trabalho, e creio que vós também podereis, irmãos e irmãs, se amardes a Jesus, e o provardes guardando os seus mandamentos. Se fizerdes isso, não há perigo algum no mundo. Mas, quando olho ao redor e vejo os hábitos tolos do povo, é um pouco mortificante, e gostaria que fosse diferente. Ainda assim, o suportamos, e fazemos o melhor que podemos; e falamos e pregamos e vos damos exemplos, e vos ensinamos como ser santos de fato, para que, com o tempo, possais estar preparados para ir edificar a Estaca Central de Sião. Se eu tiver de partir daqui, se eu viver para tanto, quero ir para o Condado de Jackson. Posso? (Sim, da congregação.) Esse é o lugar aonde quero ir. Não é saudável como este; mas o Senhor o fará tal, e abençoará o solo, a água e a atmosfera, e se tornarão saudáveis, se os santos viverem a sua religião. Façamos a vontade de Deus, e não haverá temor de lado algum. Nunca me senti mais calmo desde que estou nesta Igreja, e já passei pelas guerras. Já deixei o meu lar cinco vezes, e uma boa e bela propriedade cada vez; mas agora não me sinto nem um pouco assim, e não consigo obter esse espírito.

Aos Santos dos Últimos Dias digo: vivei a vossa religião, santificai o Senhor Deus em vossos corações, vivei por toda palavra que procede da boca de Deus, e seremos prosperados.

Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Guardar os Mandamentos”, (1870-04-17). Pulpit Vault, 1870-04-young-keeping-the-commandments. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).