Agindo em Nome do Senhor
Lorenzo Snow
Sinto-me muito satisfeito por ter a oportunidade de fazer algumas observações a esta Conferência. Os assuntos que nos foram apresentados para consideração estão repletos de muitas reflexões bastante interessantes. Todo privilégio que nos é concedido de nos reunirmos na condição de uma Conferência, e de lançarmos um olhar retrospectivo sobre o passado, dá-nos a oportunidade de contemplar o grande e maravilhoso êxito que até agora acompanhou nossos trabalhos, como servos de Deus, nesta grande e gloriosa obra da redenção de Israel e do ajuntamento dos Santos dos Últimos Dias dos quatro cantos do mundo, para estabelecer o reino de Deus na terra nos últimos dias. ¶
Há muitas peculiaridades que distinguem a ordem das coisas pertencentes à obra de Deus em que estamos empenhados dos diferentes sistemas de religião que se encontram na cristandade e em várias partes do mundo. O que fazemos, fazemo-lo em nome do Senhor Deus de Israel, e estamos dispostos a reconhecer a mão do Todo-Poderoso em tudo o que fazemos. Quando Moisés se apresentou como libertador dos filhos de Israel de seu cativeiro egípcio, ele não se apresentou à maneira de um libertador comum, mas foi em nome do Senhor Deus de Israel, tendo sido ordenado a realizar sua redenção pelo poder e autoridade que recebeu de Deus. E, desde o momento em que apareceu diante deles nessa condição, até que houvesse cumprido sua obra, ele agiu no nome do Senhor e por meio dele, e não por sua própria sabedoria ou engenhosidade, nem porque possuísse inteligência superior ao restante da humanidade. O Senhor lhe apareceu na sarça ardente, e lhe ordenou que fosse e realizasse certa obra, que dizia respeito à paz, à felicidade e à salvação de um grande povo; e seu êxito e prosperidade dependiam do cumprimento da ordem das coisas que lhe fora revelada pelo Deus do céu. Seu êxito e prosperidade estavam perfeitamente garantidos pelo fato de que a obra a que fora designado não era coisa de sua própria invenção, mas emanava de Jeová. ¶
Muita especulação poderia ter sido feita por alguns a respeito de seu modo de proceder. Poderia haver algumas coisas no funcionamento do sistema que ele introduziu que fossem bastante desagradáveis para certas partes envolvidas — ao governo do Egito e ao rei Faraó, por exemplo; mas isso era uma consideração de muito pouca importância para ele e para o povo que ele tinha ocasião de libertar do cativeiro. ¶
Assim é a respeito de nós mesmos. A grande obra que agora se realiza — o ajuntamento do povo das nações da terra — não teve origem na mente de nenhum homem ou grupo de homens, mas emanou do Senhor Todo-Poderoso. Joseph Smith recebeu uma revelação e um mandamento do Senhor para ir e pregar o Evangelho da salvação às nações da terra, com poder e autoridade para batizar aqueles que se arrependessem de seus pecados e fossem imersos na água para a remissão deles; foi também ordenado a pregar-lhes o ajuntamento, para que um povo pudesse ser reunido, disposto a escutar a voz do Senhor e a guardar Suas leis, a fim de que uma semente justa pudesse assim ser preservada quando viesse o grande dia de Sua ira. Este Evangelho foi pregado, e milhares de Santos foram ajuntados de quase todas as partes do globo, os quais agora se acham espalhados por todo o comprimento e largura deste Território, fazendo fazendas, construindo casas, plantando pomares e recuperando o solo; criando vilarejos, vilas e cidades onde antes apenas feras selvagens e selvagens vagueavam, e fazendo o deserto florescer como a rosa. Contudo, tudo isto não foi realizado pela sabedoria humana, ainda que os inimigos dos Santos procurem fazer o mundo crer nisso; foi feito pela sabedoria e pelo poder de Deus Todo-Poderoso, cujo braço estendido tem estado sobre Seus Santos, preservando-os de todo tipo de mal. ¶
Jesus, enquanto viajava aqui na terra, cumprindo sua missão, disse ao povo que não realizava os milagres que operava em seu meio por seu próprio poder, nem por sua própria sabedoria; mas estava ali para cumprir a vontade de seu Pai. Não veio buscar a glória dos homens, nem a honra dos homens; mas buscar a honra e a glória de seu Pai que o enviou. Disse ele: "Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, a esse recebereis." ¶
Ora, a peculiaridade de sua missão, e o que a distinguia de outras missões, era isto: ele não veio buscar a glória e a honra dos homens, mas buscar a honra e a glória de seu Pai, e cumprir a obra de seu Pai que o enviou. Nisto residia o segredo de sua prosperidade; e nisto reside o segredo da prosperidade de todo indivíduo que age segundo o mesmo princípio. ¶
Há muitas coisas admiráveis naquilo que nossos vizinhos chamam de "mormonismo". Grandes homens admiram os efeitos produzidos por suas operações, ou a obra de pregar o Evangelho, ajuntar o povo das nações da terra e estabelecê-lo neste Território, criando vilas, vilarejos e povoações, ajuntando os pobres de suas circunstâncias indigentes, de suas condições de pobreza e aflição, e colocando-os numa posição em que possam sustentar-se e ter a oportunidade de educar seus filhos e reunir ao seu redor as necessidades, conforto e conveniências da vida. ¶
O povo admira a prosperidade dos Santos dos Últimos Dias, admira a sabedoria manifesta na organização perfeita observável em suas cidades, vilas e povoações, e a unidade existente entre eles. Ficam impressionados com a paz e a boa ordem que reinam em nosso meio, as quais não se encontram, no mesmo grau, em nenhuma das cidades dos Estados Unidos ou da Europa. Cento e cinquenta mil pessoas, que foram reunidas das classes mais pobres e trazidas de várias nações e estabelecidas em circunstâncias prósperas e felizes, são admiradas por todos. Mas tudo isto está sendo feito em nome do Senhor, e professadamente por meio dos mandamentos do Todo-Poderoso; e nisto reside a dificuldade. Nosso reconhecimento da mão de Deus no que fazemos é algo que eles não aprovam. Se ajuntássemos o povo das várias nações, construíssemos cidades, vilas e vilarejos em nosso próprio nome, e por nossa própria força e sabedoria, e nos déssemos a honra e a glória, seríamos um povo bastante admirável, de fato, e todos admirariam os "mórmons", e ficariam satisfeitos com nossas operações; e, quanto à influência dos políticos e membros do Congresso, ela seria empregada em obter nossa admissão à União como Estado. ¶
Pode parecer a alguns algo infeliz que tenhamos, nas operações do "mormonismo", um princípio tão desagradável e incômodo; mas nada podemos fazer quanto a isso. Esta obra não é criação nossa, e não recai sobre nós a responsabilidade de seu êxito. O próprio Jesus diz que teria sido recebido pelo povo se tivesse buscado a honra dos homens. Se não tivesse vindo em nome de seu Pai, mas simplesmente no seu próprio, o povo o teria recebido, honrado e feito Rei dos Judeus; e tudo teria sido agradável, satisfatório e aprazível. ¶
Foi dito pelo Profeta que Israel seria espalhado, que seria peneirado entre as nações, e que nos últimos dias seria ajuntado, dois de uma cidade e um de uma família, e que haveria um tempo em que o povo seria ajuntado das nações, quando lhe seria dito: "Saí dela, povo meu, para que não sejais participantes dos seus pecados e não recebais das suas pragas." ¶
Joseph Smith recebeu do Todo-Poderoso um mandamento semelhante ao que Moisés recebeu para libertar os filhos de Israel do cativeiro egípcio. O mandamento ao Profeta Joseph foi que fosse e declarasse o Evangelho aos filhos dos homens, para ajuntá-los das nações da terra e estabelecê-los numa terra de paz e fartura, onde pudessem plantar e colher seu fruto. Em muitos casos, o povo que recebeu este Evangelho estava em condição muito pior do que os filhos de Israel, quando encontrados por Moisés em seu cativeiro. ¶
Há centenas de élderes aqui que viajaram pela Inglaterra, Escócia, País de Gales, Alemanha, Suíça, Noruega e outros lugares, que sabem muito bem que o povo se encontrava, na maioria dessas terras, em circunstâncias de escravidão — cativeiro pior do que o dos "negros" no Sul antes de sua libertação. Não havia diante do povo nada além da perspectiva da fome; e estavam sujeitos à vontade e ao capricho de seus patrões, e dependentes deles para seu trabalho e seu pão diário; e, quando o trabalho escasseava, não tinham diante de si nada além da perspectiva de serem despedidos de seu emprego e de terem sua única fonte de obtenção de alimento para si e suas famílias inteiramente cortada. Não possuíam um palmo de terra, um arado, um boi, uma carroça, uma vaca, uma mula, um cavalo; de fato, nada do que viam ao seu redor podiam chamar de seu. Estavam, em resumo, inteiramente dependentes da vontade e disposição de seus patrões para o que precisavam, e tinham de recorrer a eles como seu único meio de ganhar a vida. Milhares e milhares dessas pessoas estão agora estabelecidas em várias partes deste Território, em condição muito mais próspera e independente do que aquela em que viviam no estrangeiro, entre as nações. Muitas delas são comparativamente ricas nos bens deste mundo. O mandamento do Todo-Poderoso a este povo é que saiam da Babilônia para uma terra onde Seus Santos possam reunir ao seu redor as coisas necessárias ao bem-estar de Seus filhos. Esta é uma obra maior do que a realizada por Moisés, ao redimir os filhos de Israel do cativeiro egípcio; contudo, é feita segundo o mesmo princípio. A voz de Deus a Moisés foi para libertar Seu povo do cativeiro, e que Ele estaria com ele e o ajudaria. O mandamento agora é para que o povo seja libertado de seu cativeiro, pobreza e aflição, e venha a estes vales das montanhas, onde possam sustentar-se. ¶
Há muitos filantropos que admiram as obras que se têm realizado a este respeito. Dizem eles: "Os 'mórmons' fizeram muito mais do que qualquer sociedade religiosa jamais fez, ou sequer esperou fazer. Aumentaram a população da nação e estenderam suas cidades a leste, a oeste, ao norte e ao sul." Mas isto foi feito por mandamento do Todo-Poderoso, e é aí que reside o problema. Quanto à poligamia, nossos inimigos não estariam tão irados por a praticarmos, contanto que não o fizéssemos em nome do Senhor. Mas, como estas coisas são feitas em Seu nome, tornam-se odiosas aos olhos do mundo. O mesmo estado de sentimento existia nos dias de Moisés, o mesmo nos dias em que Jesus apareceu entre os judeus. Se Moisés se tivesse apresentado da mesma maneira que Washington, ou Guilherme Tell, o libertador do povo da Suíça do jugo do cativeiro sob o qual trabalhava, ou como Wallace, o herói da Escócia — se ele, digo eu, tivesse aparecido em seu próprio nome, e se apresentado diante do povo como pessoa de poderes e habilidades superiores, e não reivindicasse poder maior do que aquele que possuía como homem, tudo teria corrido bem. Mas, quando se apresentou diante deles em nome do Senhor Todo-Poderoso, experimentou certa dificuldade em realizar a obra que lhe fora designada. ¶
Sabemos bem que diferimos muito, em nossos assuntos religiosos, das várias denominações existentes no mundo. Um élder vai em nome do Senhor; atravessa o oceano, entra na casa de alguém e diz: "Sou missionário; vim da América para pregar o Evangelho." Não é coisa muito incomum que pessoas atravessem o oceano como missionários e vão para a Europa. Isto é tudo bastante natural; mas, quando um élder vai e diz que vem em nome do Senhor para libertá-los de suas circunstâncias de pobreza e aflição, e para chamá-los ao arrependimento de seus pecados e à imersão em água para a remissão deles, prometendo-lhes o dom do Espírito Santo, ele cria uma distinção entre sua missão e a dos vários sistemas introduzidos pelas diferentes seitas de hoje. Diz ele: "Venho dizer-vos que chegou o tempo do cumprimento das predições dos Profetas. O Senhor quer que Seu povo seja ajuntado da Babilônia para o lugar onde haverá libertação." Há libertação. Há algo que pode ser percebido e experimentado, que pode ser visto, sentido e conhecido. Há a promessa de que, se algum homem fizer a vontade de Deus, saberá por si mesmo que a doutrina que ensinamos é verdadeira. Não há chance de fraude. Há a oportunidade de saber se a mensagem deste élder é verdadeira ou falsa. ¶
Se um ministro sectário tivesse ido aos filhos de Israel e os encontrado na mesma condição em que Moisés os encontrou, sua mensagem teria sido inteiramente diferente da de Moisés, assim como sua conversa e discurso. Moisés lhes disse: "Em nome do Todo-Poderoso, tendo recebido autoridade de Deus, venho libertar-vos do cativeiro e dar-vos existência nacional; levar-vos a uma terra que o Senhor Deus vos ordenou que fôsseis, e que Ele prometeu que recebereis." Se um ministro sectário tivesse ido em circunstâncias semelhantes, suas ideias e maneiras teriam sido inteiramente diferentes. Diz ele: "Vim suplicar-vos, que estais agora sujeitos à vontade de vossos patrões e tendes de reclinar-vos sobre a palha, que sejais pacientes e sofredores. Servos, sede obedientes a vossos patrões e aguardai a providência do Senhor. Suportai, e sede bondosos," e assim por diante. Algo a respeito de libertá-los do cativeiro sob o qual sofrem? Nada, absolutamente nada disso. ¶
É o mesmo quando um ministro sectário vai à Inglaterra. Bate à porta de um homem e diz: "Sou missionário vindo da América." Ora, o homem a quem visita está em aflição. Diz ele: "Lamento não poder recebê-lo; mas estou em aflição. É hora da refeição, mas minha família não tem nada para comer. Estou sem emprego e não tenho de que viver. Gostaria de poder aliviar suas necessidades, mas não tenho nada com que ajudá-lo." Ora, diz o ministro, deveis aguardar a Providência, deveis ter muita paciência e resignação. Venho pregar-vos o Evangelho, e deveis orar e continuar orando até pensardes ter obtido o perdão de vossos pecados; mas permanecei onde estais. Nenhuma redenção! ¶
Ora, isto é diferente da maneira do élder "mórmon". Ele se apresenta mais ou menos assim: "Venho em nome do Todo-Poderoso, em obediência a um chamado de Deus, para libertar-vos de vossas circunstâncias presentes. Arrependei-vos de vossos pecados e sede batizados, e o Espírito Santo repousará sobre vós, e sabereis que tenho autoridade para administrar as ordenanças do Evangelho pelo poder do Todo-Poderoso e pelas revelações de Deus. Saí desta nação, pois ela está amadurecendo em iniquidade; não há salvação aqui. Fugi para um lugar de segurança." E, como o mensageiro que foi a Sodoma disse à família que ali encontrou, assim diz o élder de Israel, dizendo-lhes, como Moisés disse aos filhos de Israel, que fossem à terra que o Senhor Deus designou para o ajuntamento de Seu povo. ¶
Há uma grande diferença entre as operações dos Santos dos Últimos Dias e as do mundo cristão. Entre nós não há engano; nem, de fato, há qualquer possibilidade de haver. O povo se reúne aqui aos milhares, com base no princípio que o Senhor Deus revelou, e tem a oportunidade de saber que o Todo-Poderoso falou dos céus. Não são deixados à mera afirmação de ninguém. ¶
Jesus diz que, se algum homem fizer a vontade de Deus, conhecerá Sua doutrina. Se se arrepender de seus pecados e for imerso na água, pela imposição de mãos daqueles que têm autoridade, o dom do Espírito Santo lhe será dado, e receberá de Deus o conhecimento a respeito da autenticidade divina destas ordenanças. O povo não é deixado nas trevas; tem a chance de saber por si mesmo. Recebem esta inteligência e sabem o que estão fazendo. ¶
Faremos estas coisas em nome do Senhor Deus que nos enviou? Esta obra é do Todo-Poderoso, e é a Ele que cabe sustentá-la e apoiá-la. Se, ao guardarmos as leis de Deus, fazemos coisas que não sejam de todo agradáveis ao povo ao nosso redor ou ao Governo sob o qual vivemos, nada podemos fazer quanto a isso. Não podemos agir senão em nome do Senhor. Quando Nabucodonosor estabeleceu certo édito, e esse édito era contrário às revelações do Todo-Poderoso, foi desagradável para muitas pessoas a quem dizia respeito. Havia três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que receberam um mandamento do Todo-Poderoso de que não adorassem nenhum outro Deus além do Senhor Deus de Israel, e que não adorassem nenhuma imagem. Mas o rei Nabucodonosor ergueu uma imagem e ordenou que toda nação, tribo e língua sobre a qual reinava se prostrasse e a adorasse, ao ouvir o som da corneta, da flauta, da harpa, do saltério, do saltério de dez cordas, do dulcimer e de toda espécie de música. ¶
Aconteceu que o édito do rei dizia respeito, entre outros, aos três homens que haviam recebido do Senhor a revelação de que não deveriam adorar nenhuma imagem. Estavam numa situação bastante embaraçosa. Ou deviam pôr de lado o mandamento de Jeová de não adorar outro Deus senão a Ele, ou, por outro lado, desobedecer ao mandado do rei. Sabiam que, se recusassem cumprir a vontade de um homem tão poderoso quanto Nabucodonosor, suas vidas não valeriam muito, a menos que fossem preservadas pela mão do Deus de Israel. Mas não temeram o rei e confiaram no braço de Jeová para escudá-los do mal. Assim, quando foi dado o sinal para que o povo se prostrasse e adorasse a imagem, estes três homens recusaram-se a fazê-lo; e, sendo observados, foram levados diante do rei, que se enfureceu grandemente com a ideia de que pudesse haver alguém em todos os seus domínios tão destemido a ponto de recusar-se a cumprir seus desejos. Quando compareceram diante dele, ele os olhou de maneira feroz e selvagem, e disse: "É verdade, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não servis aos meus deuses, nem adorais a imagem de ouro que levantei? Ora, se estais prontos para que, ao ouvirdes o som da corneta, da flauta, da harpa, do saltério, do saltério de dez cordas e do dulcimer, e de toda espécie de música, vos prostreis e adoreis a imagem que fiz, bem; mas, se não adorardes, sereis lançados nessa mesma hora dentro de uma fornalha de fogo ardente; e quem é esse Deus que vos livrará das minhas mãos?" ¶
Muitas vezes admiro a resposta desses homens, colocados como estavam nesta posição tão embaraçosa. Uma pessoa poderia ser levada diante do Imperador da França ou da Rússia e sair-se muito bem; mas era algo terrível entrar em choque com um homem como Nabucodonosor, cuja vontade era como a palavra do Todo-Poderoso, e que jamais fora desobedecido. Quando o rei terminou de falar, eles responderam: "Ó Nabucodonosor, não nos é necessário responder-te sobre este assunto. Se assim for, o nosso Deus, a quem servimos, é capaz de livrar-nos da fornalha de fogo ardente, e nos livrará da tua mão, ó rei. Mas, se não, sabe, ó rei, que não serviremos aos teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste." Ao ouvir isto, o rei enfureceu-se extremamente, e mandou aquecer a fornalha sete vezes mais do que de costume, ordenando ao mesmo tempo aos homens mais poderosos de seu exército que os amarrassem e os lançassem na fornalha. Depois de algum tempo, porém, descobriu que cometera um grande erro. Fora enganado, e, chamando apressadamente seus conselheiros, perguntou-lhes se apenas três homens tinham sido lançados na fornalha. Responderam que sim. "Pois bem," disse ele, "vejo quatro ali; e um deles é semelhante ao Filho de Deus." Então enviou outro édito, de que todos os que se recusassem a adorar o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego fossem despedaçados, e suas casas transformadas em monturos. ¶
Ora, Nabucodonosor era sincero, mas, por ignorância, foi levado a agir desta maneira. ¶
Seria muito agradável e aprazível, quando levamos as palavras da vida e da salvação às várias nações, se toda parte e operação da obra de Deus estivesse em perfeita harmonia com os sentimentos do povo a quem é pregada; se não é assim, nada podemos fazer quanto a isso. Sabemos isto: que o Todo-Poderoso nos deu poder e autoridade para ir e ajuntar o povo das nações da terra e estabelecê-lo na terra de Sião. Mas retirai desta operação a parte sobrenatural, e o povo do mundo, incluindo os membros do Congresso, ficaria satisfeito; e o Vice-Presidente teria orgulho de nós. Diriam que somos muito patriotas. Mas não gostam de vermos fazer estas coisas em nome do Senhor nosso Deus. Temem que, ao obtermos poder e influência, e unirmos nossos interesses como um grande povo, façamos alguma coisa mais adiante. ¶
Continuemos, irmãos e irmãs, a trabalhar em nome do Senhor nosso Deus; reunindo sabedoria e inteligência dia a dia, para que toda circunstância que ocorra possa contribuir para o nosso bem e aumentar nossa fé e inteligência. Se continuarmos a praticar a retidão, sendo fiéis uns aos outros e a Deus, nenhum poder será capaz de nos derrubar, e, como observou o irmão Hyde, para cada pedra de tropeço que nossos inimigos colocarem em nosso caminho, para impedir e obstar que a obra de Deus avance, duas serão colocadas nos caminhos daqueles que colocarem uma no nosso. Se formos fiéis e guardarmos os mandamentos de Deus, Suas obras continuarão a prosperar até que as profecias se cumpram, e nos tornemos um povo grande, glorioso e poderoso. Deus vos abençoe. Amém. ¶