Pulpit

Casamento Celestial

George Q. Cannon

Conferência Geral de Outubro de 1869·Sessão da Manhã de Sábado·1869-10-09

Repetirei alguns versículos do décimo capítulo de Marcos, começando no vigésimo oitavo versículo.

"E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos." (Marcos 10:28.)

"E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho," (Marcos 10:29.)

"Que não receba cem vezes tanto, agora neste tempo, casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no mundo vindouro, a vida eterna." (Marcos 10:30.)

Ao levantar-me para dirigir-me a vós nesta manhã, irmãos e irmãs, confio em vossa fé e orações e na bênção de Deus. Ouvimos, durante a Conferência, muitas instruções preciosas, e em nenhuma me interessei mais do que naquelas que foram dadas aos Santos a respeito daquela tão debatida doutrina chamada Casamento Patriarcal ou Casamento Celestial. Interesso-me por esta doutrina porque nela vejo incorporada a salvação, temporal e espiritual. Sei muito bem quais são os sentimentos populares a respeito desta doutrina; estou familiarizado com as opiniões do mundo, tendo viajado e convivido com o povo o suficiente para conhecer suas ideias a respeito deste assunto. Estou também familiarizado com os sentimentos dos Santos dos Últimos Dias quanto a este ponto. Sei o sacrifício de sentimento que lhes custou adotar este princípio em sua fé e em sua vida. Foi necessária a revelação de Deus, nosso Pai Celestial, para capacitar Seu povo a receber este princípio e cumpri-lo. Desejo, aqui, fazer uma observação a respeito deste assunto — que, embora haja abundante prova nas Escrituras e em outros lugares em apoio a esta doutrina, não é porque foi praticada há quatro mil anos pelos servos e pelo povo de Deus, ou porque foi praticada por algum povo ou nação em qualquer período da história do mundo, que os Santos dos Últimos Dias a adotaram e a fizeram parte de sua prática, mas é porque Deus, nosso Pai Celestial, a revelou a nós. Se não houvesse registro algum de sua prática, e se a Bíblia, o Livro de Mórmon e o Livro de Doutrina e Convênios fossem totalmente silenciosos a respeito desta doutrina, ainda assim ela nos seria obrigatória como povo, tendo o próprio Deus dado uma revelação para que a praticássemos no tempo presente. Isto deve ser entendido por nós como povo. É gratificante saber, porém, que não somos o primeiro povo de Deus a quem este princípio foi revelado; é gratificante saber que estamos apenas seguindo os passos daqueles que nos precederam na obra de Deus, e que hoje estamos apenas cumprindo o princípio que o povo de Deus observou, em obediência à revelação dEle, milhares de anos atrás. É gratificante saber que estamos sofrendo perseguição, que somos ameaçados de multas e prisão pela prática exatamente do mesmo princípio que Abraão, o "Amigo de Deus", praticou em sua vida e ensinou a seus filhos depois dele.

Os discursos do irmão Orson Pratt e do Presidente George A. Smith deixaram muito pouco a dizer a respeito dos argumentos bíblicos em favor desta doutrina. Sei que a opinião geral entre os homens é que o Antigo Testamento, em certa medida, a sustenta; mas que o Novo Testamento — Jesus e os Apóstolos — foi silencioso a respeito. Provou-se claramente, ao que ouvimos ontem, e na tarde do dia anterior, que o Novo Testamento, embora não tão explícito a respeito da doutrina, ainda assim é decididamente a favor dela e a sustenta. Jesus disse claramente aos judeus, quando se gabavam de serem descendência de Abraão, que, se o fossem, fariam as obras de Abraão. Ele e os Apóstolos, em vários lugares, deixaram claramente estabelecido que Abraão era o grande exemplo de fé a ser seguido, e que deviam segui-lo, se algum dia esperassem participar da glória e exaltação de que gozavam Abraão e sua descendência fiel. Ao longo de todo o Novo Testamento, Abraão é apresentado aos convertidos às doutrinas que Jesus ensinou como exemplo digno de imitação, e em nenhum lugar há uma palavra de condenação proferida a seu respeito. O apóstolo Paulo, ao falar dele, diz:

"Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. [...] De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão." (Gálatas 3:7, 9.)

Diz também que os gentios, por adoção, tornaram-se descendência de Abraão; que a bênção de Abraão, diz ele, poderia vir sobre os gentios por meio de Jesus Cristo, mostrando claramente que Jesus e todos os Apóstolos que aludiram ao assunto consideravam os feitos de Abraão, em todos os sentidos, dignos de imitação.

Quem era este Abraão? Tenho ouvido frequentemente a afirmação de que, no início de sua vida, sendo idólatra, foi um princípio idólatra e pagão que ele adotou ao tomar para si uma segunda esposa, enquanto Sara ainda vivia. Aqueles que fazem esta afirmação a respeito do grande patriarca parecem ignorar o fato de que ele já estava bem avançado em idade e havia servido fielmente a Deus por muitos anos antes de fazer qualquer acréscimo à sua família. Ele não teve pluralidade de esposas até anos depois de o Senhor ter-se revelado a ele, ordenando-lhe que deixasse Ur dos Caldeus e fosse a uma terra que Ele lhe daria, a ele e à sua posteridade, como possessão eterna. Ele partiu e viveu naquela terra muitos e longos anos antes que a promessa de Deus se cumprisse nele — a saber, que em sua descendência seriam abençoadas todas as nações da terra; e Abraão ainda estava sem herdeiro, exceto Eliézer, de Damasco, o mordomo de sua casa. Por fim, depois de viver assim por dez anos, Deus lhe ordenou que tomasse para si outra esposa, que lhe foi dada por sua esposa Sara. Quando nasceu o fruto deste casamento, Abraão tinha oitenta e seis anos.

Não lemos palavra alguma de condenação do Senhor por este ato — algo que naturalmente poderíamos esperar se, como esta geração incrédula e licenciosa afirma, o ato de tomar mais de uma esposa fosse crime tão vil, e tão abominável aos olhos de Deus; pois, se é mal aos olhos do Senhor hoje, também o era então, pois as Escrituras nos informam que Ele não muda, que é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e que não há nEle mudança nem sombra de variação. Mas, em vez de condenação, Deus se revelava continuamente a Seu amigo Abraão, ensinando-lhe Sua vontade, revelando tudo o que concernia ao futuro que lhe era necessário compreender, e prometendo-lhe que, embora ele houvesse sido abençoado com um filho, Ismael, seria em Isaque, um filho da promessa, ainda não nascido, que sua descendência seria chamada. Abraão haveria de ter ainda outro filho. Sara, em sua velhice, por causa de sua fidelidade, por causa de sua disposição em cumprir os requisitos e as revelações de Deus, haveria de receber um filho. Tal acontecimento era tão inaudito entre as mulheres de sua idade que, embora o Senhor o prometesse, ela não pôde deixar de rir da ideia. Mas Deus cumpriu Sua promessa, e, no devido tempo, Isaque nasceu, e foi grandemente abençoado pelo Senhor.

Decidido a provar Seu fiel servo Abraão ao máximo, o Senhor, alguns anos depois do nascimento deste filho, em quem havia prometido que a descendência de Abraão seria chamada, exigiu-lhe que oferecesse este menino em holocausto a Ele; e Abraão, sem duvidar em nada, mas cheio de fé e integridade, e de devoção a seu Deus, provou-se digno do honroso título que lhe fora conferido, a saber, "o Amigo de Deus", tomando seu filho Isaque, no qual se concentravam a maior parte de suas esperanças para o futuro, subindo o monte, e ali, tendo construído o altar, amarrou a vítima, e, com a faca erguida, estava prestes a desferir o golpe fatal, quando o anjo do Senhor clamou do céu, ordenando-lhe que não matasse seu filho. O Senhor ficou satisfeito, tendo-o provado ao máximo, e o achou disposto até a derramar o sangue de seu filho tão amado.

O Senhor ficou tão satisfeito com a fidelidade de Abraão que lhe fez a maior promessa que poderia fazer a qualquer ser humano na face da terra. Que pensais que era a natureza dessa promessa? Prometeu-lhe uma coroa de glória eterna? Prometeu-lhe que estaria na presença do Cordeiro, que afinaria sua harpa e cantaria louvores a Deus e ao Cordeiro por toda a eternidade sem fim? Deixai-me citá-la para vós, e seria bom que todos os habitantes da terra refletissem sobre ela. Disse o Senhor:

"Que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua semente possuirá a porta dos seus inimigos." (Gênesis 22:17.)

Esta foi a promessa que Deus fez a Abraão, naquela hora de seu triunfo, naquela hora em que houve alegria no céu pela fidelidade de um dos filhos mais nobres e mais devotados de Deus. Pensai na grandeza desta bênção! Podeis contar as estrelas do céu, ou sequer os grãos de um punhado de areia? Não, está além do poder dos filhos mais dotados da terra fazer qualquer das duas coisas, e, no entanto, Deus prometeu a Abraão que sua descendência seria tão inumerável quanto as estrelas do céu ou a areia à beira-mar.

Como esta promessa de Deus a Abraão se assemelha àquela feita por Jesus como recompensa pela fidelidade daqueles que o seguiram! Disse Jesus que aquele que abandonar irmãos ou irmãs, casas ou terras, pai ou mãe, esposas ou filhos, receberá cem vezes mais nesta vida, com perseguição, e a vida eterna no mundo vindouro.

Uma bênção muito semelhante àquela que Deus, muito antes, havia feito a Abraão, e expressa em termos muito semelhantes.

Convém que indaguemos, na presente ocasião, como as promessas feitas por Jesus e por Seu Pai, em épocas do mundo separadas uma da outra por um longo intervalo, poderiam realizar-se sob o sistema que prevalece hoje em toda a cristandade? No sistema monogâmico, sob o qual a posse de mais de uma esposa viva é considerada crime tão grande, e tão terrivelmente imoral, como poderia jamais realizar-se a promessa do Salvador a Seus fiéis seguidores, de que teriam cem vezes mais esposas e filhos, nesta vida presente? Há um caminho que Deus proveu numa revelação dada a esta Igreja, em que Ele diz:

"Pois estreita é a porta e apertado o caminho que leva à exaltação e à continuação das vidas, e poucos há que o encontram, porque no mundo não me recebeis nem me conheceis." (D&C 132:22.)

Deus revelou aquele caminho estreito e apertado a Abraão, e ensinou-lhe como poderia nele entrar. Ensinou-lhe o princípio da pluralidade de esposas; Abraão o praticou e o legou a seus filhos como princípio que deveriam praticar. Sob tal sistema, era coisa relativamente fácil que os homens tivessem cem vezes mais esposas, filhos, pais, mães, irmãos, irmãs e tudo o mais em proporção; e de nenhuma outra maneira poderiam as promessas de Jesus realizar-se para seus seguidores, senão pelo caminho que Deus proveu, e que Ele revelou à Sua Igreja e povo nestes últimos dias.

Senti-me levado a deter-me nestas poucas passagens dos ditos de Jesus, para mostrar-vos que há abundância de provas bíblicas em favor deste princípio e da posição que esta Igreja assumiu, além daquelas já referidas.

É uma coisa abençoada saber que, nesta como em toda outra doutrina e princípio que ensinamos como Igreja, somos sustentados pelas revelações que Deus deu ao Seu povo antigamente. Um dos mais fortes apoios que os élderes desta Igreja tiveram, em seus trabalhos entre as nações, foi o conhecimento de que a Bíblia e o Novo Testamento sustentavam cada princípio que apresentavam ao povo. Quando pregavam fé, arrependimento, batismo para a remissão dos pecados, a imposição de mãos para o recebimento do Espírito Santo, o ajuntamento do povo das nações, a reconstrução de Jerusalém, a segunda vinda de Cristo, e todo outro princípio que já tocaram, era gratificante saber que eram sustentados pelas Escrituras, e que podiam recorrer a capítulo e versículo, entre os ditos de Jesus e Seus Apóstolos, ou entre os dos profetas antigos, em confirmação de toda doutrina que já tentaram trazer à atenção daqueles a quem ministravam. Não há nada a que os Santos dos Últimos Dias possam, com maior confiança, recorrer às Escrituras para confirmação e apoio, do que a doutrina do casamento plural, a qual, no tempo presente, entre uma das gerações mais ímpias, adúlteras e corruptas que o mundo já viu, é tão odiada, e pela qual a humanidade em geral está tão ansiosa para expulsar e perseguir os Santos dos Últimos Dias.

Se olharmos ao redor e percorrermos os registros da vida cotidiana em toda a cristandade, veremos que crimes de toda espécie, e da natureza mais chocante e repugnante, são constantemente cometidos, sem despertar surpresa nem comentário. Assassinato, roubo, adultério, sedução e toda espécie de vilania conhecida no volumoso catálogo do crime nos tempos modernos são considerados meros acontecimentos ordinários, e, no entanto, levanta-se um clamor, quase tão amplo quanto a cristandade, pela perseguição, por multa, prisão, proscrição, banimento ou extermínio do povo de Utah, porque, sabendo que Deus, o Pai Eterno, falou nestes dias e revelou Sua mente e vontade a eles, ousam cumprir Seus mandamentos. Por anos, submeteram-se mansamente a esta perseguição e desprezo, mas apelam agora, como sempre, a todos os homens racionais e reflexivos, e convidam à comparação entre o estado da sociedade aqui e em qualquer parte deste ou de qualquer outro país, sabendo que o veredicto será unânime e esmagadoramente a seu favor. Em todo país civilizado da face da terra, o sedutor exerce suas artes para envolver sua vítima em suas malhas, a fim de realizar sua ruína mais completamente; e é bem sabido que homens que ocupam posições de confiança e responsabilidade, considerados membros honrados e altamente respeitáveis da sociedade, violam seus votos matrimoniais mantendo relações secretas e sustentando amantes, e, no entanto, contra o povo de Utah, onde tais coisas são totalmente desconhecidas, há um clamor eterno e furioso porque praticam o sistema de pluralidade de esposas revelado do céu. É coisa das mais surpreendentes, e nenhuma prova maior poderia ser dada de que Satanás reina nos corações dos filhos dos homens, e de que está decidido, se possível, a destruir a obra de Deus da face da terra.

A Bíblia, a única obra aceita pelas nações da cristandade como revelação divina, sustenta esta doutrina do princípio ao fim. A única revelação registrada que se pode citar contra ela veio por meio do Profeta Joseph Smith, e está contida no Livro de Mórmon; e, por estranho que pareça, aqui em Salt Lake City, um ou dois dias atrás, um dos homens mais destacados da nação, em seu ávido desejo e determinação de desacreditar esta doutrina, incapaz de fazê-lo recorrendo à Bíblia, que ele, sem dúvida, como todos os cristãos, reconhece como divina, viu-se obrigado a recorrer ao Livro de Mórmon, obra que, em qualquer outro ponto, teria sem dúvida desprezado e ridicularizado como emanação do cérebro de um impostor. Que consistência! Estranha reviravolta esta, que homens tenham de recorrer às nossas próprias obras, cuja autenticidade eles mais enfaticamente negam, para provar-nos errados. Contudo, esta tentativa, sempre que feita, não pode sustentar-se, pois o irmão Pratt mostrou claramente a vós, em suas observações no outro dia, que, em vez de o Livro de Mórmon ser contrário a este princípio, ele contém uma disposição expressa para a revelação do princípio a nós como povo em algum tempo futuro — a saber, que, quando o Senhor desejasse levantar para Si uma descendência justa, ordenaria a Seu povo nesse sentido, deixando claramente estabelecido que viria um tempo em que ordenaria a Seu povo que o fizesse.

É necessário que este princípio seja praticado sob os auspícios e o controle do Sacerdócio. Deus colocou esse Sacerdócio na Igreja para governar e controlar todos os seus assuntos, e este é um princípio que, se não praticado na maior santidade e pureza, poderia levar os homens a grande pecado; por isso, o Sacerdócio é ainda mais necessário para guiar e controlar os homens na prática deste princípio. Poderia haver circunstâncias e situações em que não fosse sabedoria, na mente de Deus, que Seu povo praticasse este princípio, mas, enquanto um povo for guiado pelo Sacerdócio e pelas revelações de Deus, não há perigo de que dele resulte mal algum. Se nós, como povo, houvéssemos tentado praticar este princípio sem revelação, é provável que houvéssemos sido levados a graves pecados, e a condenação de Deus teria recaído sobre nós; mas a Igreja aguardou até que chegasse o tempo apropriado, e então o povo o praticou segundo a mente e a vontade de Deus, fazendo um sacrifício de seus próprios sentimentos ao fazê-lo. Mas a história do mundo prova que a prática deste princípio, mesmo por nações ignorantes do Evangelho, resultou em maior bem para elas do que a prática da monogamia ou do sistema de uma só esposa nas assim chamadas nações cristãs. Hoje, a cristandade se ergue a si mesma e a suas instituições como padrão para todos os homens seguirem. Se viajardes por todos os Estados Unidos e pelas nações da Europa em que prevalece o cristianismo, e conversardes com o povo a respeito de suas instituições, eles se gabarão delas como sendo as mais permanentes, indestrutíveis e progressistas de quaisquer instituições existentes na terra; contudo, é fato bem conhecido dos historiadores que as nações cristãs da Europa são as nações mais jovens do globo. Onde estão as nações que existem desde tempos imemoriais? Não se encontram na Europa cristã e monogâmica, mas na Ásia, entre as raças polígamas — China, Japão, Indostão e as várias raças daquele vasto continente. Essas nações, desde os tempos mais remotos, praticaram o casamento plural, transmitido a elas por seus antepassados. Embora sejam vistas pelas nações da Europa como semicivilizadas, não encontrareis entre elas a mulher prostituída, aviltada e degradada como o é em toda a cristandade. Ela pode ser tratada com frieza e rebaixada, mas, entre elas, exceto onde o elemento cristão prevalece em grande medida, ela não é aviltada e poluída como o é entre as assim chamadas nações cristãs. É digno de nota o fato de que as nações de mais curta duração de que temos registro foram monogâmicas. Roma, com suas artes, ciências e instintos guerreiros, foi outrora a senhora do mundo; mas sua glória se desvaneceu. Era uma nação monogâmica, e os numerosos males inerentes a esse sistema lançaram cedo os fundamentos da ruína que finalmente a alcançou. Os mais fortes ditos de Jesus registrados no Novo Testamento eram dirigidos contra as terríveis corrupções praticadas em Roma e em qualquer lugar sob domínio romano. O fermento dessas instituições havia penetrado na nação judaica, sendo a Judeia ou Palestina, então, uma província romana, governada por oficiais romanos, que traziam consigo suas ímpias instituições, e Jesus denunciou as práticas que ali prevaleciam.

Poucos anos antes do nascimento do Salvador, Júlio César era Primeiro Cônsul em Roma; almejou e obteve poder imperial. Teve quatro esposas durante sua vida, e cometeu numerosos adultérios. Casou-se cedo com sua primeira esposa; mas, tornando-se ambicioso, a aliança não lhe convinha, e, como a lei romana não lhe permitia mantê-la e casar-se com outra, repudiou-a. Casou-se então com a filha de um cônsul, pensando com isso promover seus interesses. Ela morreu, e casou-se uma terceira vez. A terceira foi divorciada, e casou-se com a quarta, com quem vivia à época em que foi assassinado. Seu sobrinho-neto, o Imperador César Augusto, reinava à época do nascimento de Cristo. É referido na história como um dos maiores dos Césares; também teve quatro esposas. Divorciou-se de uma após outra, exceto a última, que lhe sobreviveu. Estes homens não eram singulares nesta prática; era comum em Roma; os romanos não criam na pluralidade de esposas, mas em divorciar-se delas; em tomar esposas por conveniência e repudiá-las quando se cansavam delas. Em nosso país os divórcios estão aumentando, e, contudo, à maneira romana, os homens esperam pureza e castidade de suas esposas que eles próprios não praticam. Lembrai-vos, sem dúvida, da famosa resposta de César quando sua esposa foi acusada de intriga com um homem infame. Alguém perguntou a César por que havia repudiado sua esposa. Disse ele: "A esposa de César não deve apenas ser incorrupta, mas insuspeita." Não podia suportar que a virtude de sua esposa fosse sequer suspeita, e, no entanto, sua própria vida era infame ao extremo. Era sedutor, adúltero, e consta que praticou até crime pior, e, no entanto, esperava que sua esposa possuísse uma virtude que, em seus momentos mais elevados e sagrados, estava totalmente além de sua concepção em sua própria vida.

Este fermento se espalhava por todo país em que o Império Romano tinha jurisdição. Havia chegado à Palestina nos dias do Salvador; por isso, compreendendo as práticas prevalecentes naqueles tempos entre aquele povo, podereis melhor apreciar a linguagem enérgica usada por Jesus contra o repúdio, ou divórcio, das esposas. Roma continuou a praticar a corrupção até cair sob o peso dela, e foi dominada, não por outra raça monogâmica, mas pelas vigorosas hordas polígamas do norte, que varreram o imperialismo romano, estabelecendo em seu lugar instituições próprias. Mas rapidamente caíram no mesmo hábito de ter uma só esposa e multidões de cortesãs, e logo, como Roma, caíram sob suas próprias corrupções.

Quando as cortesãs eram instruídas em todo talento e honradas com a companhia dos principais homens da nação, e as esposas eram privadas desses privilégios, é de admirar que Roma tenha caído? Ou que as nações mais puras, ou bárbaras, como eram chamadas, a tenham dominado e destruído?

Já me citaram muitas vezes que nenhuma grande nação jamais praticou o casamento plural. Aqueles que fazem tal afirmação são totalmente ignorantes da história. Que nações deixaram a marca mais profunda na história de nossa raça? Aquelas que praticaram a pluralidade de casamento. Elas evitaram o terrível crime da prostituição, permitindo que os homens tivessem mais de uma esposa. Sei que somos deslumbrados pela glória da cristandade; somos deslumbrados pela glória de nossa própria época. Como toda geração que a precedeu, a geração presente pensa que é a mais sábia e a melhor, e mais próxima de Deus do que qualquer outra que a precedeu. Isto é natural; é uma fraqueza da natureza humana. Isto se dá tanto com as nações quanto com as gerações. A China, hoje, chama todas as nações ocidentais de "bárbaros de fora". O Japão, o Indostão e todas as outras nações polígamas fazem o mesmo, e, em muitos aspectos, têm tanto direito de dizer isso das nações monogâmicas quanto estas de dizê-lo delas.

Ouvi um viajante observar, há alguns dias, em conversa comigo: "Viajei pela Ásia Menor e pela Turquia, e enrubesci muitas vezes ao contrastar as práticas e instituições daquele povo com as de meu próprio país", os Estados Unidos. Era um cavalheiro com quem tive uma palestra alguns anos atrás sobre o princípio do casamento plural. Ele viajou bastante desde então, e me disse: "Viajar amplia a mente e o coração do homem. Aprendi muitas coisas desde que tivemos aquela palestra, e modifiquei bastante minhas ideias e opiniões a respeito da excelência das instituições, hábitos e costumes que prevalecem na cristandade." Este cavalheiro me disse que, entre essas nações, que chamamos de semicivilizadas, não há salões de bebida, nem bordéis, nem embriaguez, e ausência total de muitos outros males que existem em nossa própria nação. Considero este testemunho, vindo de um homem que antes tinha preconceitos tão fortes, de grande valor. Ele não é o único que deu este testemunho, mas todos os viajantes confiáveis que viveram em nações orientais atestam a ausência daqueles males monstruosos que florescem e engordam e apodrecem nas entranhas de todas as nações civilizadas ou cristãs.

Ao falar de Utah e desta prática peculiar entre seu povo, diz-se frequentemente: "Olhai para os turcos e outras nações orientais e vede como as mulheres são degradadas e aviltadas entre eles, e privadas de muitos privilégios de que gozam entre nós!" Mas, se é verdade que a mulher não ocupa sua verdadeira posição entre essas nações, não será isso mais atribuível à sua rejeição do Evangelho do que à sua prática de ter pluralidade de esposas? Seja qual for sua condição ali, porém, não aceito, portanto, como conclusão necessária, que ela deva ser degradada entre nós. Recebemos o Evangelho do Senhor Jesus, cujos princípios elevam todos os que os honram, e conferirão às nossas irmãs toda bênção necessária para torná-las nobres e boas na presença de Deus e dos homens.

Vede os esforços que se fazem para elevar o sexo entre os Santos dos Últimos Dias! Vede os privilégios que lhes são dados, e ouvi os ensinamentos que lhes são transmitidos dia após dia, semana após semana e ano após ano, para incentivá-las a avançar na marcha do progresso! A elevação do sexo há de seguir-se como resultado destas instruções. A prática no mundo é selecionar algumas poucas do sexo e elevá-las. Não há país no mundo, provavelmente, onde as mulheres sejam idolatradas na medida em que o são nos Estados Unidos. Mas será todo o sexo, nos Estados Unidos, assim honrado e respeitado? Não, não é. Qualquer pessoa que viajar, e observar enquanto viaja, verá que milhares de mulheres são degradadas e tratadas como algo muito vil, e terrivelmente aviltadas em consequência das práticas dos homens para com elas. Mas o Evangelho de Jesus e as revelações que Deus nos deu a respeito do Casamento Patriarcal têm a tendência de elevar todo o sexo, e dar a todas o privilégio de serem matronas honradas e esposas respeitadas. Não há refugo entre nós — nenhuma classe a ser expulsa, desprezada e condenada; mas toda mulher que escolher pode ser esposa honrada e mover-se na sociedade no gozo de todo direito que a mulher deve gozar para torná-la igual ao homem, tanto quanto lhe seja possível igualar-se a ele.

Este é o resultado das revelações do Evangelho para nós, e o efeito da pregação e da prática deste princípio em nosso meio. Sei, porém, que há aqueles que recuam diante disto, que sentem seu coração rebelar-se contra o princípio, por causa da igualdade que ele confere ao sexo. Gostariam de ser as poucas honradas — os aristocratas da sociedade, por assim dizer — enquanto suas irmãs pereceriam ao seu redor. Não estenderiam a mão, ainda que pudessem, para salvar suas irmãs de uma vida de degradação. Isto é errado, e coisa de que Deus se desagrada. Ele revelou este princípio e ordenou a Seus servos que tomassem esposas. Para quê? Para que obedecessem a Seu grande mandamento — mandamento pelo qual a Eternidade é povoada, mandamento pelo qual a descendência de Abraão se tornará tão numerosa quanto as estrelas do céu, e como a areia à beira-mar, que não pode ser contada. Ele nos deu este mandamento, e nós, o sexo mais forte, nos submeteremos a todas as dificuldades e provações inerentes a cumpri-lo? Submeter-nos-emos a todas as aflições e trabalhos inerentes a esta vida para salvar nossas irmãs, enquanto muitas de vós, que sois do mesmo sexo, cujos corações deveriam bater por sua salvação tão fortemente quanto os nossos, não nos ajudareis? Deixo-vos a todas para responder. Vem um dia de ajuste de contas em que sereis responsabilizadas tanto quanto nós. Toda mulher nesta Igreja deveria unir-se de coração e mãos nesta grande obra, que tem por resultado a redenção dos sexos, tanto masculino quanto feminino. Nenhuma mulher deveria afrouxar sua mão ou reter sua influência, mas cada uma deveria buscar, por oração e fé, junto a Deus, a força e a graça necessárias para capacitá-la a fazê-lo. "Mas", diz alguém, "não é isto uma provação, e não nos impõe provações desnecessárias?" Há aflições e provações ligadas a este princípio. É necessário que assim seja. Há alguma lei que Deus revele que não seja acompanhada de alguma espécie de provação? Pensai no tempo, vós que sois adultos e nascestes nas nações, quando vos filiastes à Igreja! Pensai nas provações ligadas ao vosso desposar do Evangelho. Não vos provou ir e ser batizados? Não vos provou, quando chamados a ajuntar-vos, deixar vossos lares e amigos mais próximos e queridos, como muitos de vós fizestes? Não vos provou fazer muitas coisas que vos foram exigidas no Evangelho? Toda lei do Evangelho traz consigo uma provação, e quanto mais elevada a lei, maior a provação; e, à medida que nos aproximamos cada vez mais do Senhor nosso Deus, teremos maiores provações a enfrentar ao nos purificarmos diante dEle. Ele nos ajudou até aqui. Ajudou-nos a vencer nossos sentimentos egoístas, e, quando nossas irmãs O buscam, Ele as ajuda a vencer seus sentimentos; dá-lhes força para vencer seu egoísmo e ciúme. Não há uma só mulher ao alcance de minha voz hoje que não possa testemunhar isto, se o tiver experimentado. Vós, irmãs, cujos maridos tomaram outras esposas, não podeis testemunhar que o princípio purificou vossos corações, tornou-vos menos egoístas, aproximou-vos de Deus e vos deu um poder que nunca antes tivestes? Há centenas ao alcance de minha voz hoje, tanto homens como mulheres, que podem testemunhar que este tem sido o efeito que a prática deste princípio teve sobre eles.

Falo agora dos chamados benefícios espirituais decorrentes da prática justa deste princípio. Estou certo de que, pela prática deste princípio, teremos uma comunidade mais pura, uma comunidade mais experiente, menos egoísta e com um conhecimento mais elevado da natureza humana do que qualquer outra na face da terra. Já teve este efeito em grande medida, e seus efeitos nestas direções aumentarão à medida que a prática do princípio se tornar mais geral.

Uma visitante me disse, não faz muito tempo, ao falar sobre este assunto: "Se eu fosse homem, provavelmente sentiria de modo diferente do que sinto; para o vosso sexo, a instituição não pode ser tão objetável." Isto pode ser verdade em certa medida, mas a prática deste princípio não é de modo algum isenta de provações para os homens. As dificuldades e complicações ligadas ao cuidado de uma família numerosa, para um homem que tenha qualquer ambição, são tão grandes que nada menos do que as revelações de Deus ou o mandamento de Jesus Cristo tentaria os homens a entrar nesta ordem; o mero aumento das facilidades para satisfazer as paixões inferiores de nossa natureza não seria incentivo algum para assumir tal aumento de graves responsabilidades. Estes desejos foram implantados tanto no homem quanto na mulher para um sábio propósito, mas sua satisfação imoderada e ilegal é fonte de mal igual àquele sistema de repressão prevalecente no mundo, ao qual milhares devem submeter-se ou incriminar-se. Pensai só, no único Estado de Massachusetts, no último censo, havia 63.011 mulheres a mais do que homens. O irmão Pratt, em suas observações sobre este assunto, observou com verdade que a lei de Massachusetts torna estas 63.011 mulheres ou solteironas ou prostitutas, pois essa lei diz que não podem casar-se com um homem que já tenha esposa. Pensai nisto! E o mesmo é verdade, em maior ou menor grau, em todos os Estados mais antigos, pois as mulheres predominam em cada um deles.

Até aqui referi-me apenas à necessidade e ao benefício de que este princípio seja praticado de um ponto de vista moral. Nada disse a respeito do lado fisiológico da questão. Esta é uma, se não a mais forte, fonte de argumento em seu favor; mas não pretendo entrar nesse ramo do assunto em grande medida na presente ocasião. Todos nós, homens e mulheres, somos fisiologistas o bastante para saber que os poderes procriadores do homem duram muito mais do que os da mulher. Concedendo, como alguns afirmam, que exista número igual dos sexos, a que isto levaria? O homem teria de praticar o que é vil e baixo, ou submeter-se a um sistema de repressão; porque, se estiver casado com uma mulher fisicamente incapaz, deve ele mesmo fazer-se violência, ou, o que é muito pior, deve recorrer à terrível e condenável prática de ter relação ilegal com mulheres, ou tornar-se de todo como os animais. Não vedes que, se estas coisas fossem introduzidas em nossa sociedade, seriam grávidas dos piores resultados? Os maiores males concebíveis resultariam disso! Quão terríveis são as consequências deste sistema de que falo agora, tal como se testemunha no tempo presente em todas as nações da cristandade! Podeis vê-las em toda parte. Contudo, a tentativa é feita continuamente de nos trazer ao mesmo padrão, e de nos compelir a compartilhar os mesmos males.

Quando o princípio da pluralidade de esposas foi revelado, eu era apenas um menino. Refletindo sobre o assunto do poder selador que então se ensinava, ocorreu-me o caso de Jacó, que teve quatro esposas, e imediatamente concluí que viria o tempo em que a luz ligada a esta prática nos seria revelada como povo. Estava, portanto, preparado para o princípio quando foi revelado, e sei que é verdadeiro pelo mesmo princípio por que sei que o batismo, a imposição de mãos, o ajuntamento, e tudo o que se relaciona com o Evangelho, são verdadeiros. Se não existissem livros, se a própria revelação fosse apagada, e nada houvesse escrito em seu favor entre os homens, ainda assim eu poderia testemunhar por mim mesmo que sei que este é um princípio que, se praticado em pureza e virtude, como deve ser, resultará na exaltação e no benefício da família humana; e que exaltará a mulher até que seja redimida dos efeitos da Queda, e daquela maldição pronunciada sobre ela no princípio. Creio que a prática correta deste princípio redimirá a mulher dos efeitos daquela maldição — a saber: "e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará." (Gênesis 3:16.) Todos os males ligados ao ciúme têm ali sua origem. É natural que a mulher se apegue ao homem; isto lhe foi pronunciado no princípio, aparentemente como castigo. Creio que virá o tempo em que, pela prática dos princípios virtuosos que Deus revelou, a mulher será emancipada daquele castigo e daquele sentimento. Deixará ela de amar o homem? Não, não é necessário que deixe de amar.

Como é entre as nações da terra? Ora, as mulheres, em seu anseio pelo outro sexo e em seu desejo de maternidade, fariam qualquer coisa para satisfazer esse instinto de sua natureza, e cederiam a qualquer coisa, e até se desonrariam, antes de não satisfazê-lo; e, em consequência do que lhes foi pronunciado, não são responsabilizadas na mesma medida que os homens. O homem é forte, é a cabeça da mulher, e Deus o responsabilizará pelo uso da influência que exerce sobre o outro sexo. Por isso, o irmão Pratt nos disse que há graus de glória, e que o homem fiel pode receber o poder de Deus — o maior que Ele já concedeu ao homem — a saber, o poder da procriação. É um poder semelhante ao de Deus, mas como é abusado! Como os homens se aviltam a si mesmos e ao outro sexo por seu exercício ilícito e impróprio! Disseram-nos que há uma glória à qual somente esse poder será concedido na vida futura. Ainda assim, haverá milhões de mulheres salvas no reino de Deus, enquanto homens, pelo abuso deste precioso dom, não serão considerados dignos de tal privilégio. E este mesmo castigo será, no fim, a salvação da mulher, porque ela não é responsabilizada na mesma medida que os homens.

Este é um assunto sobre o qual todos faríamos bem em refletir. Há muitos pontos ligados à questão, do ponto de vista fisiológico, que poderiam ser tratados com grande proveito. Já ouvi dizer, e vi impresso, que as crianças aqui nascidas sob este sistema não são tão inteligentes quanto outras; que seus olhos carecem de brilho e que são de intelecto embotado; e muitos estranhos, especialmente senhoras, ao chegarem aqui, estão ansiosos por ver as crianças, tendo lido relatos que os levaram a esperar que a maioria das crianças aqui nascidas sejam deficientes. Mas o testemunho do Professor Park, diretor da Universidade de Deseret, e de outros professores de destaque dos jovens aqui, é que nunca viram crianças com maior aptidão para a aquisição de conhecimento do que as crianças criadas neste Território. Não há crianças mais brilhantes no mundo do que as nascidas neste Território. Sob o sistema do Casamento Patriarcal, a prole, além de igualmente ou mais inteligente, é muito mais sadia e forte. Precisarei entrar em pormenores para provar isto? Para vós que sois casados, não há necessidade de fazê-lo; sabeis o que quero dizer. Todos sabeis que muitas mulheres são levadas prematuramente à sepultura pelos males que têm de suportar de seus maridos durante a gravidez e a amamentação, e que seus filhos frequentemente sofrem dano irremediável.

Outro bom efeito da instituição aqui é que podeis viajar por todo o nosso Território, e a virtude prevalece. Nossos jovens vivem virtuosamente até se casarem. Mas como é sob o sistema monogâmico? As tentações são numerosas por toda parte, e os rapazes caem presa do vício. Um eminente professor de medicina em Nova York declarou recentemente, ao ministrar uma palestra à sua turma numa das faculdades ali, que, se quisesse um homem de vinte e cinco anos livre de certa doença, não saberia onde encontrá-lo. Que declaração terrível de se fazer! Nesta comunidade, tal coisa não existe. Nossos rapazes crescem em pureza, honrando e respeitando a virtude; nossas moças fazem o mesmo, e a grande maioria delas é pura. Pode haver impurezas. Somos humanos, e não seria consistente com nosso conhecimento da natureza humana dizer que somos inteiramente puros, mas somos o mais puro de todos os povos dentro dos limites da República. Temos menos rapazes e moças sem virtude em nosso meio do que qualquer outra comunidade dentro do alcance de meu conhecimento. Ambos os sexos crescem em vigor, saúde e pureza.

Estes, meus irmãos e irmãs, são alguns dos resultados a que quis aludir em ligação com este assunto. Muito mais poderia ser dito. Não há homem nem mulher que hoje me tenha ouvido que não tenha pensamentos, razões e argumentos em apoio a este princípio passando por sua mente, que eu não toquei, ou, se toquei, de maneira muito apressada.

Surge a pergunta: o que se fará desta instituição? Será ela vencida? A conclusão a que se chegou há muito tempo é que Deus e o povo estão a seu favor. Deus a revelou, Ele deve sustentá-la, nós não podemos; não podemos levá-la avante, Ele deve fazê-lo. Sei que Napoleão disse que a Providência estava do lado da artilharia mais pesada, e muitos homens pensam que Deus está do lado do partido mais forte. Os midianitas provavelmente pensaram assim quando Gideão caiu sobre eles com trezentos homens. Senaqueribe e os assírios pensaram assim quando desceram em seu poderio para apagar Israel. Mas Deus é poderoso; Deus prevalecerá; Deus sustentará aquilo que revelou, e sustentará e fortalecerá Seus servos e levará avante Seu povo. Não precisamos ser afligidos por dúvida alguma; nem sombra de dúvida precisa cruzar nossas mentes quanto ao resultado. Sabemos que Deus pode sustentar-nos; Ele tem levado avante Seu povo triunfalmente até agora, e continuará a fazê-lo.

Tencionava, quando me levantei, dizer algo a respeito dos efeitos do Sacerdócio; mas, como o tempo está tão avançado, sinto que, se disser algo, deve ser muito breve. Mas, em ligação com o assunto do casamento plural, o Sacerdócio está intimamente entrelaçado. É o Sacerdócio que produz a paz, a harmonia, a boa ordem, e tudo o que nos torna, como povo, peculiares, e pelo qual nosso Território se tornou notável. É esse princípio — o Sacerdócio — que governa as hostes celestiais. Deus e Jesus governam por este poder, e por meio dele somos feitos, na medida em que o recebemos e prestamos obediência a seus mandados, semelhantes a nosso Pai Celestial e Deus. Ele é nosso Pai e nosso Deus; Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; Ele é o Pai de todos os habitantes da terra, e herdamos Sua divindade, se escolhermos buscá-la e cultivá-la. Herdamos Seus atributos; podemos, tomando o caminho apropriado, herdar o Sacerdócio pelo qual Ele exerce controle; pelo qual os corpos celestes na imensidão do espaço são governados, e pelo qual a terra gira em suas estações. É o santo Sacerdócio que controla todas as criações dos Deuses, e, embora os homens lutem contra ele, e, se pudessem, o apagariam da existência, ele há de prevalecer e continuar a aumentar em poder e força até que o cetro de Jesus seja reconhecido por todos, e a terra seja redimida e santificada.

Que isto se realize em breve é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Casamento Celestial”, Conferência Geral de Outubro de 1869, Sessão da Manhã de Sábado (1869-10-09). Pulpit Vault, 1869-10-cannon-celestial-marriage. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).