Pulpit

A Ordem de Enoque Experimentos Socialistas O Problema Social

George Q. Cannon

1869 April General Conference·1869-04-06

Considero esta Conferência uma das mais importantes, em muitos aspectos, que já tivemos o privilégio de participar, pois, a meu ver, há mais eventos interessantes e importantes relacionados à obra de Deus no momento presente do que jamais se desenvolveram antes em nossa história. Estamos passando por uma grande mudança, uma grande revolução está em curso em nosso meio — uma revolução prefigurada pelas predições tanto dos profetas antigos quanto dos modernos, mas para a qual, até agora, mal nos preparamos.

Há quase 37 anos, o Profeta Joseph, ou antes, o Senhor, por meio dele, deu revelações sobre a Ordem de Enoque. Essas revelações foram ensinadas ao povo com clareza, na medida em que iam. Eram simples e facilmente compreendidas; mas encerravam em si mesmas o que poderia ser chamado de novos princípios, e indicavam um novo curso de ação e uma nova organização da sociedade. Digo novos porque eram novos no que se refere a esta geração. Os princípios ensinados por essas revelações eram tão antigos quanto a eternidade; e a Ordem que se buscava introduzir por meio deles foi chamada de "Ordem de Enoque," em consequência de ter sido revelada a Enoque e por ele praticada; e, por meio dessa prática, ele e seu povo se prepararam para a translação e, como lemos nas Escrituras, foram tirados da terra.

O Senhor inspirou o Profeta Joseph Smith a comunicar mais uma vez esses princípios aos filhos dos homens; mas, como observei, o povo não estava preparado para levá-los a efeito. Em certa medida, podiam ver e compreender sua beleza e coerência, mas eram deficientes na parte prática. Como povo, os Santos dos Últimos Dias são semelhantes a seus contemporâneos em muitos aspectos. Somos muito progressistas na teoria, mas nossas teorias estão muito à frente de nossa prática. Os ensinamentos dos élderes são de tal natureza que anos de prática, da parte do povo, são necessários antes que estejam à altura deles em sua vida cotidiana. Assim é com a humanidade em geral. Podem compreender a teoria e perceber a importância de observar praticamente certos princípios muito antes de estarem suficientemente avançados para levá-los a efeito na vida cotidiana. Mas podemos dizer, sem jactância, que, como povo, superamos o mundo em pôr em prática, em nossas vidas, os princípios que ensinamos.

Aqueles princípios a que tenho me referido foram recebidos e admirados pelo povo, mas exigiam fé, conhecimento e experiência para capacitá-los a levá-los a efeito. Por anos permaneceram no Livro de Doutrina e Convênios para serem lidos pelos curiosos ou por aqueles que tinham desejo de buscar os princípios da vida e da salvação; mas, não fazendo parte de nossa prática em nossas vidas, têm sido, na prática, letra morta.

Falo, agora, de modo geral; certamente, houve exceções a esse respeito, como houve com relação à "Palavra de Sabedoria." Houve homens e mulheres que se esforçaram por levá-la a efeito estrita e fielmente, na medida de seu conhecimento. E assim também com os princípios contidos nas revelações relativas à "Ordem de Enoque" — sem dúvida houve homens na Igreja que viveram de acordo com eles na medida em que era praticável nas circunstâncias; mas o povo em sua totalidade não os levou a efeito. Mas, embora trinta e seis ou trinta e sete anos tenham decorrido desde que esses princípios foram primeiramente revelados, nunca foram perdidos de vista pelo Presidente e por aqueles associados a ele. Tem sido seu objetivo, desde o dia em que foram dados até hoje, 6 de abril de 1869, trazer os Santos dos Últimos Dias a tal condição de união, fé e conhecimento que recebessem esses princípios e os levassem a efeito em suas vidas.

Os trabalhos dos élderes para realizar isso têm sido incessantes; sempre sentiram o dever de gravá-los na mente dos Santos, mas de modo mais particular nos últimos quatro ou cinco anos. É essencialmente necessário que os recebamos agora, pois da recepção e correta execução desta Ordem depende a prosperidade, o desenvolvimento e o triunfo do reino de Deus na terra; e, a menos que nós, como povo, cheguemos a tal padrão de fé e perfeição que os leve a efeito na prática, temos a garantia, pela melhor autoridade, de que não nos será permitido voltar e edificar a Estaca Central e realizar plenamente a redenção de Sião. As consequências envolvidas em não sermos capazes de realizar isso são familiares às mentes daqueles que são membros da Igreja de Jesus Cristo, especialmente se são membros antigos. Uma das maiores calamidades que se poderia imaginar para nós, como congregação ou como Igreja, hoje, seria saber, da parte do Senhor, por meio de Seus servos, que não nos seria permitido voltar para edificar a Estaca Central de Sião. O édito pronunciado pelo profeta Moisés, quando disse a Israel que nenhum dos que tinham chegado à idade de vinte e um anos jamais entraria na "Terra Prometida," não teve maior efeito sobre Israel do que a proibição a que acabo de me referir teria sobre os Santos dos Últimos Dias. Podemos perceber, então, a importância de adotar e levar a efeito os princípios que nos prepararão para essa grande obra.

Não se deve esperar que atinjamos a perfeição na execução de tais princípios de uma só vez. Não foi assim que progredimos no passado; nosso progresso tem sido gradual. Tem sido de princípio em princípio, de conhecimento em conhecimento, um passo após outro, até alcançarmos o ponto a que temos almejado. E assim será com os princípios pertencentes à "Ordem de Enoque" — daremos passo após passo, progredindo de um ponto a outro, até alcançarmos o ponto que Deus, nosso Pai Celestial, designou que atingíssemos.

Quando olhamos ao redor entre as nações da terra, vemos muitos males existentes — males que têm existido por muitos séculos; de fato, existiram desde as eras mais antigas de que temos qualquer registro até o presente, em toda nação e entre todos os povos. Nossa própria nação é um exemplo disso. Quando os fundamentos do Governo foram lançados, e a liberdade proclamada por toda a extensão do país, esperava-se que esta nação crescesse a um grau de glória e atingisse uma grandeza e um poder que nenhuma outra nação na face da terra já havia atingido. Tudo era favorável a isso: um Governo livre havia sido estabelecido; um continente de extensão quase ilimitada se estendia diante do povo, e tudo o que era necessário para desenvolver seus recursos infindáveis era população, e a indústria da parte dessa população. Pouco mais de noventa anos decorreram desde que os fundamentos de nosso Governo foram lançados, e nesse tempo crescemos para nos tornar um grande povo; mas aquilo que foi promulgado em outras nações tem sido novamente promulgado aqui. Os males que floresceram por tanto tempo no que se chama o Velho Mundo foram transplantados para esta terra. Se homens do Oeste viajam pelos Estados do Leste, ficam impressionados com a grande distinção de classes que ali existe. Há uma aristocracia de riqueza crescendo rapidamente ali; e, ao mesmo tempo, há outra classe em degradação e pobreza, totalmente incapaz de obter as bênçãos e os confortos da vida. Isso se deve a várias causas, a principal das quais é a organização incorreta da sociedade. Assim é na Europa e na Ásia, e, de fato, onde quer que abunde a riqueza.

Muitos homens têm surgido de tempos em tempos, que viram e deploraram esses males, e buscaram, com toda a sabedoria e conhecimento que possuíam, corrigi-los. Sem dúvida, muitos dos Santos dos Últimos Dias recordam um caso desse tipo em Nauvoo. Depois que os Santos evacuaram aquele lugar, uma comunidade de Socialistas, chamados Icarianos, cujo líder era o Sr. Cabet, veio a Nauvoo e ali se estabeleceu. Havia as casas, jardins, fazendas e pomares dos Santos dos Últimos Dias; o país era saudável em comparação com o que era quando os Santos primeiro o colonizaram. Muitos homens filantrópicos na França se interessaram por essa experiência e estavam ansiosos para vê-la ter sucesso. Enviaram seus recursos com considerável liberalidade para sustentar o assentamento; mas, apesar de seus esforços e empenhos, tudo desmoronou. No entanto, o objetivo que tinham em vista era bom, e os meios que usaram foram eficazes, na medida em que iam. Mas faltava ao sistema poder de coesão; faltava união, e faltava sabedoria na administração do empreendimento. Buscaram melhorar a condição da humanidade e difundir igualmente entre o povo as bênçãos da vida, de modo que a fome, a pobreza e a miséria, e as terríveis consequências que as acompanham, pudessem ser removidas do meio da humanidade, e uma ordem melhor de coisas estabelecida. Mas, com todas as vantagens de que falei, sua tentativa foi um fracasso retumbante: a sociedade se desfez, e hoje não existe mais.

Este é um exemplo com o qual muitos de vós estão familiarizados. Experimentos semelhantes, com os mesmos objetivos em vista, foram tentados em outros lugares em várias ocasiões, mas resultados semelhantes os acompanharam.

Homens pensantes têm percebido que há algo radicalmente errado na organização da sociedade a esse respeito, mas não souberam como remediar os males. Assim é no mundo religioso. Os religiosos têm de lamentar e deplorar as divisões que existem entre os assim chamados seguidores de Cristo; e reformadores têm surgido, um após outro, esforçando-se por trazer maior união e desenvolver maior amor, mas com que sucesso responda a história das várias seitas da Cristandade. Estão divididos em inúmeros partidos, e o esforço de todo reformador só resultou no aumento das seitas religiosas. Ele tem sido incapaz — e sua incapacidade tem sido confessada por ele mesmo — de unir o mundo cristão e trazer aquela unidade que caracterizava os seguidores de Cristo nos primeiros dias do cristianismo. Foi preciso que o Senhor nosso Deus estendesse Seu braço para fazer isso acontecer. Foi preciso a revelação do Evangelho em sua pureza vinda dos céus; foi preciso a restauração do santo Sacerdócio à terra na plenitude de seu poder para fazer isso acontecer; e, assim que o Sacerdócio foi restaurado, assim que o Evangelho foi novamente dado em pureza ao homem, e a Igreja de Cristo foi novamente organizada, então o objetivo pelo qual esses reformadores trabalharam em vão começou a se realizar — a unidade começou a prevalecer, a união começou a se manifestar, o amor foi difundido, o Espírito Santo foi conferido, seus dons foram desfrutados, e homens e mulheres de várias nações e do meio de várias igrejas foram reunidos em um só, como estamos aqui hoje. Foi preciso a sabedoria, o poder e o Espírito do Todo-Poderoso para restaurar essa condição de coisas pela qual muitos homens trabalharam por tanto tempo em vão.

E assim é em relação à organização social da sociedade. É necessária a sabedoria de Deus Todo-Poderoso para corrigir os males sob os quais a humanidade geme. Os homens podem trabalhar e conceber esquemas, gastar recursos e fazer tudo o que é possível a seres humanos não dirigidos pelo Espírito e poder de Deus fazer, e, depois de fazerem tudo isso, são obrigados a confessar que são fracos e falíveis, e incapazes de realizar aquilo a que aspiravam. Mas, com Deus para ajudá-los, com Sua sabedoria para guiá-los, Seu Espírito para dirigi-los e Suas bênçãos para sorrir sobre eles, podem realizar tudo o que é necessário para redimir e salvar a família humana, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual. Deus escolheu Seu povo, os Santos dos Últimos Dias, para resolver esses problemas complexos que têm atormentado as mentes e afetado os filhos dos homens por tantos séculos.

O Senhor disse que "se não formos iguais nas coisas terrenas, não poderemos ser iguais na obtenção das coisas celestiais." Ele revelou um plano pelo qual essa igualdade pode ser alcançada. No entanto, Ele não pretende fazer-nos da mesma altura; Ele não pretende que todos tenhamos a mesma cor de cabelo ou de olhos, ou que nos vistamos exatamente iguais. Este não é o significado da palavra "igualdade," tal como usada na revelação; mas significa ter igual direito às bênçãos de nosso Pai Celestial — às propriedades do tesouro do Senhor, e às influências e dons de Seu Espírito Santo. Esta é a igualdade a que se referem as revelações, e, até alcançarmos essa igualdade, não podemos ser iguais nas coisas espirituais, e as bênçãos de Deus não poderão ser derramadas sobre nós como o seriam de outro modo, até que a alcancemos. Como povo, esperamos que chegue o dia em que Jesus descerá nas nuvens do Céu; mas, antes que esse dia chegue, devemos estar preparados para recebê-lo. A organização da sociedade que existe nos céus deve existir na terra; a mesma condição de sociedade, na medida em que se aplica a seres mortais, deve existir aqui. E para esse propósito Deus revelou esta Ordem; para esse propósito Ele está nos trazendo à nossa condição presente.

Muitos dos Santos dos Últimos Dias mal compreendem a persistência com que a Presidência da Igreja tem trabalhado para trazer a unidade do povo nas coisas temporais; e este movimento cooperativo é um passo importante nessa direção e foi concebido para prepará-los para a instauração desta Ordem a que tenho aludido. Já produziu maior união, e produzirá união ainda maior do que qualquer coisa que se tenha testemunhado entre nós; e, se o levarmos a efeito no espírito em que nos foi ensinado, produzirá imensos resultados. O Senhor nos abençoará; aumentará nossos recursos e derramará no colo deste povo tudo o que for necessário para sua grandeza na terra. Pois ficai sabendo, vós e todo o povo, que Deus tem o propósito de fazer dos Santos dos Últimos Dias a cabeça; Ele pretende colocar em suas mãos e sob sua guarda a riqueza do mundo. Mas, antes que bênçãos dessa natureza possam ser derramadas sobre nós, devemos estar preparados para recebê-las e usá-las corretamente. Suponde que essas coisas fossem derramadas sobre nós em nossa condição presente — qual seria o resultado? Cada um pode responder a essa pergunta por si mesmo. Cada um conhece seu próprio coração, e os sentimentos que o animam. Sabemos que, se todo o povo se tornasse rico, seria uma questão extremamente difícil controlá-lo; mesmo com os poucos recursos que hoje temos, é uma das coisas mais difíceis controlar o povo quanto à disposição e ao uso correto desses recursos.

Numa revelação dada sobre este assunto no ano de 1834, o Senhor diz —

14 Eu, o Senhor, estendi os céus e formei a Terra, obra de minhas mãos; e todas as coisas que neles há são minhas.

15 E é meu propósito suprir a meus santos, pois todas as coisas são minhas.

16 Mas é necessário que seja feito a meu modo; e eis que este é o modo que eu, o Senhor, decretei para suprir meus santos, para que os pobres sejam aumentados naquilo que os ricos são diminuídos.

17 Pois a Terra está repleta e há bastante e de sobra; sim, preparei todas as coisas e permiti que os filhos dos homens fossem seus próprios árbitros.

18 Portanto, se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres e os necessitados, de acordo com a lei de meu evangelho, ele, com os iníquos, erguerá seus olhos no inferno, estando em tormento.

Em outra revelação sobre o mesmo assunto, dada em 1832, o Senhor diz —

14 Pois Sião deve crescer em beleza e em santidade; suas fronteiras devem ser expandidas; suas estacas devem ser fortalecidas; sim, em verdade vos digo: Sião deve erguer-se e vestir suas formosas vestes. Portanto, dou-vos este mandamento de que vos unais por meio deste convênio; e isto será feito de acordo com as leis do Senhor. Eis que isto também me é sábio, para o vosso bem. E deveis ser iguais, ou, em outras palavras, deveis ter os mesmos direitos sobre as propriedades, para o benefício da administração dos negócios de vossas mordomias, cada homem de acordo com seus anseios e necessidades, desde que seus anseios sejam justos — E tudo isso para o benefício da igreja do Deus vivo, para que todo homem desenvolva seus talentos, para que todo homem adquira outros talentos, sim, até cem vezes mais, para que sejam lançados no armazém do Senhor a fim de se tornarem propriedade comum de toda a igreja — Todo homem procurando os interesses de seu próximo e fazendo todas as coisas com os olhos fitos na glória de Deus.

"Esta ordem designei como ordem eterna para vós e para vossos sucessores, desde que não pequeis. E a alma que pecar contra esse convênio e contra ele endurecer o coração será tratada de acordo com as leis da minha igreja e será entregue às bofetadas de Satanás até o dia da redenção."

Enquanto leio, lerei outro trecho, para que tenhais a ideia mais plenamente em mente. Depois de falar da tesouraria que será designada, na qual serão preservadas as coisas sagradas para propósitos sacrossantos, que será chamada de tesouraria do Senhor, o Senhor continua —

"E também será preparada uma outra tesouraria e um tesoureiro será designado como encarregado dela; e sobre ela pôr-se-á um selo; E todos os dinheiros que receberdes em vossa mordomia, provenientes dos melhoramentos que fizerdes nas propriedades que vos designei, sejam casas, terras, animais, ou qualquer outra coisa, com exceção dos escritos santos e sagrados que para mim reservei com propósitos sacrossantos, serão depositados na tesouraria logo que os receberdes, sejam cem ou cinquenta ou vinte ou dez ou cinco. Ou, em outras palavras, se qualquer homem dentre vós obtiver cinco dólares, que os deposite na tesouraria; ou, se obtiver dez ou vinte ou cinquenta ou cem, que faça o mesmo; E que ninguém dentre vós diga que lhe pertencem, porque não serão considerados seus, nem mesmo em parte. E parte alguma deles será usada nem retirada da tesouraria, a não ser pelo voto e comum acordo da ordem. E este será o voto e o comum acordo da ordem: Quando qualquer homem dentre vós disser ao tesoureiro: Preciso disto para ajudar-me em minha mordomia — Se forem cinco dólares ou dez dólares ou vinte ou cinquenta ou cem, o tesoureiro lhe dará a soma requerida para ajudá-lo em sua mordomia — Até que ele seja considerado um transgressor e até que se demonstre claramente perante o conselho da ordem ser ele um mordomo infiel e imprudente. Mas enquanto estiver em plena comunhão com a ordem e for fiel e prudente em sua mordomia, esse será o sinal para o tesoureiro de que não lho deve negar."

Por esses trechos que li em vossos ouvidos, podeis formar uma ideia da Ordem que Deus, nosso Pai Celestial, pretende estabelecer entre nós assim que estivermos dispostos a nela entrar. Não é desígnio de Deus que caiamos presas dos males que existiram e que produziram tanta miséria e ruína entre outros povos. É desígnio de Deus salvar-nos e redimir-nos dos males que outros sofreram. Tem-me sido observado com frequência por homens fora de nossa fé, ao conversarem sobre nossos princípios e o sucesso que tem acompanhado sua proclamação: "Sr. Cannon, enquanto os Santos dos Últimos Dias forem pobres, ireis muito bem; enquanto forem perseguidos, resistireis; mas sereis como os demais povos quando a riqueza aumentar em vosso meio — quando crescerdes em classes, e alguns forem ricos e outros pobres, e vossa Igreja se tornar popular, será muito provável que caiais nos mesmos males e erros que caracterizaram outras igrejas." Se Deus não presidisse esta Igreja, tais expectativas e predições sem dúvida se cumpririam. Mas Deus preside; é Sua Igreja, e Ele forneceu remédios para cada um desses males, pelos quais a Igreja pode ser preservada, e pelos quais a riqueza pode aumentar no meio dos Santos dos Últimos Dias e, ainda assim, não produzir os resultados prejudiciais que vemos em outros lugares onde ela abunda. Deus proveu um modo de evitar isso, e esse modo se encontra nas revelações que nos foram dadas há mais de trinta e seis anos, e podemos lê-las e compreendê-las.

"Bem," dirá alguém, "se tal Ordem como a de que falais for estabelecida, não desfrutarão os descuidados e indolentes de uma parte das bênçãos dos que são diligentes? E isso não enfraquecerá as mãos dos enérgicos?" De modo algum. O homem que é enérgico e fiel receberá a recompensa de sua fidelidade. Se tem um grande excedente de recursos, tem mais a colocar na Tesouraria para ajudar a fazer avançar o reino que ama, e isso lhe é creditado. No dia do Senhor Jesus, dizem-nos, Ele lhe dirá: "Foste fiel sobre o pouco, eu te farei governador sobre muito," e tais indivíduos receberão recompensa proporcional à sua fidelidade. Mas, se esconderem seu talento num lenço e o enterrarem no chão, aquilo que lhes foi dado lhes será tirado. Os que usam seus talentos com retidão e fidelidade os verão aumentados, mas o infiel será privado daquilo que parece ter.

Esta Ordem não terá o efeito que alguns antecipam, mas será uma bênção para todos os que nela se engajam. Não haverá tentação alguma de buscar riqueza para engrandecer a si mesmo, ou de pôr o coração nas riquezas, como há agora. Essa tentação será removida. Serei capaz de amar meu próximo. Por quê? Porque, se eu levar vantagem sobre ele numa negociação, sei que tudo o que ganho vai para a tesouraria e se torna propriedade de toda a Igreja; portanto, que incentivo haveria para manchar minha alma e trazer uma mácula ao meu caráter, tirando proveito de meu próximo, quando isso não me beneficiará de modo especial?

Considero este princípio um dos maiores princípios já revelados por Deus para salvar o povo de sentimentos avarentos e sórdidos. Terá a tendência de coibir a desonestidade e remover a carência. Terá a tendência de acabar com o roubo e de curar os males sob os quais a humanidade tem gemido desde o princípio até agora. No Evangelho de Jesus Cristo há um remédio para todo mal que existe entre os homens. Aqui está o "problema social" que atormenta as mentes de todas as nações hoje. As cidades da Cristandade estão apinhadas de prostitutas; seus jovens são destruídos na alvorada de seus dias pelo terrível crime da prostituição. Como serão curados esses males terríveis? Encontrou-se, entre os homens, sabedoria suficiente para isso? Não; confessaram sua total incapacidade de lidar com ele. Está a sobrepujá-los e a arrastá-los como um dilúvio por toda a extensão e largura da terra, até que os médicos afirmam que metade das doenças que prevalecem entre a humanidade na Cristandade são diretamente atribuíveis a esse mal devorador. O que há de corrigi-lo? Respondo: o Senhor, por meio de Seu povo — os Santos dos Últimos Dias — está revelando o remédio. Viajai por todo o Território de Utah, do Lago Bear ao norte até St. George ao sul, e o que vedes? Vedes um povo livre de doenças secretas, vedes um povo livre da terrível maldição da prostituição. Nossos jovens e donzelas crescem em todo o vigor da saúde, e não há nada que mine esse vigor e os leve a uma sepultura prematura. Então, o que corrigirá esses males no mundo? O plano que Deus revelou. Trará uma condição pura de coisas. Se fosse universalmente adotado, o "mal social" seria removido, e a prostituição em breve deixaria de existir na face da terra.

Corrigirá este plano — esta gloriosa Ordem que Deus revelou — os outros males que afligem o mundo? Sim; quando essa Ordem for universalmente estabelecida, não haverá mais tentação de roubar, fraudar o próximo ou cometer quaisquer males dessa natureza, pois está dito, e verdadeiramente, que o amor ao dinheiro é a raiz de todo mal. A Ordem de que falo corrigirá esses males porque haverá uma tesouraria no meio do povo, da qual os que forem dignos poderão obter aquilo de que precisam para se sustentar em sua mordomia, e na qual todos os que tiverem excedente derramarão sua riqueza, até que se torne propriedade comum da igreja; e a igreja, sob esta organização que Deus revelou, se tornará um poder grande e poderoso no meio da terra.

Temos grande poder agora, embora não sejamos numericamente fortes; não somos um povo muito numeroso no que diz respeito a números, mas somos fortes porque somos unidos. Quanto mais riqueza temos, maior é nosso poder, porque o Presidente desta Igreja pode dirigir este povo; portanto, o povo tem poder, e, quando nossa riqueza for controlada pelo Presidente desta Igreja, teremos maior poder na terra do que temos hoje. Mas será esse poder usado para fins prejudiciais? Não; será usado para fins benéficos, para a melhoria da condição da família humana, para a inauguração prática destes grandes e gloriosos princípios que Deus revelou; e é para vos trazer a essa condição que os élderes estão trabalhando como o fazem; é para vos trazer a essa unidade que trabalham continuamente como o fazem — que viajam e pregam e exortam os Santos o dia todo a escutar os conselhos de Deus.

Embora tenha sido adiado por bastante tempo, ainda assim será realizado e cumprido, e o povo será trazido a uma condição que é desejada.

Muito mais poderia ser dito sobre este assunto; mas estou tomando vosso tempo. Que Deus vos abençoe, meus irmãos e irmãs, e nos prepare, como povo, para receber as revelações de Sua vontade, que são verdadeiras e perfeitas e destinadas a nos elevar e exaltar, e a nos trazer de volta à Sua presença, ali para sermos coroados de glória e imortalidade: o que rogo que seja o caso de todos nós, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “A Ordem de Enoque Experimentos Socialistas O Problema Social”, 1869 April General Conference (1869-04-06). Pulpit Vault, 1869-04-cannon-the-order-of-enochsocialistic-experimentsthe-social. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).