Pulpit

América, uma Terra Escolhida — Seus Aborígenes

Orson Pratt

1868-12-27

Nos tempos antigos havia certos grandes decretos que o Senhor de toda a terra fez a respeito deste Continente e dos habitantes que, de tempos em tempos, deveriam possuí-lo. Este Continente foi primeiramente povoado, depois do Dilúvio, por uma colônia vinda da Torre de Babel, que era um povo justo. Eram um povo com quem Deus conversava, e a quem Ele se manifestava de maneira muito maravilhosa e admirável. Quantas pessoas viveram aqui antes do Dilúvio não me cabe dizer, pois isso não foi revelado. Podemos, contudo, observar que, no que a nova revelação nos deu de informação sobre este assunto, este nosso Continente pode ser classificado entre as primeiras terras ocupadas pela família humana. O primeiríssimo homem que teve domínio sobre a face da terra, sob a direção dos Céus, habitou certa vez neste Continente. Seu nome era Adão. Se sua primeira residência foi nesta terra, se o jardim que foi plantado para sua ocupação ficava neste Continente ou em algum outro, não é revelado em nenhuma revelação escrita ou impressa. Mas ele certamente, no decorrer de sua vida, seja por esta ser sua terra natal, seja por emigração, veio de fato a possuir esta parte do globo; e um grande povoado se formou, e os justos que viveram antes do dilúvio o herdaram, e sem dúvida deixaram sua bênção sobre a terra. Foi aqui que habitaram Adão, Sete, Enos, Cainã, Maalaleel, Jarede, Enoque, Matusalém e Noé. Foi nesta terra que Noé construiu sua arca, que foi levada pelos ventos do Céu para o leste, e pousou no Ararate. Foi aqui que Enoque pregou e publicou boas novas de grande alegria; foi nesta terra — o Continente Americano — que ele reuniu o povo de muitas nações, e edificou uma cidade e a chamou de Sião. Foi aqui que o povo de Deus floresceu antes do dilúvio, e era de um só coração e uma só mente, tendo uma experiência de cerca de trezentos e sessenta e cinco anos para alcançar um grau suficiente de retidão e fé para ser tirado daqui e trasladado para alguma outra região. Foi aqui que Enoque foi revestido com o poder de Deus a tal grau que foi capacitado a publicar aos habitantes da terra coisas que existiam antes de seus dias, mesmo desde antes da fundação do mundo, e também a profetizar coisas que deveriam acontecer desde seus dias até o fim do mundo. Foi aqui que ele continuou sua pregação aos habitantes da cidade de Sião até que os tornou tão familiarizados com a lei de Deus, e os inspirou com tamanha fé, que a terra não podia contê-los. Foi pela sua fé e pela fé de seu povo que os próprios elementos ao seu redor sentiram o poder de Deus; e quando ele falava a palavra do Senhor, a terra sobre a qual estava tremia e se abalava pelo poder do Todo-Poderoso, e as montanhas fugiam de diante de sua presença, e os grandes rios deste Continente eram desviados de seus cursos, e todas as coisas pareciam sentir o poder do Senhor. Até uma nova terra surgiu do grande abismo, e tão grande era o temor dos inimigos do povo de Deus, e tão grande era o terror do Senhor sobre eles, que deixaram este país e saíram sobre a face das águas e ocuparam a terra que surgiu do abismo. Estas coisas não nos foram reveladas pela Bíblia, nem pela tradição, mas pela inspiração do Todo-Poderoso, por meio daquele grande profeta moderno que foi levantado para iniciar esta obra maravilhosa da qual vós e eu agora somos participantes.

Alguns poucos séculos depois que todas estas coisas se passaram neste Continente, e Noé e sua família, os únicos sobreviventes do Dilúvio, foram levados para terras distantes, e povoaram uma parte da Ásia, os descendentes de Noé empreenderam construir uma grande torre para fazerem para si um grande nome, em vez de cumprirem os propósitos do Todo-Poderoso, de se espalharem, ocuparem e sujeitarem a terra. O Senhor ficou muito descontente com eles naquela ocasião, por causa da maldade que existia entre eles, a qual seria fortalecida por sua união. Por isso Ele fez um decreto, segundo o livro antigo — a Bíblia — de que eles não deveriam assim habitar juntos. Ele confundiu sua língua, e jurou em sua ira que seriam dispersos. Uma parte do povo daquela torre veio para este Continente.

Há algo muito notável relacionado com a colonização de nosso Continente por pessoas vindas daquela torre. Eu disse que eram um povo justo. Talvez isso surpreenda a alguns, especialmente se tiverem concluído que todo o povo que participou da construção daquela torre era ímpio. Mas havia entre eles algumas poucas famílias que serviam ao Senhor seu Deus, e quando souberam do decreto de Jeová, de que sua língua seria confundida e o povo disperso aos quatro ventos do céu, tiveram considerável ansiedade a respeito. Estavam ansiosos para serem favorecidos pelo Senhor e para que Ele os conduzisse a uma porção escolhida da terra. Fizeram disso motivo de oração fervorosa, e Deus os ouviu, e a língua da parte justa do povo não foi confundida. E Deus lhes deu o mandamento de descer da torre para um vale que ficava ao norte, chamado o vale de Ninrode, assim denominado em homenagem a um poderoso caçador que existiu naqueles dias. Depois de descerem a esse vale por mandamento do Senhor, recolheram sementes e grãos de toda espécie, e animais de quase toda descrição, entre os quais, sem dúvida, estavam o elefante, o curelom e o cumom, animais enormes que existiam naqueles dias, e depois de viajar e atravessar, supomos, o mar que ficava a leste de onde se erguia a Torre de Babel, e de viajar pelo deserto por muitos dias, com seus rebanhos e manadas, seus grãos e seus bens, chegaram finalmente ao grande oceano Pacífico, nas fronteiras orientais da China ou em algum lugar naquela região. Foi-lhes ordenado pelo Senhor que construíssem embarcações. Puseram-se a trabalhar e construíram oito barcas. Não entendiam a arte da Navegação como nós a entendemos hoje. Não tinham instrumentos astronômicos com os quais pudessem determinar a altitude do sol, ou a altitude da lua e das estrelas, pelos quais pudessem determinar sua posição no grande e poderoso oceano. Mas o mesmo Deus que os havia conduzido desde a Torre de Babel, e ido adiante deles numa nuvem luminosa de dia, e pairado sobre seu acampamento, e os dirigido em sua jornada pelo deserto, foi o seu navegador ao atravessarem o oceano. Eles entraram nessas oito barcas, sobre cuja construção convém dizer algumas palavras. Muitos opositores do Livro de Mórmon, ao lerem o relato dessas embarcações, realmente supuseram que havia uma dificuldade insuperável relacionada com a construção dessas barcas, porque havia um furo no alto e outro construído na parte inferior para permitir que os seres nelas encerrados ficassem estanques. Essas embarcações não foram construídas na forma de um pires de chá, como alguns "anti-mórmons" as representaram em suas discussões; mas o Livro de Mórmon nos informa que eram pontiagudas nas extremidades, e se alargavam ao chegarem ao meio, e eram estanques como um prato sobre a água, e eram muito leves, como a leveza de uma ave. Eram extremamente fortes, e do comprimento de uma árvore. Esta é uma expressão muito semelhante a uma usada por Isaías, que diz que "a idade de seu povo será como a idade de uma árvore." Isaías não diz que tipo de árvore. Era simplesmente uma forma que os antigos tinham de comparar muitas coisas. Ora, essas embarcações foram construídas de tal modo que, quando ventos furiosos soprassem sobre a face do grande abismo, e as ondas se erguessem altas como montanhas, elas pudessem, sem perigo iminente, mergulhar sob as ondas e ser trazidas de volta à superfície da água durante tremendas tempestades e furacões. Ora, para prepará-las contra essas contingências, e para que tivessem ar fresco em benefício dos elefantes, cureloms ou mamutes, e de muitos outros animais que talvez estivessem nelas, assim como dos seres humanos que continham, o Senhor lhes disse como construí-las de modo a receber ar, de modo que, estivessem elas sobre a água com qualquer lado para cima, não importava; foram construídas de tal maneira que podiam flutuar com segurança, mesmo de fundo para cima, e podiam abrir seus respiradouros de ar que ficassem por cima. Ora, todos os nossos navios hoje em dia são construídos com aberturas na parte inferior tanto quanto na parte superior. Já atravessei o oceano doze vezes, mas nunca vi um navio que não tivesse uma abertura na parte inferior para a conveniência dos passageiros, e é uma das coisas mais simples do mundo ter aberturas na parte inferior de um navio, bastando apenas que se tenham tubos subindo suficientemente alto acima do nível geral da água. Estas foram construídas de tal maneira que, quando as ondas não estivessem muito altas, o ar podia ser admitido destampando-se as aberturas que ficassem por cima.

Mas a coisa mais maravilhosa a respeito da primeira colonização deste país depois do dilúvio foi a maneira como navegaram pelo grande oceano Pacífico. Pensai apenas por alguns momentos no Senhor nosso Deus tomando oito barcas, lançadas ao mar na costa oriental da China, e conduzindo-as numa viagem de trezentos e quarenta e quatro dias, e fazendo-as todas aportar na mesma vizinhança e proximidade e ao mesmo tempo. Isto foi um milagre. Isto não foi feito com o auxílio do vapor, nem pela arte do navegador, mas foi pelo poder de Deus Todo-Poderoso. Foi Ele quem controlou essas embarcações; foi Ele quem governou os ventos do céu; foi Ele quem as fez emergir do meio do abismo, quando eram engolidas; e foi Ele quem as guiou em segurança até esta costa americana.

Eles desembarcaram ao sul deste ponto, logo abaixo do Golfo da Califórnia, em nossa costa ocidental. Habitaram a América do Norte, espalharam-se por este Continente, e, no decorrer de cerca de mil e seiscentos anos de permanência aqui, tornaram-se uma nação forte e poderosa. Embora se tenham tornado um povo grande e poderoso, foram muitas vezes severamente castigados por causa de seus pecados. Permiti-me observar aqui que, antes de chegarem a esta terra, o Senhor lhes disse: "Pretendo conduzir-vos a uma terra escolhida acima de todas as outras terras sobre a face de toda a terra; e este é o meu decreto a respeito da terra que haveis de ocupar: que qualquer nação que possuir esta terra, desde agora e para sempre, há de servir-me, o único Deus verdadeiro e vivo, ou será varrida de sua face quando estiver plenamente madura em sua iniquidade." Os jareditas tinham este decreto diante de si antes mesmo de porem os pés neste Continente. Ele estava diante deles durante todo o tempo de sua existência aqui, de que, na medida em que servissem a Deus, prosperariam, e na medida em que não o servissem, grandes juízos viriam sobre eles. Por isso, foram muitas vezes afligidos por causa de sua maldade. Em certa ocasião, havia apenas uns poucos indivíduos, Omer e sua família e alguns de seus amigos, que eram justos o bastante para serem poupados de uma nação inteira. O Senhor os avisou por meio de um sonho para que partissem da terra de Moran, e os conduziu em direção ao leste, além do monte Cumora, descendo até as terras orientais junto ao mar. Por este meio, algumas poucas famílias foram salvas, enquanto todo o restante, composto de milhões de pessoas, foi derrubado por causa de sua maldade. Mas, depois de destruídos, os omeritas, que habitavam nos estados da Nova Inglaterra, retornaram e habitaram novamente a terra de seus pais na costa ocidental.

Menciono estas coisas apenas para mostrar como o Senhor operou entre as primeiras nações dos antigos habitantes deste país, a fim de cumprir Seus decretos. Eles não podiam cair na maldade e, ainda assim, ter permissão de prosperar sobre a face desta terra. O decreto havia sido emitido; devia ser cumprido. Finalmente, cerca de dezesseis ou dezessete séculos depois de desembarcarem aqui, tornaram-se tão violentamente ímpios, e transgrediram os mandamentos do Senhor a tal ponto, que foram realmente exterminados até o último homem. A nação inteira pereceu. Suas maiores e últimas lutas ocorreram no Estado de Nova York, perto de onde foram encontradas as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido. Ali lutaram dia após dia; ali se debateram, um partido contra o outro, até que milhões foram exterminados. Apenas um homem sobreviveu à sua nação por um espaço de tempo muito curto, para ver o cumprimento de uma profecia proferida por um grande e poderoso profeta que viveu naqueles dias, o qual declarou que lhe seria permitido, depois que sua nação fosse destruída, presenciar a colonização da terra por outro povo. Este homem, cujo nome era Coriantumr, rei de certa parte dos jareditas, depois da destruição de sua nação, vagou solitário e sozinho até as proximidades do Istmo de Darién, e ali travou conhecimento com uma colônia de pessoas trazidas da terra de Jerusalém, chamada o povo de Zarahemla. Ele habitou com eles pelo espaço de nove luas, e então morreu.

Depois da destruição dos jareditas, o Senhor trouxe duas outras colônias para povoar esta terra. Uma colônia desembarcou algumas centenas de milhas ao norte do Istmo, na costa ocidental; a outra desembarcou na costa do Chile, mais de dois mil milhas ao sul da primeira. Esta última foi chamada de nefitas e lamanitas. Passaram-se cerca de quatro ou cinco séculos depois que essas duas colônias vieram de Jerusalém e ocuparam o país, antes que se unissem. Pouco mais de um século antes de Cristo, os nefitas se uniram aos zarahemlitas nas porções setentrionais da América do Sul, e foram chamados nefitas, tornando-se uma nação poderosa. O país foi chamado a terra de Abundância, e estava incluído dentro da terra de Zarahemla. Mas, voltando à sua história inicial: pouco depois que a colônia nefita foi trazida pelo poder de Deus e desembarcou na costa ocidental da América do Sul, no país que chamamos Chile, houve uma grande divisão entre eles. Os justos foram ameaçados pelos ímpios que buscavam destruí-los. O Senhor avisou Néfi, seu líder, para que fugisse dentre os lamanitas, para partir em segurança, ele e sua família, e aqueles que criam nas revelações de Deus. Néfi e os justos se separaram dos lamanitas e viajaram cerca de mil e oitocentas milhas ao norte, até chegarem às cabeceiras do que chamamos o rio Amazonas. Ali Néfi estabeleceu sua pequena colônia no país que se supõe ser o Equador, uma região muito elevada, havendo naquela região muitas montanhas grandes e altas.

Ali os nefitas floresceram por algum tempo. Os lamanitas os perseguiram, e tiveram muitas guerras e contendas, e finalmente os lamanitas conseguiram tomar-lhes os povoados, e os nefitas fugiram novamente, numa jornada de cerca de vinte dias rumo ao norte, e se uniram ao povo de Zarahemla.

Menciono estas coisas a fim de gravar um ponto em particular na mente dos Santos dos Últimos Dias a respeito da herança ou posse desta terra. O Senhor não apenas fez decretos nas primeiras eras com os primeiros colonizadores que aqui vieram, mas renovou esses decretos toda vez que trouxe uma colônia para cá, de que o povo deveria servi-lo, ou seria eliminado de Sua presença, e vereis que Deus, em cada caso, cumpriu esses decretos. E há uma coisa notável em relação à história dessas nações, que é a rapidez com que se afastaram da fé, da retidão e do amor do Deus verdadeiro. Às vezes, depois que algum grande juízo ou flagelo caía sobre eles, causando a morte de muitos deles, arrependiam-se e se tornavam um povo justo; e Deus os abençoava novamente, e começavam a se erguer e prosperar na terra. Mas talvez, no decorrer de três ou quatro anos, um povo que era quase inteiramente justo se afastasse de sua retidão para a insensatez, o pecado e a maldade, trazendo sobre si outro pesado juízo. E assim, geração após geração, os antigos habitantes desta terra foram passando, tendo seus altos e baixos. Toda vez que a maioria do povo transgredia, um tremendo juízo vinha sobre eles; e toda vez que se arrependiam diante do Senhor de todo o coração, Ele afastava Sua ira e começava a fazê-los prosperar.

Ora, estes mesmos decretos que Deus fez em relação às antigas nações que habitaram este país estendem-se a nós. "Qualquer nação," disse o Senhor, "que possuir esta terra, desde agora e para sempre, servirá ao único Deus verdadeiro e vivo, ou será varrida quando a plenitude de Sua ira vier sobre ela." Desde esse antigo decreto, muitas nações vieram para cá. E, por último, os europeus vieram do que se chama o velho mundo, atravessando o Atlântico. E ultimamente os chineses estão começando a vir atravessando o Pacífico, e este continente está se tornando extensamente povoado. Muitos milhões já se encontram nele. Construíram muitas cidades grandes e populosas, e se tornaram muito poderosos sobre a face da terra; mas não são nada comparados às numerosas hostes dos jareditas que outrora se espalharam por toda a face da América do Norte. Mas, ainda assim, são numerosos, e são considerados uma das nações mais poderosas sobre a face de toda a terra; e seus recursos são muito grandes, e a prosperidade que acompanhou nossos antepassados no estabelecimento de povoados sobre a face desta terra, no estabelecimento de um governo livre, com liberdade de imprensa e de culto religioso, foi muito grande.

Eles imaginam que essa prosperidade continuará para sempre, que não haverá fim para sua grandeza. Ora, posso dizer-lhes, como lhes tenho dito desde que era menino, que sua grandeza não os protegerá; sua atual prosperidade não os protegerá. Há apenas uma coisa que protegerá as nações que habitam a América do Norte e do Sul, e é voltar-se para o Senhor seu Deus de todo o coração, mente e força, e servi-lo com pleno propósito de coração, e cessar de toda a sua maldade. Isso os protegerá. Se fizerem isso, se espalharão e se tornarão dez vezes mais fortes e poderosos do que jamais foram, e o Senhor seu Deus os abençoará mais abundantemente do que até agora. Mas, por outro lado, se não fizerem essas coisas, o decreto que foi feito em tempos antigos é tão certo de se cumprir quanto o sol brilha lá no céu.

Já vimos, em grau muito pequeno, o castigo do Todo-Poderoso sobre a atual e poderosa nação da qual fazemos parte. Grande tem sido seu castigo em alguns aspectos; mas, em outros aspectos, mal parecem senti-lo. Mas observai ainda a desolação que certas partes de nosso belo país tiveram de suportar pelas depredações de exércitos hostis uns contra os outros. Dezenas de milhares rolando no pó em seu sangue; cidades e vilas inteiras devastadas, e o país, por centenas e centenas de milhas, como que em perfeita desolação. Estradas de ferro que custaram milhões, arrancadas; vagões e mercadorias destruídos, e todo o país envolvido numa dívida que talvez exija muitos anos antes que se pague muito mais do que os juros dela, e pela qual uma pesada tributação deve ser imposta a todos os habitantes da terra. E, quando incluímos tanto o Norte quanto o Sul, talvez dois ou três milhões de vidas tenham se perdido; se não de todo perdidas pelas armas da guerra em batalha, pereceram em consequência das dificuldades e aflições que geralmente acompanham os exércitos.

Esta grande guerra é apenas um pequeno grau de castigo, apenas o começo; nada comparado ao que Deus falou a respeito desta nação, se ela não se arrepender. Pois o Senhor disse neste livro (o Livro de Mórmon), que já foi publicado há trinta e oito anos, que, se não se arrependerem, Ele derrubará todas as suas fortalezas e eliminará as cidades da terra, e executará vingança e fúria sobre a nação, como sobre os gentios, como nunca ouviram falar. Que Ele enviará um flagelo desolador sobre a terra; que deixará suas cidades desoladas, sem habitantes. Por exemplo, a grande, poderosa e populosa cidade de Nova York, que pode ser considerada uma das maiores cidades do mundo, tornar-se-á, em poucos anos, um monte de ruínas. O povo se maravilhará ao contemplar as ruínas que custaram centenas de milhões para construir, perguntando-se o que foi feito de seus habitantes. Suas casas ali estarão, mas ficarão desoladas. Assim diz o Senhor Deus. Isso será apenas uma amostra de numerosas outras cidades e vilas sobre a face deste continente.

Ora, tenho consciência de que é quase impossível, mesmo para alguns dos Santos dos Últimos Dias, obter aquela confiança e aquela forte fé nos acontecimentos que Deus pretende realizar nesta terra no futuro, a ponto de crer em tal coisa, sem falar dos de fora, que não creem em uma só palavra disso. Os de fora não acreditam nisso mais do que acreditavam em mim quando eu era menino e tomei aquela revelação que foi dada em 1832, e a levei por muitas vilas e cidades, e lhes disse que haveria uma grande e terrível guerra entre o Norte e o Sul, e li-lhes a revelação. Acreditaram nela? Considerariam que havia alguma verdade nela? De maneira nenhuma; diriam: "isso é uma trapaça mórmon." "Como! Esta nossa grande e poderosa nação dividir-se, uma parte contra a outra, e muitas centenas de milhares de almas serem destruídas por guerras civis!" Não acreditariam em uma só palavra disso. Não creem no que ainda está no futuro. Mas há alguns nesta congregação que viverão para presenciar o cumprimento dessas outras coisas, e visitarão as ruínas de poderosas vilas e cidades espalhadas pela face desta terra, destituídas e desoladas de habitantes. Se então se perguntar por que tal grande destruição, a resposta será: a maldade as destruiu. A maldade e a corrupção trouxeram o cumprimento dos antigos decretos do Céu a respeito desta terra. A maldade e a corrupção trouxeram desolação a suas vilas e cidades. Virá o tempo em que não haverá segurança em prosseguir com as ocupações pacíficas da agricultura ou lavoura. Mas estas serão negligenciadas, e o povo se considerará feliz se puder fugir de cidade em cidade, de vila em vila, e escapar com vida. Assim o Senhor visitará o povo, se não se arrependerem. Assim Ele derramará Sua ira e indignação sobre eles, e manifestará ao povo que aquilo que Ele falou deve cumprir-se.

Mas o que será deste povo? Seremos varridos na ruína geral? Virá sobre nós a desolação? Sentiremos a mão castigadora do Todo-Poderoso, como os que não se arrependerão? Isso dependerá inteiramente de nossa conduta. Está em nosso poder; Deus no-lo concedeu, salvarmo-nos da desolação e das calamidades que virão sobre a nação. Como? Fazendo o que é correto; vivendo honestamente diante de Deus e de todos os homens; buscando aquela retidão que vem por meio do Evangelho do Filho de Deus; seguindo a lei do Céu; fazendo aos outros o que gostaríamos que nos fizessem; afastando todos os males e abominações praticados pelos ímpios. Se fizermos isso, a prosperidade estará sobre os habitantes de Utah; a prosperidade estará sobre as vilas e cidades erguidas por este povo; a mão do Senhor estará sobre nós para nos sustentar, e nos espalharemos. Ele nos multiplicará na terra; fará de nós um grande povo, fortalecerá nossas fronteiras, e enviará os missionários deste povo aos quatro cantos da terra para publicar paz e boas novas de grande alegria, e proclamar que ainda resta um lugar no coração do continente americano onde há paz, segurança e refúgio das tempestades, desolações e tribulações que virão sobre os ímpios. Mas, por outro lado, Santos dos Últimos Dias, quão grandes são as responsabilidades que recaem sobre nós e sobre nossas gerações vindouras. Se não guardarmos os mandamentos de Deus, e se nossas gerações vindouras não derem atenção à lei de Deus e à grande luz que tem brilhado do Céu nestes últimos dias, mas afastarem seu coração do Senhor seu Deus e dos conselhos de Seu sacerdócio, então seremos visitados como os ímpios, então teremos a mão do Senhor sobre nós em juízo; então aquele dito que o Senhor proferiu no Livro de Doutrina e Convênios se cumprirá sobre nós: "que visitarei Sião, se ela não fizer o que é correto, com aflições dolorosas, com pestilência, com espada, com fome e com a chama do fogo devorador."

Ora, aqui temos a escolha. Está ao nosso alcance; podemos estender a mão em busca da prosperidade, da paz e da extensão de nossas fronteiras, e ter todas essas coisas multiplicadas sobre nós, e o poder de Deus dentro de nós; Seu braço a nos envolver para nos proteger de todo mal e dano. E, por outro lado, podemos estender a mão e participar da maldade, e trazer desolação e destruição sobre nossas fronteiras. Qual faremos? Somos agentes; somos deixados à nossa própria escolha. Deus disse que contenderia com Seu povo. Espero que o faça. "Contenderei," diz o Senhor, "com os fortes de Sião até que ela vença e esteja limpa diante de mim." Há certo consolo em ler esta declaração do Senhor. Embora tenhamos de receber grande castigo, embora Ele tenha de contender conosco por meio de juízo, tribulação, fome, pela espada e pela vingança do fogo devorador, ainda assim, depois que Ele tiver afligido este povo suficientemente, haverá alguns poucos que serão poupados e se tornarão limpos diante do Senhor.

É um grande consolo ler que os exércitos de Israel se tornarão finalmente santificados, e claros como o sol, e formosos como a lua, e que seus estandartes se tornarão terríveis para as nações dos ímpios. No entanto, poderemos ter de passar, por nossa própria maldade, por muitas calamidades que poderão sobrevir-nos. Espero que não; mas não sei. Posso dizer que minhas esperanças se fortalecem quanto a este assunto, pois o que vejo aqui neste Território? Vejo um povo que tem estado disposto a sacrificar tudo o que possui pelo bem do Evangelho; que tem estado disposto a abandonar seus reinos e países nativos, e a viajar por mar e por terra para vir servir a Deus. Vejo um povo, a maioria do qual está disposta a dar atenção aos conselhos dos servos de Deus que estão em seu meio. Por isso, aguardo paz e prosperidade; por isso, aguardo que o braço do Senhor se estenda em favor deste povo, enquanto houver uma maioria deles que deseje fazer o que é correto, enquanto houver uma maioria que sinta unir seu coração para pôr em prática os grandes princípios de verdade e retidão eternas que foram revelados. Enquanto assim for, os Céus serão propícios, e acharemos favor à vista do Altíssimo. Mas lembrai-vos dos habitantes que outrora viveram nesta terra; lembrai-vos de suas aflições e calamidades; lembrai-vos de que os juízos foram derramados sobre eles porque não quiseram ser obedientes. Que estes sejam uma lição eterna para nós que vivemos nestes últimos tempos. Sirvamos a Deus e seremos abençoados; prosperaremos se guardarmos Seus mandamentos. Amém.

Como citar este discursoOrson Pratt, “América, uma Terra Escolhida — Seus Aborígenes”, (1868-12-27). Pulpit Vault, 1868-12-pratt-america-a-choice-land-its-aborigines. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).