Pulpit

Pregando o Evangelho — Desobediência e Perseguição — Exclusividade — A Busca da Felicidade

Brigham Young

1868-11-29

Para os Santos dos Últimos Dias, o evangelho de vida e salvação é digno de particular atenção. Em minhas reflexões sobre a grande obra que o Senhor iniciou, suas operações me parecem maravilhosas. Contemplo aqueles que se separaram do pecado com muito prazer e deleite; são bem um povo adquirido. Quando os élderes vão pregar o evangelho, todos os que têm o privilégio de ouvir, com pouquíssimas exceções, convencem-se de sua verdade em maior ou menor grau. Talvez haja alguns poucos que receberam tradições a tal ponto que a verdade não consegue encontrar caminho para seus corações; mas tais pessoas são muito raras. Quando um homem prega o evangelho pelo poder de Deus enviado do céu, é difícil para mim crer que os que o ouvem não se convençam de sua verdade. Então, quando contemplo os poucos do sangue de Efraim espalhados entre o povo que têm a coragem, a firmeza e a força de vontade para reconhecer a verdade do evangelho e se sujeitar a ele, penso que são organizados de modo bem peculiar.

Este evangelho é adaptado à capacidade de toda a família humana. Por que são os princípios da verdade, e o povo que os abraça, tão ridicularizados? Não posso atribuí-lo a nada senão ao pecado, ou à determinação de fazer aquilo que é errado. Ide àquelas partes do mundo onde os élderes têm labutado quase até se esgotarem, para pregar ao povo as palavras da vida eterna, e colocá-los na posse daquilo que os salvaria aqui e no futuro, e tem sido fato que quase nenhuma palavra de verdade se tem dito a nosso respeito. Isto é espantoso. E esta obra, segundo as palavras do profeta, é "uma obra maravilhosa e um prodígio." Parece-me que, se a família humana tivesse a menor concepção dos princípios da vida e da salvação, não faria o que faz, ou deveria crer que seria castigada, como filhos desobedientes, que muitas vezes, ao que parece, são desobedientes expressamente para serem corrigidos. Não há necessidade disto, especialmente entre os Santos dos Últimos Dias. As poucas palavras que tenho a lhes dizer são estas — sede perfeitos, sábios, puros, santos, e temei e reverenciai a palavra do Senhor, seus mandamentos e suas exigências.

Quando olhamos para os Santos dos Últimos Dias, perguntamos: há alguma necessidade de serem perseguidos? Sim, se são desobedientes. Há alguma necessidade de castigar um filho ou uma filha? Sim, se são desobedientes. Mas suponde que sejam perfeitamente obedientes a toda exigência de seus pais; há então alguma necessidade de castigá-los? Se há, não compreendo o princípio disso. Ainda não fui capaz de ver a necessidade de castigar um filho obediente, nem tampouco fui capaz de ver a necessidade de um castigo do Senhor sobre um povo que é perfeitamente obediente. Este povo tem sido castigado? Sim, tem.

Embora preguemos o evangelho de vida e salvação aos habitantes da terra, e lhes digamos que este evangelho está calculado a salvar todo filho e filha de Adão e Eva que a ele der ouvidos, sejam os que viveram, os que agora vivem, ou os que hão de viver no futuro, terá a presente geração este evangelho? Não, não o terá. Por quê? Porque já têm tanta religião que não sabem o que fazer com ela. Muitas vezes lhes disse: "Se não credes no evangelho, porque dizeis já ter religião, não quereríeis, por favor, arrepender-vos de vossa religião?" Há alguma necessidade de se arrependerem de sua religião? Sim. Por quê? Porque não é correta. Todo o mundo da humanidade está cheio de religião, e, se não adoram um objeto, adoram outro. É tão natural aos filhos dos homens adorar e reverenciar algo quanto respirar; daí o mundo cristão estar cheio de religião, e o mesmo se dá com o mundo pagão. Nós também temos nossa religião, e ela é adaptada à capacidade de toda a família humana. Não manda uma parte do povo para uivar em tormento para todo o sempre, mas alcança até o último filho e a última filha de Adão e Eva, e há de arrancá-los da prisão, destrancar as portas, e romper os laços, e trazer à luz toda alma que quiser receber a salvação.

Pergunto às nações da terra: que objeção há nisto? "Ó," dizem eles, "sois diferentes de nós." Diferentes como? "Ora, tendes muitas doutrinas em que não cremos." Não podemos evitá-lo. Tomamos este livro, chamado o Antigo e o Novo Testamento, como nosso padrão. Cremos neste livro e o recebemos como a palavra do Senhor. Não que não haja muitas palavras neste livro que não são as palavras do Senhor, mas aquilo que veio dos céus, e que o Senhor nos entregou, recebemos, e especialmente as palavras do Salvador. Recebemos o Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador, e cremos nele como nosso Salvador. Há muitas pessoas nesta cidade que ridicularizam a ideia de que Jesus era o Cristo; mas tomai estes mesmos indivíduos, tanto homens quanto mulheres, e deixai-os orientar seu curso pela vida em todos os aspectos segundo as palavras do Salvador, e não seriam melhores homens e mulheres do que agora são? Sim, seriam. Onde está, então, o mal ou o dano de crer numa personagem cuja doutrina, do princípio ao fim, é perfeitamente pura e santa? Embora os filhos de Judá, universalmente, e muitos outros, ridicularizem a ideia de que Jesus é o Cristo, tomai, contudo, as doutrinas que ele ensinou a seus discípulos, e que eles pregaram ao povo, e se esforçaram por praticar, e deixai que qualquer povo viva de acordo com elas, e encontrareis uma comunidade pura, santa e perfeita. Não haveria guerras, derramamento de sangue nem contenda entre eles, como nações, comunidades, vizinhanças e famílias.

Disse-se aqui que há alguns cujos sentimentos não podem aceitar tudo o que é ensinado pelos Santos dos Últimos Dias. Mas permiti-me dizer que jamais houve doutrina ensinada por Jesus Cristo e seus apóstolos, pelos profetas antes deles, ou por Joseph Smith e este povo, que, se seguida, não traga paz a toda família e indivíduo que a observe. Desfrutamos de paz? Muitos não. Qual é a razão? Porque não praticam fielmente aquelas doutrinas.

Vou fazer uma pergunta — há alguma necessidade, meus irmãos e irmãs, de que vós e eu soframos perseguição para nos aperfeiçoarmos? Estamos dispostos a ser obedientes, e a santificar a nós mesmos, e a santificar o Senhor Deus em nossos corações, sem a vara do castigo? Se estamos, havemos de trazer a doutrina que tem sido ensinada ao povo sobre assuntos temporais. Dizemos, e professamos, que somos um, e, em grande medida, o somos. Em nossos sentimentos religiosos e políticos, somos um; mas na busca da vida e da felicidade, como indivíduos e famílias, não somos um. Ora, se cremos no evangelho, que não pode fazer mal a ninguém — digo isto para todos os ouvidos —, ele não contém uma única doutrina que não seja verdadeira. Podeis perguntar: nunca nenhum élder em Israel ensinou falsa doutrina? Sim, mas nenhum homem o fez que tenha sido autorizado a ensinar, guiar e dirigir os santos. Ensinaram Jesus, Pedro, Tiago, João, ou Joseph Smith, alguma vez, uma doutrina falsa ou incorreta? Não que vós ou eu saibamos; não conseguimos encontrar tal coisa. Ora, se temos doutrinas corretas, e conformarmos nossas vidas a elas, poderemos nos santificar sem sermos castigados.

Aguardamos o dia em que este povo será puro, santo e santificado, e em que estaremos preparados para edificar Sião. Estamos preparados agora? Não, não estamos. Somos apenas professamente Santos dos Últimos Dias; na prática, somos apenas em parte. Ser um santo é ser como Jesus foi; ser assimilado ao espírito e ao caráter que ele exibiu enquanto esteve aqui na terra. Ora, exorto os Santos dos Últimos Dias a viverem de modo que cada um possa desfrutar do espírito do Senhor Jesus dia a dia, para que possamos ser um em todas as coisas, tanto nos assuntos temporais quanto nos espirituais.

Como tenho apenas alguns minutos em que quero falar, passarei agora aos assuntos temporais. Vós e eu desejamos viver, e ter o privilégio de seguir, sem sermos molestados, o caminho que conduz à felicidade. Ora, não posso dizer isto de todos vós, mas posso dizer de alguns aqui, que têm tentado servir ao Senhor por quase quarenta anos. Durante aquele período, passamos por cenas que não desejamos ver de novo. Cinco vezes muitos de nós aqui fomos desfeitos, e deixamos nossas casas, jardins, fazendas, pomares, vinhedos, e tudo o que tínhamos, e tivemos de correr por nossas vidas. Por quê? Porque cremos no Senhor Jesus Cristo — e tentamos praticar a doutrina que ele ensinou. Por qualquer outra coisa? Não. Éramos todos perfeitos? Não. Pecavam alguns? Ó, sim, éramos todos pecadores. Por que fomos obrigados a deixar nossos lares? Perturbamos nossos vizinhos, ou lhes furtamos e subtraímos seus bens? Não. Que fizemos? Ensinamos o evangelho de vida e salvação. Não que todos fossem justos, mas nossos pecados — de amor ao mundo, cobiça e egoísmo — eram entre nós e nosso Deus, e por isto o Senhor permitiu que fôssemos castigados. A fé que professamos é a melhor, e a única doutrina calculada a salvar os filhos dos homens.

Digo, cinco vezes parte deste povo foi desfeita, e da última vez, quando deixamos o Estado de Illinois, abrimos nosso caminho pela mata, procuramos nossa senda pelas pradarias, e cavamos nossos caminhos pelos cânions, por mil e quatrocentas milhas até este lugar, porque fomos obrigados a ir para algum lugar.

Nosso profeta, antes de nós, nos disse que, se pudéssemos sair do caminho da cristandade, assim chamada, e da civilização, poderíamos servir a Deus e edificar seu reino, e poderíamos ser felizes. Viemos a estes vales isolados e solitários. Quem nos guiou até aqui? Estendeu nossa nação uma mão protetora sobre nós? Não: até hoje jamais nos deram um dólar; mas agora esperam que lhes demos nossas terras aqui. Tornaram-se os ímpios mais retos? Não. Tornou-se o mundo mais esclarecido nas coisas de Deus? Não, não se tornou; e a inimizade que existia, ainda existe, e cresceu, aumentou e se fortaleceu, e esta guerra entre o poder do demônio e o poder de Jesus Cristo continuará até que Jesus obtenha a posse do reino. Estas palavras se destinam aos ouvidos de todos, tanto santos quanto pecadores.

Pedimos a algum dos comerciantes de fora, nesta cidade, que viessem para cá? São chamados "gentios," mas não sabemos se são "gentios" ou não, pois um gentio é aquele que não tem em si sangue algum de Israel. Pode haver alguns desta classe entre os israelitas. Mas por que estes de fora nos seguem? Dizem: "sabemos que vós, Santos dos Últimos Dias, sois um povo muito simpático, muito bondoso, muito livre, generoso e benevolente; sabemos que credes em ajudar o estrangeiro, e não só isso, sabemos que credes em dar todos os vossos bens a vossos inimigos." Está isto provado? Sim, bem aqui diante de nossos olhos. Ora, eu diria a todo homem e mulher sobre a terra, se pudesse falar-lhes, não importa o que os homens digam, mas como o dizem; vou vos dizer o que queremos — e sabemos o que quereis — queremos o privilégio de edificar o reino de Deus sobre a terra, e de viver em paz uns com os outros. Queremos que nossas ruas sejam tais que possamos percorrê-las em segurança, seja de dia, seja de noite, e de tal modo que, se uma parteira for chamada à meia-noite, ou à uma hora da manhã, para ir à casa de uma vizinha, possa ir até lá sem ser roubada ou destruída antes de chegar a seu destino. E, se nossas filhas estiverem fora, de visita, até as nove, dez, onze ou doze horas da noite, que possam passar por estas ruas sem serem molestadas. Queremos uma comunidade que não tome o nome de Deus em vão; que não minta, nem subtraia o que não é seu, e que viva dia a dia, semana a semana, e ano a ano, em perfeita paz. Isto não está de acordo com os sentimentos de muitos, que prefeririam ver contendas e disputas. Aprendi tantos fatos que existem no mundo em relação a contendas, falando delas no âmbito familiar, que, ao meu certo conhecimento, há mais delas ali, onde há uma só esposa, do que aqui, onde há dez, onde esta doutrina detestável a que nosso irmão acaba de se referir é praticada. Assim, não vos preocupeis com contendas, nenhum de vós, pois existem por todo o mundo. Olhai para os reis e rainhas, e depois para as classes inferiores; e delas até a Câmara dos Representantes, os lordes, duques, cavaleiros, e todo caráter grandioso que possais mencionar ou imaginar, e como vivem eles? Sabemos como vivem; vivem em perigo, em temor, e em ciúme, que é a mãe do tormento. E os habitantes da terra têm ciúmes uns dos outros, e têm razão para tal. Temos algum fato neste caso? Sim, milhares deles, por todo o mundo. Tomai o rei em seu trono; ele deve pagar a um médico mais do que a qualquer outro, ou será envenenado até a morte. É o mesmo com as rainhas; se não têm poder de comprar todos ao seu redor, não há como saber que dia se colocará veneno em seu café ou em seu chá, ou em algum de seus alimentos. Se o marido sai de casa, ela não sabe onde ele está; e, se a senhora fica sozinha em casa, ou sai a passear, o marido não sabe onde ela está. Mas vinde aos santos, e sabereis a respeito deles. Se enviamos um élder a pregar o evangelho, e ele percorre a terra inteira, quando volta sabemos onde esteve e o que tem feito, e, se se tornou culpado daquele crime a que o mundo está tão viciado, não pode escondê-lo; deve confessá-lo; então não é caráter próprio para ser membro da Igreja ou élder em Israel, e o privamos de sua posição e licença. Mas tomai um élder em Israel que honra seu chamado, e, embora possa viajar pelo mundo inteiro, sua esposa, em casa, diz: "estou perfeitamente satisfeita quanto a meu marido, ele sofreria que lhe tirassem a cabeça dos ombros antes de violar seus convênios comigo, são sagrados diante de Deus." É assim com nossas mulheres tanto quanto com nossos homens; é assim com Israel nos últimos dias. Aqui paro, e digo, não com todo Israel.

Nossas irmãs não precisam se preocupar com nenhuma doutrina. O Irmão Penrose disse que seria melhor para elas se cressem na doutrina da poligamia. Mas de fato creem nela; sabem que é verdadeira, e isto é seu tormento. Isto perturba e incomoda muitas delas, porque não são santificadas pelo espírito dela; se o fossem, não haveria problema. Quero dizer o seguinte — as irmãs de fato creem nela. Onde está a prova? Tomai uma mulher nesta Igreja que não crê na doutrina do casamento celestial ou da pluralidade de esposas, e ela não crê em coisa alguma quanto ao evangelho, e logo o manifestará por seu curso imprudente, e, com o tempo, ela se afasta e vai embora. Mas nossas irmãs creem e sabem que esta doutrina é verdadeira, e, consequentemente, sentem-se obrigadas a se aterem a ela.

Ora, voltarei a meus comentários sobre nossa condição presente. Não desejamos ser desfeitos, e obrigados a deixar nossos lares outra vez. Que quereis, vós de fora? Quereis todo o dinheiro que os "mórmons" possam ganhar. Não vos culpo por isso, jamais culpei. É razoável e justo, e tendes tanto direito a ele quanto a qualquer outro dinheiro que possais obter. Mas não vamos deixar que o tenhais. Há algum mal nisto? "Exclusivos," somos? Não somos nem metade exclusivos o suficiente. Não há outro modo de salvar este povo de ser desfeito de novo senão comerciando entre nós mesmos. Sei disto tão bem quanto sei que o sol brilha. Já passei por isso, e sei tudo a respeito. Ora, não desejo ver este povo, de quem me orgulho, e em quem me deleito, empacotar seus bens e partir de novo. Para onde iríamos? Quando estávamos no Missouri, tínhamos um lugar para onde ir; quando estávamos em Illinois, tínhamos um lugar para onde ir; mas agora, que viemos ao meio deste continente, para onde podemos ir? Há outro lugar aonde possamos ir?

Se eu dissesse ao mundo financeiro que resolvemos fazer nossos próprios negócios internos, e não sustentar em nosso meio os que não são dos nossos, que diriam eles? Diriam que este é o primeiro passo que os Santos dos Últimos Dias jamais deram que manifestasse sabedoria. Quão exclusivos queremos ser? Apenas o suficiente para nos sustentarmos e nos preservarmos, construirmos nossas próprias casas, fazermos nossos jardins e pomares, nossas carruagens, e nossos próprios lugares de diversão, como nosso teatro. Construí aquele teatro para atrair a juventude de nossa comunidade e proporcionar diversão aos rapazes e moças, em vez de deixá-los correndo por toda a criação em busca de recreação. Muito antes de ele ser construído, eu disse aos bispos: "Organizai vossas festas e locais de lazer para divertir o povo." Isto me traz de volta minha experiência anterior, e a de meus amigos. Sempre que entrarmos no reino do céu, onde Deus e Cristo habitam, encontraremos algo mais a fazer do que "sentar e cantar até a bem-aventurança eterna." A mente do homem é ativa, e devemos ter exercício e diversão tanto para a mente quanto para o corpo.

Ide a este teatro, e que há por trás da cortina que desonraria a mais perfeita dama sobre a face da terra? Absolutamente nada. Tenho de observar alguns que vêm aqui como atores e atrizes, e, se não manifestam as marcas e traços de uma dama e de um cavalheiro, digo: "Parai um momento. Quero vos dizer algo. Vosso curso vos levará ao erro, e, se nele persistirdes, não podereis vos apresentar diante do público." Isto quanto a isso.

Dizemos aos bispos, e a todos, exercitai-vos, proporcionai diversão inocente à juventude, atraí as mentes das crianças, e ganhai a supremacia sobre elas e ide à frente. Vejo mães bem entre nós cujo procedimento é bem imprudente com seus filhos. Deveríeis sempre ir à frente de vossos filhos, em suas mentes e afeições. Em vez de ficardes atrás com o chicote, ide sempre adiante; então podereis dizer: "Vinde comigo," e não tereis necessidade da vara. Deleitar-se-ão em vos seguir, e apreciarão vossas palavras e vossos modos, porque estareis sempre os confortando e lhes dando prazer e alegria. Se ficarem um pouco travessos, detende-os quando já tiverem ido longe demais. Dizemos aos irmãos, condescendei com vossas esposas e filhos tanto quanto puderdes, mas, quando transgredirem, e ultrapassarem certos limites, queremos que parem. Se estiverdes à frente, hão de parar, não poderão vos atropelar; mas, se estiverdes atrás, correrão para longe de vós. Maridos, ide sempre à frente de vossas esposas, e então, se elas empreenderem fazer algo que vos seja muito desagradável, esbarrarão bem em vós, e então pararão e se sentarão porque não podem ir mais longe. Sabeis como fazer isto? "Não," diz alguém, "não sei se sei." Bem, então, aprendei buscando a verdade, segundo as revelações dadas neste livro. Buscai a verdade em todos os bons livros, e aprendei a sabedoria do mundo e a sabedoria de Deus, e juntai-as, e sereis capazes de vos beneficiar.

Direi agora a meus amigos — e chamo-vos a todos, e a toda a humanidade, de amigos, até que vos prova serdes inimigos — a vós que não pertenceis a esta Igreja, que temos o evangelho de vida e salvação. Não digo que temos um evangelho, mas digo que temos o definitivo e único evangelho que jamais houve ou jamais haverá que salvará os filhos dos homens. Escutai isto, cada um de vós, e todos os habitantes da terra, e não digais: "sois mórmons, e não queremos ouvir nada a vosso respeito." Aguardai até terdes buscado e rebuscado, e obtido sabedoria para compreender o que pregamos, ou para provar que é falso. Se não puderdes provar que é falso, e não estiverdes dispostos a recebê-lo, deixai-o em paz. Se é a obra de Deus, permanecerá firme. Que dizeis, vós de fora? Que dizeis, mundo cristão e mundo pagão? Se temos a verdade a vos apresentar, que vos fará bem aqui e no futuro, que vos salvará hoje, e amanhã, e todos os dias, até que vos salve no reino de Deus e vos traga a um estado perfeito de felicidade e bem-aventurança na presença do Pai, quereis recebê-la?

Quero dizer novamente aos irmãos e irmãs — e este é o grande segredo que ensinamos na Escola dos Profetas — sede exclusivos o bastante para sustentar o reino de Deus. Queremos nossos próprios meios, e, se de fato comerciamos com os de fora, queremos que seja distante daqui, e não aqui. Que dizeis a isto, amigos? É sabedoria? Experimentai, e vede o que faríeis nas mesmas circunstâncias. Fostes expulsos de vossos lares? Sim, pode haver alguns dos Estados do Sul que foram expulsos de seus lares, e sofreram a perda de tudo o que tinham na terra; mas não foi por sua religião. Nós sofremos às mãos dos missourianos e dos sulistas por nossa religião; eles sofreram por sua maldade. Nunca sofremos como eles sofreram. Mas não desejamos sofrer de novo; não desejamos ser expulsos de nossos lares outra vez. Gostamos deste país, e não desejamos sustentar quaisquer pessoas em nosso meio que lancem um fundamento para atropelar este povo, de modo que tenham de arrancar as estacas e partir. "Criança queimada teme o fogo." Sabeis disto? Ponde a mão no fogo até que vos queime severamente, e vos causará dor suficiente para vos lembrardes por anos, e, até que tenhais esquecido aquela dor, não quereis pôr a mão no fogo de novo. Mas não fomos nós que a pusemos ali, foi outra pessoa.

Não temos direito a nosso próprio dinheiro? Não estamos escavando por ouro e prata; não estamos trazendo para cá uma sociedade em cujo meio se possa ouvir tiros a noite toda por nossas ruas, ou pragas e blasfêmias, ou violino e dança. Quereis esta "civilização," vós de fora? Pode haver alguns que não. Vou vos dizer o que os sacerdotes querem. Querem ver uma taberna na esquina de cada rua, e casas de acomodação entre elas e por trás delas, e querem ouvir pragas e blasfêmias, e querem ver bebedeira e farra, e o bêbado caindo na rua e se revolvendo na lama, então poderiam vir com suas caras compridas, clamando: "Ó, que povo pecador!" Não queremos nada disso. Queremos ver todo semblante cheio de alegria, e todo olho brilhante com a esperança da felicidade futura.

Supondes que possais encontrar uma pessoa sobre esta terra que não esteja buscando a felicidade? Pode haver alguns poucos que, se não estão buscando a felicidade, estão buscando livrar-se de sua miséria. Isto me faz pensar em alguém de quem ouvi falar, que se suicidou em Nova York, numa daquelas belas casas, que supuríeis ser um palácio, onde damas e cavalheiros vivem num paraíso perfeito, mas que na realidade são casas de jogo. Este indivíduo de quem ouvi jogara ali a noite toda, e, pela manhã, quando seu último dólar se fora, recostou-se em seu assento e disse: "Estou liquidado," e, tirando uma pistola do bolso, atirou em si mesmo, e caiu morto no chão. Este homem buscava livrar-se de sua miséria.

O mundo inteiro está atrás da felicidade. Ela não está no ouro e na prata, mas na paz e no amor. Disse eu amor? Sim. Observai vossos próprios sentimentos quando ouvis sons deliciosos, por exemplo, ou quando vedes algo belo. Produzem tais sentimentos a miséria? Não, produzem felicidade, paz e alegria. Bem, então, buscai e andai naquele caminho que conduz a isto, e andai nele dia a dia. E vós, irmãs, cessai de comerciar com qualquer homem ou ser nesta cidade ou país que não pertença à Igreja. Se não o fizerdes, havemos de vos cortar da Igreja, pois estamos decididos a não sermos expulsos ou desfeitos de novo, e estamos decididos a tratar com amor, e a sustentar nossa nação, nossa comunidade. Pretendemos viver aqui. Viemos mil e quatrocentas milhas para escapar daquele poder que está tentando entrar em nosso meio para nos desfazer de novo. Subjugamos esta terra e a tornamos fértil, e alimentamos centenas de milhares que passavam a caminho do leste e do oeste, e calculamos permanecer aqui, se fizerdes como vos digo, e cessardes de comerciar com os que não são dos nossos. Supondes que Jesus não compreendia o espírito e os sentimentos do mundo quando disse: "Quem não é por nós é contra nós"? Todo homem e toda mulher de inteligência que jamais existiu ou jamais existirá sobre a terra é, ou por Deus, ou contra ele.

Quando vejo os Santos dos Últimos Dias, vejo uma massa variada de disposições, uma perfeita curiosidade. Estive numa loja não faz muito, e me perguntaram minha opinião quanto à quantidade de negócio que se faria nesta estação, se tivéssemos bastante mercadoria. Disse eu: "deveis descobrir quanto dinheiro têm os Santos dos Últimos Dias, e depois quanto crédito têm, e descobrireis, aproximadamente, quanto negócio se fará." Se fôssemos como outras pessoas, e apenas déssemos ouvidos à sabedoria, estes homens sentados de cada lado de mim hoje, em vez de gastarem seu dinheiro, o poupariam e comprariam a terra que em breve estará no mercado. O governo finalmente condescendeu em considerar a conveniência de vender suas terras aos Santos dos Últimos Dias. Alguns têm tentado, ano após ano, elaborar uma lei que nos impeça de possuir um só pé de terra na América, mas foram derrotados. Ora, temos o privilégio de comprar nossas terras, e, se nossos irmãos tivessem alguma sabedoria, as comprariam. "Ó," diz alguém, "por que não obtermos uma propriedade grátis?" Eu preferiria pagar meus 200 dólares e comprar suas terras, e dizer-lhes que fizemos este país e agora estamos dispostos a comprá-lo. Estamos dispostos a pagar nossos impostos, e provamos estar dispostos a travar suas batalhas, e a fazer qualquer coisa para promover a paz e a felicidade neste país. Mas dizemos, tirai as mãos.

Ora, se não quereis contender, tomai medidas para impedi-lo. Isto é o que buscamos. Estamos tentando fazer o povo dar ouvidos a um conselho que impedirá uma contenda, e uma séria. Se puderdes impedir uma contenda numa família, fazeis uma coisa boa. "Bem-aventurados os pacificadores." Somos pacificadores. Estamos preservando a paz. É este nosso direito? Tomai os católicos em Londres, e eles passariam por mil portas para encontrar um de sua própria fé para gastar três meios-centavos. Não o fazem os judeus? Sim, fazem-no por todo o mundo. Dizem que somos obrigados a comerciar com eles, mas não somos. Comerciaríamos com eles tão prontamente quanto com qualquer outra pessoa de fora da Igreja. Mas edificam eles o reino de Deus? Não, tratam o próprio nome de Jesus com escárnio, e ainda assim estão tão cheios de religião quanto qualquer seita que exista. Podeis tomar a Igreja-Mãe, e toda a família dos protestantes, e a Casa de Judá está tão cheia de religião quanto qualquer delas. Mas estão corretos? Não, não estão. Oferecemos vida e salvação a toda a família humana no evangelho do Filho de Deus, e, se não estiverem dispostos a recebê-lo, sofrerão as consequências. Cabe aos Santos dos Últimos Dias viver sua religião.

Ora, irmãos e irmãs, pensais ser necessário sermos castigados? Não poderemos nos santificar sem a mão castigadora do Todo-Poderoso sobre nós? Podemos, se fizermos o que nos é dito. Por quem? Pelo Antigo e Novo Testamento, e todas as revelações neles dadas, e o Livro de Mórmon, e o Livro de Doutrina e Convênios. Todos se centram num ponto, a este respeito — vós, santos, reuni-vos, santificai o Senhor Deus em vossos corações, vivei por vós mesmos e edificai o reino de Deus. Tanto poderíamos ficar na Escócia quanto estar aqui no meio dos ímpios e dos irreverentes; tanto poderíamos ficar na Escandinávia quanto vir para cá, se tivéssemos de habitar em meio à bebedeira e à devassidão. Reunistes-vos para vos santificardes. Então vivei vossa religião, sustentai o reino de Deus e os que o sustentam, e deixai todos os demais em paz. Que o Senhor nos ajude a fazê-lo. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Pregando o Evangelho — Desobediência e Perseguição — Exclusividade — A Busca da Felicidade”, (1868-11-29). Pulpit Vault, 1868-11-young-preaching-the-gospeldisobedience-and-persecutionexclusivenessthe-search-after-happiness. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).