Pulpit

O Testemunho dos Santos dos Últimos Dias — Seus Deveres — O Testemunho do Espírito de Deus

Joseph F. Smith

1868-11-15

Um tanto inesperadamente, sou chamado a comparecer diante de vós, mas o faço com prazer, pois tenho um testemunho a dar quanto à obra em que estamos empenhados; e me dá prazer quando se oferece uma oportunidade de expressar meus sentimentos em relação a essa obra. Que temos o evangelho e temos desfrutado de suas bênçãos, e que as ordenanças do evangelho nos têm sido administradas como Santos dos Últimos Dias, há milhares de testemunhas neste Território e em muitos lugares do mundo. O testemunho da verdade desta obra não se limita a um ou a poucos; mas há milhares que podem declarar que sabem que é verdadeira, porque lhes foi revelada.

Nós, como povo, estamos aumentando em número, e o Senhor Todo-Poderoso está aumentando suas bênçãos sobre nós, e o povo vai se expandindo em seu entendimento e no conhecimento da verdade. Sinto-me grato a meu Pai Celestial por ter sido permitido viver nesta geração, e por ter sido permitido me familiarizar, em alguma medida, com os princípios do evangelho. Sou grato por ter tido o privilégio de possuir um testemunho de sua verdade, e por me ser permitido estar aqui e em outros lugares para dar meu testemunho da verdade de que o evangelho foi restaurado ao homem.

Viajei um tanto entre as nações pregando o evangelho, e vi algo da condição do mundo, e, em certa medida, familiarizei-me com os sentimentos dos homens, e com as religiões do mundo. Estou ciente de que o evangelho, tal como revelado na Bíblia, não pode ser encontrado no mundo; as ordenanças daquele evangelho não são administradas em nenhuma igreja, exceto A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Se nos familiarizarmos com os princípios do mundo religioso, veremos que não têm o evangelho nem suas ordenanças; têm uma forma de piedade, e não duvido de que sejam tão sinceros quanto nós, que obedecemos ao evangelho tal como revelado do céu nestes dias. Mas carecem do conhecimento que possuímos, e isso decorre do fato de que negam a fonte pela qual poderiam receber esse conhecimento — a saber, a revelação de Jesus Cristo. Em suas mentes, fecharam os céus; declaram que Deus revelou tudo o que é necessário, que o cânon das escrituras está completo, e que nada mais será revelado. Crendo assim, fecham a via da luz e da inteligência vinda do céu; e isto continuará enquanto persistirem em seu presente curso de incredulidade. Não escutarão, como ouvimos esta tarde, o testemunho de homens que lhes dizem que o Senhor vive, e que ele é capaz de revelar sua vontade ao homem hoje como sempre. Não darão ouvidos a este testemunho; consequentemente, fecham a porta da luz e da revelação. Não podem avançar, nem aprender os caminhos de Deus, nem andar em suas veredas.

Testificamos que as barreiras que separavam o homem de Deus foram superadas, que o Senhor de novo comunica sua vontade ao homem. "Mas," diz alguém, "como havemos de nos familiarizar com estas coisas? Como podemos saber que não estais enganados?" A todos estes dizemos: arrependei-vos de vossos pecados com toda sinceridade, então ide e sede batizados, e tende mãos impostas sobre vós para o dom do Espírito Santo, e aquele espírito dará testemunho a vós da verdade de nosso testemunho, e vos tornareis testemunhas dele como nós somos, e sereis capazes de vos apresentardes ousadamente e testificardes ao mundo como o fazemos. Este foi o caminho apontado por Pedro e os apóstolos no dia de Pentecostes, quando o espírito do Senhor Todo-Poderoso repousou sobre eles com grande poder para convencer os corações do povo, que clamou: "Homens irmãos, que faremos?" E Pedro lhes disse: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." Este foi o conselho que lhes foi dado, e, na medida em que lhe obedeceram, tiveram direito ao testemunho do Espírito Santo, que traria paz e felicidade, e lhes revelaria seus deveres, e os habilitaria a compreender seu relacionamento com Deus.

Se olharmos para a condição do mundo hoje, devemos chegar à conclusão de que não é provável que a paz seja estabelecida sobre a terra tão cedo. Não há nada entre as nações que tenda à paz. Mesmo entre as sociedades religiosas a tendência não é a paz e a união. Não trazem os homens a um conhecimento de Deus; não possuem aquele "um Deus, uma fé, um batismo, e uma esperança do seu chamado" de que falam as escrituras. Cada homem tem seguido segundo suas próprias noções, independente das revelações, e daí resultam a confusão e a divisão; suas igrejas se despedaçam, e estão brigando e contendendo umas com as outras. E, como é no mundo religioso, assim é no mundo político; estão todos divididos, e quanto mais energia despendem para fazer prosélitos, maiores são suas contendas, e mais longe se afastam do alvo. Esta tem sido sua condição, e o curso que têm seguido por quase mil e oitocentos anos, até que, hoje, tornaram-se tão divididos que penso que seria difícil para qualquer um dizer quantas denominações religiosas existem na cristandade. Há também milhares que, em consequência da contenda e disputa entre as seitas religiosas, tornaram-se inteiramente céticos quanto à religião de toda espécie, e concluíram que não há Deus, ou, ao menos, que não há Deus entre os "cristãos" — que todos os religiosos são fanáticos e estão enganados. Os sistemas sectários de religião estão calculados a levar homens de reflexão e inteligência ao ceticismo, a fazê-los negar toda interferência de Deus com os homens e seus assuntos, e a negar até mesmo seu direito de interferir.

O Senhor Todo-Poderoso é o Criador da terra. Ele é o Pai de todos os nossos espíritos. Ele tem o direito de ditar o que devemos fazer, e é nosso dever obedecer, e andar de acordo com suas exigências. Isto é natural, e perfeitamente fácil de compreender. O evangelho foi restaurado à terra, e o sacerdócio novamente estabelecido, e ambos são desfrutados por este povo; mas aqueles que não estão familiarizados com o funcionamento do evangelho e do sacerdócio nos olham com espanto, e ficam admirados com a união que existe em nosso meio. Movemo-nos quase como um só homem; damos ouvidos à voz de nosso líder; estamos unidos em nossa fé e em nossas obras, quer politicamente, quer religiosamente. O mundo não pode compreender isto, e o contempla com admiração.

Permiti-me dizer a meus irmãos e amigos que este é um dos efeitos do evangelho de Jesus Cristo. Fomo-nos unidos em nossa fé por um só batismo; sabemos que Jesus Cristo vive, sabemos que ele é nosso Salvador e Redentor, temos um testemunho disto independente de qualquer livro escrito, e testificamos destas coisas ao mundo. Esta união no meio do povo chamado Santos dos Últimos Dias, e sua prosperidade, são difíceis de compreender para muitos. Já ouvi dizer, porém, que não temos feito avanço tão rápido em prosperidade material quanto nos gabamos, e que não somos tão ricos quanto nossos vizinhos. Mas, quando se consideram nossas circunstâncias, e a condição do país quando aqui chegamos, penso que esta afirmação não pode se sustentar. Quando aqui chegamos, estávamos sem um vintém, e não tivemos a vantagem da riqueza ou do comércio para nos ajudar a enriquecer, mas tudo o que possuímos é resultado de nosso próprio labor físico e da bênção de Deus. Trabalhamos sob grandes desvantagens ao transportar nossos bens e maquinaria por estas vastas planícies, e, além disso, tivemos de contender com solo estéril e seca, e, quando todas estas coisas são consideradas, penso que temos prosperado mais do que qualquer outro povo. E, como tem sido no passado, assim será no futuro — havemos de crescer, e estender nossas fronteiras, pois esta é a obra de Deus, somos seu povo, e ele continuará a nos abençoar como tem feito até aqui.

Nosso negócio é aprender nossos deveres, uns para com os outros e para com nossos líderes. Esta é uma lição que parecemos algo lentos em aprender. Mas deveria ser conosco como disse o Irmão Miller esta manhã: quando nossos líderes falam, cabe a nós obedecer; quando dirigem, devemos ir; quando chamam, devemos seguir. Não como seres escravizados ou em servidão; não devemos obedecer cegamente, como instrumentos ou ferramentas. Nenhum santo dos últimos dias age deste modo; nenhum homem ou mulher que abraçou o evangelho jamais agiu assim; mas, pelo contrário, sentiram-se levados a escutar de bom grado os conselhos dos servos de Deus, na medida em que foram capazes de compreendê-los. A dificuldade não está em fazer os Santos dos Últimos Dias fazerem o correto, mas em fazê-los compreender o que é correto. Temos obedecido aos conselhos de nossos líderes porque sabemos que foram inspirados pelo Espírito Santo, e porque sabemos com certeza que foram dados para nosso bem. Sabemos, e sempre soubemos, que nossos líderes têm sido pais para nós, e que foram inspirados com sabedoria superior à que possuímos. Por esta razão, abraçamos tudo o que nos apresentam para o bem de Sião.

Estamos empenhados na grande obra dos últimos dias, de pregar o evangelho às nações, reunir os pobres, e edificar Sião sobre a terra. Estamos trabalhando pelo triunfo da retidão, pela subjugação do pecado e dos erros da era em que vivemos. É uma obra grande e gloriosa. Cremos que é certo amar a Deus de todo o coração, e amar nosso próximo como a nós mesmos. Cremos que é errado mentir, roubar, cometer adultério, ou qualquer ato proibido pelo evangelho de Cristo. Cremos em todos os ensinamentos do Salvador, e em tudo o que é bom e moral, e calculado para exaltar a humanidade ou melhorar sua condição, para uni-los a fazer o bem. Estes estão entre os princípios do evangelho, e estes princípios nos têm sido ensinados desde o início de nossa trajetória como membros desta Igreja. Estes princípios são praticados entre nós numa medida não encontrada entre nenhum outro povo. Não cremos em adorar a Deus ou ser religiosos apenas no dia de sábado; mas cremos que é tão necessário ser religioso na segunda-feira, na terça-feira e em todo dia da semana quanto no dia de sábado; cremos que é tão necessário fazer a nossos vizinhos o que quiséssemos que nos fizessem durante a semana quanto no sábado. Em suma, cremos que é necessário viver nossa religião todo dia da semana, toda hora do dia, e todo momento. Crendo e agindo assim, fortalecemo-nos em nossa fé, o espírito de Deus aumenta em nós, avançamos em conhecimento, e somos mais capazes de defender a causa em que estamos empenhados.

Para ser um verdadeiro representante desta causa, um homem deve viver fiel à luz que tem; deve ser puro, virtuoso e íntegro. Se ficar aquém disto, não é um justo representante desta obra. O evangelho de Jesus Cristo é a lei perfeita da liberdade. Está calculado a conduzir o homem ao mais alto estado de glória, e a exaltá-lo na presença de nosso Pai Celestial, "em quem não há mudança nem sombra de variação." Se há alguma tolice a ser vista no meio deste povo, é a tolice e a fraqueza do homem, e não decorre de nenhuma falha ou carência no plano de salvação. O evangelho é perfeito em sua organização. Cabe a nós aprender o evangelho e nos familiarizarmos com os princípios da verdade, humilharmo-nos diante de Deus para que possamos nos sujeitar a suas leis, e estarmos continuamente dispostos a escutar os conselhos daqueles que o Senhor designou para nos guiar.

Sabemos que Deus falou; disto testificamos. Estamos como testemunhas ao mundo de que isto é verdade. Não pedimos favor algum a homem, comunidade ou nação alguma sobre a face da terra em relação a estas coisas. Damos um testemunho destemido de que são verdadeiras. Também testificamos que Brigham Young é um profeta do Deus vivo, e que ele tem as revelações de Jesus Cristo; que tem guiado este povo pelo poder da revelação desde que se tornou seu líder até o presente, e nunca falhou em seu dever ou missão. Tem sido fiel diante de Deus, e fiel a este povo. Damos este testemunho ao mundo. Não temos medo, nem damos atenção a seu escárnio, desprezo ou zombaria. Estamos acostumados a isso. Como disse o Irmão George A., já o vimos e ouvimos, e nos tornamos insensíveis a ele. Sabemos em quem cremos. Sabemos que aquele em quem confiamos é Deus, pois nos foi revelado. Não estamos no escuro, nem obtivemos nosso conhecimento de nenhum homem, sínodo ou grupo de homens, mas por meio das revelações de Jesus. Se há alguns que duvidam de nós, que se arrependam de seus pecados. Há algum mal em abandonardes vossas tolices e maldades, e em vos inclinardes em humildade diante de Deus por seu espírito, e, em obediência às palavras do Salvador, sendo batizados para remissão dos pecados, e tendo mãos impostas sobre vós para o dom do Espírito Santo, para que tenhais um testemunho por vós mesmos da verdade das palavras que vos falamos? Fazei isto com humildade e honestidade, e, tão certo como o Senhor vive, prometo-vos que recebereis o testemunho desta obra por vós mesmos, e o conhecereis como todos os Santos dos Últimos Dias o conhecem. Esta é a promessa; é certa e firme. É algo tangível; está ao alcance de todo homem provar por si mesmo se falamos a verdade ou se mentimos. Não viemos como enganadores ou impostores diante do mundo; não viemos com a intenção de enganar, mas viemos com a verdade simples e clara, e deixamos que o mundo a coloque à prova e obtenha o conhecimento por si mesmo. É o direito de toda alma que vive — o alto, o baixo, o rico, o pobre, o grande e o pequeno — de ter este testemunho por si mesma, na medida em que obedeça ao evangelho.

Jesus, em tempos antigos, enviou seus discípulos a pregar o evangelho a toda criatura, dizendo que os que cressem e fossem batizados seriam salvos, mas os que não cressem seriam condenados. E disse ele: "E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão." Estas são as promessas feitas antigamente; e há milhares neste Território e nesta congregação que podem dar testemunho de que constataram o cumprimento destas promessas neste dia. A cura dos enfermos entre nós tornou-se tão comum que aparentemente pouco se pensa nela. Também vimos os coxos andarem, e os cegos receberem sua vista, os surdos ouvirem, e os mudos falarem. Estas coisas vimos serem feitas pelo poder de Deus e não pela astúcia ou sabedoria dos homens; sabemos que estes sinais seguem a pregação do evangelho. Contudo, estes testemunhos de sua verdade são pobres e fracos quando comparados aos sussurros da pequena voz mansa e delicada do espírito de Deus. Este último é um testemunho que ninguém que o desfruta pode negar; não pode ser vencido, pois traz ao coração uma convicção que não pode ser argumentada nem refutada, seja ou não explicável por princípios filosóficos. Este testemunho vem de Deus e convence a todos a quem é dado, a despeito de si mesmos, e vale mais para mim do que qualquer sinal ou dom além dele, porque me dá paz e felicidade, contentamento e sossego à alma. Assegura-me de que Deus vive, e de que, se eu for fiel, obterei as bênçãos do reino celestial.

É isto sem base nas escrituras, ou contrário à razão, ou a alguma verdade revelada? Não, está em consonância com, e em corroboração de, toda verdade revelada conhecida do homem. O Senhor Todo-Poderoso vive, e opera pelo poder de seu espírito sobre os corações dos filhos dos homens, e sustém as nações da terra em suas mãos. Ele criou a terra em que habitamos, e seus tesouros são dele; e ele fará conosco segundo merecermos. Conforme formos fiéis ou infiéis, assim o Todo-Poderoso tratará conosco, pois somos seus filhos, e somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Jesus Cristo.

Temos um glorioso destino diante de nós, estamos empenhados numa obra gloriosa. Vale toda a nossa atenção, vale nossas vidas e tudo o que o Senhor colocou em nossa posse, e depois dez mil vezes mais. Na verdade, não há comparação, é tudo em tudo, é incomparável. É tudo o que é e tudo o que jamais será. O evangelho é salvação, e sem ele nada há que valha a pena ter. Viemos nus ao mundo, e daqui partiremos da mesma forma. Ainda que acumulássemos metade do mundo, isso de nada nos aproveitaria para prolongar a vida aqui, ou assegurar a vida eterna no futuro. Mas o evangelho ensina os homens a serem humildes, fiéis, honestos e retos diante do Senhor e uns com os outros, e, na proporção em que seus princípios forem praticados, assim se estenderão e se estabelecerão a paz e a retidão sobre a terra, e o pecado, a contenda, o derramamento de sangue e a corrupção de toda espécie deixarão de existir, e a terra se purificará e se tornará uma morada apta para seres celestiais; e para que o Senhor nosso Deus venha e habite sobre ela, o que fará durante o Milênio.

Os princípios do evangelho que o Senhor revelou nestes dias hão de nos conduzir à vida eterna. É isto que buscamos; para isto fomos criados, para isto a terra foi criada. A razão de estarmos aqui é que possamos vencer toda tolice e nos prepararmos para a vida eterna no futuro. Não penso que um princípio de salvação seja proveitoso senão à medida que é aplicado em nossas vidas. Por exemplo, se há um princípio calculado, em sua natureza, para me salvar da pena de algum crime, de nada me aproveitará a menos que eu o pratique neste momento. Se o faço, e continuo a fazê-lo, pratico o princípio da salvação, e estou seguro da pena daquele crime, e assim permanecerei para sempre, enquanto eu observar aquele princípio ou lei. É exatamente assim com os princípios do evangelho — são um benefício ou não, conforme sejam ou não aplicados em nossas vidas.

Então, sejamos fiéis e humildes; vivamos a religião de Cristo, deixemos de lado nossas tolices e pecados e as fraquezas da carne, e apeguemo-nos a Deus e sua verdade com corações indivisos, e com plena determinação de pelejar a boa peleja da fé e permanecer firmes até o fim, o que Deus nos conceda poder para fazer é minha oração, em nome de Jesus: Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “O Testemunho dos Santos dos Últimos Dias — Seus Deveres — O Testemunho do Espírito de Deus”, (1868-11-15). Pulpit Vault, 1868-11-smith-jf-the-testimony-of-the-latter-day-saints-their-duties-the-testimony-of-the-spirit-of-god. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).