Missões do Sul — Alfabeto Deseret — Sociedades de Socorro — Manufaturas Domésticas
Brigham Young
Desejo dizer àqueles que foram chamados a ir à missão do Sul que espero que alguns deles não possam ir convenientemente; se assim for, poderão ser dispensados tal como outros já foram. Creio que chamamos cerca de cento e setenta e cinco há um ano para irem à missão do Sul. Daqueles que responderam a esse chamado e foram para o sul, doze ou quinze permaneceram; o restante voltou, não sei se para ver suas mães ou não. Esperamos que alguns saiam desta companhia, e que alguns daqueles que foram chamados no ano passado retornem. Temos nossas razões para pedir aos irmãos que vão àqueles novos assentamentos; se não conhecem as razões agora, que esperem até conhecê-las. Contamos em nos espalhar, e, quando tivermos colonizado um vale, contamos em colonizar outro. Estamos nos assentando ao norte, ao sul, ao leste e ao oeste, e pretendemos continuar assim. Há alguns que serão dispensados. Um dos irmãos se dispensou sob o argumento de que está construindo um celeiro para si. Ora, isto é tão razoável que penso que o dispensaremos, ao menos até que ele o termine. Talvez encontremos alguns que se casaram, outros que compraram uma junta de bois, e por causa disso não podem ir. ¶
Não há necessidade de os irmãos partirem apressados. Podem descer neste outono, permanecer durante o inverno, e estarem prontos para a primavera. Dispensaremos aqueles que devem ser dispensados, e especialmente se estiverem construindo celeiros. Quanto àqueles que estiveram lá e partiram, esperamos ver o tempo em que desejarão ter ficado; e que aqueles que foram chamados e não foram desejarão ter ido. ¶
Há alguns itens que desejo apresentar à Conferência antes de a encerrarmos, o que penso que faremos quando terminarmos nossa reunião esta tarde. Um destes itens é apresentar à congregação o Alfabeto Deseret. Temos agora muitos milhares de pequenos livros, chamados primeira e segunda cartilhas, adaptados para fins escolares, a caminho desta cidade. Assim que chegarem, vamos distribuí-los por todo o Território. Desejamos introduzir este alfabeto em nossas escolas, por conseguinte damos este aviso público. Temos contemplado isso há anos. As vantagens deste alfabeto logo serão percebidas, especialmente pelos estrangeiros. Os irmãos que chegam aqui sem conhecer nada da língua inglesa acharão sua aquisição grandemente facilitada por meio deste alfabeto, pelo qual todos os sons da língua podem ser representados e expressos com a maior facilidade. Como esta é a grande dificuldade que os estrangeiros experimentam ao aprender a língua inglesa, verão que o conhecimento deste alfabeto facilitará grandemente seus esforços para adquirir ao menos uma educação parcial em inglês. Também será muito vantajoso para nossos filhos. Será o meio de introduzir uniformidade em nossa ortografia, e os anos que agora são necessários para aprender a ler e soletrar poderão ser dedicados a outros estudos. ¶
Desejo chamar a atenção de nossas irmãs para nossas Sociedades de Socorro. Temos a satisfação de dizer que muitas delas têm feito muito. Desejamos que continuem e progridam. Durante esta Conferência, muitas das senhoras usaram chapéus de palha muito bonitos, de manufatura caseira. Isto é louvável, e este rumo deveria ser perseverado, até que nossos chapéus e vestidos sejam obra de nossas próprias mãos. A meu ver, nenhum enfeite para um chapéu parece mais bonito do que uma boa roseta, laço ou botão de palha; parece melhor do que uma pena ou flor artificial. Em nossas Sociedades de Socorro desejamos introduzir muitas melhorias. Desejamos que nossas irmãs de experiência ensinem as jovens a não serem tão ansiosas pela gratificação de seus desejos imaginários, mas a se restringirem mais às suas necessidades reais. A fantasia não tem limites, e frequentemente penso que ela é sem forma nem beleza. Estamos demasiado propensos a ceder à imaginação de nossos corações, mas, se formos guiados pela sabedoria, nosso juízo será corrigido, e descobriremos que podemos melhorar muito. Podemos melhorar a linguagem que usamos. Quero que meus filhos usem linguagem melhor do que eu às vezes uso. Contudo, tenho pensado, como o profeta Joseph disse, que, quando falamos a um povo ou a uma pessoa, é preciso usar linguagem que represente nossas ideias, para que sejam lembradas. Quando desejais que o povo sinta o que dizeis, tendes de usar linguagem de que se lembrarão, ou então as ideias se perdem para eles. Por conseguinte, em muitos casos usamos linguagem que preferiríamos não usar. Ao falar a um povo refinado, deveríamos usar linguagem refinada. Quando nos tornarmos perfeitamente civilizados, deixaremos de lado toda expressão grosseira. Deveríamos corrigir nossos filhos nestes assuntos, e ensinar-lhes boa linguagem. Gostaria de instar com meus irmãos e irmãs a necessidade de fazer isso. Deveríamos incutir nas mentes de nossos filhos boas ideias e princípios. Se lhes ensinamos que há profetas e apóstolos agora na terra, ensinamos-lhes a verdade. Se lhes ensinamos que a Bíblia é verdadeira, será muito salutar para eles crerem nisso; mas, em vez de lhes ensinar que ela exige uma explicação espiritual, feita por homens não dotados do Espírito de Deus, ensinai-lhes que tal noção é incorreta, e que, se a palavra de Deus não significa o que diz, nenhum homem ou mulher pode explicá-la sem uma revelação direta do Céu. ¶
Desejamos introduzir nesta comunidade manufaturas e manufaturação de modo tão completo que o povo se considere sob obrigação de se alimentar e se vestir. Muitos de nós temos o hábito de fazer apenas aquilo que gostamos de fazer, ou de ficar sentados de braços cruzados, confiando que outros nos alimentarão e vestirão. É dever do marido prover para a esposa ou esposas e filhos, e é dever da esposa ou esposas e filhos ajudar o marido e pai tanto quanto puderem. Se se exige do pai ou marido que forneça farinha a suas esposas e filhos, exige-se igualmente das esposas, irmãs e filhas que sejam cuidadosas no uso dessa farinha e vejam que não seja desperdiçada. Se é dever do marido ou pai fornecer tecido à sua família para se vestir, é dever delas ver que esse tecido seja cortado e feito com prudência e não desperdiçado. É uma vergonha para uma comunidade arrastar seu tecido na sujeira. Quantas mulheres há aqui hoje que caminharam até este Tabernáculo sem espalhar sujeira a cada passo que davam, não só sobre si mesmas, mas sobre aqueles que caminhavam perto delas? Eu as evito; quando as vejo chegando, procuro seguir em outra direção para evitar sua poeira. Já tenho o bastante dela sem recebê-la delas. Se há algum incômodo no caminho, com certeza limpam parte dele com seu vestido, e depois o arrastam para seu tapete ou para os quartos, distribuindo-o por toda a casa. Isto é uma vergonha para elas. Não é dever de meus irmãos comprar tecido para ser arrastado por estas ruas, e a esposa ou filha que não cessar de arrastar seu vestido por elas deveria tê-lo cortado mais curto. Tenho suportado isso, e também meus irmãos, até que o dever exija que ponhamos um fim nisso. Tenho expostulado educadamente com minhas esposas e filhas sobre este assunto. Perguntei-lhes se pensam que fica bonito, e me disseram que sim, sendo sua razão para pensar assim que outra pessoa o usava assim. Esse é todo o argumento que se pode trazer em seu favor. Não há razão alguma no mundo para que um vestido fique bem arrastando pelas ruas. ¶
Por outro lado, direi, senhoras, se vos pedirmos que façais vossos vestidos um pouco mais curtos, não sejais extravagantes e não os corteis tão curtos que possamos ver o topo de vossas meias. Trazei-os até o topo de vossos sapatos, e fazei-os de modo que possais caminhar e livrar-vos da poeira, e não exponhais vossas pessoas. Tende vossos vestidos asseados e decorosos, e conduzi-vos, no sentido mais estrito da palavra, em castidade. Se fizerdes isso, dareis um bom exemplo diante da geração ascendente. Usai boa linguagem, vesti roupas decorosas e agi em todas as coisas de modo que possais respeitar a vós mesmas e umas às outras. Desejamos que vos lembreis e ponhais em prática estes conselhos. ¶
Podeis vós, senhoras, manufaturar toucas para vós mesmas e vossas filhas, e chapéus para vossos maridos, filhos e irmãos? Sim, podeis, e nos poupar dezenas de milhares de dólares. ¶
Pergunto-me se há alguma pessoa em nossa comunidade que entenda de manufaturar seda. Temos alguma seda crua à mão que poderia ser manufaturada se encontrarmos pessoas que entendam do negócio. Estou agora construindo uma casa que será suficiente para conter um milhão de bichos-da-seda no próximo ano; tem cem pés de comprimento no vão livre, e vinte de largura. Calculo enchê-la de bichos na próxima estação, e fazer seda. Vou convidar alguns dos irmãos para transformar esta seda em fio, e tingi-la e tecê-la. Podemos fazer nosso próprio fio e torção tão facilmente quanto podemos comprá-lo. Nunca vi seda de costura melhor do que a que uma vez comprei de uma irmã aqui, de sua própria manufatura. Gostaria de encontrar alguém que saiba manejar os bichos, e dobrar, torcer, dobar e tecer a seda. ¶
Ao cessarmos a tola prática de que há tanto tempo temos sido culpados — a saber, trocar nossos produtos nas lojas por cada pequena coisa que pensamos precisar — nos forçaremos à necessidade de nos sustentarmos. Se seguirmos este rumo e vivermos nossa religião, pensais que seremos respeitados? Sim. Frequentemente nos dizem que o mundo está aumentando em iniquidade. Queremos que os Santos aumentem em bondade, até que nossos mecânicos, por exemplo, sejam tão honestos e confiáveis que esta Companhia Ferroviária dirá: "Dai-nos um élder mórmon para maquinista, e então ninguém precisará ter o menor temor de viajar, pois, se ele souber que há perigo, tomará todas as medidas necessárias para preservar as vidas daqueles confiados aos seus cuidados." Quero ver nossos élderes tão cheios de integridade que sejam preferidos por esta Companhia para seus construtores de máquinas, vigias, maquinistas, escriturários e gerentes de negócios. Se vivermos nossa religião e formos dignos do nome de Santos dos Últimos Dias, somos exatamente os homens a quem todo esse negócio pode ser confiado com perfeita segurança; se não puder, isso provará que não vivemos nossa religião. ¶
Algumas palavras a respeito de nosso Fundo de Emigração. Vamos continuar nossas doações a este fundo. Começamos nossas novas inscrições aqui na noite de terça-feira, e quanto pensais que somaram? A dois mil dólares. Foi um começo bastante bom. Quantos nomes pensais que foram necessários para essa soma? Apenas dois — mil dólares cada um. Agora, irmãs, fazei como fizestes no ano passado — poupai o dinheiro que geralmente gastais em chá, café e fitas, e deixai-nos usá-lo para mandar buscar os pobres. Fizemos notavelmente bem no ano passado, embora nossas perspectivas não fossem muito animadoras no início. No dia 1º de fevereiro, quando pensávamos em enviar nossos agentes ao Leste, tínhamos nove mil dólares, mas no dia 17 do mesmo mês, quando os irmãos Clawson e Staines partiram, tínhamos pouco mais de vinte e nove mil. Quando os irmãos disseram: "Como ousais pensar em mandar buscar os pobres, se não estamos obtendo recursos?" respondi: "Vamos mandar buscá-los e confiar em Deus quanto aos recursos." E os recursos vieram rapidamente. Os irmãos e irmãs trouxeram seus cinco dólares, seus dez, cinquenta, cem, e seus milhares, e os pobres foram reunidos. Os Irmãos Walker deram mil dólares, e serão abençoados por isso, ainda que não desejemos negociar com eles. Outros de nossos comerciantes também contribuíram liberalmente. Os pobres são merecedores disso. Por quê? Porque foi deles que obtiveram seus recursos. Os comerciantes desta cidade obtiveram centenas de milhares de dólares dos pobres, e se lhes devolverem um pouco, isso não é mais do que lhes é devido. ¶
Como nossos amigos, os comerciantes de fora, vão reclamar por deixarmos de negociar com eles! Não podemos evitá-lo. Não é nosso dever fazê-lo. Nossa política a este respeito, até agora, tem sido uma das mais tolas do mundo. Doravante deve ser deixar este comércio de lado, e poupar nossos recursos para outros propósitos que não enriquecer os forasteiros. Devemos usá-los para espalhar o Evangelho, reunir os pobres, construir templos, sustentar nossos pobres, construir casas para nós mesmos, e converter estes recursos a um uso melhor do que dá-los àqueles que os usarão contra nós. ¶
Temos falado muito aos irmãos e irmãs a respeito de nos sustentarmos e de cessar este comércio externo. Agora, que dizeis, estais a favor disso tanto quanto nós? Somos de um só coração e uma só mente quanto a este assunto? Podemos obter o que desejamos mandando buscá-lo nós mesmos em Nova York, assim como deixar que outros o mandem buscar para nós. Temos habilidade e capacidade para negociar tudo o que precisamos; e, se tivermos de mandar buscar no exterior, podemos enviar nossos agentes para comprar e trazer para casa o que precisamos. Meu sentimento é que todo homem e mulher que não obedecer a este conselho seja separado da Igreja, e que todos os que sentem como eu levantem a mão direita. [A votação foi unânime.] Isso foi uma votação bastante boa. Aqueles que sentem de outra forma têm o privilégio de levantar a mão para significar o mesmo. Suponho que estava bem perto de estar certo. Joseph costumava dizer: "Quando conseguirdes que os Santos dos Últimos Dias concordem em qualquer ponto, podeis saber que é a voz de Deus." Já sabia disso antes, mas agora está provado a todo o povo. ¶
Achará a nação alguma falta em nós por isso? Não. Achará o mundo comercial alguma falta? Não; dirão: "Este é o primeiro traço no caráter 'mórmon' que já vimos digno de nota; é louvável, e serão abençoados." É isso o que dirão. Ora, quase não há homem decente que venha aqui sem dizer: "Por que não fazeis vós mesmos, 'mórmons', o vosso próprio comércio? Por que sustentais os forasteiros? É a coisa mais impolítica que podeis fazer." ¶
Desejo dizer à Conferência que, por minha parte, me sinto bem satisfeito com nossos trabalhos. Temos trabalhado diligentemente para santificar a nós mesmos e ao povo. Se conseguirmos fazer isso, estaremos preparados para herdar a vida eterna na presença de nosso Pai. Direi a todo o povo, aos que estão na igreja e aos que estão fora, quero que se compreenda claramente que, se nós — isto é, eu mesmo, meus conselheiros e meus irmãos os Doze Apóstolos, e todos os que estão de coração e mãos conosco — conseguirmos fazer com que este povo se una em seus sentimentos para se sustentar e deixar em paz as outras pessoas, será um dos dias mais orgulhosos de nossas vidas. Espalhamos isto ao mundo. Prouvera a Deus que tivéssemos influência suficiente para induzir todos os habitantes da terra a ouvir e obedecer à voz de Deus por meio de Seus servos, a se arrependerem de seus pecados, serem batizados para a sua remissão, e viverem para a glória de Deus, para que pudessem receber a vida eterna. Oro para que esta seja a nossa sorte, e o peço em nome de Jesus. ¶
Esta Conferência está agora encerrada até o dia 6 de abril próximo. ¶