Como Se Preparar para a Vinda do Filho do Homem—Os Santos Têm Prazer em Fazer a Vontade de Deus—Direção Correta do Trabalho e do Talento—Os Filhos dos Santos, Herdeiros do Sacerdócio
Brigham Young
Sou grato pelo privilégio de novamente reunir-me com os Santos nesta cidade, pelo privilégio de falar-lhes e de ouvir outros falarem; e, de fato, sou feliz nesta vida, que é excelente, cumprindo o propósito para o qual foi ordenada—um estado de existência em que nos preparamos para um reino melhor e uma vida melhor. Estamos agora num dia de provação, para provarmos se somos dignos ou indignos da vida que há de vir. Temos razão para sermos gratos por o Senhor nos ter dado esta oportunidade e privilégio de receber a verdade e agir de acordo com ela para nosso próprio bem, o privilégio de crescer em conhecimento e em sabedoria, em entendimento e em todas as coisas pertencentes a esta vida e à que há de vir. Frequentemente penso que somos alunos lentos, lerdos para compreender as coisas como são, lerdos para crer e lerdos para agir corretamente. Frequentemente agimos sem sabedoria, e frequentemente falamos sem consideração, causando aflição e tristeza a nossos corações. Mas estamos aqui nesta vida para aprender; estamos numa grande escola, e se formos diligentes e fiéis, e fervorosos em nossos estudos, então temos esperança de estarmos preparados para entrar numa existência em que receberemos mais do que podemos receber neste estado—em que poderemos adotar em nossas vidas princípios de exaltação e progresso mais depressa do que aqui. Apliquemos nossas mentes à sabedoria nesta vida. ¶
Os Santos dos Últimos Dias que habitam nestes vales deixaram tudo para se reunirem com os Santos, e com o propósito expresso de se prepararem para a vinda do Filho do Homem. Quando consideramos isto, e depois consideramos como gastamos nosso tempo—o precioso tempo que nos é concedido nesta vida—para mim é motivo de espanto. Homens e mulheres, por causas insignificantes, naufragam na fé, perdem o espírito do Evangelho, perdendo o objetivo pelo qual deixaram seus lares e seus amigos. Todos buscamos a felicidade; esperamos por ela, pensamos que vivemos para ela, é nosso objetivo nesta vida. Mas vivemos de modo a desfrutar da felicidade que tanto desejamos? Há apenas um caminho para os Santos dos Últimos Dias serem felizes, que é simplesmente viverem sua religião, ou em outras palavras, crerem no Evangelho de Jesus Cristo em todas as suas partes, obedecendo ao evangelho da liberdade com todo o propósito do coração, o qual verdadeiramente nos liberta. Se, como comunidade, obedecermos à lei de Deus e cumprirmos as ordenanças da salvação, então poderemos esperar encontrar a felicidade que tanto desejamos; mas, se não seguirmos este caminho, não poderemos desfrutar da felicidade sem mescla que se encontra no Evangelho. Professar-se Santo e não desfrutar de seu espírito prova cada fibra do coração, e é uma das experiências mais dolorosas que o homem pode sofrer. Que os Santos dos Últimos Dias não se enganem a si mesmos, que não sigam um caminho que traga tristeza a seus corações em vez de alegria e paz. Que não se lisonjeiem de que receberão a salvação no reino de Deus enquanto vivem na negligência de seus deveres. A menos que vivamos nossa religião e nos santifiquemos pela lei de Deus, lisonjeamo-nos em vão de que seremos feitos instrumentos nas mãos de Deus para preparar o caminho para a vinda do Filho do Homem, para a redenção de Sião segundo as palavras dos profetas, para a redenção da terra, para o ajuntamento dos filhos de Israel às terras de seus antepassados, para a introdução da plenitude dos gentios e o reinado da paz universal. Estes são assuntos sérios para mim, e deveriam ser vistos como tais por todo o povo. ¶
É verdade que somos fracos, débeis, frágeis e propensos a nos desviar dos caminhos da retidão. Estamos sujeitos à vaidade, ainda que seja nosso dever sujeitar à lei de Cristo todos os poderes de nossa natureza. Se assim subjugarmos o homem ímpio que há em nós, santificando o Senhor Deus em nossos corações, poderemos então começar a desfrutar da gloriosa esperança de nos unirmos à multidão que será reunida com os santificados, e de estarmos preparados para a vinda do Filho do Homem, quando se dirá: "Eis que vem o noivo, saí-lhe ao encontro." Ora, enganaremos a nós mesmos e nos acharemos entre as virgens loucas, sem óleo em nossos vasos; e, quando o trigo e o joio forem separados, serei achado joio ou trigo? Façamos a nós mesmos a pergunta: sou eu trigo ou joio? A prova de sermos joio ou trigo pode ser vista em nossas vidas, como está escrito: "Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe." E ainda: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." Esta é a prova—guardar os mandamentos, observar as ordenanças e preservar inviolados os institutos da Igreja de Cristo, fazendo tudo o que nos é exigido, como para o Senhor, santificando-nos diante Dele, e "nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Seguindo este caminho, nenhuma pessoa que seja verdadeiro seguidor de Cristo ficará sem testemunho, pois "se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Estou convencido de que nenhum homem pode viver fielmente segundo as exigências do céu sem ter o testemunho do Espírito de que é nascido de Deus; mas, se não vive assim, não tem tal certeza, pois o Senhor não está obrigado a dar-lhe o testemunho do Espírito; porém, se viver como Ele exige, Ele lhe cumprirá Sua promessa. Ele está obrigado a isto segundo Sua própria palavra a Seus filhos, de que lhes enviaria o espírito de promessa, o próprio Espírito Santo, que lhes mostrará as coisas que hão de vir. ¶
Quando falo aos Santos, incluo a mim mesmo. Professo-me Santo com o restante de meus irmãos e irmãs, e minha vida pública e privada é a prova de se sou verdadeiramente Santo ou não. Isto não é tudo, mas o espírito que possuo e comunico ao povo é outra prova, e o espírito que possuís e comunicais a vossos vizinhos é a prova pela qual sois conhecidos, assim como sucede comigo. Se andarmos em obediência aos convênios que fizemos com Deus e uns com os outros, temos a certeza de que não mais andaremos nas trevas, mas na luz da vida—na luz do semblante de nosso Pai celestial. Então poderemos testemunhar que somos nascidos de Deus, e testificar de Jesus como sendo o Filho de Deus, o unigênito do Pai, cheio de graça e verdade; e então poderemos fortalecer nossos irmãos, e estamos preparados para falar a verdade a um mundo ímpio e chamá-lo ao arrependimento, e a abandonar seus pecados, retornar ao Senhor, buscar a salvação e fazer as pazes com Deus antes que seja tarde demais. ¶
Muitas pessoas boas, que possuem muito do espírito do Senhor, são naturalmente propensas a duvidar, tendo tão pouca confiança em si mesmas que às vezes duvidam se são realmente Santos ou não. Estas frequentemente duvidam quando não deveriam. Enquanto andarem humildemente diante de Deus, guardando Seus mandamentos e observando Suas ordenanças, sentindo-se dispostas a dar tudo por Cristo e fazer tudo o que promova Seu reino, jamais precisam duvidar, pois o Espírito lhes testificará se são de Deus ou não. Há alguns que estão sempre temerosos, trêmulos, duvidosos, vacilantes, e ao mesmo tempo fazendo tudo o que podem pela promoção da retidão. Contudo, duvidam se estão fazendo o melhor bem possível, e temem e falham aqui e ali, e duvidarão de sua própria experiência e do testemunho do Espírito para eles. ¶
Já que agora participamos dos emblemas do corpo e do sangue do Salvador, referir-me-ei a esta ordenança da casa de Deus, e pedirei aos Santos dos Últimos Dias que se lembrem de seus próprios sentimentos a este respeito, como testemunho de sua fé e certeza. Tendes prazer em participar do sacramento da ceia do Senhor? Reunir-vos-íeis aqui, sábado após sábado, com o propósito expresso de participar do pão partido e desta água que foi preparada, como testemunho a Deus, nosso Pai, de que recebemos o Evangelho de Seu Filho, de que temos prazer em Suas palavras e em guardar Seus mandamentos e exigências, testificando assim a nosso Pai Celestial, e a Seu Filho Jesus Cristo, que somos discípulos de Jesus? Deixaríeis vossos lares nas partes distantes da cidade para dar este testemunho e comparecer a uma reunião para observar esta ordenança? A grande maioria deste povo o faria, sábado após sábado, mês após mês e ano após ano, se fosse inteiramente deixada à sua própria escolha, sem a interferência de bispos e mestres, ao passo que poucos considerariam não conveniente comparecer à reunião, porque o testemunho do Espírito não está neles. Além disso, temos prazer em invocar o Pai em nome de Jesus—é nossa alegria e felicidade fazê-lo? Cremos que Ele ouvirá nossas orações, e que receberemos benefício de nossas petições a Ele em nome de Jesus? Confiamos Nele, e conhecemos Seu caráter em ao menos algum grau? Temos algum conhecimento Dele? Respondamos a estas perguntas em nossas próprias mentes, para que possamos verificar se realmente temos prazer em nos curvar diante Dele para pedir as coisas de que necessitamos, e buscar Nele Seu Espírito para nos guiar e nos preservar de todo perigo, para que não vagueemos por caminhos ilícitos e proibidos nem caiamos pelo caminho, mas sejamos mantidos constantemente na senda estreita que conduz à vida eterna. É nosso prazer fazer o bem a nossos semelhantes, viajando para longe de nossos lares e amigos para pregar o evangelho a um mundo perecedouro? Isto se aplica aos Élderes de Israel, e também às mães, filhas e filhos desses Élderes. Têm eles prazer em separar-se de seus maridos para que estes possam ir e chamar as nações ao arrependimento de seus pecados? É alegria para elas suportar os encargos de uma família na ausência de seus maridos, preservando tudo o que estes deixaram? É prazer para os Élderes viajar entre as nações sem bolsa nem alforje, viajando de povo a povo e de vizinhança a vizinhança, submetendo-se ao dedo de escárnio e ao abuso dos ímpios e iníquos? ¶
Direi aqui, contudo, que tenho sido tratado com bondade ao viajar entre estranhos para pregar este evangelho. Não sei que jamais tenha pedido uma refeição sem obtê-la. Ainda assim, tenho visto o suficiente da experiência de outros para conhecer os verdadeiros sentimentos, e para compreender os desejos dos ímpios a respeito dos Élderes de Israel. Não lhes desejam bem algum. ¶
Se puderdes responder afirmativamente a estas perguntas, é testemunho para vós de que tendes prazer nas coisas de Deus, de que tendes prazer em edificar Seu reino, de que tendes prazer em Sião do Senhor conforme estabelecida nos últimos dias. A resposta de todo coração fiel a estas perguntas é—Sim, tenho prazer nestas coisas, e estas são outras tantas evidências de que são de Deus. Temos prazer em alimentar os pobres e vestir os nus? Sim, temos. Sou feliz em minhas reflexões, é motivo de satisfação contemplar os fatos como são, e posso dizer com verdade que tenho feito mais, provavelmente cem vezes mais, por meus inimigos, alimentando-os, vestindo-os e hospedando-os, e fazendo-lhes o bem, do que todos eles jamais fizeram por mim. Já passou algum ministro de religião por este país e lhe foi negado o privilégio de falar em qualquer de nossos lugares de adoração? Não. Pode o mais vil dos vis entrar numa casa pertencente a um Santo dos Últimos Dias e queixar-se de padecer fome, e ser despedido sem ser suprido? Não importa se é cristão, pagão ou judeu; pode pernoitar e ser feito tão confortável quanto a família possa fazê-lo, e pode partir em paz e segurança. Podem os Élderes de Israel dizer isto do mundo? Não podem. ¶
Seja isto crédito meu ou não, isso é com o Senhor, mas Ele me deu a capacidade de que sempre que desejei receber favores daqueles que não me conheciam, eu os obtive. Sei que é costume de muitos Élderes dizer: "Sou Élder 'mórmon'; podeis hospedar-me por esta noite?" e são imediatamente afastados das portas do estranho. Seja isto crédito meu ou não, nunca lhes disse que era Élder "mórmon" até obter o que desejava. Assim me hospedei em muitas casas, e tive o privilégio de apresentar os princípios de nossa religião, e eles exclamaram: "Ora, se isto é mormonismo, minha casa será vosso lar enquanto permanecerdes nesta vizinhança," quando, talvez, se eu tivesse dito de início "Sou Élder 'mórmon'," teriam me recusado sua hospitalidade. Posso dizer ao mundo que me trataram bastante bem, e não tenho queixa alguma a fazer deles quanto a isso. Já fui maltratado algumas vezes por padres, mas em tais ocasiões sempre estive pronto a defender a causa da retidão e a pregar o evangelho a todos. Os Élderes de Israel receberam mais bondade das porções incrédulas da humanidade por onde viajaram do que daqueles que professam o cristianismo. ¶
Milhares dos Élderes de Israel que agora ocupam estes vales estão dispostos, se convocados, a deixar suas famílias e lares para ir pregar o Evangelho ao mundo inteiro, e serem maltratados, e expulsos, e sofrerem pobreza e necessidade pelo Evangelho. Não é isto testemunho de que estais certos diante de Deus? É. Estais dispostos a alimentar e vestir os necessitados, e a enviar meios de vossos parcos recursos a terras estrangeiras para recolher os Santos pobres daqueles países antigos; e é maravilhoso a meus olhos o que o povo tem feito nos poucos meses passados. Por volta de 5 de fevereiro último, descobrimos que só conseguíamos arrecadar cerca de oito a nove mil dólares para enviar à Europa para os pobres. Os Élderes Hiram B. Clawson e Wm. C. Staines partiram para Nova Iorque no dia 17 daquele mês. Na última Conferência tive fé de que o Senhor nos favoreceria e multiplicaria os meios. Quando chegou o momento de enviar os meios que tínhamos, pudemos enviar 25.000 dólares com os irmãos. Estes meios foram contribuídos em pequenas quantias; mas é maravilhoso como vieram. Exercemos fé neste assunto, e agora podemos enviar mais 25.000 dólares, e ainda não tocamos num alqueire de trigo nem em cem libras de farinha nem num animal que tenha sido entregue, e os meios continuam a vir, e vêm cada vez mais, e continuarão a dar até que a emigração termine. Isto é testemunho para o povo de que estão certos diante do alto Céu nestas coisas, de que os Élderes estão certos ao irem pregar, de que suas esposas, mães e filhas estão certas em preservar seus meios e propriedade da dissipação na ausência de seus guardiões naturais. Estão certos se têm prazer em vir à reunião para participar do sacramento, e em curvar-se diante do Senhor e adorá-Lo. Estão certos em alimentar os pobres e em pagar seu dízimo. ¶
Direi aqui aos Santos dos Últimos Dias: se alimentardes os pobres com coração disposto e mão pronta, nem vós nem vossos filhos jamais serão achados mendigando pão. Nestas coisas o povo está certo; está certo em estabelecer Sociedades de Socorro Feminino, para que o coração da viúva e do órfão possa ser alegrado pelas bênçãos que lhes são derramadas tão abundante e tão livremente. E, visto que abraçamos a plenitude do Evangelho com corações honestos, o Senhor jurou por Si mesmo que nos salvará se continuarmos obedientes à Sua vontade. É nosso privilégio buscá-Lo e obter Seu Espírito para testificar-nos continuamente a respeito de nossos trabalhos e obras, para que sempre saibamos se estamos na linha de nosso dever ou não. ¶
Este é o evangelho; este é o plano de salvação; este é o Reino de Deus; esta é a Sião de que falaram e escreveram todos os Profetas desde o princípio do mundo. Esta é a obra de Sião que o Senhor prometeu trazer à luz. Estamos certos quando oramos por nossos vizinhos, por nossos irmãos e amigos, e por nossos inimigos. Estamos certos quando nos esforçamos para nos tornar de um coração e uma mente. Estamos certos quando somos humildes diante do Senhor, quando estamos tão dispostos a perdoar quanto a sermos perdoados. Estamos certos em educar nossos filhos, e, ao mesmo tempo em que nos esforçamos por sermos instruídos em todo ramo útil de uma educação inglesa, sejamos também versados em todo atributo moral e físico; aprendamos a cuidar de nós mesmos e a preservar a nós mesmos e a nossos amigos, a plantar, a colher, a edificar e a embelezar. ¶
Os Santos nestas montanhas são um povo robusto e vigoroso. Têm grande capital de osso, músculo e tendão à disposição. Quando este não é empregado no estabelecimento e na manutenção de diversas indústrias, em trabalho prudente e econômico, com o empregado fazendo justiça ao empregador, trabalhando para fazer o bem para seu próprio benefício e para o benefício do Reino de Deus, reunindo à sua volta em abundância os confortos da vida, o grande capital que Deus nos deu como indivíduos e como povo é desperdiçado. Isto me lembra o que disse ao povo de Provo. Naturalmente talvez esperassem que se tornariam mais prósperos como cidade pelo dinheiro que lhes levaríamos. Disse-lhes que não trazíamos senão conhecimento para dirigi-los em seus trabalhos e ensinar-lhes a empregar seu tempo. Esta é a maior riqueza que possuímos—saber dirigir corretamente nossos trabalhos, empregando cada hora vantajosamente em benefício de nossas esposas, filhos e vizinhos. Isto é correto e louvável; é exigido por Aquele a quem dizemos servir, e é o único caminho verdadeiro para cumprir honestamente a missão que aqui temos sobre a terra. Não deveríamos apenas aprender os princípios de educação conhecidos da humanidade, mas deveríamos ir além disto, aprendendo a viver de modo que nossas mentes recolham informação dos céus e da terra até que possamos incorporar em nossa fé e entendimento todo conhecimento que seja útil e praticável em nossa condição presente e que conduza à vida eterna. ¶
Ó sábios do mundo, vós que professais saber guiar os destinos de grandes nações, vós reis e potentados, vós imperadores e governantes, qual de vós poderia tomar um povo tão pobre e tão ignorante nos assuntos deste mundo quanto eram os Santos dos Últimos Dias quando estavam espalhados entre as nações, e reuni-los, organizá-los política e religiosamente, e mostrar-lhes como se tornarem saudáveis, ricos e sábios como este povo? Estadistas e governantes podem devastar e destruir, mas qual deles pode edificar, enriquecer e salvar a nação? Não se acham. Não dão evidência alguma de possuir tal capacidade, pois a prova da capacidade dos homens de governar e administrar são suas obras. Disse-lhes em Provo que lhes ensinaria a se tornarem ricos, não desperdiçando tempo, e dispondo sabiamente de toda capacidade que Deus lhes deu para fazer o bem. ¶
Não tenho falado do mal, e desejo nunca ter ocasião de o fazer, para que jamais tenha ocasião de encontrar falta em Israel outra vez. É o bem em que tenho prazer em me deter, promover e encorajar. Tenho prazer em ver os habitantes de Sião crescerem em boas obras, em fé e fidelidade, e deixarem o pecado para trás, enquanto avançam valorosos e fortes no serviço de Deus. Se atendermos ao conselho, seremos o melhor povo do mundo; seremos como uma luz brilhante posta sobre um monte que não se pode esconder, ou como uma vela sobre um candeeiro. Declaramos a todos os habitantes da terra, desde os vales no alto destas montanhas, que somos a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias—não uma igreja, mas a igreja—e temos a doutrina de vida e salvação para todos os de coração honesto em todo o mundo. Quem mais a possui? Encontra-se nos credos da Cristandade? Não se encontra. Temos os oráculos vivos do Senhor Todo-Poderoso para nos guiar dia após dia. Em vista destas coisas, deveríamos ser exemplares em todos os nossos atos. Podemos fazer grandes obras para o bem dos pobres, podemos dar todos os nossos bens para alimentá-los, e nossos corpos para serem queimados pela obra de Deus, mas se brincarmos com o sagrado nome do Senhor, e com nossa própria salvação, isso não nos aproveitará de nada, e seremos achados em falta, sem óleo em nossos vasos no grande dia do Senhor. ¶
Sumos Conselheiros, tendes alguma provação diante de vós? "Sim." Têm os irmãos se queixado uns dos outros? "Sim." Estão seus sentimentos alienados uns dos outros? Há espírito de partido manifestado no Conselho? "Às vezes." Saem os irmãos satisfeitos com as decisões do Conselho? Bispos, tendes alguma provação? Estão alienados os sentimentos dos irmãos em vossas Alas? "Sim." Que deveriam fazer em tais casos? Deveriam seguir as regras estabelecidas, e reconciliar-se com seus irmãos imediatamente. Penso que se pode demonstrar que a grande maioria das dificuldades entre irmãos surge de mal-entendidos, e não de malícia e coração perverso, e, em vez de conversarem o assunto uns com os outros em espírito santo, contendem uns com os outros até que se crie uma falta real, e trazem sobre si um pecado. "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai, reconcilia-te primeiro com teu irmão, e depois vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao guarda, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil." Quando fizemos o bem noventa e nove vezes e então cometemos um mal, quão comum é, meus irmãos e irmãs, olhar para aquele único mal o dia todo e nunca pensar no bem. Antes de julgarmos uns aos outros, deveríamos olhar para a intenção do coração, e, se for má, então castiguemos esse indivíduo, e sigamos um caminho que o traga de volta à retidão. ¶
Quero que aprendais tudo o que puderdes, e ensineis a vossos vizinhos, dando-lhes toda a informação que puderdes. Quando vejo um irmão ou uma irmã recusar-se a compartilhar conhecimento, sei que há algo errado no coração dessa pessoa. Estou aqui para fazer o bem, e para ensinar meus irmãos e irmãs a se santificarem, a obterem seu alimento, a construírem cidades e fazerem fazendas, a ensiná-los a acumular conhecimento e depois dispensá-lo a todos. ¶
Espero ver o tempo em que teremos uma reforma na ortografia da língua inglesa entre este povo, pois é grandemente necessária. Tal reforma seria de grande benefício, e tornaria a aquisição de uma educação muito mais fácil do que atualmente. Digo a pais e mães: nunca digais uma palavra que não estivésseis dispostos a que vosso filho ou vossa filha dissesse, nem cometais um ato que não sancionaríeis em vosso filho ou vossa filha, e assim andai diante de vossos filhos para que estejam preparados, por vosso exemplo, a andar nos caminhos da vida eterna, e deles não se desviarão; e se, apesar de vosso exemplo, se tornarem rebeldes em seus sentimentos e insubordinados, logo verão a insensatez de seus caminhos e se voltarão a seus pais e reconhecerão suas faltas, e novamente desejarão ser festejados à mesa de seu pai. Os pais nunca deveriam forçar seus filhos, mas conduzi-los, dando-lhes conhecimento à medida que suas mentes estiverem preparadas para recebê-lo. Salomão escreveu: "O que poupa a sua vara odeia seu filho, mas o que o ama prontamente o castiga." Não penso que estas palavras de Salomão justifiquem governar os filhos com mão de ferro. O castigo pode ser necessário em ocasiões, mas os pais deveriam governar seus filhos pela fé, e não pela vara, conduzindo-os com bondade, por bom exemplo, a toda verdade e santidade. ¶
Nossos filhos que nascem no sacerdócio são herdeiros legítimos, e têm direito às revelações do Senhor, e, tão certo como o Senhor vive, Seus anjos têm cuidado deles, ainda que possam ocasionalmente ser deixados a si mesmos. Devemos aprender nossa própria natureza, e viver dignos de nosso ser. Quando Jesus Cristo foi deixado a Si mesmo, em Sua hora mais sombria, Ele não vacilou, mas venceu. Foi ordenado para esta obra. Se algum dia formos deixados a nós mesmos, e o Espírito for retirado de nós, será para provar a força de nossa integridade e fidelidade, para ver se andaremos em Seus caminhos mesmo numa hora escura e nublada. Às vezes, nossos filhos podem não possuir um bom espírito, mas, se o progenitor continuar a possuir o bom espírito, os filhos terão o mau espírito apenas por pouco tempo. Os pais que são Santos dos Últimos Dias são o poder governante; são os reis e as rainhas. Governai em retidão, e no temor e amor de Deus, e vossos filhos vos seguirão. Que Deus vos abençoe. Amém. ¶