Necessidade de Viver Próximo ao Senhor—Deveres Negligenciados—Cultivo do Solo—Sustento dos Pobres
Daniel H. Wells
Observações do Presidente D. H. Wells, proferidas no Antigo Tabernáculo, Salt Lake City, em 22 de março de 1868. Relatadas por David W. Evans. ¶
Aprendemos, à medida que progredimos em nossa experiência na Igreja e no Reino de Deus, a necessidade de viver próximos ao Senhor a fim de desfrutar de Seu Santo Espírito e de alcançar o padrão que é nosso privilégio atingir. Todos podemos lembrar-nos de quando recebemos o evangelho, quão eufóricos estávamos, e quão gloriosas nos pareciam todas as coisas. Não víamos dificuldade alguma que não estivéssemos dispostos a tentar superar. Nada parecia estar em nosso caminho que não pensássemos poder vencer, e sentíamos que, na medida de nosso poder, permaneceríamos fiéis enquanto vivêssemos na terra; que não tropeçaríamos em coisa alguma que se nos apresentasse, e que éramos capazes de enfrentar os males da vida e toda dificuldade e aflição, considerando mais honroso ser porteiro na Casa do Senhor do que banquetear-se com os ricos e ímpios. ¶
Esta é a experiência, ouso dizer, de todos os que receberam o evangelho com sinceridade. Suponho que os Apóstolos e discípulos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo também se sentiram eufóricos com a ideia de estarem associados ao Salvador do mundo—o Filho de Deus; mas descobrimos que pouco depois o abandonaram. E mesmo nos dias da libertação de Israel do Egito, sem dúvida se sentiram eufóricos com a missão de Moisés, e partiram sem duvidar; mas vemos que, em pouco tempo, suas mentes retornaram novamente às coisas do mundo e ao lugar que haviam deixado, e transgrediram tão profundamente que o Senhor não lhes permitiu entrar na terra prometida; contudo, para não ser frustrado nem contrariado em Seus propósitos, Ele declarou que os filhos deles a herdariam. Assim é com os Santos dos Últimos Dias. Muitos sentem, penso eu, como se sua religião se tivesse tornado uma velha história. Receberam a palavra com alegria no início, e talvez se sentissem bastante eufóricos com a ideia de serem membros do Reino de Deus na terra; mas quando começam a viver nesse Reino e descobrem que essas ideias não se realizam tão depressa quanto imaginavam, tornam-se apáticos e supõem que a obra não progride. Talvez negligenciem suas orações; pensam que de pouco serve orar; tornam-se frios, indolentes e apáticos, e suas mentes se obscurecem. Em vez de viverem de modo a desfrutar de uma medida plena e de um fluxo do Espírito de Deus, tornam-se descontentes e insatisfeitos com o Reino de Deus e com os princípios de nossa sagrada religião. ¶
Se apenas refletíssemos, quando nos alistamos nesta causa foi por toda uma vida—por toda a eternidade; não por alguns dias, ou um ano ou dois, para depois cairmos e retornarmos aos rudimentos mendicantes do mundo. Não recebemos estes princípios com tal ideia; mas nos alistamos pelo tempo e por toda a eternidade sob a bandeira do Rei Emanuel. Fizemos o convênio de guardar a lei de Deus, de andar humildemente diante Dele e de fazer tudo o que estivesse ao nosso alcance para edificar Sião, e de nos apegarmos àqueles princípios revelados em Seu reino, a fim de alcançarmos as bênçãos que estavam por vir. Aqueles que se cansam e se descontentam pensam, talvez, que não são chamados nem escolhidos. Ora, somos chamados ou escolhidos para sermos seres justos e santos; e lembremo-nos de que o tempo de sermos escolhidos por termos sido justos há de vir depois de algum tempo, e feliz será aquele indivíduo que tiver vivido tão à altura de seus privilégios a ponto de estar entre os escolhidos. Se desejamos alcançar esta grande bênção, devemos viver para ela, e não sermos negligentes quanto às coisas de Deus. Devemos aplicar nossa religião à nossa vida cotidiana. Podemos reunir-nos, cantar, orar e nos elevar em espírito, pois temos tanto em nossos exercícios espirituais quanto qualquer povo na terra para reanimar nossos ânimos abatidos e encher nossas almas de alegria; mas, por outro lado, nossa religião não consiste apenas nisso; ela é prática. ¶
Lemos que, quando o Reino de Deus for estabelecido, os reinos deste mundo serão despedaçados; e que o poder passará às mãos dos justos e retos em preparação para aquele dia em que Jesus reinará "Rei das nações assim como agora reina Rei dos Santos". Estamos empenhados nesta obra preparatória—a dispensação da plenitude dos tempos, na qual este grande reino temporal, que há de durar para sempre, está sendo estabelecido, e vós e eu, irmãos e irmãs, se estivermos unidos e empenhados em nossos esforços para a promoção dos princípios da verdade, poderemos tornar-nos instrumentos felizes nas mãos do Senhor para auxiliar nesta grande obra. Esta é a dispensação da plenitude dos tempos, e ela compreende as chaves, os poderes e as autoridades de todas as dispensações desde o princípio do mundo; e devemos viver de modo a desfrutar de um fluxo pleno do Espírito de Deus, a fim de que possamos progredir e comungar com Jeová e com seres santos, pois os céus estão prontos a destilar fartura se fizermos bom uso das bênçãos já conferidas a nós. Quando fizermos isso com mãos limpas e coração puro diante do Senhor, as bênçãos fluirão a Israel em maior abundância do que nunca. Olhai para onde quiserdes sobre a face da terra e não encontrareis povo tão abençoado quanto o somos mesmo agora. Por que é assim? Porque temos um país melhor e melhores oportunidades para produzir as bênçãos da terra do ponto de vista temporal? Não; trabalhamos sob muitas desvantagens desconhecidas na maioria dos outros lugares; e, contudo, somos mais confortáveis e felizes do que qualquer outro povo. É porque as bênçãos do Todo-Poderoso estão conosco, e as teremos em maior abundância na medida em que nos apegarmos ao Senhor e Lhe provarmos nossa integridade. ¶
Mas temo que haja grande negligência da oração no meio deste povo. É nosso privilégio, ou antes, é nosso dever buscar o Senhor com frequência, para que possamos desfrutar da medida plena de Seu Espírito. Porventura haja algo entre nós e nosso irmão ou irmã—podemos ter falado mal deles, ou eles de nós. Podemos ter negligenciado nossas orações secretas, ou orar em nossas famílias; e, se assim for, diminuiremos naquele bom espírito que deveria permear todo peito, e ficaremos mais sujeitos a ceder às influências más que nos rodeiam e a tornarmo-nos mais impertinentes em nossos comentários para com nossos irmãos, e menos corteses, civis e circunspectos em nosso trato uns com os outros, e mais propensos a dizer coisas calculadas para ferir os sentimentos de nossos irmãos. Talvez negligenciemos nossas cercas e deixemos que nosso gado invada os campos, jardins ou pomares de nossos vizinhos, dando-lhes ocasião de dizer coisas duras a nosso respeito; e então revidamos e proferimos palavras precipitadas. Levando esta ideia um pouco mais adiante, talvez tomemos o que não é nosso, ou emprestemos e não devolvamos, ou talvez derrubemos a cerca do vizinho de propósito para que nosso gado vá comer seu feno ou seu grão. Ou, talvez, alguns entre nós vão caçar seu gado no domingo, ou aos cânions com nossos carros de bois quando deveríamos estar guardando o dia de sábado santo. É possível que muitos deste povo pratiquem algumas destas coisas e assim impeçam a si mesmos um fluxo livre do Espírito de Deus, e se obscureçam nos conselhos de suas mentes. Isto não deveria ser. Se algum de nós se encontrar neste dilema, busquemos de imediato remover os obstáculos de nosso caminho, assim como levantaríamos a comporta, se necessário, para deixar descer a corrente e irrigar nossos jardins. Muitas almas podem estar murchando por falta de umidade espiritual, sem saber qual é a dificuldade. Há obstáculos no caminho que precisam ser removidos, para que nossas mentes possam ser iluminadas pela luz do Espírito do Deus vivo. ¶
É ademais necessário que sigamos este caminho a fim de estarmos unidos, de modo que, quando a palavra vier de nosso bispo, ou uma convocação nos for feita por alguém em autoridade que tenha o direito de ditar, estejamos prontos a responder e felizes pela oportunidade de fazê-lo. Um homem nunca deveria deixar de aproveitar as oportunidades que lhe são dadas de fazer o bem, ou ele será o prejudicado quando morrer. Um homem talvez se sinta um pouco aliviado se escapar do chamado de um bispo ou for dispensado, pensando que isso lhe favorece um pouco; mas quem já se sentiu assim sem ter tido, depois, momentos de arrependimento por não ter ido corajosa e livremente cumprir o dever que lhe foi exigido? Quanto melhor tais pessoas se sentiriam se o tivessem feito. Por outro lado, quão bem se sentem os que sempre responderam a todo chamado que lhes foi feito! Não creio que exista pessoa viva que se sinta de outro modo. Se existir, sente-se muito diferente de mim. Quantas vezes tenho testemunhado o orgulho e a alegria que os irmãos sentem a este respeito em suas reuniões nas festas do "Batalhão Mórmon", dos "Pioneiros" e do "Acampamento de Sião" e outras associações! Quantos me disseram: "Eu estava convosco em tal e tal lugar; e eu estava com os Santos em suas tribulações em Illinois e no Missouri." E falam disso como se tivessem orgulho de terem estado lá. E mesmo nos tempos de dificuldade que tivemos em nosso assentamento inicial aqui, quando as roupas e provisões eram escassas, o mesmo sentimento se manifesta. "Eu estava aqui", diz um, "e eu também", diz outro, e sentem-se felizes por terem sido considerados dignos de suportar essas provações e permanecer firmes. É motivo de satisfação para todo aquele que provou seu valor até agora; e quando tivermos avançado um pouco mais e passado por este estado de existência mortal, não sentiremos, naquela grande reunião além da sepultura, ainda mais desejo de nos congratularmos uns com os outros por termos passado em segurança, e por termos tido virtude, força e integridade suficientes para nosso tempo? E nos alegraremos e regozijaremos por as dificuldades que enfrentamos terem sido postas em nosso caminho, e por termos tido a oportunidade de provar-nos diante dos Céus. ¶
Não nos deixemos desencorajar por dificuldades e provações, pois fomos enviados a este estado de existência com o propósito expresso de descer abaixo de todas as coisas, a fim de que possamos passar pelas provas e tribulações desta vida e assim provar nossa integridade e estarmos preparados para nos elevarmos acima de todas as coisas. E, afinal, não fomos chamados a suportar até o grau em que o Salvador do mundo suportou. Mas Ele não foi submetido às aflições que teve de suportar sem esperança, tampouco o somos nós; mas somos chamados a passar por elas para que possamos provar se temos poder e força para permanecer firmes naquele dia em que todas as coisas serão abaladas, e sem duvidar, apegarmo-nos ao Senhor nosso Deus com todo o propósito do coração, não importando quão adversas as coisas pareçam estar contra nós. Se pudermos passar por estas provas e tribulações, provaremos a Deus e aos anjos que somos dignos de receber o louvor de boas-vindas: "muito bem, servo bom e fiel, entra no gozo do Senhor." ¶
Estes grandes princípios são conhecidos dos Santos dos Últimos Dias, e eles sabem também que novamente existe comunicação entre os céus e a terra, e que o caminho foi aberto por meio das ordenanças da Casa de Deus, para o fluxo pleno de Seu Espírito; e, contudo, alguns deles começam a vacilar em seus sentimentos e a relaxar em seus deveres e a entrar nas trevas. Que não se diga em Israel, nem em todas as suas fronteiras e costas, mas que os Santos, como que com o coração e a voz de uma só pessoa, se empenhem continuamente em promover aqueles princípios e aquela unidade necessários para exercer influência junto aos Céus em favor do Reino de Deus na terra. Certa vez disse jocosamente um dos fundadores da Independência americana que era necessário que se mantivessem unidos, pois, se não o fizessem, muito provavelmente seriam enforcados separadamente; querendo dizer que, se não conseguissem obter sua Independência, seriam condenados por traição e postos à morte. É comparativamente assim com os Santos dos Últimos Dias; a menos que ajamos unida e concertadamente tanto nas coisas temporais quanto nas espirituais, sofreremos prejuízo. Um Santo dos Últimos Dias no mundo pode viver sua religião tão circunspectamente quanto nós o fazemos nos vales das montanhas, mas que poder ou influência pode exercer em favor do reino, estando sozinho? Todas as circunstâncias do mundo estão contra ele. Mas, se estivermos unidos nesta grande obra, tornar-nos-emos, no devido tempo do Senhor, um povo grande e poderoso na terra, que jamais poderá ser desarraigado nem vencido pelas enxurradas de pecado e corrupção que por tanto tempo têm inundado o mundo. Os Santos dos Últimos Dias não têm direitos que o mundo se considere obrigado a respeitar, e, se esperarmos que o façam, seremos enganados, especialmente se vivermos próximos a Deus. Já vi isto comprovado repetidas vezes em minha própria experiência. Que direitos tinham os Santos dos Últimos Dias no Estado do Missouri? Ora, todo direito que um homem poderia reivindicar. Foram respeitados pelo povo ou pelas autoridades do Estado? Não; mas os direitos deste povo foram pisoteados, e foram expulsos do Estado. O mesmo se deu em Illinois, e em todo lugar em que se reuniram. Em vista disso, foi grande bênção conferida a nós quando o Senhor nos trouxe para cá, onde os ímpios não puderam ter sobre nós o mesmo controle que outrora tinham. Desde então nos tornamos um povo grande e poderoso em comparação ao que éramos então, e exercemos influência na terra. ¶
Sofreremos nós, que desfrutamos do Espírito do Senhor e que, ouso dizer, temos conhecimento dos poderes do mundo vindouro, que a rixa, a contenda e a divisão entrem em nosso meio? Que não se diga no meio de Israel, mas sejamos daqui em diante mais cuidadosos em nosso trato uns com os outros do que fomos no passado. Não usurpemos o que é de nosso próximo, seja em sentimentos, propriedade ou posses. Sejamos corteses e, em vez de fomentar contendas e destruir-nos uns aos outros como fazem no mundo, edifiquemo-nos mutuamente. Temos de nos preparar para cooperar com o Senhor no estabelecimento de Seu Reino, e deve ser nossa preocupação especial cumprir primeiro os deveres que nos cabem, e deixar nossos assuntos particulares, se os tivermos, em segundo lugar. Este reino é composto de indivíduos tanto quanto qualquer outro reino, e é próspero e edificado por nossos esforços individuais; mas, se pudermos ter nossos trabalhos sabiamente dirigidos, então aquele que age conforme é aconselhado não apenas atende e assegura seus próprios interesses, mas trabalha pelo bem do reino em geral. Por exemplo, o agricultor que se dedica a cultivar os diversos tipos de grãos, e é diligente, frugal e econômico, é bom cidadão e faz tanto pelo reino quanto aquele que prega o evangelho; mas, se for aconselhado a dirigir seus esforços especialmente para o cultivo do linho, do cânhamo ou da amoreira, é seu dever atender a esse conselho e assim trabalhar unidamente com os Santos de Deus sob a direção daqueles designados para dirigir o trabalho deste povo, e assim trazer o maior bem para todos. O mesmo se aplica ao mecânico, e de fato a todo indivíduo em Israel. ¶
Há uma coisa em particular sobre a qual desejo falar. Há muito conhecimento de que necessitamos e que nos beneficiaria, se nos déssemos ao trabalho de buscá-lo em livros úteis e aplicá-lo. Quem entre nós sabe analisar o solo, e assim é capaz de dizer para que tipo de produto ele é mais adequado? Este conhecimento podemos adquirir dos livros e por meio de experimentos em química agrícola. Não produzimos grão e outros produtos suficientes neste Território para nos tornarmos confortáveis. Por que é assim? Alguns de nós têm um modo muito pobre de cultivar a terra. Lembro-me de quando estive ao sul no ano passado—embora não precise sair deste condado para encontrar tal lavoura—de ver terra que não fora gradeada mais de uma vez em três ou quatro anos, e nem arada nem semeada nesse tempo, e irrigada apenas uma ou duas vezes por estação; ainda assim colhiam uma safra todo ano, e o povo se queixava de não ter sementes suficientes para sua terra, e eram, penso eu, o povo mais pobre que encontrei até agora neste Território. Disse-lhes que eram criminosamente pobres, que não havia razão para que assim fossem, mas que era resultado de sua indolência e má administração. Disse-lhes: "Suponde que alugásseis esta terra, e o dono viesse ver-vos e encontrasse em que condição estava sua terra—infestada de joio e sementes de ervas daninhas, com o mato tão numeroso que sufoca o grão—não vos repreenderia e tomaria parte dessa terra de vós para arrendá-la a outros que a cultivassem devidamente?" Disse eu: "vos queixais de pobreza, mas tendes mais terra do que podeis manejar devidamente, e essa é a grande causa de vossa pobreza. Além disso, tínheis mais gado do que podíeis cuidar, e os índios o levaram. Ora, se tivésseis menos gado e o tivésseis cuidado melhor, os índios não o teriam levado e estaríeis em melhor situação." Disse-lhes que fariam melhor em dispor de parte de sua terra, e manter apenas o quanto pudessem cultivar devidamente, e obteriam o dobro da quantidade de grão que jamais obtiveram antes e com menos trabalho. Isto se devia à falta de agricultura inteligente. Quantos de nós aqui não colhem sequer a metade das safras que poderiam colher pela mesma razão? Foi dito por alguém que "aquele que faz duas lâminas de capim crescer onde antes crescia apenas uma é um benfeitor de sua raça"; mas quanto mais o é aquele que, por sua superior inteligência, ajuda a aumentar as necessidades e os confortos da vida! Aprendamos a analisar o solo e a conhecer seus componentes; então entenderemos se é mais adequado ao cultivo de hortaliças, de trigo ou de outros tipos de grão; e saberemos onde plantar árvores, morangos e outras coisas, para que tenham o tipo de solo mais adequado a seu crescimento. ¶
A recuperação do solo, também, é assunto de grande importância. Algumas pessoas pensam que, se colocarem estrume na terra, isso é tudo o que ela requer. Há terras que se beneficiariam de areia misturada ao solo; outras se beneficiariam de argila misturada a ele. Se seguíssemos este método, poderíamos cultivar menos terra e receber maior recompensa por nosso trabalho. ¶
Poderíamos também cultivar alfafa, cenouras, beterrabas e repolhos para manter uma vaca. Ora, o costume é, na maioria dos casos, enviá-las ao campo aberto, fazendo-as caminhar de oito a doze milhas diariamente. Isto faz com que seus cascos fiquem sensíveis, e têm de ser levadas ao ferreiro para serem ferradas; e, quando chegam ao campo, há pouco além de ervas amargas para comerem. Este não é modo de manter uma vaca. Se desejamos que sejam de alguma utilidade, deveriam ser bem alimentadas com alfafa ou outro alimento adequado, e mantidas na cidade e cuidadas devidamente; então uma vaca faria algum bem, daria bom leite e manteiga, o que muito contribui para tornar uma família confortável. Além disso, quase qualquer um pode manter algumas galinhas, e, com elas e uma vaca devidamente cuidada, é necessário muito pouco gasto adicional para tornar uma família confortável. Neste país, muitos negligenciam estas coisas e se queixam de má vida, apenas por falta de um pouco de atenção. Têm também filhas e filhos que poderiam cuidar destes assuntos. ¶
Desejo falar a respeito de repartir as necessidades da vida aos pobres e necessitados. Não fornecemos trabalho suficiente na estação de inverno àqueles que dependem dele para seu pão de cada dia. Parece-me que os homens que têm meios não fazem as melhorias que poderiam fazer no inverno, e assim empregar os que estão destituídos. No verão há bastante trabalho para todos, por todo o Território; e frequentemente acontece de faltarem mãos e os salários serem altos; mas, tão logo comecem as tempestades do outono, os trabalhadores ficam sem emprego e nada têm a fazer durante o longo inverno. Penso que os Bispos deveriam voltar sua atenção a este assunto e criar emprego mais útil e proveitoso para a estação de inverno. A primeira quinta-feira de cada mês, lembremo-nos, é um dia separado para o jejum, a oração e as doações aos pobres. Em breve chegará outra vez. Apesar de poder haver certa escassez sentida no meio do povo, não negligenciemos essas coisas. Não as esqueçamos, e vivamos conforme o que é necessário no meio dos Santos do Deus Altíssimo, de modo a manter um fluxo pleno do Espírito em cada um de nós, e busquemos fazer melhor uso das bênçãos com que o Senhor nos cercou. Os elementos são ricos e carregados de tudo o que é bom para o homem, e cabe a nós exercer nosso discernimento e entendimento para deles tirarmos nosso sustento, a fim de que nos tornemos um povo grande, livre e independente, capaz de sustentar Seu reino contra todo obstáculo que se lhe oponha. ¶
Que Deus nos ajude a fazê-lo, e a sermos fiéis, é minha oração em nome de Jesus: Amém. ¶