Pulpit

Instruções Gerais aos Missionários que Partem para o Exterior

Brigham Young

1867-04-14

Visto que sou um missionário, e fui chamado por Deus para proclamar o evangelho, levanto-me aqui para prestar meu testemunho em conjunto com meus irmãos que ouvistes falar hoje. Ouvimos o testemunho de irmãos criados na Igreja, assim como o testemunho daqueles que recebem o evangelho em outras terras e se reúnem com a Igreja. Todos concordam que esta é a verdade — o evangelho da vida e da salvação. Estes irmãos vão pregar, porque têm a verdade e o mundo está destituído dela. Um dos irmãos disse que estava indo em busca da verdade. Eu o corrigiria, e diria que ele já tem a verdade, e vai levá-la a outros que não a têm. Não estais indo à Inglaterra, à Escócia, ou ao Continente em busca da verdade, mas para levar a verdade a um povo que se assenta nas trevas e na região da sombra da morte. Sou um missionário chamado para pregar o evangelho, e estou indo em uma missão; não porque tenha sido recentemente convertido, mas sinto que devo ir fortalecer meus irmãos, e estou indo em uma turnê de pregação com esse propósito. Não há lugar nesta terra onde se possa fazer maior bem do que aqui, pregando o evangelho a este povo e fazendo com que sejam Santos de verdade. Diria a meus jovens amigos e aos irmãos de meia-idade, embora creia que todos os que vão possam ser chamados de jovens, que, se fordes numa missão pregar o evangelho com leviandade e frivolidade em vossos corações, buscando isto e aquilo, e para aprender o que há no mundo, e sem terdes vossas mentes fixadas — sim, posso dizer fixadas — na cruz de Cristo, ireis e voltareis em vão. Ide chorando, levando a semente preciosa, cheios do poder de Deus, e cheios de fé para curar os enfermos, mesmo pelo toque de vossa mão, repreendendo e expulsando espíritos imundos, e fazendo com que os pobres entre os homens se alegrem, e voltareis trazendo vossos feixes convosco. Se não fordes desta maneira, vossa missão não será muito proveitosa nem para vós mesmos nem para o povo. Desejo que tenhais isto em mente. Não enviamos estes élderes com propósitos políticos; nada temos a ver com o mundo político. Tampouco desejamos que vão por dois ou três anos aprender o que está acontecendo no mundo científico. Se desejam estudar as ciências, podem fazê-lo em casa. Temos abundância de homens de ciência entre nós. Se desejais saber o que se passa nos teatros, não vades aos teatros para aprender, mas esperai até voltardes ao nosso próprio meio. Estou simplesmente vos dando uma palavra de conselho. Esta é uma ocasião tão boa para fazê-lo quanto quando vos reunis para receber vossa bênção de despedida. Não vos enviamos para nenhum destes propósitos, mas para pregar o evangelho. Que vossas mentes estejam centradas em vossas missões, e trabalhai com afinco para trazer almas a Cristo.

Gostaria de gravar na mente dos irmãos que aquele que sai em nome do Senhor, confiando nEle com todo o seu coração, jamais carecerá de sabedoria para responder a qualquer pergunta que lhe seja feita, ou para dar qualquer conselho que possa ser requerido para conduzir o povo no caminho da vida e da salvação, e jamais será confundido pelos séculos dos séculos; enquanto aquele que confia na sabedoria do homem, ou se apoia no braço de carne, é fraco e cego, e destituído dos princípios que conduzirão os Élderes de Israel à vitória e à glória. Ide em nome do Senhor, confiai no nome do Senhor, apoiai-vos no Senhor, e invocai o Senhor fervorosamente e sem cessar, e não deis atenção ao mundo. Vereis bastante do mundo — estará diante de vós o tempo todo — mas, se viverdes de modo a possuir o Espírito Santo, sereis capazes de compreender mais a respeito dele em um dia do que poderíeis em uma dúzia de dias sem ele, e vereis imediatamente a diferença entre a sabedoria dos homens e a sabedoria de Deus, e podereis pesar as coisas na balança e estimá-las em seu verdadeiro valor. Posso dizer também aos irmãos e irmãs, não importa o que estejais fazendo — trabalhando no jardim, arando, semeando, indo ao cânion, construindo casas, assentando pedra ou adobe, cuidando dos afazeres domésticos na cozinha, na lavanderia, na sala de visitas, ou em vossos quartos — vivei continuamente de modo a ter o Espírito do Senhor convosco e o conselho de Deus dentro de vós, para que sejais capazes de dar uma palavra de conselho, instrução e conforto aos desconsolados, para fortalecer os fracos, e para confirmar os vacilantes, e passai cada dia de vossas vidas fazendo o bem. A menos que sigamos este curso, é inútil falar sobre sermos Santos dos Últimos Dias, sobre a redenção de Sião, ou o estabelecimento do Reino de Deus, pois nada menos do que a sabedoria e o poder de Deus e do Espírito Santo jamais capacitará qualquer povo na face da terra a redimir Sião, e a estabelecer o reino de Deus nestes últimos dias.

Muitas coisas foram ditas enquanto estávamos reunidos em capacidade de Conferência. Somos compostos de tal material, e nossa organização e educação são de tal natureza, que muitas coisas têm de nos ser ditas continuamente. Como crianças, não há dia em que não precisemos de instrução, e, se não vivermos de modo a ter o Espírito Santo dentro de nós continuamente, precisamos ser ensinados por nossos amigos ao nosso redor sobre como edificar o Reino de Deus, santificar-nos, preparar-nos para a vinda do Filho do Homem, e para a realização da grande obra dos últimos dias. A obra em que estamos empenhados deveria ser interessante para toda alma que tomou sobre si o nome de Cristo; deveria ser a primeira e principal, de manhã, ao meio-dia, e à noite, conosco todos os dias de nossas vidas. Nossa religião deveria ser a primeira coisa para todos nós, o tempo todo. Vir a este tabernáculo para adorar e fazer a vontade de Deus por um dia da semana, e seguir nossas próprias inclinações e fazer nossa própria vontade em todos os outros momentos, é uma tolice; é inútil, e uma perfeita paródia do serviço de Deus. Deveríamos fazer a vontade de Deus, e passar todo o nosso tempo na realização de Seus propósitos, quer estejamos neste tabernáculo, quer em outro lugar. Frequentemente nos dizem que, no que diz respeito aos princípios de nossa religião, somos um só. Nossos irmãos aqui estão indo em missões à Escandinávia, à Alemanha, e talvez a lugares onde o evangelho nunca foi pregado antes, e alguns, talvez, aos antípodas de outros, contudo, na proclamação dos princípios do evangelho, não espero que haja qualquer variação. Irão ao norte, ao sul, ao leste, e ao oeste, e todos tomarão as escrituras da verdade contidas na Bíblia, no Livro de Mórmon, e no Livro de Doutrina e Convênios, e cada um corroborará o testemunho do outro em estabelecer a verdade do evangelho do Filho de Deus, e todos concordarão exatamente. Contudo, quando estamos reunidos, há tantas mentes quanto pessoas no que diz respeito aos assuntos da vida cotidiana e à administração dos assuntos financeiros. Ora, o povo de Deus está sendo reunido expressamente para se tornar um só no que diz respeito às coisas deste mundo.

Gostaria de ser compreendido, se puder me explicar. Nunca nos tornaremos um só a ponto de parecermos iguais ou possuirmos precisamente o mesmo poder e habilidade mental; este não é o desígnio do Céu. Mas esperamos nos tornar um só em todas as nossas operações para trazer à luz a plenitude do Reino de Deus na terra, para que Jesus possa vir e reinar como Rei das nações, assim como reina como Rei dos Santos. Chamaremos isto de uma união com propósitos políticos? Digo que é boa política para o povo ser de um coração e uma mente em todas as suas operações. Frequentemente tenho observado os habitantes da terra e visto como seus sentimentos, disposições e ocupações diferem; quase não há dois que possam concordar. Se dois homens entram em sociedade, digamos no ramo bancário, ou no comércio ou na manufatura, é muito raro que concordem por muito tempo. Suas mentes seguirão canais diferentes no que diz respeito aos assuntos comerciais, e um não se deixará prender pelas ideias do outro, de modo que cada um resolve seguir seu próprio curso. Se desejardes um exemplo perfeito disto, posso vos dizer onde encontrá-lo: assim que chega o tempo quente, vedes estas pequenas formigas vermelhas e pretas nas colinas. Vereis correndo em toda direção, mas raramente duas delas seguem o mesmo curso; correm umas contra as outras, tropeçam umas sobre as outras, e, por fim, roubam umas às outras. Este é um exemplo perfeito do curso seguido pelos habitantes da terra.

Diria que é boa política se pudermos concordar em todos os assuntos. Para ilustrar, suponde que queiramos ir extrair rocha da montanha de granito aqui; estamos construindo uma enorme estrutura e queremos algumas colunas, digamos sessenta pés de altura, cinco, seis, sete, ou oito pés de diâmetro na base, e talvez quatro ou cinco pés no topo. Deixai que um homem sozinho empreenda tal obra, e quanto tempo lhe levaria? Mas sejamos unidos no empreendimento, e logo poderemos ter nossas colunas extraídas, transportadas, e erguidas. Suponde que houvesse uma união de esforços em todo assunto político e financeiro empreendido para o benefício de todo o povo, quem não pode ver o bem que resultaria? Temos tentado isto até certo ponto em relação a nossos mercados aqui; mas suponde que estivéssemos plenamente de acordo neste ponto, poderíamos exigir um preço justo por nossos produtos, e não precisaríamos ser explorados por negociantes e intermediários. Se estivéssemos de acordo, poderíamos nos suprir de mercados distantes, digamos com nossas roupas, a um custo muito menor do que agora. Suponde, como foi dito na Conferência, que dispensássemos os luxos do tabaco, do chá, do café e do uísque, quanto poderíamos economizar? Se tivéssemos em mãos o dinheiro que gastamos com estes artigos desnecessários durante o ano que passou, teríamos abundância para doar aos missionários para colocá-los em seus campos de trabalho.

O povo, talvez, se voltará e dirá — "Pagamos nosso dízimo, e isso é tudo o que sentimos que devemos fazer." Se o fazeis, fazeis mais do que o povo fazia há alguns anos. Naquela época, descobrimos que, no artigo básico do trigo, do qual mais se paga em dízimo do que qualquer outra coisa no Território, não recebíamos um alqueire em cada cem do que era produzido, para não dizer um em dez. O povo não é obrigado a pagar seu dízimo, faz como bem entende a respeito disso, é-lhe apenas instado como uma questão de dever entre eles e seu Deus. Esta pequena parte que agora é paga em dízimo é usada para trazer os pobres para cá, para lhes encontrar casas em que morar, pão para comer, e lenha para queimar, quando conseguimos que os irmãos a tragam em dízimo, mas isso é um artigo bastante difícil de obter. Ora, suponde que tivéssemos um pouco mais deste excedente em mãos, não poderíamos ajudar os irmãos em seu caminho para pregar o evangelho às nações? Sim, poderíamos. Alguns deles deixarão famílias que provavelmente ficarão destituídas, e, se tivéssemos meios em mãos, poderíamos doar para ajudá-las, e para impedir que corressem continuamente aos Bispos. Os Bispos não têm nada em mãos, o dízimo é todo usado, foi para sustentar os pobres, o Sacerdócio, e as Obras Públicas. Contudo, quando vão a um Bispo, ele tem de procurar por aí para lhes conseguir uma casa, um pouco de lenha, ou um pouco de trigo ou farinha em dízimo. Mas suponde que tivéssemos em mãos o dinheiro que gastamos com estes artigos inúteis a que me referi, o caso seria diferente. Quando começo a falar sobre estas coisas, vejo tanto que posso dizer muito pouco. Ver a negligência, a preguiça, e o descaso do dever no cuidado das coisas que Deus nos dá. Podemos dizer que temos abundância — mais do que precisamos — mas a daremos àqueles que precisam dela? Não, mas é desperdiçada na compra de artigos para os quais não há necessidade real. O povo aqui parece estar perfeitamente perdido, e não consegue imaginar o que realmente quer. Não estão sobrecarregados com todo luxo, é certo; não estão saciados demais de riquezas, pois não são ricos; mas estão confortáveis, e gastam seus bens à toa, com aquilo que nem enriquece a alma nem edifica o Reino de Deus.

Como está convosco, meus irmãos e irmãs? Podeis lembrar-vos de alguma circunstância que tenha ocorrido no meio deste povo que poderia ter sido evitada, e que deveria vos pôr em guarda? Sim, muitas delas, se apenas refletirdes. Perguntei a um homem, por exemplo, como ele vivia. "Ah," disse ele, "mal sei como; mal consigo sustentar minha família." "Quantos tens na família?" "Oito de nós." "E o que ganhais por dia?" "Três dólares." Talvez aqui esteja outro homem que ganha cinco dólares por dia, e é pobre; e outro que tem cem cabeças de gado pastando na pradaria, e vive num chão de terra batida; não é capaz de comprar algumas tábuas para fazer um assoalho. Percorrei o país e vereis números de pessoas vivendo, ano após ano, em chãos de terra batida, e incapazes de obter um pouco de areia e cal para rebocar as paredes de suas moradias, e, ao mesmo tempo, talvez, tenham centenas e centenas de animais pastando na pradaria. Que economia!

Recordai-vos de que fiz algumas perguntas na Conferência sobre a quantia gasta no ano passado com estes artigos desnecessários — chá, café, etc. Cem mil dólares pagariam pelo tabaco que os Élderes de Israel mascaram e cuspiram fora? Não pagariam, e o chá que foi bebido talvez custe mais cem mil, e o café chegará a quase a mesma soma. Quanto ao açúcar, diria, continuai a comprá-lo, e deixai que as crianças o tenham, não para viverem apenas dele, mas em conjunto com outro alimento, pois deveis entender que nosso alimento é composto de três artigos básicos — açúcar, amido, e cola, portanto o açúcar é bom. Mas treinar vossos filhos a beber chá e café aos dois, três, ou quatro anos de idade é muito pernicioso e prejudicial. Vós, mães e filhas em Israel, que seguis este curso, como esperais viver para realizar a obra que o Senhor vos designou? Ora, não vivereis nem a metade de vossos dias; ficareis aquém disso, tanto quanto os ímpios. É isto verdade? É verdadeiramente verdade. Levantais-vos de manhã e tomais vossa xícara de chá, vosso presunto frito, vossa carne fria e vossos doces de carne moída, e tudo o que puderdes possivelmente enfiar no estômago, até saturardes o sistema e lançardes o fundamento para a doença e a morte prematura. Diz a mãe — "Come, minha filhinha, estás doente; toma um pedaço de torta, torrada, ou carne, ou bebe um pouco de chá ou café; tens de tomar alguma coisa." Mães em Israel, tal curso engendra a doença, e estais lançando um fundamento que cortará pela metade ou dois terços a vida de vossos filhos; e, contudo, um país mais saudável do que o nosso não se pode encontrar na face da terra, se o povo aprendesse a viver com prudência.

Em terras estrangeiras, podeis encontrar distritos onde muitas pessoas não têm, provavelmente, mais do que dois terços do que precisam comer — e vivem assim ano após ano — e, contudo, os encontrareis muito mais saudáveis do que aqueles que se empanturram continuamente. Tomai os americanos, digamos no velho Granite State onde viajei, e, ao olhar para o que os cerca do lado de fora, não pensaríeis que têm mais do que um feijão para um litro de água, mas entrai em suas casas e encontrareis carne bovina, carne suína, torta de maçã, torta de creme, torta de abóbora, torta de doce de carne, e todo luxo, e vivem de tal modo a encurtar seus dias e os dias de seus filhos. Podeis pensar que estas coisas não têm muita importância; e de fato não têm, a menos que sejam observadas, mas que o povo as observe, e lançarão o fundamento para a longevidade, e começarão a viver seus dias por completo, não apenas cem anos, mas, aos poucos, centenas de anos na terra. Pensais que então se empanturrarão de chá e café, e talvez um pouco de conhaque antes do café da manhã e um pouco antes de deitar, e depois carne bovina, suína, de carneiro, doces, e massas, de manhã, ao meio-dia, e à noite? Não; descobrireis que viverão como nossos primeiros pais viveram, de frutas e de um pouco de alimento simples, e nunca sobrecarregarão o estômago.

Que o povo seja moderado em sua alimentação, então vá trabalhar e vestir-se. Senhoras, por que não podeis fazer vossas próprias toucas tanto quanto comprá-las? Ireis trabalhar e fazê-lo? Não sei. Podeis fazer como quiserdes. Dispensareis vossos babados, babados adicionais, laços, e disparates? Para condizer com as senhoras, os cavalheiros deveriam ter metade de seus chapéus cobertos de penas e a outra metade de escarapela, e babados de cima a baixo nas mangas de seus casacos e nas pernas de suas calças. Ainda assim, vemos alguns que usam roupa feita em casa. Notei um jovem, que está indo em missão, e que falou aqui hoje, com um terno de tecido feito em casa. Podemos fazer nosso próprio tecido e depois usá-lo. Podemos aprender a criar e melhorar nosso gado, a produzir nosso grão, fruta, e vegetais, podemos produzir nossa própria lã e linho e transformá-los em tecido, e, de fato, podemos aprender a produzir e fazer tudo o que precisamos, e este é um dos grandes objetivos a serem alcançados na reunião dos Santos. Quanto a vossos meios excedentes, podeis guardá-los, e, quando um chamado for feito, podeis doar para ajudar os élderes que são enviados em missões às nações da terra, e ajudar a sustentar suas famílias enquanto estiverem ausentes.

Aos élderes que estão indo pregar, darei mais uma palavra de conselho — procurai vos sustentar o máximo que puderdes. Estais indo para onde milhares de pessoas morrem anualmente de fome. Não vades mendigar-lhes, mas antes dai-lhes. Disse a cada um de meus filhos para não dependerem do povo, mas, quando recebem um jantar dos pobres, em vez de tomar a última migalha ou pedaço que têm, deixem algo com eles para capacitá-los a suprir suas necessidades. Tenho conhecido muitas irmãs, e talvez algumas delas estejam aqui hoje, que, quando os tempos eram muito melhores do que são agora, se privariam por uma semana inteira a fim de proverem um jantar ou ceia confortável para um élder que as visitasse, ao mesmo tempo em que, provavelmente, elas mesmas não tinham mais do que a metade, ou no máximo dois terços, do necessário para se sustentarem. Os Élderes de Israel deveriam sair calculando ajudar o povo tanto temporal quanto espiritualmente, mas alguns deles não fizeram nada além de mendigar desde que saíram daqui até seu retorno. Que irmãos deixem um país como este, onde há trabalho em abundância e meios tão facilmente adquiridos, e vão pedir esmolas aos pobres em outros países é uma vergonha e desgraça. Quero que os missionários se lembrem disto e o levem a peito, se o fizerem. Ide pregar o evangelho, e ajudai os sinceros de coração a se reunirem, para que possam ajudar a edificar Sião, pois esse foi o desígnio do Senhor quando disse, por meio do Revelador João, "Saí dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não recebas das suas pragas."

Tomai o povo no leste, no oeste, no norte, e no sul que obedeceu ao evangelho, e, no que diz respeito aos dons espirituais, todos são de um coração e uma mente, mas nem uma só alma sabe como edificar Sião. Não há um homem em todos os reinos e domínios existentes que saiba como começar o fundamento da Sião de Deus nos últimos dias sem revelação. Se o povo no mundo pudesse se santificar e se preparar para edificar Sião, poderia permanecer disperso, mas não pode, tem de ser reunido para ser ensinado, para que possa se santificar diante do Senhor e se tornar de um coração e de uma mente. Aos poucos, os judeus serão reunidos à terra de seus pais, e as dez tribos, que vagaram para o norte, serão reunidas ao lar, e o sangue de Efraim, o segundo filho de José, que foi vendido para o Egito, que se encontra em todo reino e nação debaixo do céu, será reunido dentre os gentios, e os gentios que receberem e aderirem aos princípios do evangelho serão adotados e iniciados na família do Pai Abraão, e Jesus reinará sobre os Seus, e Satanás reinará sobre os seus. Este será o resultado.

Ora, Santos dos Últimos Dias, apenas pensai quão longe estamos de ser o que deveríamos ser. Alguns se permitem uma pequena falsidade aqui e ali, mal, tolice, disparate, iniquidade, mentiras, engano, arrogando-se a si mesmos aquilo que não lhes pertence. Somos reunidos expressamente para expor a maldade que há em nossos corações. Quantas vezes, ao observar as congregações dos Santos, posso apontar um homem aqui e uma mulher ali culpados destas coisas. Aqui, provavelmente, está um irmão que foi diácono na igreja Batista ou Presbiteriana por trinta ou quarenta anos, e era tão bom homem quanto qualquer outro no mundo, mas trazei-o para casa com os Santos, e, embora todo o seu julgamento esteja convencido de que o evangelho é verdadeiro, e ele o creia de todo o coração, contudo enganará e mentirá um pouco e tomará o que não é seu. "Já soubestes de algum daqueles que foram diáconos nas igrejas sectárias culpados de tais coisas?" Sim, muitos deles, que foram considerados luzes brilhantes ali, contudo, quando se reuniram com os Santos, segundo as palavras dos profetas, vomitaram a iniquidade que havia neles, e revelaram os segredos de seus corações a seus vizinhos. Se João deixasse cair seu machado no cânion, e Benjamim viesse por ali, ainda que tivesse sido pregador, apanharia aquele machado e o ficaria. Já vi muitas coisas assim. Tais práticas, se não forem arrependidas e abandonadas, corroerão as próprias almas dos que são culpados delas, e os privarão da glória que será desfrutada por homens e mulheres honestos e virtuosos.

Quando Jesus pregava sobre estes princípios, e mostrava quão estritos e puros em suas vidas devem ser aqueles que são considerados dignos de ser trazidos à presença do Pai e do Filho, coroados com coroas de glória, imortalidade e vida eterna, e se tornarem Deuses, sim, Filhos de Deus, não me admiro de que Seus discípulos exclamassem: "Quem, então, pode ser salvo?" Disse Jesus: "Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva às vidas vindouras, e poucos há que o encontrem." Esta é a redação na nova tradução. Como Jesus disse aos discípulos, assim digo aos Santos dos Últimos Dias — "Estreita é a porta, e apertado o caminho que leva às vidas vindouras, e poucos há que o encontrem." Sei que podeis vos voltar e dizer: "Irmão Brigham, esperas encontrá-lo?" Espero tentar; e, quando terminar, espero que o Senhor faça o que Lhe aprouver comigo. Não perguntei onde Ele vai me colocar, nem o que fará comigo, nem nada a respeito de minha coroa ou mansão. Apenas peço a Deus, meu Pai, em nome de Jesus, que me ajude a viver minha religião, e que me dê capacidade para salvar meus semelhantes das corrupções do mundo, para enchê-los da paz de Deus, e para prepará-los para um reino melhor do que este. Isso é tudo o que perguntei. O que o Senhor fará comigo, ou onde Ele me colocará, não sei, nem me importa. Sirvo, e tenho confiança implícita nEle, e estou perfeitamente satisfeito de que todos receberemos tudo o que merecermos. Que o Senhor nos ajude a viver de modo que sejamos dignos de um lugar em Sua presença. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Instruções Gerais aos Missionários que Partem para o Exterior”, (1867-04-14). Pulpit Vault, 1867-04-young-general-instructions-to-missionaries-going-abroad. Tradução desta edição, por método de glossário.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).