Pulpit

O Sacerdócio Antigo e Moderno—O Trato de Deus com os Filhos dos Homens em Toda Era—O Triunfo Final de Seu Reino

Wilford Woodruff

1865-10-22

Há uma grande responsabilidade que recai sobre qualquer profeta, apóstolo, sumo sacerdote, élder, ou qualquer mensageiro ou servo de Deus que seja chamado a pregar o evangelho; e toda pessoa que é chamada a pregar o evangelho aos filhos dos homens depende inteiramente do Espírito do Senhor para todos os princípios que possa apresentar àqueles que a ouvem. Toda geração, também, a quem é enviada uma mensagem do céu, é responsabilizada por receber ou rejeitar aquela mensagem.

É coisa muito difícil para o Senhor edificar Seu reino sobre a terra, onde o diabo tem poder e domínio sobre as mentes dos filhos dos homens. Seria impossível para Ele fazê-lo, nesta ou em qualquer outra época do mundo, a menos que encontrasse um elemento para trabalhar com Ele, pela própria razão de que Ele deu a todos os homens um livre-arbítrio para escolher o caminho em que andarão. É esta a razão pela qual tem havido tão pequena porção de tempo, desde a criação do mundo, em que Deus teve um reino organizado sobre a terra — em que teve uma igreja que Ele mesmo organizou, guiou, ditou, dirigiu e controlou. O diabo — Lúcifer — o filho da manhã, teve grande domínio aqui sobre a terra; teve grande domínio sobre as mentes dos filhos dos homens; e o Senhor tem se esforçado muito, posso dizer, desde a criação, para procurar estabelecer Seu reino, apresentar Suas leis sobre esta terra, e fazer com que os filhos dos homens obedecessem a essas leis, para que pudessem cumprir o objetivo de sua criação.

O Senhor deu ao Pai Adão o sacerdócio, e o evangelho do Senhor Jesus Cristo, depois da queda. Quando ele saiu para o mundo desolado, expulso do Jardim do Éden, recebeu o evangelho, recebeu o sacerdócio, e partiu pela face da terra com as chaves do reino de Deus, para procurar estabelecer as obras da retidão sobre a terra. Deu este sacerdócio a seus filhos. Vários deles foram ordenados sumos sacerdotes. Mas, no início, encontramos não apenas a obra de Deus, mas a obra do diabo, manifesta nos corações dos homens. Caim se enfureceu contra seu irmão Abel, e se levantou e o matou, derramando sangue inocente, e o poder do mal começou desde o início. Achamos, pela Bíblia, assim como por outras revelações que Deus nos deu, que Adão e os primeiros patriarcas, aqueles que estavam dispostos a ser guiados pela lei de Deus naquela geração, receberam o sumo sacerdócio, e viveram até uma grande idade. Diz-se que Matusalém viveu quase 1.000 anos, e assim também o Pai Adão e outros. Detinham o sacerdócio, e ensinavam a seus filhos a verdade e a retidão, para estabelecer o reino de Deus em seu dia e geração. Aqui é onde digo que o Senhor começou e trabalhou para estabelecer Seu reino, e guiar os homens a receberem a palavra do Senhor, para que pudessem andar em obediência a Suas leis, cumprir o objetivo de sua criação, e serem salvos quando terminassem esta provação — para que pudessem guardar seu estado e receber uma exaltação e glória na presença de Deus.

Somos informados, por revelação, que Adão, três anos antes de sua morte, "chamou Sete, Enos, Cainã, Maalalel, Jarede, Enoque e Matusalém, que eram todos sumos sacerdotes, com o restante de sua posteridade que era justa, ao vale de Adão-ondi-Amã," e ali lhes conferiu sua última bênção patriarcal; e profetizou o que haveria de acontecer, até mesmo até a vinda do Messias, cuja profecia se diz estar escrita no Livro de Enoque. Mas os homens logo começaram a produzir corrupção e iniquidade sobre a terra naquela era antiga; e, ao traçarmos a história da igreja e reino de Deus desde aqueles profetas em diante, achamos que a maioria da família humana não estava disposta a guardar os mandamentos de Deus, nem a viver segundo aqueles princípios que lhes foram revelados para sua salvação. Foi apenas pouco tempo depois, comparativamente falando, que Enoque, que estava familiarizado com os ensinamentos de Adão e de seus pais que detinham o santo sacerdócio, trabalhou para reunir o povo, para que praticasse a retidão, mas a maioria deles não se deixou guiar por ele. Trabalhou 365 anos, somos informados por revelação, ensinando-lhes princípios de retidão, para que pudessem se tornar santificados e preparados para receber a glória celestial, mas seus trabalhos não foram apreciados por eles. Por que não permaneceu Enoque na terra e Sião prevaleceu? Porque a maldade prevaleceu. A maioria da família humana naquela geração era má; não era governada pelo Senhor; e, por isso, não havia homens suficientes sobre a face da terra, naquela geração, dispostos a receber o evangelho, guardar os mandamentos de Deus, e praticar as obras da retidão, para que Enoque tivesse poder de permanecer na terra. Por isso o Senhor levou Enoque e a cidade de Enoque para Si mesmo; pois somos informados por revelação de que a cidade foi transladada, com todos os seus habitantes. Não havia homens suficientes nos dias de Enoque dispostos a sustentar o que era certo; uma parte ou outra tinha de deixar a terra, e o Senhor transladou Enoque e sua cidade e os levou para Si mesmo.

Podem traçar a história do reino de Deus a partir daquele tempo em diante, e encontrarão isto prevalecendo entre as nações da terra. Eram propensas ao mal, ao pecado, à blasfêmia, à mentira, ao roubo, ao juramento falso, ao adultério, a poluir a terra que herdaram, em seu dia e geração; e, por isso, era uma impossibilidade para o Senhor estabelecer Seu reino entre os filhos dos homens, a menos que pudesse encontrar mentes dispostas o suficiente para receber aquele reino, edificá-lo e sustentá-lo, e praticar as obras da retidão. O diabo não fez esta terra. Nunca lhe pertenceu, e nunca pertencerá; mas Lúcifer foi lançado à terra com a terça parte das hostes do céu, e habitaram aqui até hoje. Ainda permanecem aqui; e tiveram seu efeito sobre os corações, as mentes e as vidas dos filhos dos homens por quase seis mil anos — desde que o homem foi expulso do Jardim do Éden para o mundo frio e desolado.

O Senhor tem estendido Sua mão muitas vezes, em diferentes dispensações, para estabelecer Seu reino sobre a terra; Ele tem levantado homens — espíritos nobres — que vieram e habitaram na carne em diferentes períodos e épocas. Ele inspirou esses homens; deu-lhes revelações; encheu-os de inspiração, de luz, de verdade, das coisas do reino de Deus; e a muitos deles foi aberta a visão de sua mente, para contemplarem o destino da obra de Deus em todas as gerações — o início, o meio e o fim. Muitos profetas antigos viram, por revelação, nosso dia; viram a tristeza, a calamidade, a guerra e as aflições em várias dispensações e eras do mundo. A terra havia se tornado tão corrompida sob seus habitantes, nos dias de Noé, que a palavra do Senhor veio a ele para construir uma arca; ele recebeu revelação de Deus para se preparar para salvar a si mesmo e sua família, enquanto os ímpios foram destruídos. Enoque, antes dele, já havia visto este acontecimento; havia visto as mesmas coisas que Noé. O Senhor lhe havia mostrado o que estava no futuro. Sempre que uma geração se corrompeu e poluiu a terra, e a taça de sua iniquidade se encheu, o Senhor trouxe juízos sobre aquela geração. Disso temos ampla testemunha, desde o princípio do mundo.

Noé levou 120 anos construindo a arca, somos informados nas escrituras, e durante esse tempo pregou o evangelho. Quantos estavam dispostos a crer em seu testemunho? Apenas oito almas ao todo, incluindo ele mesmo. Foi, presumo, muito impopular, e teve tanto escárnio derramado sobre sua cabeça, por construir uma arca em terra seca, quanto qualquer homem que já viveu na terra. Mas Noé era um profeta e mensageiro de Deus, chamado a advertir aquela geração e a construir uma arca, e, se não o tivesse feito, teria sido responsabilizado pelas vidas de si mesmo e de sua família, e de toda aquela geração. Mas tinha o Espírito de Deus, e estava disposto a fazer o que lhe foi dito, quer a doutrina que pregasse fosse popular, quer impopular. Construiu a arca, e entrou nela com sua família, e foram salvos. A história do dilúvio e da salvação de Noé e sua família é bem conhecida. Realizou a obra que lhe foi designada, e foi salvo; e aquela geração foi para o inferno, ali para permanecer até que Cristo fosse pregar o evangelho a seus espíritos em prisão, para que fossem julgados como homens na carne. Assim podem traçar a história do reino de Deus pelo mundo, geração após geração, e não há geração de que já tenhamos lido em que a maioria estivesse disposta a servir ao Senhor.

Olhem para os dias de Abraão, cuja fé era tão grande que foi chamado o pai dos fiéis. Era herdeiro do sacerdócio real, outro espírito nobre, o amigo de Deus. Veio a esta terra, não por um caminho de luz, mas por meio de pais idólatras. Seu pai era idólatra. Não sei quem era seu avô; mas seu pai tinha falsos deuses a quem adorava e sacrificava. Deus inspirou Abraão, e seus olhos foram abertos, de modo que viu e compreendeu algo do trato do Senhor com os filhos dos homens. Compreendeu que havia um Deus no céu, um Deus vivo e verdadeiro, e que nenhum homem deveria adorar outro Deus senão a Ele. Estes eram os sentimentos de Abraão, e ensinou-os à casa de seu pai, e a todos ao seu redor, na medida em que teve o privilégio de fazê-lo. A consequência foi que seu pai e os sacerdotes idólatras daquele tempo buscaram tirar-lhe a vida. No livro de Abraão, traduzido em nosso dia e geração, somos informados de que Abraão foi amarrado, e aqueles sacerdotes buscaram tirar-lhe a vida, mas o Senhor o livrou deles. Uma razão pela qual o fizeram foi que ele havia entrado naqueles lugares que seu pai considerava sagrados, e entre os deuses de madeira que ali estavam, e, cheio de ira porque seu pai se curvava e adorava deuses de madeira e pedra, os quebrou. Quando seu pai viu que seu filho Abraão havia quebrado seus deuses, ficou muito irado com ele. Mas Abraão, tentando raciocinar com seu pai, disse que provavelmente os deuses haviam começado a lutar entre si e uns haviam matado os outros. Tentou fazê-lo raciocinar, mas seu pai não acreditava que tivessem vida suficiente para se matarem uns aos outros. Se tivesse possuído o espírito que seu filho tinha, teria dito que não há poder algum nesses deuses; mas não o teve, e Abraão teve de fugir da casa de seu pai, confiando no Senhor, que lhe fez muitas promessas a respeito de si e de sua posteridade.

Não temos registro de que o Senhor tenha organizado um reino sobre a terra naquele dia; mas deu o sacerdócio a Abraão, que ensinou a seus filhos os princípios da retidão. Isaque ensinou a Jacó; e os filhos de Jacó, os doze patriarcas, foram ensinados pelo sacerdócio, e Deus lhes deu muitas grandes e gloriosas bênçãos. Daquele tempo até os dias de Moisés, podemos traçar, na história sagrada, que o Senhor teve testemunhas na terra, de tempos em tempos, que foram levantadas e deram testemunho da verdade ao povo. Moisés foi levantado e conduziu Israel por quarenta anos; era sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e recebeu seu sacerdócio de Jetro, seu sogro, que o recebeu por meio de Abraão. Moisés empreendeu pregar o evangelho aos israelitas; mas eram muito obscuros, muito propensos ao mal, assim como os gentios ao seu redor; e não tinham aquela fé e a plenitude da inspiração que o Senhor desejava, para edificar Seu reino; consequentemente, receberam uma lei de mandamentos carnais, para conduzi-los a Cristo. O Senhor trabalhou com eles, e Moisés trabalhou com eles; não podia deixá-los por pouco tempo sem que estivessem prontos a se voltar para a idolatria, e fazer um bezerro de ouro para adorar, ou algo contrário ao reino de Deus.

Tracem isso até os dias de Cristo, e acharão que sempre foi coisa difícil para o Senhor fazer com que o povo tivesse fé n'Ele para edificar Seu reino. Jesus veio em cumprimento das profecias; era o Filho de Deus, e descendente literal de Abraão. Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam, embora fosse o Filho de Deus. Tomem os judeus hoje, em qualquer parte do mundo, e não creem em Jesus. Não digo isso porque desejo encontrar defeito neles. Tenho grande amor por eles como povo. Mas rejeitaram o Messias, e permanecerão na incredulidade até que voltem e reconstruam Jerusalém — o que farão nesta geração — e até que o Messias venha. Virá o dia em que Judá saberá quem é Siló, e esse dia não está muito distante. Jesus veio, organizou Sua igreja e reino, e enviou o evangelho aos judeus; mas os judeus falharam, por incredulidade, e o evangelho foi dado aos gentios, aos quais um dos apóstolos antigos disse, "se Deus não poupou os ramos naturais, teme que também te não poupe a ti." Permaneceu o reino de Deus nos dias de Cristo, com apóstolos, pastores, mestres e o dom do Espírito Santo? Passou-se apenas pouco tempo até que o Senhor já não conseguisse encontrar homens suficientes por todo o mundo gentio que recebessem o reino de Deus em sua pureza, abraçassem seus princípios e o mantivessem sobre a terra. Por isso houve uma apostasia; os dons e graças do evangelho se perderam para os homens; aqueles que detinham o sacerdócio foram subjugados, e mortos por homens ímpios. A igreja foi para o deserto, e tudo o que os profetas haviam falado a respeito do reino de Deus naquele dia teve seu cumprimento.

A cristandade professa crer na Bíblia; e tudo o que pedimos a esta geração é que creia na Bíblia, e então crerão que Deus estabelecerá Seu reino nos últimos dias, pois a Bíblia claramente o aponta, e mostra que o Senhor enviará um anjo, portando o evangelho eterno, aos que habitam na terra, para que seja pregado a toda nação, tribo, língua e povo. Todos os profetas que falaram dos últimos dias falaram desta obra. Daniel a viu e profetizou sobre ela. Isaías, Jeremias, e todos os profetas se referiram a ela. E o Senhor enviou Seu anjo, em cumprimento do que declarou que faria, que chamou um homem sobre a terra, descendente literal de Abraão e de José — uma das sementes prometidas, sobre a qual se profetizou em eras passadas, de que viria e lançaria o alicerce do reino de Deus. Os anjos de Deus ministraram a ele; seu nome era Joseph Smith; e ele lançou o alicerce deste reino, ou esta congregação não estaria diante de mim hoje. Vocês são os frutos dos trabalhos que ele começou.

O Senhor disse que, nos últimos dias, Seu reino não seria tirado da terra, nem dado a outro povo; mas que os reinos deste mundo se tornariam os reinos de nosso Deus e Seu Cristo. Temos a Bíblia, o Livro de Mórmon, o livro de Doutrina e Convênios, e outras revelações de Deus a este respeito. Ou este é o reino de Deus, ou não é o reino de Deus. Se não é o reino de Deus, então somos como o resto da humanidade; nossa fé é vã, nossas obras são vãs, e estamos na mesma condição de ignorância a respeito do evangelho e dos propósitos de Deus, como o resto do mundo. Há dezenas de milhares por estes vales que sabem que este é o reino de Deus. Sabem-no pelas revelações de Jesus Cristo. Não é o testemunho de outro homem que me dá o conhecimento por mim mesmo. Se eu não tivesse o testemunho da verdade por mim mesmo, não estaria qualificado para edificar este reino. Não há homem nem mulher qualificados para edificar o reino de Deus, se não têm o testemunho da verdade por si mesmos.

Direi a esta congregação, judeu e gentio, crente e incrédulo, que este é o grande reino de que falou Daniel, o começo da Sião de nosso Deus, do qual falou todo profeta que se referiu à Sião dos últimos dias. O Senhor jurou por Si mesmo, porque não podia jurar por maior, que a estabelecerá nos últimos dias. Mas, para fazê-lo, precisa conseguir um povo para trabalhar com Ele. Não poderia ser feito de outra forma, ainda que o mundo durasse um milhão de anos, pois é pelo livre-arbítrio que os homens detêm que Ele realiza Seus propósitos sobre a terra. O Senhor preparou o caminho para esta era e geração, e levantou alguns dos mais nobres espíritos nesta dispensação que jamais habitaram na carne. Ordenou Joseph Smith desde antes da fundação do mundo, para vir e lançar o alicerce de Seu reino. Aqueles que conheceram Joseph sabem que foi verdadeiro e fiel até a morte. Trabalhou, depois de ser ordenado com Oliver Cowdery, quatorze anos, dois meses e vinte e um dias, no estabelecimento desta obra, depois de organizar o primeiro ramo, com seis membros, no dia 6 de abril de 1830. Foi martirizado em 27 de junho de 1844. O que realizou, levantado como foi, no meio de uma geração tão cheia de tradição quanto os habitantes da terra estavam nos dias de Noé, e quase tão incrédula quanto aquela geração era? Teve de combater os erros de nossos antepassados, que haviam sido transmitidos por gerações. Construiu sobre o mesmo alicerce que Jesus e os apóstolos construíram. Pregou o mesmo evangelho, acompanhado das mesmas ordenanças que eles pregaram. Organizou a igreja da mesma maneira, com os mesmos dons e bênçãos, e o mesmo Espírito acompanhou o evangelho àqueles que creram. Os élderes saíram, chamando os filhos dos homens a se arrependerem e serem batizados para a remissão dos pecados, e a terem mãos impostas sobre eles, para que pudessem receber o Espírito Santo. E o testemunho era que, se obedecessem ao evangelho, receberiam aquele Espírito. Sustentou o Senhor aquele testemunho, dando o Espírito Santo dos céus? Sustentou, como todo homem e mulher fiéis nesta igreja sabem, e podem testemunhar diante de Deus, dos anjos e dos homens. Esta foi uma grande obra. Viveu até enviar o evangelho às nações da terra; construiu templos, deu investiduras aos Doze e a outros, e lhes disse que deveriam levar este reino adiante. Realizou tudo o que o Senhor lhe exigiu, e selou seu testemunho com seu sangue; e seu testemunho está em vigor hoje. Se Joseph Smith tivesse recuado diante do dever que Deus lhe exigiu; se tivesse dito, "é impopular, não ganharei tanto pregando o evangelho quanto se o deixasse de lado, só serei perseguido," a consequência teria sido que seria condenado. O Senhor teria tirado dele o sacerdócio, e o teria responsabilizado pelo testemunho que lhe havia dado. Estamos todos nesta posição. Se não cumprirmos nosso dever e não dermos testemunho fiel a esta geração, o Senhor nos responsabilizará. Esta geração, que derramou o sangue de Joseph Smith e de seu irmão Hyrum e de outros dos ungidos de Deus, é responsabilizada por isso diante do alto céu, e os juízos de Deus os seguirão por derramarem sangue inocente.

Mas parou o reino quando os profetas foram mortos? Não, pois é o reino de Deus. Coube ao Irmão Brigham Young receber o sacerdócio e deter as chaves do reino. Vocês, que estão familiarizados com ele há trinta anos, conhecem sua vida. Sabem o que ele realizou. Já viajei muitos milhares de milhas com ele, e estive familiarizado com seus trabalhos. Nenhum homem jamais viveu na carne que percorresse mais milhas para levar a salvação aos filhos dos homens, que pregasse mais e fizesse mais pela redenção da humanidade e para realizar os propósitos de Deus, durante trinta anos, do que ele fez e está fazendo. O Senhor o tem sustentado, pois Ele vai encurtar Sua obra em retidão. Ele está determinado a edificar Seu reino, como prometeu. Já viram algum élder recusar quando chamado a ir numa missão pregar o evangelho? Dificilmente um em cinco mil. Isso porque são verdadeiros e fiéis a Deus. O Espírito de Deus está neles. O Senhor plantou aquele Espírito neles, para que fossem e trabalhassem para edificar este reino.

O mundo sente hoje, a respeito do "mormonismo" e deste povo, como sentia nos dias de Noé e Ló, a respeito das revelações de Deus e daqueles que então as creram. Mas que importa? A incredulidade dos homens não anula a obra de Deus. O Senhor exige fidelidade de nossas mãos; e se não cumprirmos nosso dever, seremos responsabilizados diante do alto céu pelo uso que fazemos do santo sacerdócio que nos foi conferido.

Enquanto estava sentado e contemplava, na última Conferência, a vasta assembleia de élderes que estavam aqui neste tabernáculo, pensei nas palavras de Isaías, quando sua mente foi aberta e ele contemplou em visão o futuro. Disse ele, "exultai, ó céus, e alegra-te tu, terra, e vós, montes, prorrompei em cânticos, porque o Senhor consolou o Seu povo, e se compadecerá dos Seus aflitos." O que vês, Isaías, que deveria fazer-te irromper em tal linguagem quanto esta? Vejo o que os Deuses da eternidade veem. Vejo o que todos os profetas e patriarcas antes de mim viram — que o Senhor Todo-Poderoso edificará Sua Sião sobre a terra em grande poder e glória nos últimos dias. Sim, "mas Sião disse, o Senhor me desamparou, e o meu Senhor se esqueceu de mim. Porventura pode uma mulher esquecer-se de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que em ambas as palmas das minhas mãos te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim. Os teus filhos apressuradamente virão, porém os teus destruidores e os teus assoladores sairão para fora de ti." [O Élder Woodruff citou do versículo 13 ao 26 de Isaías, capítulo 49; os versículos 1, 2, 3, 7 e 8 do capítulo 52; e os versículos 1, 2, 3, 4, 5, 13, 14, 15 e 22 do capítulo 60.]

Assim, capítulo após capítulo, ele prossegue declarando que a força de Sião está no Senhor Todo-Poderoso; e Sua força está com ela por causa de sua fidelidade e integridade. Se os élderes de Israel tivessem a visão de sua mente aberta para ver Sião em sua beleza e glória, não teriam tempo para pecar ou fazer o mal; mas se levantariam na força do Senhor Deus de Israel e realizariam tudo o que Ele exige de suas mãos. Sião ainda está em sua fraqueza, mas a pequena se tornará milhares, e a pequena, uma grande nação. Falamos do futuro e das promessas de Deus a nós. São dignas de serem faladas, dignas de se viver por elas, e de se regozijar por elas, porque são verdadeiras.

Advertimos nossa própria nação e outras; e até aqui nossas vestes estão livres do sangue desta geração. Nunca houve homens na carne que trabalhassem mais arduamente, nem se esforçassem mais por cumprir os mandamentos de Deus, do que os élderes desta igreja têm feito. Alguns de nossos élderes já viajaram mais de 100.000 milhas em trinta anos, para pregar o evangelho e edificar o reino de Deus; e o Senhor Todo-Poderoso tem trabalhado conosco.

Tenho uma ansiedade — um forte desejo — de ver o povo dos Santos dos Últimos Dias, os habitantes de Sião, se levantarem e se revestirem de sua força. Desejo vê-los aumentar no conhecimento da verdade, na fé e nas boas obras, e no conhecimento das coisas do reino de Deus. O Senhor não Se agrada da maldade e do pecado. Que qualquer homem olhe para nosso amado país. Há mais crime agora cometido em dez anos ali do que costumava haver em um século. Suportará o Senhor isto? Não, não suportará. Já destruiu duas nações grandes e poderosas que habitaram neste continente, e os remanescentes de outra estão espalhados pelo país, nos poucos miseráveis que carregam sobre si as marcas da maldição de Deus — os índios. Se os homens derramam sangue inocente, praticam a maldade e trabalham a iniquidade, hão de colher a colheita da semente que semeiam.

Se os Santos dos Últimos Dias, a quem o Senhor revelou a luz e a verdade do evangelho, se mostrassem infiéis e se rebelassem contra Deus, seriam amaldiçoados abaixo de qualquer povo da terra, abaixo até mesmo destes miseráveis lamanitas que vemos vagando ao redor de nossos povoados; pois sabemos mais do que eles ou seus pais sabiam; sabemos melhor qual é a mente e a vontade de Deus. É esse conhecimento que nos sustentou nos últimos trinta anos, e mais. Sabemos que este é o reino de Deus; que somos os amigos de Deus; que o reino permanecerá firme; e ai daquela nação, tribo, língua ou povo, daquele indivíduo ou família debaixo de todo o céu que levantar a mão contra o ungido do Senhor ou contra os amigos de Deus, pois sentirão a mão castigadora de Deus. Desejamos o bem a esta geração, e trabalhamos arduamente para tentar salvá-la. Se os homens creem ou descreem não nos importa; nosso negócio é guardar os mandamentos de Deus. Se vivermos de modo a manter o Espírito de Deus conosco, teremos poder para fazer o bem e para realizar as coisas que Ele exige de nossas mãos.

Sejam verdadeiros e fiéis; cumpram seu dever para consigo mesmos, para com seu país, para com seu Deus, e uns para com os outros. Quando fizermos isso, venceremos e herdaremos as vidas eternas. Que Deus conceda que assim o façamos, por amor de Cristo. Amém.

Como citar este discursoWilford Woodruff, “O Sacerdócio Antigo e Moderno—O Trato de Deus com os Filhos dos Homens em Toda Era—O Triunfo Final de Seu Reino”, (1865-10-22). Pulpit Vault, 1865-10-woodruff-the-priesthood-ancient-and-modern. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).