As Riquezas do Evangelho
George Q. Cannon
Aprecio muito o privilégio que tenho esta manhã, e que tive durante esta Conferência, de me reunir com os santos; é a primeira Conferência de outono que tenho a oportunidade de frequentar em dezesseis anos. Estes são, de fato, preciosos privilégios que Deus, nosso Pai Celestial, nos deu; estas oportunidades que agora temos de nos reunirmos e dispensar os cuidados que nos pressionam de semana em semana e de mês em mês, deixando-os de lado para concentrarmos nossas mentes e nossos pensamentos nas coisas de Seu reino, dedicando nossa atenção àqueles princípios celestiais que produziram tanta felicidade e paz em nosso meio. É bom para nós dedicarmos assim uma parte de nosso tempo à adoração de nosso Deus. Não sei como a Conferência se sentiu, mas, quanto a mim, depois que o voto foi tomado ontem para continuar nossa Conferência por uma semana ou um mês, se necessário, ou pelo tempo que os servos de Deus sentissem inclinação a continuá-la, senti um grande alívio em meus sentimentos; senti que aquela restrição foi removida, que, até certo ponto, nos oprimia, com a ideia de apressar os negócios e terminar até esta noite. Achei que estava certo, e senti um espírito de liberdade que não havia experimentado antes, e presumo que todos os santos sentiram o mesmo a este respeito. Não há nada mais importante para atendermos do que aquilo em que estamos empenhados hoje. Não podemos pensar em nada que seja de maior importância para nós, como indivíduos e como povo, do que este serviço. É uma obra deleitosa — um trabalho de amor que nosso Pai Celestial nos garantiu o privilégio de realizar. A organização que agora contemplamos, os maravilhosos frutos e resultados que nos acompanharam desde o princípio, e que são tão deleitosos de contemplar hoje, todos brotaram do serviço em que agora estamos empenhados. Podemos dedicar tempo, como é necessário que dediquemos, aos trabalhos desta vida — a arar, a semear, a colher, a construir povoados, a realizar os trabalhos de caráter temporal que recaem sobre nós; estes trabalhos são importantes e necessários, mas não são mais necessários do que aqueles em que agora estamos empenhados; não são mais necessários do que nos reunirmos frequentemente para ouvir a palavra de Deus, para sermos instruídos nos princípios da vida e da salvação por aqueles que têm sido nossos pais no Evangelho. ¶
É necessário que nos examinemos, que nos tragamos à luz da verdade, para aprender se estamos seguindo o rumo certo: como o marinheiro que, ao retornar ao porto, compara os cronômetros de seu navio com a hora correta em terra, para ver se mantiveram a hora exata e estão em boas condições para empreender outra viagem, a fim de poder determinar corretamente sua posição, para que não se perca quando estiver no oceano sem trilhas. Podemos vir à Conferência desta maneira e nos examinar, como homens que retornam de uma missão depois de uma ausência de anos entre as nações. Voltam desejosos de se comparar com seus irmãos em Sião, dizendo, como Paulo antigamente, que de fato não correram em vão; verificando por si mesmos que o Espírito que possuíam, e o rumo que tomaram, são o Espírito e o rumo que seus irmãos em Sião possuíram e tomaram. Há muito proveito a se obter de associações deste caráter. É necessário que sejamos trazidos com muita frequência a um senso de nossa condição, de nossa dependência de Deus, de nosso relacionamento com Ele, das obrigações que recaem sobre nós como Seus filhos, e servos, e servas. Não podemos fazer isso como deveríamos quando negligenciamos oportunidades como esta; mas, quando nos reunimos e nossos corações estão cheios de orações e ansioso desejo diante de Deus para que Seu Espírito Santo seja derramado sobre nós, então podemos ver se erramos, se nos desviamos, se fizemos algo errado e desagradável aos olhos de nosso Pai. Estas coisas nos vêm à mente, e nos vemos à luz do Espírito Santo, renovamos nossa força diante do Senhor, e nossa determinação de prosseguir e servi-lo com maior diligência e fidelidade no futuro do que fizemos no passado. ¶
Há uma mina de riqueza no Evangelho de Jesus Cristo que ainda é, comparativamente, por nós inexplorada. Vemos o mundo ao nosso redor cavando aqui e ali, e vagando por vales e montanhas em busca de tesouros escondidos; passam seus dias e noites buscando essas coisas e planejando por que meios podem obtê-las; mas temos, no Evangelho do Senhor Jesus Cristo que nos foi revelado, uma mina inesgotável de riqueza que é eterna. Há espaço para exercitarmos continuamente cada faculdade de nossas mentes e de nossos corpos, buscando as profundas e inesgotáveis riquezas do Evangelho de Jesus Cristo que nos foi confiado. Já participamos, até certo ponto, dessa riqueza; já percebemos, até certo ponto, sua riqueza, sua abundância; e o que já obtivemos dela deveria ser um incentivo para sermos ainda mais diligentes e perseverantes em buscar, com fervor e fé, junto a Deus, que nos dê de Seu poder, e cada vez mais de Seu Espírito, e daquela riqueza que só Ele possui, para que possamos continuar aumentando em riquezas eternas na terra, a fim de estarmos preparados para desfrutá-las por toda a eternidade. Aquele homem é verdadeiramente rico, quaisquer que sejam suas circunstâncias mundanas, que aproveita as oportunidades que tem, e que busca com toda diligência obter todas as bênçãos que dizem respeito à santa religião de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Há, porém, aqueles com quem já me encontrei, que professam ser bons Santos dos Últimos Dias, que parecem estar satisfeitos com a profissão de sua religião, que parecem estar satisfeitos com o fato de que aquilo que se chama "mormonismo" é superior a tudo mais que se ensina entre os homens. Presumo que sejam daquela classe de que falou o Presidente Young — homens que foram compelidos a se curvar em submissão à verdade, porque não puderam contradizê-la nem negá-la; e que o fato de estarem ligados a este sistema pareceu ser suficiente para eles; mas é suficiente? ¶
Em certo sentido, deveria bastar-nos saber que recebemos a verdade e estarmos satisfeitos com isso; ainda assim, deveríamos continuar a buscar, com energia e com fé, participar daquelas bênçãos e daquele poder que nosso Pai e Deus tem para conferir-nos. Se buscássemos possuir essas coisas com a mesma diligência com que o mundo busca as riquezas terrenas, não haveria uma alma ao alcance de minha voz que não fosse revigorada, cheia e satisfeita com as bênçãos que Deus lhe concederia. É característica do Evangelho de Jesus Cristo não se esgotar facilmente; pelo contrário, é sempre atraente. Ouvem-no hoje, como o ouviram trinta ou trinta e cinco anos atrás, e ele possui tantos encantos e tantos atrativos agora quanto então; repeti-lo não o desgasta — não torna o assunto batido — não o priva de seu interesse; mas, pelo contrário, seu interesse aumenta à medida que os anos passam sobre nossas cabeças; à medida que passam, nosso interesse na obra de Deus, e nosso amor por ela, e nossa apreciação de sua grandeza, aumentam. Neste aspecto, difere de tudo mais que conhecemos; satisfaz toda necessidade da natureza do homem. Há alguma necessidade em que possam pensar, há algo, de fato, ligado à existência do homem aqui, espiritual ou temporal, mental ou física, que o Evangelho de Jesus Cristo não satisfaça? Se há, não consegui descobri-lo. Ele compreende tudo; dá luz e dá inteligência, dá sabedoria sobre todo departamento da vida humana, satisfaz todo desejo ardente da alma. ¶
Antes que o Evangelho os alcançasse, meus irmãos e irmãs que o receberam já em idade madura, havia necessidades que existiam e que agora não mais existem; havia desejos ardentes que vocês nutriam, e que não eram satisfeitos por aquilo que podiam obter do mundo, e que hoje são satisfeitos em toda sua plenitude; não há desejo de seu coração, não há sentimento de sua alma, que não possa ser satisfeito legítima e consistentemente com sua natureza, no Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Sabem como eram, aqueles de vocês que abraçaram o Evangelho na Babilônia — sabem como eram quando o Evangelho os encontrou; havia, para citar uma expressão familiar, um vazio doloroso dentro de vocês. Havia desejos de sua alma, ou de seu espírito, que não podiam ser satisfeitos pelo joio e pelas cascas que lhes davam os assim chamados mestres daquele tempo; havia aspirações por conhecimento, por verdade, e por Deus, que nada podia satisfazer; buscavam em vão sua satisfação; procuravam à direita e à esquerda, indagavam aqui e ali, mas não conseguiam obter o conhecimento de que precisavam; não havia ninguém que pudesse dar-lhes a satisfação que ansiavam; mas assim que ouviram a verdade, assim que ouviram o som do evangelho eterno, e a voz de um homem dotado do Sacerdócio, sentiram que haviam encontrado a pérola de grande valor, sentiram que o desejo de seu coração estava prestes a ser satisfeito, e que, se esta religião se mostrasse verdadeira, se essas declarações e testemunhos pudessem ser confiados, então aquilo que haviam buscado e desejado por tanto tempo estava ao seu alcance. ¶
Os homens podem se esforçar para reprimir esses anseios e desejos por conhecimento, como fazem hoje sacerdotes e mestres por toda a terra; podem ridicularizar e negar sua existência, mas há algo dentro de nós, como filhos de Deus, que fala mais alto e tem mais força, potência e efeito do que jamais tiveram as tradições de nossos pais ou os ensinamentos de nossos antigos sacerdotes e mestres; há a voz da natureza, há a voz do céu em nossos corações, que clama por revelação de Deus, que clama por conhecimento, que clama por certeza, que clama por algo tangível e em que se possa confiar, e que o homem, com seus sistemas feitos por homens e com suas tolices, não pode satisfazer nem suprir por nenhum meio ao seu alcance. Ouvimos os homens falarem constantemente da ilusão que aqui existe, e da tolice dos homens que buscam revelação e conhecimento de Deus. Deve ser um idiota o homem que fala assim; aquele que faz tais afirmações não compreende o caráter humano. Se tivesse se estudado a si mesmo, teria visto que havia algo dentro dele mesmo que reivindicava mais do que o homem pode dar — que havia uma voz dentro dele que exigia e clamava em voz alta por verdade — verdade tangível, confiável — algo que pudesse ser compreendido e que viesse de Deus. Se não fosse assim, por que vemos tantos homens correndo de um lado para outro em busca de conhecimento, atrás de médiuns espíritas, astrólogos, adivinhos e frenologistas, para que lhes digam sua sorte e revelem algo relacionado ao futuro; farão qualquer coisa que lhes dê alguma ideia de seu futuro. Podem ser essas as perversões do sentimento, mas vemos as manifestações desta necessidade brotarem de várias formas por toda a terra, entre todo povo, e até mesmo entre os gentios. Quando não é governada por princípios verdadeiros, encontra-se desviada, e leva homens e mulheres a se desviarem, guiados por ela. ¶
Onde quer que exista a natureza humana, encontra-se um desejo pelo conhecimento da verdade, uma necessidade daquilo que diz respeito a Deus e à eternidade, e esta necessidade ou desejo não pode ser reprimido. Não há poder na terra que possa reprimi-lo; as tradições dos homens podem sufocá-lo, mas quando o espírito é permitido operar livremente e sem restrição, ele rompe todas essas barreiras, e afasta essas teias de aranha para buscar a verdade — a verdade pura, tal como vem do Eterno; e quando uma vez experimenta a fonte da verdade, e pode beber livremente, é revigorado, e o grande desejo do coração é satisfeito. Assim tem sido conosco, meus irmãos e irmãs; daí o contentamento que prevalece por nossos vales e povoados; daí a paz que se observa em nossas famílias. A paz paira sobre Sião; há vida e vigor nos corações dos filhos de Sião. Por que é assim? É porque recebemos aquilo que desejávamos; porque estamos vivendo em harmonia com as leis de nosso ser; é porque as necessidades de nossa natureza estão sendo satisfeitas por meio do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Se há alguém entre nós que não esteja satisfeito, se há alguém entre nós que vagueia de um lado para outro, procurando algo que não tem, esses são os que cometeram pecado e transgressão; são os que afligiram o Espírito de Deus; são os que perderam sua reivindicação sobre Deus, sobre Seu Espírito e Seu amor, e seguem com a alma insatisfeita, buscando contentamento, mas não o encontrando. Se há entre nós alguém que assim busca, formam uma classe distinta dos santos fiéis e humildes de Deus, que vivem sua religião e praticam a retidão. ¶
Deveria ser motivo de ação de graças e gratidão para nós que Deus, nosso Pai Celestial, na abundância de Sua bondade e misericórdia, nos revelasse Seu evangelho eterno; que, em Sua bondade, tenha enviado Seus santos anjos dos céus, com a verdade, e o poder, e a autoridade para administrar a verdade, e as ordenanças pertencentes à verdade, aos habitantes da terra. Sim, Deus, em Sua misericórdia, visitou nosso planeta, onde as trevas reinavam, onde a confusão e a ignorância haviam espalhado suas terríveis consequências, e todos eram como cegos tateando pela parede, quando a voz de Deus soou dos céus e rompeu o longo silêncio que havia existido por tantas gerações. O Irmão Brigham disse que, em seus dias de juventude, quando olhava para os habitantes da terra, lembrava-se de um formigueiro em estado de agitação, com as formigas correndo de um lado para outro sem objetivo nem propósito. Ora, esta era a condição de nós mesmos e de nossos pais quando o som do evangelho eterno veio à terra. Os habitantes da terra corriam de um lado para outro, e não havia ninguém para guiá-los, ninguém para controlá-los, nenhuma voz que se ouvisse entre os filhos dos homens dizendo com autoridade, "aqui está o caminho, andai nele"; não havia ninguém para dizer, "assim diz o Senhor"; nenhuma voz inspirada por Deus, a ser ouvida de polo a polo, do leste ao oeste; mas todos estavam na ignorância, todos estavam confusos, todos estavam nas trevas. Mas desde que o Evangelho foi restaurado, desde que foi recebido pelo Irmão Joseph Smith, o profeta, e pregado ao povo, e eles ouviram o testemunho de Deus, que mudança se operou no caráter de uma parte da população do globo desde então. ¶
Há princípios e qualidades que foram, e estão sendo, desenvolvidos nos últimos trinta e cinco anos, que se supunha não terem mais existência entre os homens; supunha-se que haviam desaparecido, que jamais seriam restaurados novamente. A chave do conhecimento por meio da qual os apóstolos operaram tais maravilhas nos dias em que viveram já não se encontrava mais entre os homens; mas assim que o santo Sacerdócio foi restaurado a Joseph Smith — pois ele recebeu o poder e a autoridade do céu, e por meio dele os princípios do céu foram restaurados à terra —, que mudança contemplamos! Do meio do caos que existia, a ordem foi produzida; do meio da contenda que por toda parte prevalecia, a união veio à luz; do meio da confusão e da guerra, a paz foi estabelecida; e vemos agora qualidades desenvolvidas no meio de nossos semelhantes que supúnhamos que jamais poderiam ter voltado a existir. A que se atribui isto? Diz um: "atribui-se a impostura e ilusão". Assim disseram nos dias de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; mas, digam o que quiserem, nós desfrutamos destes frutos; pois, ao passo que vivíamos em contenda, agora vivemos em paz; ao passo que vivíamos em confusão, agora vivemos em meio à boa ordem; ao passo que vivíamos na ignorância, agora vivemos em meio ao conhecimento, agora nos aquecemos à luz da eternidade, nos raios daquela luz que cerca o trono de Deus, nosso Pai Celestial, e nossas almas estão satisfeitas, e podemos nos regozijar e alegrar, e agradecer a Deus de manhã até a noite por ter nos concedido Sua verdade eterna. Por que não haveria de ser assim? ¶
Somos ensinados a crer que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de toda alma que crê. Salvação de quê? "Ah," diz um, "salvação de nossas almas." É o poder de Deus para a salvação — a salvação não apenas de nossos espíritos, mas de nossos corpos. Nos dias antigos, salvou os judeus, os gregos e os bárbaros do erro, do mal de várias espécies, e de igual modo nos salvará. No céu, cremos, produz ordem, paz e felicidade; e esperamos, quando partirmos daqui, ir a uma esfera onde, sob a influência do Evangelho, toda boa qualidade de nossa natureza será desenvolvida. Por que não haveríamos de receber, pela aplicação daqueles princípios celestiais a nós e a nossas vidas aqui na terra, os mesmos resultados? Já os produziram em dias passados, estão produzindo-os agora, e continuarão a produzi-los enquanto vivermos de acordo com eles. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, nada nos resta fazer senão sermos fiéis àquilo que nos foi revelado. As evidências que recebemos são de tal caráter que estaremos sob a mais pesada condenação, a menos que vivamos de acordo com os princípios que Deus nos deu. Não podemos alegar, como muitos podem, que somos ignorantes; não podemos fazer desculpas desse tipo, pois não somos ignorantes; desfrutamos do conhecimento. Nunca fomos à oração em nossas vidas, em segredo, e suplicamos a Deus, em fé, pelas bênçãos de que precisávamos, sem que não recebêssemos os desejos de nosso coração, e nos levantássemos de nossos joelhos sentindo que Deus estava conosco, e que Seu Espírito e poder estavam próximos de nós, e repousando sobre nós. Nunca houve um tempo, desde o dia em que nos tornamos Santos dos Últimos Dias até este dia, em que tivéssemos pedido, com humildade e mansidão, alguma bênção, e tivéssemos de nos levantar de nossos joelhos insatisfeitos e vazios; mas sempre recebemos aquelas bênçãos que nos eram necessárias, quando pedimos com fé. Que privilégio abençoado e glorioso é este! Quando estamos em dificuldade, em meio à aflição, e assediados por nossos inimigos, podemos ir a Ele, que é o Autor de nosso ser, a Ele que criou todas as coisas, que tem o poder de controlar nossos inimigos, e derramar nossa alma em oração e em súplica, e sentir que o registro foi feito, que o incenso de nosso coração ascendeu aceitável a Deus, e é ali guardado, e mantido em memória por Seus santos anjos em Sua presença. Que glorioso privilégio é este que temos, como povo e como indivíduos, não importa quão abatidos em tristeza, não importa quão profunda seja a aflição que possa nos cercar; esta é uma fonte inesgotável de força que Deus nos deu, e a isto se pode atribuir as maravilhosas preservações que experimentamos desde o princípio. ¶
Quão diligentemente nossos inimigos buscaram nos destruir, destruir o santo Sacerdócio da terra e matar o ungido do Senhor! Quantas vezes pareceu que estavam prestes a nos cercar, quando parecia que nenhum poder terreno que pudesse ser exercido conseguiria nos salvar da destruição! A quem atribuiremos essas maravilhosas libertações que experimentamos? Atribuí-las-emos ao poder mortal? Ah, não; já aprendemos bem demais quão fraco e fútil é o poder mortal. Mas a que se atribui? À fé que Deus implantou em nós por meio da revelação da verdade a nós. Atribui-se a Ele ter rasgado o véu de trevas que cobria a terra e se revelado a nós. Atribui-se a Ele ter aberto o canal de comunicação entre Si mesmo e nós. Sim, há um canal de comunicação entre este povo, os homens e mulheres que compõem este povo, e o trono de nosso Pai e Deus; e nossas orações têm ascendido aceitáveis a Seus ouvidos, e foram registradas nas alturas, e serão respondidas a seu tempo. Nunca houve uma oração oferecida em fé, mansidão e humildade, desde o dia em que esta igreja foi fundada até agora, que não tenha alcançado os ouvidos do Senhor, e esteja registrada em Sua presença, e será cumprida, mais cedo ou mais tarde, sobre a terra que habitamos, sobre nossa posteridade, e sobre os ímpios que nos afligiram. Não é este um glorioso consolo? Não se enchem seus corações de gratidão e ação de graças a Deus quando refletem sobre isto? Tem sido como um muro de força ao nosso redor; tem sido maior do que as fortificações de rocha e os montes duradouros que se ergueram como um poderoso baluarte ao redor de nossos lares. As orações dos fiéis servos de Deus, que se ofereceram desde o princípio em favor de Sião, têm sido uma torre de força. Chamaremos a nós mesmos de Santos dos Últimos Dias, e deixaremos de apreciar e fazer bom uso dos privilégios e bênçãos que nosso Deus nos deu? Se o fizermos, somos indignos deles; e se continuarmos a fazê-lo, os privilégios e as bênçãos que possamos desfrutar serão retirados daqueles que assim agem e dados àqueles que os apreciam, e que são mais dignos deles. Podem contar com isso, tão certamente quanto podem contar que a noite virá dentro de algumas horas, quando a terra tiver completado sua revolução diurna. ¶
Se eu lhes perguntasse hoje, meus irmãos e irmãs, o que dariam por sua posição e seus privilégios como Santos dos Últimos Dias, há algo que pudessem nomear? Há algo na terra que fosse suficiente, em sua estimativa, para induzi-los a trocar a posição que têm na Igreja de Deus e os privilégios que desfrutam como membros de Sua Igreja? Não há nada. Diriam que, se a riqueza do mundo fosse posta a seus pés em troca, a desprezariam como coisa de nenhum valor. Mas Satanás não nos tenta desse modo; ele sabe mais. Compreende nossa natureza mais perfeitamente do que isso. A experiência que adquiriu no passado o capacitou a compreender a melhor maneira de se aproximar do coração humano, como pode melhor nos enganar e insidiosamente nos desviar por tentações que são mais eficazes. Se um homem que estivesse desfrutando do Espírito de Deus há um ano lhe tivessem dito que ontem, dia 7 de outubro, uma tentação trivial lhe seria apresentada, de certo caráter (e que, naquele momento, ele consideraria desprezível), e que cederia a ela, ficaria espantado; mal acreditaria. "O quê! Vou trocar a riqueza que Deus me deu, a riqueza do Evangelho, a riqueza da liberdade que nele está contida? O quê! Vou trocar a alegria, a paz e a felicidade que agora tenho por uma tentação tão desprezível quanto essa? Farei isso? Não; não o farei." Mas o ano passa, e chega o dia 7 de outubro, a tentação é apresentada, e o homem que se julgava tão inexpugnável na verdade, e pensava que não poderia ser tentado e desviado dela, cai vítima, e de quê? Da riqueza do mundo? Não; mas de algo tão verdadeiramente desprezível, mesquinho e baixo, que é motivo de espanto para todos que o conhecem como pôde ser vencido por isso. ¶
Por isso vemos o poder de Satanás, o conhecimento de Satanás, e sua astúcia. Ele compreende as vias por onde melhor nos aborda; conhece as fraquezas de nosso caráter, e não sabemos o momento em que podemos ser seduzidos por ele, e vencidos, e cairmos vítimas dele. Nossa única preservação está em viver perto de Deus, dia a dia, e servi-lo com fidelidade, e ter a luz da revelação e da verdade em nossos corações continuamente, para que, quando Satanás se aproximar, o vejamos e compreendamos a armadilha que preparou para nós, e tenhamos o poder de dizer, "ó não; sendo Deus meu auxiliador, não cederei a isso; não farei o que é errado; não afligirei o Espírito de Deus; não me desviarei do caminho que meu Pai traçou para mim, mas andarei nele." Podemos fazer isso sem a luz do Espírito? Não; não podemos ver aonde levará o caminho em que entramos; não podemos dizer quais serão os resultados; mas quando a luz do Espírito de Deus ilumina nossas mentes e somos por ela esclarecidos, vemos claramente os resultados; e se não os vemos no momento, o Senhor logo os revela a nós, e nos mostra que, se continuarmos naquele rumo, afligiremos Seu Espírito e cairemos vítimas do adversário. ¶
Como disse no início de minhas observações, há riqueza no Evangelho de Jesus Cristo da qual hoje temos pouco conhecimento. Há uma eternidade de verdade e conhecimento, princípio após princípio, lei após lei, até que toda qualidade de nossa natureza, daquela natureza semelhante à de Deus que herdamos de nosso Pai e Deus, seja plenamente desenvolvida; até que sejamos capacitados a nos associar com Deus e os anjos por toda a eternidade. O Evangelho que nos foi revelado contém os princípios que trarão isso. À medida que progredimos nele, receberemos conhecimento adicional, luz e inteligência adicionais, e nossas almas ficarão cada vez mais satisfeitas. Regozijo-me extremamente com isto, agradeço a meu Deus por isto, porque minha alma está satisfeita neste Evangelho, e sei que não estaria satisfeita em nenhum outro lugar. Sei que há tudo de bom para nós, se vivermos a religião do Senhor Jesus. ¶
Há esta diferença entre Deus e Satanás no trato com a humanidade. Satanás é perfeitamente imprudente quanto às consequências que possam advir de qualquer coisa que dê aos filhos dos homens. Amontoará tentação sobre tentação diante deles, dar-lhes-á honra, riquezas e posição, e, se necessário, lhes dará revelação. Para quê? Para condená-los. Não se importa nem um pouco com o que possa acontecer a eles; mas oferece-lhes tudo o que pode controlar, sem juízo nem discernimento. Deus não age assim. Qual é o rumo que Deus tomou conosco, desde o princípio até o presente momento? Há algum pai nesta congregação que tenha vigiado tão cuidadosamente sobre seus filhos quanto Deus vigiou sobre nós? Há algum pai nesta congregação que tenha retido bênçãos impróprias deles tão cuidadosamente quanto Deus o fez conosco? Ele nos vigiou com ternura e bondade, dando-nos uma bênção aqui e uma bênção ali, uma revelação aqui e uma revelação ali, um preceito aqui e um preceito ali, à medida que podíamos suportá-los, desenvolvendo nossa experiência, e conhecimento, e nossa sabedoria, guiando-nos suave e seguramente pelo caminho que nos trará à Sua presença. Esta é a diferença entre Deus e Satanás; mas só posso dar-lhes uma pequena ideia disso. Nosso Pai Celestial é um Pai amoroso, bondoso e beneficente. Ele mesmo trilhou o caminho que agora trilhamos. Está familiarizado com cada passo do caminho, com todas as voltas desta vida; pois teve a experiência nela. Sabe como nos guiar e como cronometrar Suas bênçãos às nossas necessidades; e quando se sentirem impacientes e insatisfeitos porque Ele não lhes dá mais do que agora têm, e quando estiverem afligidos e abatidos em tristeza e dor, que a reflexão entre em seu coração para confortá-los, de que nosso Pai e Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, trilhou o caminho que agora trilhamos, que não há aflição nem tristeza que conheçamos, ou possamos conhecer, que o Senhor já não tenha experimentado; e Ele conhece nossa condição, sabe o que é bom para nós. Se precisamos de um dom e de uma bênção, Ele sabe quando concedê-la a nós. Isto deveria nos confortar; deveria fazer com que nos regozijássemos e alegrássemos, e nosso coração se enchesse de ação de graças continuamente diante do Senhor nosso Deus, por Sua abundante misericórdia e bondade para conosco, Seus filhos. ¶
Podemos pensar em algo que seria bom para nós, ou que deveríamos possuir, que Satanás possa nos oferecer, que não obteremos se formos fiéis? Ele nos apresentará um bom conjunto de provisões indo à Califórnia ou a qualquer outro lugar? Se apenas formos pacientes, e esperarmos nosso tempo, e servirmos a Deus fielmente, Ele nos concederá muito mais do que isso. Não há coisa boa que possa nos ser apresentada que não possamos obter no Evangelho. Podemos deixar nossa mente percorrer a terra e pensar na grandeza e na glória possuídas por reis e potentados; essas coisas estão todas abrangidas no Evangelho como recompensa para os santos, que desfrutarão bênçãos ainda maiores do que estas por sua fidelidade. Falamos de reis e nobres, e temos admirado sua glória; mas não está longe o dia em que haverá milhares de homens em Sião com mais poder, e com mais glória, honra e riqueza do que os maiores e mais ricos dos nobres da terra. A terra e sua plenitude nos são prometidas pelo Senhor nosso Deus, assim que tivermos a sabedoria e a experiência necessárias para exercer esse poder e essa riqueza. Não deveríamos, então, ser pacientes e diligentes, quando temos tanta ajuda dada a nós? Não deveríamos avançar incansável e resignadamente pelo caminho que Deus traçou para nós, quando temos a ajuda, o conforto e o consolo que Ele nos dá dia após dia? ¶
Não estamos trabalhando por algo que está distante, nem labutando pela recompensa que está longe, e que temos de esperar; mas estamos recebendo nossa recompensa à medida que avançamos, mesmo as ricas bênçãos do céu, dia a dia e hora a hora, e nos regozijamos nelas; e se estamos sem casa e sem amigos — isto é, no que diz respeito ao mundo — temos dentro de nós uma riqueza de conforto e alegria que o mundo desconhece; não podem dá-la, não podem tirá-la, pois vem de Deus. Por que não haveríamos de ser encorajados, então, sob estas circunstâncias? Se os Santos dos Últimos Dias se conduzirem de modo a receber condenação, sua condenação será a mais severa, pois têm luz, têm conhecimento, têm bênçãos cuja superioridade nenhum outro povo de que temos notícia jamais recebeu no mesmo espaço de tempo na terra. Bem, eu me regozijo nestas coisas. Não desejo ocupar seu tempo por mais tempo. Minha oração é que Deus os abençoe, e a todos nós, e nos capacite a apreciar a grande salvação que Ele nos confiou, por amor de Cristo. Amém. ¶