Assuntos Temporais e Espirituais — Deus, a Fonte de Toda Inteligência — os Governos da Terra — A Mão de Deus a Ser Reconhecida em Todas as Coisas, etc.
John Taylor
Ele exemplificou claramente algumas das coisas que dizem respeito a nossos interesses temporais e às nossas associações uns com os outros, e aos deveres cotidianos etc. que nos cabem. É geralmente o caso, como ele observou, que gostamos de refletir sobre as glórias e a exaltação dos Santos num mundo vindouro, sobre coisas que são espirituais, como as chamamos, com frequente negligência das coisas de natureza temporal, com as quais estamos mais intimamente familiarizados. ¶
É costume, entre os homens do mundo de onde saímos, falar aos domingos sobre coisas espirituais, quando estão vestidos com seus casacos de domingo e na reunião, e então, na segunda-feira, guardar sua religião junto com as roupas de domingo em seus baús, sem nada mais ter a ver com ela até o domingo seguinte. Esta prática prevalece mais ou menos no mundo religioso, onde os homens são classificados em diferentes ordens; onde um advogado deve ser advogado e nada mais; um médico deve atender exclusivamente àquele ofício, e o advogado e o médico não devem se intrometer nos deveres do ministro de religião; pois se considera privilégio exclusivo do ministro de religião ensinar religião, e suas funções são geralmente exercidas no dia de sábado, no púlpito, onde fala de coisas que supõe existirem em algum lugar além dos limites do tempo e do espaço, sobre as quais o povo que tenta instruir é tão ignorante quanto ele mesmo. Não se supõe que um político deva necessariamente saber algo sobre Deus ou religião; seria antes um empecilho à influência de um Senador dos Estados Unidos, de um membro da Câmara dos Comuns ou da Câmara dos Lordes na Inglaterra, ou de um membro da Câmara dos Deputados na França, ser um homem que ora, religioso. Pois se supõe que a religião nada tem a ver com a regulamentação dos assuntos nacionais, mas que estes são regulados pela inteligência que os homens possuem de natureza temporal, por seu conhecimento da posição da nação com que estão associados, e seu conhecimento de outras nações e de sua política. ¶
É bom que os homens sejam ensinados na história e nas leis das nações, que se familiarizem com os princípios da justiça e da equidade, com a natureza das doenças e as propriedades medicinais das plantas etc., mas não há necessidade de que estejam sem o conhecimento de Deus, pois, de fato, todo ramo de verdadeiro conhecimento conhecido pelo homem se originou em Deus, e os homens vieram a possuí-lo por sua palavra ou por suas obras. Ó, a tolice dos homens ao não reconhecerem a Deus em todas as coisas, ao deixarem de lado a Deus e sua religião, e confiarem em seu próprio juízo e inteligência. Toda a inteligência que os homens possuem sobre a terra, seja religiosa, científica ou política — procede de Deus — todo dom bom e perfeito procede dele, a fonte de luz e verdade, em quem não há mudança nem sombra de variação. O conhecimento do sistema humano procedeu do próprio sistema humano, que Deus organizou. Além disso, se traçarmos as antigas leis inglesas e as leis das nações antigas, veremos que os princípios de justiça, que são seu fundamento, foram colhidos da Bíblia, a vontade revelada de Deus aos filhos de Israel, para seu governo e orientação, até certo ponto, em alguns dos princípios de lei, justiça e equidade. Algum tipo de conhecimento que há no mundo se originou no homem? Não. Franklin possuía grande informação a respeito das leis naturais; extraiu o relâmpago das nuvens, mas não poderia tê-lo feito se não houvesse relâmpago nas nuvens. Ele apenas descobriu certo princípio, e desenvolveu a ação de certa lei que existia tão antiga quanto a terra. Então, quão tolo é, nestas circunstâncias, que os homens deixem Deus de lado e pensem que podem progredir, e ser espertos e inteligentes sem ele. ¶
Este sentimento tem muito do sabor dos sentimentos manifestados pelo velho rei babilônico. Ele havia construído uma bela cidade, e organizado um reino muito poderoso. Ao olhar para a cidade que construíra, começou a pensar que o fizera por seu próprio poder, inteligência, sabedoria, talento e capacidade, e esqueceu-se de Deus, e exclamou: "Porventura não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?" Sentiu-se um grande homem, e acreditou que a cidade e o império sobre os quais reinava deviam sua existência a este poder de sua mente, a sua inteligência, à solidez de seu juízo e à ação de suas faculdades intelectuais. Mas o Senhor fez com que ele visse que era como os outros homens, pois o expulsou para se alimentar entre os animais do campo, e ele comeu erva como um boi, e sua razão, juízo, inteligência e jactância foram abatidos. Este grande rei aprendeu que havia um Deus nos céus capaz de revelar segredos, e de desvendar a seu servo Daniel mistérios ocultos, e desenvolver seus grandes propósitos. Este era o tipo de religião que Daniel tinha; este é o tipo que deveríamos ter; é a religião que penetra toda a natureza; e se mistura com todos os assuntos da vida; está ligada a todo o bem-estar e felicidade de nós, como indivíduos, de nossos filhos e do mundo, se pudessem compreendê-la. Pois quanto mais nos aproximarmos de nosso Pai Celestial, mais poderemos obter daquela inteligência que habita em seu seio, e quanto mais formos como nosso Deus, mais teremos sucesso em realizar nosso próprio bem-estar e felicidade em relação a este mundo, e também em relação àquele mundo que há de vir. ¶
Os teólogos, como são chamados, deste mundo, são ignorantes deste tipo de religião. Vão às suas academias e aprendem teologia, ou a ciência da divindade. O que isso lhes ensina? Ensina-lhes algo a respeito de Deus além do que é revelado neste velho livro, a Bíblia? Nada mais. Nem mesmo aceitam o Livro de Mórmon, ou qualquer outra revelação que Deus tenha comunicado nos últimos mil e oitocentos anos. Então, o que sabem a respeito de Deus? Nada sabem sobre ele; e daí a discórdia, a contenda, o conflito e as divisões que continuamente existem. Um homem aprende uma coisa da Bíblia, outro homem aprende outra coisa, e há confusão, conflito, animosidade, disputas, cisão, e ensaio polêmico sobre ensaio polêmico, e todo tipo de descontentamento e desunião que possa existir no mundo entre aqueles chamados seguidores do manso e humilde Jesus. Qual é o problema? Ora, eles não estão de posse do espírito da verdade, mas, como o político, o médico, o advogado, na verdade como todos os outros homens que não estão dispostos a que Jesus Cristo reine, estão buscando chegar ao céu sem Deus. É bastante singular, mas é um fato. O advogado defende a lei sem Deus, o médico ministra remédios sem Deus, e o pastor quer conduzir o povo ao céu sem Deus. Todos navegam no mesmo barco, e todos tateiam nas trevas e na confusão; todos são ignorantes das grandes leis da vida, dos princípios que governam os Deuses nos mundos eternos, e dos princípios destinados a beneficiar e exaltar a família humana no tempo ou na eternidade; um é tão ignorante quanto o outro a respeito destas coisas. Eu tomaria tão de bom grado as opiniões do incrédulo como guia para o céu quanto as do teólogo, pois um está tão perto da verdade quanto o outro. De fato, a causa da grande quantidade de incredulidade que há no mundo é a tolice e o disparate dos assim chamados cristãos. O ministro cristão diz ao povo para se preparar para a morte. Quem, entendendo-se a si mesmo, se importa com a morte? Aquele que está de posse dos princípios da vida, que tem em si a palavra da vida, o espírito da vida, o espírito de inteligência que flui de Deus; o Espírito de Deus começou a viver para sempre; ele não tateia nas trevas, não se prepara para deitar seu corpo, mas para retomá-lo; não se prepara para jazer no túmulo silencioso, mas para viver entre os Deuses, e obter uma exaltação no reino celestial de Deus. Ele busca ser posto de posse da vida eterna, e sabe que, quando aquele que é nossa vida aparecer, seremos semelhantes a ele em glória; pode dizer: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo." Sente como Jó sentia: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra: e depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus: a quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro; e por isso as minhas entranhas se consomem dentro de mim." Poderíamos dizer muito mais sobre este assunto, mas prosseguiremos. ¶
O mundo político organizou seus governos sem Deus, e aqueles homens sábios de quem falamos têm feito leis sem Deus para regular os assuntos da família humana, e semearam as sementes da morte, e os princípios da dissolução, em seu corpo político; por isso Deus disse, pela boca de seus santos Profetas, há muito tempo, que suas nações seriam destruídas, que seus tronos seriam derrubados, que impérios seriam derrocados, e que os poderes da terra seriam abalados. Por quê? Porque há um verme roendo as entranhas desta grande estrutura humana de lei e governo, e a grande árvore política, cujos ramos sombreiam a terra, cairá, e grande será sua queda. Assim como os ministros religiosos tentam conduzir o povo ao céu sem Deus, também reis, governadores, presidentes e governantes fazem leis e governam o povo sem Deus, ou sem o espírito de sabedoria e inteligência que flui dele, e por isso estão preparando a si mesmos para sua própria destruição e derrocada. Algumas pessoas se espantam de que as dificuldades que agora se desenrolam nos Estados Unidos, e que ameaçam outras nações, devessem existir. Não é espantoso para aqueles que entendem a maldade e a corrupção, o mau governo, a tirania, a opressão e o desvio do certo que existem, e que sabem que há um Deus justo nos céus que governa, controla e administra os assuntos de todas as nações; eles entendem que há certos princípios de lei, de justiça, de equidade, de verdade, de retidão e de retribuição em relação a esses acontecimentos que hão de se dar. Que dificuldade haveria nestes Estados Unidos, supondo que o Senhor governasse e ditasse — supondo que suas palavras fossem escutadas —, tudo o que ele teria a fazer seria sussurrar algumas palavras aos ouvidos de alguns dos homens líderes do Norte e do Sul, e eles imediatamente transformariam suas espadas em relhas de arado, e suas lanças em foices etc., e diriam: por que deveríamos matar, massacrar e devastar? Por que deveríamos profanar e desolar um país tão belo quanto este? Por que deveríamos fazer tantas viúvas e órfãos? Por que deveria haver tantos gemidos e lágrimas, e miséria e desolação? Ora, tomemos outro rumo, retrocedamos nossos passos, e distribuamos justiça, e humilhemo-nos diante de Deus, e peçamos sua bênção, orientação e direção; se fizessem isso, haveria muito mais problemas? Penso que não. ¶
Penso que o Senhor administra tais coisas em cada era quase como fez nos dias de Nínive. Pensamos que eram um povo bárbaro naquele tempo, mas ainda assim se arrependeram diante da advertência do Profeta Jonas. O Senhor enviou Jonas para dizer-lhes que, em trinta dias, Nínive seria destruída. Jonas pensou que não acreditariam nele, e não quis ir com a advertência, mas por fim os advertiu, e eles se arrependeram em pano de saco e cinzas, e o Senhor desviou deles a fúria de sua ira, e preservou a nação e o povo por longo tempo depois disso, em consequência de seu arrependimento, de um reconhecimento de Deus e de sua palavra. ¶
O fato é que o povo, quase universalmente, se afastou de Deus, violou sua lei, pisoteou seus preceitos, e se desviou dos puros princípios da retidão, e, consequentemente, incorreu na ira de Deus, e ele está começando a derramar sobre eles as taças de sua ira, e eles a sentem intensamente, mas não sabem que ela vem dele; quando perdem uma batalha, culpam o General comandante e o removem para colocar outro General, e assim um após outro é removido, porque não conseguem vencer seus inimigos, e porque seus exércitos são derrotados diante deles. Não sabem que Deus está por trás dos bastidores, governando, regulando, controlando e administrando os assuntos da nação segundo o conselho de sua vontade; não sabem que eles mesmos e a nação com que estão associados estão imersos na iniquidade, que se afastaram do Deus vivo; abandonaram-no, a fonte de águas vivas; e cavaram para si cisternas que não retêm água. Não sabem que os juízos de Deus estão passando pela terra, e que nada senão a mão de Deus pode detê-los. "E acontecerá que, como for o povo, assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura. De todo se esvaziará a terra, e de todo será saqueada: porque o Senhor pronunciou esta palavra." Isto se aplica a todas as nações. Por quê? Porque estão administrando, controlando e conduzindo todas as coisas sem Deus. ¶
Estas coisas deveriam ser uma advertência para nós. Consolamos nossas almas, às vezes, no cumprimento das profecias de Deus. Dizemos que o "mormonismo" tem de ser verdadeiro, porque Joseph Smith profetizou assim e assado a respeito de uma divisão desta nação, e que as calamidades que agora a fazem lamentar-se deveriam começar na Carolina do Sul. Isto é verdade; ele de fato profetizou isso, e predisse os acontecimentos que desde então se deram, e disse onde deveriam se originar aquelas dificuldades. Ora, se isto é verdade, não são outras coisas também verdadeiras? Se é verdade que o Senhor revelou certa quantidade de verdade em relação a estes assuntos, não é igualmente verdade que ele revelou outras verdades nas quais estamos individualmente interessados; e se é verdade que Deus começou a lidar com outras nações como está fazendo com esta, até que a guerra e a desolação se espalhem pela terra, é igualmente verdade que deveríamos ser muito cuidadosos com o que fazemos para assegurar o favor de Deus e cumprir nosso destino sobre a terra de um modo que atenda a seus desígnios. O Senhor começou a realizar seus propósitos, e a edificar seu reino, e o fará, pois seus desígnios não podem ser frustrados; ele cumprirá seus grandes decretos, quer todos nós, quer parte de nós, quer nenhum de nós nos engajemos na obra — ou sejamos fiéis nela ou não; isso é, para ele, um assunto de muito pouca consequência; ele tem certa obra a realizar, e essa obra será realizada. ¶
Uma grande parte da obra que o Senhor vai realizar é o que geralmente se chama temporal, porque pertence à terra; isto é, o governo, as leis e a direção geral dos assuntos entre as nações que ainda não caíram sob o controle do Todo-Poderoso terão de ser tão mudados e alterados a ponto de ficarem sob seu controle, governo e ditame inteiros, em todos os aspectos. Ele mostrou a seus Profetas e a seu povo, há muito tempo, até certo ponto, que tipo de governo e regime ele teria nos últimos dias. Mostrou-lhes que viria um tempo em que todo joelho se dobraria, e toda língua confessaria ao Senhor, sejam eles sacerdotes ou povo, governantes ou governados, advogados ou médicos, seja qual for a posição que ocupem no mundo; a ele todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que ele é o Senhor de todos, para a glória de Deus, o Pai. Então falou de certos acontecimentos que se dariam antes disso — quando digo "ele", refiro-me ao Senhor falando por meio de todos os seus Profetas que profetizaram a respeito destes acontecimentos. Que dizem eles? "Eis que o Senhor esvazia a terra, e a desola, e transtorna a sua face, e espalha os seus moradores." "E da sua boca saía uma afiada espada, para ferir com ela as nações: e ele as regerá com vara de ferro: e ele pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E na veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS, E SENHOR DOS SENHORES." Assim se diz daquele que vencer: "E com vara de ferro as regerá; como vasos de oleiro serão quebrados em pedaços: assim como recebi de meu Pai." Tudo isto deve acontecer antes daqueles acontecimentos de que falamos, que hão de glorificar, felicitar e exaltar, quando o Senhor governar, e seus domínios se estenderem dos rios até os confins da terra. ¶
Parece ser muito difícil para nós reconhecer o Senhor em todas as coisas, e, no entanto, somos o único povo que professa fazer isso; não conheço nenhuma outra comunidade que tenha começado a reconhecer Deus em seus assuntos cotidianos, ou na administração de governos e nações; pois o mundo, em geral, não admite a intervenção do Todo-Poderoso, mas se considera perfeitamente capaz de regular seus próprios assuntos por sua própria sabedoria e inteligência. Somos o único povo que se aproxima disso; e, no entanto, quão fraca é essa aproximação, quão difícil é para nós levarmos nossas mentes a ceder obediência ao Senhor nosso Deus, mal podemos pensar nisso. Gostamos de falar sobre a glória e a exaltação, e a felicidade e as bênçãos que resultarão de certo rumo, mas não gostamos de seguir esse rumo; gostamos do nosso próprio caminho, e gostamos de satisfazer nossos próprios sentimentos e desejos. E então estamos de posse de uma grande quantidade de ignorância e tolice; parece difícil, para os melhores de nós, contemplar a Deus e seus desígnios, e a majestade de sua lei e governo, e os princípios pelos quais deveríamos ser governados em todos os nossos assuntos terrenos, em consequência dessa ignorância. Se, em assuntos religiosos, o melhor modo é construir uma boa casa para aqueles que vivem numa má, e convidá-los a sair da má casa para tomar posse da melhor, quanto mais este rumo é necessário em relação às coisas temporais, que não consideramos pertencer à religião; falo à maneira dos homens, e conforme sua fraseologia a respeito das coisas temporais. Falamos de estabelecer um governo, um reino, um regime e uma lei que estejam de acordo com o princípio da justiça, da equidade e da retidão, e então calculamos, de certo modo, ter um governo que seja autossuficiente, que avance de modo agradável e harmonioso, como as estrelas que se movem no firmamento sem choque, conflito, confusão ou desordem. Falamos de ter entre nós, por meio da inspiração do Todo-Poderoso, princípios de lei, justiça e equidade que governarão, regularão, administrarão e controlarão todos os assuntos segundo a sabedoria e o ditame do espírito que está no seio de Deus, e segundo a luz e a inteligência que governam toda a criação. ¶
Estamos à procura de algo deste tipo, mas fazemos apenas lento progresso rumo à sua realização. Só podemos obter conhecimento correto em relação a qualquer destas coisas do Todo-Poderoso. Só podemos saber governar a nós mesmos por uma porção da sabedoria que habita no seio de Deus; se não possuirmos essa sabedoria, podemos desesperar de jamais realizar algo em relação à edificação de seu reino. Sinto como Moisés sentiu, quando o Senhor disse: "Porque eu não subirei no meio de ti, porquanto és povo obstinado, para que não te consuma eu no caminho." "E ele (Moisés) lhe disse: Se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui." Assim digo eu: se o Senhor não nos dita, nada podemos fazer por nós mesmos; não podemos realizar os propósitos de Deus, nem edificar seu reino sobre a terra. Estes são itens importantes, e há muitos outros pequenos assuntos ligados a eles que estamos tentando alcançar, e um deles é tornarmo-nos autossuficientes. Precisamos, em primeiro lugar, começar a conhecer alguns dos assuntos mais comuns e essenciais da vida humana. Precisamos saber criar gado, cavalos, ovelhas, porcos etc. E então, quando os tivermos criado, precisamos saber cuidar deles da melhor maneira possível; e então, novamente, queremos criar famílias, e precisamos saber ensinar nossos filhos nas leis da vida, para que sejam verdadeiramente os representantes de Deus na terra, e sejam capacitados a tomar parte ativa na formação e organização de seu reino. Antes de podermos fazer isso, temos de aprender a lição nós mesmos e tentar entender alguns dos assuntos mais comuns da vida. Precisamos saber cultivar trigo, milho e batatas, e outros vegetais necessários e convenientes, e frutas de vários tipos, e precisamos saber cuidar deles depois de os termos produzido, e não desperdiçá-los, e, quando as dificuldades se acumularem, espessas e escuras, em torno das nações, precisamos saber como nos livrar dos perigos iminentes; precisamos saber como chegar a Deus, que está sobre tudo, e cujo olho penetra os mais profundos recônditos dos corações dos homens, cujo Espírito vai e vem pela terra e penetra todas as coisas; então precisamos ter fé para pedir-lhe as coisas de que necessitamos para nos sustentar como seu povo, e para edificar seu reino, e para nos livrar do poder do Adversário, e nos conduzir pelos caminhos da vida. Se os reis e príncipes da terra têm de vir contemplar a glória de Sião, precisamos ter em nós algo daquele princípio que atrairá a atenção e a admiração das nações vizinhas. Se não nos colocarmos num rumo para chegarmos à posse destes princípios, como poderemos jamais alcançá-los? É impossível. ¶
Falando de Dízimos, nós, como povo, reconhecemos que a Lei do Dízimo emana do Senhor; então, como é que precisamos falar tanto a respeito disso? Se não formos honestos conosco mesmos, e honestos com nosso Deus, de que nos servem todas as nossas professadas condições de representantes de Deus, de Élderes em Israel, de estarmos revestidos do Santo Sacerdócio, de sermos Mestres nos caminhos da vida? Os antigos judeus, os velhos fariseus, com toda a sua maldade e corrupção, podiam gabar-se de pagar dízimos de tudo o que possuíam. Professamos ser melhores que os velhos fariseus, e, no entanto, parece ser muito difícil para os homens entre nós serem honestos consigo mesmos e com seu Deus em relação a um princípio tão simples quanto este. Qual é o problema? Fomos tirados da lama, nascidos em pecado e formados em iniquidade, por assim dizer; fomos vestidos de corrupção, e misturados nas abominações do mundo; saímos de um povo que não reconhecia a Deus, e é desonesto em seus atos, e parece quase impossível para nós deixarmos de lado nossa desonestidade e maldade. Se não pudermos atender a estas pequenas coisas, como será possível que nos elevemos no horizonte político e sejamos como um farol para todas as nações contemplarem? Ao Senhor não importa nem um pouco se pagamos nosso Dízimo ou não; isso não o torna nem um pouco mais rico nem mais pobre; o ouro e a prata são dele, e o gado sobre mil colinas; o mundo e toda a sua plenitude lhe pertencem, pois ele o organizou e o formou; mas, sendo assim, de que benefício isso lhe é? Ele quer, em primeiro lugar, levar os homens a reconhecer a Deus, ia dizer, num pequeno princípio carnal, um pequeno princípio terreno; ele quer levá-los a reconhecê-lo, dando-lhe uma certa pequena parte, ou um décimo do que lhes dá, para ver se serão honestos nesta ninharia, para ver se agirão como homens honrados e de mente elevada, ou não, ou se tentarão enganá-lo nisso. Se fizermos isso honesta e conscienciosamente, até termos cumprido nosso dever, estaremos então preparados para qualquer outra coisa. É o princípio, e não o Dízimo que pagamos, que é estimado pelo Senhor; ele não se importa com nosso Dízimo, mas se importa que façamos o certo. Se não pudermos ser fiéis em poucas coisas, não podemos esperar ser feitos governantes sobre muitas coisas. ¶
Parece haver a perspectiva de que alguns venham a sofrer, antes da próxima colheita, por falta de pão, pois nem todos os homens são competentes para prover e administrar por si mesmos; por isso se torna necessário que certo tipo de conselho nos seja dado, para que administremos estes assuntos segundo certa lei, e provejamos e retenhamos alimento suficiente para nós mesmos. E, se a extração de ouro prosseguir em algum lugar em nossa vizinhança, e for preciso transportar o correio etc., que façam do melhor modo que puderem, pois isso é negócio deles, não nosso; nosso negócio é prover para nós mesmos, e, com isso, mostrar que somos administradores sábios e capazes de gerir as coisas que nos são confiadas. Estes são parte dos deveres que nos cabe cumprir, e estes pequenos e simples assuntos temporais chamamos de nossos deveres para com Deus, para conosco mesmos e para com nossas famílias. ¶
Rogo a Deus que nos capacite a fazer o certo, e a seguir aquele rumo que nos granjeará a aprovação do céu, para que sejamos salvos em seu reino, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶