Pulpit

As Perseguições dos Santos — Sua Lealdade à Constituição — o Batalhão Mórmon — as Leis de Deus Relativas à Raça Africana

Brigham Young

1863-03-08

Não desejo me restringir a nenhum assunto em particular nesta tarde.

O surgimento da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e sua história até este dia estão vividamente retratados em minha memória. Referi-me a esse assunto esta manhã, e à perseguição que nós, como povo, temos recebido, e à perseguição do Profeta Joseph Smith até a morte. Tenho também em mente a condição do mundo cristão, assim como a religião revelada do Salvador; também a religião judaica como precursora da religião cristã.

Esta manhã me referi à inteligência que temos, e à posição do mundo. O povo quer saber muito — quer saber tudo, mas não se pode aprender tudo num só dia nem num curto período de tempo. Esperamos aprender por toda a eternidade.

Este povo é objeto de escárnio e espanto para nossos vizinhos cristãos, e para todo o mundo um objeto de reflexão e pensamento sério. Quase todo homem que ocupa uma posição pública no mundo político, religioso ou pagão deseja possuir grande influência e estender seu poder. Há apenas um modo de obter poder e influência no reino de Deus, e apenas um modo de obter presciência, e é viver de tal maneira que essa influência venha de nosso Criador, iluminando a mente e revelando as coisas passadas, presentes e futuras pertencentes à terra e a seus habitantes, e aos tratos de Deus com os filhos dos homens; em resumo, não há fonte de verdadeira informação fora do Espírito de revelação; ele torna manifestas todas as coisas, e revela as disposições das comunidades e dos indivíduos. Ao possuir este Espírito, a humanidade pode obter um poder durável, benéfico, e que resultará num estado mais elevado de conhecimento, de honra e de glória. Isto só pode ser obtido trilhando estritamente o caminho da verdade, e nele andando fielmente.

Somos objeção para nossos vizinhos. Temos uma guerra. Como diz o Apóstolo: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste mundo, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais." Esta guerra começa dentro de nós.

Os espíritos que vivem nestes tabernáculos eram tão puros quanto os céus quando entraram neles. Vieram a tabernáculos contaminados, pertencentes à carne, pela Queda do homem. O Salmista diz: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe." Esta Escritura estabeleceu, na mente de alguns, a doutrina da depravação total — que lhes é impossível ter um só bom pensamento, que são inteiramente pecaminosos, que não há bem, não há sanidade, nem saúde espiritual neles. Isto não é correto, contudo temos uma guerra dentro de nós. Temos que lutar contra paixões más, ou as sementes da iniquidade que são semeadas na carne por meio da queda. Os espíritos puros que ocupam estes tabernáculos são influenciados, e é o direito daquele que os enviou a estes tabernáculos manter a preeminência, e sempre dar o Espírito da verdade para influenciar os espíritos dos homens, para que triunfe e reine predominantemente em nossos tabernáculos o Deus e Senhor de todo movimento. Não apenas temos esta guerra continuamente, dia a dia, dentro de nós mesmos, mas também temos uma influência ou pressão externa a resistir. Tanto o mundo religioso quanto o político têm influências contra as quais lutar que muito se assemelham entre si; são mais ou menos exercidos, governados e controlados por influências circundantes. Nós, Santos dos Últimos Dias, temos uma influência deste tipo contra a qual lutar.

A indagação nos tem sido frequentemente feita, no curso de nossa história, por que não contradizemos tais e tais declarações, "Por que não refutam isto ou aquilo?" "Por que não esclarecem o povo a respeito de certas declarações que são levantadas contra vocês, e desabusam a mente pública?" Nossa posição no presente dia é muito superior ao que era há dezesseis, vinte e trinta anos. Há dezesseis anos estávamos nas pradarias inóspitas, e num território indígena. Quinhentos de nossos homens capazes haviam sido tirados de nós pelo chamado do Governo, e foram lutar as batalhas de seu país. Há mulheres e crianças sentadas aqui hoje, cujos maridos, filhos e pais foram naquela campanha para provar a nosso Governo que éramos leais, e que se tornaram viúvas e órfãos em consequência daquela requisição. Aqueles nobres homens deixaram suas esposas e filhos e seus pais e mães idosos sem casa e sem proteção sobre as pradarias selvagens e cercados de selvagens, expostos a todos os rigores e mudanças do tempo, ao calor e ao frio, às chuvas e às tempestades sem protetores, até que muitos sucumbiram sob isso e deixaram seus restos sem vida para serem depositados sob o solo da pradaria. Quando este chamado nos foi feito, para colocar à prova nossa lealdade, havíamos viajado de Nauvoo e estávamos descansando na parte oeste do Condado de Pottawattamie, Iowa. Tínhamos botas e sapatos para nossos pés? Não. Alguns tinham, mas a maioria do povo não tinha. Tinham nossas esposas roupa para durar cinco anos? Não. Tinham nossos filhos roupa para durar tanto tempo? Não. A grande maioria do povo não tinha roupa nem sapatos para lhes dar conforto sequer por um único dia. Fomos obrigados a deixar nossos bens para trás, com os coxos e cegos e enfermos, que foram atacados enquanto estávamos ausentes para lhes encontrar um lugar seguro de estada.

Esta é a pressão externa. Ela nos forçou de Ohio para o Missouri, do Missouri para Illinois, e de Illinois para o deserto. Fomos acusados de deslealdade, alienação e apostasia da Constituição de nosso país. Fomos acusados de sermos secessionistas. Sou, assim Deus me ajude, e sempre espero ser um secessionista de sua maldade, iniquidade, desonestidade e princípios profanos de um ponto de vista religioso; mas somos eu ou este povo secessionistas quanto à gloriosa Constituição de nosso país? Não. Fomos secessionistas quando respondemos tão prontamente ao chamado do Governo Geral, quando estávamos sem casa e sem amigos nas pradarias selvagens de Pottawattamie? Penso que não. Ali dissemos aos irmãos para se alistarem, e eles obedeceram sem um murmúrio.

Quanto a irmos ao deserto, e sermos ali chamados a fornecer quinhentos homens capazes para ir ao México, já havíamos então visto todo direito religioso e político pisoteado por turbas; não restava ninguém para defender nossos direitos; fomos privados de todo direito que homens livres deveriam possuir. Ao formar aquele batalhão de quinhentos homens, o irmão Kimball e eu cavalgamos dia e noite, até termos reunido o número total de homens que o Governo requisitara. O Capitão Allen me disse, usando suas próprias palavras: "Apaixonei-me pelo seu povo. Eu os amo como nunca amei um povo antes." Ele foi um amigo até o fim. Quando havia marchado com aquele batalhão mórmon até Fort Leavenworth, foi lançado a um leito de doente onde eu então acreditava, e ainda acredito, que foi cuidado, tratado e medicado até o silencioso túmulo, e o batalhão prosseguiu tendo Deus por seu Amigo.

Aquele batalhão iniciou sua marcha de Fort Leavenworth pela via de Santa Fé, e por uma rota deserta e árida, e se estabeleceu na parte baixa da Califórnia, para o júbilo de todos os oficiais e homens que eram leais. No momento de sua chegada, o General Kearney se encontrava em situação difícil, e o Coronel P. St. George Cooke prontamente marchou com o batalhão em seu socorro, e lhe disse: "Temos aqui agora os rapazes que podem colocar tudo em ordem." Os rapazes daquele batalhão cumpriram seu dever fielmente. Nunca penso naquela pequena companhia de homens sem que os pensamentos seguintes sejam: "Deus os abençoe para sempre e sempre." Tudo isso fizemos para provar ao Governo que éramos leais. Antes disso, quando deixamos Nauvoo, sabíamos que iriam nos convocar, e estávamos preparados para isso em nossa fé e em nossos sentimentos. Eu sabia então tão bem quanto sei agora que o Governo requisitaria um batalhão de homens daquela parte de Israel, para testar nossa lealdade ao Governo. Thomas H. Benton, se fui corretamente informado, obteve a requisição para chamar aquele batalhão, e, em caso de não cumprimento dessa requisição, chamar a milícia do Missouri e de Iowa, e outros Estados, se necessário, e chamar voluntários de Illinois, Estado de onde havíamos sido expulsos, para destruir o acampamento de Israel. Este mesmo Sr. Benton disse ao Presidente dos Estados Unidos, na presença de algumas outras pessoas: "Senhor, são uma raça pestilenta, e deveriam se tornar extintos."

Vou de novo instar a este povo que viva de tal modo que tenha o conhecimento que deseja, pois não temos conhecimento de tudo, mas apenas daquilo que é necessário. Não mostramos ao mundo que amamos a Constituição de nosso país e suas instituições melhor do que aqueles que têm estado e ainda estão desagregando a nação? Não podem encontrar uma comunidade, colocada sob as circunstâncias em que estávamos, que tivesse feito o que fizemos por ocasião de fornecer o Batalhão Mórmon, depois que nossos homens líderes haviam sido mortos e havíamos sido compelidos a deixar nossas fazendas, jardins, lares e lareiras, enquanto, ao mesmo tempo, o governo geral foi chamado em vão para pôr fim a tal série de abusos contra um povo inocente.

O povo disse: "Dai-nos reparação por nossos danos!"

Governo: "Disseram algo? Estou surdo; não consigo ouvir uma única palavra do que dizem."

"Sr. Presidente, Sr. Senador, senhores todos os demais, podem ouvir os clamores da viúva e do órfão?"

Governo: "Falaram? Não consigo ouvi-los, senhores; notem o que digo, não consigo ouvi-los."

Depois de tudo isso, para provar nossa lealdade à Constituição e não a sua infernal mesquinhez, fomos lutar as batalhas de um país livre para lhe dar poder e influência, e estender nossas felizes instituições a outras partes desta amplamente estendida república. Deste modo provamos nossa lealdade. Fizemos tudo o que nos foi exigido. Pode haver algo razoável e constitucional que nos peçam que não realizaríamos? Não. Mas se o Governo dos Estados Unidos agora pedisse um batalhão de homens para lutar nos atuais campos de batalha da nação, enquanto há um acampamento de soldados de fora localizado dentro dos limites corporativos desta cidade, eu não pediria a um só homem que fosse; eu os veria primeiro no inferno. Qual foi o resultado há um ano, quando nosso então Governador, e agradeço a Deus por termos tido um Governador como o que tivemos há um ano, chamou homens para irem guardar a rota do correio? Estiveram prontamente à disposição? Sim, e quando o Presidente Lincoln me escreveu pedindo que eu equipasse cem homens para guardar a rota do correio, imediatamente alistamos os cem homens por noventa dias. Numa segunda-feira à noite recebi a instrução, e na tarde de quarta-feira aqueles cem homens já estavam incorporados ao serviço e acampados prontos para se mover. Mas nada disso prova qualquer lealdade a tiranos políticos.

Guardamos a rota do correio; mas eles não sabem o que sabemos a respeito de guardar esta rota, e o descobrirão em breve. Não precisamos de soldados aqui de nenhum outro Estado ou Território para realizar esse serviço, nem tampouco o Governo, como saberiam se fossem sábios. Eu tomarei, comparativamente falando, um rolo de tabaco, uma camisa e três centavos de tinta, e salvarei mais vidas e impedirei mais depredações indígenas do que eles podem fazer despendendo milhões de dólares investidos num exército para lutar e matar os índios. Alimentem-nos e vistam-nos um pouco e salvarão vidas; lutem contra eles, e abrirão caminho para a destruição dos inocentes. Isto será descoberto depois de um tempo, mas por ora não é conhecido, exceto por relativamente poucos.

Nós nos queixamos da barbaridade dos peles-vermelhas por matarem homens, mulheres e crianças inocentes, especialmente por matarem mulheres e crianças. Eles têm culpa por isto. Mas lembrem-se de que são selvagens, e que é costume entre eles matar o inocente pelos atos do culpado.

Perguntarei a toda pessoa familiarizada com a história da colonização do Continente da América do Norte e do Sul se já souberam de alguma colônia de brancos que se desse melhor com seus vizinhos selvagens do que os habitantes de Utah o fizeram. Falam de fazer tratados com os índios! Houve algum único tratado com os índios cumprido de boa-fé pelo Governo? Se houver algum, gostaria que me informassem. Mas nós os chamamos de selvagens, enquanto ao mesmo tempo os brancos, com demasiada frequência, agem tão mal quanto eles têm agido, e pior, quando se leva em conta a diferença de inteligência e educação. Assim tem sido em quase todos os casos de dificuldade com os peles-vermelhas. Quando soldados atacaram estas pobres, ignorantes, baixas, degradadas e miseráveis criaturas, mencionem uma ocasião, se puderem, em que pouparam suas mulheres e crianças. Massacraram indiscriminadamente os indefesos, os cegos, os velhos, a criança e a mãe.

Sou um ser humano, e tenho o cuidado de seres humanos. Desejo salvar vidas, e não tenho desejo de destruir vidas. Se dependesse de meu desejo, eu deteria inteiramente o derramamento de sangue humano. As pessoas no exterior geralmente não compreendem isto, mas hão de compreender. Como Paulo, fazem o que não gostariam de fazer, e deixam de fazer o que gostariam de fazer por causa do pecado que reina em seus membros. As nações do mundo podem aplicar este mesmo texto a seu próprio caso. Querem fazer algo, mas o que fazer corretamente não encontram.

Não temos apenas o homem do pecado com quem lidar, mas também a pressão externa. Então, o que devemos dizer a respeito deste povo? Responderei. Nunca houve tempo ou circunstância, desde que este Território foi organizado, em que a lei civil não reinasse triunfante nos corações e nos atos deste povo. A pressão externa agora é que este povo, chamado Santos dos Últimos Dias, são secessionistas em seus sentimentos, e alheios à Constituição e às instituições de nosso país. Isto é inteiramente falso. Não há outro povo sobre a face da terra que tivesse podido suportar o que nós suportamos, e ainda assim permanecer tão leal a nossos irmãos quanto temos sido e somos. Poderiam se desagradar com alguns dos atos dos administradores da lei, mas não com as leis e instituições constitucionais do Governo.

Este povo está cheio de paciência e longanimidade, apegando-se às instituições legadas a nós por nossos pais tão estreita e tenazmente quanto qualquer criança já se apegou ao seio materno, e desejaríamos que o Governo tivesse sempre sido administrado com tanta sabedoria a ponto de unir os melhores sentimentos do povo, e criar e continuar a criar união em vez de alienação. Os afetos das massas de cidadãos americanos — tanto do povo do Norte quanto do Sul — estão alienados uns dos outros, e estão divididos. Desejaríamos que pudesse ser diferente, mas este é o resultado dos atos dos políticos líderes de nossa nação. Quando os afetos do povo estão entrelaçados com um governo republicano administrado em toda a sua pureza, se os administradores não agem com virtude e verdade, é apenas natural que o povo se descontente com a má administração, e se divida e subdivida em partidos, até que o corpo político se estilhace em pedaços. Não há outra plataforma sobre a qual qualquer governo possa se apoiar e perdurar, senão a plataforma da verdade e da virtude.

O que podemos fazer? Podemos servir a Deus, e cuidar de nossos próprios assuntos; manter nossa pólvora seca, e estarmos preparados para toda emergência a que possamos estar expostos, e sustentar a lei civil à qual estamos sujeitos. Temos um julgador da lei neste Distrito Judicial que está aqui há uns oito ou dez anos. Encontrou ele alguma dificuldade ou problema no desempenho de seus atos oficiais neste distrito, que podemos dizer que é o cérebro, os pulmões, as entranhas de todo o Território? Encontrou ele alguma dificuldade em administrar a lei civil aqui? Não, exceto no caso em que tiranos procuraram interromper o curso regular e a administração dela. Aqueles que visam alçar-se ao poder e à fama seguindo tal rumo arrancam as penas de suas próprias asas, e roubam a si mesmos da glória e do poder que tão ardentemente buscam.

Temos nossas próprias dificuldades a enfrentar como povo, decorrentes de influências que não podem ser plenamente compreendidas por aqueles que não são dos nossos e não vivem conosco. Quanto a oferecer refutações às acusações feitas contra nós, seria impossível acompanhar o ritmo dos milhares de falsidades recém-inventadas que os poderes espirituais e os poderes temporais produziriam para alimentar a credulidade das massas ignorantes. Bunyan diz que é necessária uma legião de demônios para vigiar um cristão; seria necessária uma legião de refutações para acompanhar um mentiroso infernal, por isso dizemos: "continuem mentindo, falsifiquem tudo o que quiserem falsificar, e digam o que quiserem; há um Deus em Israel, e se ainda não o aprenderam, hão de aprender."

Alguns de meus amigos e irmãos ultimamente têm pensado que há uma influência sendo formada contra nós. Eu não daria as cinzas de uma palha de centeio por nenhuma influência que nossos funcionários aqui, que estão operando contra este povo, tenham em Washington. Se seus verdadeiros caracteres fossem conhecidos ali, sua influência seria destituída de peso na mente de qualquer homem sensato. Não estou de modo algum preocupado com o que possam fazer contra nós. Desejo que um único rumo seja seguido por este povo, e todo o resto estará certo. Se andarem fielmente no caminho de seu dever, com retidão diante de Deus, apegando-se ao certo, e se conduzindo de tal modo que nenhum ser nos Céus, na terra, debaixo da terra, ou no inferno, possa dizer com verdade que são culpados de qualquer ação injusta ou má cometida conscientemente, tudo estará certo. Deus reina nos Céus, e faz seu prazer entre os habitantes da terra, ele faz a vitória pousar aqui, e a derrota e a desgraça ali, como lhe apraz, e os exércitos em conflito não conhecem a causa de sua vitória ou de sua derrota. É Deus quem governa.

Estamos no meio destas montanhas, e temos boas e salutares leis para nos governar. Temos nossas leis constitucionais e nossas leis territoriais; estamos sujeitos a estas leis, e sempre esperamos estar, pois gostamos de estar. Se há algum homem entre nós que tenha violado alguma lei constitucional, submetam-no à lei, e vejamos se há alguma virtude nela, antes de recorrermos ao braço forte do despotismo e da tirania. Defendo a lei constitucional, e se alguém transgredir, que seja julgado por ela, e, se culpado, sofra sua pena.

Em 1857, estima-se que onze mil tropas foram ordenadas a vir para cá; cerca de sete mil partiram para este lugar, com vários milhares de agregados. Entraram neste Território quando uma companhia de emigrantes viajava pela rota sul para a Califórnia. Quase toda aquela companhia foi destruída pelos índios. Aquele infeliz incidente tem sido atribuído aos brancos. Certo juiz que então estava neste Território quis que todo o exército o acompanhasse ao Condado de Iron para julgar os brancos pelo assassinato daquela companhia de emigrantes. Disse ao Governador Cumming que, se ele levasse um juiz imparcial ao distrito onde ocorreu aquele terrível incidente, eu me comprometeria a que todo homem naquelas regiões circundantes estivesse disponível quando convocado, para ser condenado ou absolvido conforme decidissem um juiz e um júri imparciais e não preconceituosos; e prometi-lhe que a corte seria protegida de qualquer violência ou impedimento na condução das leis; e se alguns fossem culpados do sangue daqueles que sofreram no massacre de Mountain Meadow, que sofressem a pena da lei; mas até hoje não tocaram no assunto, por medo de que os mórmons fossem absolvidos da acusação de ter alguma participação nisso, e nossos inimigos ficariam assim privados de um tópico favorito para falar, ao instigar hostilidade contra nós. "O massacre de Mountain Meadow! Só pensem no massacre de Mountain Meadow!!" é seu clamor de uma ponta a outra da terra.

"Venham, façamos guerra aos mórmons, pois queimaram propriedade do governo." E o que estava o governo fazendo ali com sua propriedade? Vinham destruir os mórmons, em violação de todo princípio correto de lei e justiça. Um pouco de sua propriedade foi destruído, e foram deixados a roer, não uma lima, mas ossos de gado morto. Fui informado de que um homem trouxe cinco cães de caça para procurar os mórmons nas montanhas, e que o pobre diabo teve de matá-los e comê-los antes da primavera para se salvar de morrer de fome, e que foi tolo o suficiente para reconhecer isto depois nesta cidade. Este é o tipo de pressão externa que temos de enfrentar. Quem quis o exército de 1857 aqui? Quem os mandou chamar? Mentirosos, ladrões, assassinos, jogadores, libertinos e especuladores nos direitos e no sangue do povo mórmon clamaram ao governo, e o governo abriu seus ouvidos, longa e amplamente, dizendo: "Eu vos ouço, meus filhos, continuai mentindo, meus fiéis filhos Brocchus, Drummond, e Cia.," e assim continuaram a mentir até que o pai enviou um exército para acabar com os mórmons. Agora digo, para consolo de todos os meus irmãos e irmãs, eles não podem fazê-lo; e isso é pior para eles do que todo o resto; eles não podem fazê-lo.

Os abolicionistas radicais e ferrenhos, a quem chamo republicanos de coração negro, puseram fogo em toda a estrutura nacional. Sabem disto, democratas? Acenderam o fogo que agora arde do norte ao sul, e do sul ao norte. Não sou abolicionista, nem sou tampouco pró-escravidão; odeio alguns de seus princípios e especialmente algumas de suas condutas, como odeio as portas do inferno. Os sulistas fazem os negros, e os nortistas os idolatram; esta é toda a diferença entre os proprietários de escravos e os abolicionistas. Gostaria que o Presidente dos Estados Unidos e o mundo inteiro ouvissem isto.

Direi a vocês a lei de Deus a respeito da raça africana? Se o homem branco que pertence à semente escolhida mistura seu sangue com a semente de Caim, a pena, sob a lei de Deus, é a morte no local. Sempre será assim. As nações da terra transgrediram toda lei que Deus deu, mudaram as ordenanças e quebraram todo convênio feito com os pais, e são como um homem faminto que sonha que come, e desperta e eis que está vazio.

Cumpre-se o seguinte dito do profeta: "Agora se congregaram muitas nações contra ti, que dizem: Seja profanada, e os nossos olhos verão seus desejos sobre Sião. Mas não sabem os pensamentos do Senhor, nem entendem o seu conselho, porque as ajuntou como feixes à eira. Levanta-te, e trilha, ó filha de Sião," etc. Deus reina nos exércitos do Céu e faz seu prazer sobre a terra, e nenhum homem pode evitá-lo. Quem pode deter a mão de Jeová, ou desviar as providências do Todo-Poderoso? Digo a todos os homens e a todas as mulheres, submetam-se a Deus, a suas ordenanças e a seu governo; sirvam-no, e cessem suas contendas, e detenham o derramamento de sangue uns dos outros.

Se o Governo dos Estados Unidos, reunido em Congresso, tinha o direito de aprovar uma lei anti-poligamia, também tinha o direito de aprovar uma lei de que os escravos não fossem maltratados como o têm sido; também tinha o direito de fazer uma lei de que os negros fossem tratados como seres humanos, e não pior do que brutos mudos. Por seu maltrato daquela raça, os brancos serão amaldiçoados, a menos que se arrependam.

Não sou nem abolicionista nem pró-escravidão. Se eu pudesse ter sido influenciado por dano pessoal a escolher um lado em preferência ao outro, certamente estaria contra o lado pró-escravidão da questão, pois foram homens pró-escravidão que apontaram a baioneta para mim e meus irmãos no Missouri, e disseram: "Maldito seja, vamos matá-lo." Não tenho muito amor por eles, senão no evangelho. Eu os faria arrepender-se, se pudesse, e faria deles homens bons e uma boa comunidade. Não tenho comunhão com sua avareza, cegueira e ações profanas. Ser grande é ser bom diante dos Céus e diante de todos os homens bons. Não terei comunhão com os ímpios em seus pecados, assim Deus me ajude.

Joseph Smith, em quarenta e sete processos, nunca foi provado culpado de uma única violação das leis de seu país. Acusaram-no de traição, porque ele não teria comunhão com sua maldade. Suponham que a terra fosse limpa de sua imundície e a lei de Deus predominasse, se um homem ou mulher fosse encontrado que se havia corrompido e assim se tornara doente, aquele homem ou mulher seria colocado à parte, como os leprosos eram antigamente, para nunca mais ter comunhão com a família humana. Purifiquem sua carne e sangue, seus espíritos, suas habitações e seu país, e então estarão puros diante de Deus. Esta mudança tem de ocorrer antes que esta terra seja levada de volta a uma atmosfera celestial.

Encontrem defeito em mim porque tenho esposas! Eles corromperiam cada esposa que tenho, se tivessem o poder; e então clamam ao governo: "É melhor fazerem algo com os mórmons; são traiçoeiros e desleais!!" Sou desleal a seus pecados e imundícies. Limpem seus corações e toda a pessoa, e se tornem tão puros quanto os anjos, e então terei comunhão com vocês.

Digo a cada homem e mulher nesta comunidade, não permitam que seus afetos vagueiem atrás daquilo que é profano; não cobicem ouro, nem as coisas deste mundo. Santifiquem-se diante de seu Deus e uns diante dos outros, até que estejam puros por fora e por dentro e ao redor, e vejam que cumprem fielmente todo dever.

Agora, visto que somos acusados de secessão, meu conselho a esta congregação é que se separe, de quê? Da Constituição dos Estados Unidos? Não. Das instituições de nosso país? Não. Pois bem, então de quê? Do pecado e de sua prática. Este é meu conselho a esta congregação e a todo o mundo.

Que Deus abençoe a todo aquele que deseja o bem a seu reino sobre a terra. Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “As Perseguições dos Santos — Sua Lealdade à Constituição — o Batalhão Mórmon — as Leis de Deus Relativas à Raça Africana”, (1863-03-08). Pulpit Vault, 1863-03-young-the-persecutions-of-the-saintstheir-loyalty-to-the-constitution. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).