A Discórdia e as Guerras entre as Nações Cristãs em Contraste com a Unidade dos Santos
John Taylor
O evangelho de Jesus Cristo é talvez um dos assuntos mais abrangentes sobre os quais a humanidade pode refletir. Não apenas abrange as coisas tal como existem agora, associadas à família humana, mas nos leva de volta a dias que já passaram, às organizações deste mundo e de outros mundos, e pelo princípio da revelação desenvolve, desdobra e torna manifestos à família humana os grandes propósitos de Deus tal como se hão de dar em cada época sucessiva. Há milhares de detalhes ou minúcias entrelaçados com estes grandes projetos, propósitos e desígnios; alguns deles compreendemos corretamente, ou pensamos que sim; outros não são tão claros e compreensíveis para nossas mentes. ¶
Há algumas coisas com as quais nós, como povo, temos de lidar talvez mais do que qualquer outro povo existente, embora digam respeito a todos os povos, se os povos tivessem de lidar com elas. Mas, em relação mais particularmente à posição que ocupamos diante de Deus, diante do mundo e uns diante dos outros; e à fé que temos em Deus, em sua Obra, em suas ordenanças, em suas leis e em seus reinos — e as razões dessa fé são para mim e para todos os Santos dos Últimos Dias assuntos de grande importância — somos levados a indagar sobre o que se baseia nossa fé, por que somos Santos dos Últimos Dias? Por que cremos, como cremos, nas doutrinas desta Igreja? E de onde obtemos nossa fé ou nosso conhecimento, conforme o caso, em relação a estes assuntos? Por que houve um movimento religioso tão singular quanto aquele que se deu nos últimos trinta anos, introduzindo opiniões contrárias às opiniões comumente estabelecidas em todo o mundo religioso? Por que este povo, digamos neste Território, abrangendo uma extensão de cerca de quinhentas milhas, com uma população que, relativamente falando, pode ser chamada densa para um país como este, assumiu as proporções de um corpo político, por assim dizer, que se organizou num Território e pediu admissão como Estado na grande Confederação Americana? Por que se deu algo tão singular como isto? É porque houve um desejo, entre os originadores desta Obra, ou parte deles, de estabelecer um poder político? Não tenho conhecimento de que isto seja o caso. Se houve tal sentimento e desejo à parte de outros princípios preponderantes, é algo que desconheço. Começamos a nos reunir sob certas influências, certos princípios e sob certa fé. Reunimo-nos vindos de várias partes, e embora tenha havido uma forte influência empregada para nos separar, para nos dispersar, para produzir desunião, para nos apartar uns dos outros; contudo nenhuma influência, nenhum poder, nenhum raciocínio, nem qualquer coisa que já tenha sido empregada contra este povo para conseguir isso teve êxito; há alguma causa, alguma razão para isto. Há motivos poderosos subjacentes, que sobrepujam e superam todos os motivos de caráter político. A primeira coisa que jamais foi proclamada pelos Élderes desta Igreja foi o evangelho de paz sobre a terra, e boa vontade para com os homens tem continuado a ser pregado, e entre outras influências houve certa influência que reuniu o povo. Não houve influência que pudesse ser empregada contra este povo capaz de apartá-lo ou separá-lo. ¶
Deve haver, portanto, alguma razão para movimentos deste tipo. Movimentos assim não são muito comuns no mundo. É comum que várias sociedades religiosas surjam no mundo; mas, geralmente, são muito estreitas e limitadas em suas noções. Não são adesivas nem coesas, não se unem nem se combinam. Podem tomar a sociedade metodista, a sociedade presbiteriana, a sociedade batista, a Igreja Episcopal, a Igreja Católica Romana, ou qualquer outra que quiserem, e verão que motivos de caráter político as separarão e as farão inimigas umas das outras, e as farão pegar em armas umas contra as outras, lutar umas contra as outras e derramar o sangue umas das outras. Não apenas procuram se destruir mutuamente, mas todas oram ao mesmo Deus para que as ajude a fazê-lo. Não há nada de estranho ou singular nisto; pois não há motivo, princípio ou poder para cimentá-las ou uni-las além de uma espécie de religião imaginada que não possui os princípios de união; por exemplo, em algumas das grandes guerras que ocorreram na Europa há alguns anos; uma das últimas com que estamos mais familiarizados foi entre a Rússia, a Inglaterra e a França. Quem tomou partido naquela luta? Havia a Igreja Grega sob os russos, a Inglaterra Protestante, a França Católica, e os maometanos ou turcos lutando uns contra os outros. Os católicos eram cristãos, os protestantes eram cristãos, os russos eram da Igreja Grega ou cristã, os turcos eram maometanos; todos adoradores do mesmo Deus, sob formas diferentes. Estes se enfrentaram em luta mortal, todos orando ao mesmo Deus para lhes dar poder sobre seus inimigos, e seus inimigos também eram cristãos; então foram matar e destruir uns aos outros. Notemos as dificuldades entre a França e a Itália contra a Áustria. Neste caso havia duas potências católicas empenhadas contra outra potência que também era católica. Considerações religiosas não as limitam nem as controlam em nada. Lutaram com a mesma força para matar seus companheiros cristãos quanto os maometanos ou qualquer outro povo lutariam para matar seus inimigos. Todos estavam na mesma igreja, todos participando do mesmo sacramento, todos crendo nas mesmas doutrinas e adorando o mesmo Deus. ¶
Como tem sido nos Estados Unidos? Exatamente o mesmo. Quem foi o primeiro a se separar? Foram as comunidades religiosas do país que se separaram primeiro, batista de batista, metodista de metodista, universalista de universalista, etc. As igrejas fizeram uma divisão muito antes de os Estados se dividirem, mostrando que havia menos virtude ou unidade nas igrejas do que no corpo político do Estado. Os exércitos do Norte e do Sul são compostos de membros destas diferentes seitas que existem nos Estados Federais e Confederados. ¶
Menciono estas coisas para lhes mostrar que não há princípio adesivo suficientemente poderoso para unir o povo de qualquer porção da terra semelhante ao que surgiu em nossos dias e bem no meio deste povo; se há algo desse tipo em algum lugar do mundo, não o conheço. Segue-se, então, como consequência natural, que se não há nada para unir o povo, é porque lhes falta algum princípio, doutrina, fé ou prática. A filosofia não uniu o povo; a política jamais o fez; nenhum princípio social jamais o realizou. ¶
A maçonaria é um dos mais fortes contratos vinculantes que existem entre homem e homem, contudo os maçons se misturam naqueles diferentes exércitos, tentando se matar uns aos outros, e assim têm contendido uns contra os outros por gerações passadas. Deve haver, então, algo que controle este povo diferente do que parece controlar outros povos social, religiosa, politicamente ou de qualquer outra forma. Há algum tipo de poder coesivo, algum tipo de princípio atrativo, algo que une e concentra este povo de maneira totalmente diferente da de qualquer outro povo sob a face dos céus; e é tão singular que atrai a atenção dos filósofos, dos estadistas, dos políticos e dos homens de destaque de todo grau — eles se espantam com isso, como se espantaram com Jesus quando ele esteve sobre a terra; perguntam-se em que esta situação vai se transformar; temem as consequências e resultados desta união. Somos naturalmente levados a indagar como estas coisas se originaram; de onde brota este princípio, esta influência, este poder, pois é algo muito importante. Ele nos arrastou de nossos lares; enviou centenas de Élderes vagando pela terra por estes dez, vinte e trinta anos passados; fez de nós, na estimativa de nossos amigos com quem costumávamos nos associar, motivo de riso e tolos, e finalmente nos reuniu neste lugar; também assumiu um poder político como consequência ou resultado natural, simplesmente porque não havia outro curso para seguirmos. Sempre que um corpo de povo é reunido, a consequência inevitável é um poder político. Não pode ser de outra forma. Precisam ter organizações, representação, leis e administradores da lei; deve se formar um corpo político sempre que um corpo de povo se reúne como nos reunimos; e o próprio fato de nossa organização, religiosa e politicamente, o próprio fato daquela unidade que tão universalmente prevalece entre este povo produz um terror aos malfeitores e àqueles que se opõem a nós. Por que existiria um princípio deste tipo entre este povo? Pois podemos prontamente descobrir, ao olhar para o mundo, que ele não existe em nenhum outro lugar. Será porque somos mais eruditos do que eles? Será porque somos mais intelectuais e refinados? Porque somos maiores filósofos, melhores estadistas, mais familiarizados com causa e efeito, estudamos mais extensivamente a posição do mundo em geral e seu governo e leis? Não é assim que entendo. Há algo além disso; naturalmente, não somos mais espertos que outros homens nem mais inteligentes do que eles; mas há uma espécie de princípio de algum tipo que se infunde em nossa própria natureza, é um grande princípio em nosso corpo político e está entrelaçado com nossa religião e nossa moral; é uma espécie de mola secreta de algum tipo que governa, ativa, controla, une e cimenta a nós de maneira que nenhum outro povo sob a face dos céus está unido. Gostaria de tentar tornar isto claro para outros, se o Senhor me ajudar, por que estas coisas ocorreram. Para começar, voltaremos ao tempo em que este movimento primeiro começou. Parece que um registro havia sido oculto neste continente por gerações passadas. Parece que um povo havia vivido neste continente que estava cheio do Espírito Santo, que tinha conhecimento de Deus, que possuía revelação, que tinha Profetas inspirados pelo Espírito de Deus, tal como estavam no continente asiático ou em qualquer outra parte do mundo. Parece que estes Profetas, em comum com os Profetas no continente asiático e com os homens de Deus em épocas anteriores, haviam aguardado um tempo de que lemos na Bíblia, chamado a "dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus reuniria todas as coisas em um, sejam elas coisas nos céus ou coisas sobre a terra." ¶
Parece que estes Profetas haviam registrado estas coisas neste registro, que no tempo da dispensação da plenitude dos tempos, quando Deus começasse sua grande Obra dos últimos dias, entre outras coisas os homens seriam ensinados as leis da vida e o conhecimento de Deus, e que o surgimento desta Obra seria o ponto de partida de um grande acontecimento; um de magnitude suficiente para ter atraído a atenção de todos os Profetas antigos que já viveram; um de magnitude suficiente para influenciar a atenção dos Deuses nos mundos eternos; um de magnitude suficiente para fazer com que um meio de comunicação se abrisse entre os céus e a terra, que a luz novamente irrompesse do mundo celestial, que o espírito de profecia e revelação novamente se desdobrasse, que uma era fosse inaugurada, prenhe de vida, luz e inteligência para aqueles que então vivessem, para que tivessem a oportunidade de se familiarizar com Deus, de conhecer suas leis, propósitos e desígnios, seu evangelho, os princípios da verdade eterna, as leis da vida, que os homens novamente se familiarizassem com as coisas que foram, com as coisas que são e com as coisas que hão de vir. ¶
Os Profetas antigos dos dois continentes previram que o surgimento daquele registro seria o início da Obra dos últimos dias; um disse: "A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus." "Os mansos terão cada vez mais regozijo no Senhor, e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel." É uma daquelas varas que Ezequiel viu que deveria ser escrita, a saber, a vara de José, que seria escrita para Efraim, e unida à vara de Judá, e se tornariam uma só vara — uma em profecia, uma em revelação, uma em doutrina, uma em ordenanças, uma em desdobrar os propósitos e desígnios de Deus, e em conduzir a humanidade ao conhecimento da verdade, tal como haveria de ser introduzida "nos tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas desde o princípio do mundo." ¶
A revelação destes registros seria um dos pontos de partida em relação a este assunto. Então seria necessário algum instrumento, algum indivíduo, algum mensageiro, alguma comunicação, porque seria impossível, sem algo deste tipo, que estas coisas se dessem. Seria necessário algum mensageiro autorizado, alguma comunhão do Senhor para revelar, desdobrar e tornar manifestas estas coisas. Falar sobre o mundo tal como é, e a autoridade que têm para pregar o evangelho e administrar as ordenanças e ditar os assuntos do reino de Deus, é tolice sobre a qual raciocinar; mas apenas lhe daremos uma menção passageira. De onde as diferentes seitas religiosas obtiveram sua autoridade? Quem as ordenou a administrar em nome de Deus? Quem lhes deu essa autoridade? A Igreja da Inglaterra deu autoridade a todas as seitas dissidentes que dela surgiram, e elas a deixaram porque ela era corrupta. De onde a Igreja da Inglaterra obteve sua autoridade? Da Igreja de Roma, que dizem ser a mãe das rameiras e a abominação de todas as coisas. De onde a Igreja de Roma obtém sua autoridade? Dizem-lhes que a obtêm por uma cadeia ininterrupta de descendência desde os tempos dos Apóstolos. Sua declaração é a mais razoável, racional e consistente de todas. A Igreja Grega professa ser governada pela mesma autoridade. Quando aplicamos um teste a elas, descobrimos que não estão sobre um fundamento muito bom. Quando, onde e como se afastaram da verdadeira autoridade de Deus? Citarei certa Escritura de um dos antigos Apóstolos: "Todo aquele que transgride, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem Deus." Perseveram elas na doutrina de Cristo? Acho que não. ¶
Quem lhes ensinou a aspergir crianças pequenas? O evangelho de Jesus Cristo lhes ensinou isto? Não. Mas confiam numa descendência ininterrupta por sua autoridade. Em resposta a isso, os protestantes lhes dizem que a cadeia de seu Papado foi rompida em diferentes ocasiões. Não me importa se foi ou não. Se o Papa transgrediu, isso não significa que os bispos e sacerdotes e toda a comunidade o fizeram; isso não seria argumento suficiente para me convencer de que os católicos romanos se afastaram da fé de Cristo; mas quando reuniram as autoridades da igreja de todo o mundo num conclave solene, como fizeram nos Concílios de Niceia e Trento, e aprovaram resoluções que admitiram doutrinas e princípios em direta violação das leis de Deus e da Igreja de Deus, então, como igreja, pela voz de seus representantes, abandonaram a Deus e introduziram as doutrinas dos homens. "Todo aquele que transgride, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem Deus;" e se não perseveram na doutrina de Cristo, não retêm seu sacerdócio e autoridade para administrar nas ordenanças de Deus. Assim, ficamos sem autoridade sobre a terra. ¶
Iremos à Igreja Grega em busca da verdadeira autoridade? Ela se baseia praticamente no mesmo princípio que a Igreja Católica Romana, e todos os corpos sectários da cristandade estão tão destituídos da verdadeira autoridade de Deus quanto a igreja-mãe. ¶
Onde buscaremos a verdadeira ordem ou autoridade de Deus? Ela não pode ser encontrada em nenhuma nação da cristandade. Não há povo que tenha mantido comunhão com Deus, nenhuma verdadeira igreja, sacerdócio ou autoridade, nenhum meio de comunicação entre Deus e o homem para o governo da igreja, para ditar, regular, administrar e controlar os assuntos de seu reino sobre a terra. ¶
Como se originou esta situação chamada mormonismo? Lemos que um anjo desceu e se revelou a Joseph Smith e lhe manifestou em visão a verdadeira posição do mundo do ponto de vista religioso. Ele estava rodeado de luz e glória enquanto o mensageiro celestial lhe comunicava estas coisas, após uma série de visitações e comunicações do Apóstolo Pedro e outros que detinham a autoridade do santo sacerdócio, não apenas antigamente sobre a terra, mas depois nos céus. Que eles a detêm nos céus, sabemos pelas Escrituras. Nelas há certos princípios revelados em relação a este assunto que ninguém poderia revelar a menos que estivesse familiarizado com o princípio da revelação. Moisés e Elias foram vistos com Jesus no monte, quando Pedro e seus irmãos os viram, e disseram: "Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três tendas, uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias." Quem era este Moisés? Era um homem que havia oficiado antes sobre a terra, havia detido o santo sacerdócio, havia sido mestre de retidão, e que, com os Élderes de Israel, havia falado com Deus, e recebido revelações dele, detendo o sacerdócio que administra no tempo e na eternidade. Quando terminou com este mundo, seus deveres oficiais não haviam terminado, pois apareceu a Jesus, Pedro, Tiago e João no monte, para lhes conferir certos princípios, autoridades e sacerdócio, para que também pudessem ser habilitados a administrar nas ordenanças de salvação, e oficiar como representantes de Deus sobre a terra. E por isso, quando Joseph Smith veio, aqueles que antes detinham as chaves vieram a ele, assim ele me disse e a outros, e lhe revelaram certas coisas pertencentes ao reino de Deus sobre a terra, e o ordenaram e separaram para o ministério e apostolado ao qual foi chamado. Ele se apresentou diante do mundo e informou ao povo que Deus havia falado, e que havia falado a ele. Disse-lhes que os céus haviam sido abertos e que anjos vestidos de luz e glória lhe haviam aparecido e lhe haviam revelado certas coisas. Depois temos Oliver Cowdery, que nos conta algo a respeito destas coisas, e dá seu testemunho como testemunha viva. De novo, havia onze testemunhas em relação ao Livro de Mórmon, que testificam que o Livro de Mórmon era uma revelação divina de Deus. E alguns destes testemunhas nos dizem que um anjo de Deus veio e lhes mostrou as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, e sabiam que seu testemunho era verdadeiro e fiel. Outros nos dizem que viram e manusearam as placas das quais o registro foi extraído. Conversei com vários daqueles homens que dizem ter visto as placas que Joseph Smith retirou do monte Cumora; também conversei com Joseph Smith, que me contou destas coisas e muitas mais que seria desnecessário relatar na presente ocasião. Aqui, então, há uma abundância de testemunho que pressupõe uma agência sobrenatural — uma intervenção do Todo-Poderoso — uma abertura e um desdobramento de algo à família humana com o qual não estava familiarizada. Estas coisas são deixadas para que a família humana raciocine sobre elas; são apresentadas a nós nessa capacidade, tal como as coisas foram apresentadas antigamente a outros. Foi-nos dito antigamente que "a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Deus, e como ouvirão sem pregador, e como pregará ele se não for enviado." Aqui, então, foi introduzido um meio pelo Todo-Poderoso para excitar a fé ou a incredulidade do povo. Aqui estão certos registros desdobrados, e aqui está um homem que se apresenta diante do povo, declarando que Deus estava prestes a inaugurar a dispensação da plenitude dos tempos; e para este propósito havia introduzido um registro antigo que pertencera aos habitantes aborígenes deste continente; juntamente com isso, ele lhes diz que as chamadas igrejas cristãs se haviam desviado, e toda a humanidade trabalhava sob densas trevas, e que as trevas haviam coberto toda a terra. Diz-lhes ainda que Deus tinha em mente revelar-lhes sua vontade, e afastar o véu escuro que cobre as mentes do povo — introduzir os princípios da verdade eterna, e que ele vinha como mensageiro de Deus, tendo sido separado por santos anjos enviados pelo Todo-Poderoso para esse propósito, para que, em primeiro lugar, pudesse familiarizar-se com princípios corretos, e então fosse capaz de ensiná-los a outros. Esta é a face que esta coisa assumiu naquele tempo; e o povo sentiu a respeito dela como os antigos judeus sentiram quando Jesus lhes disse que eram enganadores, paredes caiadas e sepulcros pintados; disseram: Fora com tal sujeito da terra. Quando Joseph Smith disse aos sacerdotes, aos bons metodistas, aos justos presbiterianos e aos santos católicos romanos que estavam todos errados, como podiam suportar isso. Mas vós precisais suportar, pois Deus falou e a palavra saiu. O Senhor, em primeiro lugar, ordenou a todos os homens em todo lugar que se arrependessem e fossem batizados em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, dando-lhes a promessa de que receberiam o dom do Espírito Santo. Isto é diferente de tudo o que já houve antes no mundo. O que havia antes não assumia nenhuma forma e vinha sem autoridade de Deus. As várias seitas do mundo imaginavam que tinham o Espírito Santo, mas esqueciam que ele deveria guiá-los a toda a verdade. Aquele espírito que confundiram com o Espírito Santo os conduziu à confusão, à contenda e às disputas, e por conseguinte não é o Espírito Santo de que fala a Escritura. Joseph Smith, tendo encontrado e tornado manifestas estas coisas, e tendo girado a chave que destranca os destinos da família humana, tendo a ele confiada a chave desta dispensação, começou a desdobrar e tornar manifestas as coisas de Deus ao mundo, a todos os que estivessem desejosos de ouvir e lhes prestar obediência. Muitos sentiram como o povo sentiu quando Jesus veio, que "este homem fala com autoridade, e não como os escribas;" havia outros princípios e outro espírito introduzidos, desenvolvendo outros preceitos, leis, ordenanças, manifestações e doutrinas, e um poder maior estava associado a isso do que houvera com quaisquer manifestações anteriores. E então? Ora, o Senhor era razoável — sempre o foi; é um Deus bom e gracioso, um benfeitor e amigo, ajustando suas doutrinas e princípios às capacidades da família humana. Qual foi a consequência quando os homens ouviram estes princípios? Muitos deles tinham uma porção do Espírito do Senhor entre eles, e como a luz se apega à luz, a verdade à verdade, e a inteligência à inteligência, onde quer que houvesse a luz do Espírito de Deus na mente do homem, ela descobria, compreendia e abraçava a verdade. O que é isto? Deus falou; um registro foi revelado, tornando manifestos os acontecimentos que se deram neste Continente, e profecia, e revelações, e visões, e os propósitos de Deus, etc. Isto concorda com o Registro Antigo; não há necessidade de trazer argumento aqui sobre esta questão, pois já foi discutida e investigada por todo o mundo. E então? Eu sabia porque Joseph Smith sabia? Não exatamente. Certas coisas foram reveladas a Joseph Smith, e ele foi ordenado a comunicar aquelas coisas a outros. E então? Aquele que crer e for batizado será salvo, e receberá o dom do Espírito Santo e saberá por si mesmo das coisas em que creu. Este era o princípio sobre o qual minha fé se baseava no princípio. Por exemplo, um Élder veio a mim e pregou o evangelho e me contou todas estas coisas. Fiquei imediatamente impressionado com elas. Eu era bem familiarizado com a Bíblia, contudo nunca havia ouvido tais ensinamentos antes; nunca havia visto tais princípios desenvolvidos; nunca havia ouvido tais palavras como as que saíam de sua boca, ilustrando, tornando manifestas e explicando as Escrituras, o Livro de Mórmon e as revelações de Deus, e abrindo os céus, por assim dizer, à minha vista. Foi para mim uma das maiores coisas que já havia ouvido. Ele me disse: "Se fores batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, receberás o dom do Espírito Santo, na medida em que fores em fé e humildade e obediência à lei de Deus e abandonares teus pecados," etc. Isto era exatamente a mesma coisa que Pedro disse ao povo em seus dias. Disse ele: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." O que isso fará por nós, Pedro? "Fará com que vossos velhos sonhem sonhos, e vossos jovens vejam visões, e vossos servos e servas profetizarão; trará à vossa lembrança as coisas passadas, vos guiará a toda a verdade, e vos mostrará as coisas vindouras." Aqui havia uma boa oportunidade para um homem detectar se Pedro era um impostor ou não; e havia uma oportunidade favorável para detectar se o Élder mórmon era um impostor ou não, pois prometeu as mesmas coisas que Pedro prometeu aos crentes, e todos os Élderes fazem o mesmo. Podem encontrar um metodista, um presbiteriano, um batista, um episcopal, um católico romano que ouse dizer o que Paulo disse antigamente: "Não me envergonho do evangelho de Cristo?" Por quê? Não foram perseguidos e afligidos e descidos numa cesta por sobre um muro, expulsos de lugar em lugar e considerados enganadores? Sim. "Mas não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê; e nele a justiça de Deus se revela de fé em fé." Obedeci ao mesmo evangelho. E então? Os sinais se seguiram? Sim; cri antes de obedecer, e depois de ter sido batizado em nome de Jesus para a remissão dos pecados, e recebido o Espírito Santo pela imposição de mãos, aquele Espírito Santo tomou as coisas de Deus e as mostrou a mim, de modo que então soube por mim mesmo. Mas cri particularmente porque ouvi línguas e profecias e vi curas? Não; mas estas coisas me alegraram, pois nelas vi a antiga ordem das coisas trazida de volta. Alegrou-me ver os enfermos curados, os coxos saltarem de alegria e os cegos receberem sua vista, os surdos ouvirem e os mudos falarem. Isto foi uma certa quantidade de testemunho para as doutrinas que haviam sido apresentadas. Mas, além disso, havia uma evidência interior — uma manifestação invisível do Espírito do Deus vivo, testificando com o meu que esta era a obra de Deus que ele havia estabelecido nos últimos dias, e eu o soube por mim mesmo e não porque alguém o disse. No início cri no testemunho de outros, e depois obtive conhecimento por mim mesmo. Se não há nenhum outro homem sob os céus que saiba que Joseph Smith é um Profeta de Deus, eu sei, e dou testemunho disso a Deus, aos anjos e aos homens. Como operou isto sobre outros? Da mesma maneira, na medida em que eram sinceros e fiéis, e diligentes em observar as leis de Deus, e por isso, como dizem as Escrituras, "todos vós fostes batizados para um só batismo, e todos participastes do mesmo Espírito," e esse é o Espírito que primeiro começou a ser revelado por meio de Joseph Smith, e a administração de santos anjos, e o desenvolvimento e restauração do santo sacerdócio. Se não sabem, do mesmo modo que eu sei, que esta é a Obra de Deus, eu não daria um palito por sua religião. ¶
Tendo recebido este conhecimento, ele opera do mesmo modo sobre todos, e por isso a união que existe entre nós. É o mesmo no Canadá, o mesmo nos Estados do Norte, o mesmo nos Estados do Leste, o mesmo nos Estados do Oeste, e o mesmo nos Estados do Sul; o mesmo na Inglaterra, na Escócia, na Irlanda, no País de Gales, na França, na Dinamarca, na Alemanha, nas ilhas do mar, e nas diferentes partes da terra onde quer que esta semente tenha sido semeada e os Élderes tenham saído em nome de Jesus Cristo levando as preciosas sementes da vida eterna. Onde quer que isto tenha repousado em bons corações, produziu os mesmos resultados, dando os mesmos sinais, senão o mesmo grau de evidência, e isto nos cimentou e uniu; é o pequeno fermento que começa a fermentar toda a massa; é uma parte do Espírito de Deus — uma faísca viva golpeada do fogo de seu clarão eterno que se manifestou sobre a terra; é a voz mansa e suave que sussurra paz à alma — a coisa de que Jesus falou quando disse — ¶
"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; vou preparar-vos lugar, para que onde eu estiver estejais vós também." ¶
Sentem a paz que excede todo entendimento humano. Possuem o Espírito de Deus, embora nem sempre possam explicar os porquês e motivos. Não é porque um homem é erudito e polido segundo a erudição deste mundo que sabe, mas porque compreende e escuta os sussurros do Espírito de Deus falando paz ao seu peito e dando-lhe o entendimento de que é aceito por seu Pai Celestial — "para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti," etc. É isto que nos reuniu — isto que nos cimentou e uniu, que nos conduziu de nossos lares à posição que agora ocupamos nestas montanhas. ¶
Um Élder cuja mente estava obscurecida veio uma vez me dizer que algo estava seriamente errado na Igreja. Como hei de crer em ti? disse eu. Fui informado por ti, um ano atrás, que se eu obedecesse ao evangelho, saberia das doutrinas se eram de Deus. Obedeci e sei por mim mesmo, e não dependo mais do teu testemunho, e não podes fazer com que eu deixe de sabê-lo agora. Não importa quais sejam tuas ideias e noções, agora eu sei por mim mesmo. Deus é nosso mestre; ele organizou seu sacerdócio e governo sobre a terra, que é a influência cimentadora que une este povo, e como o Senhor disse antigamente, "Se não sois um, não sois meus." Lembro-me de certa ocasião em Liverpool em que nos foi dito que não disséssemos nada sobre o recolhimento. Uma senhora veio a mim e me disse que tivera um sonho singular. "Sonhei," disse ela, "que toda a Igreja estava indo para a América, e que o senhor estava lá; estávamos embarcando num navio e partindo para a América." Qual foi a razão deste sonho singular? Ela havia abraçado o evangelho, e ele lhe revelou certas coisas que ela não poderia saber de nenhum outro modo. "Vossos velhos sonharão sonhos," etc. Podem manter o povo às escuras em relação a estas coisas? Não. E quando um povo vive sua religião, e todos os Quóruns da Igreja andam à altura de seus privilégios, então certo aforismo antigo estaria certo, "a voz do povo é a voz de Deus," e a voz de Deus é a voz do povo — serviria de qualquer maneira. É sobre este princípio que estamos unidos; e por isso, não importa de onde venha este povo nem quais tenham sido suas opiniões e preconceitos anteriores, podem ter sido diferentes quanto a muitas coisas e se opor uns aos outros anteriormente em política, governos, direitos, moral, religião e teorias, contudo todos hão de concordar agora que sabem que isto é a Obra de Deus. ¶
O evangelho de Jesus Cristo produz os mesmos resultados entre todos os povos e em todas as gerações, e se não conseguem compreender plenamente os porquês e motivos a respeito disso, sentem-se muito como sentiu o homem a respeito de Jesus e a criança que fora curada. Quando Jesus curou a criança, alguns dos justos disseram: "Vamos, agora, dai glória a Deus, pois sabemos que este homem é pecador." O homem respondeu: "Se ele é pecador ou não, não sei dizer; mas sei que esta criança era cega, e agora vê." Assim é com o povo desta Igreja, sabem que, onde antes eram cegos, agora veem. Tendo participado disto, o que pode nos separar? "Nem a morte, nem a vida, nem os principados, nem os poderes, nem o presente, nem o porvir, nem alguma outra coisa na terra, no céu ou no inferno, nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Eis o segredo da união deste povo. ¶
Uma das provas mais irrefutáveis da divindade desta Obra se encontra numa coisa — que tudo o que foi dito por Joseph Smith em relação a estas coisas até agora se cumpriu literalmente, e vós sois suas testemunhas, assim como também o é o Espírito Santo, que dá testemunho dele. E então? Ora, é como foi em tempos antigos, "tudo é vosso; e vós, de Cristo; e Cristo, de Deus," somos um com ele, e um com o Pai. "Para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti, que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste." Esta é a razão pela qual nos encontramos juntos numa capacidade religiosa, e por que não estamos desunidos como o resto do mundo. Esta é a razão pela qual estamos unidos politicamente, porque isto necessariamente se segue. Reúnem-se alguns milhares de pessoas e elas são obrigadas a serem governadas pela lei, e a se formarem num corpo político. Temos sido chutados e esbofeteados e maltratados quase o dia inteiro, contudo não estamos muito feridos, até agora. Estamos aqui, e tudo está bem, tudo está certo, e estamos destinados a crescer e aumentar. ¶
Pensam que o Senhor, e os santos Profetas que existiram neste e no outro Continente, e os Deuses nos mundos eternos, iniciaram esta coisa para terminar aqui? Não. É simplesmente um núcleo de luz, de inteligência, de verdade, de virtude, de princípios corretos, do santo sacerdócio, das revelações de Deus, e de algo que há de se espalhar e crescer, aumentar e se expandir até se tornar uma grande nação e encher toda a terra; até que tudo o que foi falado pelos santos Profetas se cumpra em relação a estes assuntos; até que o erro dê lugar à verdade, o errado ao certo; até que a corrupção e a tirania deem lugar à justiça e à equidade: em vez de o homem governar e agir à sua própria vontade, "o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome;" "e diante dele todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus é o Cristo, para a glória de Deus Pai." Estamos apenas começando nesta Obra, que crescerá, e se espalhará, e aumentará, e nenhum poder deste lado do inferno deterá seu progresso; é avante, avante, avante, até que os propósitos de Deus e tudo o que ele designou se cumpram e se realizem. ¶
Esta é verdadeiramente uma grande Obra — uma Obra na qual Deus e anjos e Santos que viveram antes de nós, e as almas que estão debaixo do altar orando a Deus pela realização destas coisas, estão empenhados. Os céus e a terra, no tempo presente, estão em comunicação, e Deus é nosso juiz, nosso governante, nosso legislador, nosso guia e diretor para nos conduzir nos caminhos da vida, e não importa quais acontecimentos possam se dar; não importa se nosso caminho é muito áspero e acidentado ou suave, faz pouca diferença: cabe a nós fazer o certo, manter nossa integridade, honrar nosso chamado e magnificá-lo, e honrar nosso Deus e uns aos outros, obedecendo fielmente àqueles que são colocados sobre nós. Sei eu que Brigham Young é chamado de Deus para guiar este povo? Sei, pelo mesmo princípio pelo qual soube que Joseph Smith o era. O que qualquer de nós pode fazer sem Deus, sem sua lei e sem os princípios da verdade eterna? ¶
Rogo que sejamos habilitados a praticar a retidão e sermos exaltados a lugares celestiais em Jesus Cristo! Que temamos a Deus em nossos corações, façamos o que é aceitável ao Altíssimo, nos preparemos para uma herança celestial e uma exaltação em seu reino, em nome de Jesus Cristo: Amém. ¶