Pulpit

Vastidão da Sabedoria e Inteligência de Deus—Incapacidade do Homem de Governar com Retidão

John Taylor

1862-05-18

Acabamos de ouvir que

"Anjos do céu, e verdade da terra, Se encontraram, e ambos deram testemunho." Também temos ouvido a respeito de coisas pertencentes ao reino, dos acontecimentos que estão prestes a transpirar, e que estão transpirando nestes últimos dias.

Jesus disse em seu tempo, ao falar de certa classe de indivíduos, "Porque eles, vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem nem compreendem."—Mat. xiii, 13. Assim tem sido em quase toda época, e assim é no presente no mundo, e em certa medida entre os Santos do Deus Altíssimo. É difícil para nós, às vezes, ver e compreender, e apreciar nossos privilégios. A humanidade tem trabalhado sob esta dificuldade em toda época do mundo. Vimos à existência; encontramo-nos cercados de bênçãos; entretemos ideias com relação ao Grande Deus que rege e sobrerrege nos negócios do universo, mas estamos mais ou menos obscurecidos em nossas mentes com relação aos grandes princípios da verdade eterna. É assim entre o povo do mundo, e também entre este povo, ainda que vejamos as coisas mais claramente e com uma visão diferente, e compreendamos as coisas mais corretamente do que o resto da família humana, ainda assim não compreendemos nossa verdadeira posição e relacionamento uns com os outros. Se compreendemos, não caminhamos de acordo com a luz que nos é dada pelo Espírito da verdade eterna. O que há de mais prazeroso, naturalmente, para a mente do homem refletir do que as coisas do reino de Deus? O poder, a sabedoria e a inteligência do grande Eloheim em suas obras e desígnios, e nosso relacionamento com ele, com o mundo, e uns com os outros? Quão profunda e sublime e incompreensível é para nós, no presente, aquela sabedoria e inteligência que governa este mundo e todos os outros, que regula o sistema planetário, que produz o tempo de semear e a colheita, o verão e o inverno, que causa todas as influências vivificantes que operam para suprir as necessidades da vida animal nas miríades das criaturas de Deus, que se espalha por todo o universo e enche todos os mundos, bem como o nosso, de vida, ser e existência. O que poderia ser mais alegre e agradável do que este e todo outro mundo estar sob o controle daquela inteligência e sabedoria que governa toda matéria animada ou inanimada. Com relação a este mundo, tem sido algo em que os Profetas se comprazeram em se deter em dias que já passaram; é um tema sobre o qual os poetas têm cantado; regozijaram-se na perspectiva do novo céu e nova terra, em que habita a retidão; também se compraziam em se deter naquilo que existirá na criação animal, onde o mais forte não mais oprimirá o mais fraco. Também lamentaram a condição decaída da humanidade em geral; lamentaram as paixões e sentimentos malignos que prevalecem entre a família humana. Lamentaram o crime, a guerra, o derramamento de sangue e a contenda, e em seus cânticos se regozijaram na perspectiva do tempo vindouro em que essas coisas serão abolidas, quando o Senhor tomar o governo em suas próprias mãos, quando o leão e o cordeiro se deitarem juntos, e o leopardo se tornar dócil e inofensivo, e quando não houver nada que fira nem destrua em todo o santo monte do Senhor. Mas a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Entre os "Republicanos Vermelhos" da França, como são chamados, muitos dos principais e proeminentes infiéis pensam que, por sua influência, conseguirão trazer a glória milenar. Deploram todas aquelas influências que conduzem ao mal, e gostariam que outro estado de coisas fosse introduzido entre a família humana. De fato, como o Presidente declarou aqui não faz muito tempo, não é natural que os homens sejam maus. Todos os homens admiram o que é bom; todos os homens admiram a virtude e a verdade, quer as possuam eles mesmos ou não, ainda assim admiram o que é bom nos outros. Podeis ir ao homem mais ímpio que existe e falar-lhe sobre este assunto, e ele dirá de imediato, "Não sou um exemplo, mas tal homem é, e há certos princípios que admiro, e se pudesse vê-los realizados, ficaria satisfeito." Quem não admira a verdade? E se os homens realizam bons princípios em suas vidas, todos os outros os admiram, tanto a eles quanto aos princípios. Quem há que não admire a virtude, por mais lascivo que seja ele mesmo? Por mais desonesto que o homem seja, há um sentimento de admiração pela honestidade nos outros. Este sentimento prevalece entre os filhos dos homens. A única coisa que os intriga é como o mundo será redimido? Como a humanidade será purificada e princípios corretos serão introduzidos entre a família humana? Os homens sabem que seus corações são maus, e estão sempre prontos a atribuir isto a outros. A questão agora é, como poderão bons e piedosos princípios predominar entre a família humana? E como serão derrubados a fraude e a iniquidade, e princípios corretos se erguerão em socorro de um mundo decaído? Este é o problema que os filósofos têm tentado introduzir, e que homens sábios em todas as épocas se esforçaram por resolver. Grandes homens em toda época tentaram introduzir algo bom—algo calculado para eliminar os males que existiam; e para este fim introduziram algo que julgavam mais nobre, mais digno, puro e filantrópico, princípios mais santos do que os que prevaleciam. Este assunto tem atraído a atenção de todos os homens, e o desígnio de muitos desses filantropos tem sido conduzir a humanidade no caminho da vida; introduzir princípios corretos num mundo decaído, trazer o povo a um estado de verdade, luz, vida, felicidade e exaltação neste mundo ou no reino de Deus.

Para que são fundadas as instituições missionárias? Para converter o pagão, para que possam introduzir entre eles princípios corretos, supondo que os têm eles mesmos, e que todo o mundo pode ser trazido sob esta influência Divina que supõem possuir, e ser civilizado e evangelizado e obter uma exaltação no reino de nosso Deus. Toda espécie de sociedades foram organizadas no mundo, que tinham por objeto a melhoria da condição da família humana. Por exemplo, quase todos viram que a embriaguez era um mal, e por isso os homens introduziram sociedades de temperança, que são muito boas; mas isso não constitui o reino de Deus, mas mostra que sentimentos têm inspirado o peito humano, atacando o fundamento do mal.

Outra grande classe de homens supôs que a guerra era um grande mal, e assim é; e se esforçaram por introduzir a paz; e alguns dos homens mais influentes da Europa se uniram para formar sociedades da paz, mas a que se resumem seus esforços a este respeito? O que realizaram? Nada; nada foi feito; a iniquidade abunda tanto quanto abundava antes de tentarem impedi-la. As sociedades de temperança tentaram tornar o povo sóbrio, mas o povo está tão dado à intemperança quanto estava antes de as sociedades de temperança serem introduzidas. Não parece haver diferença alguma. Seus agentes foram enviados, e seus missionários por anos e anos têm trabalhado para melhorar a condição da humanidade e conduzi-la ao conhecimento de Deus, e o que fizeram? Que o mundo responda. O que fizeram entre as nações pagãs? O que fizeram entre os chamados cristãos? A Sociedade da Paz—o que fez? Que os Estados Unidos respondam; que as potências atuais da Europa respondam; que o mundo responda. Não obstante os esforços humanos possam ter sido muito necessários em muitos desses movimentos para tentar melhorar a condição do mundo, deve-se reconhecer que fracassaram estrondosamente, e que, a menos que algo mais seja feito, uma religião mais poderosa e melhor introduzida, e uma melhor espécie de temperança, de filosofia, uma melhor espécie de moralidade, uma espécie de governo mais sábia e liberal, e um melhor código de leis instituído, o mundo terá de continuar como continuou, sem nenhuma emenda; de fato está piorando cada vez mais, em vez de melhorando. O grande problema, presume-se, terá de ficar entre nós e o Todo-Poderoso com relação a este assunto. Requer algo mais potente, inteligente, poderoso e sábio do que qualquer coisa que já existiu entre os homens para introduzir aquela mudança tão desejável. O homem, por mais que procure, não pode descobri-lo. O homem, com o máximo esforço de sua inteligência, é incapaz de compreender ou introduzir o reino de Deus sobre a terra, e toda a terra, e todas as várias sociedades separadas e combinadas fracassaram em introduzir qualquer princípio à altura das necessidades da humanidade, e em todos os aspectos calculado para melhorar a condição da família humana, e colocá-la na condição em que os Profetas a contemplaram quando, envoltos em visão profética, vislumbraram as glórias que se abriam do reino de Deus. Quem duvida da sinceridade de muitos dos reformadores, sejam religiosos, sociais, morais ou filosóficos? Ninguém. Muitos desses homens foram sinceros, nobres, corajosos e engenhosos, e tentaram deter a torrente da iniquidade; mas seus meios não estavam à altura do fim desejado; a iniquidade, como a neve da montanha quando o sol brilha sobre ela e sopra o vento sul, se solta de seu lugar de repouso e desce como uma poderosa avalanche, derrubando todas as barreiras, rompendo todos os vínculos e inundando e destruindo tudo à sua frente, deixando a moralidade e a religião estarrecidas, inundando a filosofia e provando que o homem sozinho poderia tão bem tentar apagar o sol ou deter as rodas do tempo, quanto em seus insignificantes esforços regular o mundo. Como serão essas coisas realizadas?

Penso que teremos de dizer como disse John Wesley:—

"A menos que o Senhor conduza o plano, O mais bem concebido esquema é vão, E jamais poderá triunfar."

Penso que, a menos que haja uma filosofia mais abrangente do que a que entrou nos cérebros de nossos homens instruídos, não pode haver aquela inteligência que habita no seio do Grande Deus, para controlar e guiar os sentimentos e desejos de um homem, e trazê-los à sujeição a alguma lei, pela qual todos possam ser administrados de maneira ordenada e sistemática. Há algo nos desígnios de Deus e em todas as suas operações que ultrapassa tanto as operações do homem em seus mais poderosos esforços, pois são todas pequenas, fracas e infantis. Vede, por exemplo, os embaraços sob os quais os Estados Unidos atualmente trabalham para prover seus exércitos; as dificuldades em que estão se colocando. Em muito pouco tempo, a menos que alguma mudança aconteça, estarão falidos, e sem dúvida obrigados a desonrar seus contratos; e ainda assim os Estados Unidos são uma nação rica e poderosa. Para que estão eles se endividando? Para alimentar seus exércitos e sua marinha. Há mais de 30.000.000 de pessoas nos Estados Unidos, e cerca de um milhão delas estão empenhadas em lutar umas contra as outras, e as demais estão ocupadas em suprir as necessidades de seus amigos. Realmente pareceria que estão todos falidos, apesar de todo o seu financiamento, seus recursos e sua riqueza; e não é apenas esse o caso com eles, mas vede a Grã-Bretanha e o que tentaram realizar; com toda a sua sabedoria professada, dependeram de obter algodão desta terra, e agora não podem fazê-lo. Supõe-se que jamais poderão se livrar de seu endividamento, o que coloca grande parte da nação num estado de vassalagem e pobreza. Qual é o caso de outras nações? São exatamente iguais ou piores. Mantêm seus grandes exércitos permanentes para preservar sua dignidade e orgulho em meio aos altivos aristocratas do velho mundo. O que mostra sua condição atual? Mostra que há uma fraqueza e uma falta de união e de confiança uns nos outros.

Vejamos os atos do Todo-Poderoso e comparemo-los com os atos dos homens. Olhai para a família humana: há de 800.000.000 a 1.000.000.000 que habitam a face desta terra, à direita e à esquerda, no norte e no sul; e quem é que lhes provê o jantar, a ceia e todo o seu sustento? Ora, é o Grande Deus—Aquele que ouve os corvos jovens quando clamam, cuja sabedoria é infinita e que é capaz de cuidar da família humana. Então olhai para as colinas e vales e a criação animal; os peixes do mar, as feras da floresta, tudo fervilhando de vida, e ainda assim esta inteligência que está no Todo-Poderoso, e o conhecimento pelo qual ele controla todas as coisas, e que o capacita a cuidar e prover para toda a criação, as miríades e miríades de seres que enchem o ar e o mar, e ainda assim, não obstante existam em números incontáveis, sua sabedoria provê para todos eles, e ele não está falido, mas continua plenamente capaz de cumprir seus compromissos por cinquenta anos vindouros, tão bem quanto hoje. Ora, contrastai a diferença entre uma coisa e outra.

Bem, não é necessário nos determos muito nestas coisas; talvez o suficiente já tenha sido dito para mostrar a sabedoria, o conhecimento e a previdência do Todo-Poderoso. Ora, o que é que queremos? Se pudéssemos tê-lo e soubéssemos como obtê-lo, e se houvesse algum modo de realizá-lo, queremos obter aquela sabedoria que habita no seio de Deus; aquela inteligência que governa o universo, que produz o tempo de semear e a colheita, e faz com que tudo progrida em ordem regular, sob a sanção daquele cuidado, previdência, compreensão e poder que capacita o Senhor nosso Deus a prover para todas as suas criaturas, a suprir nossas necessidades; e isto mostra algo daquela benevolência que habita em seu seio, que o capacita a sentir pelas necessidades de seus vizinhos como pelas próprias, e a buscar o bem-estar e interesse comuns. Se não podemos conseguir que Deus se interesse por nossa causa, se ele não puser sua mão à roda, podemos desesperar de jamais realizar aquilo de que os Profetas falaram, tanto quanto Moisés desesperou nos dias antigos quando Israel havia pecado contra Deus. Depois disso, o Senhor os conduziu pela coluna de fogo à noite e pela coluna de nuvem de dia. Se tivessem sido fiéis, o Senhor lhes teria permitido realizar sua jornada pelo deserto em pouco tempo, mas em consequência de sua dureza de coração e sua rebelião contra os servos de Deus e os princípios que ele introduziu, o Senhor se irou, como tinha o direito de fazer, com a corrupção e a prevaricação e rebelião que prevaleciam entre aquele povo. Por sua dureza de coração ele se irou com eles e disse: "Não irei mais com este povo, tu podes ir, Moisés, mas não se deixarão governar por meu conselho, portanto podes levá-los contigo." Moisés sabia muito bem que não poderia fazê-lo, e por isso disse: "Ó Senhor, se tu não subires conosco, não nos deixes ir. Há dificuldades a enfrentar, e os filisteus estarão contra nós; temos de depender de ti para nos alimentares com maná do céu. Tivemos de depender de tua sabedoria até aqui; seremos varridos da terra se tu não subires conosco, portanto não nos leves daqui."

Este era o sentimento de Moisés quando estava no meio dos filhos rebeldes de Israel. Bem, o que é que estamos empenhados a fazer agora? Ora, estamos empenhados exatamente na mesma coisa sobre a qual temos cantado, a saber:—

"Anjos do céu, e verdade da terra, Se encontraram e ambos deram testemunho." Deus enviou seus anjos, e declarou que introduziria seu reino e seu governo, e estabeleceria seu domínio e autoridade, segundo o dito de um dos antigos Profetas, "O Senhor é nosso rei, o Senhor é nosso juiz, o Senhor é nosso legislador, e ele reinará sobre nós." Este era o tipo de sentimento que o povo tinha naqueles dias quando se sentiam bem, e este é o tipo de sentimento que o povo tem nestes dias quando têm o Espírito certo; e este é o sentimento que professamos carregar em nosso peito, e que professamos pôr em prática em nossas vidas. Temos, de modo geral, conseguido ver através da falácia e fraqueza de todas as instituições humanas. Cremos que o Senhor se revelou desde os céus, e que as manifestações do poder dos céus foram reveladas, e a inteligência que habita no seio do Todo-Poderoso e os registros que estiveram ocultos por eras nós encontramos; foram desenvolvidos e dados a conhecer a nós em conexão com as revelações do Espírito do Deus Altíssimo, com o propósito de estabelecer o reino do Senhor Jesus Cristo sobre a terra, e trazer um reinado de retidão, liberdade e paz. Estas coisas foram introduzidas com o próprio propósito de desenvolver e realizar aquelas coisas que estiveram ocultas no seio de Jeová desde antes do início desta terra. Ele bem compreendia seus desígnios antes que as estrelas da manhã cantassem juntas de alegria; sabia o que iria realizar anos e anos atrás, antes que qualquer de nossos pais tivesse existido sobre a terra; e por esta razão a terra foi organizada e formada, e para este propósito viemos aqui. Deus teve desígnios gerações atrás para realizar seus propósitos, e aqueles propósitos que ele designou desde o princípio serão realizados apesar de todas as influências combinadas da terra e do inferno. Qual foi o objeto de nossa formação e da formação da terra e de todos os seres inteligentes sobre ela? Deus, em seu próprio tempo devido, depois que a loucura, força, fraqueza e vaidade da família humana se tiverem esgotado, e depois de tentarem todos os seus experimentos, e toda a sua sabedoria ter sido exercida para descobrir Deus, então o Todo-Poderoso lhes mostrará que pode realizar seus propósitos. É nosso dever apoiar-nos no Senhor e buscá-lo por sabedoria e inteligência. O Senhor abriu esta obra ao abrir os céus, ao comunicar sua vontade e desvelar seus propósitos e desígnios aos filhos dos homens, pela introdução do santo Sacerdócio e pela manifestação de seu poder, e pela maravilhosa libertação que foi realizada para nós, para nossa orientação; deste modo ele deu prova sobre prova, e inteligência sobre inteligência, e testemunho sobre testemunho; e evidência sobre evidência nos foram dadas para nos convencer da posição que ocupamos e da vontade de Deus que nos foi comunicada. O Espírito de inspiração nos foi dado, e tivemos nosso testemunho tornado tão firme e seguro quanto a Rocha das Eras, sobre os princípios da verdade eterna, e tudo isto para que nossos passos não vacilassem e para que déssemos obediência às leis do céu e continuássemos na observância dos estatutos. Mas, não obstante todos os nossos privilégios e bênçãos, muitos de nós parecem ter ouvidos para ouvir mas não ouvem, corações mas não compreendemos, e embora sejamos feitos participantes da munificência e bondade de Deus, e não obstante sua inteligência continue a ser derramada sobre nós de dia em dia e de ano em ano, parecemos tratar levianamente as bênçãos que ele derramou sobre nós. Isto não é o caso com todos; creio que a grande maioria deste povo sente em seu coração fazer o certo, guardar os mandamentos de Deus e dar obediência às suas leis, e magnificar seus altos chamados e ajudar a edificar seu reino sobre a terra. Este é o sentimento e desejo da grande maioria deste povo; e provavelmente, à medida que outros aprendem mais e compreendem mais, sentirão um desejo mais forte de caminhar de acordo com os mandamentos de Deus e cumprir todos os seus preceitos.

Se pudéssemos ver e sentir nossa posição, sentiríamos, quando os homens nos cercam com suas tentações, e nos falam de privilégios—sentiríamos algo como um homem que estava edificando o Templo em dias antigos, que disse: "Estou fazendo uma grande obra, não me impeças: por que desceria eu?" Se nós, como Élderes, como Santos do Deus Altíssimo, pudéssemos compreender as responsabilidades que repousam sobre nós, e as obrigações que repousam sobre nós, sentiríamos, quando estas pequenas coisas se atravessam em nosso caminho, e diríamos: "Para trás de mim, Satanás." Sentiríamos como disse este homem: "Estou fazendo uma grande obra, e eu mesmo, e minha família e todos os meus interesses, e de fato tudo o que tenho, estão ligados ao reino de Deus. Sou um servo do Grande Jeová; Deus é meu pai, ele estabeleceu seu reino sobre a terra. Sou um de seus servos, um de seus Élderes, e estou tentando ajudar a edificar seu reino, e introduzir um reinado de retidão, fazer recuar a nuvem escura que se espalhou sobre o mundo, e fazer algo que tenda a fazer avançar o reino do Redentor, e por isso não posso condescender com a vaidade mundana que vejo ao meu redor." Este seria o sentimento de todos os Élderes e de todos os Santos, se sentissem corretamente e percebessem suas verdadeiras posições e responsabilidades, e sentiriam, além disso, muito do que sentem todos os bons homens que se conhecem e sentem corretamente seu chamado. Sentiriam igualmente que, se os homens por gerações passadas têm errado e se desviado por falta do conhecimento das leis de Deus, e que se Deus chamasse homens para levar a mensagem de vida e salvação a esta geração, iriam e tentariam, ainda que morressem tentando, e assim capacitariam a humanidade a se aproximar de Deus e a se conduzir corretamente; e também ensinariam a suas famílias os primeiros princípios do verdadeiro governo, para que, porventura, com os esforços unidos e as cooperações do Sacerdócio e dos membros da Igreja e reino de Deus sobre a terra, pudessem ser capazes de introduzir um reinado de retidão no mundo. Este seria o sentimento que existiria. É exatamente como alguns homens são a respeito de uma ninharia. Não sabeis como os homens torcem e escolhem e se dobram para conseguir um dólar ou dois? Se os homens fossem tão valentes em tentar orar a Deus para lhes dar sabedoria e poder para controlar a si mesmos e seus pensamentos e paixões, então, em todas as suas transações comerciais, sentiriam que sabem ser aceitos pelo Todo-Poderoso. Sentiriam e saberiam que têm ouvidos para ouvir e corações para entender e compreender a mente e vontade de Deus; sentiriam então dez mil vezes mais interesse no reino e em trabalhar pela difusão de princípios verdadeiros e santos, e em todas as coisas pertencentes à grande obra em que estão empenhados, do que naqueles pequenos assuntos temporais. No entanto, não obstante toda a nossa experiência, quão ansiosos somos por uma coisa e quão descuidados pela outra; ainda assim nosso pai é misericordioso e se lembra de que somos apenas pobres, fracas e errantes criaturas. Ele conhece as coisas que estão transpirando, e compreende todas as nossas faltas e enfermidades, e por isso é misericordioso conosco, e realmente deveríamos, às vezes, envergonhar-nos de nossos próprios atos.

Muitos de vós sem dúvida ouvistes o povo falar, e dizer, "Ora, pensei que poderia ganhar melhor a vida, ter mais dinheiro e roupas e tudo o que precisasse." Sim, é assim que muitos se sentiam, e vieram para cá, para o lugar de reunião dos Santos, com a intenção de enriquecer, para poderem comer e beber, ter bastante cerveja, aguardente e vinho, como se fazia nos países antigos e nos Estados do Leste, ao passo que os homens deveriam vir com o sentimento de edificar o reino de Deus. Não que precisásseis vos unir à Sociedade de Temperança, pois nossa religião compreende tudo o que há de bom naquela sociedade. Há uma sociedade ou princípio de temperança necessário? Nós o temos. Há algum bom princípio na Sociedade da Paz? Nós o temos conosco; está tudo compreendido em nossa santa religião.

Ora, Jesus disse aos seus discípulos: "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vô-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." Em outro lugar diz, ao falar aos seus discípulos: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E se eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também."

A paz é o dom de Deus. Quereis paz? Ide a Deus. Quereis paz em vossas famílias? Ide a Deus. Quereis que a paz paire sobre vossas famílias? Se quereis, vivei vossa religião, e a própria paz de Deus habitará e permanecerá convosco, pois é dali que vem a paz, e não habita em nenhum outro lugar. Tivemos sociedades da paz no mundo, é verdade, por muitos anos, mas o que fizeram? Simplesmente nada; mas a paz é boa, e digo, buscai por ela, apreciai-a em vosso peito, em vossas vizinhanças, e onde quer que vades entre vossos amigos e associados, pois são bons princípios e habitam no seio de Deus, e se apenas obtivermos aquela paz que habita no seio de Deus, tudo estará bem.

Lembrai-vos de que é muito melhor sofrer o mal do que fazer o mal. Alistamo-nos neste reino com o propósito de trabalhar a retidão, crescendo em retidão e em pureza, para que possamos ter um céu em nossas famílias, em nossa cidade e vizinhanças, uma Sião bem em nosso meio, viver nela nós mesmos e persuadir todos os demais a se conformarem com suas santas leis. Os filósofos têm buscado e pesquisado a filosofia. O Senhor revelou à grande família do céu e da terra, e está continuamente comunicando sua vontade e nos dando bons princípios. Outros têm tentado compreender as coisas de Deus por seus vários credos e sistemas, mas nós temos toda a verdade combinada, em vez de ter uma multidão de sistemas. Não há religião sobre a face da terra que não tenha verdade nela que esteja abraçada em nossa religião, pois ela abrange toda verdade que existiu ou existirá, até onde podemos compreender. Consequentemente, nossa religião é algo como a religião de Moisés. Lembrai-vos de que Moisés tinha uma vara, e os magos tinham varas; os magos lançaram suas varas ao chão, e por algum poder e influência se transformaram em serpentes. Quando Moisés lançou a sua, por algum poder e influência superior ao dos magos, ela engoliu as deles. Nós lançamos nossa vara, erguemos nosso estandarte, e ele engolirá todo o resto.

Há um verdadeiro princípio de ciência no mundo? É nosso. Há verdadeiros princípios de música, de mecânica, ou de filosofia? Se há, são todos nossos. Há um verdadeiro princípio de governo que exista no mundo em algum lugar? É nosso, é de Deus; pois toda boa dádiva e todo dom perfeito que existe no mundo entre os homens procede do "Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." É Deus que deu toda boa dádiva que o mundo já possuiu. Ele é o doador de todos os bons princípios, princípios de lei, de governo e de tudo o mais, e agora os está reunindo num só lugar, e retirando-os do mundo, e daí a miséria e a escuridão que começam a prevalecer entre as nações; e daí a luz, a vida e a inteligência que começam a se manifestar entre nós.

Mas, novamente, com relação ao governo, quem pode governar a família humana? O mundo tentou, com todos os seus grandes espíritos, com todo o seu poder e autoridade, e o que fizeram entre as nações da terra? Tiveram a miséria pressionada, sacudida e transbordando. Ao mesmo tempo, tem havido muitos bons princípios entre as nações da terra; muitas boas e equitativas leis; e entre o resto, a religião e a política tiveram uma boa parte, e tudo o mais que tinha algo de bom; mas a humanidade não conseguiu introduzir o reinado milenar, e quem sabe como o Senhor e aqueles a quem der sabedoria governarão a humanidade? Não se pode saber; o homem nunca pôde e nunca poderá governar seus semelhantes, a menos que o poder, a sabedoria e a autoridade sejam dados do céu.

Temos falado bastante sobre Governos Republicanos, e vede que espécime temos diante de nós. Vede a desolação e destruição que prevalecem por esta terra outrora feliz. Pergunto: pode o homem governar a si mesmo? Não, não pode; e a menos que o Senhor tome o governo e introduza princípios corretos, não se pode fazê-lo; a inteligência que temos jamais o fará, e de fato nada senão a luz e inteligência do Altíssimo nos capacitará a progredir nas coisas do reino de Deus; e quão poucos há que possam governar a si mesmos. O que vos capacitará, irmãos e irmãs, a governar a vós mesmos? O Espírito de Deus; e não podeis fazê-lo sem que o Espírito do Deus vivo habite em vós—precisais ter a luz da revelação, ou não podereis fazê-lo. Se receberdes o dom do Espírito Santo e caminhardes na luz do semblante do Senhor, podereis governar a vós mesmos e vossas famílias, isto é, se o retiverdes por vossas boas obras. Podeis governar o povo de certa maneira, como fizeram em dias passados, mas precisareis que o Espírito do Deus vivo habite em vosso peito. Qual seria o efeito de tal governo? Se posto em prática, seria como às vezes cantamos, que

"Todo homem em todo lugar Encontrará um irmão e um amigo." Quando recebeis o Espírito de Deus, sentis-vos cheios de bondade, caridade, longanimidade, e estais dispostos o dia todo a conceder a todo homem aquilo que quereis para vós mesmos. Sentis-vos dispostos o dia todo a fazer a todos os homens como quereríeis que vos fizessem. O que capacitará um homem a governar seus semelhantes corretamente? É exatamente como José Smith disse a certo homem que lhe perguntou: "Como governas um povo tão vasto quanto este?" "Ora," disse José, "é muito fácil." "Mas," disse o homem, "achamos muito difícil." "Mas," disse José, "é muito fácil, pois ensino ao povo princípios corretos e eles se governam a si mesmos;" e se princípios corretos fizerem isso numa família, farão em dez, em cem e em dez vezes cem mil. Quão fácil é governar o povo deste modo! É exatamente como os riachos de City Creek; espalham-se pelos vales e por todo lote e pedaço de lote. Assim é com o governo de Deus; as correntes de vida fluem da Grande Fonte pelos vários canais que o Todo-Poderoso abriu, e se espalham não apenas por esta cidade, mas por todo o mundo, onde quer que haja Santos que tenham dado obediência aos mandamentos de Deus. A fonte é inesgotável, e os rios de vida fluem da fonte para o povo.

O Senhor disse que seu povo estaria disposto no dia de seu poder, e este princípio comanda a influência de seu bom Espírito, conecta-se com a fonte, com a inteligência que habita no seio de Deus, é aquilo que ilumina e enche cada peito, e entra em cada casa, e cada família e coração; todos se alegram com as alegrias do Espírito de Deus; sob sua benigna influência são feitos a sentir que o jugo de Cristo é suave e seu fardo é leve. Este é o sentimento que governa os Santos e os controla em todos os seus atos, e este espírito começou a se espalhar e continuará a se espalhar até que a terra se encha do conhecimento de Deus como as águas cobrem o grande abismo.

Alguns, ao falar de guerra e problemas, dirão, não tendes medo? Não, sou um servo de Deus, e isto basta, pois o Pai está ao leme. Cabe a mim ser como barro nas mãos do oleiro, ser dócil e caminhar na luz do semblante do Espírito do Senhor, e então não importa o que venha. Que os relâmpagos brilhem e os terremotos bramem, Deus está ao leme, e sinto-me inclinado a dizer pouco, pois o Senhor Deus Onipotente reina e continuará sua obra até que tenha posto todos os inimigos sob seus pés, e seu reino se estenda dos rios até os confins da terra.

Irmãos, Deus vos abençoe, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Vastidão da Sabedoria e Inteligência de Deus—Incapacidade do Homem de Governar com Retidão”, (1862-05-18). Pulpit Vault, 1862-05-taylor-vastness-of-the-wisdom-and-intelligence-of-godimpotency-of-man-to-govern-righteously. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).