Edificação do Reino de Deus — Manufaturas Caseiras
Daniel H. Wells
Apareço diante de vós nesta manhã com sentimentos de gratidão ao nosso Pai Celestial pelo privilégio que mutuamente desfrutamos de contemplar a luz do amanhecer de um dia tão bom para Israel. ¶
O irmão Kimball, ao despedir-se de mim, quando parti da cidade nesta visita, quis que eu dissesse ao povo, por ele: "Deus os abençoe!" e o irmão Brigham abençoa o povo continuamente; nosso Pai no céu os abençoa; os céus estão cheios de bênçãos para eles. Por que, então, não haveríamos de ser o mais feliz de todos os povos? Enquanto a terra está cheia de tumulto e conflito, o povo nestas montanhas habita em paz, e é abençoado com prosperidade sem paralelo. Têm aquela alegria e paz, aquela satisfação e tranquilidade que procedem de Deus, que não poderiam ser desfrutadas em nenhuma outra parte do mundo, nem entre nenhum outro povo, mesmo nas circunstâncias mais favoráveis. ¶
Fomos chamados a nos reunir de diferentes partes do mundo para a grande e especial obra de edificar o reino de Deus sobre a terra, para estabelecer um núcleo de retidão do qual há de irradiar todo princípio grande, bom e santo para todas as partes do mundo habitável. É nosso privilégio desempenhar uma parte importante nesta grande obra. O Evangelho da salvação tem sido promulgado — chegou aos nossos ouvidos onde habitávamos entre diferentes nações e países, e nos trouxe a estas regiões montanhosas. E agora, qual é o nosso dever? Devemos ser como o mundo do qual fomos ajuntados para fora? Se essa for a nossa intenção, teria sido melhor termos ficado em nosso país natal, onde poderíamos ter amadurecido para a destruição tão bem quanto aqui. Mas, se nos propusemos a ser servos do Altíssimo, a ser seus filhos, a ser seu povo escolhido e peculiar, propósito pelo qual fomos ajuntados dentre as nações gentias, não façamos como eles fazem, mas façamos de acordo com a alta ordem do Céu, que nos deu uma designação, e nos chamou para edificar o seu reino nestes últimos dias. Sigamos implicitamente as instruções daqueles a quem Deus designou para guiar nossas mentes e dirigir nossos passos; ou, para usar outras palavras, acreditemos em nossa religião e a vivamos fielmente. Cremos plenamente que Deus, nosso Pai, designou homens que ele influencia dia a dia para guiar o seu povo, e dirigi-los em todas as suas obras espirituais e temporais? E ordenamos nosso rumo de modo a corresponder às instruções que nos são dadas? Ou supomos que podemos seguir inteiramente o nosso próprio caminho nos assuntos temporais, segundo as tradições de nossos pais e os ditames do espírito do mundo, e ao mesmo tempo agradar o alto Céu, e cumprir fielmente nosso dever na edificação do reino de Deus? Pensamos que, no "mormonismo" espiritual, precisamos de direção e instrução constante pelos servos autorizados de Deus; mas pensamos que sabemos tanto quanto qualquer um sobre assuntos temporais. Regozijamo-nos no conhecimento que nos foi revelado dos céus; regozijamo-nos na palavra do Senhor que foi proclamada; regozijamo-nos que Deus falou nestes últimos dias, e que recebemos essas instruções tão valiosas — que recebemos o conhecimento que conduz à vida e à salvação, e à exaltação em seu reino. Mas percebemos que o reino de Deus nos últimos dias é, para todos os efeitos, um reino temporal? E percebemos que, se tivéssemos ficado no mundo, poderíamos tê-lo servido espiritualmente lá tão bem quanto aqui? Mas que tipo de reino seria esse para o Salvador governar quando vier? Quando ele vier, vai reinar sobre um reino temporal, composto de homens e mulheres que fazem a sua vontade sobre a terra. Tudo o que nos pertence em nossa vida é temporal, e sobre nós e tudo o que possuímos reinarão nosso Pai Celestial e seu Filho Jesus Cristo, assim como sobre todos os reinos do mundo quando estes se tornarem os reinos do nosso Deus e do seu Cristo. ¶
Edificar Sião é uma obra temporal; não consiste simplesmente em ensinar: ensinar é instruir-nos como aplicar corretamente o nosso trabalho, para alcançar o fim em vista mais depressa e melhor. Osso e músculo são necessários para edificar o reino de Deus nos últimos dias. Quando Jesus Cristo esteve sobre a terra, ele disse — "O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; porém agora o meu reino não é daqui." Não era deste mundo, então; mas haveria de sê-lo nos últimos dias, e então os seus servos travarão uma guerra contra os poderes de Satanás, tanto visíveis quanto invisíveis. Os Santos estão agora engajados nessa guerra; têm de lutar contra as influências más que acompanham os seus passos dia a dia, e depois têm de lutar contra a inclinação dele a fazê-los pecar, e contra todos os poderes malignos, e desarraigá-los do seu meio. Também têm de contender contra os poderes das trevas que aparecem em seres humanos, fazendo-os surgir na forma de turbas para lutar contra os Santos do Altíssimo. Essa é também uma guerra temporal em que estamos engajados. O Diabo tem detido o controle da terra. Sob sua influência, o povo edificou cidades, faculdades, e instituições de toda espécie, e atravessam a terra e os mares para amealhar dinheiro para sustentá-las. Fomos ajuntados para formar um núcleo de poder para tomar o reino, vencer o mal com o bem, pisar a iniquidade sob os nossos pés, e exaltar a retidão sobre os cumes das montanhas, para que o poder, a riqueza e a prosperidade terrena sejam tirados dos poderes do Diabo e colocados no poder e controle de um povo justo, onde pertencem. Que podemos fazer para promover essa grande causa, para redimir a terra do pecado, do inferno, e do Diabo, e fazê-la uma habitação para Santos e anjos? Esta é uma pergunta que diz respeito a todos nós. A melhor resposta que se pode dar a ela é: Fazei conforme as instruções daquele a quem o Senhor designou para nos liderar. Ele diz: "Ide com todo o vosso vigor e edificai o reino de Deus, extraindo a rocha, trazendo a madeira dos cânions e transformando-a em madeira serrada, fazendo adobes, misturando a argamassa, queimando a cal, e extraindo dos elementos ao nosso redor o material necessário para embelezar e edificar, e para exaltar de todas as formas aqueles princípios que se propõem a estabelecer a retidão sobre toda a terra." Se a palavra é para construir fortes, construí-os; se é para cultivar grãos, cultivai grãos. É necessário fazer essas coisas porque a nossa sociedade é composta de homens, mulheres e crianças, assim como outras comunidades de pessoas. Como outros povos, precisamos de alimento e vestuário, casas em que morar, e os confortos materiais comuns. Viemos a estes vales distantes para melhorar, não para nos rebaixarmos ao nível dos selvagens ao nosso redor: viemos aqui de propósito para progredir, não para tomar o caminho retrógrado — para nos exaltarmos no conhecimento de Deus, e buscar exaltar outros ao nosso padrão de santidade e bondade. Cabe-nos, então, aspirar constantemente a um padrão ainda mais elevado na escala da existência humana, exaltando conosco aqueles com quem estamos associados. Precisamos de tudo o que outros povos precisam, exceto o pecado, e nenhum povo precisa disso. Precisamos de tudo o mais que é necessário para edificar qualquer outro reino, e temos de produzi-lo a partir dos elementos que nos cercam. Fomos trazidos para longe do mundo ímpio, para nos dar a oportunidade de mostrar que o faremos, ou que não o faremos — de provar a nossa integridade para com a causa da retidão e para com Deus — de provar-lhe que lutaremos para obter o conhecimento e a capacidade de criar os meios de nossa própria subsistência — que lutaremos para subjugar os elementos, para santificar a terra, expulsar a impiedade dela, e embelezá-la construindo lugares belos, ornamentando os nossos terrenos, cultivando frutas de toda variedade que floresçam em nosso país, e assim nos abençoarmos com as bênçãos que o Todo-Poderoso colocou ao nosso alcance, e provar-lhe que estamos dispostos a acatar a sua alta ordem, reconhecendo que ele coloca em nosso caminho todas essas vantagens, e por nossas obras mostrar que estamos dispostos a fazer com que todos os nossos esforços apontem para a edificação do reino de Deus, e provar ao mundo que somos mais elevados em nossas realizações e mais nobres em nossas noções do que eles; e finalmente nos tornaremos independentes de todo povo e nação sobre a terra. ¶
Quando nosso Pai no céu constatar que tem um povo que se mantém unido em favor de seu reino, e que se tornou livre e independente, não se agradará ele com esse povo? Faz muito tempo que ele não tem um povo assim. É nosso privilégio ser esse povo, e ser reconhecido por Deus como seu povo. Cabe-nos, então, ser vigilantes, cuidadosos, enérgicos e diligentes em nos esforçarmos por cumprir os seus propósitos segundo a sua mente e boa vontade. ¶
Aqui estão os vales férteis de Efraim. A partir dos elementos que se espalham ao nosso redor em rica profusão, podemos obter todo o nosso sustento. Podemos cultivar o linho, a lã, o algodão, o pão, a fruta e o açúcar. Podemos escavar o minério de ferro, e o cobre, e o chumbo, e moldar esses minerais para nossas necessidades, e fazê-los servir ao nosso conforto e conveniência. Um pode realizar uma coisa, e outro pode realizar outra coisa. Quando o nosso trabalho é devidamente dirigido, um homem se dedicará a este ofício, e outro àquele, para produzir as coisas necessárias para nossa mútua conveniência e conforto. Quando estivermos dispostos a acatar as instruções de nossos líderes, e trazer em nosso auxílio o conhecimento que recebemos nos países de onde fomos ajuntados, tudo então conspirará para um único fim — a saber, a edificação do reino de Deus. Nas partes norte deste Território, podemos produzir coisas que não podem ser tão bem produzidas nas partes sul. Na primavera passada, visitamos os povoados do sul. Ali podem cultivar frutas finas que só florescem em climas meridionais; podem também cultivar algodão melhor do que nós, e vós podeis cultivar lã melhor do que eles. Dessa forma, podemos criar uma troca de mercadorias entre o norte e o sul, fazer o nosso próprio tecido de algodão e de lã em casa, e não sermos orgulhosos demais para usá-lo depois de o termos feito. ¶
Nas revelações de Deus a Joseph Smith, filho, lemos — "E também, que não haja orgulho em teu coração; sejam simples todas as tuas vestes e sua beleza, a beleza da obra de tuas próprias mãos; e sejam todas as coisas feitas com limpeza diante de mim." Podemos obter, nestas montanhas, as peles para fazer os chapéus mais belos, e os mais duráveis. Dos países a noroeste de nós, a Companhia da Baía de Hudson supre quase toda a Europa com as mais finas peles. Devemos primeiro enviar as peles para o inferno, e depois tê-las trazidas de volta a nós por especuladores gentios a grande custo, na forma de chapéus para usarmos? Consegui a pele e fazei nossos próprios chapéus. E assim com o nosso couro, e nossas botas e sapatos, e assim com tudo o que é necessário para a nossa felicidade e conforto. ¶
Até aqui temos sido gravemente taxados; nosso sangue vital tem sido drenado de nós — nosso meio circulante é continuamente drenado por aqueles artigos que podemos produzir nós mesmos. Aquela mulher que faz uma jarda de tecido realiza uma boa obra em prol da edificação da independência do reino de Deus, e por suas obras sua fé se manifesta. ¶
Aquele homem que cultiva uma pequena parcela de linho, o prepara para a roca de fiar, providencia a roca e o tear, e é diligente em fazer com que suas esposas e filhas aprendam a converter o linho em fio e tecido, está trabalhando da maneira correta para estabelecer permanentemente o reino de Deus. Isso se aplica não apenas ao linho, mas à lã, e a toda outra produção natural de nosso país. Dessa forma, tanto homens quanto mulheres e crianças estão cumprindo o propósito pelo qual foram ajuntados de seus lugares natais para estes vales distantes. ¶
Já disse que temos uma guerra a travar. Armas e pistolas são trazidas para cá, e às vezes podem ser conseguidas a preços baixos. Tais armas são necessárias na guerra em que estamos engajados. Já tentamos fabricar pólvora, e, com perseverança e habilidade, não tenho dúvida de que um suprimento abundante pode ser produzido aqui. ¶
Estamos agora fabricando papel com sucesso. Em breve recebereis o Deseret News impresso em papel feito aqui. Podeis ajudar e auxiliar nessa espécie de produção local guardando cuidadosamente vossos trapos para a fábrica de papel. Na fabricação do papel, contemos o fluxo para fora de uma corrente de ouro que até aqui tem enriquecido os gentios. ¶
Também estamos fabricando pregos com sucesso. Nosso maquinário é do tipo mais aprovado, e pode produzi-los em grandes quantidades. ¶
Também podemos produzir o nosso óleo de linhaça a partir da semente de linho. O óleo feito aqui é de fina qualidade. ¶
O Presidente Young importou várias esplêndidas máquinas de cardar para cardar a lã. Ele não tem poupado esforços em importar o maquinário mais útil para atender às nossas necessidades presentes. Não é melhor gastar os nossos meios dessa forma do que gastá-los em mercadorias importadas de qualidade inferior? ¶
Desejo dizer algumas palavras aos que estão engajados na milícia neste vale. Há muitos que estão sujeitos a cumprir o dever militar. Muitos deles são ignorantes quanto ao cuidado apropriado, ao manuseio apropriado, e ao uso apropriado das armas de fogo. Deveriam ser ensinados a manusear armas de fogo de modo a não se ferirem acidentalmente a si mesmos ou a seus companheiros de armas. Importo-me mais em que saibam manusear suas armas, e mantê-las em boas condições, do que em saberem executar "Olhos à direita, olhos à esquerda", etc. Não que a disciplina rigorosa e a manutenção de ordem perfeita nas fileiras militares não sejam essencialmente necessárias, como em todos os outros departamentos da comunidade, embora eu preferisse que aprendessem a atirar corretamente. E não seria mau garantir um pequeno suprimento extra de munição para praticar como atirar, em vez de trocar as armas e a munição que lhes são postas nas mãos para usar quando necessário. Aprendei a limpar bem uma arma, a desmontá-la e montá-la novamente, e a mantê-la em boas condições. Aprendei a carregar uma arma corretamente, aprendei qual é a carga apropriada, e então aprendei a lançar a bala ao ponto onde desejais que se aloje. Seria presunção chamar uma pessoa a sair portando armas que não pudesse usar com efeito apropriado: isso provaria ser um prejuízo em vez de um benefício. Estaríamos confiando em vão nessa pessoa para desempenhar por nós um dever importante. Desejamos que os oficiais militares emprestem as suas instruções desta forma. Ensinai os ignorantes a usar e cuidar de suas armas de fogo, e a mantê-las com segurança, para que estejam em contínua prontidão, e para que suas famílias e amigos não sejam feridos por elas. Que vossas organizações militares se mantenham, e alistai os recém-chegados em alguma companhia, para que conheçam seus oficiais e seu lugar quando forem chamados a agir. Que vossas organizações se aperfeiçoem tanto quanto possível, para que todo homem esteja pronto quando for chamado a ir a pé ou a cavalo. ¶
Tenho visto vossas meninas pastoreando gado e ovelhas. Eu não deixaria nem mesmo meninos pequenos fazerem isso, para não falar de meninas. É imprudente, por causa da influência que isso tem sobre suas mentes. Em certo sentido, é causa de ociosidade. Nossos meninos e meninas estariam melhor na escola. Homens deveriam pastorear o gado. Aqueles rapazes que agora andam a cavalo, com pistolas presas à cintura, que abatem vosso gado e roubam vossos cavalos, não eram muitos deles meninos pastores? Pastorear é uma escola pobre para vossos meninos e meninas frequentarem. Estão nas planícies selvagens, e entre pântanos e mato, longe da influência de seus pais e professores; e ali recebem más impressões em suas mentes, quando boas impressões deveriam ser feitas. Que homens pastoreiem o vosso gado. ¶
A edificação deste reino é uma obra de progresso; e onde algumas coisas são necessárias de se fazer, outras não devem ser negligenciadas. Se tendes muito trabalho nas mãos de um tipo, fazei um pouco menos daquele tipo, e mais de algum outro tipo, e reuni todas as coisas. Não tendes tempo, pensais, para mandar vossos filhos à escola, tendes tanto trabalho a fazer. Gosto que tenhais bastante o que fazer; mas deveríeis negligenciar instruir vossos filhos enquanto estais ocupados com outras ocupações? Não é sabedoria negligenciar essa parte tão importante do nosso dever, embora ao mesmo tempo seja bom ser diligente em todo outro dever que necessariamente nos incumbe em cada departamento da vida. ¶
Cultivamos uma grande quantidade de trigo, e plantamos a nossa terra ano após ano com a mesma cultura. Essa é uma prática perniciosa para a nossa terra. Seria muito melhor introduzir uma rotação de culturas adequada à terra e ao clima. Que os fazendeiros inteligentes prestem atenção a isso. Que culturas de raízes úteis sejam introduzidas e dadas às ovelhas e outro gado. É tão necessário e tão lucrativo cultivar boa lã e em abundância quanto cultivar bom grão. ¶
Não vos lanceis a um extremo em cultivar trigo, mas que haja um equilíbrio em nossas produções, o que dará maior margem para trocas entre nós mesmos, e menos incentivo à importação de produções estrangeiras. Estas são algumas das minhas ideias a respeito da economia de vida e da edificação do reino de Deus. Este é um assunto para toda a vida, e devemos tratá-lo com sabedoria e moderação, de modo a suportá-lo e levá-lo a cabo. ¶
Estamos agora em nossa provação, e a obra em que estamos engajados alcançará um mundo vindouro. Então ajamos como homens e mulheres que estão decididos a serem pelo reino de Deus ou por nada, progredindo firme, unida e constantemente, dia a dia, semana a semana, mês a mês, e ano a ano, enquanto vivermos, e nunca vacilarmos em nosso sentimento, em nossa fé, e boas obras. Nunca dai as mãos ao Diabo; nunca busqueis fazer amigos de Cristo e de Baal. Não podem ser amigos. Se não largarmos a mão do Diabo, temos de largar a mão de Cristo. Cristo há muito recusou-se a ter comunhão com Satanás. Não podemos segurar um com uma mão, e o outro com a outra mão. Se tentarmos isso, antes que percebamos nos encontraremos inteiramente do lado do Diabo. ¶
Para que nos são dados os nossos filhos? Para criá-los como anjos do Diabo? Penso que não. Nenhum de nós desejaria isso. Ainda assim, muitos tomam aquele rumo que é destinado a conduzi-los naquela direção, por falta de entendimento. Não faríamos isso intencionalmente. Muitas pessoas fazem algo que conduzirá à morte e à destruição sem intenção. Não prestam atenção aos sábios conselhos e excelentes instruções que quase diariamente lhes são dados, do ponto de vista temporal, mas pensam que não têm nenhuma utilidade particular para elas. ¶
É um reino temporal que estamos engajados em edificar para o nosso Deus sobre a terra; e torna-se essencialmente necessário que sejamos um quanto aos assuntos temporais, assim como nos espirituais. Não há desunião de sentimento sobre o assunto do batismo para a remissão dos pecados, em todos os vales das montanhas, nem sobre o assunto da imposição das mãos para o dom do Espírito Santo. Todos cremos igualmente nesses assuntos. Mas quando se trata de usar vossa propriedade excedente para a edificação do reino de Deus, em vez de vendê-la aos gentios por quase nada, quando se aconselha a cessar de negociar com eles — a cessar de ir pela estrada fazer isto e aquilo para edificar interesses gentios, considerais isso uma violação de vossas liberdades e direitos como cidadãos americanos. Dizeis: "Não tenho eu o direito de dispor de minha própria propriedade, pela qual trabalhei?" ¶
Não tendes nada exceto aquilo que o Senhor Deus confiou aos vossos cuidados. Pertence a ele. A terra e a sua plenitude são dele, e nós somos dele. Há apenas um princípio que pode ser considerado nosso, e é a nossa vontade. Podeis fazer como vos é dito, ou podeis recusar-vos a fazê-lo. Podeis buscar o bem e fazê-lo, ou podeis buscar o mal e fazê-lo. Nisso sois deixados como vossos próprios juízes. Podeis mostrar a Deus que sois por ele, ou que sois pelo Diabo. Podeis tornar-vos eleitos para fazer o mal e ser um anjo do Diabo, ou podeis tornar-vos eleitos para fazer o bem e ser um Santo do Altíssimo. Por vosso próprio bem, sede fiéis a vós mesmos e vivei a religião que professais crer, e criai vossos filhos nos princípios de retidão que o Senhor Deus vos revelou, e nos quais os fiéis tanto se comprazem, e que lhes é tão grande conforto e consolo. Criai vossos filhos de modo que sejam honra e crédito para vós em vossa velhice — de modo que andem em vossos passos, à medida que andais em toda obediência diante do Senhor. O Senhor fez grandes promessas a Abraão. Por quê? "Porque eu o conheço, que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo," etc. ¶
Podeis cumprir o vosso dever como Abraão o fez, e influenciar vossos filhos de todas as formas possíveis a praticar a retidão em todos os seus dias. Toda pessoa tem o seu arbítrio; e quão grandiosa é a ideia de que, quando a forte vontade do homem é usada para a promoção do reino de Deus, para estabelecer em primeiro e principal lugar os princípios da verdade e da retidão, e assim finalmente conduzir à exaltação no reino de Deus, com poder para preservar nele por toda a eternidade a nossa identidade, entrar na presença de Deus, e ser capaz de suportar os olhos escrutinadores de nosso Pai no céu! ¶
Que bênção sobremaneira grande é sermos capazes de fazer tudo isso, se assim quisermos, e salvar aqueles com quem estamos associados, e avançar e nos tornarmos os Deuses da eternidade. Provemos a Deus, aos anjos, e a todos os seres santos que somos pelo reino — que somos por Deus e pela santidade. Ponhamos de lado nossas contendas e disputas e pequenas noções: elas não acrescentarão peso algum na balança a nosso favor, mas pesarão contra nós, e continuamente impedirão nosso avanço. Dizeis que uma pessoa vos fez uma injúria. Suponde que sim, e daí? Isso não deveria afetar-vos. Ignorai-a e prossegui firmemente pelo caminho ascendente da retidão, e isso não vos fará mal algum; mas fará mal à pessoa que infligiu a injúria. É melhor sofrer o mal do que fazer o mal. Se uma pessoa me rouba algo, isso não torna certo que eu tome algo que pertence a outra pessoa. Se uma pessoa se irrita comigo, e eu sigo com meus assuntos e não presto atenção a isso, mas antes aproveito a ocasião para acalmar e controlar os seus sentimentos, e finalmente obtenho domínio sobre eles, e sobre mim mesmo em primeiro lugar, isso me dá uma vitória, ainda que ela o tenha feito de propósito para me ferir. ¶
Quando o Todo-Poderoso está nos abençoando com colheitas abundantes, quão tolo é brigar com nossos vizinhos por um pouco de água. Talvez seja que tenhamos alguma razão; mas se não pudermos obter a água com bons sentimentos e palavras amáveis, deixai que a tenham. ¶
Sigamos em nossas transações diárias com uma visão esclarecida das coisas, e sintamos que não seremos desviados do caminho da retidão por cada pequena coisa que cruzar o nosso caminho. Contornemos por uma distância considerável qualquer coisa que nos incomodaria, em vez de fazer alarde por causa disso. Suportemos muito antes de encontrar defeitos em nosso irmão ou fazê-lo proceder mal. Procurai cultivar cortesia e bons sentimentos uns para com os outros, para que possais alcançar aquele domínio sobre vós mesmos, e aquela elevação de sentimento e emoção que é digna de vós como Santos do Altíssimo. Quando vosso Bispo ou Presidente escolhe liderar numa certa direção de retidão, segui-o e sustentai-o. Se ele não está procedendo corretamente e andando no caminho de seu dever, que a vossa fé seja de tal força que fará com que ele seja removido, e um homem colocado ali que proceda corretamente. Um Presidente infiel não pode permanecer em seu lugar por muito tempo, se o povo proceder corretamente. Que Deus nos abençoe, e nos ajude a cumprir o nosso dever, viver a nossa santa religião, e edificar o seu reino, é a minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶