Pulpit

Estabelecimento do Reino de Deus—Coligação dos Pobres, etc.

Brigham Young

1861-03-03

Palestra do Presidente Brigham Young, proferida no Tabernáculo, Great Salt Lake City, 3 de março de 1861. Relatada por G. D. Watt.

Há vários assuntos sobre os quais desejo dizer algumas palavras, e primeiro farei algumas observações a respeito do reino de Deus na terra.

Diz-se-nos que a terra é do Senhor, e a sua plenitude. Diz-se-nos também que, dentro em pouco, o Senhor possuirá a terra. Os cristãos são exortados a ser fiéis, pois por fim Jesus coroará seus irmãos como reis e sacerdotes -- não apenas os Doze Apóstolos a que o irmão Broderick se referiu esta manhã, mas também todos os que guardam seus mandamentos e vivem fielmente segundo as exigências do santo Evangelho. Somos exortados a ser firmes e imóveis, sempre abundando em boas obras. Esta é nossa tradição; é a doutrina que temos ouvido desde a juventude. Muitos de vós conheceis as várias doutrinas do mundo cristão. Alguns creem, "Uma vez em graça, sempre em graça." Outros, "Santo hoje, pecador amanhã, e no dia seguinte de novo Santo," etc., etc. "O reino de Deus na terra?" "Não foi esse reino estabelecido há muito, muito tempo?" "Por que não vem o Senhor Jesus tomar posse da terra, já que é dele?" Estas são perguntas que surgem, especialmente na mente dos críticos -- daqueles que se inclinam à incredulidade quanto à religião revelada; e eles indagam do cristão: "Por que não faz vosso Deus assim e assado? Por que ele demora? Por que permite que o inimigo detenha o domínio sobre o Salvador?" juntamente com muitas outras indagações que residem na mente do povo. Talvez alguns de vós tenhais respondido satisfatoriamente a essas perguntas para vós mesmos, e talvez as tenhais ouvido respondidas satisfatoriamente para vossa mente e entendimento pelos Élderes de Israel.

Há uma razão para tudo isso. Não tenho tempo esta tarde, nem desejo me limitar, para dizer tudo o que minha mente seria levada a dizer sobre o assunto. Posso dizer de imediato: se Jesus tivesse tomado o reino nos dias em que esteve na terra, teria estragado todo o plano -- teria arruinado o propósito para o qual veio ao mundo. Se tivesse estabelecido seu reino logo após o dilúvio e reinado triunfante na terra, a terra jamais poderia ter respondido aos fins de sua criação -- os habitantes da terra não poderiam ser responsáveis. Se tivesse de tomar posse da terra neste presente momento, arruinaria seu próprio plano -- frustraria seus próprios desígnios. Pode ser um mistério -- é para muitos -- por que o Senhor permite isto e aquilo, e determina assim e assado. Isso se deve à falta de inteligência nos seres inteligentes que estão na terra. Se compreendessem o propósito da criação desta terra e dos habitantes sobre ela, essas questões seriam um tema fácil e agradável para seu entendimento; tornar-se-iam princípios naturais para eles, fáceis de compreender. Compreenderiam o desígnio do Todo-Poderoso na formação desses seres inteligentes, na direção deles, o propósito da criação da terra, e o desfecho final, quando tudo o que foi designado para esta terra e tudo o que foi consignado a esta terra tiver vindo sobre ela, e a obra estiver completa -- a cena final tiver chegado, quando Jesus tiver terminado sua obra relativa ao homem e seu arbítrio -- vereis então que se tomará posse do reino, e isso bem rapidamente.

Todo ser mortal deve se erguer como capacidade inteligente e organizada, e escolher ou rejeitar o bem, e assim agir por si mesmo. Todos devem ter essa oportunidade, mesmo que todos afundem nas profundezas da maldade. Sustentem eles o reino de Deus e promovam o Evangelho da salvação, ou não, a terra deve permanecer nas mãos dos homens, sujeita a ser continuamente influenciada por um poder e autoridade superiores. A independência do homem deve permanecer inviolável; deve ser reservada a cada e todo indivíduo: todos devem ter o privilégio de agir sobre ela. Até que o último espírito designado a vir aqui e tomar um tabernáculo tenha vindo à terra, a cena final não pode chegar; não tenho tempo para dizer o que gostaria sobre este assunto, mas o deixarei à vossa própria reflexão.

Não vos maravilheis de que o reino de Deus não esteja em sua plenitude. Não vos maravilheis de ver todo homem e mulher sujeitos às paixões que pertencem à natureza caída. Nunca houve um Profeta na terra que não estivesse sujeito a paixões, como nós estamos. Todo filho e filha de Adão que veio a este mundo esteve sujeito ao pecado, e propenso a se desviar. Devem ter seus tempos e estações; e quando chegar o dia em que todas as coisas hão de ser reunidas em uma, o Senhor reunirá essas coisas. Quando chegar o dia em que Jesus tomará posse da terra (ele a tomará quando chegar o tempo em que Satanás será expulso da herança dos filhos -- dos herdeiros legítimos), vereis que a expulsão será executada, e será efetiva. Será efetiva sobre todo inquilino ou ocupante das propriedades do Todo-Poderoso, e serão imediatamente removidos. Mas o tempo ainda não chegou -- a obra ainda não está terminada. Sede pacientes -- sede cooperadores de nosso Salvador e Mestre até que esta obra se realize, e seremos abençoados em nossos atos.

Desejo fazer algumas observações aos irmãos desta cidade a respeito de estenderem as mãos e os meios para ajudar a coligar os Santos pobres. A princípio, alguns julgaram inconveniente apelar ao povo desta cidade para ajudar a enviar juntas para os Santos; mas concluímos de outra forma. Esperamos ter mais poder aqui do que se tem em qualquer outro lugar, em todos os Ramos e associações da Igreja de Jesus Cristo em toda a terra. Aqui vemos por todos eles, falamos por todos, e, comparativamente falando, temos mais poder do que se possui em qualquer outra parte do corpo. Se desejamos ver uma grande coisa realizada, devemos tomar a dianteira. E quando sentirmos que somos fracos e débeis, incapazes de fazer isto ou aquilo, com a pobreza a nos encarar, e a falta de meios sentida, que cada pessoa se levante e considere seu chamado e posição, e o desígnio do Todo-Poderoso.

Apresentarei uma comparação de nossos mecânicos. Encontrareis aqui mecânicos que podem se pôr a trabalhar e construir uma bela casa, mas precisam ter todas as ferramentas e materiais necessários. Outro pode construir uma carruagem, mas precisa ter as ferramentas e materiais necessários. Podeis encontrar um homem que pode construir uma máquina a vapor, mas precisa ter as ferramentas e materiais. Mas encontrais os mecânicos que podem se pôr, com uma velha lima triangular, um canivete, uma verruma de espeto e uma trado de polegada, a construir uma carroça de modo profissional, e diríeis que ele é um artesão superior. Como diz o pescador, "Não é truque nenhum pescar peixe, se tendes as ferramentas e sabeis como se faz." Não é demonstração alguma de habilidade pregarmos o Evangelho às nações, se temos os bolsos cheios de dinheiro, e sociedades bíblicas e sociedades de tratados e sociedades missionárias reunindo-o para nós pagarmos nossas despesas -- juntando para nós o vil metal. Suponho que em tais casos nos sentiríamos como os outros se sentem. Sabeis como se sentem alguns daqueles que podem ir de um lado da terra para o outro, e têm o privilégio de reunir meios para prosseguir. A maneira como se sentem é mostrada muito vigorosamente num relato de um sacerdote, depois de feita uma coleta. Ele juntou o dinheiro, e enquanto o punha no bolso deu início ao hino -- "Este é o Deus que eu adoro."

Vedes Élderes que partem daqui sem bolsa nem alforje, e atravessam as Planícies com carrinhos de mão, e têm engenhosidade bastante para ir de cidade em cidade, de país em país, de nação em nação, e circundar a terra. Nisso há certa habilidade, talento e capacidade, grande zelo, ou excelente boa sorte: deveis atribuí-lo a algo. Não seria grande coisa para nós coligar os Santos, se tivéssemos ouro em abundância. Quantas vezes pensei que gostaria de ter um lugar conveniente aonde ir buscar ouro com que coligar os Santos; mas onde estaria nossa glória e recompensa, se fôssemos daqui à Europa, e viajássemos ao Oriente até a China e voltássemos, tendo pregado por vários anos, com os bolsos cheios de ouro? Onde estaria, então, vossa grande capacidade? Em vossos bolsos -- no deus tão adorado. Mas tomai os homens que podem percorrer toda a terra, pregar o Evangelho sem bolsa nem alforje, e depois se pôr a traçar seus planos para coligar os Santos. Isso parece obra de anjos. Não parece obra de seres superiores às pessoas comuns? Sabeis que somos chamados a esta obra?

Se o Senhor tivesse chamado algum grande homem, algum homem rico, algum dos proeminentes Bispos da Igreja Católica Romana ou da Igreja da Inglaterra, ou o Papa, para escavar as placas da terra, e traduzi-las, e publicar o Livro de Mórmon, e depois lhes tivesse fornecido ouro em abundância e outros meios para distribuir aos discípulos -- riqueza, honra, fama e bom nome em abundância no meio do povo -- teria havido nisso alguma manifestação particular de um ser superior? Não teria havido. O Senhor escolheu Joseph Smith, chamou-o aos catorze anos de idade, deu-lhe visões, e o conduziu, guiou e dirigiu em sua obscuridade até que trouxesse à luz as placas e as traduzisse, e Martin Harris foi persuadido a sustentar a impressão do Livro de Mórmon. Tudo isso foi feito nas profundezas da pobreza, obscuridade e fraqueza. O Livro foi traduzido, impresso e entregue ao mundo; e cada vez que um homem de letras, retórica, ou profundo saber mundano, entra nesta Igreja e empreende pregar o Evangelho, confiando em sua sabedoria mundana, esse homem fracassará. Não importa onde na terra empreenda estabelecer este reino segundo os costumes, sentimentos, modas e orgulho do mundo, ele afundará tão certamente quanto o tenta.

Recordo-me de uma observação que o irmão Joseph costumava fazer com frequência, ao falar com os Élderes. Não importava o que os incumbisse de fazer, quer quisesse que fossem a uma terra estrangeira numa missão, quer que entrassem num negócio, dizia ele: "Quando começardes, entrai pela ponta pequena do chifre; pois, se não o fizerdes, mas entrardes pela ponta grande, tereis de voltar e sair pela ponta por onde entrastes, ou sair pela ponta pequena e ser espremidos quase até a morte." Que um Élder alugue os melhores salões das grandes cidades para começar, e se ponha a proferir palestras, e levará muito tempo para levantar um Ramo desta Igreja. Mas que ele comece entre os pobres da terra -- aqueles que vivem em porões, e sótãos, e ruas dos fundos; "pois," diz o Todo-Poderoso, "vou tomar as coisas fracas da terra, e com elas confundir a sabedoria dos sábios." Vereis esse traço em cada passo do "mormonismo." Deus escolheu os obscuros e fracos, para levantá-los e exaltá-los. Não é essa a obra de um Deus, a realização desta obra sem dinheiro e sem preço? O Evangelho é enviado a todos os habitantes da terra -- aos altos e aos baixos, aos nobres e aos ignóbeis, aos jovens e aos velhos. "Aqui está o Evangelho; sois bem-vindos a ele." "Não pedis nada em troca?" "Nem um vintém. Tem de ir ao mundo sem dinheiro e sem preço." Ora, comparai isso com levar o Evangelho com os bolsos cheios de dinheiro; e neste último caso, onde está vossa glória e honra?

Como exemplo, temos homens que extraem pedra das montanhas; e diríamos a esses homens, Podeis extrair pedra sem os instrumentos adequados? Diz um, "Preciso de tantas picaretas e cunhas, e preciso de tantas brocas de diferentes tamanhos, e tantas marretas e martelos." Outro homem diz, "Vou fazer as ferramentas; tenho a capacidade, e farei os instrumentos a partir do minério da montanha." Lembrai-vos do que fez Néfi. Quando chegou ao mar, e se preparou para construir sua embarcação, o Senhor lhe mostrou o minério, e Néfi fez as ferramentas com que formou sua embarcação. Ele não teve de voltar a Jerusalém para obter ferramentas. Gostaria de ver um pouco mais dessa habilidade demonstrada aqui do que vejo no momento presente. Uso esta comparação para mostrar que nós, em nossa pobreza, temos esta obra a fazer.

Como se observou esta manhã, num discurso saudável, encantador e excelente, teremos de ir trabalhar e extrair o ouro das montanhas para colocá-lo no chão, se algum dia formos caminhar em ruas pavimentadas de ouro. Os anjos que agora caminham em suas ruas de ouro, e têm a árvore da vida dentro de seu paraíso, tiveram de obter aquele ouro e colocá-lo ali. Quando tivermos ruas pavimentadas de ouro, seremos nós que o teremos colocado ali. Quando desfrutarmos de um Sião em sua beleza e glória, será quando o tivermos edificado. Se desfrutarmos do Sião que agora antecipamos, será depois que o redimirmos e prepararmos. Se vivermos na cidade da Nova Jerusalém, será porque lançamos o fundamento e a edificamos. Se não completarmos essa obra como indivíduos, lançaremos o fundamento para nossos filhos e os filhos de nossos filhos, como fez Adão. Se formos salvos numa arca, como Noé e sua família foram, será porque a construímos. Se o Evangelho é pregado às nações, é porque os Élderes de Israel vão em sua pobreza, sem bolsa nem alforje, pregar o Evangelho até as extremidades da terra.

Se os Élderes de Israel pudessem ver o verdadeiro rumo e fio da fé, jamais diriam que não podem fazer isto ou aquilo, mas veriam de imediato que somos a cabeça, o departamento que dá a lei. Somos os olhos, os ouvidos, a boca; nós determinamos, e cabe-nos conduzir em toda boa obra. Se edificarmos aqui um Templo, será porque precisamos de um; e se realmente precisamos de um, ponhamo-nos a edificá-lo. Calcularemos o custo? Não. Se vou edificar um templo, não vou sentar-me a calcular o custo. Não me importa quanto custará. Enquanto estivermos ocupados em fazer uma boa obra, isso nos mantém fora de traquinagem e injustiça, e ao mesmo tempo aumenta o valor de toda a nossa propriedade, e embeleza nossas cidades.

Se desejamos enviar buscar os pobres, arrecademos juntas. "Mas," dizeis, "não tenho nenhuma." Então preparai-vos para ir como carroceiros, para fazer qualquer coisa e tudo. Como não tenho tempo para fazer muitas observações sobre isso, permiti-me dizer aos Élderes de Israel, e também às irmãs, Um terço ou um quarto do tempo gasto para obter o sustento seria suficiente, se vosso trabalho fosse corretamente dirigido. As pessoas pensam que vão enriquecer com trabalho árduo -- trabalhando dezesseis horas das vinte e quatro; mas não é assim. Muitos de nossos irmãos mal têm tempo para ir à reunião. Seis dias é mais tempo do que precisamos para trabalhar. Dezesseis horas das vinte e quatro é mais tempo do que precisamos para trabalhar, ou mesmo dez horas, se esse trabalho for corretamente dirigido. Se trabalhamos, trabalhemos com proveito, de modo a realizar o que planejamos.

Desejo dizer aos irmãos e Bispos aqui, Quando concluímos que apelaríamos a esta cidade por ajuda, obtivemos tudo o que pedimos, e mais. Digo, o crédito é devido a eles. Permiti-me dizer-vos, irmãos, estou satisfeito; o Espírito que há em mim está satisfeito. E uma coisa em particular vos digo: em todas as vossas transações nesses assuntos públicos, não façais, a menos que queirais. Como dizemos aos Santos, Não pagueis o Dízimo, a menos que queirais; não ajudeis a edificar este Templo, a menos que queirais; não estendais as mãos a um dia de trabalho, a menos que queirais; não estendais as mãos para ajudar a construir o Salão dos Setenta, a menos que queirais. Se relutantemente estenderdes vossos meios para ajudar a coligar os Santos, isso será uma maldição para vós; mofará, e todo esforço que fizerdes murchará em vossas mãos. Se não desejais ajudar, deixai isso de lado; mas se realmente desejais ajudar a coligar os Santos, saí com vossas juntas, como concordastes fazer. Se desejais que este Templo seja construído, ponde-vos a trabalhar e fazei tudo o que puderdes nesta estação. Alguns dizem, "Não gosto de fazer isso, pois nunca começamos a construir um Templo sem que os sinos do inferno começassem a tocar." Quero ouvi-los tocar de novo. Todas as tribos do inferno estarão em movimento, se descobrirmos as paredes deste Templo. Mas o que pensais que isso resultará? Todos vós já vistes, o tempo todo, o que resultou.

Posso dizer, para meu conforto e consolo, e para o vosso também, que construímos dois templos, e começamos outro. Completamos um templo em Kirtland e em Nauvoo; e não repicaram os sinos do inferno o tempo todo em que os construíamos? Repicaram, todas as semanas e todos os dias. Para nosso consolo direi, Estamos aqui e não lá. Não podeis cavalgar daqui até Carthage, no Condado de Hancock, Illinois, antes do café da manhã, ainda que tentásseis; e todo aquele que agora tenta vir de Warsaw ou Carthage até a sede do "mormonismo" terá de pôr mais biscoitos nos bolsos do que costumava. O que eles realizaram? Engrandeceram a obra do Senhor aos olhos das nações. Temem mais nossa união do que qualquer outro poder. Temem o Deus que há em nós. Se aquela união e o poder de Deus estão com dez homens, temem-nos mais do que temem cem mil homens que não estão unidos. Estamos aqui, e estou satisfeito.

Quanto aos atos desta cidade em enviar juntas, as enviaremos nesta estação para trazer os pobres através das Planícies; e o que faremos na próxima estação? Enviaremos muito mais. Será o caminho obstruído pelas guerras e aflições das nações? Nem sei nem me importo. Estou esperando que se cumpram as palavras de Joseph. Chegará o tempo em que homens e mulheres ficarão felizes por apanhar o que puderem, enrolar num pequeno embrulho, e partir para as montanhas, sem junta nem carroça. Esse dia chegará em breve. Centenas de pessoas nesta casa são minhas testemunhas, que ouviram Joseph dizer, quando perguntado se teríamos de deixar Nauvoo algum dia: "Os Santos deixarão Nauvoo. Não digo que serão expulsos, como o foram do Condado de Jackson, Missouri, e daquele Estado; mas partirão daqui e irão para as montanhas. E na próxima vez que os Santos se mudarem, ou forem levados a se mudar, serão tirados da frigideira, não para o fogo, mas para o meio do chão." Se isto não é o meio do chão, não sei onde o encontraríeis. Quando deixamos o Missouri, fomos tirados da frigideira para o fogo; e na vez seguinte em que nossos inimigos conseguiram em sua guerra contra nós, lançaram-nos no meio do chão. Penso que isto é o meio do chão. Podemos olhar para o lado de trás dele, ou para o lado da frente dele? Posso olhar para o sul e para o norte, e há um longo caminho até a cama ou até a mesa. Penso que estamos no meio do chão. Estamos aqui, e não lá. "Pensais que haverá guerra, de modo que não possamos coligar os Santos?" Não sei, nem me importa. Eles precisam vir.

Desejo dizer algumas palavras àqueles de meus irmãos que são propensos a profetizar o mal. Alguns dos irmãos estão sempre prevendo o mal que os Santos vão sofrer, e dizendo que veremos tempos mais duros do que nunca antes, e que os exércitos dos Est-- esperai -- os exércitos das nações ainda se reunirão contra nós. Que se reúnam: o Senhor realizará sua obra. "Mas não pensais que seremos afligidos novamente?" E se formos? Não me arrependo de que o exército tenha vindo aqui. "Do que vos arrependeis?" Lamento ver tantas pessoas tolas em nosso meio. Se eu possuísse a influência sobre este povo que é meu direito possuir no meio dos Santos dos Últimos Dias, teria feito nossos inimigos pagar bem pelo que compraram. Mas ver as irmãs correr com manteiga, ovos e galinhas, e os irmãos com sua farinha e trigo, para seus inimigos que vieram aqui para lhes cortar a garganta, ou então fazê-los renunciar a sua religião, é o que dói em meu coração. Nossos inimigos estão arruinados, o ouro foi gasto, e estamos aqui onde podemos obter mais. Quem fez o dinheiro no que se chama a "Guerra de Utah"? O Sr. Floyd, Secretário da Guerra, esperava fazer uma grande quantia. Quando iniciou sua cruzada, considerei que faria uns cinco milhões de dólares. Provavelmente o fez, e perderá tudo, e se tornará um fedor e um provérbio entre seus amigos, e apodrecerá; e muitos de vós vereis isso se cumprir. Isso também acontecerá a cada um daqueles que vieram aqui destruir o "mormonismo," como muitos de vós vereis. A classe mais provável que veio aqui foram os jogadores, e a maioria deles quebrou; e todos os que se engajaram na cruzada serão quebrados. Quando empreenderam a tarefa, não calcularam o custo.

Raramente penso neles; mas quando começo a falar deles, vêm à mente os tempos por que passamos, que foram bons tempos. Senti-me notavelmente bem em todos eles. "Tu, Brigham Young, és um mórmon; crês em Joseph Smith, e não és digno de viver na terra." "Vós, João, Pedro e Paulo, deveríeis ser mortos, porque credes em Jesus Cristo." Como pensais que me sinto para com eles? Uma de nossas irmãs jazia doente na cama em Far West; e quando a turba lá entrou, um deles tomou um forcado e ameaçou apunhalá-la com ele. Ela disse: "Enfiai-o em mim tão depressa quanto quiserdes, pois não fareis grande coisa matando uma velha como eu -- uma que nem consegue sair da cama." Quando nos caçaram até este deserto desolado, se me permitirdes usar uma figura vulgar, tive de pôr dezenas de tirantes antiquados da Pensilvânia; tive de continuar pondo mais um, e mais outro, para mantê-los dentro dos limites. O Senhor disse: "Esperai." Ele pode lutar nossas batalhas muito melhor do que nós. A ira contra eles é um sentimento pobre e miserável; e estou tentando me livrar dele. Mas refletir no que fizeram! Centenas e centenas de pais, mães e filhos foram perdidos à beira do caminho, por meio de suas perseguições infernais! Sinto que quero viver até ver a terra esvaziada de tais caracteres. São todos assim vis? Não, apenas aqueles que se sentem inclinados a perseguir e destruir o reino de Deus na terra.

Contar-vos-ei outra profecia de Joseph, da qual tanto judeus quanto gentios são minhas testemunhas. Joseph disse que os ossos de centenas dos desordeiros do Missouri e Illinois, que expulsaram os Santos daqueles Estados, branqueariam nas planícies, e sua carne seria alimento para os lobos. Sois testemunhas disso, ao atravessar as Planícies? Sim, centenas e centenas daqueles caracteres que partiram para as minas de ouro, sua carne foi alimento para os lobos, e seus ossos estão ali branqueando hoje, na medida em que não foram enterrados, ou inteiramente apodrecidos. Essa é outra profecia de Joseph. Não digo que todos os que diferem de nós em matéria de religião são desordeiros. Não: há homens tão honestos em outras igrejas quanto na nossa.

Ide ao mundo, entre os incrédulos e os universalistas: são duas boas classes de homens. Depois visitai os membros da Igreja da Inglaterra, e a Igreja Católica Romana, os batistas, metodistas, presbiterianos, quakers, shakers, etc.; e milhões deles são tão honestos quanto nós. Devo chamá-los de desordeiros? Quem são os malfeitores? Aqueles a quem foi apresentada a luz, e a rejeitaram. Não sinto o que descrevi para com todos os filhos dos homens, apenas para com aqueles que perseguiram nossas vidas desde o princípio -- que perseguiram a vida de todo Santo desde o princípio. Mas não têm o poder, nem o terão, de dividir este reino. Esta Igreja prosperará e crescerá. Compreendeis que, quando falo desses homens, falo daqueles que foram ativos em quê? Em tentar trazer destruição sobre nós. Nós os prejudicamos? Não, não prejudicamos; pelo menos, eu não prejudiquei, e espero que vós também não. Têm eles alguma grande razão para seu tratamento para conosco? Não têm. Deixá-los-ei nas mãos de Deus; e quando chegar o tempo, como já vos disse, para que os presentes ocupantes e inquilinos sejam deserdados, o mandado de despejo será executado, e serão imediatamente retirados de sua posição, e Jesus tomará posse. E, como se observou esta manhã, embora seja pensamento aterrador que todos os homens estejam sob o controle de um só, jamais viverá na terra um homem que não controle os habitantes da terra, até que possa fazê-lo com justiça e misericórdia. Não temais, pois: os inimigos de Deus e de seu Cristo serão divididos e subdivididos o tempo todo, e Jesus virá reinar e governar. Dizeis, "Todos gostamos do reinado de Cristo." Os ímpios não gostarão do Salvador metade tanto quanto gostais de mim. Ele lhes diria que fossem para seu próprio lugar. Não honro nenhum outro ser no céu e na terra mais do que a ele; e nenhum homem pode reinar triunfante até que reine em retidão. Portanto, não tenhais o menor temor. Deixarei este assunto.

Queremos edificar este Templo. Ora, irmãos, fá-lo-emos? Sim; e faremos tudo o que for necessário. Os Bispos discutiram o assunto, e pensaram que enviar juntas desta cidade impediria que empregássemos nossa força nas paredes do Templo. Mas permiti-me dizer-vos que podemos fazer muito mais no Templo este ano, se lhe tocarmos sequer, do que poderíamos se não enviássemos nosso gado e carroças para o Leste. Talvez alguns de nós não consigamos compreender isso, mas confio que vivereis de modo a ver o tempo em que compreendereis que Deus governa nos céus, e faz sua vontade na terra; e que o gado sobre mil colinas é dele; e que ele controlará todos os assuntos para vosso benefício, se formos cooperadores com ele, com coração puro, e olho único voltado para a edificação de seu reino, e fizermos o que precisa ser feito; e que quanto mais fizermos, mais meios teremos. Que os ímpios continuem a lutar e brigar, e o Senhor abrirá o caminho para nós, e poderemos coligar os Santos pobres por muito tempo ainda. Não importa o que se faça entre os Estados, a terra é do Senhor, e ele determinará, governará e controlará onde lhe aprouver; e, com o tempo, tomará posse de toda a fazenda -- de toda a terra.

É agora tempo de despertarmos para os negócios. Tivemos um inverno agradável, e nos divertimos na dança, em concertos e festas. Quero dizer aos Bispos, agora encerrai esses divertimentos, e ponhamo-nos a trabalhar. Já vos disseram muitas vezes que todo o divertimento que os Santos dos Últimos Dias desfrutam, ou desfrutarão, temos de fazê-lo nós mesmos. Um dos divertimentos mais úteis que poderíamos ter seria que os Setenta e os Sumos Sacerdotes se reunissem aqui, em vez de em seus pequenos salões, e ministrassem palestras. Qual é mais deleitável, satisfazer as necessidades do corpo natural, ou as da parte inteligente dentro de nós? Qual é mais preciosa? Ambas.

Meninos brincam com suas carrocinhas, piões, bolinhas de gude, etc.; meninas com suas bonecas, berços e cordas de pular. Estão no auge de seu prazer, enquanto ali senta a mãe, cuja mente compreende tudo o que as crianças podem desfrutar, e então ela pode ver um prazer muito além do que elas são então capazes de desfrutar. Talvez sua visão esteja aberta para ver adiante, na eternidade diante dela, e que ela será capaz de preservar sua identidade na existência futura. Não vedes quão fácil é para ela abarcar tudo o que essas criancinhas podem desfrutar? Seu sentimento é, "Estou encantada: é uma grande satisfação ver meus filhos se divertindo." Mas como gostaria ela de se envolver em suas brincadeiras? "É meu júbilo vê-los se divertindo." Gostais de vos reunir em vossas festas? Como sois vistos pelos seres nos mundos eternos? Exatamente como uma mãe vê seus filhos quando eles estão se divertindo e passando seu tempo tão bondosamente uns com os outros. Diz a mãe, "Deleito-me em ver meus filhos se divertindo." Também me deleito em me divertir com os irmãos e irmãs, e dar à minha organização natural o alimento que o corpo natural requer. O corpo requer alimento, e o espírito imortal requer alimento; toda a organização requer algo com que se banquetear, e organizamos divertimentos para satisfazê-la. Digo aos Bispos, agora encerrai as festas de dança. Que pensais, irmão Woolley? Que pensais, irmão Hoagland? ["Sim."] Presumo que todos os demais sintam o mesmo.

Penso que interromperemos as festas de dança por um tempo. Ora, fazei vossas festas ao redor de vossos arados; vede que vossas juntas estejam onde possais obtê-las, e que vossas cercas estejam em ordem, e tende vossas juntas e carroças prontas para partir para o Leste. E quando desejardes vos divertir com vossos irmãos, sois bem-vindos a esta sala, para ministrar palestras e apresentar qualquer negócio público que seja necessário fazer. Temos muito trabalho público planejado para esta estação. Pretendemos fazer algumas melhorias neste Tabernáculo, e fazer algo no Templo, e construir o Salão dos Setenta, além de salas de palestras, salas de assembleia, etc., nesta cidade; e se formos deixados em paz, em trinta anos faremos deste lugar uma bela cidade. Também esperamos construir um teatro nesta estação, como local de divertimento para os irmãos e irmãs. Não vou deixar que os demônios façam diversão para mim: eles têm diversão suficiente para mantê-los bastante ocupados. Jamais irei para o inferno em busca de diversão; e se tenho alguma diversão, desejo que meus irmãos e irmãs a proporcionem. Deus vos abençoe! Amém.

Como citar este discursoBrigham Young, “Estabelecimento do Reino de Deus—Coligação dos Pobres, etc.”, (1861-03-03). Pulpit Vault, 1861-03-03-young-establishment-of-the-kingdom-of-god-gathering-the-poor. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).