Natureza do Homem—Felicidade—Influência do Espírito de Deus Sobre a Humanidade, Etc
Brigham Young
É bom para os que professam ser crentes no Senhor Jesus Cristo, e praticar suas doutrinas, manter seus princípios diante de si. É bom falar frequentemente uns aos outros das coisas do reino de Deus. ¶
O homem é um mistério para si mesmo, e poucos são os habitantes da terra que indagam sobre sua própria organização—seu ser, sua capacidade, ou mesmo sobre princípio algum. As nações da terra vêm e vão, e toda pessoa reflexiva discerne um profundo mistério no homem. Há um espírito no homem, e esse espírito é mais ou menos iluminado e instruído por um espírito superior; contudo os corações dos homens estão absortos nas coisas do tempo, e desgastam suas vidas em seus esforços por preservá-las. Esta é a razão pela qual tantos passam como uma nuvem. Estão aqui; não pensam senão em subsistir enquanto puderem, e depois se vão para sempre. ¶
Dos que têm lazer e meios para aperfeiçoar suas mentes e se tornarem muito úteis, poucos há que não desperdicem seu tempo e seus meios. Não aperfeiçoam seus talentos; ou, como observou o irmão Heywood, não aperfeiçoam o capital que possuem. Há uma grande quantidade de ignorância no mundo; e a maioria das pessoas carece de pesquisa sobre sua própria origem. Alguns não têm a oportunidade, outros não têm o tempo, e para a maioria sua educação é tal que não têm disposição para essas pesquisas. Mas, acima de tudo, desperdiçam o conhecimento que naturalmente está dentro deles—seus dotes naturais. Todos os homens deveriam estudar para conhecer a natureza da humanidade, e discernir aquela divindade neles inerente. Um espírito e poder de pesquisa está neles plantado, mas permanece por desenvolver. ¶
Há um traço muito predominante na família humana—a busca do poder. A grande maioria estuda constantemente como ganhar influência—atravessam o mundo inteiro para alcançá-la. Este traço é, em grande medida, derivado de suas tradições. Como age, faz, diz e crê o mestre, assim age o servo. Como o pai marca seus passos pela vida, assim se medem os passos dos filhos, e os milhões de peculiaridades consequentes têm de ser levados em conta ao tratar com a família humana. A tradição toma posse do estudante quando ele começa sua educação, e, mais ou menos, se apega à família humana pela vida afora; e temos de tratar com o povo segundo seu entendimento. São capazes de receber apenas certa porção de cada vez. ¶
O que satisfará a mente? O ouro? A prata? Casas, terras e posses? Buscai por todo o mundo, e imediatamente descobrireis que não. Satisfará o poder e a influência sobre seus semelhantes? Não satisfarão. Podem dar uma satisfação momentânea; mas logo passa como uma nuvem matinal, e os possuidores ainda estão trabalhando e lutando para obter mais. Isso se manifestou na carreira de Alexandre, o Grande, que conquistou quase todo o mundo então conhecido, e ainda assim estava tão insatisfeito consigo mesmo e com sua vida—com seu poder e posses—que morreu em devassidão em idade precoce. Obteve poder, riqueza, fama e renome, e ainda assim estava tão insatisfeito que lamentou, chorou, e desperdiçou sua vida antes de chegar à meia-idade. ¶
O que satisfaria os filhos dos homens, se o tivessem em sua posse? Apenas a verdade e os verdadeiros princípios e conduta que fluem de sua observância. É verdade, certas classes dos habitantes da terra estão bastante satisfeitas consigo mesmas, por meio de suas pesquisas nas filosofias do dia, e especialmente na ciência da astronomia, que dá o maior alcance à mente; e ainda assim não estão plenamente satisfeitas. O que nos satisfará? Se compreendêssemos todos os princípios e poderes que são, que foram, e que hão de vir, e tivéssemos sabedoria suficiente para controlar os poderes e elementos com os quais estamos associados, talvez então estivéssemos satisfeitos. Se isso não satisfizer a mente humana, nada o fará. ¶
Há tal coisa como felicidade sobre a terra? Há; e se o povo pudesse compreender seu início—seu germe, se esforçaria por obter a verdade e crescer em verdadeiro conhecimento: então a pessoa destinada a receber muito teria alegria em proporção, e uma capacitada a receber pouco estaria satisfeita com isso. Há tal conhecimento sobre a terra? Há. Há verdadeiros princípios? Há, e ouvimos uma porção deles esta manhã na doutrina da salvação. ¶
Se o povo compreendesse a verdadeira filosofia—a filosofia eterna, compreenderia que há uma eternidade de matéria. Astrônomos estimam que há, entre nós e a estrela fixa mais próxima, matéria suficiente para organizar milhões de terras como esta. Há uma eternidade de matéria, e toda ela é agida e preenchida com uma porção de divindade. A matéria há de existir; não pode ser aniquilada. A eternidade é sem limites, e está preenchida de matéria; e não existe tal lugar como espaço vazio. E a matéria é capacitada a receber inteligência. ¶
Se pudéssemos compreender de tal modo a verdadeira filosofia a ponto de compreender nossa própria criação, e para que ela serve—que desígnio e intento tinha o Governante Supremo ao organizar a matéria e trazê-la à existência na capacidade em que vos contemplo aqui hoje, poderíamos compreender que a matéria não pode ser destruída—que está sujeita à organização e à desorganização; e poderíamos compreender que a matéria pode ser organizada e trazida à inteligência, e a possuir mais inteligência, e a continuar a crescer nessa inteligência; e poderíamos aprender aqueles princípios que organizaram a matéria em animais, vegetais, e em seres inteligentes; e poderíamos discernir a Divindade agindo, operando e difundindo princípios na matéria para produzir seres inteligentes, e exaltá-los—a quê? À felicidade. Nada menos do que isso satisfará plenamente os espíritos implantados dentro de nós? Não. ¶
Podeis observar diariamente as operações dos espíritos dos homens nas ruas desta cidade. Ali podeis agora ver o mundo exibido como é. Podeis ver o povo apressando-se do leste ao oeste, do oeste ao leste, do norte ao sul, e do sul ao norte. Têm eles um objetivo em vista? Perguntai ao viajante se o tem; perguntai ao espectador se há um objetivo em sua mente. Quer eu esteja de pé ou caminhando, quer eu trabalhe ou descanse, deite-me ou levante-me, em todos os meus atos na vida há um objetivo. Tenho algo em vista, vós tendes algo em vista, e assim tem toda a família humana, assim como toda inteligência de todo grau. ¶
Que principal objetivo têm os seres humanos em vista? A felicidade. Dai-me glória, dai-me poder, dai-me riqueza, dai-me um bom nome, dai-me influência com meus semelhantes, dai-me tudo isso, e não se segue que eu por isso seja feito feliz; isso depende inteiramente do princípio sob o qual essas aquisições foram obtidas. A tirania absoluta jamais pode produzir felicidade, nem tampouco uma influência injustamente obtida e usada; mas dai-me influência com os filhos dos homens, pode isso sozinho produzir felicidade? Não pode. O que dará alegria a um homem? Aquilo que lhe dará paz? O que produzirá alegria e paz? Se um homem ganha influência da confiança que desfruta por meio de sua integridade, sua honestidade, bondade, retidão, virtude e verdade, essa influência satisfará sua mente; e a influência obtida por outros caminhos não pode fazê-lo. ¶
Muitos têm sido odiados, desprezados, e caçados, por causa de sua influência com seus semelhantes. Alguém em nossa geração o foi? Sim. Não há dezenas de homens e mulheres aqui que estão familiarizados com a morte de nosso Profeta? Por que o odiava o povo? Por causa de sua influência. Ganhou ou exerceu ele uma influência injusta? De modo algum. Possuía uma influência reta sobre os espíritos, sentimentos, paixões, e disposições de todos os que se deleitavam na verdade e na bondade, na medida em que se associava com eles, e podia guiá-los ao seu bel-prazer. ¶
Sou eu odiado pela mesma causa? Sou. Sou odiado por ensinar ao povo o caminho da vida e da salvação—por lhes ensinar princípios que pertencem à eternidade, pelos quais os Deuses eram e são, e pelos quais ganham influência e poder. Obtende essa influência, e sereis odiados, desprezados, e caçados como a corça sobre as montanhas. O caminho para obter essa influência é apontado—por quem? Por aquele por meio de quem os mundos foram criados, e que redimiu esta terra e todas as coisas sobre ela. ¶
Ele deu sua vida em resgate para expiar os pecados do mundo, e apontou o caminho. Sua lei é sagrada, onipotente, eterna; e essa é a lei a obedecer. Que o Senhor fale, e que o povo obedeça. Esse é o caminho para obter aquela felicidade que toda a humanidade busca, e nenhum outro caminho pode satisfazer o nobre espírito semelhante a Deus colocado no homem, que é formado com o propósito expresso de preservar sua identidade por toda a eternidade. Sem a estrita observância das leis pelas quais os mundos foram e são criados—às palavras do Eterno, nenhum ser pode herdar vidas eternas. ¶
Estes são os princípios que este povo, que por muitos é considerado o mais ignorante, estranho, corrupto, baixo, vil e ímpio povo do globo, absorveu, e se esforça por praticar, e por assim fazer é odiado o dia todo. Ignorante? Sim, somos ignorantes; mas estamos na estrada real para aquele conhecimento eterno que enche os seios dos Deuses na eternidade. Se formos fiéis até o fim, temos a promessa de que obteremos aquela coroa de glória e vida eterna que nos dará a satisfação que buscamos. Estes princípios são verdadeiros; e permiti-me observar a todos, Santos e pecadores, jovens e velhos, sábios e ignorantes, Não vos enganeis quanto a nenhum ponto de doutrina que ouvirdes pregar. O espírito no homem é sempre iluminado, mais ou menos, pelo Espírito do Santo de Israel—aquele Ser que deu a lei. ¶
Quando lhe apraz abençoar os filhos dos homens, ele é capaz de realizar seu propósito. Se está disposto a permitir que um Nabucodonosor veja um dedo escrevendo em uma parede, é seu privilégio fazê-lo. Se está disposto a falar com um Enoque, ou a mostrar-se ao irmão de Jarede, é seu privilégio. E se está disposto a derramar o Espírito Santo sobre a casa de Cornélio antes que ele abraçasse o Evangelho da maneira usual, pelo batismo para a remissão dos pecados, é seu privilégio. O princípio é que Deus deve ser obedecido. E mesmo depois que Cornélio e sua casa receberam o Espírito Santo, não se levantaram, como alguns em nossos dias, e disseram, "Não temos necessidade de ser batizados." Por que não disse Cornélio a Pedro que havia recebido o Espírito Santo, e que era um cristão tão bom quanto ele? Mas, não; teve de mandar chamar a Jope um certo Simão Pedro, que lhe diria palavras pelas quais ele e sua casa poderiam ser salvos. Que palavras? Ser batizado na água. Pedro não lhes disse para receber o Espírito Santo, pois já o haviam recebido. ¶
Já haviam sido dotados do Espírito Santo, e era o direito e privilégio daquele que deu sua vida para redimir os filhos dos homens conceder esse Espírito Santo onde e quando lhe aprouvesse. Se Cornélio tivesse recusado ser batizado, jamais teria recebido depois a influência do Espírito Santo. Ele tinha de obedecer às ordenanças exteriores para assegurar para si mesmo vidas eternas—para alcançar as bênçãos consequentes da obediência. ¶
Jesus de Nazaré, que apareceu a Saulo de Tarso no caminho, abriu a visão de sua mente, e conversou com ele, e disse-lhe o que fazer. Disse-lhe ele que era um cristão, que seus pecados estavam perdoados, e que não havia mais nada a fazer? Não disse. Insinuou-lhe, no mínimo que fosse, que estava preparado para ir e pregar o Evangelho? De modo algum. Podia-lhe ser dito: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues;" e Paulo podia clamar, "Senhor, que farei?" Vai a Damasco, e ali encontrarás um homem, chamado Ananias, que te dirá o que fazer. Paulo foi conduzido à cidade, e imediatamente mandou chamar Ananias. Depois que o Senhor disse a Ananias para ir, ele recusou, pois ouvira falar das perseguições de Saulo—de arrastar homens e mulheres à prisão; mas o Senhor lhe informou que aparecera a Saulo no caminho; e disse-lhe que fosse conversar com ele, e não temesse. Que disse Ananias a Saulo que fizesse? Que fosse e se batizasse; pois o mesmo Jesus que te apareceu no caminho disse-me que viesse te dizer o que fazer. ¶
É privilégio do Senhor dar o Espírito Santo a quem quiser, e não nos cabe questioná-lo em seu direito, poder e privilégio—na extensão de seus atos. Ele abençoa a família humana; ele levanta nações, reinos e governos, e controla os exércitos do mundo. Ele reina nos céus, e faz a ira do homem louvá-lo, e dá seu Espírito quando e a quem lhe apraz. Direi que o tem dado a seus Santos o dia todo? Sim; pois sei que o tem feito. Desfrutaram eles da luz do espírito de revelação? Sim; e assim, mais ou menos, tem desfrutado todo ser que já nasceu sobre esta terra. Nunca passei pela igreja de John Wesley em Londres sem parar para olhá-la. Era ele um bom homem? Sim; suponho que fosse, segundo todos os relatos, tão bom quanto jamais andou sobre esta terra, de acordo com seu conhecimento. Obteve ele um descanso? Sim, e maior do que jamais entrara em sua mente esperar; e assim tiveram milhares de outros das várias denominações religiosas. Por que não pôde ele edificar o reino de Deus sobre a terra? Não tinha o Sacerdócio; essa foi toda a dificuldade sob a qual trabalhou. Se o Sacerdócio lhe tivesse sido conferido, teria edificado o reino de Deus em seus dias, tal como agora está sendo edificado. Teria introduzido as ordenanças, poderes, graus e quóruns do Sacerdócio: mas, não possuindo o Sacerdócio, não pôde fazê-lo. Repousava sobre ele o Espírito de Deus? Sim, e repousa, mais ou menos, às vezes, sobre todo o povo. ¶
Cristo é a luz do mundo, e ilumina a todo homem que vem a este mundo. Não fosse a luz que está no povo, não nos odiariam; não exclamariam como o fazem—"Viemos aqui para vos cortar a garganta, mas não conseguimos exatamente cumprir nosso propósito." Foi para isso que vieram: não tinham outro intento, exceto, além disso, pilhar e destruir nossa propriedade, e poluir nossas esposas e filhas. O que os faz nos odiar? A luz que está neles—o Espírito do Todo-Poderoso que repousa sobre as nações; o que prova serem verdadeiras as antigas Escrituras, onde declaram que o relato da obra que o Senhor traria à luz nos últimos dias faria o povo tremer e estremecer. A luz que está neles os convence e lhes ensina que a doutrina que os Élderes de Israel pregam entre eles é o Evangelho da salvação; e dizem eles, "Não a aceitaremos." Não ouvistes muitos deles dizerem que prefeririam ir ao inferno a crê-la? "Não crerei no que pregais, ainda que eu vá ao inferno por desobedecer-lhe." ¶
Aquele Espírito que está neles—a inspiração do Todo-Poderoso que dá entendimento—os convence de que a doutrina é verdadeira. Fosse ela doutrina falsa, não seria mais considerada do que qualquer outro dos numerosos "ismos" do mundo. Passariam por ela tão bondosa e facilmente quanto passam pelo Socialismo, ou qualquer outra doutrina. Mas ela convence o povo. Tenho pena deles? Tenho. Minha alma dói por eles, porque não podem resolver e agir de acordo com os ditames daquele Espírito que sempre impele o coração humano ao certo. Mas se levantam e declaram, "Não creremos nesta doutrina." E então? Deveis sofrer. Milhares estão sofrendo agora; ministros gemem nos púlpitos, e diáconos e membros leigos gemem nas congregações: há gemidos em lugares secretos, em lugares públicos, nas estradas e nos caminhos: por toda parte o povo está em dor, em tristeza, em miséria; e, em suma, está no inferno. Qual é o problema? "O 'mormonismo' ainda existe—não foi destruído." Por que não podem reunir coragem suficiente para dizer, "Usaremos nossas organizações independentes, e não permitiremos que o Diabo, nem pais, mães, sacerdotes, vizinhos, reputação mundana, riquezas, ou qualquer outra coisa, nos impeçam de abraçar e praticar os princípios da vida eterna?" Esse rumo os colocaria imediatamente no caminho da felicidade. "Mas," diz o Diabo, "se eu vos deixar ir, saireis de meu poder e alcance, e não poderei mais vos alcançar." Suponde que o mundo se voltasse e dissesse, "Sr. Diabo, já somos sócios há tempo demais!" ¶
Lembro-me de que, quando fiz profissão de religião, depois de ser chamado infiel pelos cristãos, frequentemente ficava um pouco confuso. O Maligno costumava me sussurrar que eu fizera isto, aquilo, ou alguma outra coisa errada, e indagar se aquilo parecia um ato cristão, e observar, "Erraste; não fizeste o certo, e sabes disso; não fizeste tão bem em tal coisa quanto poderias; e não tens vergonha de ti mesmo ao dizer que és cristão? Professas a religião de Jesus Cristo, e agora manifestas tal fraqueza!" Disse eu, "Sr. Diabo, isso não é da tua conta. Podes ir atrás, ou à frente, ou em qualquer outra direção; mas tu e eu dissolvemos a sociedade; e o que eu fizer, dele prestarei contas a um Ser mais glorioso do que tu. Enquanto estivemos em sociedade, tinha de prestar-te contas de meus atos; mas agora não te cabe te preocupares com meus atos, pois não tens interesse algum no assunto." E assim tenho agido com ele desde então até agora. ¶
Experimentei e aprendi muito desde que abracei o Evangelho, e me tornei plenamente convencido de que o mundo jaz na ignorância, e anda errante atrás de uma sombra—isto é, princípios falsos. Não há paz e alegria sólidas, não há conforto e consolo permanentes a serem encontrados entre—devo ir aos extremos? Sim, os extremos sectários—o topo do trono sem topo, e o fundo do poço sem fundo. Não há partícula alguma de felicidade permanente entre esses dois extremos para os nobres espíritos dentro de nós. Só se encontra nos princípios da vida eterna que abrem as portas do céu a todos os crentes. O homem que coloca suas afeições sobre o ouro, a prata, os bens, móveis e coisas preciosas desta terra, e busca poder sobre seu semelhante segundo princípios falsos, jamais realizará a felicidade que o nobre espírito dentro dele foi destinado a desfrutar. ¶
Então apegai-vos aos princípios de vida que abrem a eternidade e nos revelam o que somos, dando-nos a conhecer nossa relação com Deus, o que para o mundo é um grande mistério. ¶
No ano de 1850, hospedei um de meus amigos batistas por umas duas ou três semanas. Não consegui persuadi-lo a pregar, mas lhe fiz muitas perguntas; e o encontrei exatamente onde o havia deixado anos atrás. Fiz-lhe perguntas a respeito das doutrinas ensinadas na Bíblia. Podia ele respondê-las? Não: era tão ignorante quanto uma criança quanto ao grande plano de salvação. Durante sua estada, preguei no velho Bowery; e quando cheguei ao ponto que eu sabia que ele estava esperando—dizer quem são Deus o Pai e Deus o Filho—abandonei o assunto. Quando chegamos em casa, ele disse, "Irmão Young, por que não foste um pouco mais adiante? Extraíste toda a minha alma para aprender algo que jamais aprendera." Disse-lhe que não prossegui porque ele estava ali. Ele então observou—"Tenho pregado há trinta anos, e estava muito ansioso por aprender a verdadeira doutrina sobre o exato ponto de que falaste hoje. Tenho ouvido muito sobre vosso povo, e permaneci aqui para aprender. Por que não puderam nos dizer mais?" Respondi—"Desejo que ensines." "Mas não sei nada sobre o assunto." "Formularei minhas perguntas de tal modo que logo saberás. Crês no Antigo e no Novo Testamento?" "Sim." Fiz-lhe então algumas perguntas a respeito da vinda do Filho do Homem, como é chamado em alguns lugares. "Crês que ele nasceu da virgem Maria?—que era filho de Maria?" "Sim." "Crês que o Apóstolo disse a verdade quando disse que ele foi gerado pelo Pai?" "Sim." "Por que então o disputas, ou lanças dúvida sobre isso? Não era ele carne de nossa carne e osso de nosso osso, se a história dada dele é verdadeira?" "Ó sim." "A quem se parecia e agia? E de quem veio fazer a tarefa?" Então me voltei e li—"Quem me viu a mim, viu o Pai," e indaguei, "Crês nisso?" "Sim; mas nunca antes vi o assunto sob a luz em que agora aparece." "Não é ele a própria imagem e semelhança expressa de seu Pai no céu? A Bíblia diz que é. Crês na Bíblia?" "Sim." ¶
Em pouco tempo respondeu a minhas perguntas; e o levei de volta a Adão, e o fiz compreender claramente quem a Bíblia ensinava que ele era. Aprendi de meu amigo batista que sua seita estava exatamente onde eu a havia deixado vinte e cinco anos atrás. ¶
Como o irmão Heywood acabou de observar diante de vós, o povo não aperfeiçoa seu capital. Todo homem e mulher que tem talento e o esconde será chamado servo negligente. Aperfeiçoai dia a dia o capital que tendes. Na proporção em que estamos capacitados a receber, é nosso dever fazê-lo. Alguns aprendem mais e mais depressa do que outros—mais prontamente veem e compreendem o alcance de suas lições e a relação que sustentam com seus semelhantes. Será então feliz todo aquele que garantir uma exaltação? Sim. Serão todos de uma mente ali? Sim. Não deveríamos ser um aqui? Sim. Deveria todo homem ser Presidente? Deveria todo homem ser membro do Quórum dos Doze? Deveria todo homem ser o Presidente de nosso Governo, ou um Rei? Não; mas cada um deveria possuir o Espírito do Senhor; e, observando seus ensinamentos, todos serão recompensados e desfrutarão segundo sua capacidade. Cada vaso será cheio até transbordar, e assim todos serão iguais, no sentido de que estão cheios. ¶
Todo homem e mulher receberá até a plenitude, ainda que a quantidade varie segundo a extensão de sua capacidade, e cada um será coroado com glória e vida eterna, se for fiel. Aquele que perseverar até o fim, esse será salvo. Não correr por uma temporada e depois desviar-se; mas os que perseverarem até o fim receberão uma plenitude de alegria que lhes dará satisfação. ¶
Mas, como disse Jesus, essas coisas se discernem espiritualmente. E embora fosse diligente em ensinar seus discípulos, suas tradições eram tais que, depois de ter estado com eles por longo tempo, havia muitos pontos que não compreendiam plenamente. Quando a Pedro se fez a pergunta, "Quem dizem os homens que sou eu, o Filho do Homem?", ele respondeu, "Alguns dizem que és João ressuscitado, e outros que és um dos antigos profetas ressuscitado dos mortos; alguns dizem uma coisa, e outros dizem outra." "Mas vós, quem dizeis que sou eu?" "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." "Não to revelou a carne e o sangue, mas meu Pai que está nos céus." Por que não podeis compreender de imediato que deveis absorver em vossa fé e vos apegar a esse princípio de revelação? Os homens não podem revelar-vos os princípios da vida eterna; a carne e o sangue não podem; livros científicos não podem; a história não pode; a experiência de outro homem não pode; não, nem o mundo inteiro, com toda sua sabedoria e poder; pois devem ser revelados por nosso Pai que está no céu. ¶
Pedro foi abençoado, porque tinha olhos para ver; e quando viu com seus olhos espirituais, o reconheceu. Não era tão orgulhoso e altivo a ponto de se voltar e negar. Se a convicção de suas próprias mentes tivesse livre curso, e não estivesse entravada por suas tradições errôneas, milhões e milhões saudariam este dia com ação de graças. Prefeririam vê-lo a serem assegurados de que toda a cordilheira das Montanhas Rochosas era ouro maciço. Se todos os fundos de Cherry Creek, e Pike's Peak, e as montanhas ao redor fossem uma massa de ouro puro, caminhariam sobre eles e diriam, "Iremos a Utah e aprenderemos por nós mesmos, ainda que tenhamos de ir de mãos e joelhos. Encontremos a fonte da inteligência eterna—o caminho da vida: encontremos aquilo que satisfará os nobres espíritos que Deus colocou em nossos tabernáculos." ¶
Qual é a condenação deles? A luz—a verdade—o verdadeiro Sacerdócio—veio a eles. E o receberão? Não. "Escolhem as trevas em vez da luz, porque suas obras são más," e seus pecados permanecem sobre eles. São eles os que devem sofrer a perda, e não os que forem fiéis. ¶
Não há homem nem mulher sobre esta terra a quem eu odeie; mas odeio muito cordialmente seus atos ímpios. Estou em guerra com os princípios falsos—com a iniquidade, o pecado e a abominação; e espero continuar minha guerra até vencer. ¶
Que este povo continue a se esforçar, a labutar, e a se apegar à causa de seu Deus, e conquistará. Sou por jamais abandonar o navio, e por jamais deixar de vigiar as velas e a bússola—por jamais cessar minhas operações, até que Deus reine como Rei das nações, assim como agora reina como Rei dos Santos. ¶
O povo diz, "Se ao menos soubéssemos que esta obra é do Senhor, ficaríamos satisfeitos." Como podeis saber? Cedei àquele Espírito que influencia o coração—aquele Espírito do Todo-Poderoso que dá a vossos espíritos entendimento e vos ensina a verdade do erro, e Deus vos tomará pela mão e vos conduzirá pela destra de sua influência e poder à vitória e à glória. O mundo inteiro poderia ser salvo. Será? Não. ¶
Estou em guerra com os princípios do mal, e contenderei contra eles, e continuarei a fazê-lo até ver os reinos deste mundo curvarem-se ao cetro do Rei Emanuel. Será alguém privado de seus direitos quando isso acontecer? Não; mas descobrirão que é um Governo Republicano Democrático. "Mas pensávamos que o governo de que falais era um governo teocrático." E é; e é a única forma verdadeira de governo sobre a terra—a única que possui todos os verdadeiros princípios do republicanismo. Coloca todo homem e mulher no certo, coloca todas as coisas em seu lugar, e dá a cada um o que lhe é devido segundo suas obras; pois assim serão julgados naquele dia. ¶
Que o Senhor abençoe os que estão inclinados a fazer o certo e seguir sua religião. E oro continuamente para que escapem das garras dos hipócritas e dos homens ímpios—daqueles que estão decididos a odiar a Deus e sua retidão. Pretendo perseverar no caminho da retidão até vencer; e, com a ajuda de Deus e dos Santos, superarei os ímpios em estratégia. E declaro hoje que toda pessoa que se esforçar por fazer o certo terá seus direitos a seu devido tempo, e se regozijará no Deus da liberdade; o que Deus conceda. Amém. ¶