Pulpit

Bênçãos dos Santos—Obstáculos ao Progresso—Objetivo e Benefício das Provações—Reconhecimento da Mão, do Espírito e do Sacerdócio de Deus, Etc.

John Taylor

1858-01-17

Sinto que estamos todos nas mãos de Deus, que estamos todos associados a este reino, e que, se algum povo debaixo da face dos céus pode ser propriamente chamado de "os Santos do Altíssimo," somos nós esse povo. É certamente uma posição proeminente, um grande título, um relacionamento terno que mantemos com o Senhor, se realmente magnificarmos nosso chamado e honrarmos nosso Deus.

Quando refletimos sobre as miríades de seres humanos que abarrotam a terra em toda nação, país e clima, e então consideramos que somos o único povo que verdadeiramente "reconhece a mão de Deus em todas as coisas"; que somos o único povo que Deus escolheu e selecionou para colocar seu nome entre eles; que somos o único povo que pode ser enfaticamente chamado de servos e servas do Senhor; que somos o único povo que tem direito e reivindicação sobre as promessas de Deus; que somos o único povo que possui ideias corretas a respeito de nossa posição presente e nosso destino futuro; que somos o único povo que pode remontar a eras passadas, e olhar adiante para as que hão de vir, e que pode agir com entendimento em relação ao nosso culto e às ordenanças da casa de Deus, tendo conhecimento do passado, do presente e do futuro; que somos o único povo debaixo dos céus que tem direito legítimo às promessas e bênçãos de Deus, seja quanto a este mundo ou ao que há de vir; assim, somos o único povo que entende algo sobre a posição presente ou a causa da organização do mundo e do homem, e que entende corretamente algo sobre a preparação para um estado futuro; que somos o único povo que sabe como salvar nossos progenitores, como salvar a nós mesmos, e como salvar nossa posteridade no reino celestial de Deus; que somos o povo que Deus escolheu para, por meio dele, estabelecer seu reino e introduzir princípios corretos no mundo; e que somos, de fato, os salvadores do mundo, se este algum dia for salvo—quando refletimos sobre estas coisas, há algo associado a elas que é capaz de fazer nossos corações se encherem de gratidão e vibrarem de alegria; e quando sentimos a influência consoladora do Espírito do Deus Altíssimo repousando sobre nós e ao nosso redor, e as visões e glórias do futuro que estamos destinados a desfrutar se abrem à nossa mente, se formos fiéis, e os grandes acontecimentos que estão para se realizar nos últimos dias se manifestam à nossa mente, há algo neles capaz de nos fazer cantar: Hosana! Hosana ao Senhor Deus dos Exércitos!

Há algo nessas reflexões que é agradável, vivificante, animador, alegre, e algo capaz de causar júbilo e regozijo na alma.

Se olharmos para o mundo ao redor, quais são seus prazeres e suas esperanças? Dizem, em efeito: "Comamos e bebamos, que amanhã morreremos." Dizem: "Dai-nos ouro, dai-nos riquezas, dai-nos honra, e dai-nos a pompa, a glória e o brilho deste mundo! Tenhamos nosso dia agora, pois pouco sabemos do futuro. Desfrutemos a vida enquanto pudermos." Esses são seus sentimentos, e por isso se entregam a todo excesso e se afundam na lascívia e na devassidão. Corrompem seus corpos, degradam suas mentes, e não são receptáculos aptos para o Espírito do Deus vivo; nem há entre eles quem seja capaz de ensinar-lhes algo a respeito desse Espírito; mas estão nas trevas.

Quando refletimos sobre estas coisas, não temos por que sermos gratos? Não temos motivo de gratidão para com o Deus Altíssimo? Penso que temos; e penso que, se algum povo é abençoado debaixo dos céus, somos nós esse povo; e podemos exclamar, como costumavam os antigos israelitas: "Bem-aventurado é o povo cujo Deus é o Senhor."

É certamente algo lamentável, quando paramos para refletir, ver tantos da família humana ignorantes e descuidados, nada sabendo a respeito de Deus—nada sabendo de sua origem ou destino. O que o Senhor fez por nós? Ele abriu os céus, e revelou os princípios da verdade. Enviou seus santos anjos para comunicar aos filhos dos homens as coisas capazes de promover sua paz e felicidade no tempo e por toda a eternidade. Ele nos deu, a nós, seu povo, o santo Sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, que "contém a chave dos mistérios das revelações de Deus," que retira as cortinas do mundo invisível, e capacita o homem a penetrar além do véu, e revela os grandes propósitos de Jeová referentes a si mesmo e a este mundo, à medida que se desenrolam na realização de seus propósitos.

Que contraste entre isto e a religião do mundo! Isso mostra o homem imperfeitamente no presente, é verdade; mas há de mostrar-lhe perfeitamente como se tornar um salvador—como redimir este mundo, que tem sido dominado pela anarquia, destruição, miséria, loucura e males de toda espécie—como redimir o mundo da maldição sob a qual trabalha e geme: há de mostrar-lhe como ensinar a família humana, para que compreenda princípios corretos e seja salva no reino de Deus.

A religião de Jesus Cristo há de desenvolver o plano de derrubar o poder arrogante da tirania e da opressão que agora permeia a terra, e como estabelecer os princípios de paz, retidão e virtude sobre a terra, e como colocar o mundo da humanidade naquela posição que Deus destinou que ocupasse quando seu reino reinar sobre a terra, e quando "todas as criaturas no céu, na terra e debaixo da terra dirão: Ações de graças, honra, glória e poder sejam dados ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, para todo o sempre."

Os germes dessa paz estão conosco; a inteligência a respeito dessas questões começou a ser desenvolvida, e há uma comunicação aberta entre os céus e a terra—uma unção que habita com os Deuses, uma inteligência que governa todos os mundos e controla toda a natureza, uma partícula—uma centelha da Divindade vinda diretamente do fulgor eterno de Jeová, abrindo, desenvolvendo, iluminando e ensinando. Ela emana dele para as autoridades desta Igreja, e flui por todas as ramificações do Sacerdócio. Essa centelha vinda do seio de Jeová os capacitou a iniciar aquela reforma que há de redimir um mundo das ruínas da Queda.

Este reino e esta organização hão de salvar todos os que forem governados por seus princípios, e está destinado, por sua influência e obra no mundo, a espalhar-se e crescer até que todo joelho se dobre e toda língua confesse, para a glória do Pai.

Esses princípios começaram a ser desenvolvidos entre nós; e quando vivemos nossa religião, quando andamos segundo a luz do Espírito de Deus, quando nos purificamos da impureza e da corrupção, e os doces sussurros do Espírito do Senhor derramam inteligência em nosso peito, pairam sobre nós, fazendo com que a paz e o júbilo estejam conosco, temos então, em maior ou menor grau, um leve vislumbre daquelas coisas que estão reservadas para os fiéis; e é então que sentimos como se nós e tudo o que temos estivéssemos nas mãos do Senhor, e que estamos prontos a nos oferecer em sacrifício para a realização de seus propósitos sobre a terra.

Esses são nossos sentimentos, e nos orgulhamos de nossa associação com a Igreja e o reino de Deus. Por que nosso espírito nem sempre é jubiloso? Pode haver diferentes razões. Uma razão é que nem sempre vivemos nossa religião. Cedemos demais à vaidade, à frivolidade e à tolice, e às vezes à desonestidade e à fraude; fazemos coisas que não são certas, e adotamos práticas que não são boas; e, quando isso acontece, o Espírito do Senhor se entristece, e se afasta de nós, e ficamos a tatear na escuridão; as visões da eternidade se fecham à nossa mente, e vemos por outro meio que não o do Espírito de Deus. Somos levados, por essas circunstâncias, a tropeçar e cair; e muitos naufragam na fé e na boa consciência.

Nem todos nós compreendemos suficientemente as grandes bênçãos que Deus nos conferiu. Esquecemos, às vezes, que somos os Santos de Deus; esquecemos que nos dedicamos ao Senhor, com tudo o que temos; e esquecemos nosso elevado chamado e nosso destino futuro. Esquecemos, às vezes, que estamos empenhados, junto com muitos outros, em estabelecer a retidão e plantar o reino de Deus sobre a terra; e nos rebaixamos a pequenas mesquinharias, e nos esquecemos do grande e glorioso chamado ao qual fomos chamados. Muitos de nós cedemos à tentação; vacilamos e entramos nas trevas, e perdemos o Espírito do Senhor. Esquecemos que Deus e os anjos nos observam; esquecemos que os espíritos dos justos aperfeiçoados e nossos antigos pais, que aguardam ansiosamente o estabelecimento do reino de Deus sobre a terra, estão a nos contemplar, e que nossos atos estão abertos à inspeção de todas as agências autorizadas do mundo invisível.

E, esquecendo essas coisas às vezes, representamos o papel de tolos, e o Espírito de Deus se entristece; ele se retira de nós, e então ficamos a tatear nosso caminho na escuridão. Mas se pudéssemos viver nossa religião, temer a Deus, ser estritamente honestos, observar suas leis e seus estatutos, e guardar seus mandamentos para cumpri-los, sentiríamos algo muito diferente; sentiríamos conforto e felicidade; nosso espírito seria pacífico e leve; e, de dia em dia, de semana em semana, e de ano em ano, nossos júbilos aumentariam.

Outras causas também operam para retardar os Santos em seu progresso. A maioria de nós saiu do mundo e esteve misturada com ele; estivemos associados a ele, e recebemos nossa educação e nossas ideias no meio de corrupções de toda espécie, e as absorvemos como que com o leite de nossa mãe.

Até mesmo nossa religião tem sido corrupta, e nossas ideias de moralidade têm sido erradas; nossa política, nosso direito e nossa filosofia foram todos distorcidos, retorcidos e pervertidos; nossos costumes, hábitos e associações têm sido errados; e tudo aquilo de onde saímos é vaidade, mal, corrupção e condenável em sua natureza.

É de admirar, então, que achemos difícil viver de acordo com a luz e a inteligência que habita no seio de Deus e que se nos manifesta parcialmente, a nós, seu povo? É de admirar que, cercados como estivemos, e revolvendo-nos na corrupção o dia inteiro, tenhamos participado, em maior ou menor grau, dessas coisas, e que ainda se apeguem a nós?

Quando Joseph Smith tinha algo de Deus para comunicar aos filhos dos homens ou à Igreja, contra que tinha ele de lutar o dia inteiro? Era contra os preconceitos do povo; e, em muitos casos, não podia e não ousava revelar a palavra de Deus ao povo, por medo de que se levantassem e a rejeitassem. Quantas vezes vacilou? Não era que estivesse particularmente com medo; mas tinha de zelar pelo bem-estar e pela salvação do povo.

Se o Profeta Joseph tivesse revelado tudo o que o Senhor lhe manifestou, isso teria causado, em muitos casos, a ruína do povo; por isso teve de tratá-lo como a crianças, e alimentá-lo com leite, e desdobrar os princípios gradualmente, à medida que pudessem recebê-los.

Foi tudo isso porque era tão difícil compreender os princípios corretos? Não; foi porque éramos bebês e crianças, e não podíamos entender.

Como é agora, sob a administração do Presidente Young? Muito a mesma coisa, a esse respeito. Ele frequentemente tem achado muito difícil fazer o povo entender as coisas como o Senhor lhas revelou.

Nós mesmos não nos livramos de nossos males. Temos tanta retidão professada e tradição tola dentro de nós, que muitas vezes nos sentimos indignados diante de princípios justos, quando Deus os revela. Não tendes sentido isso, irmãos e irmãs? Sei que sim, e vós sabeis que sim.

Qual é a razão disso? É porque não entendeis as leis celestiais, nem os princípios que governam as inteligências nos mundos eternos; é porque não entendeis o que é mais capaz de vos elevar, enobrecer e exaltar, tanto neste mundo quanto no mundo vindouro; e por isso muitos vacilam, tropeçam e caem pelo caminho.

Em consequência dessas coisas, somos frequentemente trazidos às trevas, à escravidão e às dúvidas, por causa de nossa consumada ignorância e das tradições pelas quais fomos cercados; pois todas elas exercem sua influência sobre nós, e parece que não conseguimos romper de novo esses grilhões. Há também algo em nossa natureza que está misturado à nossa própria existência. Penso que as Escrituras dizem que o homem nasce para a tribulação, como as faíscas das brasas se levantam para voar, e não apenas propenso ao mal, mas a se afastar de Deus.

Todos nós estamos visando à glória celestial. Não sabeis que estamos? Falamos sobre isso, e falamos sobre sermos reis e sacerdotes para o Senhor; falamos sobre sermos entronizados nos reinos de nosso Deus; falamos sobre sermos rainhas e sacerdotisas; e falamos, quando calçamos nossos sapatos de salto alto, sobre possuir tronos, principados, poderes e domínios nos mundos eternos, quando, ao mesmo tempo, muitos de nós não sabemos nos conduzir melhor do que um jumento.

Não obstante nossa fala e nossas deficiências, há uma realidade nessas coisas, e Deus está decidido, se possível, a fazer algo de nós. Para isso, ele tem de nos provar e nos testar, de nos manifestar princípios, de desenvolver os males que há dentro de nós, e de nos mostrar, colocando-nos em várias posições e sujeitando-nos a várias provações, o que somos—de nos mostrar nossas fraquezas e loucuras, a fim de que sejamos levados a nos apoiar e depender somente dele. Ele provará os homens e os testará, para ver se seus corações são puros; pois ele planeja seguir conosco um curso que faça vir à tona o mal; e ele os tocará naquela parte que o desenvolverá, pois ele sabe que parte tocar para nos fazer desenvolver aquilo que há em nós.

Muitos de nós sentem como sentiu um dos reis de Israel quando o velho Profeta lhe disse que ele lutaria contra Israel, rasgaria mulheres grávidas e pisotearia crianças. O rei disse: "Pois que é teu servo, que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa?" O Espírito de Deus no Profeta sabia que assim seria, e não demorou muito para que ele fizesse exatamente essas coisas. E há muitos entre vós que, se vos tivessem dito que fareis tal e tal coisa, teríeis exclamado: "Pois que é teu servo, que não é mais do que um cão, para fazer tão grande coisa?" Contudo, muitos de vós já fizeram coisas de que teríeis vergonha que vossos vizinhos soubessem; mas não tivestes vergonha de que Deus e os anjos soubessem.

A luz do Espírito Santo torna manifestos os atos dos homens, e o Espírito de Deus é como "espada de dois gumes," que "penetra até a divisão... das juntas e medulas," quebrando, dividindo, cortando, perfurando, penetrando, desenvolvendo e desdobrando princípios dos quais somos quase inteiramente ignorantes, até que venham a ser desenvolvidos.

Quando vedes vossa ignorância e vossa loucura, sois levados a dizer: "Eu pensava ser um homem esperto, bom, capaz, inteligente; mas descobri que sou um tolo, e que nada posso fazer para estabelecer a retidão sobre a terra, a menos que o Senhor Deus me ajude a fazê-lo." Quando o Espírito do Deus vivo foi derramado mais copiosamente sobre vós, ele desenvolveu princípios que antes estavam latentes dentro de vós. Esse Espírito vos capacita a ver a vós mesmos como o Senhor vos vê.

Nenhuma provação, ao presente, parece ser causa de alegria, senão de tristeza; mas as provações rendem suas bênçãos, quando pacientemente suportadas. As coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas; e, enquanto olhamos para as coisas que se veem, tendemos a negligenciar as coisas que não se veem. Quando vemos as coisas à luz do Espírito, e as comparamos com as coisas que hão de vir, dizemos: "Ele é o Senhor, faça o que bem parecer aos seus olhos."

O mundo tem sido apóstata por gerações passadas: tem estado sob o domínio do príncipe e do poder do ar, o deus deste mundo, que reina nos corações dos filhos da desobediência. Como já afirmei antes, eles têm errado em seus assuntos nacionais, têm errado em assuntos políticos, têm errado em sua religião, e têm errado em tudo.

O que Deus vai fazer, para endireitar o mundo? Somos o povo chamado para fazer sua obra; e, se assim é, ele tem de nos endireitar primeiro. Somos um pequeno núcleo, um mero punhado, que ele selecionou dentre as nações, para colocar seu nome entre elas. Sim, somos nós esse povo, com todas as nossas falhas, nossas fraquezas e vaidades. Reconhecemos a mão de Deus; reconhecemos o Profeta de Deus e os ensinamentos do Altíssimo, e sentimos disposição para sermos governados por esses ensinamentos.

Ora, estamos empenhados numa obra pequena? Estamos aqui no cume das montanhas, exatamente como o Profeta disse que estaríamos. "E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes, e se exalçará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine acerca dos seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor." (Isaías 2:2-3.) O reino de Deus tem de ser estabelecido sobre a terra, e o reinado da retidão introduzido.

Temos primeiro de aprender, nós mesmos, a submissão à vontade de Deus, por meio de várias provações, perseguições e do desenvolvimento de nossas fraquezas e imperfeições, e assim aprender a apreciar a bondade e as bênçãos que dele fluem. Devemos ver que nós mesmos primeiro aprendemos a obediência, para depois ensinar a outros. Mas como podemos ensinar a outros uma lição que nós mesmos não aprendemos?

Não há hoje nação alguma que reconheça a mão de Deus; não há rei, potentado ou governante que reconheça sua jurisdição. Falamos de cristianismo, mas é um perfeito monte de tolices. Os homens falam de civilização; mas não quero dizer muito a esse respeito, pois já vi o suficiente dela. Eu mesmo e centenas dos Élderes ao meu redor já vimos sua pompa, seu desfile e sua glória; e o que é isso? É como o metal que soa ou como o sino que tine; é tão corrupto quanto o inferno; e o Diabo não poderia inventar máquina melhor para espalhar sua obra do que o cristianismo do século dezenove.

Como hão de ser redimidas as nações? Como há de ser plantado o reino de Deus sobre a terra? Será pela pregação, ou pelo poder? Será pelo curso natural dos acontecimentos, ou pela persuasão moral? Será pelo derramamento dos juízos de Deus sobre as nações? Será pela derrubada de reinos e o desmoronamento de impérios em ruínas? Como há de ser feito? Respondo: essas coisas hão de ser realizadas pela orientação do Senhor por meio de seus Profetas que estão em nosso meio. Não vedes isso, irmãos?

Como havemos de lidar com aquele exército em nossas fronteiras? Vão lutar contra nós, ou vão voltar? Ou o que vai acontecer? Ora, quem pode nos dizer como serão essas coisas? São coisas muito pequenas, e nos mostram a imperfeição de nosso juízo, e quão pouco sabemos das coisas que nos cercam—quão pouquíssimo sabemos daquilo que está para acontecer, a menos que Deus o revele por meio de seus servos, os Profetas.

Se seguirmos um curso correto e magnificarmos nosso chamado diante de Deus, então tudo o mais estará certo; pois "certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." Cabe a nós, então, crer no que os Profetas dizem.

Os sectários professam crer na Bíblia, mas não permitem que o Senhor tenha Profetas algum. Mas nós havemos de escutar e procurar guardar os mandamentos de nosso Deus.

Chego agora a algumas questões menores do que aquelas sobre as quais tenho falado. Pode algum de vós me dizer como conseguireis vossas roupas para o próximo ano? Nenhum homem pode ser independente se depende de outros; nenhuma nação pode ser independente se depende de outra nação para seu sustento.

Adão foi expulso do jardim depois de cair, e teve de cuidar de si mesmo. Sem dúvida foi ensinado a fiar, a tecer e a cultivar linho. Lemos que Abel costumava criar ovelhas; portanto, deve ter sabido algo sobre o uso da lã. Caim era lavrador da terra, e pôs-se a cultivar trigo, milho, abóboras, cebolas, beterrabas, cenouras e coisas semelhantes.

Com que tinha Adão de se vestir a princípio? Diz-se-nos que ele e sua esposa tinham folhas de figueira com as quais se cobriam. Era uma situação bastante precária em que estar! Não tinham muitas roupas de cama para vestir, nem muitos chapéus ou toucas. Não havia comerciantes para vender, nem fabricantes além de si mesmos, naqueles dias. Certamente estamos em melhor situação do que ele estava, pois já temos um começo; mas não podemos ser independentes até que possamos fazer nossos próprios sapatos, vestidos, xales, toucas, calças, chapéus, e todas as demais coisas de que precisamos. Quando pudermos fazer essas coisas, cultivar nosso próprio alimento, fabricar entre nós tudo o que precisamos, então seremos independentes de outros povos.

Temos falado sobre sermos reis e sacerdotes; mas teremos de começar pelo ABC, e aprender a cuidar de nossos couros de boi, e cuidar para que sejam curtidos em bom couro—a cuidar de nossas ovelhas; e não deixá-las serem destruídas como têm sido até agora; e, em conexão com todas essas coisas, temos de cuidar para que sejamos Santos, e vigiar atentamente os demônios.

Um irmão estava me falando sobre ovelhas, outro dia. Afirmou que acreditava que 50 em cada 75 cordeiros neste Território foram destruídos por falta de cuidado melhor.

Temos de proporcionar conforto a nós mesmos, a nossas esposas e a nossos filhos; e devemos fazê-lo a partir dos elementos que nos cercam nestes vales; e, se não o fizermos, havemos de achar aplicável a nós o ditado de Jesus—"os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz." Aprendamos a cuidar de nós mesmos.

Enquanto dependermos de outros, estamos em má posição para olhar para a condição dos Estados Unidos no momento presente. Felizmente estamos preservados de seus problemas comerciais. Nosso próprio isolamento nos preserva de bancos falidos e créditos ruinosos. Usemos apenas nosso juízo e o devido cuidado e diligência, e estaremos livres de mil contingências às quais estamos sujeitos quando dependemos de outros.

Se cuidarmos de nosso trigo, seremos independentes nesse aspecto, e isso será um ponto ganho; e devemos continuar fazendo assim com todas as demais coisas, até termos ganhado todos os pontos e realizado o que planejamos.

Temos mais talento manufatureiro entre nós do que há em qualquer outra comunidade do mesmo tamanho que eu já tenha encontrado, e, no entanto, somos dependentes.

Se o Senhor nos disser o que fazer, faremo-lo, seja lutar contra exércitos ou fazer qualquer outra coisa; e, pelo engenho que aqui há, poremo-nos a trabalhar e fabricaremos nossas próprias vestes; e, segundo a palavra do Senhor, que nosso adorno seja a beleza da obra de nossas próprias mãos.

Aprendamos princípios corretos, para que sejamos capacitados a nos governar espiritual e temporalmente, e a instruir nossos filhos e a posteridade que de nós procede, para que possamos obter uma exaltação no reino celestial de nosso Deus.

Os servos de Deus, se formos fiéis, hão de nos ensinar e instruir nas coisas de Deus; e cresceremos em virtude, inteligência, santidade e pureza, e aprenderemos a entender leis corretas; e nossos governantes serão de entre nós mesmos, e nosso Governador será um de nós—um da nomeação do Senhor—não do Diabo.

Quando Sião estiver estabelecida em sua beleza, honra e glória, os reis e príncipes da terra virão, a fim de obter informação e ensiná-la a seu povo. Virão como vieram para aprender a sabedoria de Salomão.

Temos entre nós inteligência e engenho para fazer tudo o que se exige, e temos de pôr mãos à obra; e, à medida que o Senhor nos dá sabedoria e revelação de tempos em tempos, havemos de realizar seus propósitos e seus desígnios; havemos de cumprir os deveres que nos forem exigidos, e magnificaremos nossos chamados, para que sejamos preparados, por meio de um longo curso de instrução e experiência, a entrar na glória celestial com as inteligências que rodeiam o trono de Deus.

Irmãos, oro para que Deus nos abençoe, ilumine nossa mente, nos conduza no caminho da verdade, e nos salve em seu reino, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “Bênçãos dos Santos—Obstáculos ao Progresso—Objetivo e Benefício das Provações—Reconhecimento da Mão, do Espírito e do Sacerdócio de Deus, Etc.”, (1858-01-17). Pulpit Vault, 1858-01-17-taylor-blessings-of-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).