Pulpit

Oposição ao Evangelho e à Obra de Deus — Honestidade, Etc

Orson Hyde

1857-11-15

Surge uma pergunta na mente de alguns poucos, e talvez na mente de muitos — "Como hão de terminar nossas dificuldades presentes? Gostaria de saber o desfecho. Temos sido mantidos em suspense por algum tempo, e gostaria de saber o resultado final."

Em minha opinião, não há pessoa alguma que possa saber o resultado final dos movimentos presentes até que seja visto. Temos fé a esse respeito, e a garantia do Todo-Poderoso de que tudo irá bem; mas o exato como e a maneira pela qual isso há de se realizar não podemos dizer; pois é pela fé que caminhamos, e não pela vista. Mas, no curso de algumas observações que eu possa fazer, talvez sejais levados a uma conclusão satisfatória quanto ao que possa ser o resultado final, e não apenas o resultado final, pois já estamos satisfeitos quanto a isso, mas quanto aos estágios progressivos que a ele conduzem.

Está dito no bom Livro que "não muitos sábios, não muitos poderosos, não muitos letrados são chamados; mas Deus escolheu os pobres deste mundo, ricos na fé, para serem herdeiros do seu reino." Somos ainda informados que ele "escolheu as coisas fracas deste mundo, e as que não são, para aniquilar as que são, para que nenhuma carne se glorie perante ele." Vou agora citar um escritor moderno — "Falai primeiro de Deus acima, depois do homem abaixo, Como podemos raciocinar senão a partir do que sabemos?"

Voltarei aos dias do início desta Igreja, quando um jovem sem qualificações literárias particulares foi chamado a trazer à luz verdades que haviam estado ocultas por eras — verdades em si grandiosas e sublimes; contudo, ao serem trazidas à luz, foram vestidas em linguagem não tão eloquente quanto poderia agradar aos ouvidos de muitos entre os sábios. Não foram enfeitadas ao estilo da oratória moderna; e por isso, foram rejeitadas pelo mundo elegante e religioso. O mundo religioso havia sido ensinado e completamente moldado segundo a moda e o saber deste mundo, de tal modo que um homem não podia ser considerado pregador ortodoxo qualificado, a menos que tivesse passado pela faculdade e adquirido o saber da época.

Eis, então, que um jovem iletrado se levanta com um sistema de verdadeira religião, que põe o machado à raiz de todo outro sistema na Cristandade. Vede as probabilidades que aparentemente estavam contra este jovem, o próprio Joseph Smith, o mártir, o Profeta do Altíssimo — sem instrução — sem recursos ou amigos para apoiá-lo — com toda a maré do sentimento popular voltada contra ele, apoiada por todo o saber do mundo. Se o olharmos com olhos mundanos, as probabilidades estavam materialmente contra ele.

Estais familiarizados com a história da Igreja, e bem sabeis como as coisas se desenrolaram. Conheceis as muitas provações a que Joseph, o Profeta, e seus amigos foram submetidos, e as dificuldades com que tiveram de lutar. Mas houve alguma vez uma ocasião em que o inimigo obteve vantagem sobre a verdade do céu ou frustrou os propósitos deste jovem iletrado? Não. Não convocaram eles em seu auxílio todo o saber e toda a astúcia do mundo, à proporção que a causa que ele defendia crescia? E tiveram eles algum êxito maior? Quando a causa se tornou mais extensa entre os homens, teve a oposição algum êxito maior do que no início? De modo algum.

Com o passar do tempo, os élderes saíram a pregar este evangelho; e lembrai-vos, não muitos sábios — não muitos poderosos foram chamados, e posso dizer, nenhum sequer. Com as habilidades limitadas que possuíam, saíram a proclamar um sistema de verdade que punha o machado à raiz das falsas religiões e da falsa filosofia do mundo; enquanto o saber, a popularidade e os recursos do mundo se voltavam contra nós, o que tínhamos de enfrentar; pobres e limitados em habilidades, em saber, e em qualificações mundanas, éramos desprezados e considerados um bando de párias.

Com todas as poderosas probabilidades contra nós, a verdade ganhou muito terreno. Deixai-me apelar para a experiência de todos os presentes, enquanto vos pergunto se já conhecestes uma ocasião em que um élder fiel, que manteve suas vestes limpas e imaculadas do mundo, jamais foi confundido ao administrar a palavra de vida tal como proclamada por meio daquele jovem iletrado, Joseph Smith? É certo que alguns que possam ter ficado "convencidos", ou inflados em suas próprias imaginações, foram frustrados, ou aqueles que estiveram em transgressão. Deus despreza uma vitória obtida por tais personagens. Ele não reconhecerá nem chamará sua uma vitória obtida nesta causa por um membro corrupto e ímpio de sua Igreja. Não sei com certeza como isso é, contudo, e não vou parar para investigá-lo. Basta dizer que são os puros de coração com quem Deus se compraz em trabalhar. Assim como qualquer bom artesão, quando deseja fazer um belo trabalho, quer ferramentas afiadas e limpas para realizá-lo. Não trabalhará com ferramentas cegas e enferrujadas para executar um belo trabalho.

Assim é com nosso Pai celestial: embora ele possa usar instrumentos aparentemente desajeitados, ainda assim são polidos conforme sua mente e vontade; e ele, sendo o mestre construtor, sabe o que mais lhe agrada.

Já esteve o maior campeão contra o "mormonismo" confiante o bastante em seu próprio êxito e triunfo em algum debate com os élderes desta Igreja a ponto de publicar seus próprios argumentos junto com os de seu oponente? Não sei se houve tais casos, mas nenhum me ocorre agora à mente; enquanto, por outro lado, nossos fiéis élderes nunca tiveram medo nem vergonha de publicar ambos os lados da questão para que todos os olhos os examinassem.

Frequentemente temos visto artigos em jornais públicos, e também livros publicados contra nós com zelo ardente, e inflamados de vingança contra nós, e aparentemente calculados para nos derrubar, expondo o que chamam a maldade dos "mórmons," iludindo e enganando seus ouvintes com falsidades astutamente arquitetadas. Muitíssimos casos deste tipo temos visto, e também vimos seu fim. O Todo-Poderoso pôs sua mão sobre eles, e afundaram tão baixo que a mão mais fortemente preconceituosa contra nós já não alcança para trazê-los de volta. Seu poder se tornou fraqueza, e sua influência está desfeita para sempre pelo sopro do Todo-Poderoso.

Perde o evangelho eterno sua influência entre os bons e puros da humanidade? Somente sobre aqueles que não estão dispostos a praticar a retidão é que sua influência se perde — sobre aqueles que gritam: "Grande é a Diana dos Efésios;" mas com os filhos honestos e sinceros dos homens é tão doce agora quanto sempre foi; e para eles seus encantos aumentam, apesar de todas as provações e dificuldades que suportam por causa dele.

"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." Era o evangelho do reino que foi pregado nos dias antigos — nos dias dos Apóstolos, que se espalhou por toda a terra, e cujas palavras chegaram aos confins do mundo? Era o evangelho, mas concluo que não era o evangelho do reino; pois este deveria ser revelado no tempo em que o reino de Deus fosse estabelecido sobre a terra, para permanecer para sempre. "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim."

Onde tem sido pregado este evangelho? Pelos Estados Unidos da América, na Europa, na Ásia e na África. Não digo que tenha soado distintamente aos ouvidos de todos os viventes; mas digo que o som se espalhou por toda a terra, e suas palavras até os confins do mundo.

Recordo-me de certo ditado numa revelação que foi dada aos Santos nos primeiros dias desta Igreja. O Senhor disse, por meio de Joseph Smith, que competia a todo homem, depois de ser avisado, avisar a seu próximo, para que todos ficassem sem desculpa. Se todo o povo que ouviu a palavra tivesse sido tão fiel em avisar seu próximo quanto os poucos élderes que agora estão sob o som de minha voz têm sido em avisar aqueles com quem se associaram, e a quem foram enviados, e entre quem trabalharam, não estaria todo o mundo plenamente avisado neste momento? Sim.

Em outra revelação aos primeiros élderes desta Igreja, que haviam saído a pregar em sua fraqueza (sendo então chamados de volta a Kirtland, Ohio), o Senhor disse-lhes que lavassem os pés em testemunho de que estavam limpos do sangue desta geração, e prossegue dizendo: "Em verdade vos digo que aqueles que não são os primeiros élderes continuem na vinha até que a boca do Senhor os chame, porque ainda não é chegada a sua hora; suas vestes não estão limpas do sangue desta geração." Aqueles primeiros élderes haviam trabalhado apenas curto tempo na vinha — talvez um ou dois anos, quando lhes foi dito: "Vossas vestes estão limpas."

Há élderes que têm trabalhado de mar a mar, de ilha em ilha, de país em país, e gastaram o vigor e a força de seus dias na obra de proclamar o evangelho. Não poderemos dizer, pelo mesmo princípio, que suas vestes estão limpas do sangue desta geração? Se assim é, o que isso implica? Que não seremos tidos sob condenação se nunca mais lhes pregarmos. E há outra coisa implícita nisto: Se esta geração se levantar contra vós para vos matar por causa de vossa religião, e por serdes justos, estando vossas vestes livres do sangue deles, e vós os matardes, o sangue deles recairá sobre suas próprias cabeças. Isto é o que entendo por estar livre do sangue desta geração. É um ditado importante. Em minha opinião, significa mais do que um observador casual lhe atribuiria. É um ditado profundo. Se os tendes avisado — os tendes chamado ao arrependimento — lhes tendes oferecido a bênção da vida eterna por meio do evangelho, e eles a rejeitam, aconteça o que lhes acontecer, vossas vestes estão limpas de seu sangue.

Vemos agora que o evangelho se espalhou por todas as nações, países e reinos; pois o homem que foi avisado deveria ter avisado a seu próximo, e a nação que foi avisada deveria ter avisado a nação vizinha, etc.; de modo que estão sem desculpa perante Deus, qualquer que seja a desculpa que possam alegar perante o homem.

Podemos ver o êxito inabalável do evangelho desde o tempo em que Joseph obteve as placas até agora, e a derrota e a queda de todo opositor que se levantou para se opor a seu progresso. Se tivesse havido algum propósito em Deus de que esta obra fosse derrubada, não teria ele permitido que isso acontecesse antes de agora? Pois todos os meios que possivelmente poderiam ser inventados pelos poderes da terra e do inferno foram empregados contra ela, e todo homem que se levantou contra ela caiu, e suas obras publicadas se tornaram um fedor nas narinas até mesmo desta geração ímpia, para não falar dos Santos. Os próprios ímpios se envergonham de seus ditos e de seus escritos contra a causa da verdade. Suas exposições do "mormonismo," como as chamam, mal saem frias da imprensa e já estão mortas, sua influência aniquilada, e não há venda alguma para seus livros. As palavras do Apocalipse aplicam-se muito apropriadamente a seu caso — "ninguém mais compra as suas mercadorias."

Ouso dizer que jamais foi publicada obra alguma contra esta obra, senão com o propósito de obter ganho. Os homens não foram inspirados a se opor a ela pelo bem das almas dos homens, mas para salvar seu ofício, seu salário, seu partido, sua honra, e seu crédito à vista dos homens.

O sistema de verdade revelado por meio de Joseph Smith não está vestido em linguagem tão eloquente quanto esta geração literária desejaria. Como regra geral, sabeis, um verdadeiro velhaco refinado veste o mais fino pano — a roupa mais elegante, para que seja tido por homem honesto por aqueles que julgam pelas aparências externas e não por juízo reto. A verdade nem sempre está vestida no estilo mais elegante, ou segundo as ideias deste mundo; mas o Senhor a envia na forma de pedra de tropeço e rocha de ofensa. Não lhe agrada conformar-se às visões desta geração. Eles têm de aceitar a salvação exatamente como ele lhes oferece, ou então aceitar a condenação: podem escolher. Não cabe a eles servir o prato que hão de comer; mas cabe ao Todo-Poderoso prepará-lo como lhe convier; e se o pecador o tomar, ele o curará.

O paciente não prescreve nem diz ao médico o que quer dele — isto é, supondo que o médico seja o que deveria ser. Ele examina o paciente, conhece a natureza da doença, e prescreve de acordo com ela. O paciente toma o remédio, e não faz perguntas por questão de consciência.

Assim é com nosso Pai celestial. O mundo está doente, e ele preparou um remédio, e o serviu como lhe conveio, sem consultar os apetites viciados desta geração tísica a quem o administra. É como uma raiz saída de terra seca: não tem forma nem formosura, nem beleza que os homens a desejem. Desajeitados e despidos de sabedoria mundana como estão, eis que os iletrados élderes de Israel são enviados com ela, e marcharam pelas faculdades e instituições literárias do mundo culto, e derrotaram os que ousaram sair para se opor, e os puseram em fuga; e todo o seu saber, iniquidade, astúcia e sabedoria mundana se transformaram em loucura.

Um garotinho, cheio do Espírito do Deus vivo, lança uma ideia que reduz por completo a nada todos os seus cálculos. Uma simples frase da boca de um jovem sem instrução muitas vezes dissipa sua sabedoria profunda em tolice e disparate. Não sabem o que fazer. Tentam agarrar uma coisa sem forma nem formosura. Não sabem por onde pegá-la; e quando pensam que a seguraram, ela lhes escapa entre os dedos. Tal tem sido o grande êxito da pregação da palavra.

Ora, então, se recorrerem à força das armas ou à força bruta para nos subjugar, não poderemos calcular com segurança que os resultados serão semelhantes aos do embate mental? "Falai primeiro de Deus acima, depois do homem abaixo, Como podemos raciocinar senão a partir do que sabemos?"

Até aqui, de fato sabemos e entendemos. Está demonstrado por nossa experiência, e estamos preparados para dizer que é verdadeiramente assim. Eis que os ímpios estão relutantes em converter-se pelos meios brandos que o Senhor Deus de Israel introduziu. Estão convencidos de que não podem prevalecer contra nós por argumento; e mesmo a poligamia, em todas as formas exageradas que queiram dar-lhe, oferece obstáculos formidáveis demais para que a enfrentem por argumento, Escritura, filosofia, ou verdade. Mas "há de ser vencida," diz o inimigo; e "não descansaremos até termos recorrido ao último extremo. Tentaremos a força das armas!" "Muito bem, se esse é o vosso modo de guerra," diz o Todo-Poderoso, "não o desejo; mas vos mostrarei que não sou apenas um homem de razão, Escritura e verdade, mas também um homem de guerra. Se a força das armas é o vosso plano e modo de ataque, me achareis pronto a vos enfrentar nisso e em qualquer método que adotardes."

Eis que se levantam em guerra contra os Santos. Os Santos, até aqui, quando atacados em princípios morais e bíblicos, se levantaram para se opor ao inimigo. Se não o tivessem feito, o inimigo teria nos subjugado. Sempre o enfrentamos com a verdade e os simples argumentos que Deus nos forneceu, e sempre fomos bem-sucedidos; e talvez, se nos tivéssemos levantado para nos opor a ele pela força das armas, pudéssemos ter sido igualmente bem-sucedidos: mas não posso dizer como isso seria. O tempo, provavelmente, não havia chegado para tomarmos essa posição; e consequentemente, quando se chegou à força das armas, foi necessário que o inimigo se tornasse o agressor. Foi-lhe permitido prevalecer contra nós por algum tempo; e se isso não foi precisamente o meio de nos colocar numa posição pela qual pudéssemos nos opor a ele com êxito dessa maneira, quando chegasse o tempo, podemos facilmente julgar. Suponho que está tudo certo e tem contribuído para nosso bem; e nisto podemos discernir que nosso Pai celestial nos exemplificou uma gloriosa verdade, de que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Se tivéssemos tomado essa posição no Missouri ou em Nauvoo, antes do café da manhã eles poderiam ter ordenado seus assuntos e vindo sobre nós, e teria sido necessário um exército permanente de anjos de Deus para nos defender. Mas o tempo ainda não havia chegado; portanto o Senhor permitiu que prevalecessem até que nos trouxesse aonde nos queria: "E então se cumprirão as profecias de meus servos nas cenas que hão de se passar convosco." Jamais poderia ter sido dito: "O monte da casa do Senhor se firmará no cume dos montes," se tivéssemos permanecido no vale do Mississippi.

O Senhor considerou necessário que fôssemos removidos para as câmaras do Todo-Poderoso, ou para algum lugar preparado para nos receber, onde ele pudesse manifestar seu poder, e obter para si um nome e uma honra que jamais serão esquecidos. Às vezes uma derrota equivale a uma vitória. Lembro-me de ter lido um relato, o dito de um célebre General, depois de ter obtido uma vitória e perdido grande parte de seus homens. Um de seus oficiais o parabenizou por sua vitória. "Ah!" disse ele, "Outra vitória dessas me arruinaria por completo."

Às vezes a vitória é pior do que a derrota. Considero que a derrota que os Santos sofreram equivale a uma vitória, e é melhor do que uma vitória, porque chegamos a um lugar que o Senhor queria que ocupássemos.

Dizemos que, contra todo o saber, ciência, habilidade, talento, etc., deste mundo, voltados contra nós, tornando as probabilidades quase suficientes para desanimar qualquer povo que não fossem os Santos dos Últimos Dias, prevalecemos; e quando chegarem à força das armas, isto também há de ser superado. Usarão a força das armas; pois, dizem eles, "Os 'mórmons' têm de ser vencidos, ou tomarão nosso lugar e nossa nação, e seremos derrubados, e não haverá como deter este povo, se o deixarmos avançar mais." E alguns pensam que já foi longe demais para pararem agora. Endosso o sentimento. Deixaram avançar longe demais para seu propósito.

Creio que, quando o Todo-Poderoso concebe uma obra a fazer, ele a levará a cabo de alguma forma ou modo. Eis que estamos aqui, um pequeno povo reunido nas montanhas, e escassos de munições de guerra, enquanto por outro lado o mundo inteiro está cheio delas. Estamos escassos de roupas, mas razoavelmente abundantes de alimentos. E então vede as terríveis probabilidades voltadas contra nós. Vede seus milhares de tropas bem treinadas e os milhões de dinheiro à sua disposição. Podem levar a campo qualquer tamanho de exército, todos armados e equipados com esplêndidos suprimentos. Estas são poderosas probabilidades contra nós.

A ciência da guerra tem sido por eles estudada desde o início. Mantêm uma escola em West Point, na qual treinaram e qualificaram seus oficiais para assumir o comando, e são instruídos em todas as táticas da guerra moderna, exceto a nossa.

Ao chamado do Presidente dos Estados Unidos, há milhares que se alistarão como voluntários, e estarão todos armados e equipados, com dinheiro nos bolsos e mantimentos em suas sacas, e sem fim algum tampouco.

São todas estas coisas mais difíceis para superarmos, em nossa condição presente, do que foi superar o saber, a força, e a influência e o poder morais que se voltaram contra nós quando éramos apenas um punhado, e chamados a ir pregar a bem-vinda mensagem do evangelho? São as probabilidades maiores? Digo que não. O Deus que nos ensinou e sustentou ao proclamarmos este evangelho em sua simplicidade também nos sustentará em qualquer oposição que se levante contra nós, contanto que tenhamos o Espírito de Deus em nosso coração. Quando fomos pregar o evangelho, e tínhamos o Espírito de Deus em nosso coração, e não estávamos em transgressão, podíamos lidar com eles sem luvas, porque o Senhor estava conosco.

Tão certo quanto sermos, como povo, puros e imaculados perante Deus nosso Pai celestial, não há poder algum que possa prevalecer contra nós. Pouco me importa se têm toda a parafernália de guerra que o mundo possa produzir, o Todo-Poderoso tem armas de guerra em que jamais pensaram, e meios de defesa para seu povo, e se compraz em estender seu escudo sobre os que o servem e guardam seus mandamentos. As probabilidades podem parecer contra nós aos olhos do mundo; mas quando contemplamos que Deus está a nosso favor, e que todos os santos anjos no céu estão alistados a nosso favor, e temos pureza, sinceridade e verdade em nosso coração, estes são baluartes que não podem escalar. Que Deus conceda que sejamos protegidos com este tipo de armadura!

Quero agora falar a respeito de algumas coisas que pertencem mais particularmente aos indivíduos. Sabeis que ser honesto, quando não há tentação de ser de outra forma, não é crédito particular algum para nós. Ter eu a chance de estender a mão e roubar o alimento de meu vizinho, quando tenho de sobra, e não o fazer, não é crédito particular algum a meu favor por ser honesto. Suponde que eu esteja vestido com toda a roupa que desejo, e minha família também esteja bem provida nesse aspecto; se eu fosse roubar roupas, seria extremamente ultrajante, e não haveria crédito algum a meu favor por me abster de tal ato. O tempo de testar nosso real mérito e integridade é quando estamos apertados pela fome e escassamente vestidos: então é o tempo de nos testar. Não digo que uma pessoa que roubasse sob tais circunstâncias estaria de algum modo mais justificada. Que uma pessoa seja forçada a roubar comida, para salvar sua vida, é circunstância que raramente ocorre com um homem justo e reto. Deveria, porém, um bom homem ser reduzido a tais extremos, há geralmente, entre os Santos, provisão feita contra tais emergências, tornando o roubo desnecessário em qualquer circunstância. Temos ouvido falar de alguns casos em que roupas foram lavadas e postas para secar, e foram levadas por alguma pessoa durante o dia, e camisas e outros artigos que não é necessário mencionar.

Irmãos e irmãs, desejo apenas dizer: Sejam limpas nossas mãos, e tentemos com todo o nosso poder obter o que realmente precisamos, e obtê-lo de maneira honrosa e legal. Não queremos estragar a vitória que está bem diante de nós, metendo-nos em coisas que não são nossas, nem convenientes. Se eu fosse desculpar tais atos com base no princípio da escassez e da necessidade, seria uma licença para que todos "se metessem" tendo disposição para isso, e ninguém estaria seguro. Fiquemos vigilantes — vigiemos a nós mesmos, e não permitamos que qualquer ato ilegal nosso manche a gloriosa vitória que nos aguarda. Perseveremos e façamos o melhor que pudermos, e deixemos em paz as coisas de nosso próximo, a menos que possamos persuadi-lo a vendê-las ou a dá-las a nós. Não enfraqueçamos nossa própria confiança perante Deus. Mas precisamos marchar, ombro a ombro, sobre os princípios da pureza e da integridade; e assim como temos permanecido ombro a ombro até aqui, e levado este evangelho às nações da terra, e sido puros de coração perante Deus, alguma vez falhamos em realizar os propósitos do Céu? Não. E digo-vos, na medida em que nosso coração é puro como povo, cheio de integridade e do Espírito Santo, poder algum jamais prevalecerá contra nós de agora em diante e para sempre. Sinto em minha alma e oro a Deus que abençoe os puros de coração, que buscam fazer sua vontade, viver sua religião, e honrar seu Deus; e ainda veremos o desejo de nossas almas e ficaremos satisfeitos.

Os sacerdotes da Cristandade agora dizem: "Não podemos resistir diante deste homem," e advertem seus rebanhos para que fiquem longe dos Santos dos Últimos Dias. "Estás lendo aquela 'Voz de Aviso'? Tira-a de tuas mãos e põe-na fora de tua casa, pois é um livro perigoso. Afasta de ti seus panfletos e livros, pois são perigosos; e fica longe, fica longe daqueles homens perigosos que estão virando o mundo de cabeça para baixo." Este é o clamor por todo o mundo. Qual será o clamor quando se levantarem contra nós e tentarem a força das armas? Será — "Não subamos contra Sião, pois seu povo é terrível: fiquemos longe, fiquemos longe." Um clamor segue no rastro do outro. O que torna o povo de Sião terrível? Resposta: estrita honestidade e integridade perante Deus. Isso é o que trará a nuvem de dia e o brilho de uma chama de fogo de noite; e sobre toda a glória haverá uma defesa. Deus cercará o povo de Sião como que com um muro de fogo, e desnudará seu braço à vista da nação que guerreia contra ela, e ela será como um farol para os navegantes; e homens virão e trarão suas roupas e seus tesouros, e teremos abundante provisão de tais coisas. Cuidemos do que temos, mantenhamo-lo limpo e remendemo-lo, cuidemos de nossas ovelhas e cultivemos todo o linho e toda a lã que pudermos, e o Senhor completará o restante; e se procedermos corretamente, veremos que temos um tesouro transbordante de toda coisa boa; o que Deus conceda, por amor de Cristo. Amém.

Como citar este discursoOrson Hyde, “Oposição ao Evangelho e à Obra de Deus — Honestidade, Etc”, (1857-11-15). Pulpit Vault, 1857-11-15-hyde-opposition-to-the-gospel. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).